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domingo, 25 de junho de 2017

Lutero: Atleta de Cristo


Lutero: Atleta de Cristo
P. em. Dr. Martim N. Dreher (Portal Luteranos
Lutero teve formação como monge. Quis ser obediente, pobre, casto, afastar-se do mundo e rezar. O mosteiro era ilha isolada. Havia obediência aos superiores e o monasticismo tinha longa história. Foi dos grandes poderes do Ocidente. Mas teve seu fim com o movimento de Lutero. Ordens religiosas continuaram a existir após a Reforma, mas não tinham mais a importância de outrora.
O monge assumia a castidade e negava a sexualidade. Rompia com o temporal, dedicando-se apenas à contemplação do Eterno. Não fazia mais parte da história de gerações: não gerava filhos. Após anos de isolamento monástico, Lutero ficou confuso ante o mundo e seus desafios e ansiou pela tranquilidade do mosteiro.
Os primeiros eremitas eram “anacoretas”, pessoas que fugiam dos pesados impostos, se ocultavam no deserto, onde polícia alguma se aventurava a procurá-los. Não produziram livros. As informações que temos deles vêm de lendas. No deserto, rezavam e dedicavam-se a tecer esteiras. Únicos companheiros eram os demônios que os visitavam com frequência, pois a ascese não evitava as tentações. E eles queriam ser tentados. Pediam pela graça de poderem morrer pela espada, mas os demônios preferiam torturá-los e matá-los lentamente. Sangravam a alma ao invés do corpo.
Tortura preferida dos demônios era a sexualidade. Desde os monges egípcios a humanidade passou a considerar mulheres como a origem do mal. Essa ideia tomou conta do cristianismo. As tentações de Santo Antão, para o qual o diabo sempre se apresentava na forma de bela mulher, foram lidas nos mosteiros. O antifeminismo tem sua história, e em seu decorrer foi amenizado pela devoção a Maria. Mas não desapareceu por completo e se manifestou especialmente nas Regras das Ordens Religiosas. A regra dos agostinianos considerava pecado fitar mulher, e os confrades estavam obrigados a denunciá-lo, seguindose: prisão com os pés algemados, a pão e água.
Lutero afirma não ter olhado para mulher nem mesmo quando lhe ouvia confissão. Estava mais preocupado com outra questão. Não era muito chegado a visões e arrebatamentos, oferecidos pela mística da época, com suas fantasias sexuais, nas quais o noivo Cristo era beijado, e acariciado em casamentos místicos. Lutero não seguiu essa tendência. O pouco tempo em que “namorou” com a mística alemã, foi quando buscava acesso direto a Deus.
Para Lutero, “libido” envolvia o ser humano como um todo e toda a sua vida. “Carne” é a pessoa com todas as suas qualidades que são o contrário de uma alma que busca Deus. Quando fala de sua tentação, fala de ira, impaciência, cobiça. Jamais vai dizer que a libido é a maior delas.
Lutero está repetindo a relação dos sete pecados capitais segundo o catálogo de monges que buscavam vida perfeita diante de Deus: soberba, inveja, ira, indiferença, avareza, gula, luxúria. Após o vício maior, a soberba, seguem os vícios da área espiritual e, depois, os três vícios da vida corporal. Não recitava todos eles. Muitos não lhe diziam respeito por estar no mosteiro. O que mais o marcou talvez tenha sido a “indiferença”, relacionada à hipocondria. Lutero enfrentou muita depressão. Além disso, tinha explosões de “ira”, mas logo buscava reconciliação.
A soberba vinha à frente dos pecados. Dava origem aos demais. A soberba se manifestava, quando o eremita se distanciava do mundo e das pessoas. Buscava conseguir primazia em relação aos demais mortais. Poucos seriam os perfeitos, muitos os fracos. A soberba se manifestava na ascese dos pais do deserto. Foi no deserto com suas altas temperaturas durante o dia e o frio gélido das noites que se desenvolveram as mais absurdas formas de monasticismo. Ascese era, originalmente, designação para o treinamento dos atletas profissionais. Por isso, os primeiros eremitas designavam-se de “atletas de Deus” e travaram verdadeiras competições entre si para ver, quem atingia os mais altos índices. Os primeiros deles até que foram comedidos. Não tinham Regra e não estabeleceram castigos, quando começaram a se reunir em comunidades. Só queriam ser diferentes dos pagãos. Usavam vestes escuras para se diferenciarem dos filósofos gregos que usavam manto branco. Também descuidavam do corpo. Em seus dias as pessoas ricas da Antiguidade passavam o dia em banhos e saunas. Os eremitas só consumiam um mínimo em alimentos. Em breve, porém, alguns deles passaram a serem considerados heróis, taumaturgos e exemplos que estabeleciam recordes ascéticos. O primeiro desses recordes a ser estabelecido era o da solidão. A curiosidade das pessoas do mundo urbano que os visitavam no deserto queria mais. Por isso, alguns “atletas de Deus” amarraram pesadas correntes ao corpo, fazendo se enterrar. O auge entre essas figuras foi estabelecido por Simão, o estilita. Pessoa de saúde admirável, primeiro fez-se enterrar por dois anos; depois, subiu em coluna de vinte metros de altura, sobre a qual passou os últimos trinta anos de sua vida. Na pequena plataforma no alto da coluna, Simão orava e fazia genuflexões. Um admirador tentou calcular quantas teriam sido. Com elas estava mais próximo a Deus. Após sua morte, muitas construções surgiram em torno da coluna. Simão foi utilizado pela igreja por representar exemplo de vida cristã. O cálculo dos exercícios desse “atleta de Cristo” motivou críticas de Lutero.
No deserto surgiu o mosteiro com Regra, sob a direção de um Abade e atividade produtiva. Preguiça deveria ser eliminada. Eremitas teciam esteiras. Os mosteiros variaram a produção. O organizador do primeiro mosteiro, Pacômio buscou por “ordem” num mundo em “desordem” e se tornou protótipo. E os mosteiros se transformaram em importantes centros de produção. Além disso, tornaram-se centros de cultura e de preservação, em oposição aos eremitas que a negavam. O monge tinha que ler e escrever, decorar a Bíblia. Estabeleceram-se regras, disciplina supervisionada. Foi nesse tipo de mosteiro que Lutero ingressou.
Lutero se desenvolveu nessa mais antiga forma de vida cristã. Movimentos reformatórios sempre de novo invocaram os primórdios do cristianismo, se bem que pensassem nas formas anteriores ao surgimento de eremitas e mosteiros. Lutero estava convicto de que acontecera crescente “decadência” e que era necessário retorno às origens.
 “Reforma” foi conceito que acompanhou a história dos mosteiros, que é contada em ciclos de “decadência” e de “reforma”. Quando Lutero ingressou na Ordem dos Agostinianos esta se encontrava dividida. Havia grupo que exigia reforma e outro que se lhe opunha. “Obediência” era um dos votos dos monges. Ela era prestada em relação ao superior da ordem, mas não impedia desobediência em relação a outras instituições como o papado. Até os dias de Lutero, os agostinianos se vangloriavam de ser a ordem mais obediente e de jamais haverem produzido um herege.
“Pobreza” era outro dos votos. O monge era pobre; o mosteiro era rico. Grande era considerado o abade que fosse grande administrador, fazendo crescer o Reino de Deus. Os mosteiros medievais preservaram a Antiguidade, quando as ordens bárbaras invadiram a Europa. Essa preservação manteve o que de mais precioso foi criado pelo ser humano. Também contribuíram para o progresso econômico das regiões em que se estabeleceram. Secaram pântanos, dominaram florestas, conformaram a Europa, hospedavam viajantes, cuidaram de enfermos. Mas não eram pobres. Patrocinavam as artes. Foram proprietários de grandes
extensões de terras. Alguns abades eram designados de príncipes e viviam como se o fossem.
Não havia pobreza no mosteiro de Lutero. Os agostinianos não eram tão ricos quanto os beneditinos, mas tinham posses. No século XVI, a acumulação de bens e de privilégios de parte dos mosteiros era tão grande que um reordenamento se fazia necessário. Do lado da igreja se falava na “ganância” do Estado, do lado do Estado se falava na “ganância” da igreja. Os agostinianos eremitas detinham 103 mosteiros na Alemanha.
O de Erfurt existia desde 1256. Lutero trajava-se com o hábito negro, preso com cinto de couro preto. Sobre ele vestia escápula branca. Camisa de lã servia de camiseta. Durante a noite vestia escápula com touca branca. Lutero usou o hábito negro muito tempo após haver rompido com Roma. O mosteiro de Wittenberg foi sua residência até à morte.
No mosteiro, foi “o monge” como se o imagina: foi tentado pelos demônios e acossado pelos pecados da soberba, da ira, da tristeza e do coração indeciso. Observou os votos monásticos, menos um: o da obediência. Não foi atleta de Cristo, não estabeleceu recordes ascéticos, não foi santo, sua ordem não os tinha. Queria algo bem simples: um Deus misericordioso. Sua desobediência consistiu em procurá-lo por caminhos diversos dos oficiais. Nisso consistiu sua heresia.
O autor é Pastor e Professor
emérito da IECLB, residente
em São Leopoldo/RS

segunda-feira, 15 de maio de 2017

O Peregrino: O livro e a ópera


“O Peregrino”


(Dedicado ao leitor Adonias dos Reis Santiago, de Brasília)

A verdadeira felicidade só é encontrada quando definimos o propósito da nossa existência” (W.Cowper)

Antes, durante e depois da Segunda Guerra Mundial os evangélicos brasileiros foram incentivados a ler O Peregrino, de John Bunyan (1628-1688), a maior obra alegórica da literatu-ra inglesa.
Presenteado por Frederica Torres (1897-1981), tia e
mãe adotiva, li “O Peregrino” em 1939, quando tinha 10 anos de idade. Esse livro me orientou em alguns passos importantes.
                  Lembro que era fácil encontrar nos lares evangélicos um quadro intitulado “Os dois caminhos”, talvez inspirado pela alegoria de Bunyan, que simbolicamente dizia: “O cristão não pertence a este mundo; está marchando para o Céu”. Bunyan tinha uma nova “visão de mundo” (ver: Bunyan, John. O Peregri-  no. São Paulo: Imprensa Metodista, 1972; Editora Mundo Cris- tão, 1981).
                   Os meninos de nossos dias podem assistir o filme “Pilgrim’s Progress – Journey to Heaven”, produzido em 2008 por Danny Carrales, com Terry Jernigan. É uma adaptação para as crianças do livro de Bunyan.
Bunyan, ao escrever “The Pilgrim’s Progress” (entre
1667 e 1672), igualou-se a John Milton (1608-1674), na opinião do crítico literário Otto Maria Carpeaux. Este erudito intelectual comparou o começo da alegoria de Bunyan (“As I walked through the wilderness of this world”) com o da obra de Dante (“Nel mezzo del camin di nostra vita”), fazendo um paralelismo moral entre a Itália (século XIII) e a Inglaterra (século XVII).
                   Lembrou o dramaturgo irlandês George Bernard Shaw que o inglês Bunyan foi afastado do teatro pelo Puritanismo.
Segundo o poeta Samuel Coleridge (1772-1834) a
obra foi escrita “no mais vulgar estilo; se você quiser melhorá-lo, deverá destruir a realidade da visão”. O realismo de muitos personagens pode ser reconhecido na experiência diária, decor-ridos 350 anos da elaboração da alegoria.
                   O estilo literário, no início do século XVII,  ainda era douto (William Shakespeare, 1564-1616) e realizou a versão do rei Tiago para a Bíblia inglesa; no fim, a prosa simples de Bu-nyan tornou-se a característica da língua inglesa moderna.
                   Devemos ponderar que os Dissidentes (batistas e ou-tros evangélicos) sofreram sob o código de Edward Clarendon (1609-1674): foram excluídos da vida política, da administração municipal e das universidades. Apesar disso, foi uma época mui-to importante da literatura inglesa.
                   Bunyan escreveu “O Peregrino” durante o período que passou na prisão(1660-1672),no reinado de Carlos II (1660-1685) era pastor da igreja batista em Bedford e favorecia o canto con- gregacional. No “Baptist Hymnal”(1975) figura seu hino “He Who Would Valiant be”, escrito em 1684, um dos mais antigos da hinodia batista.
                   Apelando à classe média inferior inglesa, Bunyan transmitiu para a posteridade muito do que era nobre no Puritanismo britânico.
                   Em seu livro, Bunyan descreve a viagem de “Christ-ian” (Cristão), da Cidade da Destruição para a Cidade de Deus, passando pelo Desfiladeiro do Desespero, a Aldeia da Moral, a Colina da Dificuldade, o Vale da Humilhação, a Feira das Vai-dades e o Rio da Morte, usando citações e alusões bíblicas.
                   Em 1987, em São Paulo, tomamos conhecimento da existência de uma gravação, em disco LP, da “moralidade” de Vaughan Williams, baseada na alegoria de Bunyan, feita sob a regência de Adrian Boult.
                   Agora, graças ao mecenato praticado pelo nosso amigo Rosber Neves Almeida, temos a gravação, em disco CD de 20-bit, realizada em 1997, com o Coro e a Orquestra da Royal Opera House, regidos por Richard Hickox.
                   O compositor britânico Ralph Vaughan Williams (1872-1958) tinha compilado canções folclóricas e organizado edições de música religiosa inglesa, além de compor sinfonias e óperas. Impressionado pela busca de Bunyan, VW refletiu sobre a fé puritana e a ética evangélica em seus dias; podemos comparar a arenga evangélica e a ideologia burguesa do século 21.
                   VW teve a ideia de compor uma ópera baseada em “O Peregrino”; ela surgiu em 1906 quando compôs uma melodia para a canção “Who would  true valour see, let him come hither”, que Bunyan pôs na boca do personagem “Cristão”.
                   Outros episódios foram compostos entre 1925 e 1936, quando VW parece ter decidido que alguns temas seriam aproveitados em sua Quinta Sinfonia (1943); vários temas da sinfonia aparecerão na “moralidade” (1951).
                   Depois de 45 anos, VW viu concretizar-se o seu sonho: em 26 de abril de 1951, no Covent Garden, em Londres, ocorreu a estréia da obra, dividida em prólogo, quatro atos e epílogo.
                   O compositor insistiu que a obra destinava-se ao pal-co, e não ao templo.
                   Apesar de suas deficiências dramáticas, a obra ofere-ce esplendor musical: no prólogo, quando o Pererino entra e grita: “Que farei?”; nas cenas da “House Beautiful” (Ato I) e da “Vanity Fair” (Ato III); no monólogo do Peregrino na prisão; no episódio das “Delectable Mountains” (Ato IV); nos “aleluias” do Peregrino. Os “quatro vizinhos” de Bunyan contrastam com os “três amigos” de Jó.
                   VW compilou o libreto; à alegoria de Bunyan, fez vá-rias adições, extraídas dos Salmos e outras fontes bíblicas; usou o nome “Peregrino”, ao invés de “Cristão”, porque conce-bia o personagem principal como alguém muito interessado na vida espiritual ... O propósito de sua obra era alcançar todos os que se preocupam com a vida espiritual. Alguns versos foram escritos por Ursula Vaughan Williams. Ela admitiu que seu mari-do tinha sido ateu durante o curso na universidade de Cambrid-ge, e que mais tarde tornara-se agnóstico.
                   Embora trate de assunto religioso, a obra de VW não pertence ao gênero sacro (ver: Herbert Murrill, “Vaughan Willi-ams’s Pilgrim”, Music & Letters, XXXII, 1951, p. 324).     
                   Filho de pastor anglicano, VW conhecia bem as tradições musicais; compôs melodias para hinos do “The English Hymnal” (1906) e “Songs of Praise”.
                   “O Peregrino” termina quando o personagem “Bunyan” chega ao centro do palco e apresenta um livro aos espectadores, dizendo: “Este livro fará de ti um viajante; ele te conduzirá à Terra Santa, se quiseres entender as suas instruções; então, vem, e põe o meu livro junto à tua cabeça e ao teu coração”  
                   Recomendamos esta obra de Vaughan Williams alertando para a circunstância de que, embora seja religiosa, não é sacra.                                      

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Brasília, DF, 08 de agosto de 2016.

Rolando de Nassau.

Assista a trecho da ópera:

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

As 13 lições que aprendi com a Arca de Noé


1º LIÇÃO - É importante ser pontual, e não chegar depois da hora programada de partida.
2º LIÇÃO - Lembre-se que todos são diferentes, mas estamos no mesmo Barco.
3º LIÇÃO - Planos para o futuro? Não estava chovendo quando Noé começou a construir a Arca.
4º LIÇÃO - Nunca se sinta velho, apesar do fato de alguém dizer que seu tempo já passou e que na sua idade você não pode fazer nada de grande importância.
5º LIÇÃO - Não dê atenção à censura, continue o trabalho que lhe foi confiado.
6º LIÇÃO - Tudo o que você fizer ou construir que seja de boa qualidade, mesmo não sendo expert ou o que você mais saiba fazer.
7º LIÇÃO - Quando procurar uma companhia para sua viagem na vida, encontre uma pessoa que tenha os mesmos ideais relacionados a você. Os opostos podem se atrair, mas não conseguirão muito mais que isso. Então procure um parceiro que compartilhe a mesma meta e visão de continuar caminhando para a Arca.
8º LIÇÃO - Se você sentir que seu progresso é lento, não se desespere por que o importante é a perseverança. As tartarugas estavam a bordo da Arca e foram salvas assim como os animais ágeis.
9º LIÇÃO - Apesar de no início você se sentir sozinho ou de fazerem piadas, não se desvie da estrada e escolha os alvos corretos.
10º LIÇÃO - Não despreze os esforços das pessoas comuns, a Arca foi construída por amadores e o Titanic por profissionais.
11º LIÇÃO - Não existe opção! Você tem que participar na construção da Arca, a fim de poder ser salvo por ela. Não há volta!
12º LIÇÃO - Uma só equipe e seus membros construíram a Arca, não construíram cada um a sua.
13º LIÇÃO - Não importa qual a tempestade você esteja enfrentando. 
*Se tiver fé, haverá sempre uma esperança à sua espera.*

Autoria desconhecida

domingo, 27 de novembro de 2016

As três vias da evangelização apaixonada




Existe a evangelização mercenária e a evangelização apaixonada. Elas têm motivações opostas, propósitos opostos, métodos opostos e costumam produzir resultados opostos.
As três vias da evangelização apaixonada são a oração, o exemplo e o anúncio.

A evangelização pela oração

É preciso orar pelos descrentes por causa do estado de morte em que se encontram todos os mais de 6 bilhões de habitantes do planeta, sem nenhuma possibilidade de retornar à vida.

Todos pecaram, dizem as Escrituras, e “estão destituídos [ou privados] da glória de Deus”, ou “afastados da presença gloriosa de Deus” (Rm 3.23, NTLH). Estão todos “mortos em pecados e delitos” (Ef 2.1). A terra é um vale cheio de ossos sequíssimos, que precisam se juntar osso com osso outra vez, e receber carne, tendões, pele e espírito, para tornarem a viver (Ez 37.1-10).

É preciso orar por causa da extrema dureza do coração humano (Jr 3.17; 7.24; 11.8; 16.12; 18.12). O pecador tem “coração obstinado” (Is 46.12), “tendão de ferro no pescoço” e “testa de bronze” (Is 48.12). Ele carrega uma bagagem enorme de apatia, ignorância, cegueira, loucura, incredulidade, tradicionalismo, preconceito, soberba e servidão pecaminosa.

É preciso orar porque só Deus é capaz de fazer o mais difícil de todos os transplantes: “Tirarei do peito deles o coração de pedra e lhes darei um coração de carne” e “colocarei no íntimo deles um espírito novo” (Ez 11.19, EP).

A evangelização pelo exemplo

É preciso viver o que se prega, senão a evangelização torna-se uma hipocrisia. Essa incoerência entre conduta e mensagem gera indignação, desprezo, zombaria, escândalo, incredulidade e rejeição.

Jesus deu muita ênfase à evangelização pelo exemplo, quando declarou francamente: “Vocês são o sal da terra para a humanidade; mas, se o sal perde o gosto, deixa de ser sal e não serve mais para nada; é jogado fora e pisado pelas pessoas que passam” (Mt 5.13, NTLH). No mesmo Sermão do Monte, Ele ensina que “uma cidade construída sobre a montanha não fica escondida” e “não se acende uma lâmpada para colocá-la debaixo de uma caixa, mas sim no candelabro, onde ela brilha para todos os que estão em casa”. Em seguida, Jesus ordena: “Assim também, a luz de vocês deve brilhar para que os outros vejam as coisas boas que vocês fazem e louvem o Pai de vocês, que está no céu” (Mt 5.14-16, CNBB e NTLH). Somos agora o que Jesus foi no passado: “Enquanto estou no mundo, eu sou a luz do mundo” (Jo 9.5). A igualdade da missão de Jesus com a de seus discípulos aparece também na Grande Comissão: “Assim como tu me enviaste ao mundo, eu também os enviei” (Jo 17.18).

Aos coríntios, Paulo assume que, “como um perfume que se espalha por todos os lugares, somos usados por Deus para que Cristo seja conhecido por todas as pessoas” (2 Co 2.14, NTLH). Tornamos o evangelho conhecido mais pelo perfume do que pela palavra. Abusando da figura, é possível acrescentar: mais pelo olfato do que pela audição. Foi por isso que São Francisco de Assis disse: “Evangelize sempre; se necessário, use palavras”.

Pouco na frente, o mesmo Paulo garante aos seus filhos na fé: “Nossa carta de recomendação são vocês mesmos..., conhecida e lida por todos os homens” (2 Co 3.2, EP). Horácio, o poeta romano do primeiro século antes de Cristo, dizia que “mais profundamente nos impressiona aquilo que vemos do que aquilo que ouvimos”.

O exemplo de quem é sal da terra, luz do mundo, perfume de Cristo e carta de apresentação se manifesta pelas boas obras. Aliás, somos “criados em Jesus para as boas ações, que Deus de antemão preparou para que nós as praticássemos” (Ef 2.10, EPC). Se o evangelho não alterou o nosso comportamento e continuamos iguais aos não convertidos, não temos como evangelizar, pois “a fé que não se traduz em ações é vã” (Tg 2.20, CNBB), não tem valor, não vale nada, não produz nenhum fruto, é inoperante, é morta. Mostra-se a fé salvadora pelas obras e não pela mera confissão de fé. A única evidência visível da fé alojada no íntimo, ao olhar perscrutador do descrente, é constituída dos atos de obediência do crente. Entre esses atos convincentes estão a autenticidade (“comprometo-me a viver o que prego e deixar de pregar o que não vivo”), o casamento estável, o cumprimento do dever, a honestidade, a linguagem sadia (não agressiva, não bajuladora, não caluniadora, não mentirosa, não obscena, não soberba), as relações humanas aprovadas (controle do gênio, cordialidade, humildade, perdão), a sexualidade mantida dentro dos padrões bíblicos, o envolvimento social (posição pública contrária à injustiça) e o equilíbrio religioso tanto nas convicções como na defesa delas (o fanatismo é uma contra-evangelização desastrosa).

A evangelização pelo anúncio

Não basta orar e ser exemplo. É preciso ir. É preciso mover-se. É preciso falar. É preciso gastar tempo. É preciso apaixonar-se. É preciso vencer a preguiça, o comodismo e o acanhamento. É preciso atear o fogo do evangelismo. É preciso guardar-se tanto do ativismo (predominância da ação em prejuízo da oração) como do misticismo (predominância da oração em prejuízo da ação).

Entre o muito que se pode fazer para evangelizar os descrentes, os testas de bronze, os corações de pedra, ocupa lugar de destaque o ministério da amizade. Esse ministério consiste em amar profundamente as pessoas, aproximar-se delas, mormente os que sofrem, os enfermos, os enlutados, os pobres, os marginais e os marginalizados. Na verdade, “não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes” (Mt 9.12, NVI). O amor cria possibilidades e abre caminhos. Sem amor não se inicia uma conversa, não se faz evangelismo pessoal, não se dá uma porção bíblica ou um folheto de boa qualidade, não se convida alguém para um encontro ou para uma reunião na igreja.

A arte de trazer os excluídos do lugar onde estão para a sala do banquete e de obrigar (não no sentido de violação da vontade alheia, mas no sentido de insistir, atrair, encorajar) os mais distantes a entrar é um ministério maravilhoso e tem fundamento bíblico. Foi assim que, na Parábola do Grande Banquete, a sala se encheu de toda sorte de gente: “Vá pelos caminhos e valados e obrigue-os a entrar” (Lc 14.23, NVI). Simão Cirineu foi agarrado e obrigado pelos soldados a carregar a cruz de Jesus até o Gólgota (Lc 23.26). Muito provavelmente foi isso que mais tarde o levou à fé.

Quando a oração, o exemplo e o anúncio acontecem ao mesmo tempo, é muito difícil não haver novos convertidos. Isso, por sua vez, faz a Igreja crescer tanto em número quanto em qualidade.



As duas mais antigas estratégias para o crescimento da igreja evangélica brasileira

A proposta do escocês Robert Kalley, o primeiro missionário protestante a se fixar no país (de 1855 a 1876), fundador da Igreja Evangélica Fluminense (a mãe das igrejas congregacionais) era:

1) Publicar artigos na imprensa diária, para firmar certas doutrinas cristãs e expor os costumes da igreja primitiva, que são desconhecidos do povo.

2) Vender e distribuir livros e folhetos para instruir o povo no único caminho seguro da salvação.

3) Visitar casas particulares, lojas e oficinas para conversar sobre o amor de Deus, revelado na pessoa de Jesus e mostrar as boas dádivas do Pai Celeste para os que recebem a redenção tornada possível pelo sangue de seu Filho.

4) Instituir a prática diária do culto doméstico e ter reuniões familiares para leitura e estudo da Palavra e para louvar a Deus em espírito e verdade.

5) Socorrer os enfermos e aconselhá-los a confiar em Jesus somente, para o bem eterno de suas almas.

A proposta do americano Ashbel Green Simonton, o segundo missionário protestante a se fixar no país (de 1859 a 1867), fundador da Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro (a mãe de todas as igrejas presbiterianas) era:

1) A santidade da igreja deve ser ciosamente mantida no testemunho de cada crente.

2) O uso abundante de literatura evangélica. A Bíblia, e não somente a Bíblia, mas também livros e folhetos religiosos devem inundar o Brasil. É impossível envolver tão vasto país sem o auxílio da palavra impressa.

3) O evangelismo pessoal é de suma importância. Cada crente deve comunicar o evangelho a outra pessoa.

4) A formação de um ministério nacional idôneo, isto é, pastores brasileiros para brasileiros.

5) O estabelecimento de escolas paroquiais para os filhos dos crentes.

Como se pode observar, não havia um frenesi por números, mas uma preocupação muito grande com a santidade dos crentes e com o aprofundamento bíblico.

(Fonte: Entrevistas com Ashbel Green Simonton, p. 16-17, Editora Ultimato.)

domingo, 11 de setembro de 2016

A importância da amizade na evangelização dos universitários


Maurício Jaccoud da Costa
O povo brasileiro é reconhecido como um povo alegre, hospitaleiro, festeiro, e, principalmente, por fazer amizades de maneira fácil. Para a juventude atual os amigos são muito importantes na formação de valores e opiniões e eles estão abertos a conversar sobre qualquer assunto. Jesus ficou conhecido como amigo de publicanos e pecadores (Mt 11.19) e cabe aos universitários cristãos fazerem amizades dentro das universidades para assim pregar o Evangelho a tantos jovens que estão perdidos sem Cristo no meio acadêmico.
Jesus é o nosso modelo para interagirmos com os não cristãos ou com pessoas que não têm clareza sobre sua fé. A igreja primitiva, simbolizada na pessoa de Pedro, teve grandes dificuldades em interagir com os não cristãos, não adotando ou seguindo o modelo de Jesus. A igreja evangélica, em especial os universitários evangélicos dentro das universidades, tem adotado a mesma postura de Pedro encontrando muita dificuldade em interagir com os não cristãos ou fazer amizades com eles e isso dificulta a propagação do Evangelho.
Durante todo o seu ministério, Jesus interagiu com pessoas de má fama para que estes pudessem se relacionar com Deus e ordenou aos seus discípulos que fizessem o mesmo (Mateus 28.18-20). Jesus ensinou – assim – a superar preconceitos e qualquer forma de discriminação. Ironicamente, porém, seus discípulos, que eram rejeitados pelos fariseus nos dias de Jesus, começaram a agir mais como os fariseus do que como o próprio Jesus, inclusive tendo muita dificuldade em pregar o Evangelho fora de Jerusalém (Atos 8.1). Os discípulos relutaram enquanto podiam para pregar aos não judeus. E quando o fizeram tiveram uma enorme dificuldade em interagir com eles, por causa de seu apego à religiosidade e às leis judaicas.
Os jovens universitários evangélicos têm tido muitas dificuldades em fazer amizades com outros indivíduos em suas universidades. Apóiam-se em regras supostamente vindas de Deus, como os judeus fizeram com a tradição de não comerem sem lavar as mãos. Regras em relação às quais o apóstolo Paulo escreveu para não nos submetermos, pois “tem aparência de sabedoria, com sua pretensa religiosidade, falsa humildade e severidade com o corpo, mas não têm valor algum para refrear os impulsos da carne” (Colossenses 2.23). Com a desculpa de não escandalizar o próximo, esses jovens deixam de ir a certos lugares e ao encontro de pessoas, quando o próprio Jesus escandalizou a muitos (Mateus 13.57) por causa do seu amor aos “perdidos”.
Os jovens universitários evangélicos precisam aprender a se relacionar com não cristãos em suas universidades desenvolvendo amizades profundas com estes. É preciso que os jovens universitários evangélicos deixem seus guetos eclesiásticos e penetrem na sociedade atual com um testemunho vibrante e convincente. A mulher samaritana somente se relacionou com Deus porque Jesus insistiu em passar por Samaria e tomar a iniciativa de conversar com ela, contra o que previa a lei judaica. O povoado onde aquela mulher morava somente se relacionou com Deus porque Jesus ficou dois dias dormindo, bebendo e conversando com eles. O leproso e a mulher com hemorragia só foram curados porque Jesus deixou ser tocado por eles. O rico Zaqueu somente se relacionou com Deus porque Jesus tomou a iniciativa de se hospedar em sua casa, arriscando-se de ser considerado conivente com a corrupção. Se Jesus desse ouvido às pessoas que o criticavam por agir dessa maneira, muitas pessoas continuariam não tendo a oportunidade de se relacionar com Deus.
Os jovens universitários evangélicos não podem ter medo de se relacionar com não cristãos. Não podem ter medo de se sentar onde não cristãos sentam. Não podem ter medo de ir onde se encontram pessoas diferentes e com outras opções de vida e de fé. Os jovens universitários evangélicos para propagarem o Evangelho precisam fazer amizades com quem quer que seja. O universitário evangélico brasileiro precisa aproveitar-se de toda a sua brasilidade e ir com toda a alegria pregar o Evangelho para que muitos universitários se tornem amigos de Deus.

Maurício Jaccoud da Costa
Pastor e Missionário do Movimento Estudantil Alfa e Ômega – um ministério da Cruzada Estudantil e Profissional para Cristo. Professor e coordenador do curso de Missiologia da Faculdade Teológica Batista Equatorial. 

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

MÚSICA CRISTÃ CONTEMPORÂNEA VERSUS HINOS TRADICIONAIS


João Wilson Faustini

Vemos claramente no dia de hoje, em quase todas as igrejas, de todas as denominações pelo mundo afora, pelo menos dois grupos de pessoas, muitas vezes apaixonadas e polarizadas, em uma verdadeira disputa sobre quais os tipos de musicas que devem ser usados nos cultos: a musica cristã contemporânea, muitas vezes chamada de gospel aqui no Brasil, (embora na realidade a musica gospel seja outro tipo de musica) ou a musica ou hinos tradicionais.
É muito difícil fazer uma avaliação justa e equilibrada sobre qualquer estilo de musica que é usado na igreja.
Muita coisa boa veio através dos cânticos menos formais e mais espontâneos que têm surgido nos últimos 30 anos na igreja. Mas há também muita riqueza que nos foi legada no passado, que não podemos simplesmente ignorar ou lançar fora.
Como muitos pastores e lideres musicais, tenho falado muito sobre esse assunto em todos os seminários, tenho feito palestras, escrito artigos, apostilas, livros e partituras. A musica, que normalmente uniria as pessoas, está na realidade dividindo as igrejas de uma forma nunca vista! Mas posso dizer com tranqüilidade, que continuo estudando esse assunto, e tenho me preocupado bastante. Esta disputa continuará, e sem dúvida, e cada vez mais cerrada. Tenho aprendido a ser mais flexível, e muitas vezes até me surpreendo com algumas gemas preciosas que surgem vez por outra, no meio de muita musica inútil e até perniciosa, que existe por aí.

As coisas que realmente me preocupam muito são:
1. O comercio
Segundo um artigo exposto no Wikepédia sobre a Musica Cristã Contemporânea no Brasil, este é o único segmento que cresce em todo o mercado fonográfico. Segundo a ABPD, (Associação Brasileira de Produtores de Disco) é o segundo gênero mais vendido no Brasil, perdendo apenas para o Pop Rock.
É um mercado pungente com um poder econômico que movimenta de R$ 1,5 bilhão até R$ 3 bilhões anualmente! A gravadora Line Records, por exemplo, cresceu 156% em faturamento só no ano de 2008, segundo um estudo feito pela ADVB (Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil.) 
O mercado evangélico cresceu 30% no ano de 2009. Enquanto a industria fonográfica secular tem encolhido 20% ao ano, o gospel cresce 30% ao ano.
Temos visto noticias de diversos cantores não evangélicos que estão procurando fazer musica gospel para entrar neste rendoso mercado!
A revista Veja chegou a classificar o segmento de musica gospel como um mercado que não conhece crise”, por ser pouco afetado pela pirataria moderna e pelo compartilhamento de mp3 na Internet.
Muitos dos cantores gospel seguem os mesmos métodos de gravação, produção, de linguagem popular e de distribuição que os cantores seculares. Recentemente a Som Livre se interessou em distribuir os CDs e DVDs do grupo Diante do Trono, o que significa que os produtos desse grupo estarão em prateleiras de venda que nunca estiveram antes. Essa tendência do mercado secular fechar contratos de distribuição com gravadoras de musica gospel está afetando cada vez mais o mercado, simplesmente pelo motivo da boa venda e pelo grande poder econômico deste gênero musical. 
Os grupos que não têm distribuidoras próprias para os seus discos, procuram vendê-los nas igrejas onde se apresentam, ou passam a investir em eventos cristãos, shows, conferencias e congressos de Adoração, afim de divulgar suas gravações, como acontece com o grupo Chevrolet Hall.

Preocupa-me:
2. A Finalidade
Embora muitos grupos ou cantores sejam sinceros, e se propõem a fazer um trabalho de ministério, muitos acabam na realidade se tornando verdadeiros empresários comerciais, envolvidos em um mercado que visa grandes lucros e a qualquer custo. A tentação é muito grande, e como o atrativo financeiro é descomunal, muitos deles acabam se tornado estrelas e celebridades, enquanto o ministério se torna apenas uma fachada
Preocupa-me a perda da nossa
3. Identidade Cristã
Não é saudosismo, mas antigamente era fácil de se identificar os crentes, pelo tipo de musica que cantavam. O canto religioso era algo diferente do que se ouvia fora das 4 paredes do templo. Hoje não há mais diferença. A justificativa de querer alcançar o mundo com a linguagem do mundo é muito polêmica. 
Até mesmo os grandes lideres da Reforma, como Lutero, Calvino e outros, não hesitaram em usar musicas populares conhecidas, para serem cantatas com textos religiosos. Naquela época, porem, as diferenças dos estilos sacro e profano eram bem sutis, e as musicas que foram usadas por eles eram sóbrias e reverentes, o que não acontece hoje em dia, pela associação tão visível com estilos de roqueiros e ídolos artistas populares, muitos dos quais totalmente envolvidos em drogas e sexo, que freqüentemente morrem ou se suicidam ainda jovens.

Cristo disse que devemos ser luzes, e que nossa luz precisa brilhar onde há trevas. 
Paulo descreve que nas regiões celestes, vamos ouvir aquilo que o ouvido nunca se ouviu!! (I Cor 2:9) Escrevendo aos Coríntios ele deixa claro que não há harmonia entre Deus e o maligno e escrevendo aos Efésios nos lembra que, em Cristo, já habitamos as regiões celestiais. (Ef 2:6-7) ) Nossa musica precisa refletir e soar agora, para o mundo ouvir a beleza e a harmonia desse ambiente glorioso e solene da presença de Cristo!

Preocupa-me:
4. O abandono à nossa rica tradição
Concordo plenamente que usemos musicas novas, cânticos de nossa terra e de irmãos de outros países. Mas não podemos ignorar, ou lançar fora a maravilhosa herança que recebemos através dos séculos, a partir da igreja primitiva. Cânticos de teologia rica, que solidificaram tudo o que cremos hoje, por terem sido inspirados na Bíblia, não podem ser esquecidos! Alem disso, esta é uma responsabilidade que esta geração tem, que é a de passar para os nossos filhos e netos, todas as coisas boas que recebemos dos nossos antepassados!

Preocupa-me:
5. A falta de uma teologia solida no papel didático nos cânticos
Os próprios teólogos afirmam que o povo aprende mais teologia e Bíblia através dos cânticos do que através dos sermões que ouve nos cultos. Se isto é verdade, então precisamos ter muito cuidado ao fazermos as escolhas dos cânticos. O pastor local deve ser o responsável para verificar o conteúdo teológicos dos textos, e zelar para que o povo não seja apenas expectador, mas que participe dos cânticos, para expandir e solidificar o seu conhecimento a respeito da sua fé.

Preocupa-me:
6. A falta de um treinamento musical e geral adequado (Teoria, Harmonia, Técnica Vocal, Historia da Musica, Português, etc)
O Espírito de Deus se manifesta muitas vezes através da musica e de suas palavras. Os profetas dos tempos bíblicos profetizavam ao som de instrumentos. Os poderes da musica são paradoxais, isto é, opostos. A musica tanto serve para nos encher do Espírito de Deus como serve, para nos encher dos espíritos do Maligno. Um exemplo bíblico disto ocorreu no tempo de Davi, que afugentava o espírito mau de Saul, com o toque de sua harpa solene. 
É verdade que Deus pode usar as coisas “que não são” para confundir as que “são”. Mas isto não é justificativa para o nosso louvor ser musica barata e pouco estética, porque nunca fizemos um curso serio e adequado de musica. Nem para cometermos erros terríveis em nossa língua. 
Cantamos que Deus é digno. Ele é digno do melhor louvor. Do louvor que nos custe algo de esforço, de preparo, de esmero, de capricho. Ele é merecedor e espera sempre o melhor de nós, como tantos exemplos bíblicos que conhecemos, das primícias, do filho primogênito. Alem de tudo, Ele merece um coração que lhe preste culto com simplicidade e pureza.

Preocupa-me:
7. A falta de reverência nos cultos
É o resultado claro da soma de tudo que falamos:
Nossa adoração tem de ser alegre, cheia de vida, mas em geral vemos muito exagero.
Em nossos dias há muito som ensurdecedor e muito ruído, o que dificulta muito uma introspecção profunda, necessária para um auto-exame e reflexão, no culto. No Velho Testamento há muitas passagens que falam a respeito da importância do silencio na casa de Deus (I Reis 6:7), (Hab. 2:20) Alem disso, segundo Paulo, a nossa moderação deve ser conhecida por todos! 
A musica pode criar ambientes de alegria e exultação, mas há muita euforia presente no culto que pode na realidade estar nos satisfazendo fisicamente, mas pode não estar glorificando a Deus. 
A musica é sem duvida uma das artes que mais influencia a atmosfera e o ambiente, fazendo-o próprio ou impróprio. Ela tem poderes paradoxais, que tanto podem ajudar a criar atmosferas reverentes como pode também criar ambientes de agitação, de confusão e de irreverência, o que é totalmente impróprio para o culto. Tudo depende do tipo de musica que se usa. É por isso que os músicos do culto precisam ser criteriosos e cuidadosos, para não criar atmosferas vulgares e inadequadas para a adoração. 
No Novo Testamento ha uma narrativa a respeito da irreverência na casa do Senhor, quando Cristo derrubou a mesa dos cambiadores e vendilhões que estavam na porta no templo. Ele disse: Tirai daqui estas coisas. Esta é uma casa de oração. (João 2.16)

Conclusão:
As preocupações são muitas, mas a Igreja é de Cristo. Temos a certeza de que Ele está no controle, mas não podemos ficar alheios ao que está acontecendo em todos os lugares onde Deus é adorado. 
Sabemos que Satanás está nos rodeando como um leão, para tragar e dispersar a Igreja de Cristo. Sabemos também que os últimos tempos serão tempos difíceis, e de grande apostasia. A musica certamente poderá estar contribuindo muito para isso. Nós que já vivemos muitos anos, podemos ver nestas mudanças que ocorrem hoje, um sinal claro de que o tempo do fim está se aproximando. 
O coração de muitos vai se esfriar. É de se esperar uma apostasia geral, conforme as Escrituras, e que a igreja chegue até a abrir mão de muitos de seus princípios e marcas tradicionais. Temos de estar atentos ao que Deus já nos alertou em sua Palavra!

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Evangelização de Grupos Específicos




Definição

Podemos definir como grupos específicos: viciados em drogas, alcoólatras, homossexuais, prostitutas e marginais.

Removendo os preconceitos

Para evangelizar viciados em drogas, alcoólatras, homossexuais, prostitutas e outros, temos que vencer preconceitos, não só para a fase da evangelização, como para a fase da integração dos que se converterem.
Geralmente, o crente, em alguns casos por falta de treinamento, tem a tendência de evitar pessoas que vivem na prática de certos pecados socialmente condenáveis.
Todos procuram evitar os viciados, até mesmo por receio de serem influenciados ou até de serem apanhados pelas autoridades.
Em alguns casos, podemos chamar essa reação de preconceito. Em outros casos, temor. Até certo ponto, isto é justificável, mas não totalmente. Pelo menos o evangelista tem que pagar o preço e entender que tais pessoas estão na lista dos pecadores que Jesus Cristo veio "buscar e salvar" (Lucas 19:10).
Mas o problema não tem que ser encarado só pelo evangelista. Ele é de toda comunidade evangélica e eclesiástica. E o que é mais sério ainda, quando um ex-viciado ou qualquer outro tipo dessa classificação, depois de integrado a igreja, comete um escândalo, todos procuram livrar-se dele.
Para encararmos a evangelização dessas pessoas, temos que reformular nossos conceitos sobre pecado, salvação e vida cristã. Temos que entender que certos pecadores enfrentam mais dificuldades de se recuperarem do que outros. Assim são os viciados, que são portadores de dependências e precisam de amor e compreensão. A comunidade e o povo em geral precisam saber que uma igreja evangélica seja ela de que denominação for, não é uma comunidade perfeita. Mas todos somos pecadores recuperados ou em processo de recuperação.
Às vezes, ficamos querendo dar atenção à sociedade e descuidamos das almas preciosas que precisam ser salvas.
Nas instituições de internamento, a recuperação deles é trabalhada, realmente, com o evangelho. Há reuniões todos os dias e a mensagem da palavra de Deus é o remédio de cada dia. No entanto, nossas igrejas geralmente realizam poucos cultos na semana e o irmão ex-viciado fica sem atividade e isto é muito perigoso para sua vida cristã que não raro, tem que lutar com cicatrizes de feridas recentes.
Além disso, esses novos crentes precisam ser acompanhados com amor e compreensão. Eles não podem sentir-se marginalizados ou rejeitados ou tratados com desconfiança.
Precisamos conviver com eles sem temor e sem receios. Eles não são diferentes de nós mesmos, que também fomos resgatados dos nossos pecados.

Contexto de abordagem

Quando abordar pessoas dessa classe? Onde abordá-los? Como abordá-los? Aqui temos que trabalhar com duas possibilidades ou etapas.

Na primeira etapa, pessoas dessa classe poderão ser abordados no contexto comum da comunidade. Pode ser na rua, numa loja, numa escola ou até mesmo em uma crise em que sejam alcançadas, eventualmente, pelo evangelista.
A segunda etapa seria numa entidade de internamento. Pode ocorrer que comece aqui o trabalho de evangelização. Para essas entidades são levadas pessoas já evangelizadas e convertidas e pessoas ainda não evangelizadas.

Abordagem das entidades de internamento

1º - Problemas já conhecidos

Nessa etapa, a coisa é diferente de uma abordagem comum. Aqui cada um já é conhecido pelo seu problema: se homossexual, ou se é viciado ou se é prostituta e outros.

2º - Ambiente de atividade

As instituições geralmente têm atividades programadas para o dia todo. Atividades físicas, mentais e espirituais. Nisso se incluem: trabalhos manuais e braçais; jogos de Inteligência e cultos. Tudo é feito num clima de liberdade, em que os internos aceitam voluntariamente as tarefas.

3º - Tratamento enérgico dos problemas

No ambiente deve haver muita franqueza, muito amor, mas muita energia. Há proibições para que sejam afastados da pessoa fatores que lembrem o seu vício. Ele participará de atividades físicas, mentais e aprendizado para sublimar sua situação.


4º - O remédio é a Bíblia

Dificilmente essas entidades fazem uso de remédio, o que só poderá acontecer em situações excepcionais de crise. Mas aqui a Bíblia funciona poderosamente. E a Bíblia aplicada é vida.
Quando começamos a entrar nesse campo, constatamos, com mais entusiasmo, que a bíblia, realmente, tem solução para todos problemas.

5º - Evangelização aberta e constante

Ninguém é obrigado, mas o plano da salvação é constantemente colocado para as pessoas nos cultos. As pessoas não são coagidas, mas fica sempre claro para elas que só Jesus pode mudar a situação delas, pelo poder do Espírito Santo. Foi isso mesmo que Jesus veio fazer neste mundo.

6º - O plano da salvação

O plano da salvação é o mesmo para qualquer tipo de pecador.

7º - O conceito de pecado e linguagem apropriado

Dos muitos conceitos segundo os originais bíblicos, dois são importantíssimos. O primeiro é que "pecar" é “errar o alvo". O ser humano, ao desobedecer às ordens de Deus, errou o alvo, o objetivo para o qual foi criado. O segundo conceito é que pecar é transgredir, é ultrapassar a cerca.
A vontade é controlada pela compreensão, mas a compreensão é afetada pela nossa mente. Como arrependimento é mudança de mente, operada pelo Espírito Santo por permissão da pessoa, ela tem que ser levada ao arrependimento para mudar a compreensão e controlar a vontade.

8º - O esquema da conversão

Tudo isso redunda na conversão genuína do pecador. A conversão ocorrerá com o pecador desde que, ouvindo a mensagem do Evangelho, resolva crer em Jesus como Senhor pessoal. Para pessoas em tais condições a compreensão do assunto ajuda no trabalho de recuperação, por isso o evangelista deve ser e estar preparado.

9º - A certeza da salvação

Acima de tudo, as pessoas que se convertem, devem ser trabalhadas no sentido de entenderem que estão salvos por Cristo. A pessoa poderá ter recaídas, mas isso não quer dizer nada. Ela pode se recuperar. E quanto mais firme for essa certeza, menos probabilidade terá de recaídas.

Integração

A integração dessas pessoas assume alguns aspectos especiais. Além das regras normais para integração de novos crentes, precisamos atentar para os seguintes pontos:

1º- A preparação da igreja

As igrejas nem sempre estão preparadas para receber pessoas egressos das drogas, da prostituição, do homossexualismo e do alcoolismo. Assim, a igreja deve ser preparada. A integração neste caso começa com a igreja.

2º - A preparação do novo crente

O novo crente desta área também deve ser preparado. Ele tem que estar consciente do fato de que vai entrar num ambiente especial. Os pecadores convertidos são todo ex-pecadores perdidos e devem estar preparados para mudar. Mudança é a palavra de ordem ao longo de toda nossa jornada cristã. Quem não aceita a mudança é porque ainda não se converteu, de fato.

3º - Tratamento das causas dos problemas

Uma das dificuldades da integração de pessoas nesta área são recaídas. Muitas delas, depois de estarem ligadas a igreja, voltam a cair no pecado em que viveu antes.


O Evangelista

O evangelista habilidoso terá que ouvir constantemente a história de vida dessas pessoas. É um longo e cansativo trabalho, até que chegue a origem do problema, e a partir daí trabalhar para remover as causas.

Causas

Os viciados tinham problemas familiares: falta de carinho ou carinho de mais; em alguns casos, eram rejeitados; em outros, eram filhos de casais separados, e daí enveredaram-se pelo mundo da droga para fugir da dura realidade da vida.
As prostitutas, muitas delas, caíram nesse tipo de pecado por razões econômicas. É possível ter havido outras causas, até mesmo drogas, mas, em geral, as razões econômicas costumam ser a principal causa.
Os homossexuais de um modo geral chegaram a situação por má educação. Alguns foram presos demais, tendo sempre que viver com meninas e nunca com meninos. Outros, sem qualquer vigilância dos pais, foram explorados por meninos mais fortes na escola ou pela comunidade, e tiveram que acomodar essas pressões de outrem para relações sexuais. E por não ter diálogo em casa, nunca revelaram nada aos pais. Existem alguns casos patológicos e orgânicos, mas não são muitos, segundo os melhores especialistas.
Os alcoólatras estão incluídos nas classificações gerais dos viciados. Muitos deles se refugiaram na bebida para fugir de problemas familiares, problemas financeiros, decepções, frustrações, desastres econômicos, etc.
O evangelista muitas vezes, terá que se envolver em um trabalho com familiares. E será sempre bom ouvir familiares.
O trabalho será não só de tentar remover a causa ou afastá-la da pessoa, como também preparar a pessoa mentalmente para superá-la. A vida de fé em Cristo é o melhor remédio para esse tipo de problema.
Deverá, portanto, haver um acompanhamento programado e intenso.