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terça-feira, 25 de abril de 2017

MULTIMÍDIA NA IGREJA - Entrevista com Ricardo Silva Lourenço

Para fornecer suporte de sonorização, computação e apresentação de imagens e vídeos nos cultos e eventos da igreja  e aperfeiçoar o processo de comunicação nas Igrejas surgiu a Área de Apoio Multimídia.

São várias as atribuições da Área (Ministério/Departamento) de Multimídia como: Fornecer suporte de som e multimídia para os cultos, reuniões e outros eventos da igreja; por meio da projeção de slides com as letras dos louvores, textos bíblicos, programações e eventos da igreja, avisos referente à outras áreas.  Produção, edição e transmissão de vídeos diversos. Capacitar os integrantes da área nas competências necessárias para o excelente uso e manutenção dos equipamentos de som, computação e multimídia; Motivar e agregar voluntários para o aprimoramento no uso de tecnologias de som e multimídia;  Zelando dos equipamentos de som, computação e multimídia da igreja e supervisionando seu uso adequado, prestando sempre relatório de suas atividades.  
Mas será que qualquer igreja deve fazer uso da Multimídia?
Num bate-papo com o Instituto Jetro, Ricardo Silva Lourenço, Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Arthur Thomas - FAAT e que atua desde 2010 na Igreja Presbiteriana Independente de Londrina como Operador de Áudio e Vídeo Sonoplastia, iluminação, filmagem, edição de áudio e vídeo responde alguns questionamentos sobre o tema. 


Instituto Jetro - A visão de que equipamentos de multimídia são caros e devem ser atualizados frequentemente tem dificultado a inclusão da área de apoio de multimídia nas igrejas? Esta é uma visão correta?  
Ricardo - Realmente os equipamentos de ponta são caros, mas eu acredito que toda igreja tem condição de criar uma Área de Apoio de Áudio e Vídeo. Só precisam de uma orientação correta da forma de como investir e se a igreja tiver uma boa condição financeira ou pessoas na igreja dispostas a investir nessa área, vale muito a pena já comprar um equipamento bom. Lembrando que nem sempre o equipamento mais caro é o ideal para sua realidade, por isso a importância de uma boa orientação, saber bem qual o propósito dessa área de apoio. Já vi Igrejas que começaram com um pequeno equipamento de som e gravação das mensagens em Cds  e que com a venda dos mesmos comprou mais equipamentos e passou a produzir DVDs, por exemplo.

Instituto Jetro - Você acredita que igrejas de qualquer tamanho podem explorar a multimídia como uma ferramenta de comunicação? 
Ricardo - Acredito sim, hoje na nossa igreja caminhamos bem próximos com a Área de Apoio de Comunicação, todos recados, avisos e programações da igreja são gravados em vídeos, editados e repassados nos cultos e nas nossas redes sociais, com isso essa mensagem tem uma maior abrangência ou alcance. Um bom equipamento ajuda, mas os jovens da nossa igreja, já fizeram vídeos muito bons, utilizando gravação pelo celular mesmo.


Instituto Jetro - Tem crescido o número de pessoas com experiência em computador, edição de vídeo e de áudio, mas ainda é difícil a captação de voluntários para área?

Ricardo - Acho que a maior dificuldade é a visão que as pessoas tem de ser uma função bem técnica, mas é uma área de apoio bem abrangente, com diversas funções, creio que cada um de nós temos que ter no nosso coração a visão ministerial, hoje eu sou funcionário contratado na minha igreja, mas acima disso tenho isso como meu ministério, e me sinto privilegiado por isso. A parte espiritual é bem importante, considero cada voluntário ou membro da área de apoio como um ministro na sua função, mesmo que seja mixando um PA, trocando a letra de uma música, mexendo em uma câmera, ou ajudando a enrolar cabos no final dos cultos.


Instituto Jetro - Poderia compartilhar algumas ideias que possam ajudar na formação de uma área de apoio multimídia nas igrejas? 
Ricardo - Acredito que devemos sempre buscar pessoas que já fazem parte da igreja, já frequentam as programações, já tem o coração na igreja. Aí depois vem a parte de capacitação, se não tiver alguém na igreja para ensinar, temos diversos cursos para capacitação (de maneira presencial ou pela Internet) que podem dar essa orientação inicial  e depois vem a prática da caminhada. 

Instituto Jetro -  Por que as Igrejas deveriam investir numa área de apoio Multimídia? 
Ricardo - Nos dias de hoje temos que buscar explorar cada vez mais recursos audiovisuais, o mundo tem feito isso, e temos que ser criativos, essa nova geração busca isso. Nossa igreja é bem grande e temos diversos cultos, desde um culto de domingo 8h no templo mais tradicional até um culto de jovens num sábado à noite, nesse culto de jovens utilizamos mais recursos audiovisuais. Em todos os cultos vemos o mover de Deus, mas as pessoas buscam já ir no culto de acordo como o perfil de cada um, é importante falarmos, que um bom som com iluminação não necessariamente é um "show", muitos tiveram essa visão quando colocamos iluminação nos cultos, mas temos o coração bem tranquilo em relação a isso, estamos buscando fazer o melhor com o que temos para Deus.

Instituto Jetro - Comentários finais sobre o assunto? 
Ricardo - Nós da área de apoio de Áudio e Vídeo somos um ministério de bastidores, normalmente somos os primeiros a chegar e os últimos a sair, quanto menos aparecemos melhor, significa que nosso trabalho está sendo bem feito. Nossa melhor recompensa? Vidas, vidas transformadas, tocadas, quando o grupo de louvor chega para ensaiar e encontra tudo pronto e organizado, ele já vai ter mais paz e segurança para a ministração, o pastor quando recebe o momento da palavra a igreja já envolvida na adoração, já com o coração aberto para receber a palavra, quando ele fala e percebe que está sendo escutado, sem ruídos, e a palavra entra no coração das pessoas, algumas já foram tocadas na adoração mesmo, com uma letra de um cântico projetada que tocou seu coração, o fruto disso são pessoas tocadas, mudanças de vidas, pessoas consoladas, quando nós como área de apoio executamos nossas funções, passamos segurança para nossos pastores e membros do louvor ministrarem a igreja. O principal é sempre termos bem claro em nossos corações, tudo que fazemos é para que o nome de Deus seja glorificado, e que estamos aqui para servir a Ele.

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site http://www.institutojetro.com/ e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com

domingo, 10 de abril de 2016

Boletim Missiológico Veredas - Artigos, entrevistas e mais sobre Missões


O Boletim Missiológico Veredas é uma publicação de caráter evangélico não denominacional, que tem por objetivo compartilhar conhecimentos, fomentar o debate e promover a reflexão missiológica entre cristãos brasileiros e de demais países lusófonos. Mesmo cientes da humildade desta publicação, almejamos com a presente iniciativa ajudar a suprir a incompreensível e também injustificável carência de publicações periódicas que tenham por foco específico a Missiologia em nossas fileiras protestantes.
Sendo assim, efetivamos aqui um clipping de artigos, resenhas, monografias, entrevistas e notícias de interesse para a igreja protestante e o seu esforço de reflexão & ação missionárias.
Nesta primeira edição, trazemos uma entrevista exclusiva com o missionário e escritor Jairo de Oliveira; o artigo O perfil do missionário em um mundo turbulento, do Dr. Jonatán Lewis, inédito em português; e ainda artigos de Wellington Barbosa e Bárbara Helena Burns. E as seções: Humor, Livros em Lançamento, Eventos, Gráficos e Mapas e Citações.

Editor: Sammis Reachers

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Se preferir, leia ou baixe por aqui:


Boletim Missiológico Veredas #1

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quinta-feira, 26 de junho de 2014

A velhice e a Igreja - Entrevista com João Luís Simoneti


http://www.institutojetro.com/

Em um novo estudo publicado pela Science em setembro de 2010 cientistas do International Institute for Applied Systems Analysis (IIASA), na Austria, Stony Brook University (SBU), Estados Unidos, e o Vienna Institute of Demography (VID ) utilizaram novas formas de medir o envelhecimento que leva em consideração a incapacidade e a longevidade.


O Dr. Sergei Scherbov, coautor da pesquisa afirma que ¨se aplicarmos as novas medidas de envelhecimento que tem em conta o aumento da expectativa de vida e declinio do nivel de incapacidades, então a população está envelhecendo mais lentamente comparado com as formas de medidas baseadas puramente na idade cronológica¨(Fonte: Science Magazine. Setembro 2010)

A Igreja dever reconhecer as limitações da Terceira Idade, entendendo-as e respeitando-as, mas também reconhecer as potencialidades, considerando-as e valorizando-as no ambiente eclesiástico.
Para falar sobre os idosos e a Igreja, o Instituto Jetro  entrevistou o Pr. João Luís Simoneti, diretor-presidente do Lar Maria Tereza Vieira.
Bacharel em Teologia pela Faculdade Teológica Sul Americana, com o curso de revalidação pelo Seminário Teológico Rev. Antônio de Godoy Sobrinho. Pr. Simoneti é administrador de empresas, pós-graduado em Marketing pela PUC/RJ. Atuou como administrador durante 4 anos e pastor gestor no ano de 2010 da 1ª IPI de Londrina. Foi Tesoureiro do Sínodo Meridional e Presidente do Presbitério de Londrina durante os anos de 2010\2012. É pastor da Igreja Presbiteriana Independente Filadélfia de Londrina-PR. 


Pr. João Luís Simoneti
Aquele estereótipo de "idosos debilitados fisicamente e que não participam de reuniões sociais", não é o mais adequado para os dias de hoje. Eles são mais ativos, saudáveis, trabalhando, passeando e presentes nas mais diversas situações sociais. A que se deve esta mudança? Foi uma mudança cultural, psicológica, física?          Simoneti - Creio que a mudança foi de conscientização. Tanto mulheres e homens têm cuidado mais do corpo, da alma e do espírito. Deve-se também ao avanço da medicina com a descoberta de novos tratamentos e medicamentos que propiciam uma qualidade de vida melhor. A criação de grupo de 3ª Idade com suas várias atividades também contribuíram para a extensão de vida com qualidade para o idoso. 




Pesquisas mostram o envelhecimento populacional e a diminuição da população no futuro, principalmente nos países desenvolvidos, pela opção de ter menos filhos ou pela inexistência desses. Estamos preparados como sociedade?



Simoneti - Creio que no momento não estamos preparados, porém percebe-se que há uma preocupação dos diversos setores da sociedade com vistas ao enfrentamento do quadro que se desenha.



Nunca se vendeu tantos cosméticos e cirurgias plásticas no mundo! Somos uma sociedade que não aceita "as marcas" dos anos. Qual a sua opinião sobre o envelhecer nesta sociedade?



Simoneti - Apesar de todo apelo da mídia em relação ao tratamento compulsivo das marcas do tempo, percebe-se que há uma mudança de consciência quanto ao envelhecimento, pois muitos idosos com 70,80 anos estão esbanjando saúde.



Os idosos de 70 e 80 anos, possivelmente tiraram água de poço, usaram lampião, ferveram as fraldas dos filhos, pasmaram-se com a TV a cores. Hoje com tantas mudanças tecnológicas e culturais, quais são as suas principais necessidades?
Simoneti - Nossas maiores necessidades são afetivas, pois estamos como seres humanos cada vez mais isolados e o idoso sente isto de forma mais intensa. O contato com a família é fundamental para boa saúde emocional.


Como a Igreja deve atender aos idosos? Pois a respeito deles está escrito: "Na velhice ainda darão frutos, serão viçosos e florescentes." Salmo 92:14.


Simoneti -Muitas Igrejas têm trabalhado de forma intensa com os idosos. A experiência e o testemunho deles são fundamentais como modelos para as demais gerações.


Quem deve liderar um trabalho com a terceira idade na Igreja?


Simoneti -Entendo que uma pessoa nova com 40 até 50 anos que tenha vigor e criatividade para usar toda a energia que resta aos idosos, pois eles são participativos, engajados e intensos no que fazem. O líder deve ter muito amor e paciência com os idosos.



Quais os conselhos para pastores e líderes atentos para as pessoas da terceira idade na Igreja?



Simoneti -É um exército experiente, produtivo e intenso. Os pastores e lideres devem voltar os seus olhos também para este grupo de pessoas que compõem sua igreja. Minha experiência tem sido maravilhosa e edificante com estes queridos irmãos e irmãs em Cristo.



Reprodução autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e a fonte como: http://www.institutojetro.com/ e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Apologética: Entrevista com Alister McGrath

alistermcgrath
Os irmãos do site/ministério NAPEC (Núcleo Apologético de Pesquisas e Ensino Cristão) estão traduzindo diversas entrevistas com grandes apologistas do cristianismo, diretamente do site Apologetic 315. Aqui reproduzimos a entrevista com Alister McGrath.
Tradução: Nathan Cazé
A seguinte transcrição do Apologetic 315 é da entrevista com o Alister McGrath.
O texto original em inglês pode ser visto aqui.
Áudio original aquiÍndice de transcrição aqui. Se você gostar das transcrições, por favor considere apoiar, que faz isto possível.
BA: Olá. Eu sou o Brian Auten do Apologetics 315. A entrevista de hoje será com o Professor Alister McGrath, professor de teologia, ministério, e educação e diretor do Centro de Teologia, Religião & Cultura no King’s College, Londres. Seus estudos variam desde um Ph.D. em biofísica molecular a Doutor em Divindade na [Universidade] Oxford. Ele é conhecido por seu trabalho em teologia história, sistemática e científica. Ele também é autor de vários textos-livros, artigos científicos, textos-livros acadêmicos, bem como muitas obras populares. Seus livros variam desde teologia sistemática e científica a obras lidando com o novo ateísmo, apologética e o intelecto cristão.
Muito obrigado por estar aqui hoje comigo para esta entrevista, Professor McGrath.
AM: Bem. É um grande prazer. Aguardo com expectativa a nossa discussão.
BA: Bem, como você sabe, muitas pessoas tem ouvido falar de um professor ateu de Oxford que cresceu em um lar cristão, mas tornou-se uma voz ardente para o ateísmo. Mas outros talvez queiram ouvir falar deste ateu de Oxford que tornou-se um cristão. Obviamente, estou falando de você. Você se importaria de falar-me um pouco mais de sua história e esta jornada?
AM: Bem, seria um prazer. Richard Dawkins e eu, eu penso, temos viajados precisamente em direções opostas, que eu acho que nos mostra que as coisas não são tão simples como ele pensava que fossem. De qualquer forma, comecei a estudar as ciências naturais no segundo grau na Irlanda do Norte no final da década de 1960. E me parecia óbvio que, você sabe, a ciência erodiu qualquer espaço para Deus…que a ciência provava o que esta acreditava. Não havia espaço para qualquer fé ou algo deste tipo e, portanto, eu cheguei a assumir o ponto de vista que basicamente as pessoas religiosas desligavam seus cérebros, em que os cientistas estava completamente sintonizados à necessidade de ter raciocínio baseado em evidência. E eu concordaria com o Richard Dawkins em muitos pontos… você sabe, que por exemplo, a fé significa correr da evidência, mas a ciência significa enfrentá-la.
Então, até que eu fui para Oxford para realmente estudar as ciências naturais, penso que, na verdade, eu teria parecido muito com o Richard Dawkins. Eu era muito agressivo, eu tinha muita confiança em meu ateísmo, e geralmente assumia a posição de que as pessoas religiosas simplesmente não havia ligados o botão “on” em seus cérebros. Em seguida, eu comecei a pensar sobre coisas em muito mais detalhe. Comecei a estudar sobre a história e filosofia da ciência. Comecei a ler livros cristãos. Comecei a conversar com ateus e cristãos, e comecei a reconhecer que as coisas não eram tão simples como eu pensava. Eu pensava que o ateísmo era intelectualmente muito robusto e que o cristianismo era simplesmente fraco, com falta de qualquer fundamento rigoroso. E para reduzir uma história muito longa, comecei a reconhecer que o ateísmo não era tão intelectualmente forte quanto eu havia pensado que era. Enquanto que, o cristianismo me parecia ser muito atrativo e muito robusto e acabei então, naquela época, me tornando um cristão durante o meu primeiro ano na Universidade de Oxford.
BA: Bem, falando do Professor Dawkins, como um colega em Oxford você teve a oportunidade rara de debatê-lo, e você também debateu ou teve um diálogo com algumas das outras personalidades do Novo Ateísmo como o Daniel Dennett e Christopher Hitchens. Mas, qual é a sua posição sobre o tom geral e o conteúdo do ateísmo, digamos, como um movimento hoje? Onde você acha que está o desafio principal para os cristãos para responderem o Novo Ateísmo
AM: Creio que o Novo Ateísmo é distinguido por duas coisas. Em primeiro lugar, este repete velhos argumentos. Chamamos este de “novo” ateísmo mas, na verdade, é muito velho. Este recicla velhos e argumentos muito frequentemente descreditados desde gerações anteriores. Mas, eu acho que o que é novo é a sua agressividade e seu – como que eu poderia dizer isso – desdém total. Este não leva a sério as pessoas religiosas. Este ridiculariza ao invés de engajar: “Somente um tolo acreditaria nisto”. A retórica é muito, muito forte – talvez encobrindo um argumento probatório óbvio como uma fraqueza. E então para mim, o Novo Ateísmo é muito, muito forte em sua retórica – sua desdém de ambas a crença religiosa e pessoas religiosas. Na verdade, seus argumentos são surpreendentemente fracos. E então para mim, os cristãos realmente devem, penso eu, se acostumarem com a retórica e dizerem: “Não permitirei que isto me afete”. E dizer: “Olhe, você pode me chamar de qualquer nome que você quiser, mas você se importa se dermos uma analisada nos argumentos e na evidência porque acho que há problema aqui para você”. Então não deveremos sentir-nos desencorajados. Não deveremos sentir-nos – como que eu poderia dizer isto – estarrecidos pela retórica. Simplesmente dizemos: “Olhe, há bons argumentos aqui que acho que deveríamos analisar. Você pode me chamar de tolo, mas eu tenho que dizer que os seus argumentos não são bons o suficiente”.
BA: Estou pensando sobre alguns livros que você escreveu neste assunto como The Twilight of Atheism [O Crepúsculo do Ateísmo] e The Future of Atheism [O Futuro do Ateísmo], que é um diálogo entre você e o Daniel Dennett. Mas, no Crepúsculo em particular, você menciona que embora as ideias do ateísmo não são nada novas, o futuro (em certo sentido) é grandemente dependente sobre as atitudes e ações de cristãos e outras pessoas religiosas na sociedade. Então você poderia desdobrar isto um pouco? Como que o futuro do ateísmo está determinado na sua opinião?
AM: No livro O Crepúsculo do Ateísmo, levanto o ponto de que os argumentos do ateísmo são muito conhecido, muito bem ensaiados, e não há nada muito novo sobre estes. Então eu pergunto, “Bem, onde este irá no futuro?”. E o ponto que faço é que o ateísmo é reativo. Não é um corpo de crenças positivas; embora, os ateus muito frequentemente dizem que são. A característica definidora é realmente uma rejeição da religião. E se a religião for fraca, bem – não há muita motivação em ser um ateu. Mas se a religião for muito forte e muito agressiva, então, na verdade, o ateísmo pode facilmente se levantar como uma reação a força religiosa. E uma das razões que nós vemos no Novo Ateísmo é, paradoxalmente, por causa da força da religião no mundo e especialmente o cristianismo na América do Norte, e isto realmente tem irritado os ateus que o cristianismo deveria ter morrido muitos anos atrás. Em muitas maneiras, acho que o Novo Ateísmo é o “último hurrah”…a grande tentativa de tentar reverter o fluir, e isto, creio eu, é responsável por sua agressividade. Se olharmos para a história disto, de muitas formas o evento que despertou o Novo Ateísmo foi o 11 de setembro, que foi visto por todos os principais Novos Ateus como demonstrando que a religião era perigosa, mas também uma presença muito real no mundo hoje. Acho que uma das coisas que eu gostaria de dizer é que os cristãos que querem engajar [contra] o Novo Ateísmo precisam estar cientes de que isto não é simplesmente uma batalha de ideias. Também é sobre a forma de cristianismo que nós representamos. E, em muitas formas, devemos ser um modelo de uma forma graciosa do cristianismo, pois sair por ai “metendo bala”, representando uma forma muito agressiva do cristianismo, simplesmente aumenta as chances. Isto faz ainda mais difícil de ter um diálogo sensível. É muito, muito difícil para os Novos Ateus dizerem: “A religião é arrogante, perigosa, e diluída” quando eles estão falando a parceiros de diálogo muito graciosos e inteligentes. Penso que precisamos estar cientes da melhor maneira que possamos subverter a retórica do Novo Ateísmo que é sermos corteses, graciosos e, sobretudo, sermos capazes de mostrar as fraquezas em seus argumentos.
BA: Quero te perguntar como que você se sente sobre o “velho ateísmo”, por assim dizer, e o Novo Ateísmo. Em particular, como que estes possam se definir. Acreditava-se que o ateísmo era a crença que “Não há deus” e agora é um pouco mais escorregadio. Agora é: “Eu simplesmente tenho a ausência da crença em deuses”. É isso um desculpa, ou semântica, ou qual é a sua opinião sobre esta mudança na definição que tem acontecido?
AM: Bem, penso que temos que reconhecer que a palavra ‘ateísmo’ designa um espectro de possibilidades. Este pode se referir a alguém que diz: “Bem, sabe, eu não acredito em Deus” significando: “Eu não acredito em Deus, mas eu não tenho pensado muito sobre isto. Na verdade, em algum momento no futuro eu poderei mudar de pensamento”. Os Novos Ateus consideram este tipo de pessoa como um ateu; eu diria que eles são agnósticos. Eles não sabem a resposta. Eles não são crentes religiosos, então em um certo sentido suponho que eles são ateus, mas eles não são ateus de princípio. Eles são o que alguns acadêmicos chamariam de ateu apático. E, há aqueles que pensaram bastante sobre este assunto e realmente acreditam que não há deus. Veja atentamente, isto é uma posição de fé: “Creio que não há Deus”. Na verdade, muitos destes são muito, muito razoáveis; pessoas muito, muito graciosas que dizem: “Olhe, tenho pensado sobre isto. Eu não creio que há um Deus. Eu sei que você pensou sobre isto e acredita que há um Deus, e nós respeitamos esta posição. Na verdade, nós entendemos como que você chegou a esta posição, mas não é uma que nós compartilharmos”. E estas pessoas são geralmente muito boas em conversas e debates. [Estas são] muito honestas sobre a fraqueza de suas próprias posições. Penso também que um ponto muito importante é que eles são absolutamente claros que é racional ser um cristão. Eles só tomam a posição de que é mais racional ser um ateu. Então, nós chegamos ao Novo Ateísmo, e este está em um parque diferente. Este ridiculariza ao invés de argumentar. Objetiva representar os religiosos como idiotas. Este reivindica o monopólio da racionalidade. É uma forma muito agressiva e muito arrogante de ateísmo. Acho que interessante saber que muitos dos críticos principais deste não são cristãos como eu, mas são outros ateus que se encontram envergonhados e humilhados pela arrogância e superficialidade intelectual daqueles [os Novos Ateus].
BA: Isto é útil. Prosseguindo mais um pouco, quero explorar a importância da teologia na obra da apologética cristã. Um de seus livros mais novos é The Passionate Intellect: Christian Faith and the Discipleship of the Mind [O Intelecto Apaixonado: Fé Cristã e o Discipulado da Mente] – este é o título dos EUA. O título da Grã-Bretanha é Mere Theology[Mera Teologia] (N.E. muitos livros de Alister McGrath estão traduzidos ao público brasileiro por diversas editoras; em especial conheça as obras “Teologia Pura e Simples” e “Apologética Pura e Simples”); neste livro você dá uma visão geral sobre o propósito e o lugar e a relevância da teologia. Então qual é o seu objetivo neste livro?
AM: Meu objetivo, eu creio, é fazer os crentes em pensadores e pensadores em crentes. Tudo que estou fazendo aqui é que estou utilizando uma das coisas que Cristo diz muito, muito sério. Ele diz: “Você deve amar o Senhor, seu Deus, com todo o seu coração, com toda a sua alma, com todo o seu pensamento, e com toda a sua força”. De muitas maneiras estou dizendo aos meus leitores, como disse agora ao meus ouvintes: “Olhe, parte do nosso discipulado é para suprir um discipulado do coração e um discipulado das mãos com um discipulado da mente”. Precisamos de aprofundar na nossa fé para apreciá-la, para entende-la, para realmente se deleitar em suas ideias e como estas fazem sentido da vida. Isto é bom para nós. Isto realmente traz uma nova profundeza e qualidade para a nossa própria fé, mas isto também nos faz capazes de engajar a nossa cultura e capazes de explicar às o porquê o cristianismo faz sentido, para ajuda-los entender o porquê é tão importante e realístico.  Em sumo, isto realmente lhe permite praticar boa apologética informada.
BA: Excelente. Algumas pessoas veem uma dicotomia entre ter uma fé espiritual vibrante e ser teologicamente engajadas com o seu intelecto ou utilizando uma abordagem intelectual a fé de alguém. Você acha que está tentando dissipar esta falsa dicotomia e encorajar que uma abordagem rigorosa e intelectual à fé possa realmente fazer com que a sua caminhada espiritual seja mais viva e mais vibrante?
AM: Certamente sim. Mas, consigo entender o porquê algumas pessoas possam ser um pouco ansiosas. Como eles diriam, e penso eu que corretamente: “Olhe, a fé é relacional. É sobre um relacionamento mais profundo com Deus…com o Cristo ressurreto”. E eu concordo completamente. Não estou dizendo que nós desenvolvemos um discipulado da mente para deslocar ou substituir este relacionamento muito importante, vivo e amoroso com Deus. Estou dizendo ao passo que você se apaixona por alguém, você quer conhecer mais sobre esta pessoa. Você fala com ela, você a conhece, você começa a ecoar o que ela pensa. E, de muitas maneiras, estou simplesmente dizendo que isto é uma camada extra da fé cristã. É uma camada que, penso eu, tem se tornado mais importante nos últimos anos. Por exemplo, a ascensão do Novo Ateísmo tem realmente feito mais importante que nós possamos dar narrativas informadas intelectualmente boas sobre o que os cristão creem e o porquê, na esfera pública. Tenho grande prazer em observar que isto está acontecendo. Estou surpreso por alguns livros que eu tenho visto recentemente e pela qualidade de alguns palestrantes cristãos que tenho ouvido falar. Então, penso que o que estou dizendo é, olhe, isto não é uma tentativa de quebrar nenhum pensamento tradicional sobre a fé ao diminuir a importância da oração, ou de leitura Bíblica meditativa, ou de gastar tempo de qualidade com Deus. Estou simplesmente dizendo que, talvez nos nossos dias, isto tem se tornado importante. Vamos recuperar esta velha forma de pensar, não para deslocar a relação com Deus, mas para supri-la e ser capaz de enfrentar o desafio desta era.
BA: Uma das coisas que você faz no livro é que você oferece (depois) a crítica das ideias de alguns dos Novos Ateus. Como que você vê uma ênfase teologicamente forte com os crentes ajudando a causa do cristianismo, visto que esta contraria este Novo Ateísmo ou apresenta um frente intelectual mais forte, por assim dizer?
AM: Um dos meus apologistas preferidos é o C.S. Lewis, e Lewis, penso eu, nos ajuda a entender que a fé cristã projeta uma moral muito poderosa racional ou intelectual, e uma visão estética muito poderosa. Em outras palavras, esta lhe cativa em todos os níveis por sua visão maravilhosa da realidade. E, penso que precisamos recuperar isto…para realmente sermos contentes e desafiados pela visão de que a fé cristã nos oferece. Mas, penso que há uma questão aqui tem se tornado particularmente importante à luz das circunstâncias você acabou de mencionar, e é isso: no momento em que o Novo Ateísmo desafie as crenças religiosas. Em outras palavras, este está operando no nível das ideias. Agora, você e eu e todos que estão escutando isto sabe perfeitamente bem que há muito mais do cristianismo do que as ideias deste [do cristianismo]. É tudo sobre emoções, o relacionamento com Deus e assim por diante, mas neste presente momento, são as ideias que parecem ser o ponto de debate. Pode ser que daqui a vinte anos será algo diferente, mas no momentos são as ideias. E, portanto, penso que precisamos tentar recuperar o sentido de mostrar o porquê o cristianismo faz sentido, criticando a ideia do ateísmo, e realmente redescobrir a racionalidade da fé cristã. Penso que há uma real necessidade de praticar a teologia corretamente para nos ajudar a praticar boa apologética.
Deixe-me dar-lhe alguns exemplos das formar em que isto ajuda. Acho que é muito fácil formar o julgamento incorreto de que a apologética basicamente é um conjunto de técnicas. “Aqui está como você responde esta pergunta. Aqui estão seis razões muito boas para crer em Deus e assim por diante”. Uma estrutura teológica boa deixa claro que a apologética é uma obra da graça em que nós não estamos simplesmente desenvolvendo técnicas o estamos sendo formados por Deus; estamos sendo equipados por Deus. Esta realmente enfatiza que há uma dimensão da apologética “Em direção a Deus” [orig. “Godward”]. E isto é tão útil como um corretivo À ideia que a apologética é unicamente sobre aprender técnicas. Mas, mais do que isto, penso eu, boa teologia nos ajuda a aprofundar a nossa visão do que é a fé cristã. Esta nos faz capazes, se posso por assim dizer, de olhar para cada elemento da fé cristã e apreciá-la em seu próprio direito. E, em seguida, perguntar: “Qual possa ser a sua significância apologética?”. E isto nos ajuda saber quanto que há na fé cristã que é capaz de capturar a imaginação, ou as emoções, ou a mente de nossa audiência. E é por isto que eu penso que a teologia é tão importante. É bom para cada um de nós porque esta aprofunda ambos o nosso entendimento e a nossa apreciação por nossa fé, mas também nos ajuda a aprender a nos ligar com a nossa cultura e a explicar para eles a vitalidade e relevância da fé.
BA: Bem, em um nível prático, que tipo de conselho você teria para aqueles que são defensores da fé, para que eles possam ter uma fundação teológica mais forte? Que tipo de coisas práticas eles deveriam estar focando?
AM: Bem, deixe-me fazer duas sugestões bem rapidamente. Eles deveriam ler. Eles deveriam ler [livros de] pessoas que sabemos que são bons apologistas. Mencionei C.S. Lewis, e tenho certeza que podemos facilmente adicionar outros na lista. E você precisa lê-los com uma agenda, e a agenda é: “Quais perguntas eles estão fazendo? Como que eles engajam com as pessoas? O que eu posso aprender com isto?”. Em outras palavras, veja-os como mestres – o que podemos aprender deles? Mas, em segundo lugar, acho que isto é muito importante: precisamos ouvir a nossa cultura. Ouça as perguntas que nossos amigos nos fazem, às ansiedades que vemos quando lemos os jornais ou assistimos TV, e precisamos perguntar: “Como que posso enfrentar isto? Como posso, por exemplo, utilizar o C.S. Lewis e engajar esta questão? Como posso providenciar uma boa resposta cristã às perguntas sendo feitas?”. Apologética é realmente sobre certificar-se que a fé cristã liga-se bem com as questões que a nossa cultura está levantando. Precisamos conhecer a nossa fé. Precisamos conhecer a nossa cultura e, sobretudo, precisamos fechar a lacuna entre estes.
BA: Isto é bom. Quanto ao corpo da igreja…a igreja local, como que você vê este engajamento com a teologia e apologética exercendo um papel mais dominante? Como que você acha que podemos praticamente encorajar isto na igreja amplamente?
AM: Bem, creio que o pastor exerce um papel muito crítico nisto. E a apologética não é somente sobre alcançar [pessoas] fora da igreja. Está ajudando as pessoas a entenderem o porquê o cristianismo faz tanto sentido. Há muitas pessoas dentro de congregações de igreja que estão tendo dificuldades com questões apologéticas. Eles vieram a fé, mas não tiveram todas as suas perguntas respondidas. Acho que o pastor ou o pregador precisa reconhecer que se estes querem que seu povo seja bons ministros na fé, apologistas e evangelistas, aqueles precisam estar equipados. Eles precisam ser reassegurados acerca da fé deles. Eles devem ser ajudados para poderem explica-la e defende-la no mercado secular. Muitos, muitos pastores e pregadores dizem: “Eu não conseguiria fazer isto”. Neste caso você tem que trazer alguém que consegue. Mas há uma real necessidade para a igreja local ver este tipo de ministério como uma prioridade na nossa situação cultural presente.
BA: Você teria algum conselho que gostaria de dar a apologistas leigos, que os ajudaria a suceder em fazer suas congregações mais interessadas em defender a fé? Você mencionou em trazer pessoas que são bons equipadores [ou professores que equipam], mas que tipo de iniciativas você vê, ou que você recomendaria?
AM: Bem, deixe-me recomendar duas coisas óbvias que podemos fazer, e usamos ambas coisas no Oxford Center for Christian Apologetics [Centro de Oxford para Apologética Cristã] onde equipamos pessoas para fazer este tipo de coisa. Número um: você lê algumas passagens dos principais apologistas cristãos. Pode ser o Ravi Zacharias, pode ser o C.S. Lewis, ou pode ser outra pessoa. E, novamente, você está gostando de ler, mas você está perguntando: “Como podemos usar isto para responder as perguntas que nos estão sendo feitas?”. E, em segundo lugar, você reúne um grupo de pessoas e você diz: “Olhe, iremos falar sobre uma questão hoje. (Por exemplo, porquê Deus permite o sofrimento?) E o que iremos fazer é trabalhar para chegar a uma boa resposta que podemos dar aos nossos amigos”. E, enquanto você falar disto, você verá que o seu entendimento das respostas que você pode dar torna-se muito, muito maior porque você está escutando outras pessoas e refletindo em como que estas responderia. Apologética é sobre a colaboração. É sobre compartilhar ideias, compartilhar percepções, e começar a reconhecer que há boas respostas que podem ser dadas à perguntas que as pessoas estão fazendo.
BA: Gostaria de tocar num ponto que você mencionou aqui sobre a apologética ser colaborativa; e isto me lembra de algo que escutei Gary Habermas dizer sobre a apologética ser algo que fazemos em uma comunidade. Você poderia elaborar este pensamento um pouco mais, e como que você isto se desdobrando enquanto que prosseguimos neste campo?
AM: Acho que há pessoas que são – como que eu poderia dizer isto – guardas-florestais solitários. Eles tornam-se ótimos apologistas, e isto é maravilhoso. Mas se você considerar alguém como o C.S. Lewis, Lewis trabalhou com um grupo de pessoas. Sobre tudo, as pessoas que consideramos Inklings[1] ajudaram ele a desenvolver as suas respostas. Eles diriam: “Isto não estar bom o suficiente. Você tem que melhorar. Que tal isso?”. E, com a interação com pessoas como estes, ele desenvolveu melhores respostas. Eles desafiavam ele dizendo: “Você precisa melhorar”, e eles ajudaram-no a fazer melhores respostas. E é por isto que penso que a apologética é melhor praticada colaborativamente em que compartilhamos as nossas ideias e abordagens, utilizamo-las, afinamo-las e, no final do dia, todos nós emergimos disto tendo melhores respostas para dar a nossa cultura.
BA: Isto é bom. Estivemos falando sobre teologia e as aplicações teológicas desta, mas deixe-me perguntar-lhe sobre outro assunto que é relacionado, e para o qual você investiu muita energia e, isto é, a teologia natural. Você se importaria em descrever isto brevemente, e em seguida explicar qual papel você crê que isto exerce para a apologética cristã hoje?
AM: Bem, a ideia da teologia natural pode tomar várias formas, mas todas elas têm haver com uma coisa em comum e, isto é, que de alguma forma podemos usar o mundo natural ao nosso redor como um tipo de canal navegável para ajudar pessoas encontrarem a Deus. Em outras palavras, você está argumentando da criação ao criador. De muitas maneiras, este está tomando o tema do Salmos 19 verso 1: “Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos”. “Você vê a glória dos céus? Bem, isto não aponta em direção a glória maior de Deus?”. E isto toma-se onde muitas pessoas estão em nossa cultura. Estas têm um senso muito real de respeito para a natureza, um amor pela natureza; estas apreciam a beleza da natureza. Um das coisas que podemos fazer é tentar dizer: “Olhe, o que você está fazendo é admirando ou amando algo que Deus fez. Não seria o próprio Deus melhor ainda?”. Então, este está usando a natureza como um ponto de partida. Este não está dizendo que a natureza é Deus, e certamente não está dizendo que a natureza nos diz tudo que precisamos saber sobre Deus. Ao invés, está dizendo que a natureza pode ser uma porta de entrada, ou um ponto de partida discussões muito importantes sobre Deus. Tudo isto precisa ser moldado e baseado pela testemunha Bíblica, mas até mesmo a testemunha Bíblica muito frequentemente sugere que podemos começar com os interesses das pessoas na ordem natural e, então, usar isto como uma forma de guiá-las para além disto para descobrirem o próprio Deus.
BA: Que outro tipo de antecedentes bíblicos ou apelos a teologia natural você vê e como que você encorajaria as pessoas a utilizarem argumentos da teologia natural?
AM: Bem, acho que se analisarmos Romanos capítulo um, ou, é claro, o discurso muito famoso de Paulo em Atenas – aquele conhecido como o discurso de Areópago de Atos 17… No caso do discurso de Atenas, Paulo, de muitas maneiras, está encarando o fato de que a sua audiência Grega não conhece nada do Velho Testamento; então, como que ele pode explicar quem é Cristo? De muitas formas, a sua resposta é para recorrer à doutrina da criação – a ideia que há que alguém que fez isto tudo e, de alguma forma, este Deus pode ser conhecido. E, o que ele acaba dizendo é: “O que vocês adoram como desconhecido, este proclamo a vocês”. Em outras palavras, “vocês têm um sentimento profundo que há algo a mais lá. Bem, lhe direi quem este é e como vocês podem encontrá-lo”. Acho que isto é muito útil porque, como você acertadamente diz, há muitas pessoas que têm este sentimento que a natureza está apontando em direção a algo maior, mas estas não sabem encontrá-lo. E acho que o nosso privilégio pode ser de ajudá-los a usar a natureza como uma porta de entrada para descobrir a realidade maior por de trás disto.
BA: Bem, vamos falar sobre o discipulado da mente por alguns minutos. Quando trata-se da disciplina do aprendizado, que tipo de conselho você gostaria de dar aos cristãos apologistas que estão buscando ser mais equipados para defender a fé deles?
AM: Acho que uma coisa que todos nós devemos reconhecer é que não conseguimos ser bons em tudo. E portanto, eu diria às pessoas que realmente ajuda ter bom conhecimento de sua fé e das questões que as pessoas estão levantando. E também ajuda ser capaz para dizer: “Dado o meu próprio histórico educacional ou a minha própria experiência profissional, posso ser útil nesta área”. Por exemplo, utilizando literatura na apologética, utilizando ciência na apologética ou, de fato, pensando sobre a psicologia da apologética. E então, eu digo a qualquer um escutando isto: tente descobrir o que é que você pode fazer. Direi – muito claramente – que quanto mais profundo você for, mais animado você tornar-se-á e você provavelmente ficará surpreso com a ideia do que você conseguirá fazer e como que você conseguirá levar as coisas mais adiante.
Mas, em muitas maneiras, acho que o conselho central que eu daria a você é isso: primeiro, tente ler alguns apologistas, e não somente os leia por diversão. Pergunte: “Como que eles entendem a apologética? Como que eles praticam-na? O que posso aprender disto?”. Em segundo lugar, preste atenção nas questões que você escuta as pessoas ao seu redor fazerem sobre a sua fé; e pergunte a si mesmo: “Há alguma forma que o meu histórico ou a minha própria experiência possa ser útil sobre isto?”. Porque, novamente, a apologética é colaborativa, e talvez você tem algo para contribuir para o restante de nós que possa ser muito animador e muito importante.
BA: Você mencionou o C.S. Lewis, e obviamente ele tem te influenciado bem como inúmeros outros. Mas, quais outros apologistas tem sido fortes influências em sua própria busca?
AM: O Lewis tem sido particularmente influente para mim porque o seu método apologético, na verdade, opera em vários níveis diferentes…a razão, a imaginação, as emoções. Então, acho que ele é particularmente interessante, mas é claro que há outros. Gosto de ler o Ravi Zacharias. Eu particularmente acho que ele tem um bom senso de onde muitos universitários se encontram. Gosto de ler o William Lane Craig. Eu realmente admiro a forma em que ele demonstra a coerência da fé cristã. E há outros também, mas estes são suficientes para o ponto de partida. Acho que a coisa importante que eu gostaria de dizer para qualquer um lendo isto é: “Olhe…talvez há um parceiro de diálogo que você possa encontrar”. Em outras palavras, você lê algo e diz: “Oh, nós estamos em concordância”, ou “Oh, ela é muito boa”. Se você encontrar esta pessoa, ela pode te ajudar a crescer. Então, uma das razões que você está lendo [livros de] apologistas é para tentar encontrar alguém que você acha que será uma pessoa em que vocês poderão aventurar-se e crescerem no entendimento.
BA: Há quaisquer áreas particulares que você acha que possa estar faltando no campo de apologética hoje que você gostaria de ver fortalecido ou desenvolvido a um grau maior?
AM: Creio que tenho sido grandemente encorajado pela forma que a apologética tem desenvolvido nos últimos vinte anos. Acho que as pessoas estão realmente encarando o desafio, e há algumas áreas óbvias. Por exemplo, precisamos de mais psicologistas. Precisamos de mais sociólogos para ajudar-nos aqui. E o que eu quero dizer é que se há alguém escutando isto que sente-se como: “Estou em um campo de estudo, e posso ver formas em que a minha disciplina pode ajudar”, então, comece a pensar em como fazer estas conexões. É assim que a apologética crescerá. Vá às conferências. Entre em contato com os apologistas e veja o que você pode fazer para levar as coisas adiante. Mas, acho que o que é mais importante é ter a certeza de que nós sempre devemos manter contato com onde a cultura encontra-se. E uma das coisas que a apologética sempre precisa fazer é desenvolver o que eu chamarei de “vigilância da cultura”. Em outras palavras, pessoas que deliberadamente observam a maneira que a nossa cultura procede; este leem jornais; estes leem as letras de músicas populares, e este tentam perguntar: “Quais são as ansiedades e preocupações do momento, e como que a fé Cristã liga-se com estas?”. Há muito que precisamos fazer; mas estou tão satisfeito com o quanto tem sido feito nas últimas duas décadas.
BA: Bem, mais uma pergunta, e esta é para os crentes escutando que diriam: “Deus tem me presenteado com uma mente que pensa; sou atraído ao mundo acadêmico, e quero servir a Cristo como um cristão acadêmico e defender a fé nesta área”. Você tem algum conselho de como estes podem abordar seus [próprios] estudos e pensar com uma perspectiva mais longa de tempo?
AM: Bem, sim. Acho que você deve fazer isto intencionalmente. Pode demorar muito tempo. Na Universidade de Oxford, temos um curso da mente cristã que tenta ajudar, especialmente, profissionais de carreira nova a meia carreia a descobrirem como integrar a fé e as competências profissionais deles. E o que quero dizer é que nós realmente precisamos de pessoas que podem fazer isto; e, isto não acontecerá da noite para o dia. Espero que quando as pessoas escutarem isto, elas dirão: “Olhe, estou na etapa de pesquisa. Estou em uma etapa inicial de minha carreira, mas sei que isto pode realmente ser importante”. E, quero dizer-lhe para aguentar ai. Tente fazer a relação de sua fé com o seu trabalho profissional uma prioridade porque precisamos de vozes cristãs nestas disciplinas, e precisamos de respostas cristãs às perguntas levantadas por estas disciplinas. Você poderia ser a pessoa que ajuda-nos a ir adiante nisto.
BA: Você mencionou o Centro de Oxford para a Apologética Cristã [Oxford Center for Christian Apologetics]. Para que tipo de pessoas isto está direcionado e que você encorajaria para envolver-se com isto?
AM: Bem, o Centro de Oxford para a Apologética Cristã [Oxford Center for Christian Apologetics] foi criada em 2004 em reconhecimento que precisávamos a ajudar intencionalmente os apologistas a desenvolverem suas técnicas e, sobretudo, a ajudar pessoas, que talvez pensavam que podiam tornar-se apologistas, a começarem. E temos estado surpresos pelo progresso deste. Temos crescido e crescido e crescido, e hoje estamos muito satisfeitos pela qualidade de pessoas que vem até nós para os nossos cursos e as pessoas que temos a capacidade de ajudar de tantas maneiras. Estamos situados em Oxford, e creio que fazemos três coisas principais: Temos um curso de nove meses em apologética Cristã tanto em teoria quanto em prática. Realizamos conferências pelo mundo onde ajudamos pessoas a desenvolverem suas próprias técnicas e abordagens, e também publicamos. Se você procurar na internet por Centro de Oxford para a Apologética Cristã [Oxford Center for Christian Apologetics], você conhecerá tudo sobre nós e o tipos de coisas que fazemos.
BA: Ótimo. Agora, mudando de assunto novamente Professor McGrath, gostaria de perguntar-lhe sobre algumas de suas obras de ficção. Isto incluí uma série chamado As Crônicas de Aedyn [The Chronicles of Aedyn]. E, de fato, encontrei o primeiro livro desta série de graça no Kindle, e isto foi hoje. Não sei por quanto tempo estará grátis no Kindle, mas há mais alguns livros nesta série. Você pode me falar mais sobre esta série e o seu objetivo em escrever ficção?
AM: Bem, creio muito fortemente que uma das fraquezas na apologética cristã contemporânea é que somos muito bons de argumentos. Mas o problema real é que, para muitas pessoas, quando elas chegam tarde do trabalho, elas não pegarão um livro que lida com argumentos abstratos sobre a existência de Deus, mas elas lerão romances. E, de muitas formas, a ficção é a porta de entrada à alma para muitas pessoas nesses dias. Tenho dito frequentemente às pessoas que precisamos escrever mais livros cristãos de ficção. Precisamos desenvolver uma apologética da imaginação para alcançar estas pessoas. E acho que eu não poderia continuar dizendo: “Precisamos fazer isto”. E tinha que pelo menos tentar fazer isto por mim mesmo. Então, de muitas formas, estes livros de ficção são uma tentativa da minha parte para dizer: “Olhe, tentarei fazer isto. Agora que tenha tentado fazê-lo, talvez outras pessoas irão também”. E a minha esperança será que poderemos identificar alguns escritores cristãos que são bons e podem desenvolver o tipo de ministério que o C.S. Lewis teve com as Crônicas de Nárnia a 50 anos atrás. Realmente precisamos disto; e eu acho que realmente precisamos encorajar pessoas a tentarem e verem o porquê que a ficção para crianças ou qualquer um, realmente pode exercer um papel importante na tarefa apologética de nossos dias.
BA: De volta ao C.S. Lewis. Você está trabalhando em um projeto que lida com as obras de Lewis. Você se importaria em falar sobre este projeto e quaisquer outros livros mais recentes ou projetos que você possa querer que os nossos ouvintes estejam cientes?
AM: Bem, obrigado. O grande projeto em que estou trabalhando agora é uma biografia do C.S. Lewis. Será publicada em 2013, que é claro, é o quinquagésimo aniversário de sua morte. E, o que estou tentando fazer é realmente falar a pessoas que têm descoberto o Lewis por meio de seus filmes ou a sua reputação, mas não sabem muito bem o porquê que ele é tão significante. E estou tentando explicar quem é este homem, o porquê que ele é tão interessante, explicando suas ideias, seus argumentos, suas histórias e, realmente, penso que tentar introduzi-lo a uma nova geração. É um projeto maravilhoso, e estou gostando enormemente de escrevê-la. Há um livro que será publicado muito em breve na Grã-Bretanha e, daqui a dois meses, nos EUA. Chama-se Why God Won’t Go Away [Por que Deus não vai embora]. E, como se poderia esperar, é uma crítica ao Novo Ateísmo. Este diz que nós já lidamos com as críticas deste contra o cristianismo. Agora, começaremos a perguntar a estes algumas questões difíceis como, por exemplo, quais são as suas crenças positivas? De muitas maneiras, isto leva a crítica do Novo Ateísmo adiante, e eu realmente acho que isto será desconfortável para eles. Isto realmente desafia as abordagens e crenças positivas deles. Penso que isto ajuda-nos a ver que há algo de errado aqui. O subtítulo da edição dos EUA é: Is the New Atheism Running on Empty? [Está o Novo Ateísmo Funcionando Sem Gasolina].
BA: Bem, eu definitivamente aguardo esta obra com expectativa bem como a sua biografia do C.S. Lewis. Muito obrigado por participar junto a mim. Tem sido excelente.
AM: Tem sido um grande prazer.


[1] Inklings eram um grupo de discussão informal literário associado com a Universidade de Oxford do início da década de 1930-1949. Os Inklings eram entusiastas literários que louvavam o valor da narrativa em ficção e encorajavam a escrita de fantasia. Para mais informações acesse: <http://en.wikipedia.org/wiki/Inklings>.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

CUIDANDO DOS NOSSOS LÍDERES - Entrevista com Esly Regina de Carvalho



Com um e-book intitulado "Cuidemos de nossos líderes", Esly Carvalho traz a tona algumas dificuldades, mitos e verdades quanto à vida da liderança cristã.
Será que as ovelhas percebem a pressão e o peso que exercem sobre seus líderes ao exigir a perfeição destes? Será que pastores e líderes percebem que a falta de transparência quanto à suas dificuldades alimentam o mito de "ser perfeito"?
Para falar sobre o assunto, o Instituto Jetro entrevistou a psicóloga cristã Esly Carvalho. 
Esly Regina Souza de Carvalho, MSc, LPC, Mestre em Psicologia, candidata doutoral em psicologia clínica, Trainer of Trainers de EMDR pelo EMDR Institute dos Estados Unidos; presidente da EMDR Treinamento e Consultoria Ltda., a organização que oferece o treinamento básico com exclusividade no Brasil; presidente da EMDR Ibero-América; aprovada como Trainer, Educator, Practitioner (TEP) pelo American Board of Examiners in Psychodrama, Sociometry and Group Psychotherapy (com distinção); Fellow da American Society of Group Psychotherapy and Psychodrama (ASGPP); membro honorário e fundadora da Asociación de Psicodrama y Sociometría del Ecuador (APSE); treinadora de Brainspotting no Brasil; presidente da Praça do Encontro; autora de vários livros. Para conhecer mais sobre a entrevistada acesse: www.pracadoencontro.com.br  e www.emdrbrasil.com.br 
Esly Regina Souza de Carvalho

Instituto Jetro - Em sua opinião, pensando na Igreja como um "hospital" das almas, ela tem sido apenas um hospital para curar as ovelhas, esquecendo que líderes também precisam de cura?

Esly- Os nossos líderes cristãos requerem mais dos nossos cuidados espirituais. Em geral, a nossa tendência é de pensar que os nossos guias são "intocáveis" e meio  "primos-irmãos" da perfeição. Por alguma razão pensamos que eles já alcançaram uma certa maturidade cristã e que estão "vacinados" contra o pecado, a queda moral ou coisas deste tipo. Consideramos que eles são muito "maduros" no Senhor e por isso, já não se encontram expostos às tentações com as quais nós, os "mortais" nos deparamos.Devemos lembrar-nos de que o inimigo tem muita fúria na tentativa de fazer cair os nossos líderes, porque se eles caem, as ovelhas se dispersam. Então a questão não é o que fazer se um líder cair (porque eles caem), mas o que fazer por eles quando têm essas quedas. Em minha opinião, as ovelhas também são culpadas dessa crise de transparência da liderança, já que esperam um modelo perfeito e impossível, ignoram como lidar com os erros humanos dos seus líderes, com isso, impõem uma carga parecida a uma maldição,algo que Deus jamais teve a intenção que tivessem.


Instituto Jetro - Então, você acredita que a crise de transparência da liderança, deve-se mais às expectativas das ovelhas de um modelo perfeito e impossível, do que da falta de humildade dos pastores de admitir seus erros e dificuldades?

ESLY - Das duas. É importante que os líderes, inclusive mulheres, integrem um pequeno grupo no qual possam viver em transparência. Uma das grandes tentações da liderança é pensar que podemos dar conta das coisas sozinhos. "Não podemos". Deus nos criou com a necessidade de comunhão e intimidade emocional com outras pessoas. Os homens devem fazer parte de um grupo de homens, e as mulheres, de um grupo de mulheres, nos quais podem abrir seus corações com transparência e confidência, sabendo que todos estamos sujeitos a tentações. Se sei que tenho de contar ao meu grupo o que estou enfrentando, isso me ajudará a frear na hora da tentação.  Isso exige muita maturidade e uma mudança em como as pessoas nas igrejas veem os seus líderes. Eu posso muito bem imaginar de onde vem a mentira de que a vida do líder tem de ser perfeita. Tem de ter filhos perfeitos, esposas perfeitas, sempre falar de forma perfeita, com sabedoria ...

Por que nos tornamos líderes, deixamos de pecar? Não precisamos mais da confissão e do perdão? Claro que precisamos! Então, sejamos transparentes e verdadeiros, honestos. Nem tudo o que acontece precisa vir a público. Mas deve existir um grupo de duas a três pessoas ao meu redor, às quais tenho de prestar contas e viver em transparência - pessoas que podem orar por mim e me sustentar (e eu em relação a elas) para que não caiamos em tentação.
Instiuto Jetro - Como pode um cristão e líder enfrentar a tentação? 

ESLY- Os bancos de nossas igrejas estão cheios de pessoas que sofrem. Muitas  fazem em silêncio porque têm medo de falar de suas feridas e ser rejeitadas. Outras pensam que serão acusadas de "pecado oculto" se explicarem as dificuldades por que passam. Outras receberam a instrução de orar mais, ler mais a Bíblia e confiar mais em Deus, e, como o seu problema não foi resolvido, pensam que assim é a vida do cristão: ele tem de "carregar a sua cruz". Algumas querem ser santas "à força", impondo uma santidade exterior, o que gera o mal do legalismo. Outras pensam que a santidade não é tão importante, que Deus as entende, sabe que são pecadoras e perdoa-lhes tudo; assim se desculpam pelos seus pecados. Nenhum desses extremos é recomendável.

Uma das principais razões pelas quais as pessoas não levam uma vida mais santa é porque não receberam cura emocional para as feridas do seu coração. Parece que a igreja aceita a saúde espiritual - a salvação pela graça de nosso Senhor Jesus Cristo; também aceita a saúde física - por meio do médico ou pela cura divina; mas pouco se ouve falar da saúde da alma, do coração - a saúde emocional no contexto da santidade.

A falta de saúde do coração é um dos maiores obstáculos para o crescimento espiritual e a santidade do cristão. Quando Paulo disse que o que queria fazer não fazia e o que não queria fazer acabava fazendo, fez uma descrição perfeita do que vejo todos os dias em meu consultório. Informação não é suficiente. Se fosse, os sermões já teriam curado todo o nosso povo, porque excelentes informações são compartilhadas em muitas pregações. Mas a informação intelectual muda muito pouco a conduta. Não toca a parte do nosso cérebro responsável pela mudança de comportamento. E pouco toca nosso coração. Por isso sabemos de excelentes pregações e também de cristãos que continuam lutando com seus problemas emocionais. 

Instituto Jetro - Muitos líderes vêm de lares disfuncionais. A maioria das pessoas que abraçam profissões de ajuda (médicos, psicólogos, assistentes sociais, pastores) saíram de lares com problemas de alcoolismo, adultério, violência, divórcio, etc. Tendemos a repetir os modelos antigos. Como lidar com a expectativa de terem "família e filhos perfeitos"? 

ESLY - Muitas pessoas afetam nossas vidas mais por condutas pecaminosas do que por condutas de amor e cura - talvez porque elas também tenham sido tratadas mais com pecado do que com santidade. Não é sem razão que a Bíblia nos diz que Deus visita os pecados dos pais nos filhos até à terceira e quarta gerações (Nm 14.18). Alguém que trabalha com aconselhamento logo descobre que as pessoas repetem o modelo de família o qual foram criadas. Se tiveram modelos bons e saudáveis, é isso o que aprenderão. Se foram criadas em uma família em que os padrões resultaram de pecado, então isso é o que absorverão: alcoolismo, violência, promiscuidade, infidelidade, adultério, ira, ansiedade, medo, depressão, legalismo, e por aí vai.


Todos repetimos o que aprendemos por atos e palavras (especialmente pelos exemplos). A boa notícia é que podemos romper com esses padrões. Não somos obrigados a viver e repetir fatalmente o que aprendemos. Mas, para isso, temos de investir vontade e esforço. Só pensar que não vamos repetir modelos não evita a repetição, já que a nossa conduta é muito mais que o fruto dos nossos pensamentos. Temos de buscar a cura para poder alcançá-la. Deus pode romper modelos passados, mas nós também temos de aprender novas maneiras, saudáveis e curadoras, de lidar com os nossos filhos.

Por um lado, às vezes não soubemos mesmo fazer o melhor. Tivemos modelos inadequados e, quem sabe, nos dedicamos tanto ao ministério que ignoramos as necessidades emocionais da família. Somente quando nossos filhos se desviam percebemos nosso pecado de omissão. Outras vezes, quem sabe, somos muito duros e legalistas, exigindo que nossos filhos se "encaixem" em nosso modelo imaginário. Esquecemos que eles são como todos os outros filhos: têm as mesmas necessidades físicas, emocionais e espirituais.


Por outro lado, às vezes fazemos o melhor que podemos e, ainda assim, nossos filhos não são esse "modelo perfeito". É que Deus lhes deu o livre-arbítrio. Eles pecam por vontade própria. Apesar de tudo que ensinamos, do tempo que gastamos com eles em oração por seu bem-estar e proteção, às vezes eles escolhem outro caminho. Nosso coração se rompe em dor por suas decisões pecaminosas. Sofremos com as consequências do pecado nas suas vidas e às vezes na vida dos seus filhos, nossos netos.

Não há pais perfeitos. Devemos enfrentar as situações em que os nossos líderes estão lutando com filhos imperfeitos com a mesma graça que Deus nos oferece.

Instituto Jetro - Quais seus conselhos de cuidado para nossos pastores e líderes?
ESLY - Os pastores e líderes devem evitar o esgotamento, eis algumas sugestões: 1. Inove sua vida devocional: escreva suas orações em vez de fazê-las em voz alta. Saia para caminhar e ore em voz alta enquanto caminha à sós, procure um companheiro de oração com quem possa compartilhar abertamente. 2. Reserve tempo para estar à sós. 3. Durma bastante e pratique atividade física. 4. Descanse e relaxe. Sem culpa. 5. "Preste contas" a outras pessoas. Peça a Deus que coloque em sua vida pessoas de confiança com quem possa compartilhar as cargas que o afligem, suas tentações e seus sonhos. 6. Pense de formas não usuais. Busque soluções criativas. Busque soluções, e não problemas. 7. Semanalmente, faça algo que nada tenha a ver com seu ministério. 


E ainda, proteja seu chamado. De tempos em tempos, volte ao chamado original. Pergunte-se: "estou fazendo aquilo que Deus me chamou para fazer?" "Estou me tornando cada vez mais parecido a Jesus?" "Qual é o fruto das minhas mãos?" A Bíblia diz que seremos conhecidos pelo nosso fruto, não pela nossa atividade ou por uma agenda cheia. Quando eu terminar a minha carreira, o que vou deixar para as outras gerações? Estou investindo em levantar uma geração que
vai continuar a obra do Senhor?

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