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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

John Piper - Um Chamado aos Cristãos Coronários

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 Gosto de adrenalina. Acho que ela tem me ajudado a atraves­sar muitos domingos. Contudo, não é adequada para as se­gundas-feiras. Na verdade, sou grato mesmo é pelo meu coração. Ele se mantém sendo um servo humilde e calado durante os dias bons e ruins, felizes e tristes, altos e baixos, apreciados ou desconside­rados. Ele nunca me deixa na mão, nem diz: "Eu não gostei de sua atitude, Piper. Vou dar o fora!" Apenas se mantém batendo humildemente, como sempre.
Os cristãos "coronários" agem como o coração nas causas às quais servem. Os cristãos-adrenalina, por sua vez, são uma explosão de energia, e então, a fadiga. O que a Igreja e o mundo precisam hoje é de corredores de maratona, e não velocistas. Pessoas que mante­nham o passo até terminar a corrida (que dura toda uma vida).
Sou grato a Deus pelos cristãos "coronários"! Cristãos compro­metidos com as grandes causas, e não com os grandes confortos. Rogo para que você comece a sonhar com algo que seja maior do que você, sua família e igreja. Anseio por deixarmos de endeusar a família, e dizermos ousadamente que nossos filhos não são a nossa causa. Eles nos são dados para que os treinemos, em pouco tempo, para as grandes causas da verdade, misericórdia e justiça num mun­do preconceituoso, sofrido e decadente.
Meu sangue ferve pela a idéia de ver cristãos fortes, persistentes, coronários, comprometidos com as grandes causas, porque nesses últimos dias fui profundamente tocado pela vida de WilliamWilberforce. Houve um cristão "coronário" na causa da justiça racial. Ele era profundamente cristão, um evangélico vibrante, e um polí­tico apaixonado durante a longa luta contra o tráfico de escravos africanos na Casa dos Comuns norte-americana.
Em 28 de outubro de 1787, com 28 anos de idade, ele escreveu em seu diário: "O Deus Todo-Poderoso tem colocado diante de mim dois grandes objetivos: o fim do tráfico de escravos e a Refor­ma (moral)". Foi derrotado batalha após batalha no Parlamento, pois "O Tráfico" estava muito entranhado nos interesses financei­ros do país.
Entretanto, ele nunca desistiu ou recuou, era "coronário", e não movido a adrenalina. Em 24 de fevereiro de 1807, às 4h da manhã, vinte anos mais tarde, o voto decisivo foi lançado (283 a favor, 16contra) e o tráfico de escravos tornou-se ilegal. A Casa levantou-se como um só homem e colocou-se diante de Wilberforce numa ex­plosão de palmas parlamentares, enquanto o pequeno homem sen­tado permanecia curvado, com a cabeça baixa e com lágrimas correndo pela face.
O cristão "coronário" William Wilberforce nunca desistiu. Ha­via explicações para sua inflexibilidade: a grandeza, a retidão e a justiça de sua causa o sustentavam. Abolir a escravidão era "o maior objetivo de minha carreira parlamentar". "Diante dessa grande cau­sa", ele escreveu em 1796, "todas as outras coisas diminuíam aos meus olhos, e devo dizer que a convicção que me faz estar exata­mente aqui soma-se à grande satisfação com a qual manifesto tal declaração. Se honrar-me até agora agrada a Deus, que eu possa serum instrumento para deter o curso dessa perversidade e crueldade que, como nunca antes, desgraçou um país cristão".
Ele viu que as explosões de adrenalina nunca prevaleceriam: "Diariamente procuro me tornar mais sensível para que meu traba­lho seja mais afetado pelas ações constantes e regulares do que por atitudes súbitas e violentas". Aprendera o segredo de ser fortaleci­do, e não detido, pela oposição. Um de seus adversários disse: "Ele é abençoado com uma grande porção de entusiasmo, o que é extre­mamente proveitoso, já que isso influencia de forma muito mais vigorosa do que uma atitude explosiva".4 Essencialmente, o segredo do seu compromisso "coronário" com essa grande causa consistia em sua profunda aliança com Jesus Cristo.
Ele orou: "(Possa Deus) capacitar-me a ter um olhar sincero e um coração singelo, desejoso de agradar-lhe, para o bem do meu próximo e para demonstrar minha gratidão ao meu adorável Re­dentor". Que essa oração possa estimular muitos outros "coronários" apaixonados por Cristo a lutarem contra o racismo, o aborto, a fome, a ignorância, a miséria, o desabrigo, as drogas, o crime, a corrupção, a violência, a AIDS, a apatia, a incredulidade... com uma perseverança inabalável.

Sim, Senhor! Este é o nosso desejo de coração. Perdoa-nos pelos ímpetos passageiros de justiça, pelas curtas corridas em busca da santidade, pelos pequenos flashes de sacrifícios nobres. Edifica na fibra de nossa fé uma perseverança vigorosa, resistente e inabalável pela causa da verdade e do amor! Torna-nos cristãos "coronários"! Em nome de Jesus. Amém.

sábado, 16 de outubro de 2010

Filme sobre vida de John Wesley

O Filme
Depois do reformador Alemão Lutero, ganhar as telas através da produção cinematográfica “Lutero, O Filme”, agora é a vez de outro reformador desta vez o Avivalista Inglês John Wesley, ganhar a sua versão em longa metragem. “Wesley: um coração transformado” é um drama de fé e renovação. Esta verdadeira história é baseada no diário real de John Wesley, fundador do movimento metodista, e seu irmão, prolífico escritor, Charles Wesley.

Este filme está repleto de aventura, romance e desafio. Ao longo desta apresentação dramática, os espectadores vão se identificar com as lutas pessoais e falhas humanas desses grandes heróis da fé. O poder transformador da graça de Deus, como mudou e moldou suas vidas é inconfundível.
O longa metragem há muito aguardado, Wesley, abriu em alguns cinemas que foram selecionados de todo o Estados Unidos. Premiado em efeitos especiais, fotografia deslumbrante e autênticos figurinos do século XVIII, o filme “Wesley: A Heart Transformed Can Change the World” (Título em Inglês), já está disponível para comercialização em DVD, nos Estados Unidos.

Com informações do Portal Guia-me

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Corrie ten Boom, heroína da fé

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• "A árvore sobre a montanha aceita o que as intempéries lhe mandarem. Se ela tem alguma escolha, é a de fincar as raízes o mais profundamente que conseguir."
Cornelia Johanna Arnalda ten Boom, mais conhecida como Corrie ten Boom,(15 Abril, 1892 – 15 Abril, 1983)

Cornelia Johanna Arnolda ten Boom, conhecida como Corrie ten Boom (15 de abril de 1892 – 15 de abril de 1983) foi uma escritora e resistente holandesa que ajudou a salvar a vida de muitos judeus ao escondê-los dos nazistas durante a II Guerra Mundial. Ten Boom registrou sua autobiografia no livro O Refúgio Secreto, que posteriormente foi adaptado para o cinema em um filme com o mesmo nome. Em dezembro de 1967, Ten Boom foi honrada com a inclusão de seu nome nos "Justos entre as Nações" pelo Estado de Israel.

• Corrie ten Boom nasceu em 15 de abril de 1892 em Amsterdã, Holanda, a mais nova de quatro irmãos. Poucos meses depois do seu nascimento, sua família mudou para Haarlem. Casper ten Boom, seu pai, era um relojoeiro. Sua mãe morreu de um ataque cardíaco aos 63 e sua irmã mais velha, Elisabeth (Betsie) havia nascido com uma anemia perniciosa. Willem, irmão delas, graduado em uma escola teológica, afirmava que se a Holanda não tomasse uma atitude, ela cairia sob os nazistas. Em 1927, na faculdade teológica, como preparação para sua ordenação, ele escreveu uma dissertação sobre anti-semitismo racial. Era casado e pai de quatro filhos. Sua filha mais nova, Nollie, casou com um professor e teve seis filhos. Corrie e Betsie nunca se casaram. Corrie começou a aprender relojoaria em 1920 e, em 1922 tornou-se a primeira mulher relojoeira licenciada na Holanda.

Em 1940, os nazistas invadiram a Holanda e, em 1942, Corrie e sua família tornaram-se ativos na resistência holandesa, escondendo refugiados em sua casa, na rua na Barteljorisstraat 19, em Harlem, Holanda. Dessa forma, eles viriam livrar muito judeus da morte certa nas mãos da SS nazista. A devota família cristã dos ten Boom era conhecida pela sua atitude prestativa para com todos, com relação aos judeus isso foi ainda mais acentuado pelo reconhecimento dos ten Boom da importância do povo judeu nas escrituras e na fé cristã. Os ten Boom chegavam a se preocupar em providenciar comida kosher e respeitar o Sabá.

Em maio de 1942, uma mulher muito bem vestida chegou à porta dos ten Boom com uma pasta na mão. Nervosamente, ela disse que era judia, que seu marido havia sido preso meses antes e seu filho tinha ido se esconder na casa de Corrie ten Boom. Autoridades da ocupação haviam recentemente a visitado e ela temia retornar para casa. Após ouvir que eles tinha ajudado os Weils, a mulher perguntou se poderia ficar com eles. Corrie e seu pai prontamente concordaram. Devotado leitor do Velho Testamento, Casper ten Boom acreditava que os judeus eram de fato o “povo escolhido” e disse à mulher que em sua casa “o povo de Deus era sempre bem-vindo”.

Assim começou “o refúgio secreto”, ou "de schuilplaats", como era conhecido em holandês (também conhecido como “de BéJé”, em referência à rua onde ficava o esconderijo Barteljorisstraat). Ten Boom e sua irmã começaram a receber refugiados, alguns dos quais eram judeus, outros, membros da resistência procurados pela Gestapo e sua contrapartida holandesa. Havia diversas salas extras na casa, mas a comida era escassa devido aos tempos de guerra. Cada holandês não judeu recebia um carão de racionamento com o qual poderia procurar cupons semanais e trocá-los por comida.

Corrie conhecia muitos em Haarlem, graças ao seu trabalho de caridade e lembrou-se de uma família que tinha uma filha deficiente. Por cerca de vinte anos, Corrie ten Boom conduziu um programa especial na igreja para crianças deste tipo e assim, conhecia a família. O pai era um civil encarregado do escritório local que controlava os cartões de comida. Uma noite ela, sem aviso, foi à casa deste homem e ele parecia saber o porquê. Quando ele perguntou quantos cartões ela precisava, “eu abri minha boca para dizer cinco”, ten Boom escreveu no “O Refúgio Secreto”. “Mas a quantia que inesperada e espantosamente saiu foi “Cem”.

Por volta do meio-dia e trinta do dia 28 de fevereiro de 1944, os alemães prenderam toda a família ten Boom, com a ajuda de um informante holandês (mais tarde a família ten Boom ira descobrir que o nome do informante era Jan Vogel[1]). Eles foram enviados para a prisão de Scheveningen (onde o pai de Corrie morreu dez dias após a prisão), em seguida para o campo de concentração Vught (ambos na Holanda), e finalmente para o campo de Ravensbrück, na Alemanha, em setembro de 1944, onde Betsie a irmã de Corrie morreu. Antes de morrer ela diria a Corrie “não há abismo tão profundo que o amor de Deus não seja ainda mais profundo”. Corrie foi solta no dia de Natal de 1944.[2] No filme “O Refúgio Secreto”, tem Boom narra o episódio de sua saída do campo de concentração, contando que mais tarde ela soube que sua soltura havia sido um erro burocrático. As prisioneiras de sua idade no campo foram todas mortas uma semana após sua libertação.

Após a guerra, Corrie ten Boom retornou à Holanda para estabelecer centros de reabilitação. Ela voltou à Alemanha em 1946 e passou muitos anos de ensino itinerante por mais de sessenta países se seguiram, durante os quais ela escreveu diversos livros.

Ten Boom narrou a história de sua família e seu trabalho durante a II Guerra Mundial em seu livro mais famoso “O Refúgio Secreto” (1971), o qual foi transformado em filme pela World Wide Pictures em 1975. O livro e o filme deram contexto à história de Anne Frank, que também esteve em um esconderijo na Holanda durante a guerra[3].

Em 1977, ten Boom, aos 85 anos, mudou-se para Orange (Califórnia). Sucessivos ataques em 1978 reduziram sua capacidade de comunicação e deixaram-na inválida. Em 15 de abril de 1983, no dia do seu 91 aniversário, ela veio a falecer.

Ten Boom foi homenageada pelo Estado de Israel pelo seu trabalho em auxílio ao povo judeu. Ela foi convidada a plantar uma árvore na Alameda dos Justos, em Yad Vashem, próximo a Jerusalém. Em 2007, seu pai e sua irmã Elisabeth receberam a mesma honraria[4].

Tem Boom foi homenageada pela Rainha da Holanda em reconhecimento ao seu trabalho durante a guerra e um museu em homenagem a ela e sua família foi criado na cidade de Haarlem.

O rabino Daniel Lapin, que espantou-se ao tomar conhecimento da história de Corrie apenas na idade adulta, lamenta o desconhecimento por parte da comunidade judaica americana assim como o descaso do Museu Memorial do Holocausto de Washington em relação ao trabalho em favor dos judeus realizado pela família ten Boom[5].

Seus ensinamentos eram focalizados no evangelho cristão, com ênfase no perdão. Em seu livro Tramp for the Lord (1974), ela narra a história de como, após estar ensinando na Alemanha, em 1947, ela se aproximou de um dos mais cruéis guardas de Ravensbrück. Ela estava relutante em perdoá-lo, mas orou para que conseguisse fazê-lo. Ela escreveu que,

Por um longo momento, nós tocamos nossas mãos, o ex-guarda e a ex-prisioneira. Eu jamais havia conhecido o amor de Deus tão intensamente quanto naquela hora.

Na mesma passagem, ela escreve também que, em sua experiência do pós-guerra com outras vítimas da brutalidade nazista, aqueles mais capazes de perdoar foram os que mais facilmente puderam reconstruir suas vidas. Ela era conhecida por sua rejeição à doutrina do arrebatamento pré-tribulação. Em seus escritos ela afirma que não fundamentação bíblica para isso e argumenta que a tal doutrina deixou a Igreja Cristã mal preparada em tempos de grande perseguição, como na China de Mao. Corrie apareceu em muitos programas de televisão cristãos narrando sua experiência com o Holocausto, perdão e amor de Deus.
http://arsenaldocrente.blogspot.com
Fonte: http://www.armazemdeideias.net

domingo, 29 de março de 2009

MORRENDO PELA JUSTIÇA


Lembrar-te-ás de que foste escravo no Egito e de
que o Senhor te livrou dali. -- Deuteronómio 24:18

Quando o pastor presbiteriano Elijah Lovejoy (1802-1837) deixou o púlpito, regressou ao mundo da imprensa, a fim de alcançar mais pessoas para Cristo. Depois de ser testemunha de um linchamento, Lovejoy propôs-se a lutar contra a injustiça da escravidão. A sua vida foi ameaçada por multidões cheias de ódio, mas isto não o fez parar: "Se um acordo significa que devo parar com meus deveres, não posso fazê-lo. Eu temo a Deus mais do que os homens. Se quiserem podem acabar comigo, mas eu devo morrer cumprindo meu dever." Quatro dias depois destas palavras, ele foi morto nas mãos de outra multidão furiosa.

A preocupação pela justiça a favor dos oprimidos é evidente em toda a Escritura. Foi especialmente óbvia quando Deus estabeleceu as normas para a aliança com Seu povo, depois que foram libertos da escravidão do Egito (Deuteronómio 24:18-22). Moisés enfatizou a preocupação pelos menos privilegiados (Êxodo 22:22-27; 23:6-9; Levítico 19:9-10). Repetidas vezes, os israelitas foram lembrados que haviam sido escravos no Egito e que deveriam lidar de forma justa com os menos privilegiados na sua comunidade. Deviam amar os estrangeiros porque Deus os ama, e os próprios israelitas haviam sido estrangeiros no Egito (Êxodo 23:9; Levítico 19:34; Deuteronómio 10:17-19).


Deus deseja que Seu povo afirme o valor supremo de cada indivíduo, lutando contra a injustiça. -- MLW

ALIAR-SE A JUSTIÇA SIGNIFICA LUTAR CONTRA A INJUSTIÇA.
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Fonte: Devocional Nosso Andar Diário - http://www.nossopaodiario.net

Para saber mais sobre Lovejoy,
Clique Aqui.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Dos Heróis da Fé (l)

Jó 2:8-10

E Jó tomou um caco para se raspar com ele; e estava assentado no meio da cinza.

Então sua mulher lhe disse: Ainda reténs a tua sinceridade? Amaldiçoa a Deus, e morre.


Porém ele lhe disse: Como fala qualquer doida, falas tu; receberemos o bem de Deus, e não receberíamos o mal? Em tudo isto não pecou Jó com os seus lábios.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

John Knox, o presbiteriano com uma espada

‘A espada da justiça pertence a Deus, e se príncipes e governantes deixarem de usá-la, outros o farão’.

Knox era um ministro do evangelho cristão que defendia a revolução armada. Ele era considerado um dos mais poderosos pregadores de seus dias, mas apenas dois das centenas de sermões que pregou foram publicados. Ele é uma figura-chave na formação da Escócia moderna, mas só há um monumento erguido em sua homenagem neste país, e seu túmulo está embaixo de um estacionamento.

John Knox era de fato um homem de muitos paradoxos, um Jeremias hebreu estabelecido em solo escocês. Numa campanha incessante de oratória flamejante, ele buscou destruir o que achava ser idolatria e purificar a religião da Escócia.

Abraçando a causa - John Knox nasceu por volta de 1514, em Haddington, uma pequena cidade ao sul de Edinburgo. Por volta de 1529 ele entrou na Universidade de St. Andrews e continuou fazendo Teologia. Foi ordenado em 1536, mas se tornou um tabelião, e depois tutor dos filhos dos proprietários de terras locais (a nobreza inferior escocesa).

Eventos dramáticos aconteceram durante a juventude de Knox. Muitos estavam enfurecidos com a Igreja Católica, que possuía mais da metade dos imóveis e tinha uma renda anual de quase 18 vezes a da Coroa. Os bispos e padres eram freqüentemente meros indicados políticos, e muitos nunca esconderam suas vidas imorais: o arcebispo de St. Andrews, cardeal Beaton, andava abertamente com concubinas e era pai de 10 filhos.

O constante tráfego marítimo entre a Escócia e a Europa permitiu que a literatura luterana fosse contrabandeada para dentro do país. Autoridades da igreja ficaram alarmadas com esta “heresia”, e tentaram suprimi-la. Patrick Hamilton, um declarado protestante convertido, foi queimado vivo em 1528.

No início dos anos de 1540, Knox conheceu a influência de reformadores convertidos, e sob a pregação de Thomas Guilliame se juntou a eles. Tornou-se, então, um guarda-costas do feroz pregador protestante George Wishart, que estava pregando por toda a Escócia.

Em 1546, entretanto, o cardeal Beaton prendeu, julgou, estrangulou e queimou Wishart. Em resposta, um grupo de 15 nobres protestantes invadiu o castelo, assassinou Beaton e mutilou seu corpo. O castelo foi imediatamente cercado por uma frota de navios franceses (a França católica era aliada da Escócia). Embora Knox não fosse co-responsável pelo assassinato, ele o aprovou, e durante um furo no cerco, se juntou ao grupo sitiado no castelo.

Durante um culto protestante em um domingo, o pregador John Rough falou sobre a eleição de ministros e publicamente pediu a Knox que assumisse a função de pregador. Quando a congregação confirmou o chamado, Knox ficou abalado e foi às lágrimas. Ele declinou, a princípio, mas finalmente se submeteu ao que sentia ser um chamado divino.

Foi um ministério curto. Em 1547, depois de o castelo de St. Andrews ser cercado mais uma vez, ele finalmente cedeu. Alguns de seus ocupantes foram presos. Outros, como Knox, foram mandados para as galés como escravos.

Pregador viajante - Dezenove meses se passaram antes que ele e outros fossem libertados. Knox passou os cinco anos seguintes na Inglaterra e sua reputação como pregador cresceu muito. Mas quando a católica Mary Tudor assumiu o trono, ele foi forçado a fugir para a França.

Ele foi até Genebra, onde encontrou João Calvino. O reformador francês o descreveu como um “irmão… trabalhando com energia pela fé”. Knox, de sua parte, ficou tão impressionado com a Genebra de Calvino que a chamou de “a escola mais perfeita de Cristo que esteve sobre a terra desde os dias dos apóstolos”.

Knox viajou então para Frankfurt am Main, onde se juntou a outros protestantes refugiados – e rapidamente entrou em controvérsia. Os protestantes não conseguiam concordar com uma ordem de culto. As discussões tornaram-se tão acaloradas que um grupo abandonou uma igreja num domingo, recusando-se a cultuar no mesmo prédio que Knox.

De volta à Escócia, os protestantes estavam redobrando seus esforços e congregações estavam se formando por todo o país. Um grupo, que veio a ser chamado de Os Senhores da Congregação, votaram para fazer do protestantismo a principal religião da Terra. Em 1555, eles convidaram Knox para retornar à Escócia para inspirar a tarefa da reforma. Ele passou nove meses pregando extensiva e persuasivamente na Escócia antes de retornar à Genebra.

Golpes furiosos - Mais uma vez longe de seu lar, ele publicou alguns de seus tratados mais controversos: em sua Admonition to England [Admoestação à Inglaterra], rancorosamente atacou os líderes que permitiram ao catolicismo voltar à Inglaterra. Em The First Blast of the Trumpet Against the Monstrous Regiment of Women [O primeiro toque da trombeta contra o regime monstruoso das mulheres], argumentou que uma governante mulher (como a rainha inglesa Mary Tudor) era “mais odiosa na presença de Deus” e que ela era “uma traidora e se rebelava contra Deus”. Em Appellations to the Nobility and Commonality of Scotland [Apelos à nobreza e à plebe da Escócia], estendeu às pessoas comuns o direito – na verdade a tarefa – de se rebelar contra governantes injustos. Como ele disse a rainha Mary da Escócia mais tarde: “A espada da justiça pertence a Deus, e se os príncipes e governantes deixarem de usá-la, outros o farão.”

Knox retornou à Escócia em 1559, e mais uma vez emprestou suas habilidades formidáveis de pregação para aumentar a militância protestante. Poucos dias após sua chegada pregou um sermão violento em Perth contra a “idolatria” católica, causando tumulto. Imagens foram esmagadas e templos religiosos destruídos.

Em junho, foi eleito ministro da igreja de Edimburgo, onde continuou a exortar e a inspirar. Em seus sermões, sempre gastava meia hora calmamente fazendo a exegese de uma passagem bíblica. Então, quando aplicava o texto à situação escocesa, tornava-se “ativo e vigoroso” e esmurrava o púlpito violentamente. Disse um homem que tomava notas: “Ele me fez sacudir e tremer de um modo que eu não podia segurar a caneta.”

Os Senhores da Congregação ocuparam militarmente mais e mais cidades, de modo que finalmente, no tratado de Berwick de 1560, ingleses e franceses concordaram em deixar a Escócia (os ingleses, agora sob o reinado da protestante Elizabeth I tinham ido ajudar os escoceses protestantes; os franceses estavam ajudando o grupo católico). O futuro do protestantismo na Escócia estava garantido.

O Parlamento ordenou que Knox e cinco outros colegas escrevessem uma Confissão de Fé, o Primeiro Livro da Disciplina e o Livro da Ordem Comum — os quais colocaram a fé protestante na Escócia de um modo distintamente calvinista e presbiteriano.

Knox terminou seus anos como pregador na igreja de Edimburgo, ajudando a moldar o protestantismo na Escócia. Durante esse tempo, escreveu History of the Reformation of Religion in Scotland [História da reforma da religião na Escócia].

Embora permaneça um paradoxo para muitos, ele claramente foi um homem de grande coragem. Alguém, diante da sepultura aberta de Knox, disse: “Aqui jaz um homem que nunca lisonjeou nem temeu nenhuma carne.” O legado de Knox é grande: seus filhos espirituais incluem cerca de 750 mil presbiterianos na Escócia, 3 milhões nos Estados Unidos e muitos milhões espalhados pelo mundo todo.
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via Portal CRISTIANISMO HOJE - www.cristianismohoje.com.br/

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quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Lembrando nossos Mártires

Extraído do blog de Luan Marçal - http://www.luanmarcal.blogspot.com/

Ser mártir é dar testemunho de sua fé ou selar este testemunho com a própria morte. A história da nossa Igreja faz parte da história dos quase 300 mártires protestantes que defenderam a sua fé reformada e desafiaram as autoridades da época, destacando as Sagradas Escrituras como autoridade definitiva na vida cristã.
Na história das Igrejas Reformadas, muitos pagaram com a própria vida este desafio, em grupo ou individualmente.Não devemos esquecer, jamais, os episódios que bem marcaram, ou melhor, mancharam com sangue inocente, e até hoje ainda ilustram a história religiosa no mundo inteiro. Um deles nos remete a 25 de maio de 1553, quando foram submetidos à morte por afogamento 14 anabatistas. Um outro, que é considerado o maior massacre religioso do povo francês, traz-nos à memória a célebre “noite de são Bartolomeu” que, em 24 de agosto de 1572, por causa de sua fé, morrem na França, a golpe de espada - numa só noite -, mais de 100 mil protestantes calvinistas, vítimas da intolerância religiosa.
Saiba quem foram alguns destes homens que fazem parte desta galeria de líderes que, ao defenderem veementemente aquilo que criam, morreram de pé, e hoje servem de exemplo para o fortalecimento da nossa fé. Sem a coragem deles praticamente não existiríamos.
wycliffe[1]
* João Wycliffe – considerado “a estrela d'alva da Reforma”, morreu em 31 de dezembro de 1384, mas só foi condenado como herege no dia 4 de maio de 1415 pelo Concílio de Constança que ordenou que os seus ossos fossem queimados.
Tido como o homem mais culto e mais destacado da Universidade de Oxford, Wycliffe traduziu a Bíblia, versão latina (Vulgata), para o inglês e organizou a ordem dos “sacerdotes pobres”, conhecidos como os irmãos Lollardos , que foram destacados como uma força poderosa na disseminação do Evangelho por toda a Inglaterra.
JoaoHuss[1]
* João Huss – estudou na Universidade de Praga, onde foi reitor; adotou as idéias de Wycliffe. Foi condenado à fogueira, em Constança, em 6 de julho de 1415.
* Jerônimo de Praga – reformador da Igreja da Boêmia, foi martirizado em 30 de maio de 1416 pela mesma condenação de João Huss, e de quem era discípulo, depois de confessar publicamente a sua fé.
* Girolamo Savonarola – foi enforcado, em 23 de maio de 1498, depois de procurar reformar o Estado e a Igreja de Florença. Sua pregação ia contra a vida desregrada do papa.
* João James – morre, na Inglaterra, no dia 15 de novembro de 1661. Seu corpo foi esquartejado e cada parte enviada para vários locais como advertência aos não-conformistas.
* Thomas Cranmer – principal articulador da Reforma inglesa. Notabilizou-se depois de ter sido eleito arcebispo de Cantuária; por ter sido o responsável pela anulação do casamento de Henrique 8.º com Catarina de Aragão; e, principalmente, por ter sido o responsável pela confecção dos Dez Artigos , de estilo luterano (1536); por promover uma nova versão da Bíblia, usando como base o texto de Tyndale; e por publicar, em 1547, o Livro das Homilias ; mas, acima de tudo, por ter sido o responsável pelo primeiro Livro de Oração Comum , em 1549. Foi morto na fogueira no dia 21 de março de 1556.

* HUGH LATIMER, Bispo e Mártir – Hugh Látmer nasceu em Themaston, Leicestershire.”Papista” convertido ao protestantismo aos 30 anos,tornou-se um dos doze pregadores licenciados (licenced preachers) de Cambridge.Acusado de heresia,foi obrigado a assinar sem crer os artigos de fé.Resignou à Diocese em 1539.
Foi prisioneiro até a morte de Henrique VIII (1547). Readquiriu o favor sob o reinado de Edward VI, mas foi novamente preso e processado por ordem da Rainha Maria. Condenado por heresia foi queimado vivo no dia 16 de outubro de 1555. Naquele triste momento Látmer disse para seu companheiro: “Fique bem confortado,Mestre Ridley,e seja homem.Nós vamos neste dia acender tal vela pela graça de Deus na Inglaterra que eu creio nunca será apagada” . Considerado mártir da Reforma da Inglaterra. Seus sermões foram publicados em 1635.

* NICHOLAS RIDLEY – Nicholas Ridley, nasceu em Northumberland.Capelão de Thomás Cranmer,Arcebispo de Canterbury,colaborou com este na redação dos Trinta e nove Artigos de Religião, que se tornaram o fundamento da Igreja Anglicana e do anglicanismo mundial,inclusive da Igreja Episcopal Reformada,bem como no preparo do livro inglês de Oração Comum. Foi anda capelão de Henrique VII e Cônego de Worchester,tornou-se Bispo de Rochester em 1547, e de Londres,1550. Acusado de introduzir o protestantismo na Universidade de Cambridge,1547. Propagou os princípios da reforma.Foi preso após a ascensão de Maria Tudor (a saguinária) ao trono,1533 Dois anos mais tarde, foi declarado herege e queimado vivo com Hugh Látimer.

* JOHN HOOPER – John Hooper, nasceu Somerset,em fins do século XV. Abraçou os princípios da Reforma e, para escapar à perseguição,refugiou-se no continente europeu,1539. Regressou a Londres 1549, sendo nomeado,no ano seguinte, Bispo deWorcester e Gloucester. Após a ascensão de Maria Tudor,1553, tornou-se uma das principais vítimas protestantes ao ser queimado vivo num pelourinho próximo à sua própria catedral.
Morreu no dia 9 de fevereiro de 1555, como um dos grandes baluartes da fé reformada inglesa em Gloucester, Inglaterra.
* William Laud – arcebispo de Cantuária e conselheiro do rei Carlos 1.º, foi condenado à prisão, em 1641, pelo Parlamento, por ter tentado impor à Escócia o Livro de Oração Comum . Foi executado por traição, em 1645, no auge do governo puritano.
* Jean du Bourdel , Mathieu Verneuil e Pierre de Bourdon – considerados os primeiros cristãos reformados da América, e também conhecidos como “os mártires da Guanabara”, estes franceses foram condenados à morte por afogamento, na Baía da Guanabara (RJ), em 9 de fevereiro de 1558, apenas por defenderem a sua fé.Eles faziam parte da comitiva dos 14 huguenotes que aportaram ao Brasil no dia 7 de março de 1557 enviados por João Calvino.
* Roberto Farrar – bispo, martirizado e condenado à fogueira em 30 de março de 1555 por causa de sua fé.
* William Tyndale – presbítero e mártir; tradutor do Novo Testamento em inglês. Foi morto por estrangulamento, em 6 de outubro de 1536, e, sendo queimado o seu corpo, deu-se o fim de um sonho de concluir a tradução da Bíblia para a língua de seu povo na época.

Luan Henrique Taveira Marçal

sábado, 28 de junho de 2008

João Ferreira de Almeida - Biografia



Conhecido pela autoria de uma das mais lidas traduções da Bíblia em português, ele teve uma vida movimentada e morreu sem terminar a tarefa que abraçou ainda muito jovem.

Entre a grande maioria dos evangélicos do Brasil, o nome de João Ferreira de Almeida está intimamente ligado às Escrituras Sagradas. Afinal, é ele o autor (ainda que não o único) da tradução da Bíblia mais usada e apreciada pelos protestantes brasileiros. Disponível aqui em duas versões publicadas pela Sociedade Bíblica do Brasil - a Edição Revista e Corrigida e a Edição Revista e Atualizada - a tradução de Almeida é a preferida de mais de 60% dos leitores evangélicos das Escrituras no País, segundo pesquisa promovida por A Bíblia no Brasil (ver número 158).
Se a obra é largamente conhecida, o mesmo não se pode dizer a respeito do autor. Pouco, ou quase nada, se tem falado a respeito deste português da cidade de Torres de Tavares, que morreu há 300 anos na Batávia (atual ilha de Java, Indonésia). O que se conhece hoje da vida de Almeida está registrado na "Dedicatória" de um de seus livros e nas atas dos presbitérios de Igrejas Reformadas (Presbiterianas) do Sudeste da Ásia, para as quais trabalhou como pastor, missionário e tradutor, durante a segunda metade do século XVII.
De acordo com esses registros, em 1642, aos 14 anos, João Ferreira de Almeida teria deixado Portugal para viver em Málaca (Malásia). Ele havia ingressado no protestantismo, vindo do catolicismo, e transferia-se com o objetivo de trabalhar na Igreja Reformada Holandesa local.

Tradutor aos 16 anos

Dois anos depois, começou a traduzir para o português, por iniciativa própria, parte dos Evangelhos e das Cartas do Novo Testamento em espanhol. Além da Versão Espanhola, Almeida usou como fontes nessa tradução as Versões Latina (de Beza), Francesa e Italiana - todas elas traduzidas do grego e do hebraico. Terminada em 1645, essa tradução de Almeida não foi publicada. Mas o tradutor fez cópias à mão do trabalho, as quais foram mandadas para as congregações de Málaca, Batávia e Ceilão (hoje Sri Lanka). Mais tarde, Almeida tornou-se membro do Presbitério de Málaca, depois de escolhido como capelão e diácono daquela congregação.
No tempo de Almeida, um tradutor para a língua portuguesa era muito útil para as igrejas daquela região. Além de o português ser o idioma comumente usado nas congregações presbiterianas, era o mais falado em muitas partes da Índia e do Sudeste da Ásia. Acredita-se, no entanto, que o português empregado por Almeida tanto em pregações como na tradução da Bíblia fosse bastante erudito e, portanto, difícil de entender para a maioria da população. Essa impressão é reforçada por uma declaração dada por ele na Batávia, quando se propôs a traduzir alguns sermões, segundo palavras, "para a língua portuguesa adulterada, conhecida desta congregação".

Perseguido pela Inquisição, ameaçado por um elefante

O tradutor permaneceu em Málaca até 1651, quando se transferiu para o Presbitério da Batávia, na cidade de Djacarta. Lá, foi aceito mais uma vez como capelão, começou a estudar teologia e, durante os três anos seguintes, trabalhou na revisão da tradução das partes do Novo Testamento feita anteriormente. Depois de passar por um exame preparatório e de ter sido aceito como candidato ao pastorado, Almeida acumulou novas tarefas: dava aulas de português a pastores, traduzia livros e ensinava catecismo a professores de escolas primárias. Em 1656, ordenado pastor, foi indicado para o Presbitério do Ceilão, para onde seguiu com um colega, chamado Baldaeus.
Ao que tudo indica, esse foi o período mais agitado da vida do tradutor. Durante o pastorado em Galle (Sul do Ceilão), Almeida assumiu uma posição tão forte contra o que ele chamava de "superstições papistas", que o governo local resolveu apresentar uma queixa a seu respeito ao governo de Batávia (provavelmente por volta de 1657). Entre 1658 e 1661, época em que foi pastor em Colombo, ele voltou a enfrentar problemas com o governo, o qual tentou, sem sucesso, impedi-lo de pregar em português. O motivo dessa medida não é conhecido, mas supõe-se que estivesse novamente relacionado com as idéias fortemente anti-católicas do tradutor.
A passagem de Almeida por Tuticorin (Sul da Índia), onde foi pastor por cerca de um ano, também parece não ter sido das mais tranqüilas. Tribos da região negaram-se a ser batizadas ou ter seus casamentos abençoados por ele. De acordo com seu amigo Baldaeus, o fato aconteceu porque a Inquisição havia ordenado que um retrato de Almeida fosse queimado numa praça pública em Goa.
Foi também durante a estada no Ceilão que, provavelmente, o tradutor conheceu sua mulher e casou-se. Vinda do catolicismo romano para o protestantismo, como ele, chamava-se Lucretia Valcoa de Lemmes (ou Lucrecia de Lamos). Um acontecimento curioso marcou o começo de vida do casal: numa viagem através do Ceilão, Almeida e Dona Lucretia foram atacados por um elefante e escaparam por pouco da morte. Mais tarde, a família completou-se, com o nascimento de um menino e de uma menina.

Idéias e personalidade

A partir de 1663 (dos 35 anos de idade em diante, portanto), Almeida trabalhou na congregação de fala portuguesa da Batávia, onde ficou até o final da vida. Nesta nova fase, teve uma intensa atividade como pastor. Os registros a esse respeito mostram muito de suas idéias e personalidade. Entre outras coisas, Almeida conseguiu convencer o presbitério de que a congregação que dirigia deveria ter a sua própria cerimônia da Ceia do Senhor. Em outras ocasiões, propôs que os pobres que recebessem ajuda em dinheiro da igreja tivessem a obrigação de freqüentá-la e de ir às aulas de catecismo. Também se ofereceu para visitar os escravos da Companhia das Índias nos bairros em que moravam, para lhes dar aulas de religião - sugestão que não foi aceita pelo presbitério - e, com muita freqüência, alertava a congregação a respeito das "influências papistas".
Ao mesmo tempo, retomou o trabalho de tradução da Bíblia, iniciado na juventude. Foi somente então que passou a dominar a língua holandesa e a estudar grego e hebraico. Em 1676, Almeida comunicou ao presbitério que o Novo Testamento estava pronto. Aí começou a batalha do tradutor para ver o texto publicado - ele sabia que o presbitério não recomendaria a impressão do trabalho sem que fosse aprovado por revisores indicados pelo próprio presbitério. E também que, sem essa recomendação, não conseguiria outras permissões indispensáveis para que o fato se concretizasse: a do Governo da Batávia e a da Companhia das Índias Orientais, na Holanda.

Exemplares destruídos

Escolhidos os revisores, o trabalho começou e foi sendo desenvolvido vagarosamente. Quatro anos depois, irritado com a demora, Almeida resolveu não esperar mais - mandou o manuscrito para a Holanda por conta própria, para ser impresso lá. Mas o presbitério conseguiu parar o processo, e a impressão foi interrompida. Passados alguns meses, depois de algumas discussões e brigas, quando o tradutor parecia estar quase desistindo de apressar a publicação de seu texto, cartas vindas da Holanda trouxeram a notícia de que o manuscrito havia sido revisado e estava sendo impresso naquele país.
Em 1681, a primeira edição do Novo Testamento de Almeida finalmente saiu da gráfica. Um ano depois, ela chegou à Batávia, mas apresentava erros de tradução e revisão. O fato foi comunicado às autoridades da Holanda e todos os exemplares que ainda não haviam saído de lá foram destruídos, por ordem da Companhia das Índias Orientais. As autoridades Holandesas determinaram que se fizesse o mesmo com os volumes que já estavam na Batávia. Pediram também que se começasse, o mais rápido possível, uma nova e cuidadosa revisão do texto.
Apesar das ordens recebidas da Holanda, nem todos os exemplares recebidos na Batávia foram destruídos. Alguns deles foram corrigidos à mão e enviados às congregações da região (um desses volumes pode ser visto hoje no Museu Britânico, em Londres). O trabalho de revisão e correção do Novo Testamento foi iniciado e demorou dez longos anos para ser terminado. Somente após a morte de Almeida, em 1693, é que essa segunda versão foi impressa, na própria Batávia, e distribuída.

Ezequiel 48.21

Enquanto progredia a revisão do Novo Testamento, Almeida começou a trabalhar com o Antigo Testamento. Em 1683, ele completou a tradução do Pentateuco (os cinco primeiros livros do Antigo Testamento). Iniciou-se, então, a revisão desse texto, e a situação que havia acontecido na época da revisão do Novo Testamento, com muita demora e discussão, acabou se repetindo. Já com a saúde prejudicada - pelo menos desde 1670, segundo os registros --, Almeida teve sua carga de trabalho na congregação diminuída e pôde dedicar mais tempo à tradução. Mesmo assim, não conseguiu acabar a obra à qual havia dedicado a vida inteira. Em 1691, no mês de outubro, Almeida morreu. Nessa ocasião, ele havia chegado até Ezequiel 48.21. A tradução do Antigo Testamento foi completada em 1694 por Jacobus op den Akker, pastor holandês. Depois de passar por muitas mudanças, ela foi impressa na Batávia, em dois volumes: o primeiro em 1748 e o segundo, em 1753.

FONTE: Programa de Incentivo à Leitura Bíblica