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sábado, 31 de março de 2018

VISLUMBRE DO FUTURO - Um reflexão sobre o serviço cristão


 
 
Alegre e feliz o pastor foi deitar-se. Um dia de muitas atividades, muitas alegrias. Era o terceiro pastor desta nova igreja. Conseguira instalar o forro do salão de cultos, terminara o lindo jardim de entrada e assinara a escritura de posse do terreno da congregação que iniciara. Em breve uma nova igreja seria organizada, a primeira na história desta igreja. Ele sentia-se alegre. E, em sua mente, imaginava o quanto todos seriam gratos pelos seus trabalhos. Sem perceber, deixou-se levar pelo ego envaidecido. E, acalentado pelo doce aroma do orgulho santo, adormeceu.
 
Acordou cinquenta anos depois. Era dia de festa. Aniversário da igreja. Gente de toda parte chegava. O templo era o mesmo, com algumas pinturas novas, bancada moderna, um andar a mais na estrutura que tão bem construira. Viu alguns poucos irmãos que conhecia, eram as crianças e adolescentes de anos atrás. Sentou-se num local bem situado. O culto começou.
 
Uma programação bonita. E então a exibição dos homenageados.
 
Homenagearam o pastor, um homem de meia idade, também político de carreira. Homenagearam a sua esposa, que vestia-se com um modelo muito extravagante. Homenagearam a diretoria atual e também os fundos para os quais a igreja contribuia. Igrejas organizadas pela aniversariante também vieram prestar honras (a primeira era a que havia organizado).
 
Quando o culto terminou, o pastor entristeceu-se.
 
Ninguém mencionara o seu trabalho. Nem de ele organizara a primeira congregação. Não falaram das lutas do estabelecimento, das campanhas realizadas, das noites mal dormidas, dos desafios que existiram. Ninguém mencionara os pastores que passaram pela igreja ao longo de sua história. Apenas o atual recebera a glória de uma igreja construída por diversos antes dele. Procurou algum quadro, alguma publicação, alguma coisa exposta nos corredores do templo. Nada indicava que uma história anterior existira. Cabisbaixo, saiu do culto, falando consigo mesmo: "Ninguém se lembrou de mim. Ninguém mencionou o meu nome. Ninguém fez caso da história que construímos".
 
Subitamente acordou. Estava a ter um pesadelo! Suado e perplexo, percebera o quanto estava enganado. Por maiores que fossem os seus esforços (e não foram poucos, com certeza!), duas grandes realidades tornaram-se evidentes em seu coração pesaroso.
 
A primeira era de que toda a glória pertencia a Deus. Ele era o realizador da própria obra através de Seus servos, de Suas igrejas, da geração que recebe a incumbência de estabelecer as cordas das tendas aumentadas. Deus era digno de louvor, Deus era quem operava em nós o querer e o efetuar. E toda tentativa de tomar dEle a glória devida seria fadada ao fracasso, ao pecado. Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, (Is 42:8). Paulo apóstolo teve grande trabalho para convencer os pagãos de que as curas que aconteceram em Listra não vinham de si, mas do Deus vivo . E dizendo: Senhores, por que fazeis essas coisas? Nós também somos homens como vós,  (At 14:15). Pedro e João fizeram o mesmo, no caso do coxo curado à porta do templo de Jerusalém, afirmando que fora Deus quem o curara. Homens israelitas, por que vos maravilhais disto? Ou, por que olhais tanto para nós, como se por nossa própria virtude ou santidade fizéssemos andar este homem? (At 3:12).Quando o ego invade o espaço de glória que só a Deus pertence, então ergue-se o pecado como flâmula e o Espírito de Deus não atua mais. E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te glorias, como se não o houveras recebido? (1Co 4:7). A glória pertence a Deus.
 
A segunda verdade que pôde detectar era a de que os homens têm memória muito curta. Eles fazem questão de ignorar a história, o passado e as grandes lutas que trouxeram a vitória celebrada.  Na história de uma igreja o que menos importa é o suor e as lágrimas dos pioneiros idealistas, daqueles que abriram uma picada no meio da floresta virgem de uma região sem igreja. O povo gosta de exaltar o asfalto novo e bem pintado, esquecendo-se de quem abriu a primeira trilha que deu origem à rodovia. Na memória da geração atual o que menos importa é a lembrança de quem lutou bravamente para fazer vingar e prosperar um trabalho. Como disse Salomão  "... já não têm parte alguma para sempre, em coisa alguma do que se faz debaixo do sol. (Ec 9:6). Ninguém mais se lembrará daquelas tardes quentes em que a família pioneira cedia o quintal da casa para as escolas bíblicas de férias. Ninguém se lembrará dos cultos nos lares, do ponto de pregação, dos bancos rudes e da sala apertada, das doações de bíblias, dos folhetos, dos cultos ao ar livre, das visitas em dias de chuva, dos primeiros batismos, do primeiro salão alugado e das vitórias pequeninas e indispensáveis para que tudo chegasse onde chegou.  Tudo isso foi esquecido, às vezes pela desinformação, às vezes por maldade ou por qualquer outro motivo.
 
Este pesadelo trouxe ao pastor a certeza de duas coisas.
 
A primeira é de que toda a honra sempre pertence a Deus. Ele reavaliou algumas práticas que tinha, algumas celebrações que visavam, em última análise, trazer a si próprio alguma glória e vaidade.  Deixou de fazer citações de suas próprias virtudes e de buscar elogios para si. Ele conscientizou-se de que trabalhava para Deus e que por mais que fizesse nunca seria o bastante para demonstrar gratidão suficiente. Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer. (Lc 17:10) Além do mais Cristo fizera tudo na cruz e na vida e era o responsável em dar poder, graça, condições e sucesso. Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. (Jo 15:5)
 
A segunda certeza (oh, maravilhosa verdade!) foi a de que  Deus não se esqueceria de seu trabalho. Porque Deus não é injusto para se esquecer da vossa obra, e do trabalho do amor que para com o seu nome mostrastes, enquanto servistes aos santos; e ainda servis. (Hb 6:10) Por mais que os homens procurassem apagar as memórias de seu serviço, por mais que tudo ficasse relegado a documentos de museu ou registros de cartório, Deus não se esqueceria do trabalho feito com amor e em nome de Jesus. Conheço as tuas obras tendo pouca força, guardaste a minha palavra, e não negaste o meu nome. (Ap 3:8) Esse pastor creu que o galardão que vale a pena não é aquele que os homens concedem em suas celebrações jactanciosas, em suas premiações temporais. O galardão que vale é aquele que receberemos diante do Supremo Juiz, no dia em que prestarmos conta de nossas vidas. E, eis que cedo venho, e o meu galardão está comigo, para dar a cada um segundo a sua obra. (Ap 22:12) Assim, ele tentaria não se frustrar mais quando se esquecessem de suas vitórias e o privassem de merecidas homenagens. Bastaria lembrar que Deus jamais se esqueceria e isto seria o suficiente.
 
Os próximos meses na vida daquele pastor foram muito melhores. Ele, consciente de que era apenas um servo, servindo com alegria e cada vez mais. Mandara refazer a placa da igreja, que tinha um grande retrato de si mesmo, trocando-a pelo nome de Jesus. Tornou-se grato a Deus por cada chance de servi-Lo. Ele já havia recebido o bem maior, a vida eterna através de Jesus Cristo e de Seu sacrifício; servi-Lo fielmente era o mínimo que podia fazer para dizer a Ele: muito obrigado!
 
Que Deus dê aos leitores a mesma convicção, de que  a glória pertence a Deus e de que Ele não se esquecerá do trabalho feito para Ele, ainda que os homens se  esqueçam.
 
Wagner Antonio de Araújo
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domingo, 22 de outubro de 2017

LIDERANÇA 2D: O que o LÍDER espera dos líderes - E-book para download


Travei conhecimento com o irmão Quissindo, natural de Gabela, província de Kuanza Sul / Angola, há pouco tempo atrás. Servindo a Deus em sua actual cidade residente, Huambo, em Angola, Quissindo, paralelamente ao seu trabalho como obreiro / cooperador na Igreja Assembleia de Deus Pentecostal, Ministério Maranata / Huambo, tem escrito alguns textos e estudos que solicitam nossa especial atenção, para os quais tem buscado oportunidades de publicação.
Neste breve texto, o autor traça um panorama da liderança a partir do modelo crístico. Liderança não opõem, propõem – liderar é mostrar o caminho certo, é lecionar mais do que ordenar, é dar o exemplo e confiar, propõe Quissindo, pondo ênfase na interface 2D (ou seja, em duas dimensões) entre os líderes (nós, homens) e o Líder, nosso supremo Senhor e Deus – interface que, se rompida, compromete todo o projeto diretivo de Deus para o indivíduo e para a Sua igreja.

Em tempos de inversão de valores e posições, onde homens arrogam-se autoridade que nem merecem e nem lhes foi pelos céus outorgada; onde homens de toda estatura escolhem de si mesmos como servir e o que fazer ou não, pois tantos e tantos afazeres e serviços se lhes afiguram indignos de sua alta pessoa, o opúsculo de Quissindo, que além de escritor tem vocação missionária, vem nos chamar à realidade e nos recolocar nos trilhos da correta reflexão sobre nossa missão enquanto servos de Cristo, quer atuemos como líderes*ou*liderados.                                                                                                                      ---------------------Sammis Reachers, editor

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quarta-feira, 19 de julho de 2017

Como chegar a ser pescadores de homens - Charles Spurgeon


Leitura: Mateus 4:19
Quando Cristo nos chama por sua graça, nós devemos não só recordar o que somos, mas também pensar no que ele pode fazer de nós. «Vinde após mim, e vos farei...». Devemos nos arrepender do que fomos, mas nos regozijar no que podemos ser. Não é: «sigam-me, por causa daquilo que vocês já são», nem: «sigam-me, porque vocês podem fazer algo por si mesmos», mas: «sigam-me, par causa daquilo que eu vos farei ser».
Certamente, devo dizer que todos nós logo que nos convertemos, «ainda não se manifestou o que havemos de ser». Não parecia provável que uns humildes pescadores se converteriam em apóstolos; que homens tão úteis com a rede seriam aptos na casa para pregar sermões e instruir aos convertidos. Alguém diria: «Como pode ser isto? Não se pode converter esses camponeses da Galiléia em fundadores de igrejas».
Isso é exatamente o que Cristo fez; e quando nos aproximamos com humildade diante do olhar de Deus por um sentido de nossa própria indignidade, podemos nos sentir alentados a seguir a Jesus por causa daquilo que ele pode fazer de nós. O que dizer da mulher de espírito aflito quando ela elevou a sua canção? «Ele levanta do pó ao pobre, e do monturo exalta ao necessitado, para lhe fazer sentar-se com os príncipes...» (1 Samuel 2:8). Não podemos dizer o que Deus pode fazer de nós na nova criação, já que teria sido absolutamente impossível ter previsto o que ele fez do caos na velha criação.
Quem poderia ter imaginado todas as coisas belas que saíram da escuridão e do caos, a partir daquela ordem: «Haja luz»? E quem pode dizer quão bela amostra de tudo o que é divinamente justo, aparece na vida antes às escuras de um homem a quem a graça de Deus tem dito: «Haja luz»? Oh, vocês que no presente não vêem em si mesmos nada do que é desejável, vêm e sigam a Cristo por causa do que ele pode fazer de vocês. Não ouvem sua doce voz lhes chamando e dizendo: «Vinde após mim, e vos farei pescadores de homens»?
Em seguida, notem que nós não fomos feitos tudo o que seremos, nem tudo o que deveríamos ser, quando formos pescados e capturados. Isto é o que a graça de Deus faz por nós no princípio; mas não é tudo. Nós somos como peixes que vivemos no pecado como nosso elemento; e o bom Senhor vem, e com a rede do evangelho pega e nos liberta de uma vida de amor ao pecado.
Mas, quando ele fez isto, ainda não tinha forjado em nós tudo o que ele pode fazer, nem tudo o que desejaríamos que ele fizesse; já que é distinto e maior o milagre de que nós, sendo peixes, cheguemos a ser pescadores: Os salvos são feitos agentes de salvação; os convertidos, instrumentos de conversão; os receptores do evangelho, transmissores desse mesmo evangelho a outras pessoas. Creio que posso dizer a cada um de vocês: ‘Se tu mesmo tem sido salvo, a obra estará feita pela metade até que te ocupes em levar outros a Cristo’. Até aqui, estás formado só na metade da imagem do seu Senhor. Não alcançará o pleno desenvolvimento da vida de Cristo em ti a menos que tenha começado, de algum modo, a falar com outros da graça de Deus. E confio em que não dará descanso aos seus pés até que tenha sido o meio de levar a muitos esse bendito Salvador que é a sua confiança e a sua esperança. Sua palavra é: «sigam-me», não só para que possam ser salvos, nem mesmo para serem santificados; mas: «Vinde após mim, e vos farei pescadores de homens».
Sigam a Cristo com essa intenção e esse objetivo; e tenham temor de não estar seguindo-o perfeitamente a menos que em algum grau ele os esteja utilizando como pescadores de homens. O fato é que cada um de nós deve ter o ofício de pescadores de homens. Se Cristo nos apanhou, devemos capturar a outros. Se fomos aprisionados por ele, devemos ser seus oficiais para apanhar os rebeldes. Devemos lhe pedir que nos dê a graça para ir pescar e assim lançar nossas redes para capturar uma grande multidão de peixes. Oh, que o Espírito Santo possa levantar entre nós pescadores mestres, que levem os seus barcos a muitos mares, para recolher grandes cardumes de peixes!
Meu ensino agora será muito simples, mas espero ser eminentemente prático; porque meu desejo é que nenhum dos que amam ao Senhor fraqueje em seu serviço. O que diz Cantares de Salomão com respeito à certa ovelha que sobe do lavadouro? «Todas com as crias gêmeas, e nenhuma entre elas estéril». Que seja assim com todo o povo cristão!
De fato, o dia é muito escuro. Os céus se cobrem com pesadas nuvens de tormenta. Os homens não imaginam que as tempestades possam logo sacudir a cidade e toda a classe social desta terra, até uma ruptura geral da sociedade. Tão escura pode chegar a ser a noite que as estrelas pareçam cair como frutos prematuros da árvore. Os tempos são maus. Hoje, como nunca antes, cada vagalume deve mostrar o seu brilho. Vocês, até com a vela mais diminuta, devem tomá-la de debaixo do velador e pô-la em um castiçal. Há necessidade de todos vocês. Ló era uma pobre criatura, um tipo muito miserável de crente; mas mesmo assim, pôde ser uma grande bênção para Sodoma.  Mas não intercedeu como deveria tê-lo feito. E os pobres cristãos, como temo que muitos são, comecem a valorizar cada alma verdadeiramente convertida nestes dias maus e a orar para que cada uma possa glorificar ao Senhor.
Rogo que cada homem justo que se sinta incomodado com o falatório dos malvados, possa ser mais impertinente na oração, como nunca antes, e voltar-se para o seu Deus para obter mais vida espiritual, para poder ser bênção às pessoas que perecem ao seu redor. Portanto, falo-lhes com este pensamento primordial. Oh, que o Espírito de Deus possa fazer que cada um de vocês sinta a sua responsabilidade pessoal!
Aqui, para os crentes em Cristo, para que eles sejam úteis, há uma tarefa a realizar. «Vinde após mim...». Mas, em segundo lugar, há algo que o seu grande Senhor e Mestre realizará: «Vinde após mim, e vos farei pescadores de homens». Vocês não crescerão como pescadores por si mesmos, mas isto é o que Jesus fará por vocês se apenas lhe seguirem. E em seguida, por último, aqui há uma boa ilustração, usada como estava acostumado a fazer o nosso grande Mestre; porque raras vezes falava com o povo sem uma parábola. Ele nos apresenta uma ilustração do que deveriam ser os homens cristãos: Pescadores de homens. Dela, podemos obter algumas sugestões úteis, e rogo que o Espírito Santo as abençoe para nós.

I.  O que Nós Fazemos
Seguir a Cristo
Em primeiro lugar, então, verificamos que todo crente quer ser útil. Se não for assim, me permito perguntar se pode ser um verdadeiro crente em Cristo. Bem, então, se queres ser realmente útil, aqui há ALGO QUE PODE FAZER COM ESSE FIM: «Vinde após mim, e vos farei pescadores de homens».
Qual é o caminho para converter-se em um pregador eficiente? «Jovem», diz alguém, «vá para a universidade». «Jovem», diz Cristo, «siga-me, e eu te farei um pescador de homens». Como pode uma pessoa ser útil? «Participe de um curso de treinamento», diz alguém. Correto; mas há uma resposta mais segura que essa: Sigam a Jesus e ele vos fará pescadores de homens.
A grande escola de formação para os obreiros cristãos tem a Cristo por cabeça; e ele está como cabeça, não só como um tutor, mas também como um líder. Nós não só aprendemos dele estudando, mas também o seguindo na ação: «Vinde após mim, e vos farei pescadores de homens». A direção é muito clara e simples, e creio que é exclusiva, porque nenhum homem pode converter-se em um pescador por nenhum outro processo. Este processo pode parecer muito simples; mas certamente é o mais eficiente. O Senhor Jesus Cristo, que sabia tudo sobre a pesca de homens, foi o próprio doador da regra: «sigam-me, se desejam ser pescadores de homens. Se querem ser úteis, permaneçam no meu caminho».
Compreendo isto, primeiro, neste sentido: Ser separados para Cristo. Estes homens iam abandonar as suas atividades; iam deixar os seus companheiros; eles foram, de fato, separados do mundo, para que o seu único ofício fosse, no nome do seu Mestre, pescadores de homens. Nem todos são chamados para abandonar as suas ocupações cotidianas ou a deixarem as suas famílias. Isso seria antes escapar da pesca do que trabalhar nela no nome de Deus.
Mas somos chamados mais claramente para sair dentre os ímpios; para nos apartar e não tocar coisa impura. Não podemos ser pescadores de homens se permanecermos entre os homens, na mesma espécie que eles. Os peixes não serão pescadores. O pecador não converterá ao pecador. O homem ímpio não converterá ao homem ímpio; e, o que é mais sutil, o cristão mundano não converterá o mundo. Se for do mundo, sem dúvida o mundo amará o que é seu; mas você não poderá salvar o mundo. Se viver obscuramente e pertencer ao reino das trevas, não poderá remover as trevas. Se marchas com os exércitos dos iníquos, não poderá derrotá-los.
Creio que uma das razões pelas quais a igreja de Deus tem hoje pouca influencia sobre o mundo, é porque o mundo tem muita influência sobre a igreja. Hoje em dia ouvimos os Não Conformistas alegando que eles podem fazer isto e aquilo – coisas pelas quais os seus antepassados puritanos teriam morrido na fogueira, antes de havê-las tolerado-. Advogam por viver como mundanos. Minha triste resposta a aqueles que desejam essa liberdade, é: «Faça-o se te atreves. Não te poderá fazer muito dano, porque já é muito mal. Teus desejos mostram o quão podre está o teu coração. Se tiveres fome depois de tal comida de cães, anda e come do lixo. As diversões mundanas são mantimentos aptos para meros simuladores e hipócritas. Se vocês fossem filhos de Deus, detestariam o próprio pensamento do desfrute malvado do mundo, e sua pergunta não seria: «Até onde podemos ser como o mundo?», mas o seu clamor seria: «Quão longe podemos nos apartar do mundo? Quanto mais podemos sair dele?». Sua tentação, em um tempo como este, deveria melhor estar em converter-se em puritanos ultra-severos em sua separação do pecado, do que em perguntar: «Como posso fazer eu o mesmo que fazem outros homens e atuar como eles?» Irmãos, a utilidade da igreja no mundo deveria ser como o sal no meio da putrefação; mas se o sal tiver perdido o seu sabor, para que serve? Se o próprio sal pudesse se corromper, não poderia haver senão um aumento e uma intensificação da corrupção geral.
O pior dia que o mundo jamais viu foi aquele em que os filhos de Deus se uniram com as filhas dos homens. Então veio o dilúvio; porque a única barreira contra uma inundação de vingança neste mundo é a separação entre o santo e o pecador. O seu dever como cristão é manter-se firme em seu próprio lugar voltado para Deus, aborrecendo até os objetos manchados pela carne, resolvendo, como um daqueles antigos, que outros façam o que lhes é próprio, enquanto quanto a ti, tu e tua casa servirão ao Senhor.
Venham, filhos de Deus, vocês devem sair com o seu Senhor para fora do arraial. Jesus lhes chama hoje dizendo: «Vinde após mim». Você achou Jesus no teatro? Ele freqüentava os esportes do hipódromo? Vocês pensam que Jesus foi visto em alguma das diversões da corte herodiana? Não. Ele era «santo, inocente, sem mancha, apartado dos pecadores». Em um sentido, ninguém se misturou com os pecadores tão completamente como o fez ele quando, como um médico, esteve entre eles curando os seus males; mas em outro sentido, houve um abismo aberto entre os homens do mundo e O Salvador, que ele nunca tentou cruzar, e que os homens não podiam cruzar para enlodá-lo. A primeira lição que a igreja tem que aprender é a seguinte: Sigam a Jesus no estado de separação, e ele lhes fará pescadores de homens. A menos que vocês tomem a sua cruz e protestem contra um mundo ímpio, não podem esperar que o Jesus santo lhes faça pescadores de homens.

Viver com Cristo
Um segundo significado muito evidente de nosso texto é este: Vivam com Cristo e então serão feitos pescadores de homens. Os discípulos, a quem Cristo chamou, foram viver com ele. Foram a cada dia se associando com ele. Foram para lhe ouvir ensinar publicamente o evangelho eterno, e, além disso, receberam explicações seletas em privado da palavra que ele tinha falado. Eles foram seus servidores próximos e seus amigos pessoais. Eles viram os seus milagres e ouviram as suas orações; e, melhor ainda, foram estar com ele e para converter-se em um com ele em sua obra santa. Foi dado sentar-se à mesa com ele, e até os seus pés foram lavados por ele. Muitos deles cumpriram esta palavra: «Onde quer que viveres, viverei». Estiveram com ele em suas aflições e perseguições. Foram testemunhas das suas agonias secretas; viram muitas das suas lágrimas; observaram a paixão e a compaixão da sua alma e assim, depois de tudo isto, compreenderam o seu espírito, e desse modo aprenderam a ser pescadores de homens.
Aos pés de Jesus devemos aprender a arte e o mistério de ganhar almas. Porque viver com Cristo é a melhor preparação para ser útil. É uma grande bênção para qualquer homem associar-se com um ministro cristão cujo coração arde. A melhor formação para um jovem é aquela que os pastores valdenses costumavam dar, quando cada homem ancião tinha um homem jovem com ele, que caminhava com ele quando subia a ladeira da montanha para pregar e vivia na casa com ele, e este ouvia as suas orações e via a sua piedade diária.
Esta era uma instrução fina; mas não é comparável com aquela dos apóstolos que viveram com Jesus e foram os seus companheiros cotidianos. A formação dos Doze foi inigualável. Não é de estranhar que chegassem a ser o que foram com semelhante tutor celestial lhes saturando com o seu próprio espírito! Hoje em dia, a presença corporal dele não está entre nós; mas o seu poder espiritual é talvez mais plenamente conhecido para nós do que foi pelos apóstolos nesses dois ou três anos de presença física do Senhor.
Há alguns de nós com quem ele é mais íntimo e próximo. Sabemos mais a respeito dele que a respeito de nosso amigo mais querido na terra. Nunca pudemos ler totalmente o coração do nosso amigo em todos os seus cantos e sinuosidades, mas conhecemos o coração do Bem-amado. Reclinamos a cabeça em seu peito e desfrutamos de uma comunhão com ele como não poderíamos ter com nenhum dos nossos próprios familiares. Este é o método mais seguro para aprender a fazer o que é bom.
Vivam com Jesus, sigam a Jesus e ele os fará pescadores de homens. Vejam como ele opera e aprenderão a fazê-lo vocês mesmos. Um homem cristão deve ser um aprendiz atrelado a Jesus para aprender a tarefa do Salvador. Nós nunca podemos salvar homens oferecendo redenção, pois não temos nada que apresentar; mas podemos aprender como salvar homens lhes advertindo que fujam da ira vindoura e lhes apresentando o único grande remédio eficaz. Vejam como Jesus salva, e saberão como se faz. Não existe outra forma de aprender isto. Viva em comunhão com Cristo e haverá sobre ti o jeito e a maneira daquele que foi feito apto no coração e mente para ensinar e sábio para ganhar almas.

Obedecer a Cristo
No entanto, podemos dar um terceiro significado a este: «Vinde após mim», e é: «me obedeçam, e então saberão o que fazer para salvar homens». Não podemos falar de nossa comunhão com Cristo ou de nossa separação do mundo para ele, a menos que façamos dele nosso Mestre e Senhor em tudo. Se alguns mestres públicos não forem conseqüentes em todos os pontos de suas convicções, como podem buscar uma bênção?
Um homem cristão desejoso de ser útil deveria ser muito preciso com relação a cada ponto da obediência a seu Mestre. Sem dúvida, Deus abençoe as nossas igrejas mesmo que sejam muito defeituosas, porque a sua misericórdia permanece para sempre. Quando há uma medida de engano no ensino e uma medida de engano na prática, ele ainda pode utilizar o ministério, porque a sua graça é admirável. Mas uma grande medida de bênção deve ser necessariamente retida de todo ensino que seja deliberado ou notoriamente defeituoso. Deus pode pôr o seu selo sobre a verdade que há nisso, mas ele não pode confirmar o engano que está ali. Dos enganos a respeito das ordenanças cristãs e outras coisas, sobre todos os enganos no coração e no espírito, podem vir males que nós nunca procuramos. Tais males podem estar operando até agora sobre o tempo presente, e podem causar danos ainda piores sobre as gerações futuras. Se desejamos ser amplamente utilizados por Deus como pescadores de homens, devemos imitar o nosso Senhor Jesus em tudo e lhe obedecer em cada ponto.
O fracasso na obediência pode conduzir ao fracasso no êxito. Cada um de nós, se deseja ver seu filho salvo, a sua classe de escola dominical abençoada, ou a sua congregação convertida, deve cuidar que, estando aos cuidados dos vasos do Senhor, ele próprio esteja limpo. Algo que façamos que entristeça o Espírito de Deus tira de nós alguma parte do nosso poder para o bem.
O Senhor é misericordioso e cheio de graça; no entanto, é um Deus zeloso. Às vezes é severamente zeloso quando o seu povo vive descuidando do seu dever conhecido ou em associações que não são limpas diante dos seus olhos. Ele abaterá a obra deles, debilitará as suas forças e lhes humilhará, até que digam finalmente: «Meu Senhor, quero tomar o teu caminho. Quero fazer o que tu me convidas a fazer, porque de outra forma tu não me aceitarás».
O Senhor disse aos seus discípulos: «Ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado, será salvo», e lhes prometeu sinais que lhes seguiriam, e assim o fizeram. Devemos voltar para a prática e o ensino apostólico. Ignorando os mandamentos dos homens e a vaidade da nossa própria mente, devemos fazer o que Cristo nos diz, como Cristo diz, e porque Cristo diz. Definitivamente e claramente, devemos tomar o lugar de servos; e se não o fizermos, não poderemos esperar que o nosso Senhor trabalhe conosco e por nós. Devemos decidir que, tão real como a agulha aponta para o pólo, verdadeiro seja, no que corresponde a nossa luz, o mandado do nosso Senhor e Mestre: «Vinde após mim, e vos farei pescadores de homens». Este ensino parece dizer: «Se forem além de mim, ou mais atrás de mim, poderá lançar a rede; mas a noite estará sobre ti, e nessa escuridão não achará nada. Quando fizer o que eu te digo, lançará a tua rede do lado direito do barco, e achará».
Uma vez mais, creio que aqui há uma grande lição para aqueles que pregam os seus próprios pensamentos em lugar de expor os pensamentos de Cristo. Os discípulos seguiram a Cristo para ouvi-lo, para escutar o que tinha que dizer, beber do seu ensino e então ir e ensinar o que ele lhes tinha ensinado. O seu Senhor lhes diz: «O que vos digo em oculto, dizei-o na luz; e o que ouvis ao ouvido, proclamem dos eirados».
Se eles forem repórteres fidedignos da mensagem de Cristo, ele lhes faria «pescadores de homens». Mas vocês conhecem o método jactancioso de hoje em dia: «Eu não vou pregar este evangelho tão antiquado, esta oxidada doutrina puritana. Me sentarei em meu estúdio até que as velas não ardam e inventarei uma nova teoria; então, sairei com o meu pensamento totalmente novo e iluminarei longe com ele». Muitos não estão seguindo a Cristo, mas a si mesmos e deles bem pode dizer o Senhor: «Vocês verão qual palavra permanece, a minha ou a de vocês».
Outros são perversamente prudentes e julgam que certas verdades, que são evidentemente, palavra de Deus, seria melhor mantê-las guardadas. Você não deve ser áspero, só deve profetizar coisas suaves. Para que falar sobre o castigo do pecado, e o castigo eterno? São doutrinas antiquadas. Pode ser que elas são ensinadas na palavra de Deus, mas não se ajustam à época atual. Devemos reluzi-las. Irmãos em Cristo, eu não terei parte alguma nisto. E vocês? Oh, minha alma, não entres no segredo deles! Nossa era ilustrada tem descoberto certas coisas que não se ensinam na Bíblia. A Evolução pode ser claramente oposta ao ensino de Gênesis, mas isso não importa. Não vamos ser crentes da Escritura, mas pensadores originais. Tal é a ambição vangloriosa de nosso tempo.
Vocês notem, o vício desta geração aumenta em proporção a pregação da teologia moderna. Em grande medida, atribuo a vida licenciosa deste tempo ao relaxamento da doutrina pregada por seus mestres. Do púlpito ensinam ao povo que o pecado é uma insignificância. Do púlpito estes traidores de Deus e do seu Cristo ensinaram às pessoas que não há nenhum inferno ao qual temer. Um inferno pequeno, mínimo, talvez, pode haver; mas o justo castigo pelo pecado é invalidado. O precioso sacrifício expiatório de Cristo foi ridicularizado e tergiversado por aqueles que se comprometeram a pregá-lo. Deram às pessoas o nome de evangelho, mas o evangelho em si mesmo se evaporou em suas mãos. Das centenas de púlpitos se encarregaram de extinguir o evangelho, tal como o pássaro dodo de seus antigos refúgios; e ainda assim os pregadores tomam a posição e o nome de ministros de Cristo.
Bom, e qual é a conseqüência disso? Que as suas congregações crescem mais e mais frágeis; e assim deve ser. Jesus diz: «Vinde após mim, e vos farei pescadores de homens»; mas se for por seu próprio caminho, com a sua própria rede, não obterá nada, e o Senhor não te promete ajuda dessa maneira. Os mandamentos do Senhor fazem dele nosso líder e exemplo. «Vinde após mim, sigam a mim, pregue o meu evangelho. Prega o que eu prego; ensina o que eu ensino e permaneça nisso». Com a bendita atitude de servos, cuja ambição é serem imitadores e nunca serem originais, copiem a Cristo inclusive em jotas e tils. Façam, e ele lhes fará pescadores de homens; de outro modo, vocês pescarão em vão.

Santificar-nos
Fecho esta parte do discurso dizendo que não seremos pescadores de homens a menos que sigamos a Cristo em outro aspecto; e é, nos esforçando, em todos os pontos, por imitar a sua santidade. A santidade é o poder mais real que pode ser possuído por homens ou mulheres. Nós podemos pregar a ortodoxia, mas também devemos viver a ortodoxia. Deus proíbe que preguemos outra coisa; mas tudo será vão, a menos que exista uma vida que respalde o testemunho.
Um pregador ímpio até pode tornar a verdade desprezível. Na medida em que alguém retrocede de uma vida de zelosa santificação, retrocederá do lugar de poder. O nosso poder se encontra nesta palavra: «sigam-me». Ser como Jesus. Em todas as coisas, esforcem-se em pensar, falar e atuar como Jesus fez, e ele os fará pescadores de homens. Isto requererá negar-se a si mesmos, e tomar a sua cruz a cada dia.
Isto pode requerer a vontade de renunciar a nossa reputação – estar dispostos a ser tidos por néscios, idiotas e coisas deste estilo, tal como os homens costumam chamar a aqueles que permanecem com seu Mestre. Deve haver a alegre renuncia a tudo aquilo que se veja como honra e glória pessoal, para que possamos ser totalmente de Cristo e glorificar o seu nome. Temos que viver a sua vida e estar dispostos a morrer a sua morte se for necessário.
Oh irmãos e irmãs, se fizermos isto e seguimos a Jesus, pondo os nossos pés nos passos dos seus pés transpassados, ele nos fará pescadores de homens. Se ele se agradar que nós deixemos esta vida sem ter trazido muitas almas à cruz, falaremos de nossas tumbas. De uma maneira ou outra, o Senhor fará que uma vida santa seja uma vida influente. Não é possível que uma vida que pode ser descrita como a de um seguidor de Cristo seja uma vida infrutífera aos olhos do Altíssimo. Se depois do «Siga-me» há um «Vou», Deus jamais se retratará de sua palavra: «Vinde após mim, e vos farei pescadores de homens».
Até aqui o primeiro ponto. Há algo que nós devemos fazer: por graça, fomos chamados para seguir a Jesus. Espírito Santo, guia-nos a fazê-lo.

II. O que Cristo faz
Mas em segundo lugar, brevemente, há ALGO QUE O SENHOR FAZ. Quando os seus servos amados o seguem, ele diz: «Vos farei pescadores de homens», e nunca esqueçamos que é ele quem nos faz seguir-lhe; pelo qual, se você der o passo para ser pescadores de homens, até isso mesmo é dado por ele. Tenho me referido a apreender o seu espírito, para morar nele, a obedecer-lhe, para ouvir-lhe e para imitar-lhe; mas não podemos apartar nenhuma destas coisas de Sua obra total em nós. «De mim será achado o teu fruto», é um texto que não devemos esquecer nunca. Portanto, então, se o seguirmos, é ele quem nos faz lhe seguir; e assim ele nos faz pescadores de homens.
Mas, além disso, se seguirmos a Cristo, ele nos fará pescadores de homens por meio de toda a nossa experiência. Estou seguro de que o homem que realmente está consagrado a abençoar a outros será ajudado nisto por tudo o que ele sente, especialmente por suas aflições. Freqüentemente me sinto muito agradecido a Deus por ter sofrido terríveis depressões de espírito. Conheço as fronteiras do desespero e a beira horrível desse abismo da escuridão em que quase escorregaram os meus pés; mas centenas de vezes tenho podido brindar o apoio útil a irmãos e irmãs que estiveram nessa mesma condição, apoio que nunca poderia ter dado se não tivesse conhecido o seu profundo abatimento.
Pelo qual creio que até a experiência mais obscura e mais terrível de um filho de Deus o ajudará a ser um pescador de homens, se ele quer seguir a Cristo. Permaneça próximo do seu Senhor e ele fará de cada passagem uma bênção para ti. Se Deus em sua providência te faz rico, ele te equipará para falar com aqueles ricos ignorantes e malvados que tanto abundam nesta cidade e tão freqüentemente são a causa do seu pior pecado. E se ao Senhor lhe agrada te fazer muito pobre, poderá baixar e falar com aqueles pobres ímpios e ignorantes que tão freqüentemente são a causa do pecado nesta cidade e que com tanta urgência necessitam do evangelho.
Os ventos da Providência te levarão onde possa pescar homens. As rodas da Providência estão cheias de olhos, e todos aqueles olhos olharão o caminho para nos ajudar a sermos ganhadores de almas. Freqüentemente te surpreenderás ao verificar como Deus esteve em uma casa que você visitou: antes que você chegasse ali, a sua mão esteve operando neles. Quando deseja falar com algum indivíduo em particular, a Providência de Deus esteve tratando essa pessoa, preparando-a justamente para essa palavra que você poderá falar, mas que ninguém, a não ser você poderia dizer. Oh, sê tu um seguidor de Cristo, e acharás que, por meio de cada experiência através da qual estás passando, ele te fará um pescador de homens.
Mais mesmo, se o seguires, ele te fará pescador de homens por meio de distintas advertências em seu próprio coração. Há muitos conselhos do Espírito de Deus que os cristãos não atendem quando estão em uma condição insensível; mas quando o coração está em paz com Deus e vivendo em comunhão com Deus, temos uma sensibilidade santa, pelo qual não é necessário que o Senhor grite a nós, pois ouvimos o seu assobio aprazível. Não, ele não necessita nem sequer sussurrar. «Tu me guiarás com os seus olhos». Ah, quantos cristãos teimosos como mulas devem ser refreados e receber de vez em quando um golpe do chicote! Mas o cristão que segue ao seu Senhor será guiado com ternura. Não digo que o Espírito de Deus te dirá: «Aproxima-te e ajunta-te a esse carro», ou que você ouvirá uma palavra em seu ouvido; mas em sua alma, tão claramente como o Espírito disse a Felipe: «Aproxima-te e ajunta-te a esse carro», você ouvirá a vontade do Senhor. Logo que ver um indivíduo, o pensamento cruzará a sua mente: «Se aproxime e fale com essa pessoa». Cada oportunidade de ser útil será uma chamada para ti. Se estiveres preparado, a porta se abrirá diante de ti e ouvirás detrás de ti uma voz dizendo: «Este é o caminho; andai por ele». Se tiveres a graça para correres a carreira legitimamente, nunca estarás muito tempo sem um indício sobre a via perfeita a seguires. Essa via correta te levará ao rio ou ao mar, onde poderá lançar a sua rede e ser um pescador de homens.
Então, também, creio que o Senhor diz com isto que ele daria aos seus seguidores o Espírito Santo. Eles iam seguir-lhe, e em seguida, depois de lhe haver visto subir ao lugar santo do Altíssimo, permaneceriam em Jerusalém por um pouco de tempo, e o Espírito desceria sobre eles lhes revestindo com um misterioso poder. Esta palavra foi falada a Pedro e a André; e vocês sabem como se cumpriu com Pedro. Que multidão de peixes trouxe para terra a primeira vez que ele lançou a rede no poder do Espírito Santo! «Vinde após mim, e vos farei pescadores de homens».
Irmãos, não temos consciência do que Deus poderia fazer por meio desta companhia de crentes reunidos neste lugar. Se agora nós fôssemos cheios com o Espírito Santo, haveria bastante para evangelizar esta cidade. Há suficiente aqui para ser o meio da salvação do mundo. Deus salva não por muitos nem por poucos. Peçamos uma bênção; e ao buscá-la, ouçamos esta voz direta: «Vinde após mim, e vos farei pescadores de homens».
Vocês estão na beira do grande mar da vida humana, as multidões das almas dos homens. Vocês vivem no meio de milhões; mas se vierem atrás de Jesus e forem fiéis a ele, verazes com ele e fizer o que ele lhes pede, ele vos fará pescadores de homens. Não diga: «Quem salvará esta cidade?». O mais fraco será suficientemente forte. O pão de cevada de Gideão baterá na tenda e a fará cair. Sansão, com a queixada tirada da terra, branqueada pelo sol, ferirá os filisteus. Não tema, ninguém desmaie. Deixe as suas responsabilidades mais próximas do seu Mestre. Que o horror do pecado imperante te faça olhar o Seu rosto amado, que há muito tempo chorou sobre Jerusalém e agora chora sobre este lugar. Aprisiona-o e nunca soltes o seu apoio.
Pelos fortes e poderosos impulsos da vida divina dentro de ti, vivificados e trazidos à maturidade pelo Espírito de Deus, aprenda essa lição da boca do Senhor: «Vinde após mim, e vos farei pescadores de homens». Você não é apto para isso, mas ele te capacitará. Você não pode fazê-lo por ti mesmo, mas ele te fará cumpri-la. Você não sabe como lançar as redes e trazer os cardumes de peixes para a margem, mas ele te ensinará. Apenas siga-lhe, e ele te fará um pescador de homens.
Queria de alguma maneira poder dizer isto como com voz de trovão, de modo que toda a igreja de Deus pudesse ouvi-la. Desejaria poder escrever com uma linha de estrelas no céu: «Jesus disse: Vinde após mim, e vos farei pescadores de homens». Se esquecer o preceito, a promessa nunca será tua. Se seguir alguma outra via, ou imitar a algum outro líder, pescará em vão. Deus nos conceda crer plenamente que Jesus pode fazer grandes coisas em nós e em seguida fazer grandes coisas através de nós, pelo bem de nossos companheiros!

III. Qualidades de um bom pescador
O último ponto vocês mesmos podem desenvolvê-lo em sua totalidade em suas meditações privadas com muito proveito. Aqui temos uma figura completa de instrução. Dar-lhes-ei só duas ou três idéias que podem utilizar. «Eu vos farei pescadores de homens». «Vocês tem sido pescadores de peixes: se vocês me seguirem, eu vos farei pescadores de homens».
Um pescador deve ser uma pessoa muito dependente e deve ser confiante. Ele não pode ver os peixes. Aqueles que pescam no mar devem ir e lançar a rede, por assim dizer, ao acaso. A pesca é um ato de fé. Tenho visto freqüentemente no mar Mediterrâneo, homens que vão com seus barcos e rodeiam as águas com longas redes; e no entanto, quando arrastaram a rede para a margem, tiveram tanto resultado como o que eu poderia pôr em minha mão. Uns insignificantes prateados desprezíveis foram tudo o que pegaram. No entanto, eles tornaram a lançar a grande rede várias vezes no dia, aguardando com esperança o que aconteceria.
Ninguém é tão dependente de Deus como o ministro de Deus. Oh, esta pesca é uma obra de fé! Eu não posso dizer que uma alma será trazida a Deus por ela. Eu não posso julgar se o meu sermão será adequado para as pessoas que estão aqui, mas creio que Deus me guiará ao lançar a rede. Espero que ele opere para a salvação, e dependo dele para isso. Amo esta dependência absoluta, e se me oferecesse um aumento no poder da pregação, de tal forma que eu pudesse salvar pecadores, e que estivesse ao meu inteiro dispor, eu suplicaria ao Senhor que não me permitisse tê-lo, já que é muito mais delicioso ser completamente dependente dele em todo momento.
É bom ser um néscio quando Cristo é feito a sua sabedoria. É uma coisa bendita ser fraco se Cristo se converter mais plenamente em sua força. Vão trabalhar, vocês que serão pescadores de homens e, no entanto, sintam a sua insuficiência. Vocês que não têm forças, invistam nesta obra divina. A força do seu Mestre será vista quando a tua própria desaparece. Um pescador é uma pessoa dependente, ele deve procurar o êxito cada vez que dispõe a rede; mas ainda é uma pessoa confiada e, portanto, lança a rede com alegria.
Um pescador que subsiste do seu ofício é um homem diligente e perseverante. Os pescadores estão em pé ao amanhecer. Ao clarear o dia, eles estão pescando, e continuam a tarefa até o final da tarde. Enquanto as mãos puderem trabalhar, os homens pescarão. Que o Senhor Jesus nos faça ser esforçados, perseverantes, incansáveis pescadores de homens! «Pela manhã semeia a tua semente, e à tarde não deixe repousar a tua mão; porque não sabes qual será o melhor, se este ou aquele».
O pescador, em sua própria arte, é inteligente e atento. Parece muito fácil, atrevo-me a dizer, ser um pescador, mas vocês veriam que não é uma brincadeira de criança se tivessem que tomar parte real nisso. Há uma arte nisso, desde reparar de forma eficiente a rede, até trazê-la para a margem. Quão diligente é o pescador para evitar que os peixes saltem fora da rede! Ouvi um grande ruído uma noite no mar, como se algum tambor enorme fosse tocado por um gigante; fui e vi que os pescadores estavam batendo na água para conduzir os peixes à rede, ou para impedir que escapassem quando já tinham sido capturados.
Você e eu freqüentemente teremos que estar atentos aos extremos da rede do evangelho, para que os pecadores que quase estão pescados tentem escapar. São peixes muito ardilosos, e utilizam esta astúcia em seu esforço por evitar a salvação. Nós temos que estar sempre em nosso ofício, e exercitar todo o nosso engenho e mais que o nosso próprio engenho, se quisermos ser pescadores de homens bem sucedidos.
O pescador é uma pessoa muito laboriosa. Não é absolutamente uma chamada fácil. Ele não se senta em uma poltrona para pescar. Ele tem que sair em tempos ruins. Se aquele que considerar as nuvens não semeará, estou seguro de que aquele que considera as nuvens nunca pescará.
Se nunca fizermos algum trabalho para Cristo exceto quando nos sentimos repousados, não faremos muito. Se sentirmos que não oramos porque não podemos orar, nunca oraremos, e se dissermos: «Não pregarei hoje porque não creio que possa pregar», nunca faremos uma pregação que valha a pena. Devemos estar sempre nisso, até nos desgastar a nós mesmos, deixando toda a nossa alma na obra de todos os tempos, pela causa de Cristo.
O pescador é um homem ousado. Ele prova o mar revolto. Um pouco de salmoura em seu rosto não lhe fere; mesmo salpicado milhares de vezes, aquilo não é nada para ele. Quando se convertera em um pescador de mar profundo, nunca esperou dormir no regaço do fácil. Portanto, o verdadeiro servo de Cristo que pesca almas nunca tem como inconveniente um risco pequeno.
Ele estará obrigado a fazer ou a dizer a muitos alguma coisa que é muito impopular; e algumas pessoas cristãs inclusive podem catalogar as suas declarações como muito severas. Ele deve fazer e dizer aquilo que é para o bem das almas. Não se entretém inquirindo o que outros pensam de sua doutrina, ou dele; mas no nome do Deus Todo-Poderoso, ele deve sentir que: «Se rugir o mar e sua plenitude, ao mandado do meu Mestre lançarei a rede».
Agora, em último termo, o homem a quem Cristo faz um pescador de homens é bem-sucedido. «Mas», disse alguém, «eu sempre ouvi que os ministros de Cristo têm que ser fiéis, mas que eles não podem estar seguros de ter êxito». Sim, ouvi esse dito e de uma maneira sei que isso é certo, mas em outro sentido tenho minhas dúvidas a respeito disso. Aquele que é fiel é, no caminho e no juízo de Deus, mais ou menos bem-sucedido. Por exemplo, aqui há um irmão que diz que é fiel. É obvio, tenho que acreditar nele, mas nunca ouvi falar de um pecador que tenha sido salvo por ele. Sem dúvida, devo pensar que o lugar mais seguro para uma pessoa que não quer ser salva seria estar sob o ministério deste cavalheiro, porque ele não prega nada que provavelmente desperte, impressione ou convença a alguém. Este irmão é «fiel» porque ele o diz.
Pois bem, se alguma pessoa no mundo te diz: «Eu sou um pescador, mas nunca pesquei nada», você lhe perguntaria como ele poderia ser chamado de pescador. Um sitiante que alguma vez semeou e colheu trigo ou qualquer outro cultivo, é realmente um agricultor? Quando Jesus Cristo diz: «Vinde após mim, e vos farei pescadores de homens», quer dizer que vocês realmente deverão pescar homens, que realmente salvarão a alguns; porque aquele que nunca conseguiu nenhum peixe não é um pescador.
Aquele que nunca salvou a um pecador depois de anos de trabalho não é um ministro de Cristo. Se o resultado do seu trabalho de vida é zero, cometeu um engano ao empreendê-lo. Vocês vão com o fogo de Deus em sua mão e lancem-no entre o restolho e o restolho arderá. Estejam seguros disso. Vá você e espalhe a boa semente: nem todas cairão em lugares férteis, mas algumas delas sim. Pode estar seguro disso.
Apenas brilhem, e assim algum olho ou outro será iluminado. Vocês terão êxito. Mas recordem que esta é a palavra do Senhor: «Vinde após mim, e vos farei pescadores de homens». Permaneçam junto a Jesus e façam o que Jesus fez, em seu espírito, e ele vos fará pescadores de homens.
Talvez falo a um ouvinte atento que não se converteu totalmente. Amigo, tenho o mesmo que te dizer. Você também pode seguir a Cristo, e então ele poderá te utilizar, até mesmo a ti. Não sei, mas ele te trouxe para este lugar para que possas ser salvo, e mais tarde ele pode fazer que fale por seu nome e sua glória.
Recordem como ele chamou a Saulo de Tarso e o fez apóstolo dos gentios. Dos caçadores furtivos recuperados é que se fazem os melhores guardas-florestais; e os pecadores salvos se tornam os pregadores mais hábeis. Ah, se tu puderes escapar do teu velho amo agora, sem lhe dar um minuto de notificação; porque se lhe der algum aviso, ele te reterá! Corre para Jesus e lhe diga: «Aqui está um pobre escravo fugitivo! Meu Senhor, ainda levo os grilhões em meus pulsos. Podes me libertar e me fazer tua propriedade?». Lembra que está escrito: «aquele que vem a mim, não o lanço fora». Nunca um escravo fugitivo veio a Cristo no meio da noite sem ser acolhido por ele; e ele nunca devolveu a alguém ao seu velho amo. Se Jesus te fizer livre, serás verdadeiramente livre. Então corre para Jesus, neste instante. O seu bom Espírito te ajude, e ele cedo ou tarde fará de ti um ganhador de outros para o seu louvor! Deus te abençoe. Amém.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Livro Funeral Cristão Fundamentos e Liturgias para download gratuito


A Editora Sinodal, através do Portal Luteranos, disponibilizou para download gratuito o livro Funeral Cristão - Fundamentos e Liturgias. Reunindo textos e estudos de diversos autores, o livro traça um painel da história da relação cristã com a morte e seus significados; e ainda apresenta instruções sobre como proceder neste momento, prática de funerais etc.
Lembramos aos leitores que é raríssima a literatura sobre esta temática em nossas estantes evangélicas, e isso apenas reforça a importância deste material.

Para baixar o livro, CLIQUE AQUI.

terça-feira, 25 de abril de 2017

MULTIMÍDIA NA IGREJA - Entrevista com Ricardo Silva Lourenço

Para fornecer suporte de sonorização, computação e apresentação de imagens e vídeos nos cultos e eventos da igreja  e aperfeiçoar o processo de comunicação nas Igrejas surgiu a Área de Apoio Multimídia.

São várias as atribuições da Área (Ministério/Departamento) de Multimídia como: Fornecer suporte de som e multimídia para os cultos, reuniões e outros eventos da igreja; por meio da projeção de slides com as letras dos louvores, textos bíblicos, programações e eventos da igreja, avisos referente à outras áreas.  Produção, edição e transmissão de vídeos diversos. Capacitar os integrantes da área nas competências necessárias para o excelente uso e manutenção dos equipamentos de som, computação e multimídia; Motivar e agregar voluntários para o aprimoramento no uso de tecnologias de som e multimídia;  Zelando dos equipamentos de som, computação e multimídia da igreja e supervisionando seu uso adequado, prestando sempre relatório de suas atividades.  
Mas será que qualquer igreja deve fazer uso da Multimídia?
Num bate-papo com o Instituto Jetro, Ricardo Silva Lourenço, Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Arthur Thomas - FAAT e que atua desde 2010 na Igreja Presbiteriana Independente de Londrina como Operador de Áudio e Vídeo Sonoplastia, iluminação, filmagem, edição de áudio e vídeo responde alguns questionamentos sobre o tema. 


Instituto Jetro - A visão de que equipamentos de multimídia são caros e devem ser atualizados frequentemente tem dificultado a inclusão da área de apoio de multimídia nas igrejas? Esta é uma visão correta?  
Ricardo - Realmente os equipamentos de ponta são caros, mas eu acredito que toda igreja tem condição de criar uma Área de Apoio de Áudio e Vídeo. Só precisam de uma orientação correta da forma de como investir e se a igreja tiver uma boa condição financeira ou pessoas na igreja dispostas a investir nessa área, vale muito a pena já comprar um equipamento bom. Lembrando que nem sempre o equipamento mais caro é o ideal para sua realidade, por isso a importância de uma boa orientação, saber bem qual o propósito dessa área de apoio. Já vi Igrejas que começaram com um pequeno equipamento de som e gravação das mensagens em Cds  e que com a venda dos mesmos comprou mais equipamentos e passou a produzir DVDs, por exemplo.

Instituto Jetro - Você acredita que igrejas de qualquer tamanho podem explorar a multimídia como uma ferramenta de comunicação? 
Ricardo - Acredito sim, hoje na nossa igreja caminhamos bem próximos com a Área de Apoio de Comunicação, todos recados, avisos e programações da igreja são gravados em vídeos, editados e repassados nos cultos e nas nossas redes sociais, com isso essa mensagem tem uma maior abrangência ou alcance. Um bom equipamento ajuda, mas os jovens da nossa igreja, já fizeram vídeos muito bons, utilizando gravação pelo celular mesmo.


Instituto Jetro - Tem crescido o número de pessoas com experiência em computador, edição de vídeo e de áudio, mas ainda é difícil a captação de voluntários para área?

Ricardo - Acho que a maior dificuldade é a visão que as pessoas tem de ser uma função bem técnica, mas é uma área de apoio bem abrangente, com diversas funções, creio que cada um de nós temos que ter no nosso coração a visão ministerial, hoje eu sou funcionário contratado na minha igreja, mas acima disso tenho isso como meu ministério, e me sinto privilegiado por isso. A parte espiritual é bem importante, considero cada voluntário ou membro da área de apoio como um ministro na sua função, mesmo que seja mixando um PA, trocando a letra de uma música, mexendo em uma câmera, ou ajudando a enrolar cabos no final dos cultos.


Instituto Jetro - Poderia compartilhar algumas ideias que possam ajudar na formação de uma área de apoio multimídia nas igrejas? 
Ricardo - Acredito que devemos sempre buscar pessoas que já fazem parte da igreja, já frequentam as programações, já tem o coração na igreja. Aí depois vem a parte de capacitação, se não tiver alguém na igreja para ensinar, temos diversos cursos para capacitação (de maneira presencial ou pela Internet) que podem dar essa orientação inicial  e depois vem a prática da caminhada. 

Instituto Jetro -  Por que as Igrejas deveriam investir numa área de apoio Multimídia? 
Ricardo - Nos dias de hoje temos que buscar explorar cada vez mais recursos audiovisuais, o mundo tem feito isso, e temos que ser criativos, essa nova geração busca isso. Nossa igreja é bem grande e temos diversos cultos, desde um culto de domingo 8h no templo mais tradicional até um culto de jovens num sábado à noite, nesse culto de jovens utilizamos mais recursos audiovisuais. Em todos os cultos vemos o mover de Deus, mas as pessoas buscam já ir no culto de acordo como o perfil de cada um, é importante falarmos, que um bom som com iluminação não necessariamente é um "show", muitos tiveram essa visão quando colocamos iluminação nos cultos, mas temos o coração bem tranquilo em relação a isso, estamos buscando fazer o melhor com o que temos para Deus.

Instituto Jetro - Comentários finais sobre o assunto? 
Ricardo - Nós da área de apoio de Áudio e Vídeo somos um ministério de bastidores, normalmente somos os primeiros a chegar e os últimos a sair, quanto menos aparecemos melhor, significa que nosso trabalho está sendo bem feito. Nossa melhor recompensa? Vidas, vidas transformadas, tocadas, quando o grupo de louvor chega para ensaiar e encontra tudo pronto e organizado, ele já vai ter mais paz e segurança para a ministração, o pastor quando recebe o momento da palavra a igreja já envolvida na adoração, já com o coração aberto para receber a palavra, quando ele fala e percebe que está sendo escutado, sem ruídos, e a palavra entra no coração das pessoas, algumas já foram tocadas na adoração mesmo, com uma letra de um cântico projetada que tocou seu coração, o fruto disso são pessoas tocadas, mudanças de vidas, pessoas consoladas, quando nós como área de apoio executamos nossas funções, passamos segurança para nossos pastores e membros do louvor ministrarem a igreja. O principal é sempre termos bem claro em nossos corações, tudo que fazemos é para que o nome de Deus seja glorificado, e que estamos aqui para servir a Ele.

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site http://www.institutojetro.com/ e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

E-book: Deus e a Família - Roteiro de estudos bíblicos


A Aliança Evangélica Brasileira disponibilizou o e-book Deus e a Família - Roteiro de estudos bíblicos, de autoria do pastor e professor Martin Weingaertner. Nas 108 páginas do e-book o professor Weingaertner, que é editor do Devocional Orando em Família, apresenta um riquíssimo conteúdo para a edificação de nossos lares.

Para baixar o e-book, CLIQUE AQUI.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Acompanhamento Pastoral a Moribundos e Enlutados


Em memória de meu pai
Carlos João Hoch
•24/03/1898 +28/10/1987
Talvez cause alguma surpresa o fato de se falar sobre acompanhamento de moribundos e enlutados num livro que se propõe a abordar a temática do sepultamento cristão. Por isso é necessário, desde logo, estabelecer uma relação entre a assistência pastoral prestada por ocasião de um enterro e o assessoramento oferecido antes e depois desse ato. Na verdade, para que o ato do sepultamento eclesiástico tenha um real sentido é fundamental que ele tenha um antes e um depois. O rito do enterro eclesiástico é uma modalidade pública e ritualizada da presença da igreja no momento da morte. Ela é importante mas não pode jamais ser a única forma de ela solidarizar-se com uma família numa situação tão crucial. Infelizmente, contudo, esse é o caso em muitos lugares.
Estou ciente de que, pelas circunstâncias que envolvem muitos casos de falecimento, é impossível oferecer um acompanhamento pastoral e comunitário a alguém antes da morte. Mas sempre que as circunstâncias o permitirem, é essencial que o moribundo e seus familiares experimentem a presença e o apoio da comunidade cristã. Lutero considerava a consolação mútua dos irmãos e irmãs em momentos de sofrimento e tristeza um dos ministérios mais importantes da igreja.
O ritual do sepultamento eclesiástico adquire mais sentido e atinge melhor o seu alvo quando for precedido de um contato poimênico com a pessoa falecida e/ou com os seus familiares. Da mesma forma, ele precisa ter uma continuidade nos momentos em que o luto e o sentimento de perda por parte dos familiares se tornar mais agudo. O ato de sepultamento dirigido pelo pastor com a presença da comunidade, além de ter um sentido importante como oportunidade de pregação da palavra de Deus, representa também um comprometimento público que se assume frente aos enlutados. O ritual apenas inaugura o apoio e a solidariedade que se deve estar disposto a prestar depois. Esse apoio posterior pode ser até mais importante do que tudo o que se vier a fazer no dia do enterro.
I — Acompanhamento a moribundos
1. Considerações sócio-culturais. Em gerações passadas, pelo menos em nossa sociedade ocidental, se tabuizava o nascimento enquanto se observava um relacionamento mais natural com a morte. Hoje está ocorrendo o inverso: fala-se com mais realismo sobre o nascimento e, de maneira crescente, se tabuíza a morte.
Ainda me recordo dos tempos de infância. Ninguém falava abertamente comigo sobre a forma como as crianças são concebidas e como elas nascem. Um véu de mistério, alimentado pela história da cegonha, encobria essa realidade. As crianças eram afastadas do convívio familiar quando um bebê estava por nascer. Em compensação quando alguém estava doente e viesse a falecer, as crianças acompanhavam de perto todas as etapas desse processo: enquanto doente visitavam-no livremente em seu quarto e, depois de falecido, participavam do velório que tinha lugar em casa, eram estimuladas a tocar no falecido, acompanhavam o cortejo fúnebre e os atos de encomendação e enterro.
Hoje fala-se com maior franqueza com as crianças sobre concepção, gravidez e parto. Há muito se encara, salvo exceções, as questões que dizem respeito à natalidade com relativa naturalidade. Por outro lado, a realidade da morte está, de forma crescente, sendo exorcizada da vivência cotidiana tanto de crianças como de adultos. Afora o formalismo dos ritos funerários, é cada vez menos evidente e sincera a percepção do que significa adoecer, envelhecer, agonizar e morrer. Perderam-se a dignidade, a significação e a força desses momentos decisivos, desses processos progressivos e irredutíveis, desses acontecimentos fortes, marcantes e necessários na evolução do ser humano para a eternidade, a plenitude e o absoluto. (D'Assumpção, p. 17.)
O tratamento hospitalar retira o paciente do convívio dos seus familiares e restringe o contato entre estes a um mínimo tolerável. Assim como o hospital se ocupa da pessoa enquanto doente, assim a funerária se encarrega dela depois de falecida. Morrer em casa no convívio da família, dos vizinhos e amigos e ali ser lavado, vestido e velado está se transformando numa rara exceção. O círculo mais achegado da pessoa falecida, especialmente entre as classes que dispõem de alguns recursos, prefere pagar para que outros assumam uma responsabilidade que, desde os tempos mais remotos, se considerou um direito e um dever sagrado seu. Está a crescer o número de pessoas que jamais viram alguém morrer. Enquanto isso o comércio com a morte prospera. No fundo, o comércio com a morte é o comércio com o medo da morte.
Aumenta o emprego de cosméticos para amenizar os traços que a morte imprime aos rostos de muitas pessoas falecidas. O objetivo é poupar os diretamente envolvidos de se confrontarem com a realidade da morte em toda sua extensão e nudez. O paradoxal é que quanto mais se tenta afastar a realidade da morte da vida cotidiana e expulsá-la para a periferia dos quartos de hospitais e dos necrotérios, tanto mais poder ela adquire sobre as pessoas. Quanto menos se encara a morte de maneira direta, tanto mais ela nos atormenta de forma indireta. Somente sabem realmente viver aquelas pessoas que aceitam naturalmente a morte. E somente saberão morrer aquelas pessoas que souberam viver. Vida e morte são duas faces de uma mesma moeda, que é a existência. Não se pode falar de uma, esquecendo-se da outra (D'Assumpção, p. 11).
2. A pessoa diante da morte. A nossa cultura ocidental, como vimos, tende a não encarar de frente a realidade da morte. Isso tem consequências sobre a maneira com as pessoas individualmente se relacionam com sua própria morte. Cresce o número de pessoas que fogem do confronto com a sua própria transitoriedade e com o seu próprio fim. Quando o pensamento na sua própria morte as assalta, enforçam-se para jogá-lo para bem longe e a distrair-se com outro pensamento ou com alguma atividade qualquer. Esse fato se refletirá sobre a maneira como o moribundo vive os estágios finais de sua vida, sobre os quais falarei mais adiante.
Apesar de toda a repressão social e individual da morte, surgem momentos em que o ocupar-se com a própria morte torna-se inevitável. Uma doença súbita, a necessidade de um exame médico mais aprofundado, uma cirurgia delicada, longas semanas de internamento num hospital são momentos que nos constrangem a encararmos a nossa própria morte como uma possibilidade real.
O que as pessoas temem quando são forçadas a encararem a possibilidade de morrerem em breve? Quem pretende acompanhar uma pessoa que efetivamente esteja morrendo ou que apenas receia que esteja à beira da morte precisa ter a sensibilidade de atentar para os mais diferentes sentimentos e se preparar para enfrentar todo tipo de reações. Eis algumas das atitudes mais frequentes:
—há pessoas que não temem a morte como tal mas as sensações de dor ou de angústia que julgam estarem presentes naquele momento;
—outras temem o desconhecido implícito na morte. Estas lembram que a morte é um portão pelo qual muitos entraram, mas pelo qual ninguém retornou para dizer o que existe do outro lado;
—muitas pessoas temem a morte pelo fato de ela impedir que se realizem determinados planos e sonhos que acalentaram ao longo de toda vida. É como se tivesse que morrer sem terem vivido;
—outros, ao morrer, sentem profundamente por terem que deixar para trás certas pessoas a quem se sentem especialmente ligados ou mesmo realizações pelas quais muito batalharam ao longo da sua vida;
—outros, por sua vez, temem serem enterrados vivos e a angústia de, num determinado momento, acordarem e de se sentirem sufocados. Trata-se geralmente de manifestações de claustrofobia;
—ainda outros, devido a um determinado conceito de Deus ou a um forte sentimento de culpa, temem o juízo final e o momento de terem de prestar contas diante de um Senhor severo e castigador.
A grosso modo dá para identificar e distinguir dois tipos de medo: o medo relacionado ao ato de morrer como tal e o medo do que possa eventualmente vir depois da morte. Esta distinção pode ajudar algumas pessoas a entenderem e a trabalharem melhor o seu medo, geralmente muito vago, da morte.
Por outro lado, é necessário lembrar que o medo não é a única atitude possível diante da morte. Há inúmeras pessoas que encaram a morte de uma forma positiva ou com bastante serenidade. Cito algumas dessas posturas:
—há moribundos que esperam a morte com ansiedade como um momento que lhes trará alívio e descanso de longos e difíceis tempos de sofrimento ou de velhice;
—outros enfrentam a morte com naturalidade, dentro da perspectiva de que tudo precisa um dia chegar ao fim;
—entre cristãos, há muitos que consideram a morte como lucro (Fp 1.21), pois é o momento de entrada para o gozo eterno, de chegar mais perto de Cristo ou de se reencontrar com familiares e amigos que os precederam na morte;
—entre espíritas a morte é considerada como o momento da desencarnação da alma. Como esta, a seu ver, não morre, a morte perde a característica de ser um ato derradeiro e se transforma num momento de expectativa no sentido de saber onde e em quem ela voltará a se encarnar para começar um novo ciclo de vida.
Quem lida poimenicamente com moribundos não pode saber de antemão o tipo de atitude diante da morte que irá enfrentar. É necessário que se predisponha interiormente a estar aberto para qualquer uma das atitudes aqui mencionadas e ainda outras não mencionadas.
É necessário lembrar igualmente algumas das possíveis atitudes de pessoas gravemente enfermas. Convém não perder de vista que também esses merecem a atenção do(a) pastor(a) e da comunidade cristã. Freqüentemente os familiares sofrem tanto ou até mais do que o próprio moribundo. As posturas vão desde um profundo choque e de um sentimento de perda irreparável, até uma atitude mal disfarçada de alívio; desde uma disposição para falar abertamente com o familiar que está à morte e de fazer todo o possível para lhe aliviar a dor e a solidão, até uma atitude de incapacidade total de lidar com a situação e de se solidarizar com ele. Quantas vezes se ouvem pessoas que acompanharam de perto o sofrimento de alguém gravemente enfermo exclamar: Eu não conseguia mais ver essa pessoa sofrer desse jeito!. Mais adiante retornarei a esse assunto.
3. O drama do paciente terminal. São inegáveis os progressos que a medicina moderna fez nos últimos anos no sentido de socorrer pessoas gravemente enfermas. Esses avanços se observam tanto na rapidez e na eficiência com que se é capaz de salvar uma vida humana, como também na capacidade de prolongar cada vez mais a vida de pacientes para os quais, pela natureza de sua enfermidade, não há mais esperanças de cura —os chamados pacientes terminais.
De um lado nos cabe sermos gratos a Deus pelos progressos da medicina e pelo empenho crescente que médicos, enfermeiros e outros especialistas da saúde estão fazendo para salvar vidas humanas. Por outro lado, os avanços técnicos e científicos na área da saúde trouxeram consigo o perigo duma crescente desumanização no atendimento às pessoas. A dificuldade já começa pelo fato de a pessoa doente ser removida do ambiente familiar e ser levada para um quarto estranho de hospital. A partir daí, dependendo da gravidade do caso, ela passa a perder totalmente o controle das ações. Dificilmente se concede a ela o direito de opinar. Outros agem e decidem por ela.
Estou consciente de que, em casos graves, não se pode esperar que o médico entre num longo diálogo com o paciente. É necessário, nesse caso, que ele aja com rapidez, cabendo ao paciente submeter-se à sua competência. Mas quantas vezes acontece que o paciente fica longas horas e intermináveis dias num leito de hospital, rodeado de toda sorte de aparelhos sob o comando duma equipe especializada em controlar a temperatura, a pressão, as batidas cardíacas, mas sem ninguém que dispense atenção às suas ansiedades interiores de natureza psicológica, emocional ou espiritual. Os agentes da saúde estão melhor treinados para manusear aparelhos do que para lidar com necessidades e sentimentos humanos. Tem-se em vista unilateralmente a cura física. Trata-se a doença e não o doente.
Imagino que muitas pessoas em seus últimos dias de vida trocariam com gosto uma parcela do atendimento científico e mecânico por um pouco mais de calor humano e pela oportunidade de externar certas dúvidas e certos anseios que se acumulam em seu interior. Falta à nossa medicina uma preocupação mais voltada ao conjunto das necessidades da pessoa.
Em se tratando de pacientes terminais, as necessidades que transcendem a dimensão física aumentam sensivelmente. E é nessas horas, justamente, quando os recursos que podem curar o corpo atingem o seu limite, que os profissionais da saúde, muitas vezes, se sentem mais limitados e despreparados.
Um psicólogo certa vez fez uma experiência intrigante numa unidade de terapia intensiva dum hospital norte-americano. Ele se propôs a cronometrar o tempo que decorria entre o momento do paciente chamar a enfermeira (assinalada pelo acender duma pequena luz vermelha sobre a porta do quarto) e o momento de esta atender ao chamado. Depois de alguns dias de observação, o psicólogo percebeu que as enfermeiras atendiam mais rapidamente o chamado dos pacientes em melhor estado de saúde e que levavam mais tempo para atender ao chamado dos pacientes que estavam mais próximos da morte. Trata-se duma reação inconsciente de evitar o contato com a morte. Tal reação não é peculiar apenas das enfermeiras, mas da maioria das pessoas.
A reação inconsciente das enfermeiras acima descrita é apenas uma das formas de demonstrar que o moribundo, junto com as agruras da morte, ainda está exposto à nossa incapacidade de nos relacionar naturalmente com ele. Na verdade, o moribundo tende a se sentir profundamente só. Não estaria aí uma das funções primordiais da poimênica junto a moribundos: ser um veículo da presença solidária de Deus que cria comunhão e conforto em meio à angústia e à solidão?
Por uma questão de justiça é necessário compreender que não é fácil para os profissionais da saúde, principalmente aos médicos e às enfermeiras, aceitarem o cessar da vida de pessoas entregues aos seus cuidados. Cada pessoa que morre os lembra das suas limitações e da sua incapacidade de vencerem a batalha contra a morte. Convém lembrar também que a sociedade e até mesmo a própria igreja atribuem cada vez mais a eles a tarefa de lidar com a morte, não raro, devido a sua própria incapacidade de lidar com ela. Muitos desses agentes da saúde são deixados a sós com o peso dessa responsabilidade.
É necessário lembrar igualmente que a maneira como se assiste a um moribundo em nossa sociedade e, não raro também na igreja, tem algo a ver com a situação econômica em que este se encontra, respectivamente com a classe social a que ele pertence. A estrutura classista da sociedade provoca, por consequência, a estrutura classista da medicina e dos recursos da saúde, que defende de uma maneira muito mais eficaz a vida dos possuidores do que a vida dos trabalhadores e suas famílias (D'Assumpção, p. 61). A poimênica precisa ter em mente esse fato e, sem esquecer os melhor situados, cuidar para não privilegiar mais uma vez na morte os que já foram privilegiados em vida.
4. As fases psicológicas do processo de morrer. Elisabeth Kübler-Ross, uma médica e psicóloga suíça que atua nos U.S.A., juntamente com uma equipe de pastores e estudantes de teologia, teve a ideia de dialogar com pacientes em fase terminal e registrar o seu comportamento diante da morte. Ela o fez mediante a autorização dos próprios doentes. O seu livro Sobre a morte e o morrer alcançou reconhecimento internacional em pouco tempo. As suas observações ajudam a entender pacientes que passam por uma fase mais ou menos longa de sofrimento antes de morrerem e que têm conhecimento da gravidade da sua doença. Elas não se aplicam a moribundos que não sabem que têm pouco tempo de vida e, como é lógico, também não se aplica a pessoas que morrem subitamente.
a) Fase da negação: Quando uma pessoa recebe a notícia de que está acometida de uma doença grave, ela freqüentemente reage dizendo: Não, não pode ser verdade. Eu não! A negação da possibilidade da morte é a atitude inicial mais comum. Essa negação pode chegar ao ponto de a pessoa achar que se trata de um engano no diagnóstico e, não raro, ela troca de médico para se certificar de que sua doença é realmente grave. Klüber-Ross acrescenta, contudo, que essa reação inicial não significa que o mesmo paciente não queria ou não se sinta feliz e aliviado em poder sentar-se mais tarde e conversar com alguém sobre a sua morte próxima (p. 50). Trata-se duma necessidade de, por assim dizer, rejeitar inicialmente uma realidade para, depois, ir digerindo-a aos poucos, na medida em que for se fortalecendo interiormente para aceitá-la.
b) Fase da revolta: Quando não mais for possível negar os fatos, explodem os sentimentos de inconformidade, de angústia, de tristeza e de raiva. Por que justamente eu? As vezes a revolta se dirige ao próprio Deus. Por que Deus, que dizem ser bom e misericordioso, permite que isso aconteça comigo? Nessa fase não convém que a pessoa que acompanha o moribundo seja afoito em fazer apologias de Deus ou procure achar explicações plausíveis. O que o paciente precisa é de alguém que o ouça e o aceite em sua inconformidade e em seu sentimento de revolta. Não lhe dar oportunidade para externar esses sentimentos só aumentará sua revolta e sua solidão.
c) Fase da barganha: A barganha é uma atitude do paciente de pretender negociar com Deus e de procurar fazer um acordo com ele. Trata-se duma tentativa de estabelecer um comprometimento mútuo: Se tu, ó Deus, restabeleceres minha saúde, eu me comprometo a levar uma vida mais consagrada a ti e ao próximo. É essa a postura que leva milhares de pessoas doentes a fazerem promessas a Deus que posteriormente procuram cumprir em dias de romarias a determinados santuários. No fundo, trata-se uma tentativa de manter acesa a esperança de cura.
d) Fase da depressão: Quando a pessoa percebe que a doença avança e que não há mais como negá-la, passa a predominar um profundo sentimento de perda. Em se tratando de pessoas mais jovens, — mas não só elas — passam a se preocupar com o futuro dos filhos, com a continuidade do trabalho que vinham desenvolvendo e com demais questões pendentes. A possibilidade de que tudo possa chegar em breve a um fim é, agora, muito mais real. Pode se instalar tristeza e depressão. Nessa fase o paciente tende a ser mais aberto para o diálogo e para externar sentimentos. Aqui é importante que se ofereça proximidade física e espiritual bem como a certeza de que ele não está só.
e) Fase da aceitação: O moribundo percorreu um penoso caminho de altos e baixos, de luta e resistência, de negação e de revolta, de negociação e de preparação para o pior. Agora se instala uma fase de entrega. Não há mais forças nem se vê mais grande sentido em continuar lutando. O corpo já está frágil, o espírito cansado. O moribundo dorme bastante. Já não lhe interessam mais tanto os acontecimentos à sua volta. A comunicação com ele se dá, muitas vezes, mais num nível não-verbal do que com muitas palavras. Aqui gestos falam mais alto do que palavras.
Os estágios acima descritos não precisam ocorrer sempre, nem se sucedem necessariamente na ordem exposta. Às vezes predomina um estado de espírito, às vezes outro, outras vezes os estágios se confundem. Também a duração de cada estágio ou fase é variável de pessoa para pessoa.
Segundo Kübler-Ross, a única coisa que persiste em todos os estágios com maior ou menor intensidade é a esperança. É literalmente verdade que a esperança é a última que morre.
O diálogo poimênico não deve alimentar em demasia essa esperança do moribundo, nem tampouco questioná-la. A esperança é fundamental para que o moribundo consiga carregar a sua cruz. Além do mais, não é o nosso Deus um Deus de esperanças? Não é ele o fundamento de toda esperança? A poimênica cristã se alimenta da esperança que crê contra a esperança (Rm 4.18) e vive da certeza do salmista que diz: Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele e o mais ele fará. (Salmo 137.)
5. Considerações complementares. Uma atitude poimênica importante é a disposição de partilhar do sofrimento da pessoa que está à beira da morte e, se possível, dos seus familiares. Não falo primordialmente do sofrimento físico, mas do sofrimento que resulta das perguntas cruciais de natureza emocional e espiritual que a morte impõe. Muitas pessoas morrem não só da doença de que estão acometidas mas também do abandono a que estão sujeiras como moribundos, ou seja, como pessoas de quem poucos ousam se aproximar.
Convém informar-se de antemão com o médico ou a enfermeira responsável sobre o estado de saúde do paciente. Uma vez em contato com este, é importante prestar atenção especial ao grau de consciência que ele tem da gravidade da sua doença. Há moribundos que não estão inteirados (ou não querem inteirar-se) do seu real estado de saúde. Outros mostram-se muito inseguros a esse respeito e, vez por outra, lançam urna pergunta ou um olhar inquiridor para a pastora, tentando decifrar o que esta sabe ou pensa a respeito.
A simples visita da pastora, em muitos casos, por si só já é motivo de grande ansiedade por parte do doente. Pois para muitos deles, especialmente em comunidade onde a pastora não costuma visitar os membros com frequência, a sua presença é um presságio de que se está prestes a morrer. Alguns vêem na pastora e no pastor uma ave de mau agouro. Tanto mais se ela ou ele vem com a intenção de celebrar a Santa Ceia com o doente.
Sempre que possível convém incluir os familiares no processo de acompanhamento de um moribundo. Estes, muitas vezes, precisam de ajuda para encontrarem uma forma de se sentirem úteis e solidários e, desta forma, diminuírem a sua própria ansiedade. Podem, no entanto, surgir ocasiões em que um contato a sós com o moribundo seja indicado, especialmente quando ele mesmo faz alguma indicação de desejá-lo.
Como vimos acima, o moribundo pode passar por diferentes estágios no seu processo de morrer. Antes de visitá-lo não se saberá em que estágio ou estado de espírito se encontra. Por isso convém não ir ao seu encontro com muitas ideias ou propósitos estabelecidos de antemão. Planos prévios podem dar maior segurança ao que realiza a visita. Mas podem impedir que este consiga ouvir a real necessidade do paciente. É possível que à pastora caberá a tarefa de ouvir o seu desabafo inconformado ou a sua lamentação sobre o estado de saúde que não dá sinais de melhora. É possível que a situação seja propícia à leitura de um texto bíblico ou à oração. Pode ser que a simples presença silenciosa e solidária seja a atitude mais indicada.
Certa vez um paciente me disse: Sabe, pastor, quando se está no hospital, se passam coisas na cabeça da gente que nunca se pensou antes. Se isso vale para doentes comuns, tanto mais para moribundos. A meu ver, cabe à pastora ser uma parceira, a quem o doente possa confidenciar essas coisas que lhe vêm à cabeça e sobre as quais ele não tenha com quem falar. Assim, por exemplo, ele poderá estar se perguntando o que tem feito ao longo de sua vida. O tempo disponível longe do corre-corre da vida quotidiana e a possibilidade de vir a morrer favorecem um tal balanço de vida. Outro moribundo, na tentativa desesperada de entender o que está se passando, estabelecerá uma relação entre a doença que está sofrendo e os erros que cometeu ao longo da sua vida. É frequente que se considere a doença e a morte como salário de pecados. Nesse caso, convém estar atento a possíveis sentimentos de culpa implícitos.
O mais importante em tudo isso é ter a sensibilidade de ouvir e de permitir que o doente consiga dizer o que pretende, sem ser atropelado pela necessidade prematura da pastora em lhe trazer consolo. Ouvi atentamente as minhas razões e isso já me será a vossa consolação, afirma Jó, alguém indiscutivelmente experimentado no sofrimento (Jó 212).
II — Considerações sobre a verdade junto ao leito de morte
O acompanhamento a moribundos pode nos colocar diante duma situação ética difícil, qual seja a de decidir se é ou não recomendável falar com a pessoa sobre a gravidade da sua doença, mais precisamente, dizer-lhe ou não a verdade sobre sua real situação de saúde.
Estamos aqui diante duma das questões mais delicadas de todo o ministério pastoral. Ser confrontado com a notícia da própria morte, próxima ou iminente, significa tocar no ponto mais vulnerável da alma humana. Se o ato de ser mensageiro de uma má notícia a outrem, seja ele um familiar ou conhecido nosso, já é uma tarefa espinhosa, quanto mais a de dialogar sobre a possibilidade de morte de interlocutor diretamente atingido que está diante de nós. Um diálogo dessa natureza suscita uma avalanche de sentimentos e emoções imprevisíveis no paciente e, não raro, também naquele que se dispõe a acompanhá-lo.
É necessário ter consciência de que o ato de encarar de frente a realidade da morte é, cada vez, uma situação única que coloca frente a frente duas pessoas igualmente únicas na sua maneira de ser, de pensar e de sentir. Torna-se por isso impossível fazer recomendações universais e aplicáveis em qualquer circunstância. Tudo o que vou dizer a seguir não passa de uma tentativa de aproximação a um assunto que não tolera respostas fáceis nem soluções padronizadas.
Falar com alguém sobre a proximidade da sua morte pressupõe um profundo respeito à pessoa humana e à maneira como essa pessoa encara a vida e a morte. É um erro pensar que a morte seja um momento que está além do limiar dessa vida. É bem verdade que o morrer é a última cena no palco da vida. Nem por isso deixa de ser um momento que se vive. Por isso considero o acompanhamento pastoral a moribundos como uma atitude de sustentação à vida, como presença solidária num momento decisivo da vida.
A pergunta pela verdade junto ao leito de morte é uma questão que divide as opiniões das pessoas. Há, de um lado, aquelas que entendem que, sob hipótese alguma, cabe ao pastor comunicar a uma pessoa que ela está morrendo. Elas entendem que essa tarefa cabe ao médico e a ninguém mais pois somente esse tem condições de atestar um tal quadro clínico. Por outro lado, há os que julgam ser responsabilidade inalienável do pastor, como guia espiritual, em qualquer circunstância dizer franca e abertamente à pessoa o que se passa com ela.
Pessoalmente entendo que o paciente tem o direito de saber a verdade sobre o seu estado de saúde. Ele teve, ou deveria ter tido, esse direito em qualquer questão que lhe dizia respeito, ao longo de toda sua vida. Por que não haveria de tê-lo também na hora da morte. Por outro lado, o paciente tem igualmente o direito de não querer saber a verdade sobre o seu real estado de saúde. Tem também o direito de escolher a pessoa com a qual deseja, se é que deseja, falar a respeito desse assunto. Cabe ao pastor respeitar o paciente em qualquer circunstância. Considero o paciente como o critério último para qualquer decisão que o pastor venha a tomar.
À luz do que foi dito, entendo que seja perigoso manter posições rígidas e inflexíveis, formadas de antemão, a respeito desse assunto. Essas podem impedir que se examine com criteriosidade as circunstânicas especiais de cada caso.
Faço depender minha decisão pessoal de algumas premissas ou considerações norteadores, as quais pretendo compartilhar a seguir:
a) Avaliar onde o paciente se encontra no processo de tomada de consciência do seu estado de saúde. Pesquisadores como Kübler-Ross mostraram que confrontar-se com a própria morte é um processo que percorre certas fases, como vimos acima. Há pacientes que precisam de um certo tempo para conseguirem se predispor interiormente para ouvirem a verdade. Seria desumano e um gesto de desamor forçar alguém a se confrontar com uma mensagem, para a qual ele dá sinais de não, ou ainda não, estar em condições de ouvir. Dizer a verdade a um paciente terminal exige muita sensibilidade para descobrir o momento oportuno de fazê-lo. É igualmente importante tentar avaliar corretamente se a pessoa tem, no momento, a estrutura pessoal necessária para ser confrontada com a verdade.
b) Caso o pastor tenha chegado à conclusão de que é desejo do paciente falar com ele a respeito desse assunto (respeitados os pontos c) e d) abaixo mencionados), cabe-lhe descobrir a forma adequada de fazê-lo. Ele precisará sentir e decidir, se é conveniente dizer-lhe toda a verdade no decorrer dum mesmo diálogo, ou se é indicado servi-la em doses menores, em encontros sucessivos. Nesse último caso, convém não demonstrar que ele sabe mais do que está dizendo nesse momento. O pastor poderá dizer que de fato, confirmando a suspeita do paciente, o seu estado de saúde inspira cuidados. Pode sentir com o paciente se este deseja que ele colha mais informações junto ao médico. No encontro seguinte e nos sucessivos vai desvendando paulatinamente toda a verdade. Há pacientes, contudo, que já estão há tanto tempo sendo corroídos interiormente pela suspeita e pela dúvida que desejam saber tudo de vez. Já estão interiormente preparados para o pior e preferem a verdade sem rodeios.
c) O médico é uma pessoa-chave que precisa estar envolvida nesse processo. O pastor não é médico. A ele não cabe fazer diagnósticos sobre o estado de saúde do paciente, nem se aventurar em áreas onde não tem competência. Se o pastor entende que o paciente deseja falar com ele sobre o seu real estado de saúde, deve antes dialogar com o médico para se informar sobre o estado global de saúde do paciente e para se assegurar com ele da conveniência de tocar nesse assunto. É possível que o próprio médico deseje dialogar sobre essa questão com o paciente. Nesse caso, o pastor poderá entrar em conta to com o paciente posteriormente. Pode acontecer que o médico prefira que o pastor seja o mensageiro da má notícia (há médicos que têm a liberdade de admitir sua dificuldade de lidar com a morte e de dialogar sobre ela com seus pacientes). Também é possível que o médico e pastor, juntos, dialoguem com o paciente sobre o seu estado de saúde. Em todo caso, qualquer atitude do pastor deve estar afinada com a do médico. Assim se evitará que o médico e pastor entrem em conflito ou acabem dando informações desencontradas ao paciente. O bom relacionamento entre médico e pastor é essencial para o trato da questão em pauta.
d) Outro elo de relação importante é a família do paciente. Geralmente a família é a primeira a ser informada do estado de saúde do paciente. Esta não raro tem dificuldade de lidar com tal notícia e passa a não saber como se relacionar com o moribundo. Isso tende a aumentar a solidão deste. O pastor tem um papel importante a desempenhar junto aos familiares, seja consolando-os, seja procurando junto com eles uma forma de se relacionarem adequadamente com o paciente. Recentemente falei com uma senhora que, com grande tristeza, me contou que perdeu seu marido há quase 20 anos e que, mesmo tendo-o acompanhado por longos e sofridos meses, jamais deu chance para que seu esposo pudesse tocar no tema morte com ela. Ela se esforçou o tempo todo em transmitir-lhe a impressão de que tudo estava bem com ele. Hoje, ela lamenta o fato: Lhe fui companheira fiel ao longo de toda a vida, mas deixei de sê-lo no momento derradeiro. Por outro lado, sei duma família, cuja mãe estava com câncer e onde o pai e os filhos decidiram, juntos, dialogar com ela sobre a doença e a morte iminente. Esse gesto aproximou muito toda a família, possibilitou que se consolasse mutuamente e que deixassem de sofrer cada um isoladamente. Esse gesto permitiu que as decisões que precisavam ser tomadas, no que diz respeito ao futuro do marido e dos filhos e dos bens materiais, pudessem ser tomadas em conjunto. No seu todo esse fato contribuiu para que o processo de luto, após o falecimento da mãe, pudesse transcorrer de forma mais natural e sadia, sem os frequentes sentimentos de culpa. O aconselhamento pastoral pode contribuir para que o diálogo entre o moribundo e os familiares não seja interrompido, mas intensificado justamente num momento em que a comunicação é mais importante do que nunca.
e) Um problema que freqüentemente assola os familiares e amigos ou mesmo os funcionários do hospital é a dúvida se o paciente sabe ou não sabe a verdade sobre o seu estado de saúde. Essa incerteza faz com que ninguém saiba ao certo como se relacionar com ele. Muitas pessoas passam a ter um cuidado exagerado de não cometer o descuido de revelar algo. Muitos pacientes passam a notar que o tratamento que os outros lhe dispensam não é natural e, a partir disso, passam a desconfiar de que lhe estão ocultando algo. Há pacientes que, para pôr os outros mais à vontade, passam a fazer de conta que de nada sabem. Esse jogo de esconde-esconde recíproco não faz bem a ninguém. Segundo Kübler-Ross, a maioria dos pacientes acaba descobrindo, de um modo ou de outro, o que se passa com eles e, geralmente, dão graças a Deus quando finalmente encontram alguém com quem possam falar a respeito. Isso dispensa o uso de máscaras e abre a possibilidade a que se rompa o círculo da angústia e da solidão. Às vezes, o próprio paciente, geralmente para alívio de uns e de desespero de outros, toma a iniciativa de tocar no assunto. Observa-se então que poucos estão em condições de lidar com tal situação. Os menos preparados passam a contradizer o paciente, dizendo que ele está absolutamente enganado. Há pacientes que optam, por isso, em falar com o seu pastor a respeito. Esperam que este esteja em condições de encarar o fato. Mas, não raro, também este é incapaz de suportar a verdade sem subterfúgios e escapismos. Na medida, porém, em que os pastores se propuseram a encarar as suas próprias dificuldades e temores em relação à morte com honestidade e franqueza, eles também estarão em condições de ajudar outros em tais momentos.
f) Uma premissa importante para um acompanhamento eficaz de uma pessoa à beira da morte é a existência de um relacionamento entre ela e a pessoa do pastor. Falar a alguém sobre a iminência de sua morte requer que haja esse relacionamento anterior ou, pelo menos, a firme disposição de acompanhá-la daí em diante com muito carinho. Constitui-se numa enorme falta de sensibilidade pastoral dizer a uma pessoa que ela está prestes a morrer e depois deixá-la sozinha com essa verdade. Digo isso, porque sei do perigo do pastor em se sentir motivado ou mesmo impelido por familiares a tocar nesse assunto com o moribundo e, posteriormente, por excesso de trabalho ou por resistência interna, deixar de visitá-lo. Quem não é capaz de dar os passos posteriores no acompanhamento a um moribundo é preferível que não dê o primeiro. Há também aqueles pastores que sentem a necessidade de dizer ao paciente que ele está à beira da morte para, em última hora, ainda levá-lo à conversão. Pessoalmente tenho dificuldade com uma tal postura, pois me parece que se pretende tirar proveito da situação angustiosa de alguém para satisfação duma necessidade pessoal do pastor.
Quero concluir dizendo que também o dizer a verdade tem o seu critério definido pelo amor, mais precisamente pelo amor de Jesus Cristo. Como está escrito: Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é o cabeça, Cristo. (Ef 4.15.) E onde nós fracassarmos com o nosso consolo, saibamos que como alguém a quem sua mãe consola, assim o Senhor mesmo os consolará (Is 66.13).
III — Acompanhamento a enlutados
1. Orientação geral: O fato de os membros, mesmo os mais afastados, continuarem procurando o pastor para que este celebre um rito fúnebre não isenta a igreja da responsabilidade de ir além desta forma ritualizada de se fazer presente nesta hora. O ritual do sepultamento é apenas um breve momento. Ele tem uma função importante porém limitada no processo global do luto e do sofrimento que a morte desencadeia. Os subsídios seguintes pretendem servir de ajuda para um assessoramento mais profundo e fraterno a pessoas enlutadas.
Iniciei falando do ritual fúnebre porque, mesmo sendo um momento breve, é uma peça importante no processo de luto e da superação do sofrimento causado pela morte de um ente querido. Além de se constituir numa boa oportunidade de pregação, ele canaliza a emoção do luto para uma forma socialmente reconhecida (Josuttis, p. 203). A celebração ritual dá oportunidade a que o sofrimento e o luto sejam manifestados mais livremente do que em outras ocasiões. Ora, tendo uma função catártica, terá também uma função poimênica.
Uma visita do pastor à família enlutada, horas antes do enterro, tem uma função poimênica importante. Uma vez porque ajuda ao pastor a preparar melhor a sua alocução de enterro, dando-lhe subsídios importantes para dirigir a palavra de maneira adequada à situação específica em que se encontra a família enlutada. Por outra, esta visita pode se transformar numa primeira e valiosa oportunidade para o desabafo de um ou outro membro da família. É necessário que o pastor esteja preparado para essa hipótese e reserve tempo suficiente para isso. Ao falar sobre os dados bibliográficos, sobre a doença do(a) falecido(a) e sobre textos bíblicos ou hinos a serem usados no enterro, a família pode se envolver emocionalmente e sentir o desejo de ter no pastor alguém que a ouça, a entenda e se solidarize com ela na dor. O pastor, no entanto, levado pela pressa e pela preocupação central de recolher subsídios para a sua alocução fúnebre, corre o risco de dar um trato por demais técnicos aos fatos e, assim, desperdiçar uma oportunidade valiosa dum relacionamento poimênico significativo.
. À pastora mais atenta não passarão desapercebidos certos detalhes que se evidenciam na visita e no ritual fúnebre. Refiro-me, por exemplo, à maneira de os familiares se relacionarem uns com os outros, aos eventuais conflitos, aos sentimentos de culpa, às dificuldades financeiras, às preocupações em relação ao futuro do(a) viúvo(a) (especialmente em se tratando de pessoa idosa). Merecem atenção especial as circunstâncias que envolveram a morte. Esta pode ter sido causada por negligência humana ou por fatores estruturais como, por exemplo, insalubridade no emprego, falta de segurança no trabalho, violência policial, etc. É evidente que todas essas questões não poderão ser abordadas adequadamente naquelas poucas horas que antecedem o ritual fúnebre. Muitas vezes esse nem é o momento propício para fazê-lo. A convivência com a família enlutada, mesmo que breve, oferecera pistas e indicações sobre questões que poderão ser retomadas posteriormente. É nesse sentido que destaquei inicialmente o fato de o ritual fúnebre apenas inaugurar o assessoramento pastoral propriamente dito que deverá se seguir depois, em momento mais oportuno.
2. Fases do luto: Assim como estudos especializados mostraram que um moribundo tende a atravessar certas fases no seu processo de morrer, assim também se conseguiu detectar certas fases pelas quais passa uma pessoa enlutada. Fala-se por isso de um processo de luto, ou seja, pode-se distinguir manifestações diferentes de luto em momentos diferentes duma caminhada, respeitadas as características individuais de uma pessoa. As minhas considerações sobre o assunto se baseiam fundamentalmente nos estudos de Y. Spiegel e de R. Lindner.
a) Fase de choque: Muitas vezes a morte colhe as pessoas de surpresa. E mesmo já sendo esperada, quando chega, continua tendo um forte impacto. O choque resulta do confronto direto com a realidade nua e crua da morte. Essa primeira reação de choque pode se manifestar em forma de um grito desesperado ou em forma de uma sensação gélida que passa por todo o corpo (alguns chegam efetivamente a sentir frio). Outras pessoas contam que sentiram a notícia da morte de alguém querido como se tivesse levado uma paulada na cabeça e como se estivessem sendo anestesiados e fossem incapazes de manifestar algum tipo de sentimento. Finalmente outros têm a sensação de que o que estão vendo ou ouvindo não pode ser verdade. Numa reação espontânea, quando confrontados com o corpo do falecido, sentem um forte impulso de querer trazê-lo de volta à vida.
b) Fase controlada: Depois da fase do choque inicial, segue-se uma fase mais controlada, uma espécie de fase intermediária. A pessoa enlutada é desviada e distraída por diversos acontecimentos e fatos que sucedem ao seu redor. Ela tem que pensar numa série de questões que dizem respeito ao enterro. Precisa tomar outras decisões. Há pessoas a sua volta. A cerimônia do enterro tem lugar. É, pois, uma fase de agitação. Os sentimentos são confusos, embora predominante o sentimento de tristeza e de perda. Mas os outros estão aí e o enlutado não chega a se dar conta exatamente do que a morte da pessoa significa para ela. Esta fase termina quando o ritual fúnebre se encerra e quando as pessoas se dispersam.
c) Fase do vazio existencial: Esta é a fase mais importante, mais prolongada e dramática do processo de luto. Ela inicia quando cessa a agitação, os familiares e amigos se foram e quando retorna a rotina do dia-a-dia. Só que o dia-a-dia agora não é mais o mesmo. O sentimento de perda se instala de forma tão forte que parece impossível pensar em outra coisa. Onde quer que se vá e não importa o que se faça, a pessoa falecida está presente. Só agora parece que o enlutado se dá conta do que aconteceu de fato. É a fase na qual ele adquire a consciência real da perda e se apercebe do que o(a) falecido(a) significava para ele. Noites de solidão e de lágrimas se sucedem. Uma frequente idealização da pessoa falecida faz com que a sensação de perda se torne ainda maior. Nesta fase muitos enlutados sentem um grande vazio existencial, sendo possível que lhes sobrevenha o sentimento de perda do sentido da vida. São frequentes os sentimentos de depressão, especialmente entre aqueles que têm uma tendência para isso.
Entre pessoas de fé, não raro se manifesta a sensação de terem sido esquecidas e abandonadas por Deus. Palavras bíblicas que outrora lhes traziam consolo, agora parecem vazias e destituídas de sentido. Alguns cristãos sentem a necessidade de manifestar seu inconformismo e seu protesto contra Deus que permitiu essa desgraça.
Esta é a fase em que o enlutado mais precisa de apoio de familiares, amigos, vizinhos e da solidariedade e do consolo de irmãos e irmãs na fé. Ele precisa sentir que tem pessoas que estão ao seu lado. Nem tanto para lhe darem conselhos, mas para ter com quem compartilhar a sua tristeza ou mesmo o seu protesto. Ele precisa recapitular certas coisas da vida que teve em comum com a pessoa falecida e contar repetidamente certos episódios que para ele estão carregados de emoção. Outros enlutados preferem se recolher em si mesmos e curtir sozinhos a sua tristeza e desolação. Eles dão a impressão de não quererem visitas. Não se deve confundir, todavia, o desejo de não falar com o desejo de não receber visitas. Às vezes o enlutado prefere não falar, mas no fundo ele se alegra ao notar que outros o procuram, nem que seja para silenciar com ele.
d) Fase de readaptação: Esta fase vai surgindo aos poucos, na medida em que o enlutado consegue reorganizara sua vida, reencontrar alegria no trabalho e tomar iniciativas no sentido de ir ao encontro de pessoas e mesmo tomar decisões (p. ex. presentear outros com
as roupas do(a) falecido(a), promover mudanças profissionais ou investir em algo novo, modificar certas coisas na sua própria casa, etc.). Nota-se que o enlutado iniciou um processo de ordenamento do caos interior e que optou pela vida. Só agora que o enlutado se libertou mais interiormente do falecido, ele consegue deixá-lo repousar em paz e ver com mais objetividade o relacionamento que houve entre eles, tanto as facetas positivas como as negativas. Aos poucos o enlutado vai adquirindo a liberdade para, em as circunstâncias o permitindo, entrar em novas ligações afetivas ou de transferir sua afetividade para outros objetos. Trata-se, enfim, de uma readaptação à vida assim como ela é, sem a existência da pessoa falecida.
O falar em fases do luto não deve ser entendido como a pretensão de querer estabelecer um curso padrão que o processo de luto precise percorrer. Cada situação de luto é especial e única. Há muitos fatores que determinam a forma do luto, desde aspectos culturais, até características da personalidade e, não por último, o tipo de relacionamento que houve entre a pessoa falecida e o enlutado. Portanto, quando se fala em quatro fases do luto não se pretende dizer que toda pessoa enlutada precise necessariamente passar por esse processo na forma e na ordem acima descritas. Algumas pessoas podem experimentar quase simultaneamente os sentimentos mencionados. Outras podem num determinado dia ter a sensação de estarem superando a fase aguda do luto e, pouco depois, recai num momento de grande tristeza e angústia.
Mesmo assim, o falar em fases do processo de luto se constitui numa ajuda para quem lida com pessoas enlutadas, pois, conhecendo-se melhor as formas que o prantear pode assumir, é possível relacionar-se com essa pessoa de forma mais adequada e de modo a que ela se sinta melhor compreendida. Conhecendo-se as fases, poder-se-á evitar que se diga ou faça certas coisas num momento inoportuno.
Há um momento certo para todas as coisas debaixo do céu: um tempo de chorar com os que choram, um tempo de silenciar e um tempo de falar, um tempo de abraçar e um tempo de afastar-se do abraço (Eclesiastes 3.1 ss).
3. Questões complementares: O acompanhamento a pessoas enlutadas requer que se tenha presente ainda algumas ou trás questões que abordamos a seguir.
Para que o processo de luto possa ter um desenvolvimento sadio é fundamental que não seja bloqueado, atrapalhado ou reprimido. O pranto precisa ter o espaço necessário para se expressar. O luto que encontra um ambiente de compreensão suficiente para se externar, liberta e desintoxica o interior da pessoa e possibilita um novo começo. Luto reprimido pode ser causa de doenças e de transtornos psíquicos futuros.
Infelizmente a nossa sociedade ocidental, tecnizada e racional, é marcada por uma grande incapacidade de prantear (Mitscherlich). O problema ainda se torna mais agudo em contextos onde o prantear é sinônimo de fraqueza e de infantilidade. Quanto mais as pessoas ascendem na escala social, tanto mais discreta e sofisticada parece tornar-se a forma de manifestar o luto, por exemplo, por ocasião de um ato fúnebre.Óculos escuros e maquilagem abundantes servem para manter a postura e encobrir os verdadeiro sentimentos. Entre as classes populares e rurais a manifestação do luto geralmente é mais espontânea e por isso mais salutar.
Mas também na igreja a livre expressão do luto sofre restrições. Em alguns círculos o pranto e lamentação são considerados expressão de pouca fé. A fé nesse caso funciona como um fator inibidor do luto, mesmo que a Escritura fale abundantemente de pessoas tementes a Deus que expressam livremente diante dele as suas lamentações e até mesmo o seu próprio protesto. Às vezes a própria incapacidade pessoal do pastor em expressar seus sentimentos pode se constituir num fator que o impede de se aproximar de pessoas enlutadas, pois receia perder a postura pastoral e não conter suas emoções.
A intensidade e a forma de expressar o luto também depende da natureza do relacionamento que existia entre a pessoa falecida e os enlutados. Em se tratando de uma pessoa idosa ou de alguém que vinha sofrendo a longo tempo, geralmente já houve a oportunidade de se prantear antecipadamente a possível perda. O luto posterior à morte, nesse caso, costuma ser mais ameno.
Por outro lado, mortes súbitas ou a morte de pessoas que viviam numa relação conflituada com seus familiares geralmente tornam o processo de luto mais difícil. Elas se constituem em terreno fértil para o desenvolvimento de sentimento de culpa ou de desavenças familiares, até porque muitas questões ficaram pendentes. Pode acontecer então que o enlutado se auto-acuse exageradamente por eventuais palavras ofensivas que tenha pronunciado ou pensado, ou se culpe por não ter feito tudo o que estava ao seu alcance para evitar a morte.
Nesse caso o luto poderá se caracterizar por atos de penitencia, tais como, gastar somas exorbitantes com o esquife, com flores e com o túmulo ou fazer visitas quase diárias ao cemitério. São tentativas de satisfazer pós-mortem certos desejos do falecido para compensar eventuais omissões anteriores à sua morte. Psicologicamente, ao lado da necessidade de auto-expiação de culpa, manifesta-se nessa forma de prantear uma espécie de medo de que o falecido pudesse se vingar do enlutado. Esse se empenha ao máximo para lhe agradar e, assim, o pacificar. É inegável que a morte de uma pessoa potência a sua presença entre os enlutados. Em certos casos, a morte faz com que alguém passe a estar mais presente entre os familiares do que estava enquanto vivia!
Os exemplos mencionados indicam que é importante que a pessoa que se propõe a assessorar enlutados seja capaz de distinguir formas sadias de formas doentias de expressão de luto. Merecem atenção especial os casos de pessoas totalmente incapazes de expressar qualquer forma de luto; manifestações histéricas ou por demais demoradas de luto; isolamento total e prolongado do enlutado (indício de depressão); tentativas de suicídio; abandono do trabalho e do contato com amigos.
Há, por outro lado, circunstâncias que favorecem um processo de luto particularmente doloroso como, por exemplo, a perda de diversos familiares simultaneamente ou num curto espaço de tempo, morte por suicídio, morte de criança, uma relação de extrema dependência da pessoa falecida. Esses casos merecem uma atenção especial por parte da pastora e da comunidade. Dependendo da gravidade do quadro, é recomendável que se intermedeie o auxílio de pessoas especializadas no assunto (psicoterapia).
Resta-me fazer três observações conclusivas:
a) A poimênica tem na fé cristã, na Bíblia e na oração uma fonte inestimável e inesgotável de recursos para ajudar pessoas enlutadas. Quem abre a Bíblia com o auxílio duma chave bíblica, se surpreendera com o elevado número de passagens que tematizam conceitos como sofrimento, lágrimas, pranto, lamentação, etc. É importante que a pastora ou outra pessoa que, em nome da comunidade cristã, se acerca de um enlutado, seja capaz de transmitir o conforto que esses textos bíblicos oferecem, não de uma forma mecânica, mas efetivamente imbuída do espírito que está contido nessas palavras.
A fé cristã e a poimênica vivem da esperança de que, em Cristo, cruz e sofrimento não terão a última palavra. O cristão que sofre o faz com o olhar fito naquele que, sofrendo, superou o sofrimento e com isso mudou o significado do luto e do pranto humanos. Tudo está na perspectiva da esperança na promessa daquele que diz: Eu enxugarei dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras cousas passaram. (Apocalipse 21.4)
b) Quando a morte é consequência da idade avançada, de doença incurável, enfim, de circunstâncias inerentes às limitações da natureza humana, cabe à poimênica junto a enlutados uma postura de consolo. Há casos, contudo, em que a morte tem causas estruturais ou resulta de situações de flagrante injustiça sofrida pela vítima. Penso, por exemplo, na falta de atendimento médico adequado por parte de órgãos públicos (INAMPS) ou particulares, nas condições desumanas de trabalho e segurança, nas mortes que resultam de violência sofrida. Nesse casos a poimênica precisa ir além do mero consolo aos enlutados, — ainda que esse continue sendo importante. Ela precisa assumir também a forma de denuncia da maneira e no momento adequados. Só assim se evitará o risco de conferir à poimênica uma função estabilizadora de estruturas injustas. A poimênica seria desvirtuada, se ela se limitasse a contribuir para que os enlutados se conformassem com o seu destino ou se os firmasse na convicção de que a morte injusta é vontade de Deus. A poimênica pode contribuir para que o sofrimento dos enlutados se transforme numa semente salutar de inconformismo que une o povo de Deus na luta pela superação de situações que garam a morte e o luto.
c) A pastora não precisa e não deve pretender assumir sozinha o ministério da visitação e do acompanhamento aos enlutados. Além de sobrecarregá-la, essa atitude representaria um desprezo do potencial terapêutico da própria comunidade cristã. Pessoas que pessoalmente passaram pela experiência de luto aprendem a compreender e a acompanhar outras pessoas enlutadas. Muitas vezes elas estão dispostas a isso, desde que se lhes dê uma verdadeira oportunidade de fazê-lo. Cabe à pastora ficar atenta aos dons e à disposição dos membros em desenvolver uma pastoral de enlutados dentro da comunidade.
Uma das formas de despertar a participação da comunidade é a organização de encontros para treinamento de visitadores(as). Paralelamente a isso pode-se organizar uma escala de visitação a famílias enlutadas. Outra forma de implementar uma pastoral de enlutados é a organização de grupos regulares ou de retiros de pessoas enlutadas na comunidade, onde elas possam compartilhar e se amparar mutuamente na dor. O fundamental é que tudo o que se faz nessa direção não seja entendido como uma ajuda que a comunidade oferece à pastora. O ministério é de toda a comunidade. Por isso, o que ela faz não é ajudar à pastora. Antes, pelo contrário, é a pastora que ajuda à comunidade a desempenhar fielmente o seu ministério.
Lothar Hoch

IV - Bibliografia
BECHER, W. & LINDNER, R. Begleitung Sterbender. Studienbríefe (Série Seelsorge), S. 3, Stuttgart, 1975,16 p.
BOWERS, Margaretta et alii.Die Wahrheit am Krankenbett. In: Wie können wir Sterbenden beistehen, 3. ed. München/Mainz, Kaiser/Grünewald, 1971, p. 103-121.
CLINEBELL, Howard. Poimênica e aconselhamento em casos de perda pessoal. In: Aconselhamento Pastoral. São Leopoldo/São Paulo, Ed. Sinodal/Ed. Paulinas, 1987, cap. 9, p. 211-234.
COLLINS, Gary. Luto. In: Aconselhamento Cristão. São Paulo, Edições Vida Nova, 1985, cap. 27, p. 342-355.
D'ASSUMPCÃO, Evaldo et alii. Morte e Suicídio. Uma abordagem multidisciplinar. Petrópolis, Vozes, 1984, 237 p.
HOCH, Lothar C. Algumas considerações teológicas e práticas sobre a pastoral de aconselhamento. Estudos Teológicas, São Leopoldo,20(2): 88-99, 1980.
JOSUTTIS, Manfred. A realização do sepultamento. In: Prática do Evangelho entre política e religião. 2. ed. São Leopoldo, Ed. Sinodal, 1982, cap. 8, p. 199-219.
JÜNGEL, Eberhard. Morte. 2. ed. São Leopoldo, Ed. Sinodal, 1980, 95 p.
KÜBLER-ROSS, Elisabeth. Sobre a morte e o morrer. 2. ed. São Paulo, Martins Fontes, 1985, 290 p.
LINDNER, Reinhold. Begleitung Trauernder. Studienbriefe (Série Seelsorge), S 4, Stuttgart, 1975, 16 p.
LUTERO, Martinho. Um sermão sobre a preparação para a morte. In: Obras Selecionadas, v. 1. São Leopoldo/Porto Alegre, Ed. Sinodal/Concórdia Ed., 1987, p. 385-398.
PIPER, Hans-Christoph. Gesprächsanalysen. Göttingen, Vandenhoeck & Ruprecht, 1973, p. 31-37 e 63-69.
SPIEGEL, Yorick. Der Prozess des Trauerns. München/Mainz, Kaiser/Grünewald, 1973, 323 p.
SPIEGEL, Yorick. Der Prozess der Trauer. In: RIESS, Richard, ed. Perspektiven der Pastoralpsychologie. Göttingen, Vandenhoeck & Ruprecht, 1974, p. 48-62.
THILO, Hans-Joachim. Das Gespräch anlässlich einer Beerdigung und der Gottesdienst zur Bestattung. In:Beratende Seelsorge. Göttingen, Vandenhoeck & Ruprecht, 1971, cap. 5, p. 195-233.
VELKD. Sterbende begleiten. Lahr, Verlag Ernst Kaufmann, 1983, 16 p.
WESTBERG, Granger. No dia da angústia. São Leopoldo, Ed. Sinodal, 1980, 48 p.82.

In Proclamar Libertação – Suplemento 2
Editora Sinodal e Escola Superior de Teologia

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Sugestões de textos para a ocasião de sepultamento

Textos de caráter geral


Gênesis 3.19
5.24
12.1
47.9
49.18
I Reis 2.2
19.4
I Crônicas 29.15
Jó 7.6
9.25-26
12.9-10
14.1-2
16.22
19.25
Salmos 4.8
9.13
16.6
17.15
23.4
27.1
31.5
31.14-15
34.22
39.4
39.5
39.7
39.13
49.15
56.13
62.1-2
68.20
73.25-26
73.28
90.1-2
90.12
102.11-12
103.15-16
116.7-8
118.17
119.92
126.5
Provérbios 10.28
12.28
Eclesiastes 7.2
12.7
12.13-14
Isaías 25.8
33.20-24
35.10
38.1
54.10
57.1
61.10
Jeremias 10.19
31.3
Lamentações 3.26
3.31-32
Mateus 4.16
5.6
5.8
6.10
7.13-14
11.28-29
13.43
16.26
22.32
24.13
24.42
25.34
Marcos 12.17
Lucas 7.13
12.35
12.37
12.48
13.24
14.15
15.10
16.19-31
19.10
23.43
João 3.16
5.24
6.40
8.51
9.4
10.27-28
11.11
11.25-26
14.2-3
14.6
14.19
16.22
17.24
Atos 4.12
7.55
Romanos 2.6
5.1-2
6.23
8.1
8.16-17
8.28
8.30-39
14.8
1 Coríntios 2.9
15.22
15.26
15.42-44
15.55-57
2Coríntios 1.3-4
5.1
5.8
5.10
Efésios 2.8
Filipenses 1.21
2.12
3.20-21
1 Tessalonicenses 4.13
5.9-10
2 Tessalonicenses 2.16-17
1 Timóteo 1.15
2 Timóteo 1.10
1.12
2.11-12
Hebreus 4.1
4.3
4.9-11
7.25
9.27
10.39
12.22
13.14
Tiago 4.14
1Pedro 1.8-9
1.24-25
2 Pedro 3.13
1 João 2.17
3.2
5.12
Apocalipse 1.17-18
3.5
19.9
22.12
Em caso de morte repentina
Gênesis 4.10 (homicida)
 18.25
1 Samuel 3.18
2 Samuel 15.26
 23.5
2 Reis 20.1
Jó 1.21
 12.10
 13.15
 14.1
 34.20
Salmos 39.9
 46.10
 73.16
 97.1-2
 102.23
 103.15-16
 145.14
Provérbios 27.10
Isaías 10.3
 38.15
 55.8-9
Jeremias 9.23-24
Lamentações 1.12
 1.20 ( tempo de guerra)
Oséias 4.1-2
 6.1
Amós 3.6
Mateus 6.10
 25.10
 25.13
Lucas 12.37
 13.4-5
 21.34
João 13.7
 21.22
Romanos 11.33-34
 14.7-8
1 Coríntios 13.12
Efésios 5.15-16
Hebreus 13.15
Tiago 4.13-14
Apocalipse 14.13

Após longo sofrimento
Jó 3.20-22
 5.17
Salmos 6.2-4
 16.6
 17.15
 18.28
 23.4
 30.11-12
 31.14-15
 31.24
 34.12
 34.19
 38.10
 38.15
 38.22
 42.2
 42.5
 50.15
 68.19-20
 71.20-21
 73.26-28
 119.15
 119.71
 126.5-6
 130.5
Isaías 3.15
Lamentações 3.22-24
 3.26
Mateus 5.12
 26.39
Lucas 21.19
 23.43
João 16.22
Atos 14.22
Romanos 5.3-5
 8.18
1 Coríntios 10.13
2 Timóteo 2.3
 4.7-8
Hebreus 4.9
 11.16
 12.7
 12.11
Tiago 1.12
 5.11
Apocalipse 2.10
 3.11
 7.13-17
 21.4
Para pais de família
Gênesis 48.21
 50.21
1 Reis 2.2-3
Salmos 9.9-10
 10.14
 27.10
 39.9
 46.10
 50.15
 68.5
 70.5
 72.12-13
 103.13
 118.8
 146.8-9
Provérbios 20.7
Isaías 28.29
 41.13
 63.16
 66.13
Jeremias 31.9
Lamentações 3.25
 3.27
 3.33
 5.15-16
Mateus 10.37
João 14.18
 16.22
 17.9
Atos 21.13-14
Romanos 8.31
1 Coríntios 10.13
2 Coríntios 5.8
1 Pedro 5.7
Para pessoas idosas
Gênesis 15.15
 25.8
Deuteronômio 34.5-7
Josué 23.14
1 Reis 19.4
Jó 5.26
 42.17
Salmos 71.9
 71.18
 73.24
 90.10
 91.16
Provérbios 17.6
Mateus 20.8
Lucas 2.19-30
Filipenses 1.23
Hebreus 4.9
 11.13

Para jovens
Gênesis 22.2
2 Samuel 1.26
 19.34
Salmos 25.7
 90.5-6
 102.23
 102.24
 103.15-16
 119.9
Provérbios 23.26
Eclesiastes 11.9
 12.1
Isaías 40.30-31
 55.8
Mateus 5.8
Lucas 7.11-17
 10.42
João 11.21
I João 2.14-15
Para Crianças
Gênesis 37.35
 42.36
 45.5
1 Samuel 1.27-28
 3.18
2 Samuel 12.23
 18.33
2 Reis 4.26
Jó 1.21
 14.1-2
Salmos 16.6
 42.11
 46.1
 119.19
 119.75-76
 12.2
 127.3
Eclesiastes 7.1
Isaías 40.11
 49.15
Jeremias 29.11
 31.3
 31.16
 31.17
Ezequiel 24.16
Zacarias 8.5
Mateus 6.10
 9.24
 10.37
 18.2
 18.3
 18.10
 18.14 (para criança não batizada)
Marcos 5.39
 10.14
 10.15
 10.16
Lucas 1.66 (para criança não batizada)
 7.13
João 6.39 (para criança não batizada)
 10.11
 10.27-28
 13.7
 14.1
 14.2
Romanos 9.20
Efésios 3.14-15
2 Timóteo 3.14-15
Hebreus 12.6
 12.11
1 Pedro 1.24
 5.7
Apocalipse 7.16
Para suicidas, acidentes e casos dúbios
Gênesis 4.10
 9.6
Êxodo 20.2-3
Deuteronômio 32.29
2 Samuel 18.33
Salmos 55.22
 119.92
 130.3-4
 139.23-24
Provérbios 14.12
 14.34
Isaías 59.1-2
Jeremias 14.7
Lamentações 3.39-40
Mateus 6.13
 7.1
 15.19-20
Marcos 14.38
Lucas 22.31-32
 23.34
João 12.35
Romanos 6.23
1 Coríntios 10.12
Gálatas 6.1
 6.7-8
Hebreus 3.13
Tiago 1.13-14
 4.7-8
1 Pedro 2.11