Mostrando postagens com marcador reflexão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador reflexão. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Somos representantes da firma Deus Pai e Jesus o Filho


Somos representantes da firma Deus Pai e Jesus o Filho

Um rapaz entrou em eu escritório, avançando logo, apresentando-me o seu cartão. Puxei uma cadeira, olhando ao mesmo tempo para o cartão, no qual lia: “Fulano & Cia., São Paulo”. Só conhecia a casa pela sua fama e a considerava como uma das melhores. Por isto, de relance, observei o seu representante. Bastou-me notar o terno amassado, camisa suja, cabelos despenteados e gravata mal posta, para compreender o fracasso. Porém, achei ainda mais estranha a maneira com que começou a apresentar os méritos das mercadorias da casa. Parecia apreensivo de ser surpreendido em flagrante.
Por certo, perdi todo o desejo que tinha de ver as amostras. Podiam ser melhores do que as de qualquer outra casa, mas este representante não me convencia. Por isto, apressadamente lhe expliquei que estava satisfeito com a casa onde comprava, e que não queria trocá-la por outra. Com poucas palavras mais, retirou-se, aparentemente alegre por te findo uma missão desagradável.
Depois que saiu, fiquei meditando: Por que será que uma casa como a de Fulano & Cia. deixa um moço, mal vestido e envergonhado com a mercadoria, ser seu representante?
“Mas, este moço deve orgulhar-se com a felicidade de representar tal casa. Sei que o faria”; disse com ênfase.
“Então porque não o fazes?” disse uma voz. Olhei em redor, admirado, mas não havia ninguém no escritório.
“Porque não o fazes?” repetia a voz, calmamente.
“Mas, o faço, ou faria, se estivesse no lugar dele”, insisti.
“Não, não o farias. Estás representando uma Casa infinitamente melhor do que a de Fulano & Cia., porém envergonhas-te dela”
“Enganas-te mesmo”, persisti.
“Não, sei que não me engano. Pensa um pouco. Estás lembrado de ontem, quando saías de casa como te sentias envergonhado com o livro de amostras, que resolveste não levar?”
De repente, me lembrei: sim, tinha deixado a minha Bíblia, em casa, porque não queria que alguém me visse levá-la à igreja.
A voz continuou: “Também, estás lembrado de que experimentaste interessar um conhecido a comprar da Casa que representas, e como ficastes envergonhado a entrar no assunto? Como falavas em voz baixa para que outros não ouvissem e sentiste grande alivio quando findaste? Podias esperar outra coisa a não ser que ele não comprasse?”

Fiquei humilhado e não pude responder, era verdade. O pastor pedira no domingo anterior que cada crente convidasse um conhecido a alistar-se ao exército do Senhor. Resolvi convidar um vizinho a assistir ao culto. É verdade que me aproximei dele, sem coragem, receando que zombasse de mim; ele se desculpou sorrindo. Vi, então, que eu era o representante da Casa de maior confiança e mais gloriosa do Universo e que me envergonhei dela. Resolvi, desde então, representá-la fiel e dignamente, com o auxílio divino, a Cia. Deus Pai e Jesus o Filho.

Orlando Boyer, no livro Esforça-te para Ganhar Almas (CPAD).

domingo, 31 de dezembro de 2017

Sugestão de receita para um ano inteiro de paz e felicidade


Familienkalender 2014, página 97 (via Portal Luteranos)
Tomem-se 12 meses. Limpem-se os mesmos completamente de amargura, avareza, pedantismo e medo. Então se divida cada um dos meses em 30 ou 31 porções, de modo que o estoque dure exatamente para um ano.
Prepare-se a receita com:
• Uma parte de trabalho e duas partes de alegria e humor.
• Acrescentem-se 3 colheres de sopa bem cheias de otimismo,
• 1 colher de chá de tolerância,
• 1 grãozinho de ironia e 1 pitada de delicadeza.
Por fim deite-se sobre a massa 1 generosa calda de amor. Enfeite-se o prato com ramalhetes de pequenas gentilezas.
Sirva-se com uma deliciosa xícara de chá (ou outra bebida à escolha, conforme o gosto).
Deus, que tem sido tão gracioso comigo desde a minha infância, por certo escolherá um lugarzinho para mim, onde posso concluir os meus dias em
paz e satisfeita.
– Eu me alegro com a vida,
– Não procuro espinhos,
– Lambisco as pequenas alegrias.
– Se as portas por que tenho de passar são baixas, eu me curvo.
– Se for possível tirar a pedra do caminho, eu o faço;
– Se a pedra for pesada demais, eu a circundo.
– E assim a cada dia encontro algo com que me alegrar.
E a pedra angular, a fé em Deus, esta traz alegria ao meu coração e faz o meu semblante feliz.
Texto atribuído a Catharina Elisabeth Goethe (1731-1808),
mãe do poeta Johann Wolfgang von Goethe,
tradução P. Dr. Osmar Zizemer

domingo, 17 de dezembro de 2017

Antologia de Poesia Missionária #3: Ferramenta de mobilização e promoção missionária para download


   “A poesia é o idioma mais destilado e mais poderoso”, asseverou a poeta americana Rita Dove, ciente de que a poesia é a melhor maneira de comunicar, e comunicar com grandeza, a verdade. E isto é o que uma heterogênea coletividade de poetas cristãos faz, com rara felicidade, nas linhas aqui coligidas: empregam sua lírica para versejar sobre a mais sublime das tarefas dada a um homem – comunicar a tempo e fora de tempo a Verdade, a Boa-nova de Cristo, e Seu poema escrito em sangue naquele rude madeiro. Sim, trabalhar em Deus e por Deus para a obra de salvação dos demais: sobre tal tarefa e sobre aqueles que a executam se desenvolvem estes versos.
        A produção de grandes poetas de saudosa memória como Mário Barreto França, Mirthes Matias, Jonathas Braga e Celso Diniz une-se à de poetas de agora, colaboradores que gentilmente enviaram seus textos para esta seleta. Além de autores pátrios, contamos com textos de autores de todo o mundo, alguns traduzidos especialmente para esta obra, caso, dentre outros, dos poemas do exemplar missionário e verdadeiro herói da fé dos tempos modernos, Charles Studd; de Sarah Judson, segunda esposa do insigne Adoniran Judson, e do pastor e grande promotor missionário porto-riquenho Luis M. Ortiz. E ainda coligimos textos anônimos, alguns cujo conteúdo adaptamos para vestir-lhes de conotação missionária.
        Mas esta é também uma seleta de frases. Sim, muitas: são 48 páginas de frases sobre a missão da igreja, colhidas em livros, revistas, artigos e ainda por nós traduzidas diretamente do inglês e do espanhol. E ao lado dessas frases escritas ou proferidas eminentemente em contexto eclesiástico/missiológico, por aqueles que promovem, sustentam, pensam e fazem a Missão, reunimos também frases motivacionais de origem diversa, tudo isso com o objetivo de ferramentar a igreja para o cumprimento de sua razão de ser terrena, a qual seja, proclamar a cada povo, língua e nação a boa nova de Cristo.
        Assim, após diligente esforço apresentamos aos leitores esta seleta, neste algo inusitado formato de almanaque literário, já consagrado no primeiro e no segundo volumes desta iniciativa, e cujo motivo de ser e conteúdos visam acima de tudo a despertar e avivar o ímpeto missionário de cada cristão e igreja ao seu alcance.
        Compartilhe esta obra e seus textos das formas que lhe parecerem oportunas, pois os campos branquejam e os segadores permanecem ainda poucos em face da gigantesca seara, cujos meandros de mais difícil e inseguro acesso esperam a manifestação dos filhos de Deus.

      Não temos opção outra senão avançar, até que Ele venha! Maranata!
Sammis Reachers, editor

Para baixar o livro pelo site Google Drive, CLIQUE AQUI.
Para baixar o livro pelo site Scribd, CLIQUE AQUI.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Textos de Lutero: Morrer em paz



Leia em sua Bíblia: Lucas 2.20-32
Simeão tomou o menino nos braços e louvou a Deus”. (v. 28)

O inocente Rei e Sacerdote jaz sob a lei; o Senhor se torna escravo e servo de todos nós; queira Deus que vejamos esse Rei com a mesma fé que teve o santo Simeão.
Esse homem idoso tomou a criança em seus braços, alegrou-se e seu coração se renovou nessa imensa alegria; alegrou-se tanto que não conseguiu nem escreve nem falar. Pois, vendo essa criancinha, foi o seguinte que passou em seu coração: tenho em meus braços uma pequena criança, de apenas seis semanas, desconhecida do mundo; no entanto, é o verdadeiro Salvador, o verdadeiro Tesouro que há muito esperava. Nem príncipe, nem imperador, nem rei repararia neste criança. Seu coração, porém, que a conhecia muito bem, alegrou-se tanto que ninguém se admiraria se tivesse morrido de alegria. Pois seu desejo foi cumprido de tal modo que não apenas pôde ver a criança, mas também pôde tomá-la nos braços. Essa alegria o faz dizer:
Este é o tesouro que alegra e me torna a morte amena. Vejam o que se passa no coração desse ancião. Ele sabe que chegou a hora da morte e quer partir em paz. Essa é a grande palavra, cheia de conforto, palavra maravilhosa – morrer alegre e em paz. De onde consegue uma morte agradável assim? Isso provém unicamente da criança. Quem já viu uma morte assim? Repare-se naqueles que confiam nas obras – será que também morrem em paz?



 

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Textos de Lutero: Porque na mão do Senhor há um cálice



Leia em sua Bíblia: Salmo 75
Porque na mão do Senhor há um cálice, cujo vinho espuma, cheio de mistura; dele, dá a beber; sorvem-nos até as escórias, todos os ímpios da terra”. (v. 8)

Deus jamais abandona os seus a ponto de não lhes mostrar nesta vida como ele se comisera deles. Assim, Davi foi expulso de seu reino e, novamente, empossado. O rei Ezequias adoeceu mortalmente e, depois, recobrou a saúde. O povo judeu, disperso entre os povos pagãos, retornará a sua pátria. Mas nesse ponto também tem seu lugar a fé que espera por socorro. Pois a ajuda não está sempre à mão quando dela necessitamos ou a desejamos. É verdade, nada mais maravilhoso haveria no céu e na terra do que a palavra sem a cruz. No entanto, esse gozo não duraria muito, visto que a natureza não suporta por muito tempo a alegria e o gozo. Assim, já diz o provérbio: “O homem suporta tudo, menos dias bons; hão que ser pernas fortes as que suportam dias bons”. Por essa razão, também apimentou um pouco esse doce e amável tesouro, e lhe deu um gostinho picante de vinagre e mirra, para que não enjoemos dele. Pois, “azedo dá apetite”, diz o adágio. Do mesmo modo, os incômodos da vida fazem com que o coração seja tanto mais alegre e radiante e tenha cada vez mais sede desse tesouro. Pois seu poder se sente e se reconhece na medida em que se busca consolar o coração em Deus. Assim, diz um salmo: a palavra é um vinho puro que embriaga a alma; no entanto, ainda vem misturado com sofrimento, para conservar o apetite.

 

domingo, 22 de outubro de 2017

LIDERANÇA 2D: O que o LÍDER espera dos líderes - E-book para download


Travei conhecimento com o irmão Quissindo, natural de Gabela, província de Kuanza Sul / Angola, há pouco tempo atrás. Servindo a Deus em sua actual cidade residente, Huambo, em Angola, Quissindo, paralelamente ao seu trabalho como obreiro / cooperador na Igreja Assembleia de Deus Pentecostal, Ministério Maranata / Huambo, tem escrito alguns textos e estudos que solicitam nossa especial atenção, para os quais tem buscado oportunidades de publicação.
Neste breve texto, o autor traça um panorama da liderança a partir do modelo crístico. Liderança não opõem, propõem – liderar é mostrar o caminho certo, é lecionar mais do que ordenar, é dar o exemplo e confiar, propõe Quissindo, pondo ênfase na interface 2D (ou seja, em duas dimensões) entre os líderes (nós, homens) e o Líder, nosso supremo Senhor e Deus – interface que, se rompida, compromete todo o projeto diretivo de Deus para o indivíduo e para a Sua igreja.

Em tempos de inversão de valores e posições, onde homens arrogam-se autoridade que nem merecem e nem lhes foi pelos céus outorgada; onde homens de toda estatura escolhem de si mesmos como servir e o que fazer ou não, pois tantos e tantos afazeres e serviços se lhes afiguram indignos de sua alta pessoa, o opúsculo de Quissindo, que além de escritor tem vocação missionária, vem nos chamar à realidade e nos recolocar nos trilhos da correta reflexão sobre nossa missão enquanto servos de Cristo, quer atuemos como líderes*ou*liderados.                                                                                                                      ---------------------Sammis Reachers, editor

Para baixar o e-book pelo site Google Drive, CLIQUE AQUI.
Para baixar o livro pelo site Scribd, CLIQUE AQUI.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

As Virtudes Teologais reunidas em livro de citações - Amor, Esperança e Fé


      Amor (ou caridade), Esperança e Fé: As três principais virtudes cristãs, conforme arroladas pelo apóstolo Paulo no décimo terceiro capítulo da Primeira Carta aos Coríntios, um dos ou talvez mesmo o mais belo capítulo de todo o Novo Testamento. Os católicos chamam-nas de virtudes teologais, que seriam infundidas por Deus no homem, e cuja ação é complementada pelas virtudes cardinais (prudência, justiça, fortaleza e temperança).
      Este pequeno e-book surge por ocasião das comemorações dos 500 anos da Reforma Protestante, deflagrada pelo monge agostiniano Martinho Lutero. Nesta breve seleta, reunimos nada menos que setecentas e cinquenta citações, duzentas e cinquenta abarcando cada uma das virtudes. São textos notadamente de autores cristãos (reformados e de outras vertentes), mas não somente; autores de outras confissões religiosas aqui comparecem, e mesmo agnósticos e livres pensadores os mais diversos, contribuindo para o entendimento e a reflexão plurais sobre tais temas de infindável profundidade. Assim, mesmo focado na seara cristã, esta pequena antologia é de valia para todo tipo de leitor, todo aquele que tem sua atenção capturada pelo mundo das ideias.
      “Mas, as virtudes teologais: o que tem isso a ver com a Reforma?”, perguntará o leitor mais desatento. E que foi a Reforma, senão um retorno ou esforço de retorno aos fundamentos da fé cristã uma vez perdidos ou obnubilados? Anseio desesperado de tornar às bases e raízes que foram amortecidas ou banidas em troca de conceitos débeis e prostituídos? Se assim entendermos, percebemos que nada há de mais basilar em nossa crença do que o consórcio destas três virtudes capitais. São elas que garantem a simplicidade revolucionária da mensagem dAquele que se ofereceu na cruz.
      Como editor e antologista, esta é minha singela forma de celebrar o reempoderamento da verdade manifesta no entendimento do suficiente poder salvífico da fé, herança maior da Reforma. E também um presente aos leitores.
      Entendo a fé como certeza alicerçante, base de todas as bases, chão do ente feito à imagem de Deus. A esperança é uma rebelião contra um status, revolta primeva e perene contra uma maldição herdada no Éden, que seja, a morte (Gn 3). Esperança é rebelião contra a Queda, contra a sua consequência: Deus puniu e não há recuo, mas ainda assim Deus encontrará em amor uma forma de nos remir. E o elo de tudo, o amor, ah... como escrevi algures, prefaciando o livro de um amigo: Este mistério fundacional da espécie [e do cosmos], a um tempo barco e co-navegante com o Homem sobre o mar do Tempo, esta magna transcendência que desvela o motivo de ser do próprio Universo, o Amor é âmago e imago (imagem) das razões de Deus.  
      Que esta pequena seleta seja de proveitosa e edificante leitura a você, amigo leitor.  Mais que um livro a ser lido, nosso esforço foi para tornar este pequenino volume um livro a ser revisitado.

Sammis Reachers, editor

Para baixar o livro pelo Google Drive, CLIQUE AQUI.
Para baixar o livro pelo Scribd, CLIQUE AQUI.
Para baixar o livro pelo Slideshare, CLIQUE AQUI.
Para baixar o livro pelo 4Shared, CLIQUE AQUI.

Colabore conosco, repassando este e-book para seus amigos e contatos. Você pode ainda disponibilizá-lo para download (sempre gratuitamente) a partir de seu site ou blog. E caso não consiga realizar o download, e queira receber o arquivo por e-mail, escreva para: sreachers@gmail.com

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Textos de Lutero: Subiste às alturas, levaste cativo o cativeiro


Leia em sua Bíblia: Salmo 68.1-18
Subiste às alturas, levaste cativo o cativeiro; recebeste homens por dádivas, até mesmo rebeldes, para que o Senhor Deus habite no meio deles”. (v. 18)

Cristo venceu e prendeu morte e pecado, de modo que já não podem governar nem vencer sobre nós como faziam antes. Diariamente, Cristo os julga e condena pelo evangelho, como os que não têm poder sobre nós. Eles já estão no fim e logo se acabarão.
Cristo se voltou contra o muito poderoso herói e gigante que o desafiou na luta: a lei. Quando ressuscitou dos mortos, Cristo o derrotou. Nosso pecado está amarrado com laços e está preso. O pecado gostaria de ser solto e andar livremente. Mas contra isso temos que lutar. Quando, pois, o diabo quer entristecer a você e tirar-lhe a fé, busque novas forças na fé, defenda-se corajosamente e responda: Vá embora, Satanás, e cale a boca. Meu Senhor Jesus Cristo que me salvou, vive.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Textos de Lutero: Ele é como a árvore



Leia em sua Bíblia: Salmo 1
Ele é como a árvore que no devido tempo dá o seu fruto”. (v. 3)

Que jóia de palavra amável! Com ela, confirma-se a liberdade da justiça cristã. Os ateus supersticiosos têm seus dias certos, suas épocas determinadas, as obras ordenadas e lugares escolhidos aos quais estão escravizados de tal forma que não se deixam separar deles, ainda que seu próximo morra de fome. Esse homem bem-aventurado do salmo, porém, é livre e disposto a toda hora, a toda obra, em toda parte, para com qualquer pessoa; sem qualquer situação que apareça, ele serve, e o que lhe aparecer, ele o faz. Mas é nada especial e nem quer sê-lo. Traz o seu fruto a seu tempo, ambos os frutos – em relação a Deus, sempre que o momento o exige, e em relação aos homens, sempre que necessitem de seu serviço e esforço. Por essa razão, também seu fruto não tem nome, nem ele próprio tem nome; igualmente, suas correntes de água não têm nome; e assim não serve a uma só pessoa, apenas em determinada época, nem em lugar especial, nem com uma só obra, mas serve a todos, em toda parte e em todas as coisas, e é, de fato, um homem disposto a toda hora para todo e qualquer serviço a toda e qualquer pessoa, quando, para que e como se necessita dele e, segundo a imagem de Deus, ele é tudo e sobre todas as coisas.


sábado, 26 de agosto de 2017

O "eu" e a Cruz - Diversos autores refletem sobre o tema


O «eu» e a Cruz
Diversos autores da história da Igreja têm escrito sobre as características
e o lugar que corresponde ao «eu» na vida cristã. Eis aqui alguns textos escolhidos
.


O ídolo maligno
Oh! que dor e que morte é para a minha natureza, transformar-me, a mim mesmo – a minha concupiscência, o meu bem-estar, a minha reputação– até o «meu Senhor, meu Salvador, meu Rei e meu Deus», até a vontade do meu Senhor, a graça do meu Senhor!
Mas, ai de mim! Esse ídolo, essa indômita criatura, EU MESMO sou o ídolo-mestre, diante do qual todos nos inclinamos. O que impulsionou Eva a apressar-se impetuosamente para comer o fruto proibido, senão aquela horrível coisa que é o seu EU? O que levou aquele irmão assassino a matar Abel senão o seu indomável EU? Quem induziu aquele velho mundo a corromper os seus caminhos? Quem, senão ELES MESMOS e os seus próprios prazeres? Qual foi a causa para Salomão cair na idolatria e na multiplicação de esposas estranhas? Qual foi a causa senão o seu EU, a quem ele preferia agradar em vez de a Deus? Qual foi o anzol que agarrou Davi e o forçou ao adultério, senão o seu DESEJO PRÓPRIO? E depois no assassinato, a não ser a sua PRÓPRIA REPUTAÇÃO e a sua PRÓPRIA HONRA? O que levou Pedro a negar o seu Senhor? Não foi uma parte do seu EU e do seu AMOR PRÓPRIO por autopreservação? O que fez a Judas vender o seu Mestre por trinta moedas de prata, a não ser a idolatria do avarento EU? O que fez Demas sair do caminho do Evangelho para abraçar este mundo? Outra vez o AMOR PRÓPRIO e um amor pelo PRÓPRIO LUCRO.
Todos os homens acusam ao maligno pelos seus pecados, mas o grande maligno, o mal interno de todo homem, o mal interno que reside no seio de todo homem é aquele ídolo que tudo mata, o EU! Bem-aventurados são aqueles que podem negar-se a si mesmos, e pôr a Cristo em lugar do EU! Oh! que doce frase: «Já não vivo eu, mas Cristo vive em mim»!
Samuel Rutherford, teólogo presbiteriano escocês (1600-1661)

O que é estar interiormente crucificado?
O que é estar interiormente crucificado? É não ter nenhum desejo, nenhum propósito, nenhuma meta, senão aquela que vem por inspiração divina, ou recebe aprovação divina. Ser crucificado interiormente é cessar de amar a Mamón, para poder amar a Deus; é não ter nenhum olho nos aplausos do mundo, nenhuma língua para as conversações ambiciosas e inúteis, nenhum medo da oposição do mundo. Ser crucificado interiormente é ser, entre as coisas deste mundo «um estrangeiro e peregrino»; separado do que é mau, em comunhão com o que é bom, mas nunca de maneira idólatra; vendo a Deus em todas as coisas e todas as coisas em Deus. Ser crucificado interiormente é, na linguagem de Tauler, «cessar completamente a vida do eu, abandonar igualmente o que vemos e o que possuímos –o nosso poder, o nosso conhecimento e os nossos afetos– para que assim, a alma, com respeito a qualquer ação originada em si mesmo, seja sem vida, sem ação, sem poder, e receba a vida, a ação e o poder somente de Deus».
Thomas C. Upham, teólogo do movimento de santidade americana (1799-1872).

O reconhecimento de um fato
Deus nada espera do eu, mas que ele seja crucificado, o que judicialmente já aconteceu. Como cristãos, nós não somos chamados a morrer para o pecado; mas a reconhecer o fato de que já morremos para o pecado na morte daquele que, na cruz do Calvário, pôs fim à antiga criação, para que no poder de sua ressurreição ele pudesse trazer a nova.  O nosso velho homem foi crucificado com Cristo, e em vista desse fato, reconhecemos a nós mesmos como mortos para o pecado e vivos para Deus. O reconhecimento não produz o fato; ele simplesmente brota do fato.
Este é um fato no eterno conselho de Deus. É um fato na economia divina da redenção. É um fato na consumação lavrada pelo Filho de Deus na cruz do Calvário. É um fato porque, quando o bendito Redentor morreu a vergonhosa morte de um escravo e um criminoso no maldito madeiro da cruz, Deus nos diz em sua Santa Palavra (e toda a Bíblia se centraliza nesse fato e é como o coro de um milhão de vozes ressonantes com seus louvores), que foi para tirar o pecado do mundo. Quando o pecador crê e é salvo, ele não cria o fato, ele simplesmente descansa no fato estabelecido desde a fundação do mundo quando, como lemos em Apocalipse, o Cordeiro de Deus foi imolado. O Calvário foi a expressão visível de um fato já estabelecido pelo determinado conselho e presciência de Deus.
«Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus, nosso Senhor» (Rom. 6:11)
F.J. Huegel (1889-1971)
Pregador norte-americano e autor da vida mais profunda.

A carne, especialista no «Eu»
«Porque se viverdes conforme à carne, morrereis; mas se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis» (Rom. 8:13).
Embora o crente tenha emergido da desordem e da confusão de Romanos 7, através da ordem de Paulo: «considerai-vos mortos para o pecado», ainda assim permanece o fato de que ele descobrirá muitas maneiras pelas quais o ego procura satisfação, através das esferas do seu ser ainda não rendidas. A carne, o corpo, todo o nosso complexo mortal, evidentemente ainda está presente em Romanos 8. Este capítulo representa muitas maneiras pelas quais a mortificação deve ser estabelecida. O crente vitorioso tomará consciência das muitas formas do ego que ainda precisam ser tratadas.
Nós descobriremos:
*Em nosso serviço para Cristo: autoconfiança e autoestima;
*No mais leve sofrimento: autosalvação e autopiedade;
*Na menor incompreensão: autodefesa e autoreivindicação;
*Em nossa posição na vida: egoísmo e egocentrismo;
*Na menor tribulação: autoinspeção e autoacusação;
*Em nossas relações: autoafirmação e respeito próprio;
*Em nossa educação: orgulho próprio e expressão de ideias e sentimentos próprios;
*Em nossos desejos: vida regalada e autosatisfação;
*Em nossos êxitos: autoadmiração e autocongratulação;
*Em nossas falhas: autodesculpa e autojustificação;
*Em nossas realizações espirituais: justiça própria e autocomplacência;
*Em nosso ministério público: autoreflexão e glória própria;
*Na vida como um todo: amor próprio e egoísmo.
A CARNE É UMA ESPECIALISTA NO «EU».
Leslie E. Maxwell, ministro e autor americano (1895-1984).


domingo, 6 de agosto de 2017

Textos de Lutero: A palavra do Senhor é reta



Leia em sua Bíblia: Salmo 33
A palavra do Senhor é reta o seu proceder é fiel”. (v. 4)

Isto é verdade e jamais falha. O que Deus promete, sejam coisas terrenas ou eternas, isso ele cumpre, e o concede fielmente. E cumpre suas promessas de modo tão maravilhoso que vai além de toda compreensão. Essa confiança é certa. E você, cumpra tranqüilamente seu dever e confie sem vacilar e fielmente nele. Essa promessa divina é uma certeza além de todas as medidas, preciosa, rica e forte. Ela não deixa ninguém cair nem espernear na incerteza. Se você reconhece o sacramento como sendo uma promessa e não um sacrifício, você tem a certeza de que Deus é verdadeiro e não pode mentir, um Deus que cumpre o que promete. E, assim, você o terá e encontrará quando tem esse conceito dele e quando crê. E quando percebe que nada mais lhe oferece do que graça, verá com a mente alegre e aliviada que ele nada exige de você – por exemplo, que lhe ofereça sacrifício ou lhe dê algo –, mas que o atrai com amor e amabilidade, incitando-o a aceitar o que lhe presenteia.


quarta-feira, 19 de julho de 2017

Como chegar a ser pescadores de homens - Charles Spurgeon


Leitura: Mateus 4:19
Quando Cristo nos chama por sua graça, nós devemos não só recordar o que somos, mas também pensar no que ele pode fazer de nós. «Vinde após mim, e vos farei...». Devemos nos arrepender do que fomos, mas nos regozijar no que podemos ser. Não é: «sigam-me, por causa daquilo que vocês já são», nem: «sigam-me, porque vocês podem fazer algo por si mesmos», mas: «sigam-me, par causa daquilo que eu vos farei ser».
Certamente, devo dizer que todos nós logo que nos convertemos, «ainda não se manifestou o que havemos de ser». Não parecia provável que uns humildes pescadores se converteriam em apóstolos; que homens tão úteis com a rede seriam aptos na casa para pregar sermões e instruir aos convertidos. Alguém diria: «Como pode ser isto? Não se pode converter esses camponeses da Galiléia em fundadores de igrejas».
Isso é exatamente o que Cristo fez; e quando nos aproximamos com humildade diante do olhar de Deus por um sentido de nossa própria indignidade, podemos nos sentir alentados a seguir a Jesus por causa daquilo que ele pode fazer de nós. O que dizer da mulher de espírito aflito quando ela elevou a sua canção? «Ele levanta do pó ao pobre, e do monturo exalta ao necessitado, para lhe fazer sentar-se com os príncipes...» (1 Samuel 2:8). Não podemos dizer o que Deus pode fazer de nós na nova criação, já que teria sido absolutamente impossível ter previsto o que ele fez do caos na velha criação.
Quem poderia ter imaginado todas as coisas belas que saíram da escuridão e do caos, a partir daquela ordem: «Haja luz»? E quem pode dizer quão bela amostra de tudo o que é divinamente justo, aparece na vida antes às escuras de um homem a quem a graça de Deus tem dito: «Haja luz»? Oh, vocês que no presente não vêem em si mesmos nada do que é desejável, vêm e sigam a Cristo por causa do que ele pode fazer de vocês. Não ouvem sua doce voz lhes chamando e dizendo: «Vinde após mim, e vos farei pescadores de homens»?
Em seguida, notem que nós não fomos feitos tudo o que seremos, nem tudo o que deveríamos ser, quando formos pescados e capturados. Isto é o que a graça de Deus faz por nós no princípio; mas não é tudo. Nós somos como peixes que vivemos no pecado como nosso elemento; e o bom Senhor vem, e com a rede do evangelho pega e nos liberta de uma vida de amor ao pecado.
Mas, quando ele fez isto, ainda não tinha forjado em nós tudo o que ele pode fazer, nem tudo o que desejaríamos que ele fizesse; já que é distinto e maior o milagre de que nós, sendo peixes, cheguemos a ser pescadores: Os salvos são feitos agentes de salvação; os convertidos, instrumentos de conversão; os receptores do evangelho, transmissores desse mesmo evangelho a outras pessoas. Creio que posso dizer a cada um de vocês: ‘Se tu mesmo tem sido salvo, a obra estará feita pela metade até que te ocupes em levar outros a Cristo’. Até aqui, estás formado só na metade da imagem do seu Senhor. Não alcançará o pleno desenvolvimento da vida de Cristo em ti a menos que tenha começado, de algum modo, a falar com outros da graça de Deus. E confio em que não dará descanso aos seus pés até que tenha sido o meio de levar a muitos esse bendito Salvador que é a sua confiança e a sua esperança. Sua palavra é: «sigam-me», não só para que possam ser salvos, nem mesmo para serem santificados; mas: «Vinde após mim, e vos farei pescadores de homens».
Sigam a Cristo com essa intenção e esse objetivo; e tenham temor de não estar seguindo-o perfeitamente a menos que em algum grau ele os esteja utilizando como pescadores de homens. O fato é que cada um de nós deve ter o ofício de pescadores de homens. Se Cristo nos apanhou, devemos capturar a outros. Se fomos aprisionados por ele, devemos ser seus oficiais para apanhar os rebeldes. Devemos lhe pedir que nos dê a graça para ir pescar e assim lançar nossas redes para capturar uma grande multidão de peixes. Oh, que o Espírito Santo possa levantar entre nós pescadores mestres, que levem os seus barcos a muitos mares, para recolher grandes cardumes de peixes!
Meu ensino agora será muito simples, mas espero ser eminentemente prático; porque meu desejo é que nenhum dos que amam ao Senhor fraqueje em seu serviço. O que diz Cantares de Salomão com respeito à certa ovelha que sobe do lavadouro? «Todas com as crias gêmeas, e nenhuma entre elas estéril». Que seja assim com todo o povo cristão!
De fato, o dia é muito escuro. Os céus se cobrem com pesadas nuvens de tormenta. Os homens não imaginam que as tempestades possam logo sacudir a cidade e toda a classe social desta terra, até uma ruptura geral da sociedade. Tão escura pode chegar a ser a noite que as estrelas pareçam cair como frutos prematuros da árvore. Os tempos são maus. Hoje, como nunca antes, cada vagalume deve mostrar o seu brilho. Vocês, até com a vela mais diminuta, devem tomá-la de debaixo do velador e pô-la em um castiçal. Há necessidade de todos vocês. Ló era uma pobre criatura, um tipo muito miserável de crente; mas mesmo assim, pôde ser uma grande bênção para Sodoma.  Mas não intercedeu como deveria tê-lo feito. E os pobres cristãos, como temo que muitos são, comecem a valorizar cada alma verdadeiramente convertida nestes dias maus e a orar para que cada uma possa glorificar ao Senhor.
Rogo que cada homem justo que se sinta incomodado com o falatório dos malvados, possa ser mais impertinente na oração, como nunca antes, e voltar-se para o seu Deus para obter mais vida espiritual, para poder ser bênção às pessoas que perecem ao seu redor. Portanto, falo-lhes com este pensamento primordial. Oh, que o Espírito de Deus possa fazer que cada um de vocês sinta a sua responsabilidade pessoal!
Aqui, para os crentes em Cristo, para que eles sejam úteis, há uma tarefa a realizar. «Vinde após mim...». Mas, em segundo lugar, há algo que o seu grande Senhor e Mestre realizará: «Vinde após mim, e vos farei pescadores de homens». Vocês não crescerão como pescadores por si mesmos, mas isto é o que Jesus fará por vocês se apenas lhe seguirem. E em seguida, por último, aqui há uma boa ilustração, usada como estava acostumado a fazer o nosso grande Mestre; porque raras vezes falava com o povo sem uma parábola. Ele nos apresenta uma ilustração do que deveriam ser os homens cristãos: Pescadores de homens. Dela, podemos obter algumas sugestões úteis, e rogo que o Espírito Santo as abençoe para nós.

I.  O que Nós Fazemos
Seguir a Cristo
Em primeiro lugar, então, verificamos que todo crente quer ser útil. Se não for assim, me permito perguntar se pode ser um verdadeiro crente em Cristo. Bem, então, se queres ser realmente útil, aqui há ALGO QUE PODE FAZER COM ESSE FIM: «Vinde após mim, e vos farei pescadores de homens».
Qual é o caminho para converter-se em um pregador eficiente? «Jovem», diz alguém, «vá para a universidade». «Jovem», diz Cristo, «siga-me, e eu te farei um pescador de homens». Como pode uma pessoa ser útil? «Participe de um curso de treinamento», diz alguém. Correto; mas há uma resposta mais segura que essa: Sigam a Jesus e ele vos fará pescadores de homens.
A grande escola de formação para os obreiros cristãos tem a Cristo por cabeça; e ele está como cabeça, não só como um tutor, mas também como um líder. Nós não só aprendemos dele estudando, mas também o seguindo na ação: «Vinde após mim, e vos farei pescadores de homens». A direção é muito clara e simples, e creio que é exclusiva, porque nenhum homem pode converter-se em um pescador por nenhum outro processo. Este processo pode parecer muito simples; mas certamente é o mais eficiente. O Senhor Jesus Cristo, que sabia tudo sobre a pesca de homens, foi o próprio doador da regra: «sigam-me, se desejam ser pescadores de homens. Se querem ser úteis, permaneçam no meu caminho».
Compreendo isto, primeiro, neste sentido: Ser separados para Cristo. Estes homens iam abandonar as suas atividades; iam deixar os seus companheiros; eles foram, de fato, separados do mundo, para que o seu único ofício fosse, no nome do seu Mestre, pescadores de homens. Nem todos são chamados para abandonar as suas ocupações cotidianas ou a deixarem as suas famílias. Isso seria antes escapar da pesca do que trabalhar nela no nome de Deus.
Mas somos chamados mais claramente para sair dentre os ímpios; para nos apartar e não tocar coisa impura. Não podemos ser pescadores de homens se permanecermos entre os homens, na mesma espécie que eles. Os peixes não serão pescadores. O pecador não converterá ao pecador. O homem ímpio não converterá ao homem ímpio; e, o que é mais sutil, o cristão mundano não converterá o mundo. Se for do mundo, sem dúvida o mundo amará o que é seu; mas você não poderá salvar o mundo. Se viver obscuramente e pertencer ao reino das trevas, não poderá remover as trevas. Se marchas com os exércitos dos iníquos, não poderá derrotá-los.
Creio que uma das razões pelas quais a igreja de Deus tem hoje pouca influencia sobre o mundo, é porque o mundo tem muita influência sobre a igreja. Hoje em dia ouvimos os Não Conformistas alegando que eles podem fazer isto e aquilo – coisas pelas quais os seus antepassados puritanos teriam morrido na fogueira, antes de havê-las tolerado-. Advogam por viver como mundanos. Minha triste resposta a aqueles que desejam essa liberdade, é: «Faça-o se te atreves. Não te poderá fazer muito dano, porque já é muito mal. Teus desejos mostram o quão podre está o teu coração. Se tiveres fome depois de tal comida de cães, anda e come do lixo. As diversões mundanas são mantimentos aptos para meros simuladores e hipócritas. Se vocês fossem filhos de Deus, detestariam o próprio pensamento do desfrute malvado do mundo, e sua pergunta não seria: «Até onde podemos ser como o mundo?», mas o seu clamor seria: «Quão longe podemos nos apartar do mundo? Quanto mais podemos sair dele?». Sua tentação, em um tempo como este, deveria melhor estar em converter-se em puritanos ultra-severos em sua separação do pecado, do que em perguntar: «Como posso fazer eu o mesmo que fazem outros homens e atuar como eles?» Irmãos, a utilidade da igreja no mundo deveria ser como o sal no meio da putrefação; mas se o sal tiver perdido o seu sabor, para que serve? Se o próprio sal pudesse se corromper, não poderia haver senão um aumento e uma intensificação da corrupção geral.
O pior dia que o mundo jamais viu foi aquele em que os filhos de Deus se uniram com as filhas dos homens. Então veio o dilúvio; porque a única barreira contra uma inundação de vingança neste mundo é a separação entre o santo e o pecador. O seu dever como cristão é manter-se firme em seu próprio lugar voltado para Deus, aborrecendo até os objetos manchados pela carne, resolvendo, como um daqueles antigos, que outros façam o que lhes é próprio, enquanto quanto a ti, tu e tua casa servirão ao Senhor.
Venham, filhos de Deus, vocês devem sair com o seu Senhor para fora do arraial. Jesus lhes chama hoje dizendo: «Vinde após mim». Você achou Jesus no teatro? Ele freqüentava os esportes do hipódromo? Vocês pensam que Jesus foi visto em alguma das diversões da corte herodiana? Não. Ele era «santo, inocente, sem mancha, apartado dos pecadores». Em um sentido, ninguém se misturou com os pecadores tão completamente como o fez ele quando, como um médico, esteve entre eles curando os seus males; mas em outro sentido, houve um abismo aberto entre os homens do mundo e O Salvador, que ele nunca tentou cruzar, e que os homens não podiam cruzar para enlodá-lo. A primeira lição que a igreja tem que aprender é a seguinte: Sigam a Jesus no estado de separação, e ele lhes fará pescadores de homens. A menos que vocês tomem a sua cruz e protestem contra um mundo ímpio, não podem esperar que o Jesus santo lhes faça pescadores de homens.

Viver com Cristo
Um segundo significado muito evidente de nosso texto é este: Vivam com Cristo e então serão feitos pescadores de homens. Os discípulos, a quem Cristo chamou, foram viver com ele. Foram a cada dia se associando com ele. Foram para lhe ouvir ensinar publicamente o evangelho eterno, e, além disso, receberam explicações seletas em privado da palavra que ele tinha falado. Eles foram seus servidores próximos e seus amigos pessoais. Eles viram os seus milagres e ouviram as suas orações; e, melhor ainda, foram estar com ele e para converter-se em um com ele em sua obra santa. Foi dado sentar-se à mesa com ele, e até os seus pés foram lavados por ele. Muitos deles cumpriram esta palavra: «Onde quer que viveres, viverei». Estiveram com ele em suas aflições e perseguições. Foram testemunhas das suas agonias secretas; viram muitas das suas lágrimas; observaram a paixão e a compaixão da sua alma e assim, depois de tudo isto, compreenderam o seu espírito, e desse modo aprenderam a ser pescadores de homens.
Aos pés de Jesus devemos aprender a arte e o mistério de ganhar almas. Porque viver com Cristo é a melhor preparação para ser útil. É uma grande bênção para qualquer homem associar-se com um ministro cristão cujo coração arde. A melhor formação para um jovem é aquela que os pastores valdenses costumavam dar, quando cada homem ancião tinha um homem jovem com ele, que caminhava com ele quando subia a ladeira da montanha para pregar e vivia na casa com ele, e este ouvia as suas orações e via a sua piedade diária.
Esta era uma instrução fina; mas não é comparável com aquela dos apóstolos que viveram com Jesus e foram os seus companheiros cotidianos. A formação dos Doze foi inigualável. Não é de estranhar que chegassem a ser o que foram com semelhante tutor celestial lhes saturando com o seu próprio espírito! Hoje em dia, a presença corporal dele não está entre nós; mas o seu poder espiritual é talvez mais plenamente conhecido para nós do que foi pelos apóstolos nesses dois ou três anos de presença física do Senhor.
Há alguns de nós com quem ele é mais íntimo e próximo. Sabemos mais a respeito dele que a respeito de nosso amigo mais querido na terra. Nunca pudemos ler totalmente o coração do nosso amigo em todos os seus cantos e sinuosidades, mas conhecemos o coração do Bem-amado. Reclinamos a cabeça em seu peito e desfrutamos de uma comunhão com ele como não poderíamos ter com nenhum dos nossos próprios familiares. Este é o método mais seguro para aprender a fazer o que é bom.
Vivam com Jesus, sigam a Jesus e ele os fará pescadores de homens. Vejam como ele opera e aprenderão a fazê-lo vocês mesmos. Um homem cristão deve ser um aprendiz atrelado a Jesus para aprender a tarefa do Salvador. Nós nunca podemos salvar homens oferecendo redenção, pois não temos nada que apresentar; mas podemos aprender como salvar homens lhes advertindo que fujam da ira vindoura e lhes apresentando o único grande remédio eficaz. Vejam como Jesus salva, e saberão como se faz. Não existe outra forma de aprender isto. Viva em comunhão com Cristo e haverá sobre ti o jeito e a maneira daquele que foi feito apto no coração e mente para ensinar e sábio para ganhar almas.

Obedecer a Cristo
No entanto, podemos dar um terceiro significado a este: «Vinde após mim», e é: «me obedeçam, e então saberão o que fazer para salvar homens». Não podemos falar de nossa comunhão com Cristo ou de nossa separação do mundo para ele, a menos que façamos dele nosso Mestre e Senhor em tudo. Se alguns mestres públicos não forem conseqüentes em todos os pontos de suas convicções, como podem buscar uma bênção?
Um homem cristão desejoso de ser útil deveria ser muito preciso com relação a cada ponto da obediência a seu Mestre. Sem dúvida, Deus abençoe as nossas igrejas mesmo que sejam muito defeituosas, porque a sua misericórdia permanece para sempre. Quando há uma medida de engano no ensino e uma medida de engano na prática, ele ainda pode utilizar o ministério, porque a sua graça é admirável. Mas uma grande medida de bênção deve ser necessariamente retida de todo ensino que seja deliberado ou notoriamente defeituoso. Deus pode pôr o seu selo sobre a verdade que há nisso, mas ele não pode confirmar o engano que está ali. Dos enganos a respeito das ordenanças cristãs e outras coisas, sobre todos os enganos no coração e no espírito, podem vir males que nós nunca procuramos. Tais males podem estar operando até agora sobre o tempo presente, e podem causar danos ainda piores sobre as gerações futuras. Se desejamos ser amplamente utilizados por Deus como pescadores de homens, devemos imitar o nosso Senhor Jesus em tudo e lhe obedecer em cada ponto.
O fracasso na obediência pode conduzir ao fracasso no êxito. Cada um de nós, se deseja ver seu filho salvo, a sua classe de escola dominical abençoada, ou a sua congregação convertida, deve cuidar que, estando aos cuidados dos vasos do Senhor, ele próprio esteja limpo. Algo que façamos que entristeça o Espírito de Deus tira de nós alguma parte do nosso poder para o bem.
O Senhor é misericordioso e cheio de graça; no entanto, é um Deus zeloso. Às vezes é severamente zeloso quando o seu povo vive descuidando do seu dever conhecido ou em associações que não são limpas diante dos seus olhos. Ele abaterá a obra deles, debilitará as suas forças e lhes humilhará, até que digam finalmente: «Meu Senhor, quero tomar o teu caminho. Quero fazer o que tu me convidas a fazer, porque de outra forma tu não me aceitarás».
O Senhor disse aos seus discípulos: «Ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado, será salvo», e lhes prometeu sinais que lhes seguiriam, e assim o fizeram. Devemos voltar para a prática e o ensino apostólico. Ignorando os mandamentos dos homens e a vaidade da nossa própria mente, devemos fazer o que Cristo nos diz, como Cristo diz, e porque Cristo diz. Definitivamente e claramente, devemos tomar o lugar de servos; e se não o fizermos, não poderemos esperar que o nosso Senhor trabalhe conosco e por nós. Devemos decidir que, tão real como a agulha aponta para o pólo, verdadeiro seja, no que corresponde a nossa luz, o mandado do nosso Senhor e Mestre: «Vinde após mim, e vos farei pescadores de homens». Este ensino parece dizer: «Se forem além de mim, ou mais atrás de mim, poderá lançar a rede; mas a noite estará sobre ti, e nessa escuridão não achará nada. Quando fizer o que eu te digo, lançará a tua rede do lado direito do barco, e achará».
Uma vez mais, creio que aqui há uma grande lição para aqueles que pregam os seus próprios pensamentos em lugar de expor os pensamentos de Cristo. Os discípulos seguiram a Cristo para ouvi-lo, para escutar o que tinha que dizer, beber do seu ensino e então ir e ensinar o que ele lhes tinha ensinado. O seu Senhor lhes diz: «O que vos digo em oculto, dizei-o na luz; e o que ouvis ao ouvido, proclamem dos eirados».
Se eles forem repórteres fidedignos da mensagem de Cristo, ele lhes faria «pescadores de homens». Mas vocês conhecem o método jactancioso de hoje em dia: «Eu não vou pregar este evangelho tão antiquado, esta oxidada doutrina puritana. Me sentarei em meu estúdio até que as velas não ardam e inventarei uma nova teoria; então, sairei com o meu pensamento totalmente novo e iluminarei longe com ele». Muitos não estão seguindo a Cristo, mas a si mesmos e deles bem pode dizer o Senhor: «Vocês verão qual palavra permanece, a minha ou a de vocês».
Outros são perversamente prudentes e julgam que certas verdades, que são evidentemente, palavra de Deus, seria melhor mantê-las guardadas. Você não deve ser áspero, só deve profetizar coisas suaves. Para que falar sobre o castigo do pecado, e o castigo eterno? São doutrinas antiquadas. Pode ser que elas são ensinadas na palavra de Deus, mas não se ajustam à época atual. Devemos reluzi-las. Irmãos em Cristo, eu não terei parte alguma nisto. E vocês? Oh, minha alma, não entres no segredo deles! Nossa era ilustrada tem descoberto certas coisas que não se ensinam na Bíblia. A Evolução pode ser claramente oposta ao ensino de Gênesis, mas isso não importa. Não vamos ser crentes da Escritura, mas pensadores originais. Tal é a ambição vangloriosa de nosso tempo.
Vocês notem, o vício desta geração aumenta em proporção a pregação da teologia moderna. Em grande medida, atribuo a vida licenciosa deste tempo ao relaxamento da doutrina pregada por seus mestres. Do púlpito ensinam ao povo que o pecado é uma insignificância. Do púlpito estes traidores de Deus e do seu Cristo ensinaram às pessoas que não há nenhum inferno ao qual temer. Um inferno pequeno, mínimo, talvez, pode haver; mas o justo castigo pelo pecado é invalidado. O precioso sacrifício expiatório de Cristo foi ridicularizado e tergiversado por aqueles que se comprometeram a pregá-lo. Deram às pessoas o nome de evangelho, mas o evangelho em si mesmo se evaporou em suas mãos. Das centenas de púlpitos se encarregaram de extinguir o evangelho, tal como o pássaro dodo de seus antigos refúgios; e ainda assim os pregadores tomam a posição e o nome de ministros de Cristo.
Bom, e qual é a conseqüência disso? Que as suas congregações crescem mais e mais frágeis; e assim deve ser. Jesus diz: «Vinde após mim, e vos farei pescadores de homens»; mas se for por seu próprio caminho, com a sua própria rede, não obterá nada, e o Senhor não te promete ajuda dessa maneira. Os mandamentos do Senhor fazem dele nosso líder e exemplo. «Vinde após mim, sigam a mim, pregue o meu evangelho. Prega o que eu prego; ensina o que eu ensino e permaneça nisso». Com a bendita atitude de servos, cuja ambição é serem imitadores e nunca serem originais, copiem a Cristo inclusive em jotas e tils. Façam, e ele lhes fará pescadores de homens; de outro modo, vocês pescarão em vão.

Santificar-nos
Fecho esta parte do discurso dizendo que não seremos pescadores de homens a menos que sigamos a Cristo em outro aspecto; e é, nos esforçando, em todos os pontos, por imitar a sua santidade. A santidade é o poder mais real que pode ser possuído por homens ou mulheres. Nós podemos pregar a ortodoxia, mas também devemos viver a ortodoxia. Deus proíbe que preguemos outra coisa; mas tudo será vão, a menos que exista uma vida que respalde o testemunho.
Um pregador ímpio até pode tornar a verdade desprezível. Na medida em que alguém retrocede de uma vida de zelosa santificação, retrocederá do lugar de poder. O nosso poder se encontra nesta palavra: «sigam-me». Ser como Jesus. Em todas as coisas, esforcem-se em pensar, falar e atuar como Jesus fez, e ele os fará pescadores de homens. Isto requererá negar-se a si mesmos, e tomar a sua cruz a cada dia.
Isto pode requerer a vontade de renunciar a nossa reputação – estar dispostos a ser tidos por néscios, idiotas e coisas deste estilo, tal como os homens costumam chamar a aqueles que permanecem com seu Mestre. Deve haver a alegre renuncia a tudo aquilo que se veja como honra e glória pessoal, para que possamos ser totalmente de Cristo e glorificar o seu nome. Temos que viver a sua vida e estar dispostos a morrer a sua morte se for necessário.
Oh irmãos e irmãs, se fizermos isto e seguimos a Jesus, pondo os nossos pés nos passos dos seus pés transpassados, ele nos fará pescadores de homens. Se ele se agradar que nós deixemos esta vida sem ter trazido muitas almas à cruz, falaremos de nossas tumbas. De uma maneira ou outra, o Senhor fará que uma vida santa seja uma vida influente. Não é possível que uma vida que pode ser descrita como a de um seguidor de Cristo seja uma vida infrutífera aos olhos do Altíssimo. Se depois do «Siga-me» há um «Vou», Deus jamais se retratará de sua palavra: «Vinde após mim, e vos farei pescadores de homens».
Até aqui o primeiro ponto. Há algo que nós devemos fazer: por graça, fomos chamados para seguir a Jesus. Espírito Santo, guia-nos a fazê-lo.

II. O que Cristo faz
Mas em segundo lugar, brevemente, há ALGO QUE O SENHOR FAZ. Quando os seus servos amados o seguem, ele diz: «Vos farei pescadores de homens», e nunca esqueçamos que é ele quem nos faz seguir-lhe; pelo qual, se você der o passo para ser pescadores de homens, até isso mesmo é dado por ele. Tenho me referido a apreender o seu espírito, para morar nele, a obedecer-lhe, para ouvir-lhe e para imitar-lhe; mas não podemos apartar nenhuma destas coisas de Sua obra total em nós. «De mim será achado o teu fruto», é um texto que não devemos esquecer nunca. Portanto, então, se o seguirmos, é ele quem nos faz lhe seguir; e assim ele nos faz pescadores de homens.
Mas, além disso, se seguirmos a Cristo, ele nos fará pescadores de homens por meio de toda a nossa experiência. Estou seguro de que o homem que realmente está consagrado a abençoar a outros será ajudado nisto por tudo o que ele sente, especialmente por suas aflições. Freqüentemente me sinto muito agradecido a Deus por ter sofrido terríveis depressões de espírito. Conheço as fronteiras do desespero e a beira horrível desse abismo da escuridão em que quase escorregaram os meus pés; mas centenas de vezes tenho podido brindar o apoio útil a irmãos e irmãs que estiveram nessa mesma condição, apoio que nunca poderia ter dado se não tivesse conhecido o seu profundo abatimento.
Pelo qual creio que até a experiência mais obscura e mais terrível de um filho de Deus o ajudará a ser um pescador de homens, se ele quer seguir a Cristo. Permaneça próximo do seu Senhor e ele fará de cada passagem uma bênção para ti. Se Deus em sua providência te faz rico, ele te equipará para falar com aqueles ricos ignorantes e malvados que tanto abundam nesta cidade e tão freqüentemente são a causa do seu pior pecado. E se ao Senhor lhe agrada te fazer muito pobre, poderá baixar e falar com aqueles pobres ímpios e ignorantes que tão freqüentemente são a causa do pecado nesta cidade e que com tanta urgência necessitam do evangelho.
Os ventos da Providência te levarão onde possa pescar homens. As rodas da Providência estão cheias de olhos, e todos aqueles olhos olharão o caminho para nos ajudar a sermos ganhadores de almas. Freqüentemente te surpreenderás ao verificar como Deus esteve em uma casa que você visitou: antes que você chegasse ali, a sua mão esteve operando neles. Quando deseja falar com algum indivíduo em particular, a Providência de Deus esteve tratando essa pessoa, preparando-a justamente para essa palavra que você poderá falar, mas que ninguém, a não ser você poderia dizer. Oh, sê tu um seguidor de Cristo, e acharás que, por meio de cada experiência através da qual estás passando, ele te fará um pescador de homens.
Mais mesmo, se o seguires, ele te fará pescador de homens por meio de distintas advertências em seu próprio coração. Há muitos conselhos do Espírito de Deus que os cristãos não atendem quando estão em uma condição insensível; mas quando o coração está em paz com Deus e vivendo em comunhão com Deus, temos uma sensibilidade santa, pelo qual não é necessário que o Senhor grite a nós, pois ouvimos o seu assobio aprazível. Não, ele não necessita nem sequer sussurrar. «Tu me guiarás com os seus olhos». Ah, quantos cristãos teimosos como mulas devem ser refreados e receber de vez em quando um golpe do chicote! Mas o cristão que segue ao seu Senhor será guiado com ternura. Não digo que o Espírito de Deus te dirá: «Aproxima-te e ajunta-te a esse carro», ou que você ouvirá uma palavra em seu ouvido; mas em sua alma, tão claramente como o Espírito disse a Felipe: «Aproxima-te e ajunta-te a esse carro», você ouvirá a vontade do Senhor. Logo que ver um indivíduo, o pensamento cruzará a sua mente: «Se aproxime e fale com essa pessoa». Cada oportunidade de ser útil será uma chamada para ti. Se estiveres preparado, a porta se abrirá diante de ti e ouvirás detrás de ti uma voz dizendo: «Este é o caminho; andai por ele». Se tiveres a graça para correres a carreira legitimamente, nunca estarás muito tempo sem um indício sobre a via perfeita a seguires. Essa via correta te levará ao rio ou ao mar, onde poderá lançar a sua rede e ser um pescador de homens.
Então, também, creio que o Senhor diz com isto que ele daria aos seus seguidores o Espírito Santo. Eles iam seguir-lhe, e em seguida, depois de lhe haver visto subir ao lugar santo do Altíssimo, permaneceriam em Jerusalém por um pouco de tempo, e o Espírito desceria sobre eles lhes revestindo com um misterioso poder. Esta palavra foi falada a Pedro e a André; e vocês sabem como se cumpriu com Pedro. Que multidão de peixes trouxe para terra a primeira vez que ele lançou a rede no poder do Espírito Santo! «Vinde após mim, e vos farei pescadores de homens».
Irmãos, não temos consciência do que Deus poderia fazer por meio desta companhia de crentes reunidos neste lugar. Se agora nós fôssemos cheios com o Espírito Santo, haveria bastante para evangelizar esta cidade. Há suficiente aqui para ser o meio da salvação do mundo. Deus salva não por muitos nem por poucos. Peçamos uma bênção; e ao buscá-la, ouçamos esta voz direta: «Vinde após mim, e vos farei pescadores de homens».
Vocês estão na beira do grande mar da vida humana, as multidões das almas dos homens. Vocês vivem no meio de milhões; mas se vierem atrás de Jesus e forem fiéis a ele, verazes com ele e fizer o que ele lhes pede, ele vos fará pescadores de homens. Não diga: «Quem salvará esta cidade?». O mais fraco será suficientemente forte. O pão de cevada de Gideão baterá na tenda e a fará cair. Sansão, com a queixada tirada da terra, branqueada pelo sol, ferirá os filisteus. Não tema, ninguém desmaie. Deixe as suas responsabilidades mais próximas do seu Mestre. Que o horror do pecado imperante te faça olhar o Seu rosto amado, que há muito tempo chorou sobre Jerusalém e agora chora sobre este lugar. Aprisiona-o e nunca soltes o seu apoio.
Pelos fortes e poderosos impulsos da vida divina dentro de ti, vivificados e trazidos à maturidade pelo Espírito de Deus, aprenda essa lição da boca do Senhor: «Vinde após mim, e vos farei pescadores de homens». Você não é apto para isso, mas ele te capacitará. Você não pode fazê-lo por ti mesmo, mas ele te fará cumpri-la. Você não sabe como lançar as redes e trazer os cardumes de peixes para a margem, mas ele te ensinará. Apenas siga-lhe, e ele te fará um pescador de homens.
Queria de alguma maneira poder dizer isto como com voz de trovão, de modo que toda a igreja de Deus pudesse ouvi-la. Desejaria poder escrever com uma linha de estrelas no céu: «Jesus disse: Vinde após mim, e vos farei pescadores de homens». Se esquecer o preceito, a promessa nunca será tua. Se seguir alguma outra via, ou imitar a algum outro líder, pescará em vão. Deus nos conceda crer plenamente que Jesus pode fazer grandes coisas em nós e em seguida fazer grandes coisas através de nós, pelo bem de nossos companheiros!

III. Qualidades de um bom pescador
O último ponto vocês mesmos podem desenvolvê-lo em sua totalidade em suas meditações privadas com muito proveito. Aqui temos uma figura completa de instrução. Dar-lhes-ei só duas ou três idéias que podem utilizar. «Eu vos farei pescadores de homens». «Vocês tem sido pescadores de peixes: se vocês me seguirem, eu vos farei pescadores de homens».
Um pescador deve ser uma pessoa muito dependente e deve ser confiante. Ele não pode ver os peixes. Aqueles que pescam no mar devem ir e lançar a rede, por assim dizer, ao acaso. A pesca é um ato de fé. Tenho visto freqüentemente no mar Mediterrâneo, homens que vão com seus barcos e rodeiam as águas com longas redes; e no entanto, quando arrastaram a rede para a margem, tiveram tanto resultado como o que eu poderia pôr em minha mão. Uns insignificantes prateados desprezíveis foram tudo o que pegaram. No entanto, eles tornaram a lançar a grande rede várias vezes no dia, aguardando com esperança o que aconteceria.
Ninguém é tão dependente de Deus como o ministro de Deus. Oh, esta pesca é uma obra de fé! Eu não posso dizer que uma alma será trazida a Deus por ela. Eu não posso julgar se o meu sermão será adequado para as pessoas que estão aqui, mas creio que Deus me guiará ao lançar a rede. Espero que ele opere para a salvação, e dependo dele para isso. Amo esta dependência absoluta, e se me oferecesse um aumento no poder da pregação, de tal forma que eu pudesse salvar pecadores, e que estivesse ao meu inteiro dispor, eu suplicaria ao Senhor que não me permitisse tê-lo, já que é muito mais delicioso ser completamente dependente dele em todo momento.
É bom ser um néscio quando Cristo é feito a sua sabedoria. É uma coisa bendita ser fraco se Cristo se converter mais plenamente em sua força. Vão trabalhar, vocês que serão pescadores de homens e, no entanto, sintam a sua insuficiência. Vocês que não têm forças, invistam nesta obra divina. A força do seu Mestre será vista quando a tua própria desaparece. Um pescador é uma pessoa dependente, ele deve procurar o êxito cada vez que dispõe a rede; mas ainda é uma pessoa confiada e, portanto, lança a rede com alegria.
Um pescador que subsiste do seu ofício é um homem diligente e perseverante. Os pescadores estão em pé ao amanhecer. Ao clarear o dia, eles estão pescando, e continuam a tarefa até o final da tarde. Enquanto as mãos puderem trabalhar, os homens pescarão. Que o Senhor Jesus nos faça ser esforçados, perseverantes, incansáveis pescadores de homens! «Pela manhã semeia a tua semente, e à tarde não deixe repousar a tua mão; porque não sabes qual será o melhor, se este ou aquele».
O pescador, em sua própria arte, é inteligente e atento. Parece muito fácil, atrevo-me a dizer, ser um pescador, mas vocês veriam que não é uma brincadeira de criança se tivessem que tomar parte real nisso. Há uma arte nisso, desde reparar de forma eficiente a rede, até trazê-la para a margem. Quão diligente é o pescador para evitar que os peixes saltem fora da rede! Ouvi um grande ruído uma noite no mar, como se algum tambor enorme fosse tocado por um gigante; fui e vi que os pescadores estavam batendo na água para conduzir os peixes à rede, ou para impedir que escapassem quando já tinham sido capturados.
Você e eu freqüentemente teremos que estar atentos aos extremos da rede do evangelho, para que os pecadores que quase estão pescados tentem escapar. São peixes muito ardilosos, e utilizam esta astúcia em seu esforço por evitar a salvação. Nós temos que estar sempre em nosso ofício, e exercitar todo o nosso engenho e mais que o nosso próprio engenho, se quisermos ser pescadores de homens bem sucedidos.
O pescador é uma pessoa muito laboriosa. Não é absolutamente uma chamada fácil. Ele não se senta em uma poltrona para pescar. Ele tem que sair em tempos ruins. Se aquele que considerar as nuvens não semeará, estou seguro de que aquele que considera as nuvens nunca pescará.
Se nunca fizermos algum trabalho para Cristo exceto quando nos sentimos repousados, não faremos muito. Se sentirmos que não oramos porque não podemos orar, nunca oraremos, e se dissermos: «Não pregarei hoje porque não creio que possa pregar», nunca faremos uma pregação que valha a pena. Devemos estar sempre nisso, até nos desgastar a nós mesmos, deixando toda a nossa alma na obra de todos os tempos, pela causa de Cristo.
O pescador é um homem ousado. Ele prova o mar revolto. Um pouco de salmoura em seu rosto não lhe fere; mesmo salpicado milhares de vezes, aquilo não é nada para ele. Quando se convertera em um pescador de mar profundo, nunca esperou dormir no regaço do fácil. Portanto, o verdadeiro servo de Cristo que pesca almas nunca tem como inconveniente um risco pequeno.
Ele estará obrigado a fazer ou a dizer a muitos alguma coisa que é muito impopular; e algumas pessoas cristãs inclusive podem catalogar as suas declarações como muito severas. Ele deve fazer e dizer aquilo que é para o bem das almas. Não se entretém inquirindo o que outros pensam de sua doutrina, ou dele; mas no nome do Deus Todo-Poderoso, ele deve sentir que: «Se rugir o mar e sua plenitude, ao mandado do meu Mestre lançarei a rede».
Agora, em último termo, o homem a quem Cristo faz um pescador de homens é bem-sucedido. «Mas», disse alguém, «eu sempre ouvi que os ministros de Cristo têm que ser fiéis, mas que eles não podem estar seguros de ter êxito». Sim, ouvi esse dito e de uma maneira sei que isso é certo, mas em outro sentido tenho minhas dúvidas a respeito disso. Aquele que é fiel é, no caminho e no juízo de Deus, mais ou menos bem-sucedido. Por exemplo, aqui há um irmão que diz que é fiel. É obvio, tenho que acreditar nele, mas nunca ouvi falar de um pecador que tenha sido salvo por ele. Sem dúvida, devo pensar que o lugar mais seguro para uma pessoa que não quer ser salva seria estar sob o ministério deste cavalheiro, porque ele não prega nada que provavelmente desperte, impressione ou convença a alguém. Este irmão é «fiel» porque ele o diz.
Pois bem, se alguma pessoa no mundo te diz: «Eu sou um pescador, mas nunca pesquei nada», você lhe perguntaria como ele poderia ser chamado de pescador. Um sitiante que alguma vez semeou e colheu trigo ou qualquer outro cultivo, é realmente um agricultor? Quando Jesus Cristo diz: «Vinde após mim, e vos farei pescadores de homens», quer dizer que vocês realmente deverão pescar homens, que realmente salvarão a alguns; porque aquele que nunca conseguiu nenhum peixe não é um pescador.
Aquele que nunca salvou a um pecador depois de anos de trabalho não é um ministro de Cristo. Se o resultado do seu trabalho de vida é zero, cometeu um engano ao empreendê-lo. Vocês vão com o fogo de Deus em sua mão e lancem-no entre o restolho e o restolho arderá. Estejam seguros disso. Vá você e espalhe a boa semente: nem todas cairão em lugares férteis, mas algumas delas sim. Pode estar seguro disso.
Apenas brilhem, e assim algum olho ou outro será iluminado. Vocês terão êxito. Mas recordem que esta é a palavra do Senhor: «Vinde após mim, e vos farei pescadores de homens». Permaneçam junto a Jesus e façam o que Jesus fez, em seu espírito, e ele vos fará pescadores de homens.
Talvez falo a um ouvinte atento que não se converteu totalmente. Amigo, tenho o mesmo que te dizer. Você também pode seguir a Cristo, e então ele poderá te utilizar, até mesmo a ti. Não sei, mas ele te trouxe para este lugar para que possas ser salvo, e mais tarde ele pode fazer que fale por seu nome e sua glória.
Recordem como ele chamou a Saulo de Tarso e o fez apóstolo dos gentios. Dos caçadores furtivos recuperados é que se fazem os melhores guardas-florestais; e os pecadores salvos se tornam os pregadores mais hábeis. Ah, se tu puderes escapar do teu velho amo agora, sem lhe dar um minuto de notificação; porque se lhe der algum aviso, ele te reterá! Corre para Jesus e lhe diga: «Aqui está um pobre escravo fugitivo! Meu Senhor, ainda levo os grilhões em meus pulsos. Podes me libertar e me fazer tua propriedade?». Lembra que está escrito: «aquele que vem a mim, não o lanço fora». Nunca um escravo fugitivo veio a Cristo no meio da noite sem ser acolhido por ele; e ele nunca devolveu a alguém ao seu velho amo. Se Jesus te fizer livre, serás verdadeiramente livre. Então corre para Jesus, neste instante. O seu bom Espírito te ajude, e ele cedo ou tarde fará de ti um ganhador de outros para o seu louvor! Deus te abençoe. Amém.