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sábado, 20 de julho de 2019

AS DEZ PRINCIPAIS ESTRATÉGIAS DE SATANÁS CONTRA A MULHER DE DEUS



Priscilla Shirer

O que Satanás faz para deter o avanço do cristão? Qual a sua pior iniciativa contra VOCÊ, mulher?
E se eu fosse o seu inimigo, isso é exatamente o que eu desejaria. Eu iria querer desvalorizar as armas mais potentes em seu arsenal. Eu criaria estratégias contra você, usando métodos cuidadosamente calculados para desorientá-la e derrotá-la.
Na verdade, esta abordagem faz um sentido diabólico tão grande que é exatamente o que o diabo faz — com você, na vida real — tudo dentro do esquema do engano. Ele vem até você para...bem, você não precisa dar ouvidos só ao que eu tenho a dizer; ouça as vozes de um grande número de mulheres que me responderam, em uma enquete, sobre as principais formas de o inimigo atacá-las. Depois de categorizar todas as respostas, cheguei ao que acredito ser as dez estratégias favoritas do inimigo. Vamos ver onde ele mais tenta atingi-lo.

Estratégia 1— Contra Sua Paixão
Ele procura tirar todo o seu desejo pela oração, diminuir o seu interesse pelas coisas espirituais, e minimizar a potência das suas armas mais estratégicas (Ef. 6:10-20).

Estratégia 2— Contra Seu Foco
Ele se disfarça e manipula a sua perspectiva de modo que você acaba focando no culpado errado, dirigindo as suas armas para o inimigo errado (2 Co. 11:14).

Estratégia 3— Contra Sua Identidade
Ele amplia as suas inseguranças, levando-a a duvidar do que Deus diz sobre você e a desconsiderar o que Ele tem lhe dado (Ef. 1:17-19).

Estratégia 4— Contra Sua Família
Ele quer desintegrar a sua família, dividindo a sua casa, tornando-a caótica, agitada, e infrutífera (Gn. 3:1-7).

Estratégia 5 — Contra Sua Confiança
Ele constantemente a faz relembrar os seus erros passados e as suas más escolhas, na esperança de convencê-la de que você está sob o juízo de Deus, e não sob o Seu sangue (Ap. 12:10).

Estratégia 6 — Contra Seu Chamado
Ele amplifica o medo, a preocupação e a ansiedade até que elas se tornem as vozes mais altas em sua cabeça, fazendo com que você considere a aventura de seguir a Deus demasiadamente arriscada para tentar (Js. 14:8).

Estratégia 7— Contra Sua Pureza
Ele procura fazê-la cair na tentação de cometer certos pecados, convencendo-a de que você pode cometê-los sem arriscar más consequências, mas na verdade isso só irá aumentar a distância entre você e Deus (Is. 59:1-2).

Estratégia 8 — Contra Seu Descanso e Contentamento
Ele espera sobrecarregar a sua vida e a sua agenda, empurrando-a para uma vida sob pressão acima de seus limites, não tendo jamais a permissão para dizer não (Dt. 5:15).

Estratégia 9 — Contra Seu Coração
Ele usa todas as oportunidades para manter frescas em sua mente as velhas feridas, sabendo que a raiva, a mágoa, o rancor e a falta de perdão vão apenas conservar o dano (Hb. 12:15).

Estratégia 10 — Contra Seus Relacionamentos
Ele cria perturbações e desunião dentro do seu círculo de amigos, e dentro da comunidade compartilhada do corpo de Cristo (1 Tm. 2:8).

E essa lista é constituída de apenas dez categorias — dez das estratégias mais comuns utilizadas pelo inimigo contra a força da mulher de Deus. Bem, dois podem jogar esse jogo. E com Deus ao nosso lado, assumindo a liderança na definição de nossos próprios planos estratégicos, já estamos colhendo vantagens. Mas ainda assim devemos ser diligentes e determinadas. Nós devemos reconhecer e clamar contra os ataques altamente personalizados desferidos em nossa direção. Não, não há nenhuma necessidade de temer, mas é melhor estarmos em guarda. E é melhor nunca esquecermos de— como a avó da foto diz — continuar a orar com propósito e precisão, da maneira como ela ora por pessoas como sua neta.

Trecho do livro Oração Fervente (BV Books Editora)

sábado, 26 de agosto de 2017

O "eu" e a Cruz - Diversos autores refletem sobre o tema


O «eu» e a Cruz
Diversos autores da história da Igreja têm escrito sobre as características
e o lugar que corresponde ao «eu» na vida cristã. Eis aqui alguns textos escolhidos
.


O ídolo maligno
Oh! que dor e que morte é para a minha natureza, transformar-me, a mim mesmo – a minha concupiscência, o meu bem-estar, a minha reputação– até o «meu Senhor, meu Salvador, meu Rei e meu Deus», até a vontade do meu Senhor, a graça do meu Senhor!
Mas, ai de mim! Esse ídolo, essa indômita criatura, EU MESMO sou o ídolo-mestre, diante do qual todos nos inclinamos. O que impulsionou Eva a apressar-se impetuosamente para comer o fruto proibido, senão aquela horrível coisa que é o seu EU? O que levou aquele irmão assassino a matar Abel senão o seu indomável EU? Quem induziu aquele velho mundo a corromper os seus caminhos? Quem, senão ELES MESMOS e os seus próprios prazeres? Qual foi a causa para Salomão cair na idolatria e na multiplicação de esposas estranhas? Qual foi a causa senão o seu EU, a quem ele preferia agradar em vez de a Deus? Qual foi o anzol que agarrou Davi e o forçou ao adultério, senão o seu DESEJO PRÓPRIO? E depois no assassinato, a não ser a sua PRÓPRIA REPUTAÇÃO e a sua PRÓPRIA HONRA? O que levou Pedro a negar o seu Senhor? Não foi uma parte do seu EU e do seu AMOR PRÓPRIO por autopreservação? O que fez a Judas vender o seu Mestre por trinta moedas de prata, a não ser a idolatria do avarento EU? O que fez Demas sair do caminho do Evangelho para abraçar este mundo? Outra vez o AMOR PRÓPRIO e um amor pelo PRÓPRIO LUCRO.
Todos os homens acusam ao maligno pelos seus pecados, mas o grande maligno, o mal interno de todo homem, o mal interno que reside no seio de todo homem é aquele ídolo que tudo mata, o EU! Bem-aventurados são aqueles que podem negar-se a si mesmos, e pôr a Cristo em lugar do EU! Oh! que doce frase: «Já não vivo eu, mas Cristo vive em mim»!
Samuel Rutherford, teólogo presbiteriano escocês (1600-1661)

O que é estar interiormente crucificado?
O que é estar interiormente crucificado? É não ter nenhum desejo, nenhum propósito, nenhuma meta, senão aquela que vem por inspiração divina, ou recebe aprovação divina. Ser crucificado interiormente é cessar de amar a Mamón, para poder amar a Deus; é não ter nenhum olho nos aplausos do mundo, nenhuma língua para as conversações ambiciosas e inúteis, nenhum medo da oposição do mundo. Ser crucificado interiormente é ser, entre as coisas deste mundo «um estrangeiro e peregrino»; separado do que é mau, em comunhão com o que é bom, mas nunca de maneira idólatra; vendo a Deus em todas as coisas e todas as coisas em Deus. Ser crucificado interiormente é, na linguagem de Tauler, «cessar completamente a vida do eu, abandonar igualmente o que vemos e o que possuímos –o nosso poder, o nosso conhecimento e os nossos afetos– para que assim, a alma, com respeito a qualquer ação originada em si mesmo, seja sem vida, sem ação, sem poder, e receba a vida, a ação e o poder somente de Deus».
Thomas C. Upham, teólogo do movimento de santidade americana (1799-1872).

O reconhecimento de um fato
Deus nada espera do eu, mas que ele seja crucificado, o que judicialmente já aconteceu. Como cristãos, nós não somos chamados a morrer para o pecado; mas a reconhecer o fato de que já morremos para o pecado na morte daquele que, na cruz do Calvário, pôs fim à antiga criação, para que no poder de sua ressurreição ele pudesse trazer a nova.  O nosso velho homem foi crucificado com Cristo, e em vista desse fato, reconhecemos a nós mesmos como mortos para o pecado e vivos para Deus. O reconhecimento não produz o fato; ele simplesmente brota do fato.
Este é um fato no eterno conselho de Deus. É um fato na economia divina da redenção. É um fato na consumação lavrada pelo Filho de Deus na cruz do Calvário. É um fato porque, quando o bendito Redentor morreu a vergonhosa morte de um escravo e um criminoso no maldito madeiro da cruz, Deus nos diz em sua Santa Palavra (e toda a Bíblia se centraliza nesse fato e é como o coro de um milhão de vozes ressonantes com seus louvores), que foi para tirar o pecado do mundo. Quando o pecador crê e é salvo, ele não cria o fato, ele simplesmente descansa no fato estabelecido desde a fundação do mundo quando, como lemos em Apocalipse, o Cordeiro de Deus foi imolado. O Calvário foi a expressão visível de um fato já estabelecido pelo determinado conselho e presciência de Deus.
«Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus, nosso Senhor» (Rom. 6:11)
F.J. Huegel (1889-1971)
Pregador norte-americano e autor da vida mais profunda.

A carne, especialista no «Eu»
«Porque se viverdes conforme à carne, morrereis; mas se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis» (Rom. 8:13).
Embora o crente tenha emergido da desordem e da confusão de Romanos 7, através da ordem de Paulo: «considerai-vos mortos para o pecado», ainda assim permanece o fato de que ele descobrirá muitas maneiras pelas quais o ego procura satisfação, através das esferas do seu ser ainda não rendidas. A carne, o corpo, todo o nosso complexo mortal, evidentemente ainda está presente em Romanos 8. Este capítulo representa muitas maneiras pelas quais a mortificação deve ser estabelecida. O crente vitorioso tomará consciência das muitas formas do ego que ainda precisam ser tratadas.
Nós descobriremos:
*Em nosso serviço para Cristo: autoconfiança e autoestima;
*No mais leve sofrimento: autosalvação e autopiedade;
*Na menor incompreensão: autodefesa e autoreivindicação;
*Em nossa posição na vida: egoísmo e egocentrismo;
*Na menor tribulação: autoinspeção e autoacusação;
*Em nossas relações: autoafirmação e respeito próprio;
*Em nossa educação: orgulho próprio e expressão de ideias e sentimentos próprios;
*Em nossos desejos: vida regalada e autosatisfação;
*Em nossos êxitos: autoadmiração e autocongratulação;
*Em nossas falhas: autodesculpa e autojustificação;
*Em nossas realizações espirituais: justiça própria e autocomplacência;
*Em nosso ministério público: autoreflexão e glória própria;
*Na vida como um todo: amor próprio e egoísmo.
A CARNE É UMA ESPECIALISTA NO «EU».
Leslie E. Maxwell, ministro e autor americano (1895-1984).


domingo, 25 de junho de 2017

Lutero: Atleta de Cristo


Lutero: Atleta de Cristo
P. em. Dr. Martim N. Dreher (Portal Luteranos
Lutero teve formação como monge. Quis ser obediente, pobre, casto, afastar-se do mundo e rezar. O mosteiro era ilha isolada. Havia obediência aos superiores e o monasticismo tinha longa história. Foi dos grandes poderes do Ocidente. Mas teve seu fim com o movimento de Lutero. Ordens religiosas continuaram a existir após a Reforma, mas não tinham mais a importância de outrora.
O monge assumia a castidade e negava a sexualidade. Rompia com o temporal, dedicando-se apenas à contemplação do Eterno. Não fazia mais parte da história de gerações: não gerava filhos. Após anos de isolamento monástico, Lutero ficou confuso ante o mundo e seus desafios e ansiou pela tranquilidade do mosteiro.
Os primeiros eremitas eram “anacoretas”, pessoas que fugiam dos pesados impostos, se ocultavam no deserto, onde polícia alguma se aventurava a procurá-los. Não produziram livros. As informações que temos deles vêm de lendas. No deserto, rezavam e dedicavam-se a tecer esteiras. Únicos companheiros eram os demônios que os visitavam com frequência, pois a ascese não evitava as tentações. E eles queriam ser tentados. Pediam pela graça de poderem morrer pela espada, mas os demônios preferiam torturá-los e matá-los lentamente. Sangravam a alma ao invés do corpo.
Tortura preferida dos demônios era a sexualidade. Desde os monges egípcios a humanidade passou a considerar mulheres como a origem do mal. Essa ideia tomou conta do cristianismo. As tentações de Santo Antão, para o qual o diabo sempre se apresentava na forma de bela mulher, foram lidas nos mosteiros. O antifeminismo tem sua história, e em seu decorrer foi amenizado pela devoção a Maria. Mas não desapareceu por completo e se manifestou especialmente nas Regras das Ordens Religiosas. A regra dos agostinianos considerava pecado fitar mulher, e os confrades estavam obrigados a denunciá-lo, seguindose: prisão com os pés algemados, a pão e água.
Lutero afirma não ter olhado para mulher nem mesmo quando lhe ouvia confissão. Estava mais preocupado com outra questão. Não era muito chegado a visões e arrebatamentos, oferecidos pela mística da época, com suas fantasias sexuais, nas quais o noivo Cristo era beijado, e acariciado em casamentos místicos. Lutero não seguiu essa tendência. O pouco tempo em que “namorou” com a mística alemã, foi quando buscava acesso direto a Deus.
Para Lutero, “libido” envolvia o ser humano como um todo e toda a sua vida. “Carne” é a pessoa com todas as suas qualidades que são o contrário de uma alma que busca Deus. Quando fala de sua tentação, fala de ira, impaciência, cobiça. Jamais vai dizer que a libido é a maior delas.
Lutero está repetindo a relação dos sete pecados capitais segundo o catálogo de monges que buscavam vida perfeita diante de Deus: soberba, inveja, ira, indiferença, avareza, gula, luxúria. Após o vício maior, a soberba, seguem os vícios da área espiritual e, depois, os três vícios da vida corporal. Não recitava todos eles. Muitos não lhe diziam respeito por estar no mosteiro. O que mais o marcou talvez tenha sido a “indiferença”, relacionada à hipocondria. Lutero enfrentou muita depressão. Além disso, tinha explosões de “ira”, mas logo buscava reconciliação.
A soberba vinha à frente dos pecados. Dava origem aos demais. A soberba se manifestava, quando o eremita se distanciava do mundo e das pessoas. Buscava conseguir primazia em relação aos demais mortais. Poucos seriam os perfeitos, muitos os fracos. A soberba se manifestava na ascese dos pais do deserto. Foi no deserto com suas altas temperaturas durante o dia e o frio gélido das noites que se desenvolveram as mais absurdas formas de monasticismo. Ascese era, originalmente, designação para o treinamento dos atletas profissionais. Por isso, os primeiros eremitas designavam-se de “atletas de Deus” e travaram verdadeiras competições entre si para ver, quem atingia os mais altos índices. Os primeiros deles até que foram comedidos. Não tinham Regra e não estabeleceram castigos, quando começaram a se reunir em comunidades. Só queriam ser diferentes dos pagãos. Usavam vestes escuras para se diferenciarem dos filósofos gregos que usavam manto branco. Também descuidavam do corpo. Em seus dias as pessoas ricas da Antiguidade passavam o dia em banhos e saunas. Os eremitas só consumiam um mínimo em alimentos. Em breve, porém, alguns deles passaram a serem considerados heróis, taumaturgos e exemplos que estabeleciam recordes ascéticos. O primeiro desses recordes a ser estabelecido era o da solidão. A curiosidade das pessoas do mundo urbano que os visitavam no deserto queria mais. Por isso, alguns “atletas de Deus” amarraram pesadas correntes ao corpo, fazendo se enterrar. O auge entre essas figuras foi estabelecido por Simão, o estilita. Pessoa de saúde admirável, primeiro fez-se enterrar por dois anos; depois, subiu em coluna de vinte metros de altura, sobre a qual passou os últimos trinta anos de sua vida. Na pequena plataforma no alto da coluna, Simão orava e fazia genuflexões. Um admirador tentou calcular quantas teriam sido. Com elas estava mais próximo a Deus. Após sua morte, muitas construções surgiram em torno da coluna. Simão foi utilizado pela igreja por representar exemplo de vida cristã. O cálculo dos exercícios desse “atleta de Cristo” motivou críticas de Lutero.
No deserto surgiu o mosteiro com Regra, sob a direção de um Abade e atividade produtiva. Preguiça deveria ser eliminada. Eremitas teciam esteiras. Os mosteiros variaram a produção. O organizador do primeiro mosteiro, Pacômio buscou por “ordem” num mundo em “desordem” e se tornou protótipo. E os mosteiros se transformaram em importantes centros de produção. Além disso, tornaram-se centros de cultura e de preservação, em oposição aos eremitas que a negavam. O monge tinha que ler e escrever, decorar a Bíblia. Estabeleceram-se regras, disciplina supervisionada. Foi nesse tipo de mosteiro que Lutero ingressou.
Lutero se desenvolveu nessa mais antiga forma de vida cristã. Movimentos reformatórios sempre de novo invocaram os primórdios do cristianismo, se bem que pensassem nas formas anteriores ao surgimento de eremitas e mosteiros. Lutero estava convicto de que acontecera crescente “decadência” e que era necessário retorno às origens.
 “Reforma” foi conceito que acompanhou a história dos mosteiros, que é contada em ciclos de “decadência” e de “reforma”. Quando Lutero ingressou na Ordem dos Agostinianos esta se encontrava dividida. Havia grupo que exigia reforma e outro que se lhe opunha. “Obediência” era um dos votos dos monges. Ela era prestada em relação ao superior da ordem, mas não impedia desobediência em relação a outras instituições como o papado. Até os dias de Lutero, os agostinianos se vangloriavam de ser a ordem mais obediente e de jamais haverem produzido um herege.
“Pobreza” era outro dos votos. O monge era pobre; o mosteiro era rico. Grande era considerado o abade que fosse grande administrador, fazendo crescer o Reino de Deus. Os mosteiros medievais preservaram a Antiguidade, quando as ordens bárbaras invadiram a Europa. Essa preservação manteve o que de mais precioso foi criado pelo ser humano. Também contribuíram para o progresso econômico das regiões em que se estabeleceram. Secaram pântanos, dominaram florestas, conformaram a Europa, hospedavam viajantes, cuidaram de enfermos. Mas não eram pobres. Patrocinavam as artes. Foram proprietários de grandes
extensões de terras. Alguns abades eram designados de príncipes e viviam como se o fossem.
Não havia pobreza no mosteiro de Lutero. Os agostinianos não eram tão ricos quanto os beneditinos, mas tinham posses. No século XVI, a acumulação de bens e de privilégios de parte dos mosteiros era tão grande que um reordenamento se fazia necessário. Do lado da igreja se falava na “ganância” do Estado, do lado do Estado se falava na “ganância” da igreja. Os agostinianos eremitas detinham 103 mosteiros na Alemanha.
O de Erfurt existia desde 1256. Lutero trajava-se com o hábito negro, preso com cinto de couro preto. Sobre ele vestia escápula branca. Camisa de lã servia de camiseta. Durante a noite vestia escápula com touca branca. Lutero usou o hábito negro muito tempo após haver rompido com Roma. O mosteiro de Wittenberg foi sua residência até à morte.
No mosteiro, foi “o monge” como se o imagina: foi tentado pelos demônios e acossado pelos pecados da soberba, da ira, da tristeza e do coração indeciso. Observou os votos monásticos, menos um: o da obediência. Não foi atleta de Cristo, não estabeleceu recordes ascéticos, não foi santo, sua ordem não os tinha. Queria algo bem simples: um Deus misericordioso. Sua desobediência consistiu em procurá-lo por caminhos diversos dos oficiais. Nisso consistiu sua heresia.
O autor é Pastor e Professor
emérito da IECLB, residente
em São Leopoldo/RS