sábado, 24 de novembro de 2007

John Wesley (1703-1791)


Em 28 de junho de 1703 nascia em Lincolnshire, na Inglaterra, John Wesley, cuja mãe chamava-se Susanna, era o 12º dos dezenove filhos do reverendo Samuel Wesley, um pároco de Epworth.

Quando completava seis anos, quase perdeu a vida num incêndio à noite, provocado por um grupo de malfeitores. O fogo se alastrava no teto de palha da paróquia onde eles moravam, começando a estilhaçar brasas sobre as camas. Subitamente, Hetty Wesley, um dos irmãos menores, acordou assustado e correu até o quarto de sua mãe. E logo todo mundo estava em pé, tentando conter o domínio das chamas, enquanto a pequena criada, agarrando o bebê Charles nos braços, chamava as crianças para um lugar mais seguro. A essa altura, Twice Susanna Wesley forçava a porta contra as costas, numa tentativa desenfreada de proteger-se.


A família finalmente conseguiu sair de casa e, apavorada, reuniu-se no jardim, pois descobrira que o pequeno Jackie havia ficado lá dentro dormindo. Voltaram correndo, mas era tarde: a escada estava em cinzas e tornava impossível resgatá-lo. O rapaz chegou até aparecer na janela, porém não podiam segurá-lo, visto que a casa ficava no segundo piso. Todavia, um pequeno homem pulou sobre os largos ombros do pai de Wesley e, num esforço desmedido, conseguiu salvar a criança.

Um Estudante de Cristo

Conseqüentemente, uma profunda ternura passou a residir no coração de Jackie que, mesmo depois de homem, considerava que havia escapado aquela noite porque Deus tinha um propósito muito especial em sua vida. Várias vezes ele chegou a comemorar este dia em seu diário secreto que escreveu: “Arrancado das Chamas.”

Seis anos depois, em Charter House School, Jackie matriculou-se na Universidade em Oxford, tornando-se um estudante da igreja de Cristo. Quatro anos mais tarde graduou-se em bacharel de artes e em 1726 foi eleito acadêmico do Colégio Lincoln.

Enquanto John Wesley era ordenado ao ministério e ajudava o pai em casa, Charles, o irmão mais novo, organizava em Oxford um pequeno grupo de estudantes para orações regulares, estudos bíblicos e outros serviços cristãos. O Clube Santo, como era chamado, incluía vários integrantes, que, mais tarde, tornaram-se pioneiros de um avivamento, ocorrido no século XVIII, destacando-se, entre outros, George Whitfield.

Obedecendo ao Senhor, John Wesley viajou para colônia em Georgia, como capelão, em 1736. Charles nesta época era secretário do governador e o piedoso trabalho em Georgia, embora com muitas lutas, teve sucesso mais tarde. O reverendo George Whitfield, depois de visitar a sede do movimento, escreveu: “O eficiente trabalho de John Wesley na América é impressionante. Seu nome é muito precioso entre o povo, pois tem edificado as fundações que, espero, nem homens nem demônios a abalem.”

Aprendendo a Confiar

Em contato com German Moravian Christians na América, Wesley questionava sobre as verdades cristãs. Sabia muito bem que o êxito de seus trabalhos estava nas mãos de Deus e, por isso, começou a buscá-lo em oração. Não demorou muito tempo e, em 24 de maio de 1738, acabou encontrando a resposta quando, de volta para a Inglaterra, resolveu registrar tudo quanto acontecera naquele dia: “À tarde, visitando a sociedade em Aldersgate Street, li o ‘Prefácio da epístola aos Romanos’ na versão de Lutero, cujas palavras tocaram-me profundamente. Senti meu coração bater fortemente. E, desde aquele momento, aprendi a confiar em Cristo como meu Salvador. Estou seguro de que os meus pecados estão perdoados. Me salvei da lei do pecado e da morte.” Esta experiência mudou o rumo da vida de Wesley que, a partir daquele momento, passou a ser uma nova criatura, sendo consagrado o maior apóstolo da Inglaterra.

John Wesley começou o trabalho de pregação ao ar livre quando viajava para Bristol a fim de ajudar George Whitfield, que na época era conhecido como o mais eloquente pregador da Inglaterra. Wesley, a princípio, rejeitou a idéia, mas uma vez convencido da vontade de Deus, acabou se tornando mais famoso que Whitfield. Viajava 11 quilômetros por ano. Experimentou os mais cruéis sofrimentos e oposições em toda sua vida. Estava frequentemente em perigo.

Embora fosse sábio e proeminente, o itinerante evangelista era um homem simples e executou muitas obras sociais. As suas poderosas mensagens muito influenciaram a igreja que, no ano de 1739, adquiriu uma sede para o movimento protestante, que crescia vertigiosamente. Comprou uma casa de fundição em ruínas, na cidade de Moofield, e transformou-a num templo. O prédio passou por uma rigorosa reforma que custou, na época, 800 libras (quantia superior ao da compra que foi de 115 libras), mas valeu a pena. Depois de pronta, a capela passou a comportar cerca de mil e quinhentas pessoas.

Era o primeiro edifício metodista em Londres, onde a verdadeira doutrina de Cristo era proclamada. Pessoas sedentas por ouvir a gloriosa mensagem do evangelho cruzavam todos os domingos a escuridão das estradas de Moorfield com lanternas, para ouvir os ensinamentos de Wesley. O prédio dispunha de sala de reuniões, com capacidade para 300 pessoas, sala de aula e biblioteca.

Mais tarde, John Wesley instalou a sua própria casa na parte superior da capela, onde passou a morar com a sua família. Em 1746, abriu um centro de atendimento médico e escola gratuitos, com capacidade para 60 estudantes, contratou farmacêutico, cirurgião e dois professores e, em 1748, alugou uma casa conjugada para refugiar viúvas e crianças.

Muitos foram os patrimônios conseguidos pela igreja durante os 40 anos do movimento metodista em Moorfield, organizada por John Wesley. Entretanto, devido a expiração do contrato imobiliário, a sede teve de mudar-se para um outro lugar.

Próximo dali, em City House, encontrava-se um vasto campo onde jaziam os túmulos de Bunhill Field e o de sua esposa Susana Wesley. Um lugar de pântanos, recentemente aterrado, onde foi construída a catedral de Saint Paul. Havia também no local algumas pedras de moinho, utilizadas para moer milho trazido do Thames, que era transformado em trigo.

John Wesley alugou quatro mil metros quadrados destas terras em 1777 para construir a nova capela. E, finalmente, em 21 de abril do mesmo ano, sob forte chuva, lançou a pedra fundamental, com a seguinte gravação: “Provavelmente, esta pedra não será vista por algum olho humano, mas permanecerá até que a terra e o trabalho sejam consumados.” Naquele dia, Wesley improvisou um púlpito sobre a pedra e pregou em Nm 23.23.

A Recompensa

Em 1º de novembro de 1778, dezoito meses depois, no Dia de Todos os Santos, a capela estava próxima de ser aberta para a adoração pública. Apesar dos ventos das dificuldades (além de ter contraído muitas dívidas, os trabalhadores tiveram as ferramentas roubadas), Deus recompensou grandemente o esforço de Wesley, levantando voluntários dentre os membros. O rei George III, por exemplo, doou mastros de navios de guerra para o suporte das galerias.

Conta a história que um certo dia Wesley ficou de um lado do templo e Taylor, um dos cooperadores do outro, com os chapéus nas mãos, e conseguiram arrecadar 7 libras; o suficiente para a conclusão das obras. Toda a galeria foi coberta com gesso e os bancos de madeira de carvalho, doadas pelas igrejas da América, Canadá, Sul da África, Austrália, Oeste da Índia e Irlanda. As janelas vitrificadas, as impressões no teto foram trabalhados no estilo Adams (réplica antiga), e a casa de Wesley construída num pátio em frente à capela. Estas raridades, depois de reformadas em 1880, no centenário da morte de Wesley, memorizam as epopéias deste bravo soldado de Cristo.

Sua Morte

Mesmo depois de velho, quase cego e paralítico, John Wesley continuava pregando em City Road e Latherhead. E, quando percebeu que sua vida estava chegando ao fim, sentou-se numa cama, bebeu um chá e cantou:


“Quando alegre eu deitar este corpo e minha vida for coroada de bênção, quão triunfante será o meu fim! Eu glorificarei a meu Criador enquanto tenho fôlego; E, quando a minha voz se perder na morte, empregarei minhas forças; em meus dias o glorificarei enquanto tiver fôlego até o fim de minha existência.”


Wesley foi enterrado no Jardim-túmulo, em frente à capela em City Road, sob as luzes das lanternas, na manhã de 2 de março de 1791. Morreu com os olhos abertos e balbuciando a seguinte palavra: “Farwell” (adeus). Cerca de 10 mil pessoas acompanharam o funeral. E a lápide até hoje indica o significado histórico: “À memória do venerável John Wesley: o último companheiro do Lincoln College, Oxford...”


Fonte: Revista Obreiro Aprovado (Fev/Mar 1996)

ENTREVISTA com o sociólogo GEDEON ALENCAR

O Protestantismo Brasileiro é Sincrético

Para o sociólogo Gedeon Alencar, a teologia é mais fruto de contextualização cultural do que revelação divina.

Entrevista publicada na Revista Eclesia, março de 2006

O pensamento crítico não é lá muito valorizado no meio evangélico. Pudera – em boa parte das igrejas, qualquer questionamento costuma ser visto como rebeldia. Por isso, pensadores como Gedeon Freire de Alencar nem sempre têm seu trabalho reconhecido no segmento. Graduado em filosofia, mestre em ciências sociais e diretor pedagógico do Instituto Cristão de Estudos Contemporâneos (Icec), além de presbítero da Igreja Assembléia de Deus Betesda, em São Paulo, Gedeon acaba de lançar um livro polêmico.
Protestantismo tupiniquim (Arte Editorial) é uma obra que analisa criticamente posturas e comportamentos da Igreja Evangélica nacional. Inclusive, algumas evoluções, como a mudança de atitude diante de manifestações artísticas e culturais até bem pouco tempo vistas como profanas.
Segundo Gedeon, muitas coisas que já foram consideradas pecaminosas pelos crentes de outrora hoje são vistas com outros olhos justamente porque nada tinham de espirituais ou carnais. “Esse juízo de valor nem sempre é apropriado. É o caso do rádio e da TV, que de malditos passaram a ser usados maciçamente para o evangelismo”, opina. Por isso mesmo, diz o pesquisador, é preciso analisar a teologia sob o ponto de vista contextual: “Embora os teólogos digam que teologia é uma produção divina, a verdade é que ela é uma produção humana adequada ao seu tempo”. O exemplo mais claro é a chamada teologia da prosperidade, que ganhou força nos anos 1970, acompanhando o processo de urbanização. “Ela só poderia florescer numa sociedade urbana e de consumo”, enfatiza. “É a legitimação do aburguesamento da classe média evangélica.”
No Icec, Gedeon leciona as disciplinas metodologia científica, filosofia, cultura e Evangelho e sociologia da religião. Além do seu trabalho docente, participa de diversas entidades acadêmicas, como a Associação Brasileira de História da Religião e a Rede de Teólogos e Cientistas Sociais do Pentecostalismo na América Latina e Caribe. Atua também como consultor e palestrante, sempre abordando a inserção do Evangelho nas questões sociais brasileiras. Nesta entrevista a ECLÉSIA, ele esclarece alguns pontos de seu livro e traça um panorama do modo como a fé evangélica tem influenciado a cultura nacional – e, em escala muito maior, como tem sido afetada por ela.

ECLÉSIA – Como o senhor define esse tal protestantismo tupiniquim, tema de seu livro?
GEDEON ALENCAR – Vou recorrer à definição que faço no fim do livro, que é a de um cristianismo brasileiro. E sendo brasileiro, ele é miscigenado, sincrético, pluralista e festivo, do jeito que o Brasil é. Ou seja, o protestantismo, aqui, não é melhor nem pior do que é o Brasil – ele está impregnado de miscigenação e sincretismo.

Então, a origem do protestantismo é sincrética?
Sim. O cristianismo, originalmente, é sincrético. Ninguém inventa a roda – ou seja, não existe religião pura. As festas judaicas, quando foram estabelecidas por Moisés, obedeciam ao ciclo agrícola. Eram festas que todas as civilizações da época tinham. Os mesopotâmicos tinham aquelas festas e os egípcios também, antes, durante e depois dos hebreus. A própria estrutura e o funcionamento do Tabernáculo tinham aspectos que templos de outros deuses da época também tinham. A diferença é que, no caso dos israelitas, havia uma revelação de um Deus específico e onisciente, mas a estrutura religiosa dos judeus, e aqui estou falando como sociólogo, era igual a qualquer outra. Ou seja, a religião tanto absorve costumes de sua época quanto influencia esses costumes.

Mas os evangélicos são críticos do sincretismo religioso.
Hoje, é muito fácil, e todo mundo faz isso, criticar a questão do sincretismo quanto a cultos afro. Uma das coisas que mais bato no meu texto é que essa nossa implicância com o culto afro tem muito mais a ver com o racismo subjacente. A gente absorve o folclore americano, o folclore europeu, o folclore de outros lugares. E esse folclore, só porque é de civilização branca e poderosa, não é pecado? Ora, veja as músicas dos nossos clássicos hinários. As músicas da Reforma Protestante, por exemplo, são do folclore alemão. Por que que eu posso cantar folclore alemão e não posso cantar folclore angolano? Para se ter uma idéia, um instrumento que foi sacralizado no mundo evangélico é o piano. O piano nasceu em ambientes, digamos, não tão santos. Ele apareceu primeiro nos bordéis, já que sua música é apropriada para danças. Agora, como veio a nós pelo viés anglo-saxão branco, foi divinizado. Por que o piano é santo e o atabaque é demoníaco? Então, essa nossa implicância protestante vem muito mais por viés racista do que teológico.

Os crentes, em geral, rejeitam as religiões afro por considerarem-nas demoníacas, dada sua inspiração em espíritos ancestrais e divindades ligadas à natureza. Na sua opinião, isto é manifestação racista?
É aí que está. Hoje, fazemos uma satanização da cultura afro como um todo. A gente não procura diferenciar religião afro de cultura afro. Religião afro, como qualquer outra religião, pode ser demoníaca. O protestantismo alemão na época do nazismo não era menos satânico do que a religião afro. E o cristianismo holandês na África do Sul, que legalizava o apartheid, era menos satânico do que os cultos de matriz africana? Toda religião tem erros, ora. Mas também tem acertos e belezas – e isso acontece tanto com as religiões afro quanto com o nosso cristianismo. Veja a musicalidade dos negros, a alegria que eles têm diante da vida. Suas danças são inspiradoras. E por que que eles são obrigados a celebrar Deus à maneira dos europeus e não à sua própria? Durante séculos, tivemos essa opressão contra os negros na África, e a transpusemos para o Brasil. Repito: é mais uma questão ideológica do que teológica.

Os evangélicos são avessos também a um dos pontos básicos da fé sincrética, que é a veneração de imagens...
Quando o texto bíblico dos Dez Mandamentos fala em adoração de imagens, a gente simplifica dizendo que trata-se das imagens de escultura e logo associa com os santos católicos. Mas o que é imagem e o conceito de idolatria? O ídolo é toda e qualquer mediação que se coloca entre você e Deus. Em alguns momentos das nossas histórias denominacionais, alguns líderes e membros de determinadas igrejas adoram muito mais a sua igreja e sua tradição do que a Deus. Cria-se todo um processo idolátrico, em que o indivíduo diz que a sua igreja é melhor do que as outras. Isso sem falar dos ícones, de algumas figuras do meio evangélico que têm um patamar de ídolo. Existem líderes em nosso meio evangélico que não pisam no chão. Ninguém pode aproximar-se ou falar diretamente com eles. Há quase um processo de veneração da personalidade do líder. Nesse sentido, tal comportamento é tão pecaminoso e satânico quanto qualquer outra forma de idolatria.

É possível dizer que existem ritmos santos e ritmos profanos?
Veja bem, todos os ritmos são do mundo. Eu acho uma profunda estupidez satanizar um ritmo e divinizar outro. O louvor a Deus não passa pelo ritmo, mas pela transcendentalidade divina e pela subjetividade humana. Um axé pode ser sensual, mas um blues, ou um jazz, também podem. O samba pode ser sensual, mas uma marcha também pode. Mas o que Jesus disse à mulher samaritana? Que os verdadeiros adoradores devem adorar ao Senhor em espírito e em verdade. O que Jesus quis dizer ali é que adoração não tem a ver com uma categoria de pessoas, não tem a ver com o local e não tem a ver com dias determinados. Ou seja, adoração é transcendentalmente acima de temporalidade e do espaço. Logo, se o reduzirmos à questão do ritmo, o louvor não passa por um determinado tipo de música ou dos instrumentos musicais utilizados – passa por um ideal de vida, que é muito mais sublime do que qualquer outra coisa.

O senhor acha que a cultura nacional tem influenciado a Igreja Evangélica?
Sim, e graças a Deus por isso. Nos primórdios do protestantismo no Brasil, a Igreja Evangélica aqui instalada não tinha nada a ver com a realidade brasileira. Quando a Igreja Anglicana chegou por aqui, no século 19, tinha toda sua celebração em inglês. A Igreja Luterana, da mesma forma – era toda alemã, tinha muito mais a ver com a sua raiz étnica do que com o Brasil. Já no século 20, tivemos a Congregação Cristã do Brasil, que até a década de 1940 só fazia cultos em italiano e cantava músicas em italiano. Até a Bíblia era em italiano. Isso só começou a mudar dapois da Segunda Guerra Mundial, porque tudo o que era ligado à Itália e à Alemanha – países que o Brasil combateu no conflito – passou a ser considerado suspeito. A partir dos anos 1950, contudo, as igrejas já nascem aqui com cara brasileira.

Mas a matriz evangélica adotada no Brasil é incontestavelmente de influência americana. Logo, essa dominação americana sobre a Igreja brasileira não acabou?
Aí, entra uma outra particularidade da cultura brasileira, e os evangélicos também estão inseridos nessa cultura. O Brasil hoje é um dos países mais multiculturais do mundo. E somos extremamente abertos a novidades, principalmente aquelas oriundas de nações mais desenvolvidas do que nós. Uma das características mais básicas da cultura brasileira é a imitação. O brasileiro adora imitar o estrangeiro, sobretudo o que vem dos Estados Unidos. E o gospel moderno, tanto na literatura como na música, é uma imitação do que se faz lá. Nada mais brasileiro que imitar o estrangeiro. Podemos dizer que temos uma Igreja brasileira, mas com cara americanizada. Além da americana, há outras influências culturais sobre a Igreja brasileira? Sim. Em muitas igrejas pentecostais brasileiras, está havendo um retorno a tradições e origens judaicas, que provavelmente vai dar o que falar. Isso tem uma carga ideológica e racista de sionismo forte, num mundo onde se acirrou muito a questão da luta religiosa, influenciada pela direita americana. Eu conheço igrejas em São Paulo que têm a bandeira de Israel no altar. Em outras, o pastor instrui os fiéis a guardar o sábado e a utilizar objetos rituais como o candelabro e outros utensílios do antigo Tabernáculo hebreu. Para quê isso? Uma coisa é você abençoar a geração de Abraão; outra é abençoar a atual nação de Israel. A nação de Israel hoje é a manifestação política de uma outra época, há um longo abismo desde os tempos de Abraão. Eu acho esse sionismo evangélico só traz problemas.

Por quê?
Eu que pergunto: por que certas coisas têm que ser resgatadas e outras não? Se é para obedecer ao Levítico na literalidade, precisaríamos fazer sacrifícios de animais e excluir as mulheres da liturgia. E é claro que não devemos fazer isso. Essa adaptação ao judaísmo não é conveniente para os crentes, pois como é que ficaria então nossa relação com o sacrifício de Jesus? Isso causa um problema teológico seríssimo.

E a Igreja brasileira tem influenciado a cultura nacional?
Sim e não. Um exemplo claro foi sua postura diante do golpe militar de 1964. No início da ditadura militar, todas as igrejas evangélicas, como batistas e presbiterianas, mandaram telegramas para o general Castelo Branco, um dos líderes do movimento e que se tornou presidente da República, parabenizando-o pelo golpe. Eles estavam certos de que aquilo era a direção de Deus, mas anos depois a gente viu no que deu. Com o presidente Collor e, mais tarde, com o próprio Lula, foi a mesma coisa. Qualquer manifestação contra ou a favor é uma manifestação secular, social. É uma inserção da Igreja nessa sociedade, ao mesmo tempo que pode ser uma manifestação espiritual. Há 50 anos atrás a Igreja satanizava o futebol; hoje, não. O futebol deixou de ser pecaminoso ou a igreja melhorou? Nem uma coisa nem outra. Futebol não deixou de ser futebol e igreja não deixou de ser igreja. No decorrer dos anos todos mudam, pois há uma adequação natural. Não tem como ser diferente.

Essa adequação não é prejudicial?
Para não tipificar de forma muito pejorativa a Igreja, vamos relacioná-la com o PT. O PT de 20 anos atrás era aquele grupinho coeso, de uma honestidade a toda a prova. Pobre, pequeno, com inimigos mil ao redor – essa é uma tendência natural do agrupamento social minoritário. Num grupo pequeno, seus inimigos são sempre exteriores. Na medida em que esse agrupamento vai crescendo, seus inimigos mudam. E aí começa aquela história de fogo amigo. Os maiores inimigos tornam-se os internos. Voltando à questão da Igreja, à medida que ela vai crescendo – e ela cresceu muitíssimo nas últimas décadas –, vai perdendo seu poder de influência.

O natural não seria o contrário?
Acontece que ela ficou quantitativamente grande, mas tornou-se qualitativamente heterodoxa. É uma Igreja que não influencia mais a sociedade, porque ficou menos coesa.

Hoje assistimos a uma explosão do chamado mercado gospel. A produção cultural evangélica tem influenciado “o mundo”, para usar uma expressão bem comum entre os crentes?
O problema da nossa produção cultural é que a gente entra no mercado não para alterar alguma coisa, mas seguindo os padrões vigentes de produção, de consumo, de estética – e, dizem as más línguas, de falcatrua. Isso é mais evidente em relação à chamada indústria de música gospel. Da mesma forma, com a chamada indústria evangélica de literatura. Há até indústria de testemunhos! Há algum tempo, os evangélicos achavam errado estar presente no mundo. Só que o grande problema não é a gente estar presente lá no mundo, mas seguir o mesmo padrão dominante. Transportando isso para a questão do comportamento social, não existe mais aquele perfil evangélico do indivíduo que não bebe, não fuma, não é desonesto e não faz coisas erradas. O evangélico de hoje não tem mais aquele carimbo de santidade na testa. Algumas vezes, faz coisas até piores do que os outros.

E o que dizer das qualidade da produção cultural evangélica?
Se a gente pegar algumas canções de louvor e adoração que são cantadas hoje, veremos que são muito rasas. Os caras escrevem umas quatro linhas que não dizem nada e ficam repetindo essa baboseira por meia hora. Isso é desonesto. Eu já ouvi músicas da nova safra gospel que considero um lixo. Não têm qualidade musical, não têm conteúdo, não têm letra, não têm arranjo, não têm estilo. É uma porcaria, com todas as letras. Também tenho lido livros evangélicos de ponta a ponta e no final não consigo entender o tema daquilo. O autor não diz nada e você fica com a sensação de que gastou dinheiro e não aprendeu nada. Ou então, no culto, o pregador fica 40 minutos dizendo absolutamente nada. Ou seja, uma mensagem vazia é tão desonesta qanto um CD ou um livro que não dizem nada. E ainda tem aquela coisa da fabricação de astros da música, de ídolos da literatura, de estrelas do púlpito. A gente vê isso nos livros, nos CDs, nos cultos, nos congressos... .

A teologia também é uma produção cultural?
Apesar dos teólogos sempre dizerem que teologia é uma revelação divina, a verdade é que ela é uma produção humana adequada ao seu tempo. Do ponto de vista sociológico, teologia é a legalização do estado social. Nesse sentido, a teologia da prosperidade jamais poderia fazer sucessso na década de 1920, quando ocorreu uma grande crise econômica do mundo. Não havia ambiente social nem cultural para isso. A teologia da prosperidade nasce junto com o neoliberalismo econômico. Quer dizer, ela junta a fome com a vontade de comer. Ou seja, as teologias são sempre produzidas de acordo com a época. A teologia da prosperidade nasce num processo de urbanização fundamental. Essa teologia não poderia ter nascido numa sociedade rural. Ela tinha que aparecer num mundo urbanizado com o de hoje, com demandas de consumo inimagináveis. A teologia da prosperidade legaliza essa classe média evangélica que se aburguesou. E isso não é um fenômeno exclusivamente contemporâneo. A teologia calvinista do século 17 surgiu como forma de legalização da burguesia ascendente da época. E assim por diante.

Então a teologia desses grupos é meramente utilitária?
Tanto quanto de outros grupos. O segmento neopentecostal tem uma ética relativista e uma estética muito consumista. Isso também tem uma teologia, conforme a tese que o sociólogo Ricardo Mariano elaborou sobre o neopentecostalismo, que relativizou a ética e se aproveitou da estética.

Onde mais se observam contextualizações sociais ou políticas na teologia protestante?
Para não ficarmos somente na teologia da prosperidade, veja o escatologismo exagerado do pentecostalismo nas primeiras décadas do século passado. Há uma razão histórica para explicar tamanha ênfase num eventual fim dos tempos. O pentecostalismo nasce na passagem do século 19 para o 20. Toda passagem de século tem uma efervescência escatológica muito forte. E logo nos anos seguintes, veio a Primeira Guerra Mundial, que trouxe uma mudança fundamental no processo bélico, que foi a inclusão dos aviões – uma tecnologia nova – em combates. Num panorama de destruição daqueles, a ênfase escatológica foi tão grande que os crentes pensavam que Jesus estava às portas, prestes a voltar a qualquer momento. Depois, veio a Segunda Guerra, trazendo mais destruição e ainda por cima a figura de Hitler, considerado por muitos como o próprio anticristo. Logo, tudo apontava para uma volta iminente de Cristo, e a teologia produzida na época refletia isso.

Falando em termos sociológicos, esse escatologismo levou os evangélicos à alienação?
Exatamente. O grande mal que essa teologia produziu foi uma alienação absoluta da realidade. Como as pessoas pensavam que Jesus já estava voltando, achavam que não deveriam mais ter nada a ver com este mundo. A teologia pentecostal, nos seus primeiros anos, e mesmo até hoje em alguns setores, levou os evangélicos a achar que só a vida espiritual deveria ser cuidada – e o mundo que se explodisse. O fato de se pensar somente em morar no céu produziu uma profunda alienação. Olha, eu tenho muitas reservas contra os dogmáticos de plantão, os donos da verdade teológica, que dizem que isso ou aquilo é pecado e está errado. Pode ser que não seja. Como eu não sou teólogo ou pastor, posso me dar ao luxo de relativizar. Como sociólogo, não tenho essa preocupação dogmática. E acho que os crentes em geral também não devem ter.

Marcos Stefano
Jornalista da revista Eclésia

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

A TRANSFIGURAÇÃO DE JESUS



Textos: Mateus 17.1-13; Marcos 9.2-13; Lucas 9.28-36

(Estraído da revista A Vida de Jesus, Estudos nos Quatro Evangelho Harmonizados, vol III, da Editora Batista Brasileira, Rio de Janeiro, 2ª edição, 2006, págs 47 a 50)

Fazia pouco tempo que Jesus enviara seus doze apóstolos, de dois em dois, pelas vilas e cidades da Galiléia, que multiplicara pães e peixes para mais de cinco mil pessoas, que multiplicara nova-mente pães e peixes para outra multidão de mais de quatro mil pessoas, e que ouvira de Pedro o reconhecimento de que ele, Jesus, era o Cristo, o Filho do Deus vivo. Lucas diz que faziam oito dias do episódio da confissão de Pedro e, certamente, tudo isto estava muito vivo nas mentes dos seus discípulos.
De acordo com S.L.Watson e W.E.Allen (op.cit. Pág. 91) Jesus estava em território de Herodes Filipe, a nordeste do mar da Galiléia, na região de Cesaréia de Filipe e, em determinado momento separou Pedro, Tiago e João para estar a sós com ele, e se dirigiu a um alto monte para orar (pela região pode-se deduzir que seria o monte Hermon).
Enquanto orava seu rosto mudou de aparência (Lc 9.29) e tornou-se resplandecente como o sol (Mt 17.2). Suas vestes também foram transformadas e tornaram-se extre-mamente brancas e resplandecentes (Mr 9.3). Ao mesmo tempo em que foi transfigurado, apareceram dois grandes profetas dos judeus, Moisés e Elias, conversando com Jesus.
Pedro e os outros dois apóstolos estavam dormindo quando isso aconteceu e, quando acordaram já encontraram aquele quadro diante de si. Pedro, sem saber o que dizer (Mr 9.6), quando já os dois profetas se retiravam, disse a Jesus que era bom estarem ali e que deveriam fazer três cabanas: para Jesus, Moisés e Elias. Enquanto Pedro ainda falava (Lc 9.34) todos foram cobertos por uma nuvem da qual saiu a voz de Deus que dizia: “Este é o meu Filho amado, o meu eleito, em quem tenho o meu prazer; a ele ouvi."
Percebendo que era o próprio Deus quem falava, os três caíram com o rosto em terra e ficaram assim, cheios de temor (Mt 17.6). Mas, Jesus chegou-se a eles e tocando-os mandou que se levantassem e não tivessem medo. Eles levantaram os olhos e não viram mais ninguém, a não ser Jesus sozinho.
Iniciaram a descida e Jesus ordenou-lhes que não contassem a ninguém sobre o acontecido, até que o Filho do homem (ele próprio) fosse levantado dentre os mortos. Essa ordem desencadeou dúvidas nas mentes dos três apóstolos, que giravam a respeito da ressurreição de Elias.
Do episódio da transfiguração e dos ensinamentos de Jesus, podemos destacar o seguinte:

A TRANSFIGURAÇÃO DE JESUS MANIFESTOU A SUA NATUREZA DIVINA
Mt 17.2; Mr 9.3; Lc 9.29

Talvez motivado pela sua natureza de pecado o homem sempre tem a tendência de olhar para Jesus somente como um homem. Isso não acontece somente em nossos tempos; já acontecia nos tempos de Jesus. Para confirmação do que é afirmado, é só observarmos a intensidade da revolta e da incredulidade dos judeus quando Jesus afirmava ser o Filho de Deus.
Os discípulos de Jesus não eram exceção. Por certo o reconheciam como alguém muito especial, vindo de Deus, mas até a sua ressurreição sempre tiveram dificuldades em vê-lo como divino, como o Filho de Deus.
A transfiguração de Jesus manifestou a pelo menos três dos seus discípulos que ele era realmente divino, que tinha uma natureza pré-existente, essencial-mente diferente da humana, de uma glória inigualável. O surgimento dessa natureza gloriosa, divina, fez com que o seu resplendor fosse manifestado em uma visão indes-critível. Seu rosto tinha um brilho tão intenso quanto o sol e suas vestes eram tão brancas que resplandeciam como a luz. Nenhum homem poderia ter essa aparência.

NO MOMENTO DA TRANSFIGURAÇÃO FORAM MANIFESTADAS REALIDADES CELESTIAIS
Mt 17.3; Mr 9.4; Lc 9.30,31

Certamente a Bíblia não nos revela todas as realidades celestiais, porém, somente algumas. Mas as que nos são reveladas são confor-tantes e nos deixam plenos de esperança e alegria pela salvação. Por palavras de Jesus registradas nos Evangelhos sabemos que o céu é um paraíso, que é o lugar onde ele está e onde estaremos juntos com ele. Pela visão do Apocalipse sabemos que é um lugar mara-vilhoso, cheio de resplendor, onde não existem dores, tristezas, aflições, pecados e tudo o mais que nos faz sofrer tanto neste mundo.
No momento da transfiguração foi formado um quadro vivo que deixou à mostra algumas outras realidades celestiais:
1. A identidade do ser pessoal de quem é salvo é mantida nos céus. A nossa individualidade, a nossa personalidade essencial é mantida. Para o judeu o nome representava o ser na sua essência e note-se que Moisés continuou a ser Moisés no céu e que Elias também continuou a ser Elias. Certamente o Senhor Jesus, ao conversar com eles os chamava por seus nomes. Não fosse assim, como Pedro, Tiago e João poderiam saber quem era, se já se depararam com a cena quando acordaram? É certo que, boquia-bertos, ficaram a ouvir a conversa. A prova disso é que sabiam do que falavam (Lc 9.31).
2. Os salvos mantêm a consciência das realidades do reino de Deus. No céu não existem “zumbis” ou seres automatizados sem raciocínio e alienados das coisas a respeito do reino de Deus. Em poucas palavras Lucas deixa essa realidade regis-trada quando afirma que falavam da partida de Cristo que estava para acontecer em Jerusalém. Ao que parece, de repente Jesus se viu no céu (deve ser registrado que ele estava orando Lc 9.29) parlamen-tando com seus servos do passado, conversando a respeito da sua morte, ressurreição e retorno ao céu. Moisés e Elias estavam no céu participando do que acontecia com respeito do cumprimento do plano de Deus para a salvação do homem. Plano do qual eles fizeram parte ativa no período do Velho Testamento.
3. A glória celestial é tão mara-vilhosa que faz com que os crentes em Cristo desejem permanecer nela para sempre. A palavra súbita e impensada de Pedro demonstra isso. Acordou, viu a glória divina de Cristo, viu a presença dos grandes profetas do passado, ouviu a conversa e não pensou mais em voltar. Esqueceu-se de todos os companheiros e até de sua família. Ali, naquele lugar onde Deus estava presente, era muito bom. Por que voltar? Por que sair dalí? Pedro nem se preocupou com seu próprio abrigo. Só queria fazer abrigos para os três e ficar ali desfrutando daquela realidade celestial, mara-vilhosa, que nunca vira.

O FILHO DE DEUS PRECISA SER OUVIDO
Mt 17.5-13; Mr 9.7-13; Lc 9.35,36

Enquanto Moisés e Elias se apartavam de Jesus e Pedro falava com Cristo em ficar ali, uma nuvem resplandecente cobriu a todos. Era a glória de Deus que tomava conta do lugar. Mas não foi uma mani-festação silenciosa porque o próprio Deus Pai fez ouvir a sua voz dizendo que: a) Jesus é o seu Filho amado e escolhido; b) Ele, o Pai, tem prazer no seu Filho, Jesus; c) Os discípulos de Jesus têm que dar ouvidos a ele.
Que significado teria isso para a humanidade, principalmente para aqueles que se fizeram discípulos de Cristo? Primeiramente o signi-ficado do testemunho de três homens idôneos que ouviram, juntos, a voz do próprio Deus afirmando que Jesus não era um homem como outro qualquer, com a natureza humana somente. Jesus era o próprio Filho de Deus. Em seguida, a afirmativa de que Jesus é o Filho amado (conf, Mt e Mr), escolhido (conf. Lc), em quem estava o prazer do Pai, demons-trando que o que aconteceria com Jesus, que era o teor da conversa dele com Elias e Moisés, era resultado de um amor imenso pela humanidade, porquanto Deus escolhera seu único Filho, em quem tinha seu prazer, para ser sacrificado em favor da humanidade. Final-mente, o significado de uma ordem divina, direta aos discípulos de Cristo, para que dêem ouvidos ao Filho de Deus. De nada adiantaria Jesus ter vindo ao mundo, ter entregado a sua vida em sacrifício pela humanidade, ter ressuscitado gloriosamente, ter voltado ao céu, se ninguém desse ouvidos às suas palavras. A salvação só se realiza na vida daquelas pessoas que dão ouvidos às palavras de Cristo (Jo 5.24). Ninguém pode ser verdadeiramente discípulo de Cristo se não lhe der ouvidos (Jo 8.31). A fé em Cristo só acontece na vida do homem quando este dá ouvidos e crê na palavra de Cristo. Uma crença sábia porém humilde, que leve o discípulo a obedecer às ordens do seu Mestre, como aconteceu logo depois, ao descerem do monte, quando o Senhor lhes ordenou que não contassem nada a ninguém e eles obedeceram (Mt 17.9; Mr 9.10); que leve o discípulo a perguntar ao seu Mestre a respeito de coisas que parecem impossíveis aos homens (Mt 17.10-13; Mr 9.11-13) ao invés de ficar conjeturando através de filosofias humanas inúteis que não conseguem, de fato, decifrar as coisas espirituais.

CONCLUSÃO

Diante do registro histórico do episódio da transfiguração de Jesus só nos cabe reconhecer ou confirmar em nossos corações que Jesus é o Filho de Deus, nos alegrarmos pela salvação que nos destina à cidade celestial e nos humilharmos acei-tando as palavras de Cristo como sendo ordenanças e ensinamentos suficientes para uma vida feliz e de comunhão com o Pai.

Pr Dinelcir de Souza Lima
Pastor da Igreja Batista Memorial de Bangu
Diretor do Seminário Teológico Batista do Oeste Carioca

O que resta no fim?


Norbert Lieth

Quem tem tempo?

A tecnologia nos presenteia constantemente com artefatos para se "poupar tempo". Em poucas horas damos meia volta ao mundo, em poucos minutos dispomos de mais informações que dispunham todas as gerações que nos antecederam e medimos a arrancada dos campeões de esqui em centésimos de segundo. Em casa, uma máquina de lavar louça se encontra na cozinha, e um computador de última geração, bem equipado com os últimos lançamentos em software, ocupa nossa escrivaninha, e os filhos aumentam a velocidade e o barulho de suas motos "envenenando" os motores. Apesar de todos esses recursos temos cada vez menos tempo. Por que será?

Olhos nos olhos

Ponha em prática este conselho: Conscientemente tome tempo para ficar a sós com uma pessoa querida. Olhe simplesmente em seus olhos, sem dizer nada. Você vai descobrir que não é tão fácil assim. Os "ladrões de tempo" arruinaram os nossos sentimentos e, com isso, também a nossa capacidade de nos relacionarmos com o nosso próximo. Temos medo de perder alguma coisa importante na vida. Só os vitoriosos, os ganhadores, os que fazem mais barulho são notados. A tripla exortação da Palavra de Deus, com sua delicadeza, quase passa desapercebida:

Ontem – hoje – amanhã

Em relação ao tempo que passou a Palavra de Deus diz: "não te esqueças..." (Sl 103.2). Temos as grandiosas obras de Deus na nossa retaguarda! Por exemplo, o povo de Deus já vive desde 1948 na terra prometida.
Para o hoje está escrito: "Alegrai-vos sempre no Senhor!" (Fp 4.4). Cristo vive em mim!
Acerca do amanhã está escrito para todos os cristãos: "...ninguém as arrebatará da minha mão" (Jo 10.28; Rm 8.38-39). Esta certeza me dá confiança e esperança para o futuro.

Ter tempo...

A pessoa a quem Deus presenteia a eternidade tem tempo. Ter tempo não é uma questão de relógio ou de agenda, mas é uma questão de amor! Por isso, não tome bons propósitos, pois eles só duram alguns poucos dias. A máquina do tempo os arrancará de você. Só o amor de Deus pode lhe abrir os olhos. Então, de repente, você não verá mais sua esposa ou seu marido, seus filhos ou seu próximo com um olhar marcado pela pressa. Isso lhe custará tempo, mas a colheita será imensuravelmete grande. (C.W. em "EDU-Standpunkt", Nº 1/1997)
Quando o Senhor Jesus diz: "...os cuidados do mundo e a fascinação das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera" (Mt 13.22), isso com certeza se aplica também ao modo de se lidar com o tempo. A preocupação cotidiana nos rouba o tempo, a busca por conforto e riqueza ocupa todo o nosso tempo. Assim, não apenas a Palavra de Deus é sufocada, mas igualmente é sufocado o nosso relacionamento com nossos familiares e com as pessoas que nos cercam. No fim, talvez tenhamos conseguido tudo, só não tivemos tempo, e chegamos à conclusão de que não conseguimos nada.
Quantos viúvos e viúvas sofrem depois da morte de um dos companheiros por terem tomado tão pouco tempo um para o outro. E quantos filhos sofrem por toda a vida por não terem tido a devida atenção dos pais; eles sentem falta das mais belas recordações da infância porque o pai e a mãe nunca tiveram tempo de verdade para eles.
A pergunta do Senhor Jesus também é válida neste contexto: "Pois, que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?" (Mt 16.26). E parafraseando a passagem bíblica, podemos adaptá-la ao nosso assunto da seguinte forma: "Que adianta ao homem ter tido uma vida longa se nunca teve tempo para o próximo?" (Norbert Lieth)

Publicado anteriormente na revista Chamada da Meia-Noite, julho de 1997.
www.chamada.com.br

Alma Azeda


Ora, Israel amava mais a José que a todos os seus filhos, porque era filho da sua velhice; e fez-lhe uma túnica talar de mangas compridas. Vendo, pois, seus irmãos que o pai o amava mais que a todos os outros filhos, odiaram-no e já não lhe podiam falar pacificamente (Gn 37.3,4).

Se houve uma pessoa com motivos de sobra para cultivar a amargura, esta era José. Arrebatado precocemente das mãos de seu pai, teve o que parecia naquele momento, uma carreira de sucesso tragicamente interrompida e o seu futuro literalmente indo para o brejo. José, porém, livrou-se da amargura, um buraco ainda maior do que aquele em que seus irmãos o jogaram.
José foi vítima de um tratamento diferenciado, que gerou a inveja de seus irmãos. Um dossiê foi confeccionado contra este pobre rapaz. Ele recebia mais atenção, ganhava roupas de marca, ocupava lugares de honra, e recebia elogios públicos e comparações vantajosas. Como conseqüência, tornou-se alvo da violência e das artimanhas dos irmãos. Foi dado como definitivamente desaparecido. É o ódio tomando forma física, materializando-se: “odiaram-no e já não lhe podiam falar pacificamente”. A inveja, com o tempo, se transformou em ódio, o ódio se transformou em desejo de vingança, que por sua vez, ganhou contornos físicos. “De longe o viram e, antes que chegasse, conspiraram contra ele para o matar”.
O próximo passo foi uma conseqüência natural do aprofundamento desse estado de beligerância. O mais bondoso, ao invés de se opor abertamente contra todas aquelas elucubrações, sugeriu: “Não derrameis sangue; lançai-o nesta cisterna que está no deserto, e não ponhais mão sobre ele”. Rúben chegou a esboçar um ato de misericórdia, mas ficou apenas na intenção de voto.
Depois que José foi jogado dentro de um poço e vendido como escravo, passou por poucas e boas. Foi um golpe atrás do outro. Tornou-se vítima de terríveis injustiças, calúnias, maus-tratos e prisões. Da cova José foi, finalmente, guindado a uma posição de honra. Ele estava nas mãos do Altíssimo.
Parece-me que em meio a tudo isso, José passou por um processo traumático de cura, ao qual respondeu positivamente. A vida, como um cirurgião impiedoso, um verdadeiro açougueiro, decepou partes importantes de sua história, de seus sentimentos, de sua família e de sua herança.
Todo esse tratamento, porém, produziu docilidade. Ele sofreu intensamente, mas não permitiu que o seu coração perdesse a doçura, bem ao estilo de Che Guevara (Resistir si, perder la ternura jamás). Agora, já como senhor do Egito, a maior potência política, bélica e econômica do mundo de então, disse, logo que nasceu seu primeiro filho Manassés: “Deus me fez esquecer todos os meus sofrimentos e toda a família do meu pai” (Gn 41.51). Embutiu isso no nome de seu filho, erguendo uma placa comemorativa de sua cura. Manassés significa Deus me fez esquecer.
José não fingiu que o problema não existia, ele lutou contra as suas memórias. Jamais fuja daquilo que você teme. Como disse Max Lucado: “Ignorar, fingir que não sente nada, não resolve. O sentimento de raiva não vai embora, só fica no porão”.

Extraido do livro Queima de Arquivo de Ubirajara Crespo
Editora Naós

Entrevista Inédita e EXCLUSIVA com o Pastor Carlo Ribas!


Nesta entrevista INÉDITA e EXCLUSIVA, o Pastor Carlo Ribas fala um pouco sobre sua vida pessoal, sua família, ministério, seu livro e dos congressos que tem feito. Também fala sobre a Wicca, uma tradição de magia que tem se difundindo pelo mundo como "magia do bem".
(Fonte: Ministério Atos Dois)

1) Pastor Carlo Ribas, enquando o Brasil está passando por um avivamento espiritual, o tema Batalha Espiritual voltou a ser divulgado e pesquisado no meio de nossas igrejas. Na sua opnião, qual a verdadeira definição para Batalha Espiritual?

>> UMA REALIDADE. Vivemos em um mundo tumultuado espiritualmente, onde a cada dia que passa o inferno tem imposto suas legalidades e seus direitos territoriais. Vemos tantos atentados, em função a crenças espirituais. Batalha Espiritual hoje é uma questão de sobrevivência para o discípulo do Senhor Jesus Cristo. As igrejas que não tiverem essa visão, infelizmente perecerão em meio a trunculência dos acontecimentos que nos permeiam.


2) O livro "Bruxaria" conta sua história dentro do satanismo, assim como seu testemunho de libertação. Você passou por outras experiências que por algum motivo não foi possível divulgá-las no livro? Você costuma falar sobre estas experiências nos congressos em que ministra?
>> O livro Bruxaria foi escrito por uma ordem simples e direta do Senhor. Eu não queria escrever aquilo, pois o meu passado me traz recordações que não gosto de trazâ-las à tona. Porém o Senhor é o meu refúgio e a minha fortaleza, e Nele confio toda a minha vida. Muitas coisas não relatei no livro simplismente porque muitas pessoas poderiam lê-lo com uma intensão contrária, a de "garimpar" experiências ocultistas. Também não relatei muitos rituais de sangue , por julgar desnecessário para a edificação da igreja e, também, por saber que muitas crianças podem acabar lendo tais relatos e lhes trazer um efeito negativo em suas vidas. Nos congressos que tenho ministrado, conto experiências não relatadas no livro e ensino segredos realmente ocultos da magia negra, para que saibamos como combatê-la nos dias de hoje.


3) Pastor Carlo, o Brasil já o conhece como ex-satanista, e seu testemunho tem impactado milhares de vidas em todo o país. Porém após sua conversão e ordenação como pastor, Deus colocou em seu coração alguma especialidade ministerial, de forma a transformar toda a sua experiência passada em orientações de aprendizado aos carentes, nos dias de hoje?
>> Sim! Hoje tenho ministrado em muitas igrejas, das mais diversas denominações, em vários países, ministrando especialmente no que tange ao treinamento de obreiros, pastores, líderes em relação à batalha espiritual e libertação, de um modo bíblico, transparente e simples, sem as ilusões criadas por muitos hoje em dia .


4) Seu ministério é marcado pelo poder espiritual da parte de Deus, como avivamento, batismos com o Espírito Santo e com Fogo, muitas curas e milagres. Da mesma forma no passado você era usado com poder sobrenatural nas mãos do diabo. É algum tipo de vocação que o Senhor já coloca na pessoa quando nasce? Como funciona isso?
>> Eu me lembro quando estava em processo de conversão, em que eu já lia a Bíblia Sagrada, já orava muito e o Espírito Santo me mostrou a sua glória e soberania, e naquela madrugada pude entender que Deus é tão poderoso e soberano que permite que algumas pessoas nasçam com qualidades e dons especiais. Tenho pago um preço muito alto para ter essa comunhão com o Espírito Santo, que eu chamo de "amizade e companheirismo espiritual". Os milagres, as curas, os arrebatamentos de sentidos, os batismos com o Espírito Santo e com o Fogo, as entregas de dons espirituais que tem acontecido nos congressos que ministramos, são apenas uma confirmação de que Deus quando resgata realmente alguém das (tão) profundas covas do satanismo, o coloca num lugar de autoridade contra as trevas. Temos visto os demônios serem expulsos no Nome de Jesus, visto os trabalhos de magia negra serem quebrados, cânceres vomitados, pelo Poder do Nome de Jesus.


5) No seu livro "Bruxaria", você conta que conheceu Satanás pessoalmente. Após sua conversão ele voltou a se apresentar a você? Quais foram as vezes que isso aconteceu e como foi a experiência?
>> Sim, o conheci e mantive um relacionamento de "pai para filho" com ele. Obtive muito poder de Satanás. Aos dezesseis anos de idade, eu ganhava algo em torno de nove mil reais por mês, apenas fazendo trabalhos de magia negra. Tinha o poder de olhar para uma pessoa e desmaiá-la imediatamente. Quando saí da Tradição, Satanás muitas vezes tentou me assediar, para que voltasse. Mandava pessoas falarem comigo, me oferecerem dinheiro. Depois que ele percebeu que realmente não adiantava, pois eu jamais iria voltar atrás, começaram então as ameaças. Muitas vezes o Senhor permitiu que Satanás viesse falar comigo, e em todas elas o respondi segundo o exemplo de Jesus, na Palavra de Deus.


6) Também é citado no seu livro o Ministério Internacional de Libertação, no qual você é presidente. Como tem atuado este ministério na atualidade, e quais os resultados deste ministérios para as igrejas que o buscam?
>> O MIL (Ministério Internacional de Libertação) é um ministério de apoio às igrejas que desejam aprender mais sobre Batalha Espiritual com um todo. O MIL não está vinculado a nenhuma denominação e não se prende à barreiras teológicas. Quando uma igreja acha necessário , entra em contato conosco e agenda um de nossos vários seminários, nas áreas de Batalha Espiritual, Libertação, Intercessão Profética, Avivamento, Adoração etc, o qual é enviado um palestrante (pastor) do nosso ministério, que ministra o seminário apostilado, com certificado e carteirinha de filiação junto ao MIL, fazendo uma rede intercessória, em todo o mundo, onde milhares de pessoas oram pelos mesmos objetivos, causando um impacto tremendo no reino das trevas. As igrejas que já tiveram a participação do nosso ministério mudaram radicalmente. Foram literalmente transformadas pelo Poder Restaurador do nosso Deus.


7) Conhecemos o Pr. Carlo Ribas pelo seu testemunho e o ministério de libertação e ensino que desenvolve no Brasil e no mundo. Fale-nos acerca do pastor Carlo, como pessoa, família e igreja.

>> Sou uma pessoa muito simples. Moro em um apartamento modesto, no centro da cidade de Barracão/PR, com minha esposa e meu filho mais novo Matheus. Tenho um filho mais velho, Thalles, que tive em um relacionamento antes de conhecer ao Senhor Jesus, mas que o amo e o apoio em tudo; ele mora com a mãe. Minha esposa é ministra da igreja que pastoreio, Igreja Evangélica Unção e Poder, e minha amiga pessoal. Amo andar de bicicleta, jogar futebol de salão, tenis de mesa. Muitas pessoas olham para mim e vêem, pelo meu passado e pelo poder envolvido no meu ministério hoje, um " super-pastor " ou algo semelhante. Sou normal, apenas um adorador do nosso Poderoso Deus!! Minha igreja é fantástica! Um sonho realmente. Ela é linda, com pessoas maravilhosas. Tem crescido espantosa e fortemente. Temos um seminário teológico gratuito, cultos com adolescentes, evangelismo urbano . Uma grupo de adoração profética muito competente. Sinto falta dela quando estou viajando... realmente é - pra mim - o melhor lugar do mundo, a Casa do Senhor.
Tenho minhas horas de comunhão pessoal com Deus. Normalmente a noite, tiro algumas horas para estudar a Palavra e orar. Oramos o tempo todo. Temos o costume de não comer uma bala sem orar antes. Nossos jovens oram na igreja todos os dias às 7:00h e eu os acompanho. Às 21:30h, o grupo de intercessão profética se reúne e eu os lidero. Sempre estamos engajados na Obra do Senhor. Nossos cultos na sede são segunda-feira (adolescentes), quinta-feira (intercessão profética e cura), sábado (avivamento) e domingo (ensino/família) e eu estou presente em todos, quando não estou viajando. Normalmente tiro uns dois meses para viajar, depois fico uns três meses na minha igreja.


8) No decorrer dos séculos, Satanás tem usado de diversas formas para atrair a sociedade a práticas ocultistas e satânicas, até mesmo sem perceberem. Como o diabo tem usado estas astutas ciladas nos dias atuais?

>> Nós nos esquecemos que Satanás e os demônios que compoem a sua "equipe" são milenares. Esta é a razão pela sua esperteza e inteligência. Quando lutamos contra esses seres malígnos (os demônios) temos que ter em mente que eles já passaram e viram todas as ações do homem desde o jardim do Édem até os dias atuais. Os demônios estavam presentes nas maiores catástrofes da história, ao lado dos mais terríveis assassinos, guiando os piores maníacos que já houveram sobre a face desse planeta. Satanás está muito bem equipado com os maiores e melhores assassinos, terroristas e estrategistas de guerra que se possa imaginar, pois todas as ações maléficas que houveram até hoje foram arquitetadas por demônios, no afã de destruir a criação de Deus, o homem. Por isso é que temos que lembrar que o poder com o qual operamos as maravilhas de Deus é muito grande, porque consegue barrar todo esse "poder de guerra" que Satanás tem nas mãos. Nos dias de hoje o diabo não se modernizou, apenas se adaptou as nossas vidas , as novas sircunstâncias. As tendências que ocorrem no mundo, normalmente voltadas para a destruição da família, quebra da pureza entre os jovens, consumo de bebidas alcólicas, uso de drogas, tudo isso tem sido usado como arma de destruição em massa. Associado às legalidades trazidas para dentro de casa, como uso de objetos amaldiçoados e marcas declaradas como "satanistas", fazem com que o inimigo esteja, a cada dia, aumentando o seu território.


9) A Wicca é uma forma de feitiçaria que tem atraído milhares de adolescentes de todo o mundo. Filmes, desenhos animados, histórias e lendas, fazem entender que a Wicca é uma boa prática, e assim se consegue adeptos. Qual o seu conselho para o jovem envolvido com esta atividade?

>> A Wicca é satância. NÃO EXISTE MAGIA DO BEM!! Deus, na Sua Palavra nos adverte isso, dizendo: "Mas o Espírito expressamente diz que em tempos posteriores alguns apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios" (1Tm. 4:1). A Wicca nada mais é do que uma doutrina de demônios, com seus rituais satânicos e suas obrigações para com a "deusa mãe", que para quem não sabe é a personificação hodierna de Semíramis, mulher de Ninrod que "encarnou" em seu filho Tamuz, tornando-se o "deus sol", ou Baal. Semíramis se personificou no demônio chamado Aserá, na época de Acabe e Jezabel. Hoje, os mesmos demônios (Baal e Aserá, sua esposa) tem novos nomes: "deusa mãe" e "deus cornífero", personificações usadas para essas entidades malígnas. Muitas pessoas que estão envolvidas com a Wicca não percebem, mas tem suas vidas terrívelmente contaminadas com castas PERIGOSÍSSIMAS de demônios, que - por tratar-se de demônios familiares - acabam destruindo a família toda de quem está envolvido.


10) Existe muitos crentes que não acreditam na possibilidade de uma pessoa ver anjos e demônios normalmente. Quando você era da feitiçaria, tinha esta habilidade. Esta habilidade foi perdida após sua conversão?

>> Não existe na Bíblia o "dom de visão espiritual", como alguns erradamente mencionam. Eu tenho essa propriedade, mas por um favor de Deus, no meu ministério. Deus me concede que eu veja os seus anjos, e também que eu veja os demônios, isso é algo que Ele permitiu que eu tivesse. Muitas vezes acontece de eu estar andando na rua, por exemplo, e o Senhor permitir que eu visse um demônio sobre uma pessoa. Eu vou lá e repreendo ele . É impressionante ver um demônio sendo repreendido por um servo de Deus! Uma força sobrenatural vem sobre ele e - literalmente - o prende. O demônio faz uma expressão de pavor e medo. Então vem os anjos de Deus, que os considero como os "carregadores" e o leva dalí para os lugares áridos, onde ficará por cerca de uns 40 dias, mais ou menos, totalmente sem forças, apanhando dos outros demônios. Muitas vezes vejo os anjos do Senhor. No meu apartamento tenho uma equipe, liberada por Deus, para nos guardar. Muitas pessoas que chegam na minha casa, tem tido experiências impressionantes com eles!

11) Suas visões espirituais estão relacionadas ao fato de você ter sido satanista, ou este é um dom dado a qualquer crente que desejar? Como adquirir esta habilidade espiritual?

>> Essa capacidade de ver o sobrenatural é algo dado TOTALMENTE por Deus. Conheço pessoas que jamais tiveram contato algum com o ocultismo e tem a mesma habilidade que eu tenho. Eu nunca pedi isso a Deus, simplesmente recebi. Aliás, nenhum dos dons espirituais que tenho, nem das habilidades sobrenaturais que o Senhor Jeová me concedeu eu pedi. Todas elas recebi gratuitamente por amor do Senhor pela Sua Obra e pela minha vida.
Tenho orado muito para que o Senhor derrame essa autoridade sobre a Sua Igreja, nestes últimos tempos, para que possamos permanecer firmes, inabaláveis, nos caminhos de Deus.


12) Existe alguma forma de uma pessoa entrar em contato contigo, caso queira saber mais sobre seu ministério, testemunho, experiências de vida?


>> Claro!! Sou um pastor, preciso estar perto das pessoas. Isso me faz bem. Quem ler esta entrevista e já participou de algum congresso que eu ministrei sabe disso, pois eu atendo todas as pessoas. Existiram igrejas em que eu fiquei até as 4 horas da manhã orando com o povo, e Deus operou MARAVILHOSAMENTE naquele lugar, curando muitas pessoas de câncer, AIDS, restaurando vidas e libertando os cativos. Se alguém desejar falar comigo, tem o meu site www.carloribas.com.br que possui um envio de mensagens direto para o meu celular pessoal. Também pode me mandar um email para pastor@carloribas.com.br. Caso desejem falar pessoalmente comigo, podem ligar para o número da minha assessoria (49) 9978-5361, falando com a Francine, e ela estará disponibilizando uma maneira de falar comigo. Podem fazer perguntas relacionadas ao meu ministério, sobre o meu livro (BRUXARIA - O desvendar de segredos ocultos há milênios - Editora Naós), igreja etc. Respondo todas elas.


13) Para os pastores e líderes que querem a possibilidade de tê-lo ministrando em suas igrejas, qual o procedimento que deve ser adotado?

>> É muito simples. Trabalhamos de duas maneiras: A primeira, é a ministração de seminários e congressos nas igrejas, dando cursos sobre Batalha Espiritual, Libertação, Cura Interior, Tomada de Territórios, Atos Proféticos, Intercessão Profética e Avivamento. Neste caso, o pastor responsável pela igreja/evento deverá entrar em contato com a nossa assessoria nacional (Rio de Janeiro), através do Pastor Ricardo Ribeiro (ricardo@batalhaespiritual.com) e agendar uma data. Ele passará todas as informações necessárias para a realização de um evento de grande unção. Os cursos são todos apostilados, com certificado e carteirinha para os obreiros, filiando-os (caso haja o desejo) no Ministério Internacional de Libertação, que trabalha no apoio às igrejas nesta área . É cobrado um valor de inscrição e não é tirado oferta para nós. TODA A OFERTA, neste caso, FICA PARA A IGREJA.
A segunda maneira é o convite para pregar em igrejas, congressos, encontros etc.Também poderá ser agendada com o Pastor Ricardo.


14) Infelizmente muitas igrejas não tem um grande porte, não tendo assim a possibilidade de bancar as despesas de transporte para ministrar em sua igreja? Nestes casos, qual o procedimento que se pode reailzar?

>> As igrejas menores tem trabalhado de uma maneira interessante. Elas tem se unido com outras igrejas e formado um evento multidenominacional, em um local neutro, como um clube, um ginásio ou uma praça. Isso tem funcionado muito bem, pois dividem as despesas e não fica "pesado" para ninguém. O retorno em almas ganhas , vidas restauradas, curas, sinais, batismos com o Espírito Santo é muito recompensador para essas igrejas, que muitas vezes por terem um porte menor, ficam de fora dos grandes eventos. Nestes casos temos um esquema bem preparado para os congressos e basta a igreja entrar em contato com a assessoria nacional, através do Pastor Ricardo Ribeiro para saber como proceder.


15) Para finalizar, faremos um "bate-bola " para que o leitor conheça mais sobre você. Falaremos uma palavra, você responde outra:

Amor: Deus

Música: Quero te Conhecer (Judson de Oliveira)

Alegria: Meus filhos

Tristeza: Criança sendo maltratada

Comida: Bife a milanesa

Sonho: Beijar os pés de Jesus

Livro: Isaías

Dom: Discernimento de Espíritos

Medo: não tenho medo, temo apenas ao Senhor, Meu Deus Todo Poderoso!