domingo, 30 de novembro de 2008

A QUESTÃO DAS RIQUEZAS - John Stott


John Stott

Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um, e amar ao outro; ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas. (Mateus 6:24)

Jesus explica, agora, que além da escolha entre dois tesouros (onde vamos ajuntá-los) e entre duas visões (onde vamos fixar os nossos olhos) jaz uma escolha ainda mais básica: entre dois senhores (a quem vamos servir). É uma escolha entre Deus e Mamom: “Não podeis servir a Deus e a Mamom” (ERC); isto é, entre o próprio Criador vivo e qualquer objeto de nossa própria-criação que chamamos de “dinheiro” (“Mamom” é uma transliteração da palavra aramaica para riqueza). Não podemos servir dos dois.

Algumas pessoas discordam destas palavras de Jesus. Recusam-se a ser confrontadas com uma escolha tão rígida e direta, e não vêem a necessidade dela.
Asseguram-nos que é perfeitamente possível servir a dois senhores simultaneamente, por conseguirem fazer isso muito bem. Diversos arranjos e ajustes possíveis parecem-lhes atraentes. Ou eles servem a Deus aos domingos e a Mamom nos dias úteis, ou a Deus com os lábios e a Mamom com o coração, ou a Deus na aparência e a Mamon na realidade, ou a Deus com metade de suas vidas e a Mamom com a outra.

Pois é esta solução popular de comprometimento que Jesus declara ser impossível:
Ninguém pode servir a dois senhores...Não podeis servir a Deus e às riquezas (observe o “pode” e o “não podeis”). Os pretensos conciliadores interpretam mal este ensinamento, pois se esquecem da figura de escravo e dono de escravo que se
encontra por trás destas palavras. Como McNeile disse: “Pode-se trabalhar para dois empregadores, mas nenhum escravo pode ser propriedade de dois senhores”, pois “ter um só dono e prestar serviço de tempo integral são da essência da escravidão”. Portanto, qualquer pessoa que divide sua devoção entre Deus e Mamom já a concedeu a Mamom, uma vez que Deus só pode ser servido com devoção total e exclusiva. Isto simplesmente porque ele é Deus: “Eu sou o Senhor, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem”. Tentar dividir a nossa lealdade é optar pela idolatria.

E quando percebemos a profundidade da escolha entre o Criador e a criatura, entre o Deus pessoal glorioso e essa coisinha miserável chamada dinheiro, entre a adoração e a idolatria, parece inconcebível que alguém faça a escolha errada, pois agora é uma questão não apenas de durabilidade e benefício comparativos, mas sim de valor comparativo: o valor intrínseco de um e a intrínseca falta de valor do outro.

Fonte: John R. W. Stott, A Mensagem do Sermão do Monte, Editora ABU

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

CONSELHOS SOBRE O FAZER A OBRA

Não cometa aos 50 anos os mesmos erros cometidos aos 20, peça sabedoria a Deus. As decisões tomadas no passado definiram onde você se encontra atualmente, então a chave para um futuro melhor é aprender a tomar decisões melhores.

1. Nunca tome decisões permanentes baseadas em circunstâncias temporárias.

2. Não permita que as emoções lhe ceguem, ore, pese as coisas com cuidado, faça um julgamento maduro.

3. Peça conselhos, apóie-se nos dons das pessoas, não se intimide pela competência delas.

4. Leve tempo para analisar os fatos, liste todas as opções e o resultado de cada uma delas em longo prazo, porque o que parece ser bom hoje, amanhã poderá não sê-lo.

5. Você não pode vencer em cada frente de batalha, então escolha suas batalhas com cuidado, porque algumas coisas não são importantes para que se lute por elas.

6. Seja realista, não desperdice o seu recurso mais valioso – o tempo, ao assumir trabalhos para os quais você não tem habilidades, foque-se em seus dons, porque neles você será bem sucedido.

7. Permita-se um risco de 10% de estar errado, 50% de probabilidade de traição, e 100% de compromisso para confiar em Deus para seguir adiante.

Editado de UCB Word for Today, Bob Gass.

FONTE: http://www.worldchristians.org/portugues/p-jornal.htm

sábado, 22 de novembro de 2008

Conheça o maravilhoso trabalho de TEARFUND (e baixe excelentes materiais!)

A Tearfund é uma agência cristã evangélica de assistência em situações de desastre e desenvolvimento, que trabalha através de parceiros locais, procurando trazer auxílio e esperança às comunidades carentes por todo o mundo.

Eles publicam a revista Passo a Passo, que a cada número enfoca um tema diferente, e oferecem no seu site, além dos números da revista para download, uma enorme quantidade de boa informação (como artigos, apostilas e manuais) para capacitar você e sua igreja a fazerem a diferença na sua comunidade. Informações que vão desde noções de higiene e saneamento básico, combate a doenças e epidemias, agricultura, ecologia, direitos e deveres e até estudos bíblicos focados nas questões sociais. Ao relatar experiências e modelos bem-sucedidos, levados a cabo nos mais diversos países de todos os continentes, eles oferecem a você a oportunidade de conhecer e adaptar estas idéias para a realidade de sua igreja/comunidade.

Visite hoje a página em português: http://tilz.tearfund.org/Portugues/

E, para você que tem pressa, preparamos um pequeno ‘pacote’ com alguns itens disponibilizados por Tearfund, para download.

O pacote contém:

2 Manuais PILARES: Incentivando a Higiene e o Saneamento e Mobilização da Igreja;

4
exemplares da Revista Passo-a-Passo:

N° 58 - Usando o Teatro para o Desenvolvimento
N° 49 – Pessoas com Deficiência
N° 41 – Cuidando de Nossa Terra
N° 62 – Alfabetização

Para baixar o pacote, Clique Aqui.


FONTE: Blog CIDADANIA EVANGÉLICA - http://cidadaniaevangelica.blogspot.com

terça-feira, 18 de novembro de 2008

PEDRO VERSUS OS PAPAS


A Igreja Católica Romana afirma que os seus papas herdaram a cadeira do Apóstolo Pedro. Este erro crasso fica evidente com uma simples comparação da vida e dos ensinos de Pedro com a vida dos papas.

David Cloud

01. -Não há evidência de que Pedro tenha sido bispo em Roma e nem evidência no Novo Testamento de que houvesse algo especial na congregação de Roma; mas, os papas que governam a igreja de Roma afirmam que Pedro foi o primeiro bispo de Roma e que sua Igreja é a “Santa Madre Igreja”. A primeira epístola de Pedro foi escrita da Babilônia, não de Roma; mas, os papas afirmam que “Babilônia” é Roma, em mera conjectura. A evidência bíblica de que Pedro não foi pastor ou bispo em Roma é espantosa. Paulo escreveu à Igreja de Roma, em 58 d.C. e, embora ele mencione 27 pessoas pelos nomes, não menciona Pedro. Esta teria sido uma inescusável afronta a Pedro, se ele fosse o bispo de Roma. Mais tarde, Paulo escreveu de Roma às igrejas da Galácia, de Éfeso, de Filipos e de Colossos, bem como a Filemom; mas, nem uma única vez ele menciona que Pedro estivesse em Roma. Na 2 Timóteo 4:16, Paulo diz que ninguém ficara com ele e que todos o haviam abandonado, quando ele se defendia das acusações. Onde estava Pedro? O fato é que Pedro não era o pastor e nem o bispo de Roma. “Ninguém me assistiu na minha primeira defesa, antes todos me desampararam. Que isto lhes não seja imputado.” (2Tm 4:16 ACF)

02. -Pedro era casado (Mateus 8:14); mas aos papas é proibido casar. “E Jesus, entrando em casa de Pedro, viu a sogra deste acamada, e com febre.” (Mt 8:14 ACF)

03. -Pedro disse que a Escritura é, de fato, a Palavra de Deus e somente a ela “devemos ficar atentos” (2 Pedro 1:19-21); mas, os papas dizem que também devemos ficar atentos às tradições não inspiradas. “19 ¶ E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça, e a estrela da alva apareça em vossos corações. 20 Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. 21 Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.” (2Pe 1:19-21 ACF)

04. -Pedro admoestou contra os falsos mestres, os quais “... farão de vós negócio com palavras fingidas” (2 Pedro 2:1-3); mas, os papas têm ganho enormes somas de dinheiro, vendendo sua religião, com as missas e orações feitas em favor dos mortos, suas indulgências e locais de peregrinação, além de incontáveis outras coisas. “1 ¶ E TAMBÉM houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. 2 E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade. 3 ¶ E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita.” (2Pe 2:1-3 ACF)

05. -Pedro não tinha “prata nem ouro” (Atos 3:6); mas, os papas possuem enormes somas de ambos. “E disse Pedro: Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda.” (At 3:6 ACF)

06. -Pedro disse que o batismo é uma figura, um símbolo, e que não é a água que nos salva, mas a ressurreição de Cristo (1 Pedro 3:21); mas, os papas dizem que o próprio batismo traz salvação e que ele não é apenas um símbolo. “Que também, como uma verdadeira figura, agora vos salva, o batismo, não do despojamento da imundícia da carne, mas da indagação de uma boa consciência para com Deus, pela ressurreição de Jesus Cristo;” (1Pe 3:21 ACF)

07. -Pedro se recusou a permitir que homens se ajoelhassem diante dele (Atos 10:25-26); mas os papas têm aceitado honras e que os fiéis se ajoelhem e lhes beijem as mãos, permitindo que eles os tratem como deuses. “25 E aconteceu que, entrando Pedro, saiu Cornélio a recebê-lo, e, prostrando-se a seus pés o adorou. 26 Mas Pedro o levantou, dizendo: Levanta-te, que eu também sou homem.” (At 10:25-26 ACF)

08. -Não existe qualquer resquício na Bíblia de que Pedro tivesse um trono; mas, os papas têm pelos menos dois - um na Basílica de São Pedro e outro no Palácio de Latrão.
09. -Pedro ensinou que a salvação é estritamente através da justiça (fé) em Jesus Cristo (2 Pedro 1:1); mas, os papas afirmam que os seus sacramentos também são necessários à salvação. “SIMÃO Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que conosco alcançaram fé igualmente preciosa pela justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo:” (2Pe 1:1 ACF)

10. -Pedro ensinou contra a hierarquização, admoestando os pastores contra o “domínio sobre a herança de Deus” (1 Pedro 5:1-4); mas, os papas estabeleceram um sistema de liderança eclesiástica sobre as igrejas, tendo acrescentado muitos ofícios que jamais foram mencionados no Novo Testamento (por exemplo, arcebispo e cardeal). “1 ¶ AOS presbíteros, que estão entre vós, admoesto eu, que sou também presbítero com eles, e testemunha das aflições de Cristo, e participante da glória que se há de revelar: 2 Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; 3 Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho. 4 E, quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa da glória.” (1Pe 5:1-4 ACF)

11. -Pedro ensinou que o Sumo Sacerdócio, na dispensação do Novo Testamento, é o de Jesus Cristo e que o sacerdócio geral é de todos os crentes (1 Pedro 2:9); mas, os papas dizem que sua “igreja” tem um sacerdócio especial, o qual é ordenado para distribuir os sacramentos. “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;” (1Pe 2:9 ACF)

12. -Pedro ensinou que Jesus Cristo é a Rocha, sobre a Qual a igreja é fundada (1 Pedro 2:4-8); mas, os papas dizem que Pedro foi a rocha. “4 ¶ E, chegando-vos para ele, pedra viva, reprovada, na verdade, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, 5 Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo. 6 Por isso também na Escritura se contém: Eis que ponho em Sião a pedra principal da esquina, eleita e preciosa; E quem nela crer não será confundido. 7 E assim para vós, os que credes, é preciosa, mas, para os rebeldes, A pedra que os edificadores reprovaram, Essa foi a principal da esquina, 8 E uma pedra de tropeço e rocha de escândalo, para aqueles que tropeçam na palavra, sendo desobedientes; para o que também foram destinados.” (1Pe 2:4-8 ACF)

13. -Pedro ensinou que os homens nascem de novo através da Palavra de Deus (1 Pedro 1:23); mas, os papas dizem que os homens nascem de novo através do batismo. “Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre.” (1Pe 1:23 ACF)

14. -Pedro ensina que Cristo “padeceu uma vez pelos pecados” (1 Pedro 3:18) e que Ele levou “em seu corpo os nossos pecados” (1 Pedro 2:24);mas, os papas dizem que Cristo é sacrificado novamente em cada missa e que ter Jesus e Sua cruz não é suficiente; que um crente também precisa da igreja de Roma, dos seus santos e sacramentos para ser salvo. “Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito;” (1Pe 3:18 ACF)
“Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados.” (1Pe 2:24 ACF)

15. -Pedro ensina que o crente tem “uma viva esperança” e “uma herança incorruptível, incontaminável, e que não pode murchar, guardada nos céus” e que ele é “guardado na virtude de Deus” (1 Pedro 1:2-5); mas, os papas dizem que o crente não pode ter certeza de um lar no céu. “2 Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas. 3 ¶ Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, 4 Para uma herança incorruptível, incontaminável, e que não se pode murchar, guardada nos céus para vós, 5 Que mediante a fé estais guardados na virtude de Deus para a salvação, já prestes para se revelar no último tempo,” (1Pe 1:2-5 ACF)

16. -Pedro ensina que o crente não deve padecer “como homicida, ou ladrão, ou malfeitor”, nem como quem “se entremete em negócios alheios” (1 Pedro 4:15); mas, os papas têm feito tudo isso.

“Que nenhum de vós padeça como homicida, ou ladrão, ou malfeitor, ou como o que se entremete em negócios alheios;” (1Pe 4:15 ACF)

Tradução de Mary Schultze

domingo, 16 de novembro de 2008

Como e quando começou a Escola Dominical


Por muito tempo, a escola dominical era a única forma pela qual as famílias da classe trabalhadora podiam receber alguma instrução.

Portal Cristianismo Hoje - http://www.cristianismohoje.com.br/

É importante compreender que a escola dominical era original e literalmente uma escola: eram locais onde as crianças pobres podiam aprender a ler. O movimento da escola dominical começou na Inglaterra por volta de 1780. Um dos resultados da Revolução Industrial é que muitas crianças passavam toda a semana trabalhando nas fábricas. Os filantropos cristãos desejavam libertar essas crianças de uma vida de ignorância, mas no século 19 as horas trabalhadas eram muito extensas. As primeiras e modestas leis de limitação de horário vieram apenas em 1802, cujo impressionante resultado foi uma carga horária de 12 horas diárias para o trabalho infantil! E este limite não diminuiu até 1844. Além disso, o sábado era considerado dia regular da semana de trabalho. Portanto, o domingo era o único dia disponível para que essas crianças recebessem algum tipo de educação.

O inglês Robert Raikes (1725-1811), evangélico anglicano, era o homem-chave do movimento de alfabetização. A idéia também se espalhou rapidamente pela América do Norte. Igrejas e organizações não-religiosas aderiram ao movimento e energicamente começaram a criar escolas dominicais. Depois de algumas décadas, o movimento tornou-se extremamente popular. Até mesmo os pais que não freqüentavam a igreja regularmente insistiam para que seus filhos fossem à escola dominical. As famílias dos trabalhadores eram muito gratas pela oportunidade de receber um pouco de instrução. Elas também esperavam ansiosamente pelos eventos anuais como dias de premiação, paradas e piqueniques promovidos pela escola dominical que marcavam suas vidas, tanto ou mais do que os feriados tradicionais.

A educação religiosa era, naturalmente, um dos componentes principais da educação. A Bíblia era o livro usado para se ensinar e aprender a ler. E foi copiando passagens das Escrituras que muitas crianças aprenderam a escrever. Também era ensinada a catequese básica, assim como práticas espirituais tais como fazer orações e cantar hinos. Incutir as virtudes e a moral cristã também eram objetivos do movimento. Os então pupilos da escola dominical geralmente se graduavam a fim de tornarem-se professores da mesma escola, o que também significava uma experiência de liderança que jamais teriam oportunidade de desfrutar de outra maneira em suas vidas. Até mesmo alguns historiadores marxistas dão crédito à escola dominical do século 19 pela melhora de condições da classe trabalhadora.

Tanto na Inglaterra quanto na América do Norte, a educação pública foi estabelecida na década de 1870. Depois disso, ensinar a ler e escrever passou a ser tarefa das escolas oficiais durante a semana, e o currículo das escolas dominicais se limitou à educação religiosa. Apesar disso, muitos pais continuaram acreditando que freqüentar regularmente a escola dominical era um componente essencial à infância.

Entretanto, na década de 1960, a tendência de uma criação liberal dos filhos significou o enfraquecimento cultural da importância da escola dominical; e a insistência para que as crianças a freqüentassem independentemente de seus desejos e vontades (em especial para aquelas cujos pais não freqüentavam a igreja) foi abandonada.

Autor: Timothy Larsen é presidente do Carolyn and Fred McManis – divisão de Pensamento Cristão; e também é membro do Conselho de História Cristã, ambos do Wheaton College.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

AS FESTAS DO SENHOR

Por Gilson Barbosa

Quem não gosta de festa? As festas nos proporcionam momentos felizes de comemoração. Mas comemoração de quê? No Ocidente, não há uma preocupação com o caráter e a natureza inerentes às festas e, quase sempre, elas se tornam um fim em si mesmas. É a festa pela festa. Contudo, isso não se dá com a cultura oriental, em que as festas assumem um significado histórico em momentos que oscilam entre a alegria e a tristeza.

Neste artigo referenciaremos as festas observadas na cultura judaica bíblica. Entender a natureza dessas festas é salutar aos cristãos hodiernos para que conheçam melhor alguns fatos bíblicos.

“As festas judaicas tinham diversos propósitos. Algumas, não passavam de mais uma espécie de culto ou adoração a Deus. Nessas ocasiões, o povo, arrependido de seus pecados, buscava o perdão e a bênção de Deus. Era o momento de purificar a alma e de marcar um novo começo. Outras festas eram, também, ocasiões de adoração, mas se manifestavam em alegres ações de graças. Sempre que as colheitas eram abundantes e os rebanhos se multiplicavam bem, o povo expressava grande aptidão a Deus, e faziam isso dançando pelas ruas. Cantavam e tocavam instrumentos musicais em louvor ao Deus que tanto os abençoara. Em algumas festas, havia instantes de oração e meditação. Contudo, sua forma de adoração mais comum era o regozijo, com muita música, alegria e banquetes”.

As festas

As festas imprescindíveis à nossa análise são: Festa da Páscoa (Pessach), Festa do Pentecostes (Shavuot, ou Festa das Semanas), Festa das Trombetas (Rosh Hashaná), Festa da Expiação (Iom Kipur) e Festa dos Tabernáculos (Sucót, ou Festa das Cabanas). Além dessas festas, consideradas grandes, há outras festas “menores”, como, por exemplo, as comemorações Chanucá e Purim, que surgiram depois de lei. E por falar nisso, todas as festas do Senhor foram instituídas sob a lei dada por Moisés e possuem caráter comemorativo, pois retratam a maneira como Deus lidava como o povo de Israel durante sua jornada pelo deserto e o comportamento que os israelitas deveriam ter para com o Eterno, entre outros fatores que são conseqüências históricas importantíssimas para a nação judaica.

Iniciaremos a nossa análise sobre as festas judaicas com a Páscoa que, sem dúvida, é uma festa de extrema importância e com grandes significados. Na cultura israelense, há três grandes festas conhecidas como as “Festas da Peregrinação”. “Quando o templo ainda estava de pé, os judeus faziam uma peregrinação a Jerusalém para entregar suas ofertas durante três festas: Pessach, Shavuot e Sucot. Os que viviam fora de Israel, tinham de vender parte de sua colheita e enviar o dinheiro para comprar oferendas e ajudar a cuidar do templo e dos sacerdotes. Pessach, a páscoa judaica, é a festa que celebra o êxodo do Egito [...] Agora que não há mais o templo, os judeus celebram essas festas em casa e na Sinagoga”.

Os cristãos, em geral, não comemoram literalmente essas festas — pelo menos não nos moldes judaicos —, mas reconhecem e respeitam a cultura judaica, que, de certa forma, é um legado bíblico. Também não ignoram que as festas judaicas, em grande parte, têm em Jesus Cristo o seu antítipo.

Etimologia

O Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento nos informa que “o vocábulo ‘páscoa’ deriva de pesah, que significa, segundo alguns estudiosos, ‘passar’ (por cima/por alto)”. A anuência a este dicionário, para a etimologia sugerida, pode ser confirmada pelo Novo Dicionário da Bíblia, que completa: “Páscoa, em hebraico, pesah, vem de um verbo que significa ‘passar por cima’, no sentido de ‘poupar’”. Estas explicações podem ser verificadas nas Escrituras Sagradas, mais precisamente no livro de Êxodo (12.12,13).

A data da comemoração

A celebração da Páscoa acontecia na tarde do 14º dia do mês de Nisan (março/abril no nosso calendário) e, simultaneamente, era conjugada com a Festa dos Pães Asmos, como bem descreve Levítico: “No mês primeiro, aos catorze do mês, pela tarde, é a páscoa do Senhor. E aos quinze dias deste mês é a festa dos pães ázimos do Senhor; sete dias comereis pães ázimos” (23.5,6). As duas festas eram comemoradas juntas, como bem mostra um texto do Novo Testamento que comenta o planejamento para a prisão de Jesus: “E dali a dois dias era a páscoa, e a festa dos pães ázimos; e os principais dos sacerdotes e os escribas buscavam como o prenderiam [Jesus], com dolo, e o matariam” (Mc 14.1).

Raízes históricas

A renitência de Faraó em não libertar o povo hebreu lhe custou caro por via da décima e última praga (Êx 11.4,5). Contudo, como o Senhor é justo, prescreveu aos judeus qual atitude tomar para que não fossem atingidos pelo mesmo agente que desferiria o golpe sobre todos os primogênitos que habitavam naquele lugar. Ordenou Deus que cada família se provesse de um cordeiro sem mácula, macho, de um ano, e o sacrificasse (Êx 12.6).

Imolado o cordeiro, Deus continua em sua prescrição: “E tomarão do sangue, e pô-lo-ão em ambas as ombreiras, e na verga da porta, nas casas em que o comerem” (Êx 12.7). Os judeus deveriam passar sangue nas vergas das portas de suas residências para que fossem poupados da praga de mortandade (Êx 12.12,13). Era uma espécie de contrato procedimental estabelecido entre Deus e seu povo. Por isso, a Páscoa instituída no Êxodo celebrava (e ainda celebra) o fato de Deus ter poupado, protegido e libertado os israelitas quando os primogênitos do Egito foram mortos.

Jesus e a festa da Páscoa

Como varão israelita, Jesus estava obrigado, pela lei a, anualmente, comparecer a Jerusalém para as três grandes festas: Páscoa, Pentecostes e Tabernáculos (Dt 16.16).

A exigência da lei é muito clara. Todos os varões israelitas tinham de estar presentes em Jerusalém durante essas festas. “A larga propagação do povo israelita tornou isso impossível. Os palestinos mais piedosos procuravam, ao menos estar, em Jerusalém durante a Páscoa” .

Sabendo-se que Jesus cumpriu toda a lei, pode-se afirmar, com absoluta certeza, que Ele, a partir dos doze anos (idade em que os meninos israelitas passavam a ser conhecidos como “filhos da lei”), compareceu, anualmente, em Jerusalém, nas três grandes festas de Israel, em obediência à lei, à qual, como varão israelita, estava sujeito (Gl 4.4). O Novo Testamento, entretanto, registra apenas três ocorrências da presença de Jesus em Jerusalém durante a Festa da Páscoa (Na sua infância: Lc 2.40-42. No início de sua vida pública. E na sua morte: Jo 2.23; Mt 26.2; Jo 11.55-57; 12.1,12-23).

O sangue do cordeiro pascal tipifica o sangue de Jesus, derramado na cruz do Calvário, para a nossa redenção. O hissopo (um arbusto, ou subarbusto, que produz uma espécie de pendão com flores espiraladas), por conta da facilidade com que era encontrado, sempre ao alcance da mão, representa a fé (que “está junto de ti, na tua boca e no teu coração” – Rm 10.8), que é o instrumento pelo qual os méritos de Jesus são aplicados à verga e aos umbrais do coração do pecador. Todos aqueles cujo coração estiver marcado com o sangue do Cordeiro de Deus são saltados pelo destruidor.

Nenhum osso do cordeiro pascal seria quebrado (Êx 12.46). Isso também tipifica Jesus: “Foram, pois, os soldados, e, na verdade, quebraram as pernas ao primeiro, e ao outro que como Ele fora crucificado; mas, vindo a Jesus, e vendo-o já morto, não lhe quebraram as pernas. Contudo um dos soldados lhe furou o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água. E aquele que o viu testificou, e o seu testemunho é verdadeiro; e sabe que é verdade o que diz, para que também vós o creiais. Porque isto aconteceu para que se cumprisse a Escritura, que diz: Nenhum dos seus ossos será quebrado” (Jo 19.32-36).

Jesus é, pois, o nosso perfeito cordeiro pascal, aquele que foi crucificado de uma vez por todas, que se entregou em sacrifício único e nos arrebatou das trevas. Logo, não faltam aos cristãos verdadeiros motivos para a celebração da Páscoa.

A Páscoa e o calendário

Como o calendário judeu é baseado na Lua, a Páscoa cristã passa a ser móvel no calendário cristão, assim como as demais datas referentes à Páscoa, tanto na Igreja Católica como nas Igrejas Protestantes e Igrejas Ortodoxas. Todavia, o Vaticano tem autoridade para indicar outras datas.

As datas móveis do calendário que dependem da Páscoa:
Terça-feira de Carnaval 47 dias antes da Páscoa
Quaresma Inicia na Quarta-feira de Cinzas e termina no Domingo de Ramos (uma semana antes da Páscoa)
Sexta-feira Santa A sexta-feira imediatamente anterior
Sábado da Solene Vigília Pascal O sábado de véspera
Pentecostes O oitavo domingo após a Páscoa
Corpus Christi A quinta-feira imediatamente após o Pentecostes.

Obs.: A partir de 2008, a “Ascensão do Senhor” também será feriado, com data fixada em 29 de maio.

Notas:
1 COLEMAN, William L. Manual dos tempos e costumes bíblicos, Editora Betânia, p.263.
2 FINE, Doorin. O que sabemos sobre judaísmo?, Callis Editora, 1997, p.28.
3 CHAMPLIN, Russel Norman. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, p. 36, Lc 2.41.
4 NETO, José Barbosa de Sena. A páscoa (artigo não publicado até o momento), 2002.
5 http//:pt.wikipedia.org/wiki/Páscoa.


FONTE: http://www.icp.com.br

sábado, 8 de novembro de 2008

VAMOS FALAR DE MISSÕES


Para iniciar um trabalho missionário numa igreja, é necessário primeiramente que, aquelas pessoas interessadas em fazê-lo, se prontifiquem a compreender a vontade de Deus em relação ao assunto. Para isso, precisam ter a visão certa: a visão de Deus. Então podemos fazer algumas perguntas para entendermos melhor sobre essa necessidade.

- O que você sente no coração quando ouve alguém falar sobre as necessidades do mundo?
- Idéias novas e diferentes surgem em sua mente quando alguém lhe fala sobre missões?
- Você ora constantemente pelos missionários que estão no campo?
- Você tem influenciado outros para se envolverem com missões?
- Quando alguém compartilha contigo a respeito do seu chamado, você o incentiva a continuar?
- Você já mobilizou pessoas alguma vez a enviar uma oferta missionária para missões?
- Você gosta de participar de conferências, congressos, acampamentos que abordam o tema missões?
- Você envia periodicamente oferta para algum missionário no campo?

Deu para sentir que as perguntas acima apontam uma ligação inquebrável das três áreas necessárias na vida da igreja, para alguém iniciar um departamento missionário. Essas áreas são, na verdade, a essência do compromisso missionário que todo cristão deve ter no seu dia a dia, elas são:

VISÃO + AMOR PELOS PERDIDOS + DISPOSIÇÃO = M I S S Õ E S

Mais de dois bilhões e setecentos milhões de seres humanos, número que representa cerca de dois terços da humanidade, ainda não foram evangelizados. Sentimo-nos envergonhados da nossa negligência para com tanta gente; continua sendo uma reprimenda para nós e para toda a Igreja. Há, no momento, todavia, em muitas partes do mundo, uma receptividade sem precedentes para com o Senhor Jesus Cristo. Estamos convictos de que esta é a hora de as igrejas e outras instituições orarem fervorosamente pela salvação do povo não evangelizado e de lançarem novos programas visando a evangelização total do mundo.

(CONGRESSO INTERNACIONAL DE EVANGELIZAÇÃO MUNDIAL, Lausanne)

"E disse-lhes: Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura"
(Marcos 16:15).

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Líder cristão compartilha sua experiência de 40 anos de ministério em favelas cariocas


“Fico perplexo ao ver igrejas grandes, em favelas também grandes, sem um mísero curso de alfabetização. Pregar a palavra, sim, mas é preciso entender a importância de também salvar a vida, além da alma. Nesse sentido, ação social é fundamental”. A opinião é do pastor e psicólogo Macéias Nunes que, há 40 anos, lidera igrejas localizadas em favelas cariocas. Atualmente, ele atua na Igreja Batista do Leme, no morro do Chapéu Mangueira, na Zona Sul carioca. Numa entrevista à Agência Soma publicada originalmente pela Revista Palavra de Paz, e reproduzida a seguir na íntegra, o líder compartilha outras de suas experiências.

Há quanto tempo você trabalha em ministérios dentro de comunidades carentes?

Pr. Macéias- Há 40 anos. Vim para o Rio de Janeiro com 7 anos de idade e fui morar no Jacarezinho com minha mãe e meus oito irmãos. Residimos quinze anos lá. Mudamos depois para Maria da Graça, mas nunca deixei de estar ligado à favela. Fui seminarista no Jacarezinho, pastor no Morro dos Prazeres, em Santa Tereza, pastor de novo no Jacarezinho, onde também presidi a Associação Evangélica, trabalhei como missionário na Favela Bandeira Dois, em Del Castilho, e pastoreio há 10 anos a Igreja Batista do Leme, nas comunidades de Chapéu Mangueira e Babilônia.

Com toda essa experiência sobre favela, o que você acha importante destacar sobre o assunto?

Pr. Macéias- Para mim, favela não devia existir. Se é certo que ela é a única opção de moradia para o verdadeiro carente, que realmente não tem onde morar, é certo também que a favela é o gueto da subcidadania. O favelado não é um cidadão completo, a começar pelo fato de não possuir o registro de propriedade de sua casa. No bairro, para entrar em um domicílio qualquer, a polícia precisa de um mandado judicial. Na favela, não. Ela chega atirando, arrombando portas de bandidos e trabalhadores, agindo, enfim, como se ali todos fossem delinqüentes.

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domingo, 2 de novembro de 2008

Entrevista com o diretor de Desafiando Gigantes, STEPHEN KENDRICK

O pastor cineasta


Maurício Tupinambá

Revista Enfoque - http://www.revistaenfoque.com.br/

Nem “A Paixão de Cristo’’ nem ‘’Deixados para Trás’’. O grande fenômeno do cinema cristão das últimas décadas é um longa-metragem feito por membros de uma igreja batista dos Estados Unidos com irrisórios cem mil dólares e muito trabalho voluntário. "Desafiando os Gigantes’’ conquistou os evangélicos de dezenas de países com a história do time de futebol americano que passa por um autêntico avivamento.
O filme faturou mais de dez vezes o seu custo e estimulou milhares de pessoas a reavaliar sua relação com Deus. Exibido em igrejas por todo o mundo, a obra despertou o interesse de diversos produtores, que, incentivados por seu sucesso, decidiram investir na realização de produções cristãs – o que está gerando o surgimento de toda uma geração de cineastas devotados a divulgar o Evangelho e a ética cristã por meio da sétima arte.
À frente do longa-metragem está a Sherwood Pictures, ministério fundado em 2003 por dois irmãos, membros da Sherwood Baptist Church, Alex e Stephen Kendrick. Em setembro, eles vão lançar mundialmente seu terceiro filme – depois de ‘’A Virada’’ e ‘’Desafiando os Gigantes’’ –, que no Brasil sairá direto em DVD: ‘’Fireproof’’ (‘’À Prova de Fogo’’).
O co-roteirista e produtor do longa-metragem, Stephen Kendrick, é casado com Jill, com quem tem três filhos, Grant, Cohen e Karis. Ele é pastor auxiliar de sua congregação desde 2001 e, na ausência do pastor titular, prega na igreja. Stephen ainda consegue tempo para liderar grupos de oração, dar aulas na Escola Bíblica Dominical e conduzir um programa de discipulado de adultos. O pastor-cineasta concedeu esta entrevista exclusiva à Enfoque, em que fala sobre o impacto de ‘’Desafiando os Gigantes’’ e seu novo projeto ‘’Fireproof’’ (‘’À prova de fogo’’).


ENFOQUE – Conte-nos um pouco sobre a história de “Fireproof”.

STEPHEN KENDRICK – Trata-se de um drama de ação sobre um bombeiro chamado Caleb Holt, cujo casamento está caindo aos pedaços. Depois que ele e sua esposa concordam em assinar o divórcio,Caleb é desafi ado por seu pai a ler um livro. Essa obra o leva em uma jornada de 40 dias que o faz compreender o que é verdadeiramente o amor incondicional. O bombeiro parte, então, numa missão de resgate para salvar seu casamento moribundo e reconquistar o coração ferido de sua esposa.

ENFOQUE – O que o público pode esperar desse filme?

STEPHEN KENDRICK– “Fireproof” é um filme que honra a família e a Palavra de Deus enquanto lida com assuntos da vida cotidiana. Apresenta de forma realista algumas das lutas que os casais enfrentam nos dias de hoje. Mas também se apega às verdades que a Bíblia oferece para lidar com essas lutas. Do mesmo modo que em “Desafiando os Gigantes”, os fãs vão chorar, rir e deixar o cinema inspirados e transformados. Esse filme terá sempre algo para todos. Os maridos e as esposas vão olhar para a tela, em especial na primeira metade do filme, e dizer “Somos nós, esta é a nossa história”. Depois verão o que pode acontecer quando Cristo começa a ressuscitar um casamento e sopra o amor verdadeiro sobre ele.

ENFOQUE – Como foi o processo de filmagens de “Fireproof”?

STEPHEN KENDRICK– “Fireproof” foi filmado ao longo de seis semanas, no outono de 2007. Foi muito divertido. O grupo se uniu como uma família. Foi uma aventura rejubilante, intensa, cansativa, inspiradora e divertida. E certamente valeu o sacrifício. É maravilhoso fazer parte de um grupo como nossa família da fé e trabalhar em coisas tão grandiosas juntos. Temos uma igreja unida, que ora e é compromissada com o ministério cinematográfico, disposta a se sacrificar para produzir este filme. Quando você tem um apoio de oração tão incrível como esse e encorajamento constante, isso te ajuda a ir adiante durante os longos e difíceis dias de filmagem. Foi maravilhoso ver como Deus capacitou de forma única pessoas dentro de uma igreja, de modo que cada uma contribuiu de forma especial. Tivemos mais de 1.200 voluntários envolvidos de algum modo no processo de produção do filme. Dividimos o roteiro e a produção em pequenos segmentos e delegamos cada aspecto do processo a um certo grupo de pessoas, dependendo de seus dons individuais. Mas também houve grandes desafios.

ENFOQUE – Quais foram as principais dificuldades no processo de produção?

STEPHEN KENDRICK– O tempo é sempre um fator relevante no processo de produção de um filme. Dizem que você nunca termina um filme, apenas chega ao fim do prazo. Isso é uma grande verdade. Filmar no outono e no inverno foi muito difícil, porque os dias acabavam muito cedo e a luz do sol ia embora antes de terminarmos o trabalho. E quando uma cena precisava ser rodada ao longo de muitos dias, era complicado, pois a intensidade da luz e as sombras mudavam de dia para dia. Um de nossos cinegrafistas mais importantes faleceu durante as filmagens. Suspendemos os trabalhos e fomos ministrar à família dele. Isso realmente nos atrasou por umas duas semanas. Sem falar dos ataques espirituais, pois Deus tem abençoado e usado nossos filmes e sabemos que o diabo não está feliz. “Desafiando os Gigantes” está em 57 países de todo o mundo e temos conhecimento de milhares de pessoas que foram a Cristo por intermédio dele. Muitas igrejas nos mandaram e-mails, dizendo: “Estamos especificamente orando pelo seu próximo filme”. Assim, houve guerra espiritual. Muita oração foi necessária apenas para que completássemos o filme. O diabo sempre ataca do mesmo modo: tenta dividir a equipe, distraí-la com coisas secundárias e desencorajá-lo para que você desanime e desista. Ele ataca a sua mente e tenta enganá-lo com mentiras. Mas tínhamos momentos devocionais todos os dias no local de filmagens, o que foi de grande valor. Tínhamos toda uma corrente de oração, orando especificamente pelo filme durante o período de produção.

ENFOQUE – Depois de todo o barulho que houve em torno de “Desafiando os Gigantes”, imagino que foi uma grande responsabilidade escolher qual seria a próxima história a ser rodada, uma vez que havia uma expectativa mundial a esse respeito. Quais foram os critérios para selecionar o roteiro e quais serão os critérios para futuros projetos?

STEPHEN KENDRICK – Antes de qualquer coisa, tentamos obedecer àquilo que entendemos ser a vontade de Deus para um roteiro.Desde que “Desafiando os Gigantes” foi lançado, uma multidão de pessoas nos enviou roteiros e idéias de todos os tipos. Mas aprendemos que existe uma grande diferença entre uma boa idéia e a idéia de Deus. Idéias de Deus se confirmam repetidamente em oração e com conselhos divinos.Muitas pessoas nos disseram: “Deus me falou que a minha história tem de ser o seu próximo filme”. Mas não havia confirmação de Deus a esse respeito. As idéias de Deus são claramente vindas dEle. Elas também têm grandes impactos. Por isso, passamos meses orando pela próxima idéia e Deus claramente nos conduziu a focalizar na questão do casamento. Alex teve a inspiração original. Ele nem ao menos estava muito empolgado com a idéia de um filme focalizado no casamento. Mas Deus estava conduzindo claramente nessa direção. Quando compartilhamos isso com nossos pastores, eles concordaram.

ENFOQUE – Algo sobre o qual todos comentam é que vocês realizaram um filme que parecia ter sido feito de modo bastante profissional, mas que na realidade foi rodado apenas com amadores. Com “Fireproof” vocês seguiram esse mesmo caminho ou investiram em um elenco e uma equipe mais profissionais?

STEPHEN KENDRICK – Contratamos dez profissionais para nos ajudar a operar o equipamento. Foram uma grande aquisição e nos ajudaram a manter o profissionalismo na qualidade do que foi feito. Mas Sherwood forneceu o roteiro, os diretores, produtores, as locações, os atores, o figurino, a trilha sonora. Isso e centenas de voluntários para facilitar o processo de produção.

ENFOQUE – Desta vez vocês tinham muito mais experiência do que na época em que fi zeram “Desafiando os Gigantes”. O que mudou no processo de realização do filme?

STEPHEN KENDRICK – Como sempre, você quer crescer e desenvolver o padrão de excelência naquilo que faz. Nós representamos o Senhor, e seu nome é excelente em toda a Terra. Precisamos representá- lo com excelência em tudo o que fazemos. Portanto, buscamos aumentar a qualidade da nossa produção. Contratamos mais profissionais para ajudar com iluminação e som. Chamamos dois professores de interpretação para melhorar nosso nível dramático. Aprendemos a aumentar a resolução da imagem. Eu aprendi a delegar certas atribuições da produção e envolver mais pessoas. Como produtor, era minha esponsabilidade ter uma visão panorâmica do processo, de cronogramas, prazos, equipe. Na época da produção de “Desafiando os Gigantes”, tudo aquilo que não deleguei voltou para mim na forma de horas extras muito cansativas de trabalho noturno.

ENFOQUE – A quê você atribui o impacto de “Desafiando os Gigantes”? Você espera o mesmo de “Fireproof”?

STEPHEN KENDRICK– “Desafiando os Gigantes” foi um filme divertido, do tipo que os crentes estavam esperando e desejando assistir. Quando as pessoas o assistiram, riram, choraram, foram desafiadas. E as coisas certas foram honradas, como a oração, a Palavra de Deus, o casamento e Jesus Cristo. Dedicamos “Desafiando os Gigantes” a Deus desde o princípio e buscamos ser obedientes a Ele durante todo o processo. O Senhor decidiu abençoar um bando de amadores destreinados de uma igreja e fazer algo além de tudo o que pudéssemos imaginar. Buscamos sua bênção diariamente no set de filmagens. Como crentes, precisamos agradá-lo em tudo o que fazemos: Ele recebe o crédito por todos os frutos do nosso trabalho, porque sabemos que não fizemos por nosso próprio mérito.

ENFOQUE – Como vocês se preparam espiritualmente para rodar um filme? Existe algum tipo de preparação prévia e diária?

STEPHEN KENDRICK– Primeiro temos que morrer para nós mesmos. Seu ego, seu nome em letreiros, sua conta bancária ou sua carreira. Isso é o passo mais difícil para as pessoas, mas é fundamental se você quer que Deus abençoe aquilo que faz. Em segundo lugar, temos que colocar o coração diante de Deus e lutar diariamente para mantê-lo santo. Precisamos permanecer humildes, rendidos, unidos e desesperados por Ele em oração a cada dia. Se o Senhor não edifica a casa, ou a produção, em vão trabalha aquele que a edifica. Terceiro, você dedica o projeto a Deus desde o começo e age de acordo com a sabedoria e o conselho de suas autoridades: pais, marido, o pastor, quem quer que seja. Então você passa semanas em oração e pede a liderança de Deus no que concerne à história, aos atores certos, à equipe correta. E os recursos necessários para iniciar a produção. Por fim, se Ele decide abençoar você, dê-lhE o devido crédito, pois o crédito é todo de Deus.

ENFOQUE – Depois de “Desafiando os Gigantes”, muitas igrejas e ministérios começaram a investir na realização de filmes cristãos. Que conselhos você poderia lhes dar?

STEPHEN KENDRICK – Só faça isso se Deus o estiver motivando a fazê-lo. Em segundo lugar, mantenha-se em constante oração, sob a autoridade devida, filtrando tudo pela Palavra de Deus. Busque, então, em primeiro lugar, o Reino de Deus, e não os seus próprios interesses. E não inclua absolutamente nada em seus filmes que faria uma criança se afastar de Deus.

ENFOQUE – Dentre todas as possibilidades, por que vocês escolheram fazer filmes para divulgar a Palavra de Deus?

STEPHEN KENDRICK– Soubemos por intermédio de uma pesquisa nacional que as pessoas atualmente se permitem ser influenciadas mais por filmes do que pela igreja. Junto a isso, houve uma direção clara de Deus e o desejo de fazê-lo.

ENFOQUE – Vocês receberam milhares de e-mails e cartas de pessoas falando sobre o impacto que “Desafiando os Gigantes” teve sobre elas. Pergunto, então: um filme pode modificar vidas?

STEPHEN KENDRICK – Não. Um filme é apenas uma ferramenta que Deus usa. O poder está em sua Palavra, em sua verdade, e vem por meio do Espírito Santo. No final das contas, somos apenas instrumentos de sua graça. Ouvimos falar de mais de cinco mil pessoas que foram a Cristo diretamente por causa do filme. Isso é a ação de Deus.

ENFOQUE – Você poderia compartilhar conosco o testemunho de alguém que foi impactado pelo filme e que chamou sua atenção?

STEPHEN KENDRICK – Uma menina esperou todos saírem do cinema e então se ajoelhou e entregou sua vida para Cristo. Um homem de 34 anos voltou para casa depois de ter assistido ao filme e jogou fora todos os seus DVDs e suas revistas pornográficas. Muitos casais restabeleceram os laços do casamento ou com a igreja depois de ter visto o filme.

ENFOQUE – Aqui no Brasil, muitas denominações ainda vêem o cinema como uma ferramenta do diabo. O que você diria aos irmãos que ainda têm preconceito com relação à sétima arte?

STEPHEN KENDRICK – Isso é como dizer que música ou todo tipo de arte é do diabo. Quem é o dono da arte? Deus é o autor da beleza e da arte. O diabo não é um criador. Ele apenas tenta perverter e deformar o que o Senhor criou. Filmes são uma forma de arte que transmite uma mensagem, seja ela boa ou má. São facas de dois gumes e podem ser usados para prejudicar pessoas – se estiverem em mãos erradas – ou para defender a verdade, disseminando a Palavra de Deus, e assim ajudar pessoas. Os fi lmes são uma das mais poderosas ferramentas que existem nos dias de hoje.

ENFOQUE – Seus dois filmes anteriores foram lançados no Brasil direto em DVD, o que também vai acontecer com “Fireproof”. Por que essas três produções não estréiam nos cinemas?

STEPHEN KENDRICK – Boa pergunta. Quando elas forem importantes o suficiente nos Estados Unidos é provável que estréiem. Ore por isso!

ENFOQUE – Que mensagem você gostaria de mandar para os brasileiros?

STEPHEN KENDRICK – Continuem vivendo para Cristo no Brasil, irmãos e irmãs! Continuem trabalhando em unidade com outros crentes e orem com constância por avivamento na região em que vocês vivem. Estabeleçam ministérios de oração nas suas igrejas e vejam Deus fazer coisas maravilhosas. Espero que nosso filme ajude vocês a alcançar pessoas para Cristo no Brasil. Desejamos adorá-lO junto com todos vocês por toda a eternidade no Céu... muito em breve!

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

HALLOWEEN - A MALDIÇÃO DAS BRUXAS


No dia 31 de outubro muitas pessoas irão participar de festas de "Halloween", popularmente chamado de "Dia das Bruxas" no Brasil. Mas essa festa aparentemente inocente tem estreita ligação com práticas ocultistas, mesmo que muitos não percebam isso.

Sua origem data de tempos antigos, quando os druidas (magos de origem celta) realizavam cerimônias de adoração ao "deus da morte" ou ao "senhor da morte" em 31 de outubro. Isso acontecia na cerimônia "Samhain" durante o festival de inverno, na qual eram oferecidos sacrifícios humanos. Naquela noite, os antigos druidas iam de casa em casa a fim de pegar pessoas para serem sacrificadas ao diabo. Em troca, eles colocavam uma abóbora com uma lanterna dentro para protegê-los de “ataques demoníacos”. Se não fossem atendidos, uma estrela de cinco pontas era desenhada na porta da casa e naquela noite o diabo supostamente atacaria a família.

Essa prática ancestral foi sofrendo alterações com o passar do tempo. A Igreja Católica posteriormente tentou cristianizar o "Samhain", declarando o 1º de novembro como o Dia de Todos os Santos e o 2 de novembro com o Dia de Finados, sendo que em ambas as datas os mortos eram lembrados.

Nos Estados Unidos essa festa é muito comum e tem forte apelo comercial, sendo também tema de vários filmes de horror. A imagem de crianças vestidas com fantasias "engraçadinhas" de bruxas, fantasmas e duendes, pedindo por doces e dizendo "gostosuras ou travessuras". Há algum tempo, o Brasil tem se deixado influenciar por muitos aspectos que não fazem parte de sua cultura e tem celebrado essa festa em escolas, cursos de inglês, clubes e até em shopping centers.

Diante dessa realidade, devemos nos questionar: Halloween está relacionado às práticas ocultistas modernas?
Mesmo que hoje em dia Halloween seja comemorado de uma maneira inocente por muitos jovens, ele é levado a sério pela maioria das bruxas, membros do movimento neo-pagão e ocultistas em geral. Nos Estados Unidos, na noite de Halloween, crianças estão sendo sacrificadas.

Halloween deve ser rejeitado pelos pais, pelos professores e pelos diretores das escolas. Deus é amor e quer o melhor para você e sua família. Não se envolva com bruxaria, ainda que seja por brincadeira. A Bíblia diz que o Diabo é ardiloso, que ele se disfarça como anjo de luz. Ele veio para matar, roubar e destruir. Jesus veio para dar vida abundante a todo aquele que nele crer e confiar!

A Bíblia é clara na opção que devemos seguir: "Não se achará entre ti quem faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem necromante, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao SENHOR; e por estas abominações o SENHOR, teu Deus, os lança de diante de ti. Perfeito serás para com o SENHOR, teu Deus" (Deuteronômio 18.10-13).
Agora mesmo, ore a Jesus para proteger você e seus familiares. Jesus tem todo o poder para destruir todas as obras do diabo. Não tema. Creia em Jesus e seja feliz!

Fonte: Texto de um folheto do CPR, de nome 'Halloween - A Maldição das Bruxas,' adaptado e acrescido de outras informações.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

A VIDA E OS TEMPOS DE LUTERO

A propósito do Dia da Reforma, que é comemorado em 31 de Outubro, publicamos este excelente texto sobre aquele que Deus usou para dar início efetivamente à Reforma: Martinho Lutero.
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REVOLUCIONÁRIO POR ACIDENTE

Em sua busca por paz espiritual, Lutero não tinha idéia do tumulto que traria para seu mundo.

Por James M. Kittelson

Portal Cristianismo Hoje - http://www.cristianismohoje.com.br/

Um conselheiro de turistas do século 16 afirmava que as pessoas que voltassem de suas viagens sem ver Martinho Lutero e o papa “não tinham visto nada”. Mais tarde, este homem tornou-se bispo da Igreja Católica Romana e um dos oponentes de Lutero.
Outra pessoa leu os trabalhos de Lutero e declarou: “A igreja nunca viu maior herege!” Mas depois de alguma reflexão, declarou: “Somente ele está certo!” Este homem tornou-se um reformador e Lutero regularmente se confessava com ele.
Como pôde um frei e professor evocar tais reações conflitantes?
A resposta é a própria simplicidade. Este homem, que continua a falar depois de meio milênio, ou ensinou a base da fé cristã corretamente ou ainda está desviando almas. Como ele mesmo disse, “Outros antes de mim contestaram a prática. Mas, contestar a doutrina, isso sim é pegar um ganso pelo pescoço!”

Infância comum
Ao contrário de algumas especulações românticas, a infância de Lutero não teve quase nada a ver com o fato de ele tornar-se um teólogo revolucionário. Ele nasceu quase em trânsito em 10 de novembro de 1483, em Eisleben (cerca de 220 quilômetros ao sudoeste da moderna Berlim), onde seus pais podem ter trabalhado como empregados domésticos.
Dentro de um ano, a família mudou-se para Mansfeld, onde seu pai, Hans Luder (como era pronunciado na região), encontrou trabalho nas minas de cobre locais. Hans subiu rapidamente, talvez com a ajuda de parentes, a proprietário, ou sócio de várias minas e fundições. Até mesmo tornou-se um membro do conselho da cidade. A pintura de Cranach, do Luder mais velho, mostra-o num casaco finamente tecido com uma gola de pele.
Lutero lembra de sua infância em parte por (nos termos de hoje) seu abuso físico. Ele apanhava de seus pais de modos aterradores. Ele distanciou-se tanto de seu pai que, em uma ocasião, que seu pai lhe pediu perdão. Mas como Hans veio até seu filho, Lutero também se lembra que “ele me queria bem”. Talvez a dura disciplina refletisse apenas uma família que desejava ser bem-sucedida, e o foi. Não havia, com certeza, nada de incomum nisso.
Também não há evidência de nada incomum ou rebelde acerca da piedade da família. Margaretha, a mãe de Lutero, tinha as superstições comuns da época. Por exemplo, ela culpava uma vizinha pela morte de um de seus filhos, pois a considerava uma bruxa. Hans se unia a ela, buscando uma indulgência especial para a igreja local. Quando jovem, Lutero absorveu uma religião na qual uma pessoa tinha que lutar pela futura salvação da mesma forma que tinha que trabalhar pela sobrevivência material.

Uma decisão perspicaz
Neste ponto, dois assuntos comuns mudaram o rumo de Lutero.
Primeiro, Hans (que poderia ter ficado satisfeito quando o menino aprendeu a ler, escrever e fazer cálculos e então entrar no negócio da família) mandou o menino para estudar latim, e finalmente para a universidade de Erfurt. Ao tomar esta decisão perspicaz, Hans foi ambicioso não apenas por seu filho, mas pela família inteira. Se fosse bem-sucedido, o jovem Lutero se tornaria advogado, que, fosse numa igreja ou na corte, traria um bom sustento para os pais e irmãos.
Segundo, o jovem deixou o lar antes de fazer 14 anos e provou ser extraordinariamente inteligente. Concluiu o bacharelado e o mestrado no menor tempo permitido pela lei. Ele provou ser tão adepto a disputas (debates públicos era a maneira principal de ensinar e aprender) que ganhou o apelido de “O Filósofo”. Hans ficou tão feliz que deu ao seu filho um presente caro: o texto principal para estudos legais da época, o Corpus Juris Civilis.

Da lei ao legalismo
Infelizmente, para os planos de Hans, o estudante novato de direito começou a ter dúvidas sobre o estado da sua alma e também sobre a carreira que seu pai tinha assegurado para ele. Em 1505, quando ainda não tinha 22 anos, ele tirou uma licença oficial, mas inexplicada, da universidade. Ele visitou sua família para buscar, aparentemente, conselho sobre seu futuro. No seu retorno para Erfurt, quando lutava contra uma severa tempestade, um raio atingiu o chão perto dele.
“Me ajude, Santa Ana!”, Lutero gritou. “Eu me tornarei monge.”
Depois deste voto a Santa Ana, a conhecida padroeira dos mineiros, Lutero passou várias semanas discutindo sua decisão com seus amigos. Então, em Julho de 1505, como era a exigência para entrar na vida monástica, ele doou todos os seus bens – seu alaúde, com o qual bastante tinha habilidade; seus muitos livros, incluindo o Corpus Juris Civilis; suas roupas e utensílios para comer – e entrou para o Black Cloister of the Observant Augustinians (Mosteiro Negro dos Vigilantes Agostinianos). Como de costume, ele passou mais de um mês examinando sua consciência e sendo interrogado pelas autoridades competentes antes de proceder ao noviciato (um ano adicional de escrutínio antes de se tornar um frei).
Com toda evidência, Lutero foi extraordinariamente bem-sucedido (“impecável” foi a descrição) como um agostiniano, assim como quando foi estudante. Ele não começou simplesmente a jejuar, orar e fazer práticas devotas (como ficar sem dormir, suportar o frio cortante sem cobertor e se flagelar), ele os fazia dedicadamente. Como comentou mais tarde: “Se alguém pudesse ter herdado o céu pela vida de um monge, teria sido eu.”
Ele tornou-se um padre em menos de dois anos depois de entrar para o Mosteiro Negro. Foi mandado a Roma como companheiro de viagem de um irmão mais velho a negócios, que seriam cruciais para os agostinianos na Alemanha. Além disso, seus superiores ordenaram que estudasse teologia para que pudesse se tornar um dos professores da ordem.

Digno de estudo
Naquele momento, o próprio Lutero começou a ser alguém digno de estudo. Os medos e ansiedades que o dirigiram para o Mosteiro Negro o deixaram durante seu primeiro ano lá, mas então se intensificaram. Embora buscasse amar a Deus com todo seu coração, alma, mente e força, ele não achava consolo. Ficava cada vez mais com medo da ira de Deus: “Quando é tocada por esta inundação que vem do eterno, a alma só se alimenta e bebe da eterna punição e nada mais.”
A ordem para estudar a teologia acadêmica significava que ele podia investigar suas lutas intelectualmente. Lutero, mais tarde, comentou que foi “aonde as tentações me levaram”, querendo dizer que ele ousou investigar as questões que mais o atormentavam. Mas isso acontecia devagar: “Eu não aprendi minha teologia toda de uma vez... mas como Agostinho, através de muito estudo, ensino e escrita.”
No processo, os ataques de dúvida de Lutero acerca de sua salvação tornaram-se uma realidade objetiva que ele estudou – quase da maneira que um matemático se debruça sobre um problema difícil.

O dilema de Lutero
Como um iniciante no estudo da teologia, Lutero foi ensinado sobre a ortodoxia predominante, e parte de suas palestras iniciais como professor mostra que ele cria nisso.
Seus professores, seguindo a Bíblia, ensinaram que Deus exigia absoluta justiça, como na passagem, “sejam perfeitos, como é perfeito vosso Pai que está no céu”. As pessoas precisavam amar a Deus absolutamente e seus próximos como a elas mesmas. Elas deviam ter a fé inabalável de Abraão, que estava disposto a sacrificar o próprio filho.
Além do mais, quando não eram perfeitas, as pessoas deviam se arrepender de um modo totalmente contrito, e não pelo propósito egoísta de salvar a si mesmas. E onde o indivíduo não pudesse ser absolutamente justo, a Igreja entraria com a graça dos sacramentos.
Lutero declarou mais tarde: “Eu estava tão bêbado, aliás, tão submerso nas doutrinas do papa, que eu teria alegremente matado (ou cooperado com alguém que matasse) quem quer que tirasse uma sílaba da obediência devida a ele.”
Mas Lutero foi atacado por um problema, e finalmente este o levou para longe do que havia sido ensinado. Os seres humanos são incapazes de ter os atos e estado da mente sem o egoísmo que as Escrituras exigem. O mais difícil para Lutero era a obrigação perfeita das Escrituras de ser contrito e se arrepender.
No fim da Idade Média, o arrependimento ocorria mais comumente no curso dos sacramentos da confissão e da penitência. De acordo com o que o pecador confessasse, era perdoado e então cumpria as ações de penitência que lhe fossem ordenadas e o processo estava completo. Mas Lutero sabia que no meio deste ato crucial era justamente quando ele era mais egoísta. Estava confessando seus pecados e cumprindo sua penitência apenas pelo instinto humano de salvar a sua pele. E, também, pela tendência humana de pecar, ele não conseguia se confessar o suficiente.
Este assunto crítico permaneceu vívido na mente de Lutero. Ele comentou depois: “Se alguém confessasse seus pecados na hora certa, ele teria que carregar um confessor no seu bolso!” Como seus professores sabiam, ele de fato podia levar ao desespero (ou como acreditavam então, o pecado contra o Espírito Santo). No caso de Lutero, ele era de vez em quando levado ao desespero mesmo.

Quem pode ser justo?
Durante seus anos iniciais, quando Lutero lesse o famoso “Texto da Reforma” — Romanos 1.7 — seus olhos seriam levados não para a palavra fé, mas para a palavra justo. Quem, afinal, podia “viver pela fé”? Somente aqueles que já eram justos. O texto era claro sobre o assunto: “O justo viverá pela fé.”
Lutero observou: “Eu odiava aquela frase, ‘a justiça de Deus’, pela qual eu tinha sido ensinado de acordo com o uso e costume de todos os professores... [que] Deus é justo e pune o pecador injusto.” O jovem Lutero não podia viver pela fé porque não era justo – e ele sabia disso. Durante sua confusão, Lutero muitas vezes abordou Johann von Staupitz, seu superior, sobre as suas dúvidas, pecados e ódio de um Deus justo. Ele fazia isso tão freqüentemente que uma vez Staupitz o mandou sair e cometer um pecado de verdade: “Você quer ficar sem pecado, mas você não tem pecados de verdade... o assassinato de um dos pais, vícios públicos, blasfêmia, adultério, coisas assim... Você não deve inflar os seus pecados mancos, artificiais e fora de proporção!”
Mas Lutero não se conformou: “Mesmo que minha consciência nunca me dê segurança, ainda assim sempre duvidei e disse, ‘Você não fez aquilo corretamente. Você não confessou tal coisa’.”

Contradizendo tudo
O momento, ou melhor, os momentos críticos na vida de Lutero resultaram de uma decisão de seus superiores. Eles, particularmente Staupitz, ordenaram que ele fizesse seu doutorado e se tornasse um professor bíblico na Universidade de Wittenberg. Dependendo do ponto de vista, esta foi a mais brilhante ou a mais estúpida decisão da história do cristianismo latino.
Lutero resistiu ao chamado, dizendo, “Será a minha morte!”, mas finalmente aceitou. Ele logo adquiriu sua própria identidade madura como professor ou doctor ecclesiae (ou professor da igreja), na qual freqüentemente buscava refúgio, até mesmo ao ponto de assinar seu nome normalmente, D. Martinus Lutherus.
Mais importante que isso, a revolução em seu pensamento teológico ocorreu na sala de palestra e estudo dos professores, de 1513 a 1519. Ele começou reinterpretando a justiça de Deus e então estendeu sua interpretação para questões centrais da teologia cristã.
No fim de 1513, início de 1514, quando chegou ao Salmo 72, explicou aos seus alunos: “Isto é o que é chamado julgamento de Deus: como a justiça ou força ou sabedoria de Deus, é com isto que somos sábios, justos e humildes ou pelo qual somos julgados.”
Esta é uma frase notável: a última frase é sobre o que ele foi ensinado; era a ortodoxia daquele tempo: Deus julga por sua justiça. Mas a primeira frase – Deus nos dá justiça – é a que ele ensinaria cada vez mais. De fato, um pouco mais tarde, durantes as palestras, rejeitou totalmente a doutrina comum e afirmou o contrário, ao dizer que todos os atributos de Deus, – “verdade, sabedoria, salvação, justiça” – eram “as coisas com as quais ele nos faz fortes, salvos, justos e sábios”.
Junto com estas mudanças vieram outras. A Igreja não era mais a instituição que se gabava de sucessão apostólica; pelo contrário, era a comunidade daqueles que tinham recebido a fé. A salvação não vinha pelos sacramentos por si só, mas pelo seu papel em nutrir a fé. A idéia de que os seres humanos tinham uma faísca de bondade (suficiente para buscar a Deus), não era uma fundação em teologia, mas ensinada pelos tolos, que não conheciam teologia. A humildade não era mais a virtude que ganhava graça, mas uma resposta necessária ao dom da graça. A fé não mais consistia em obedecer aos ensinos da Igreja, mas em confiar nas promessas de Deus e nos méritos de Cristo.
Em resumo, Lutero trabalhou numa revolução que contradisse tudo o que lhe havia ensinado. Como certos revolucionários em seu próprio tempo, estava tudo ali, pronto para explodir, e nem mesmo o líder principal tinha consciência de seu potencial.

Reação em cadeia
De fato, o que aconteceu foi mais uma longa e poderosa reação em cadeia do que uma explosão repentina. Começou na Noite de Todos os Santos, em 1517, quando Lutero fez uma objeção formal ao modo como o pequeno e atarracado Johann Tetzel estava pregando uma indulgência plenária.
As indulgências eram documentos preparados pela Igreja e comprados por indivíduos para si mesmos ou em favor dos mortos. Conseqüentemente, o comprador vivo ou morto seria liberado do purgatório por determinado tempo. No segundo exemplo, uma indulgência plenária, ou total, libertaria completamente a pessoa e raramente era oferecida. De qualquer modo, o dinheiro da venda de indulgências era usado para sustentar os projetos da Igreja, como por exemplo, no caso das vendas de Tetzel, a reconstrução da basílica de S.Pedro, em Roma.
Tetzel orquestrou cuidadosamente seus comparecimentos para excitar o interesse do público. Ele preparava seus sermões para agradar e persuadir, muitas vezes terminando com a famosa frase: “Quando uma moeda no cofre tilintar, uma alma do purgatório para o céu vai voar!”
Lutero simplesmente queria questionar o tráfico de indulgências da Igreja. Ele desafiou todos os que ali estavam para debater a prática do modo acadêmico adequado. Mas os eventos tomaram a questão das suas mãos.
Suas 95 Teses foram traduzidas para a língua popular e espalhadas pela Alemanha dentro de duas semanas. Lutero foi convidado para debater os aspectos teológicos em Heidelberg, durante o encontro regular dos agostinianos na primavera de 1518. Então, ele passou por uma entrevista excruciante com o cardeal Cajetam, em Augsburg, naquele outono. Foi tão doloroso que, Lutero lembra, ele não podia nem andar a cavalo, porque seu intestino esteve solto da manhã à noite.

Oposição à autoridade
Lutero tinha boas razões para estar ansioso. O assunto rapidamente deixou de ser a respeito de indulgências, ou as indulgências de Tetzel, (que eram extraordinárias sob qualquer ponto de vista), mas a autoridade da Igreja: o papa tinha o direito de cobrar tais indulgências?
O assunto da questão original – se os seres humanos podem tirar do tesouro dos méritos de Cristo, confiados à Igreja, para alterar sua posição diante de Deus – não era uma grande preocupação para os oponentes de Lutero. Na verdade, eles eram repetidamente proibidos de debater com ele a esse respeito. A questão era, ao contrário, se a Igreja podia declarar que era assim e esperar obediência.
O assunto central do debate de Leipzig tornou-se público no fim de junho, em 1519, uma ocasião magnífica. Os estudantes de Wittenberg foram armados com bastões. O bispo local tentou proibir o debate, e o duque George da Saxônia, que o patrocinou, colocou uma guarda armada para garantir que tudo aconteceria dentro da ordem. No fim, ficou claro que Lutero estava formando uma revolução que atingiu a própria Igreja.
Em resumo, Lutero declarou que “um simples leigo armado com as Escrituras” era superior tanto ao papa e aos concílios sem elas. Dessa forma, Lutero ricamente mostrou-se merecedor da bula (documento papal), que o ameaçava de excomunhão, que veio em 1520. Ele respondeu a ela queimando tanto a bula quanto a lei do cânon.

Seus três ensaios mais importantes
Lutero, então, explicou nos mínimos detalhes as conseqüências práticas de sua teologia. Naquele verão ele escreveu os que são, indiscutivelmente, seus três tratados mais importantes: Discurso à nobreza cristã, O cativeiro babilônico da igreja e A liberdade do cristão. Com estes três ensaios, ele colocou a si mesmo e aos seus (então) muitos simpatizantes em oposição à quase toda a teologia e prática da cristandade no fim da Idade Média.
No primeiro, ele pede aos líderes que tomem em suas próprias mãos a reforma necessária da Igreja, ao mesmo tempo em que argumenta que todos os cristãos são sacerdotes.
No segundo, reduziu os sete sacramentos; primeiro a três (batismo, Ceia do Senhor e penitência), depois para apenas dois, enquanto alterava radicalmente seu caráter.
No terceiro, disse aos cristãos que eles eram livres da lei (em particular das leis da Igreja), ao mesmo tempo em que eram prisioneiros em amor do seu próximo.

“Não me retratarei”
A Dieta (ou encontro) de Worms, que aconteceu na primavera de 1521, foi, portanto, em um sentido, pouco mais do que um efeito marola de um navio que já havia zarpado. O imperador de Roma, Charles V, (que também era Charles I da Espanha) nunca tinha estado na Alemanha. Ele convocou a Dieta para encontrar os príncipes da Alemanha, os quais conhecia muito pouco e precisava cortejar desesperadamente. Mas este frei conhecido pelo nome de Lutero também precisava ser abordado.
Lutero deixou Wittenberg para estar presente na Dieta convencido de que finalmente teria a audiência que pediu em 1517. Quando foi introduzido na Dieta, Lutero ficou surpreso em ver o próprio imperador Charles V. Ele estava cercado pelos seus conselheiros e representantes de Roma, tropas espanholas, vestidos com seus melhores trajes de desfile, eleitores*, bispos, príncipes de território e representantes das grandes cidades. No meio desta augusta assembléia estava uma mesa com uma pilha de livros.
Lutero foi questionado se havia escrito os livros, e se havia alguma parte que ele desejava retratar. Ficou surpreso; aquilo não ia ser um debate judicial, mas um interrogatório. Lutero ficou bastante confuso, tropeçou e implorou por outro dia: “Isto toca Deus e sua Palavra. Isto afeta a salvação de almas. Eu imploro, dê-me mais tempo.”
Ele teve um dia e, de volta aos seus aposentos, escreveu: “Assim como Cristo é misericordioso, eu não retirarei nem um pingo do texto.”
No dia seguinte, os negócios da Dieta atrasaram o retorno de Lutero até tarde da noite. A luz das velas tremeluzia sobre a multidão de dignitários que se espremiam na grande sala.
Ele foi novamente questionado: “Você defende estes livros, todos juntos, ou você deseja retirar algo do que disse?” Lutero replicou com um pequeno discurso, o qual repetiu em latim.
Havia três tipos de livros na mesa, ele declarou. Alguns eram sobre a fé cristã e as boas obras, e estes ele certamente não corrigiria. Alguns atacavam o papado e corrigir estes seria encorajar à tirania. Finalmente, alguns atacavam o indivíduo (e, Lutero admitiu, talvez de maneira muito difícil), mas ainda estes não podiam ser corrigidos porque estas pessoas defendiam a tirania papal.
Com certeza, veio a resposta, um indivíduo não podia colocar dúvida na tradição de toda a Igreja! Então o examinador declarou: “Você deve dar uma resposta simples, clara e própria.. Você se retratará ou não?”
Lutero replicou: “A menos que eu possa ser instruído e convencido com evidências na Palavra de Deus ou com raciocínio aberto, claro e distinto... Então, não posso e não me retratarei, porque não é seguro ou sábio agir contra a consciência.”
Então, ele completou: “Isto é o que penso. Nada posso fazer diferente disso. Que Deus me ajude! Amém.”

Cavaleiro George
Quando as negociações não tiveram êxito em conseguir qualquer concessão, Lutero foi condenado. Ainda assim, recebeu salvo-conduto, como havia sido prometido antes de ele vir, mas somente por 21 dias.
Mas assim que Lutero e seus companheiros começaram a voltar para Wittenberg, quatro ou cinco cavaleiros armados saíram da floresta, arrancaram Lutero de sua carruagem e o arrastaram de lá às pressas. Rapidamente, ele foi informado de que fora seu príncipe, Elector Frederick, O Sábio, que o seqüestrara para mantê-lo a salvo. Logo chegou a Wartburg, um dos castelos de Frederick. Lutero era um fora-da-lei; qualquer um podia matá-lo sem temer represálias de uma corte da lei.
Lutero detestava sua estada forçada em Wartburg. Como “cavaleiro George” (sua nova identidade), ele agora comia como um nobre e sua nova alimentação irritava seu aparelho digestivo. Ele sentia falta de seus amigos em Wittenberg, e odiava ficar afastado da luta. Até fez planos de fazer uma visita à Universidade de Erfurt, onde estaria fora da jurisdição. Isto falhou, mas ele conseguiu um cavalo e fez uma viagem até Wittenberg, de onde retornou muito aliviado com o curso dos eventos entre seus amigos.
Apesar de suas reclamações sobre solidão forçada e sua própria “preguiça”, os dez meses no gelo de Lutero estão entre os mais produtivos de sua vida. As obras teológicas e acadêmicas continuaram, com seu Comentário sobre o Magnificat, tocante e quase autobiográfico, o incompleto Postillae e a tradução do Novo Testamento, do qual ele fez um rascunho em 11 semanas.
Mas o que começou com suas palestras e as 95 Teses estava agora virando um movimento popular. Ele sentia-se obrigado a responder às perguntas práticas das pessoas. Ele o fez sob forma de tratados, tais como Sobre a confissão, A abolição das missas particulares, e acima de tudo, Sobre os votos monásticos.
O último se destaca como um dos mais extraordinários trabalhos jamais escritos por uma figura pública. Por toda a Alemanha, em particular Wittenberg, monges e freiras estavam fugindo de seus monastérios e clausuras – alguns por razões de consciência, outros por pura conveniência. Desprezar a religião estava virando algo comum. Ao mesmo tempo, os defensores da velha Igreja insistiam na inviolabilidade dos votos monásticos.
Totalmente consistente com seu A liberdade do cristão, Lutero tomou uma estrada intermediária. Toda a questão era se e como alguém podia servir melhor ao próximo. Se alguém o fizesse sob as ordens sagradas, então que permanecesse assim. Por outro lado, os votos monásticos não eram uma prisão, e se alguém serve o próximo melhor fora do monastério ou da clausura, então que viva no mundo. A liberdade de servir, portanto, tornou-se um marco na Reforma Luterana Alemã.

Decisões controversas
Conforme sua revolução se expandia, Lutero foi cada vez mais se atirando na arena pública. Ele retornou abertamente a Wittenberg, no início da primavera de 1522, e sem pedir a permissão do eleitor, retomou o púlpito e pregou sobre a obrigação de amar o próximo. A decisão de retornar nasceu de sua convicção de que o movimento incipiente da Reforma (alguns afirmavam que os cristãos deviam se casar e que os monges e freiras deviam tornar-se leigos) não estava respeitando a liberdade cristã ou as consciências fracas.
Em tempo, Lutero foi forçado a tomar outras decisões, muitas das quais ainda são controversas.
Quando houve agitação, resultante da Guerra dos Camponeses, em 1524–1525, ele primeiro condenou os príncipes e depois os exortou a esmagar a revolta.
Quando Erasmus, famoso estudioso humanista, duvidou de que a verdade sobre se os humanos têm livre-arbítrio pudesse ser conhecida, Lutero replicou: “O Espírito Santo não é um cético”, e acusou Erasmus de não ser cristão.
Quando os reformadores suíços Zwingli e Oecolampadius questionaram se o corpo e sangue de Cristo estavam realmente nos elementos da Ceia do Senhor, Lutero respondeu: “Mera física!”, e ajudou a inflamar a controvérsia que por fim dividiu as Igrejas Luterana e Reformada.
Seu tremendo esforço em criar um novo clero e uma igreja reformada também trouxe as autoridades civis mais diretamente para o governo diário da Igreja.
Sua decisão de se casar com uma freira que fugiu, Katharina von Bora, escandalizou a muitos. Para Lutero, o choque era acordar de manhã com “tranças no travesseiro ao meu lado”.
Sobre o seu esforço contínuo de traduzir a Bíblia para o alemão, ele disse: “Se Deus quisesse que eu morresse pensando que sou um homem inteligente, não teria me colocado na missão de traduzir a Bíblia.”
Com todas estas decisões e ações, Lutero exibiu uma incrível consistência. O grande marco de sua vida é o modo como ele uniu sua personalidade e sua doutrina vigorosas. Para ele, a doutrina nunca foi uma questão meramente intelectual ou acadêmica. Pelo contrário, era a própria vida. No prefácio de “Large Catechism” [Grande catequese], ele insiste em que os cristãos leiam e releiam suas catequeses para que “com tal leitura, conversa e meditação o Espírito Santo esteja presente e derrame sempre luz e fervor cada vez maiores e renovados”. Ele queria que todos os cristãos se tornassem pessoas ensinadas por Deus.

Dr. James M. Kittelson é professor de História na The Ohio State University, Columbus, Ohio, e autor de Luther the Reformer [Lutero, o reformador] (Augsburg, 1986).

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sábado, 25 de outubro de 2008

Um grito que não se cala


Ariadna de Oliveira

O dia trazia consigo um ar de desafio! Aqueles momentos da nossa visita à China já estavam tornando-se um instrumento transformador de Deus em nossa vida – embora ainda não soubéssemos avaliar com precisão tudo o que estava sendo gerado em nosso interior e mudado em nossa concepção cristã!

Enquanto caminhávamos para o local – onde, conforme nos fora informado, conheceríamos um homem que chamaremos de Josué –, vagavam lentamente, em meu coração, algumas questões acerca do rumo que a igreja brasileira está tomando, e não pude deter as lágrimas por tanta liberdade cristã desperdiçada nesse nosso país privilegiado.

O hotel, local da reunião, era grande e marcado por detalhes que não nos permitiam esquecer que estávamos num país oriental. Recordo-me da sala em que nos acomodamos: grande e clara, com uma mesa enorme rodeada de cadeiras confortáveis. Uma mistura de expectativa e ansiedade tomava conta do ambiente.

Alguns minutos depois, vimos entrar o tão esperado homem: estatura mediana, físico forte, olhar e sorriso que expressavam tanto da vida de Deus quanto suas palavras revelariam mais adiante. Este homem, um cristão chinês convertido há alguns anos, lutava para implantar, no coração da igreja chinesa, a responsabilidade por missões. Enquanto eu ouvia a introdução do nosso contato, dizendo, em inglês, que estávamos diante de um homem do qual o mundo não era digno, fixei minha atenção nele, e meus pensamentos tomaram asas.

Ouvimos sobre o projeto que Josué estava desenvolvendo, sério e extremamente arriscado, treinando cristãos chineses para serem enviados a outro país do Oriente, totalmente fechado para o evangelho. Segundo o interlocutor, ele já havia sido preso e torturado algumas vezes por amor a Cristo e ameaçado de morte caso avançasse na expansão da Palavra de Deus.

De fato, estava, diante de meus olhos, um herói em meu sincero conceito de heroísmo genuíno!

Quando Josué tomou a palavra para nos cumprimentar, percebi que seu coração era experimentado: havia nele um misto de doçura e maturidade, de amor e responsabilidade consciente. Falou-nos com tanta propriedade sobre o desafio de alcançar outros povos e dar a vida pela causa de Cristo que fomos constrangidos pelo amor.

Veio à minha mente: “Como um homem que vive sob tanta pressão e perigo pode estar preocupado com outros povos e nações?”.

Ele continuou relatando sobre o treinamento árduo dos irmãos chineses e como desenvolvem o senso de responsabilidade para com os que se perdem e a possibilidade concreta de morrerem no desenrolar do trabalho. Contou-nos a respeito das baixas que sofreram ao longo desses anos, de igrejas destruídas por bombas, pastores mortos enquanto pregavam a Palavra e alguns de seus amigos torturados cruelmente até a morte.Meu coração sangrou de vergonha e dor.

Falou-nos por mais de uma hora sempre com a face brilhante de alguém envolvido com o mais nobre trabalho da Terra. Em nenhum desses momentos, citou prisões ou torturas, falou das perseguições ou ameaças sofridas; manteve sempre a palavra doce e firme, encorajando-nos ao cumprimento do IDE.

Num determinado ponto da conversa, uma mulher da nossa equipe, em meio a lágrimas, levantou a mão indicando uma pergunta. Josué olhou para ela com um sorriso, e ela avançou:

– Irmão Josué, sabemos que você esteve preso algumas vezes. Tenho uma pergunta: como você conseguiu amar seus torturadores e lhes perdoar?

Enquanto escrevo estas linhas, tenho na lembrança o olhar de amor que ele dirigiu a algum ponto da sala enquanto ouvia tal pergunta. Para mim, a resposta já havia sido dada naquele olhar...

Ele suspirou fundo:

Minha irmã, lembro-me de uma vez em que fui pego falando de Cristo: os soldados me conduziram a uma sala, colocaram-me de joelhos e começaram a dizer que eu deveria negar a minha fé. Todas as vezes em que abria os meus lábios para confirmar que cria em Cristo como meu Senhor, um daqueles soldados me chutava a boca. Não me era permitido cuspir o sangue, e, em pouco tempo, meus lábios estavam totalmente inchados.

Enquanto aquele homem me batia, orei intimamente perguntando ao Senhor a razão de ele permitir aquela dor e sofrimento. Ouvi o seu Espírito falando mansamente: “Jesus sabe exatamente o que você está sofrendo, pois também foi preso e torturado – e a cada um dos seus malfeitores perdoou! Receba dele a graça de perdoar e amar”.

Levantei os olhos em direção ao soldado que me batia, e meu coração foi totalmente inundado de amor por ele, um amor capaz de perdoar por completo. Naquele momento, eu aprendi que nada é maior do que a capacidade que Cristo nos dá de amar e perdoar os nossos inimigos.

Depois disso, ele prosseguiu, encorajando-nos na disposição de pregar o evangelho a qualquer preço, levando esperança a homens mortos espiritualmente e traduzindo em vidas o fato que mudou para sempre a nossa história: A CRUZ DE CRISTO!

Saí dali com meu conceito de devoção cristã retocado com a nobreza e a disposição de Josué; chorei por mim mesma e por minha fé débil e influenciável; clamei pela igreja brasileira e sua fraca convicção de entrega e sacrifício e, por fim, deixei meu coração sentir o drama dos 85 mil homens e mulheres que morrem diariamente sem conhecer Cristo, das inúmeras crianças submetidas à prostituição, do massacre cruel nos campos de refugiados em países do Oriente, dos 33 milhões de deuses adorados na Índia, da crueldade contra os cristãos em países como Coréia do Norte, Vietnã e Sudão e de todos os pastores e líderes da igreja sofredora que pagam com a própria vida a propagação do Evangelho...

Pensei em tudo isso e um GRITO foi tatuado em minha vida por todos os dias, GRITO este que expresso hoje a você:

ATÉ ONDE VAI SEU AMOR POR CRISTO E A SUA CAUSA?


*Ariadna Faleiro de Oliveira atua na mobilização de intercessores e mantenedores para a obra de missões e, junto com o seu esposo Paulo, pastoreia a Igreja Batista da Paz em Goiânia, desenvolvendo um projeto de recuperação com mulheres dependentes químicas ou envolvidas com prostituição. Tem acompanhado equipes em viagens de curto prazo a países onde a perseguição ao cristianismo é severa, objetivando um despertamento maior acerca desse assunto. Você pode conhecer um pouco mais sobre esse ministério através do link "O MUNDO EM FOCO" no site www.familiadapaz.com.br ou enviando um e-mail para omundoemfoco2008@hotmail.com.

via SEPAL - http://www.lideranca.org/

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Sobre o apóstolo André: Um breve estudo

*
Protocletos


Karl Heinz Kienitz

Considero André uma das figuras mais peculiares do Novo Testamento. Com insistência referem-se a ele como “irmão de Simão”. A maioria de nós se incomodaria de ser constantemente lembrado como “irmão de fulano”. Parece-me, no entanto, que a indelicadeza dos outros nunca impactou as atitudes de André. Ao contrário, os poucos episódios em que é mencionado revelam um discípulo incomum, talvez o mais maduro dos apóstolos. A tradição ortodoxa o celebra como “Protocletos”, o que significa “o primeiro chamado”.

Depois de João Batista, André foi o primeiro a reconhecer em Jesus adulto o Messias (Jo 1.35-42). É impressionante constatar que a primeira reação de André não foi algum tipo de deleite intelectual ou êxtase espiritual, mas a iniciativa de levar seu irmão imediatamente à presença de Jesus. Esta conseqüência missiológica de André revela não só prioridades bem resolvidas, mas uma profunda segurança e perspicácia centrada nas coisas de Deus. Nas ocasiões em que Jesus ensinou sobre o final dos tempos (como em Mc 13.2-4) tenho como certo que André era o único a compreender algo do que o mestre dizia.

Quando Jesus, a título de teste, desafiou os discípulos a alimentarem uma multidão (Jo 6.5-11), Felipe apresentou uma excelente análise da impossibilidade da empreitada proposta. André, por outro lado, prontamente trouxe a Jesus os poucos pães e peixes disponíveis, mesmo sabendo serem insuficientes, e confiou a situação ao mestre que, como bem recordamos, sobrenaturalmente multiplicou os recursos levantados por André. A perspectiva correta de pessoas, de recursos e de Jesus que André revela de forma tão natural nesta história impactam-me profundamente.

Noutro episódio, alguns gregos vieram ver Jesus (Jo 12.20-22). Por algum motivo dirigiram-se primeiro a Felipe, que não soube o que fazer temendo provavelmente um novo episódio escandaloso, como aquele ocorrido com a mulher sírio-fenícia (Mc 7.28). Ocorreu a Felipe consultar André, que mostrou-se senhor da situação: tirou Felipe de sua perplexidade e levou aqueles estrangeiros a Jesus.

O testemunho bíblico da vida do “Protocletos” é sucinto, porém poderoso, e nos desafia a:
• sermos espiritualmente sensíveis e perspicazes, centrados nas coisas de Deus;
• levarmos pessoas a Jesus;
• termos a perspectiva correta de pessoas, dos recursos e do mestre;
• estarmos disponíveis a ajudar outros em seus momentos de perplexidade.


• Karl Heinz Kienitz é doutor em Engenharia Elétrica pela Escola Politécnica Federal de Zurique, Suíça, em 1990, e professor da Divisão de Engenharia Eletrônica do Instituto Tecnológico de Aeronáutica. (www.freewebs.com/kienitz)

FONTE: Ultimato - http://www.ultimato.com.br