terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Quando perdoar é difícil


George R. Foster

São raras as vezes em que encontramos facilidade para perdoar ou sentimos vontade de fazê-lo. Sabemos que temos de perdoar, mas estamos sempre ouvindo as insinuações do orgulho, da raiva e do instinto de conservação que sussurram ao nosso ouvido:
“Não aceite essa ofensa! Revide! Vá à forra! Não deixe que outros façam o que quiserem com você! Esse negócio de ‘bem-aventurados os mansos’ é para os fracos!”
Entretanto é exatamente quando não sentimos vontade de perdoar que mais precisamos fazê-lo. Existe um fato que pode nos ajudar bastante, pois tira muito do peso que sentimos nessa questão. É o seguinte: perdoar não depende da emoção; é uma questão de decisão.
Alguns anos atrás, um homem que eu considerava como amigo praticou um ato de traição para comigo. Eu sabia que, como crente, deveria perdoar-lhe. Então tomei uma decisão consciente nesse sentido. Todavia, durante algum tempo, continuei relembrando o incidente várias e várias vezes, e sentindo de novo todas as emoções que aquilo provocara em mim.
Certa noite, eu estava viajando num ônibus-leito, mas não consegui dormir. Aquele ato passava e repassava em minha mente, e pensava em como seria bom se pudesse dar um murro nele. Quando dei por mim, percebi que estava suando frio, meu coração batia rapidamente e tinha os punhos cerrados. Embora tivesse feito uma decisão consciente no sentido de perdoar-lhe, ainda me sentia magoado e estava com raiva dele.
Aquilo provocou em mim sentimentos de culpa e de autocondenação. O nosso “acusador” ficava me dizendo:
– Na realidade, você não perdoou aquele homem, senão não estaria sentindo tudo isso.
Mas eu repliquei:
– Perdoei, sim. E se não lhe perdoei, perdôo agora.
Essa reafirmação da decisão me ajudou um pouco, mas ainda sentia autocondenação. Na verdade, eu não compreendia a razão daquelas emoções, nem conhecia a dinâmica do perdão. Só algum tempo depois é que vim a entender que, como nossas emoções são reações involuntárias, Deus não nos culpa por elas. Portanto não devemos aceitar as acusações que Satanás lança contra nós, nem deixar que os sentimentos controlem nosso ser. Sabemos que temos a obrigação de decidir perdoar aos nossos ofensores e de manter essa decisão. Contudo, como temos de agir com relação às nossas emoções? O que eu já aprendi a respeito disso é o seguinte.

1. Reconhecer que temos emoções.
Ter emoções não é necessariamente um indício de pecado; é sinal de que somos humanos. Em si mesmas, elas não são o problema. São as conseqüências dele. É inútil negar os sentimentos. O que precisamos fazer é identificá-los, assumir que os temos e apresentá-los a Deus com toda a sinceridade. O que nos liberta é a verdade.

2. Não nos basear nelas para avaliarmos se Deus nos aceita ou não.
Deus nos aceita com base em sua graça, que gera em nós a fé. Se pensarmos que ele nos aceita só quando sentimos isso, estaremos pensando como quem acha que só é membro de sua família nos momentos em que sente que é. Nossos pais não diriam isso!

3. Rejeitar os sentimentos de condenação.
Quando erramos, o Espírito Santo nos traz convicção de pecado para que nos arrependamos. Já Satanás nos lança sentimentos de condenação com relação a emoções – que não são certas nem erradas – no intuito de nos deixar desalentados. Ele quer nos levar a pensar que não adianta tentarmos servir a Deus, e a desistirmos de tudo. Quando o Espírito Santo nos convence de pecado, ele o faz de forma específica. Já Satanás nos dá sensações vagas. O Espírito Santo aponta nosso erro. Satanás procura destruir nosso senso de valor pessoal.

4. Seguir a verdade.
Não existe nenhum mandamento na Bíblia dizendo como devemos nos sentir; pelo menos, eu ainda não encontrei nenhum. Ela nos orienta acerca dos atos, pensamentos, palavras e atitudes que devemos adotar, mas não dos sentimentos que devemos ter. Então, quando nossos atos, pensamentos e palavras são corretos, nossas emoções tendem a ser positivas também.

Já descobri que, na medida em que consigo controlar meus pensamentos, controlo também minhas emoções. Então resolvi que iria simplesmente “deixar pra lá” aquela traição do meu amigo. Não permitiria que aquilo me incomodasse mais. Assim, todas as vezes que ela me vinha à mente, procurava ter pensamentos de amor e perdão para com aquele homem. Chegou um momento em que aquilo já não me causava mais sofrimento. Hoje consigo lembrar daquela experiência, e até mesmo conversar sobre ela, sem dor no coração. Aliás, até tirei proveitos pessoais dessa situação. Aprendi a lidar com ela da maneira bíblica.

Esse artigo foi extraído do livrete “Perdoar e Receber Perdão”, publicado pela Editora Betânia.

George R. Foster trabalhou 25 anos no Brasil com a Missão Evangélica Betânia. Atualmente é pastor internacional dos missionários de Bethany Fellowship Missions. E-mail: george.foster@bethfel.org

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

14 de Dezembro - Dia da Bíblia

Celebrado no segundo domingo de dezembro, o Dia da Bíblia foi criado em 1549, na Grã-Bretanha pelo Bispo Cranmer, que incluiu a data no livro de orações do Rei Eduardo VI. O Dia da Bíblia é um dia especial, e foi criado para que a população intercedesse em favor da leitura da Bíblia. No Brasil a data começou a ser celebrada em 1850, quando chegaram da Europa e EUA os primeiros missionários evangélicos. Porém, a primeira manifestação pública aconteceu quando foi fundada a Sociedade Bíblica do Brasil, em 1948, no Monumento do Ipiranga, em São Paulo (SP).

E, graças ao trabalho de divulgação das Escrituras Sagradas, desempenhado pela entidade, o Dia da Bíblia passou a ser comemorado não só no segundo domingo de dezembro, mas também ao longo de todas a semana que antecede a data. Desde dezembro de 2001, essa comemoração tão especial passou a integrar o calendário oficial do país, graças à Lei Federal 10.335, que instituiu a celebração do Dia da Bíblia em todo o território nacional.

Hoje, as celebrações se intensificaram e diversificaram. Realização de cultos, carreatas, shows, maratonas de leitura bíblica, exposições bíblicas, construção de monumentos à Bíblia e distribuição maciça de Escrituras são algumas das formas que os cristãos encontraram de agradecer a Deus por esse alimento para a vida.

FONTE: Sociedade Bíblica do Brasil - http://www.sbb.org.br/

Leia dezenas de frases sobre a Bíblia, Clicando Aqui.

Irmão André, da Missão Portas Abertas, na TV aberta - Divulgue e não perca!


Amados irmãos, neste sábado, 13 de dezembro, estará sendo homenageada no Programa do Raul Gil a cantora Fernanda Brum. E, dado o envolvimento voluntário da cantora com a causa da Igreja Perseguida, a Missão Portas Abertas foi convidada a dar um depoimento sobre a mesma. E o próprio Irmão André, o fundador da Missão, estará dando uma palavra, e ainda será veiculado um clipe sobre a Igreja Perseguida. É a chance de todo o Brasil saber mais sobre a causa de nossos irmãos perseguidos, em rede nacional de TV, no horário nobre do sábado à tarde.

Avise a seus irmãos e amigos! Sábado, a partir das 15:00h, na TV Bandeirantes.

Para mais informações siga este link: http://www.portasabertas.org.br/contribuicao/chamada_programa.asp

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

A figura central da Revelação Bíblica


Jesus é a figura central da Revelação bíblica. O âmago ou cerne da mensagem de Deus contida nas paginas da Bíblia para o coração humano é Jesus, de sorte que, sem ter em vista a sua personalidade, não se pode ler com proveito a Bíblia.
Meditando na relação inseparável que existe entre a pessoa de Cristo e a bíblia, fizemos as seguintes observações:

1 – Ele é o grande objetivo do Velho e do Novo Testamento.
É ele o alvo para o qual tudo converge no Velho Testamento e o centro em torno do qual tudo gira em o Novo Testamento.
Alem das profecias messiânicas citada nas lições anteriores, poderíamos lembrar que o Velho Testamento esta´ repleto de símbolos, alegorias e tipos de Jesus Cristo.
Há pessoas, ofícios, ritos, cerimônias e acontecimento Históricos que falam de Jesus, Hb 8 a 10, Lc 24.44.

2 – Jesus Cristo, a maior maravilha de todos os tempos, é o segredo do valor incomparável da Bíblia.
A principal razão de ser a Bíblia, o Livro dos livros, é a pessoa de Jesus cristo revelado em suas paginas.
Esta afirmação ao diminui o valor intrínseco das Escrituras, que são o engaste de ouro digno da Grande Perola – Jesus. Ao contrario até, pois da Bíblia depende o nosso conhecimento de Jesus Cristo.
Os únicos documentos autênticos pelos quais se pode conhecer o Cristo real e histórico são os Evangelhos. Estes não fazem parte, apenas, da Bíblia mas estão, com o Velho Testamento, inseparavelmente entrelaçados, como já vimos.

3 – Jesus Cristo é a chave para a boa inteligência da Bíblia.
A Sua Pessoa permeia e explica a Bíblia, em toda a parte, Jo 5.39 e At 8.30-35. Aos discípulos no caminho de Emaús, Jesus apareceu e ensinou que o Velho Testamento falava de Sua Pessoa, de sua morte e de Sua Ressurreição, Lc 24.25-27 e 44. Pois a expressão: "Moisés, profetas e salmos" significa tríplice divisão do Velho Testamento, ou seja, da Bíblia hebraica.
Justificar
Autor: Guilherme Kerr

Fonte: ABC Doutrinário do Candidato a publica profissão de Fé; pg 19-20; Casa editora Presbiteriana.

Curso de Tradução Biblica

Quando penso em tradução da Bíblia, lembro-me de Irene Benson. Conheci essa missionária em visita a tribo de Mapuera no Pará em 1996. A tradução da Bíblia para os índios Waiwai começou em 1955 e terminou 46 anos depois, em 2001. Na ocasião faltavam ainda 5 anos para a conclusão do trabalho de tradução, mas os olhos dessa irmã brilhavam ao falar desse tempo traduzindo a Bíblia para esse povo. Estava claro que não importava o tempo investido, mas a relevância da obra concluída. Os Waiwai são um povo que, além do Pará, habitam também a Guiana e Suriname e estão entre os quatro grupos indígenas que possuem a Bíblia completa em sua própria língua. Há um grande desafio pela frente, pois temos 257 tribos indígenas no Brasil.
Por isso é motivo de grande alegria compartilhar essa importante notícia para a Igreja brasileira. Agora é possível fazer um curso de tradução bíblica com certificado de uma universidade. O curso de Introdução aos Estudos de Tradução Bíblica I será oferecido pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, campus São Paulo. É resultado de parceria entre o Mackenzie e APMT - Agência Presbiteriana de Missões Transculturais, SIL – Sociedade Internacional de Linguística e ALÉM – Associação Linguística Evangélica Missionária.
O objetivo do curso é fornecer noções fundamentais de teoria e descrição linguística para a formação de profissionais capacitados a trabalhar em contexto intercultural. Destina-se preferencialmente a graduados e graduandos em letras, letras/tradutor, teologia, pedagogia, ciências sociais e interessados com ensino médio completo. O início do curso será em março de 2009 e tem a duração de 60 horas. As aulas serão de segunda a sexta-feira das 14h00 as 18h00. São apenas 40 vagas.

Siga o exemplo de Irene e inscreva-se pelo site: http://www.mackenzie.br/introducao_estudos_biblicos.html
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via
Portal Evangeliza Brasil

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Entrevista com o teólogo Ariovaldo Ramos


“A criança é a melhor parte da humanidade”

Apresentação:
Sou Ariovaldo Ramos. Casado. Pai de duas meninas — Mirna com 21 anos e Raquel, com 18. Esposo da Judite; ela trabalha com as Edições Vida Nova. Eu sou missionário da SEPAL, que é uma organização para treinamento de pastores e líderes.

Mãos Dadas: A criança pode fazer teologia?

Ariovaldo Ramos: Qualquer uma. A criança, quando aprende dos pais sobre Deus, vai processar em sua mente o que aprendeu. Esse processo dela já é teologia. Então, todo mundo faz teologia. O que diferencia os “teólogos profissionais” dos demais é que eles transformaram o pensar em Deus no labor principal das suas atividades, transformaram isso em uma ciência. Mas teologia, no seu mais objetivo significado, qualquer ser humano faz; teologia cristã, qualquer pessoa faz.

M.D.: Com relação à criança, que papel a teologia tem? A teologia tem alguma contribuição a dar para pessoas que trabalham com crianças em situações de risco social? Qual?

A.R.: A teologia diz o seguinte para elas: Primeiramente, a criança foi reconhecida por Jesus Cristo como a melhor parte da humanidade. Quando perguntaram para Jesus Cristo quem era maior no reino, ele chamou uma criança. Quando perguntaram para Jesus Cristo como é que faz pra entrar no reino, ele também chamou uma criança. E ele disse que o maior no reino era quem fosse como uma criança; e ele disse que quem quisesse entrar no reino tinha de se tornar como uma criança. Então a criança é entendida por Jesus Cristo como a melhor parte da humanidade, a melhor parte da vida humana. Aqui está concentrado grande parte de todas as virtudes que Deus gostaria de ver vingando na humanidade.
Sendo isso verdade, localize nas crianças o que há de melhor - “o que Jesus elogiou nas crianças?” - e faça todo um trabalho para que ela possa crescer sem perder isso, isto é, a abertura de coração, a capacidade de perdão, a capacidade de fazer amizade, de reconhecer no outro um ser igual, independentemente da sua origem e da cor da sua pele – “é só mais uma criança que pode brincar comigo”. Ajude-a a crescer brincando com todos, como ela brinca agora. Se você pegar uma criança e a colocar no meio de outra criança - não importa se ela tem a cor da pele diferente, os olhos diferentes ou o cabelo diferente - cinco minutos depois você já não vai saber mais diferenciá-las, porque elas estarão brincando: correndo juntas, chutando bola, brincando de esconde-esconde ou de boneca. Trabalhe para que isso nunca se perca.
É na criança onde a humanidade consegue concentrar o melhor daquilo que a graça comum tem emprestado à ela na tentativa de dar tempo para a nossa reversão, para a nossa salvação. Os valores que aparecem na criança, são os valores que Deus deseja resgatar no ser humano. Então trabalhe com a criança de modo a fazer com que ela nunca perca isso.
Temos de reconhecer que a igreja evangélica não faz isso direito na base. Muitos programas de criança são, na verdade, um jeito de as crianças não atrapalharem os adultos. Elas são jogadas num canto, porque, afinal, quem vai prestar culto a Deus são os adultos. Porém, quem pensa assim não compreende que o verdadeiro louvor vem da boca de pequeninos. Portanto, ao invés de apartar as crianças, deveríamos ficar de joelhos e aprender com elas.
Não devemos adorar a Deus? Não reconhecemos que ele é a maior realidade do universo e que a melhor coisa que existe no mundo é a vontade dele? Portanto, se reconhecemos Deus e seu amor, também entendemos que louvar a Deus e reconhecê-lo é a melhor maneira de viver. Quem faz isso melhor? A Bíblia diz que são as crianças. Das crianças de peito e dos pequeninos, Deus suscita o louvor perfeito. Então vamos aprender com as crianças. Como é que elas falam com Deus? Como é que elas louvam a Deus? Como é que elas cantam? Como é que elas riem quando ouvem sobre Deus, quando ouvem sobre a história de Jesus? Como é que elas se identificam com ele?
Partindo dessa perspectiva, todos nós tínhamos de fazer um grande trabalho não apenas de ensinar as crianças, mas de aprender com elas. Porque Jesus as chamou como exemplo. Elas deveriam ser a nossa melhor fonte pra entender o que Deus quer.

M.D.: Existem duas direções na teologia com a criança. Uma (que talvez seja a mais comum no Brasil) é usar a teologia pra ensinar a criança; a outra é ter a criança como uma fonte da reflexão teológica. Há espaço para as duas?

A.R.: Há, claro. Sem dúvida nenhuma. E eu acho, inclusive, que a segunda é mais urgente. Nós desenvolvemos um sem número de técnicas de ensino de crianças. Muitas das nossas técnicas, inclusive, trabalham em cima de pesquisadores não-cristãos que elaboraram toda uma tese sobre a criança. Nós tínhamos de ter a coragem de elaborar uma nova tese sobre a criança. Precisamos transformar algumas coisas que as pessoas, inclusive esses pesquisadores, vieram a chamar de fragilidade infantil e entender que é nessa fragilidade que está a força. Nessa capacidade de perdoar facilmente, de pedir ajuda, de pedir socorro, de chorar quando sentir dor, de sair correndo atrás da mãe quando leva um tombo, de reconhecer a sua fraqueza e seu medo, de confessar que tem medo do que não entende e do que não conhece, reconhecer que precisa de ajuda e de proteção. O que durante séculos tem sido entendido como uma fraqueza, deve ser resgatado e compreendido: aqui está a força e a profunda realidade. Essas crianças não têm ilusões acerca de si. Elas sabem que precisam de ajuda. Elas sabem que estão com medo. Elas sabem que o escuro as amedronta porque é o desconhecido. E elas sabem que o desconhecido pode ser uma ameaça e que precisam de segurança.

M.D.: E, ao mesmo tempo em que ela está com medo, ela reconhece que o mundo não tem resposta pra tudo.

A.R.: Exatamente. E ao mesmo tempo ela tem aquela curiosidade que é o que contemporiza, o que equilibra o medo, porque senão o medo poderia levar a uma inação absoluta. Mas esse medo é compensado pela curiosidade, pelo desejo de saber, o desejo de conhecer, o desejo de experimentar. Essa coisa da criança, de que não basta só ter a informação, precisa provar. Então a criança pega tudo e leva à boca, porque tem que ter gosto. Se você falar para a criança que tem um gato dentro do armário, ela vai ver. Ela quer tocar no gato. Tem de ter gosto. Sua vida tem de ter gosto. Tem de ter risco. Se tivéssemos resgatado a criança, não teríamos caído, por exemplo, na frieza do Cartesianismo (que é a tese do René Descartes de que a razão é o primado da verdade). Segundo ele, verdade é aquilo que a razão é capaz de entender e de descrever. Isso reduziu o mundo a um código de informações. Assim, você conhece uma pessoa que é capaz de dizer tudo sobre a laranja, sem ter chupado uma laranja. Isso não passa na cabeça de uma criança. Você nunca vai ouvir uma criança dizer tudo sobre a laranja. Ela quer experimentar a laranja. É o que interessa sobre a laranja. É gostosa ou não? Está azeda? Isso é bom? É ruim? Isso aqui não faz bem ou “ah, não gostei!”. Tem gosto e tem desgosto, não é? É para ser provado. Agora nós caímos num mundo cartesiano, dessa coisa do primado da razão, em que nós somos capazes de descrever tudo sem ter posto a mão naquilo, sem ter tocado naquilo.

M.D.: Até Deus.

A.R.: Até Deus. Aí é a crítica que James Houston fez, por exemplo, para a psicanálise. Em que o cara é capaz de dissecar o ser humano sem lhe dar um abraço. De dizer pra ele o que está certo e errado com ele sem ter chorado com ele.

M.D.: E a teologia? Faz o que com a teologia?

A.R.: A teologia fundamentalista, sem alma, faz a mesma coisa, porque transforma a Bíblia num manual. E isso é um equívoco. Transformar a Bíblia num manual é prescindir do Espírito Santo. Eu sou um desses caras estranhos que gosta de ler manual. Leio o manual de tudo que compro. O princípio do manual é de que ele prescinde do autor do manual. Um bom manual é aquele em que a pessoa que escreveu não precisa estar perto. Se isso for necessário, é porque ele escreveu um manual ruim. Eu não posso ficar toda hora ligando para o responsável pela Palm dizendo: “Escuta, quando você escreveu aqui que se eu apertar a tecla tal... você estava querendo dizer o quê?” Não dá. Esse é um péssimo manual. Um bom manual é aquele em que eu não preciso mais do autor do manual.
Então, a Bíblia não é um manual. A Bíblia é a espada do Espírito Santo. Você não tem condições de trabalhar as Escrituras Sagradas sem o apoio do Espírito Santo. Você precisa dele. É ele que revela para você o que está na Bíblia. Ele a traduz em seu coração. Ele transforma as palavras dela em vida para você. Ele faz você perceber qual é a relevância e como aquilo deve ser interpretado para o dia de hoje. O fundamentalismo transformou a Bíblia num manual. Caiu no erro iluminista. Caiu no erro cartesiano.

M.D.: Virou uma fórmula...

A.R.: É uma fórmula. A razão humana vai dissecar o manual. Este prescinde de Deus. É como a história daquele pastor que estava viajando para fazer uma pregação. Aconteceu uma lufada de vento na viagem e as anotações do sermão voaram pela janela aberta do carro, mas ele não percebeu. Quando o pastor chegou à igreja, viu que as anotações tinham se perdido no caminho e disse: “Ó irmãos, lamentavelmente meu sermão voou da janela do carro. Por isso, hoje vamos ter de depender do Espírito Santo. Mas eu prometo que é a última vez”. Isso não pode acontecer.
Você não pode tirar a Bíblia e dizer que a Bíblia não é um livro inteligível. Ela é um livro inteligível. Claro. Ela é dada, escrita por gente inspirada, porém por gente que estava pensando. Não é psicografia. Os autores foram escrevendo ali no calor da vida, com sangue, suor e lágrimas. Não é “Oh! Deus está ditando! Entrou em transe!”. Não, não é nada disso. Eles estão escrevendo no dia-a-dia. E o Espírito Santo vai conduzindo-os nesse processo: inspirando, revelando e mostrando coisas para eles. E eles vão escrevendo. O Espírito Santo vai supervisionando tudo isso. No entanto, isso nasce da vida. Não é espiritismo. Isso nasce no seu relacionamento com Deus. Agora, a Bíblia, embora seja um livro absolutamente inteligível, é um livro em relação ao qual você não pode prescindir do Espírito Santo. Não pode prescindir de Deus. Então a Bíblia não é um manual.

M.D.: Voltando ao nosso agente social, que está lá trabalhando, que tem a Bíblia. O que ele pode fazer pra melhorar o pensar teológico em relação à criança?

A.R.: Primeiro, ele tem de desconstruir a imagem de criança que tem sido vendida esse tempo todo. Ele não pode mais se aproximar da criança como se ela fosse um ser ignorante para quem você precisa ensinar, senão ele não vai crescer em graça e sabedoria. Ele tem de chegar até à criança já pensando no seguinte: “Este ser é cheio de graça e de sabedoria; só que é uma sabedoria instintiva. Eu tenho de aparelhá-la de modo que ela possa ter cada dia mais consciência dessa sabedoria instintiva que há nela e saber crescer sem perder a sabedoria”.
A segunda coisa que ele precisa fazer é, na minha visão, algo óbvio: deixar a criança participar mais. Vamos suscitar esse louvor que a Bíblia diz que sai da boca dos pequeninos. Deixa as crianças falarem de Deus. Ao invés de doutrinar a criança a priori, deixa a criança falar de Deus e depois vai rearranjando o que ela falou nas lacunas que ela ainda tem. Entra em contato com a criança sabendo que instintivamente ela sabe o que a Bíblia diz: que dela sai o perfeito louvor. Então, deixa ela falar de Deus. Suscita coisas como: “O que é que você acha de Jesus? O que você acha de Deus? Como é que você entende isso aqui? O que é que você diria para Jesus se você tivesse lá na manjedoura com ele? O que é que você ia falar pra ele?”. Deixa a criança falar o que ela acha que Deus pensa sobre o tipo de vida que ela está levando. Esse é um conselho importante, principalmente, para as pessoas que trabalham com as crianças pobres. “O que você acha que Deus gostaria que realmente viesse a acontecer dentro de você?” Portanto, acho que essa é a segunda coisa: deixar as crianças falarem mais. Depois, é só ir fazendo os rearranjos e preenchendo as lacunas. Não é transmitir uma mensagem “de cima pra baixo”, com um pacote pronto em que toda a relação instintiva e intuitiva da criança com Deus vai ser sufocada. Assim, a criança vai ser o que os adultos querem que ela seja e vai falar de Deus do jeito que os adultos querem que ela fale.
O mercado ultimamente optou pela criança. Já viram a quantidade de propaganda pensando nas crianças? Essa é a grande missão do cristão que está envolvido com o ensino da criança e convivendo com ela: livrá-la das garras do mercado. Ele não deve permitir que o mercado transforme a criança apenas e tão somente em um consumista. Tem que ajudar as crianças a criar, inventar e construir seus próprios brinquedos e formas de brincar. Vamos deixar as crianças interpretarem as Escrituras. Deixálas representar as cenas bíblicas do seu jeito.
Outra coisa: brinque, porque criança aprende brincando. Brinque com a criança. Criança brinca. Não queira criar um ambiente adulto no meio das crianças. Eu me lembro que antes de eu me casar eu tive de fazer um curso na Costa Rica sobre trabalho com adolescentes. Fiquei lá participando do curso intensivo de um mês. E aí tinha um camarada... eu esqueço o nome dele. Um missionário que era professor na Universidade de Costa Rica na área de recreação, de lazer. Era a primeira vez na minha vida que eu ouvia que existia isso na universidade. E, então, ele disse uma coisa que marcou a minha vida e marcou o meu relacionamento com as minhas filhas. Ele disse: “Se você quiser realmente ensinar coisas a seus filhos, brinque com eles”.
Eu ensinei as verdades mais profundas para as minhas filhas (sobre ética, sobre justiça, sobre partilha), enquanto brincava com elas. Eu ensinei as coisas mais profundas sobre Jesus Cristo, sobre Deus, enquanto brincava com elas. Porque ali, no meio da brincadeira, quando uma tinha dificuldade de entender que a outra tinha se saído melhor, eu podia falar sobre alegrar-se na vitória de cada uma. Eu podia falar sobre aprender com a aparente derrota. O que é uma missão a se fazer. É uma verdade a se falar. É algo a aprendermos. E quando elas queriam mudar as regras do jogo no meio do caminho, eu dizia: “Não, agora a gente precisa terminar esse jogo primeiro, porque nós estabelecemos as regras, não foi? Então vamos até o fim com essas regras. Quando a gente terminar esse jogo e quiser jogar outra coisa, a gente pode pensar em outras regras. Mas agora que já fizemos as regras, não vamos mudar no meio do jogo. Não se muda as regras assim”.
Eu fui ensinando enquanto elas andavam de cavalinho em cima de mim. Deixavam minha esposa maluca porque a gente fazia “guerra de almofadas”! Nós sempre fomos pobres. Então a gente morava em apartamentos sem cortina. Você pode imaginar a baderna que era aquilo! As visitas entravam em parafuso, porque não ficava pedra sobre pedra. Mas ali, muito do caráter delas foi construído. Então, brinque com as crianças. Não transforme a escola dominical naquele negócio horrível. Não transforme os encontros naquele negócio horrível, militar. Brinque com as crianças, saiba ensiná-las as coisas mais profundas só enquanto brinca. Enquanto faz dinâmica, enquanto elas falam. Ajude...
Deixe as crianças orarem. Deixe as crianças falarem com Deus do jeito delas. Acredite que Deus realmente acha que as crianças são o máximo. Acredite nisso. Nós não somos. Nós, os adultos, nós perdemos muito de Deus. Nós perdemos muito da fé. Nós não conseguimos mais crer como uma criança crê. Nós não conseguimos nos jogar nos braços de Deus como uma criança se joga nos braços do Pai. Então, vamos aprender fé com as crianças. Vamos aprender confiança com elas. Vamos aprender dependência com a criança. Vamos desconstruir esse estereótipo que nós criamos, que “mata” as crianças, porque as força a serem adultas antes do tempo, e que não deixa que elas sejam a grande revelação de Deus. Do Deus que gosta de abraço, do Deus que gosta de aconchego, do Deus que sabe que você só realmente entendeu alguém quando você conseguiu abraçá-lo e chorar com ele. Isso a criança faz. Quando os pais não estragam, é lógico. Mas crianças que os pais não estragaram, é uma beleza!
Acho que temos de repensar o seguinte: em Mateus 18 Jesus Cristo não disse apenas que as crianças eram o principal no reino de Deus e que quem quisesse entrar nele tinha de se tornar como elas, mas Jesus Cristo disse também que quem desviasse uma criança, era preferível cometer suicídio. É melhor se matar do desviar a criança da sua simplicidade, do seu relacionamento com Deus. Jesus disse que a criança era tão importante que, por ela, deveríamos fazer qualquer sacrifício.
Jesus conta a estória do pastor de ovelhas que tem cem ovelhas. Uma se perde. Ele deixa as noventa e nove no monte e vai procurar a ovelha perdida. E aí ele pergunta: “Qual é o pastor que tendo cem ovelhas, perdendo uma, não deixa as noventa e nove nos montes e vai procurar a ovelha perdida?” E a resposta à pergunta dele é: “Nenhum.” Nenhum faria isso. Isso é uma loucura. Por quê? Porque se ele for atrás da que se perdeu e deixar as noventa e nove nos montes, quando voltar não tem mais nenhuma. Mas o que é que Jesus está dizendo? A criança é tão importante, que se precisar fazer uma loucura pra salvá-la, faça. Se tiver de mudar a economia pra salvar a criança, mude a economia. Se tiver de mudar a política pra salvar a criança, mude a política. Não importa o que tenha de fazer pra salvar a criança, faça. Porque a criança é o que há de melhor no ser humano.
E eu diria mais. No primeiro dia de juízo que a humanidade enfrentou, lá no jardim, quando nossos pais pecaram, traíram a Deus e romperam com ele, e nos lançaram nesse mundo de trevas no qual nós estamos, eu posso imaginar que todos os anjos estavam lá, observando o que o Altíssimo iria falar para aquele casal e para aquele ser híbrido, estranho, sem identidade, dissimulado e absolutamente incompreensível que também estava presente. Lemos aquela passagem bíblica e nem sempre percebemos que o que Deus fez parece ser a nossa grande condenação, mas, na verdade, foi a reinvenção da maternidade. Durante séculos, milênios, nós dissemos o que Adão disse: “A mulher, a mulher, a mulher.” Mas Deus nos salvou quando reinventou a maternidade.
Quando ele olhou para mulher, é como se dissesse: “Seu companheiro está dizendo que você é a grande responsável, mas para você entender que eu não concordo com ele, digo o seguinte: será a sua semente que libertará a sua raça.” Daquele dia em diante, todas as vezes que nós víamos uma mulher grávida, nós sabíamos que ali havia um sinal de esperança, porque uma criança estava chegando. Essa pode ser a criança que nós estamos esperando. Deus fez questão de avisar a humanidade: “A criança que vocês esperavam, chegou.” Durante milênios nós ficamos esperando uma criança. Durante milênios toda mulher carregava no útero uma esperança, a esperança da humanidade. Se antes a maternidade era apenas um instrumento para crescer e multiplicar, agora a maternidade era a nossa única esperança.
Enquanto Deus mantiver a fertilidade feminina, então ainda há esperança para a humanidade. Uma criança vai ressurgir e essa criança vai nos libertar. E hoje, todas as vezes que você vê uma mulher aguardando um filho ou adotando uma criança, você está vendo Deus dizer: “Valeu a pena investir na humanidade. Eu ainda mantenho nas mulheres o espírito da maternidade, o desejo de ser mãe.” Enquanto esse desejo estiver resistindo entre as mulheres, é porque Deus ainda está investindo na humanidade.
Nós perdemos isso, porque lemos a Bíblia da forma mais estúpida possível. Pegamos o que a Bíblia diz de mais rico e empobrecemos. Talvez por isso, Satanás tenha feito da mulher o alvo da sua vingança. Por isso conquistou os machos para se transformarem no terror das mulheres, em todas as raças e culturas, e até mesmo dentro do Cristianismo. Os homens se tornaram o terror das mulheres, sem entender que é na mulher que está a esperança. Nossa única esperança, nossa grande esperança no nosso primeiro grande juízo foi que Deus reinventou a maternidade e deu um novo significado para a criança. Nós não lemos isso. Onde é que você lê isso nos manuais teológicos? Onde você lê isso nas revistas de escola dominical? Mas está lá! Está lá na Bíblia. E está lá na Bíblia há mais de cinco mil anos. Está lá nos textos de Moisés, no primeiro capítulo, no começo da humanidade. É o chamado “proto-evangelho”. Por que nos não vemos isso? Porque enxergamos como adultos, e não como crianças.
Nós não esperamos a chegada dessa criança, mas sim do grande salvador. Mas Deus profetizou uma criança. Isaías retoma isso depois. Deus profetizou uma criança. Uma criança, semente da mulher, vai esmagar a cabeça da serpente. Ele vai triunfar sobre o pecado. Ele vai derrotar o espírito maligno. Então, se os que trabalham com as crianças conseguirem recuperar isso, quem sabe a fé cristã seja o grande motor de transformação da humanidade nessa última parte da história da humanidade? Nós estamos precisando recuperar a nossa capacidade de ressignificar o Cristianismo. Eu acho que retomar esse caminho com a criança é a estrada por onde nós vamos chegar lá.

*A entrevista acima foi concedida pelo teólogo Ariovaldo Ramos aos jornalistas Elsie Gilbert e Lissânder Dias, editores da revista Mãos Dadas, nas dependências da Editora Ultimato, no dia 08 de janeiro de 2006.

FONTE: Revista Mãos Dadas - http://www.maosdadas.net/

TESTEMUNHO: Antonio Bezerra de Menezes, tataraneto do líder espírita Bezerra de Menezes

O DIA EM QUE CONHECI A VERDADE

Antonio Bezerra de Menezes

Antonio representa a quarta geração do Dr. Bezerra de Menezes, o primeiro presidente da Federação Espírita Brasileira, além de vereador, deputado e prefeito do Rio de Janeiro. Depois de haver alcançado o topo de suas buscas esotéricas, ter tido contato com mortos, ter psicografado, adivinhado, visto e previsto o que era verdade a muitos, caiu em violentos fracassos econômicos e familiares, o que o fez entrar em desespero...

Clique Aqui e leia este impactante testemunho de libertação!

domingo, 30 de novembro de 2008

A QUESTÃO DAS RIQUEZAS - John Stott


John Stott

Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um, e amar ao outro; ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas. (Mateus 6:24)

Jesus explica, agora, que além da escolha entre dois tesouros (onde vamos ajuntá-los) e entre duas visões (onde vamos fixar os nossos olhos) jaz uma escolha ainda mais básica: entre dois senhores (a quem vamos servir). É uma escolha entre Deus e Mamom: “Não podeis servir a Deus e a Mamom” (ERC); isto é, entre o próprio Criador vivo e qualquer objeto de nossa própria-criação que chamamos de “dinheiro” (“Mamom” é uma transliteração da palavra aramaica para riqueza). Não podemos servir dos dois.

Algumas pessoas discordam destas palavras de Jesus. Recusam-se a ser confrontadas com uma escolha tão rígida e direta, e não vêem a necessidade dela.
Asseguram-nos que é perfeitamente possível servir a dois senhores simultaneamente, por conseguirem fazer isso muito bem. Diversos arranjos e ajustes possíveis parecem-lhes atraentes. Ou eles servem a Deus aos domingos e a Mamom nos dias úteis, ou a Deus com os lábios e a Mamom com o coração, ou a Deus na aparência e a Mamon na realidade, ou a Deus com metade de suas vidas e a Mamom com a outra.

Pois é esta solução popular de comprometimento que Jesus declara ser impossível:
Ninguém pode servir a dois senhores...Não podeis servir a Deus e às riquezas (observe o “pode” e o “não podeis”). Os pretensos conciliadores interpretam mal este ensinamento, pois se esquecem da figura de escravo e dono de escravo que se
encontra por trás destas palavras. Como McNeile disse: “Pode-se trabalhar para dois empregadores, mas nenhum escravo pode ser propriedade de dois senhores”, pois “ter um só dono e prestar serviço de tempo integral são da essência da escravidão”. Portanto, qualquer pessoa que divide sua devoção entre Deus e Mamom já a concedeu a Mamom, uma vez que Deus só pode ser servido com devoção total e exclusiva. Isto simplesmente porque ele é Deus: “Eu sou o Senhor, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem”. Tentar dividir a nossa lealdade é optar pela idolatria.

E quando percebemos a profundidade da escolha entre o Criador e a criatura, entre o Deus pessoal glorioso e essa coisinha miserável chamada dinheiro, entre a adoração e a idolatria, parece inconcebível que alguém faça a escolha errada, pois agora é uma questão não apenas de durabilidade e benefício comparativos, mas sim de valor comparativo: o valor intrínseco de um e a intrínseca falta de valor do outro.

Fonte: John R. W. Stott, A Mensagem do Sermão do Monte, Editora ABU

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

CONSELHOS SOBRE O FAZER A OBRA

Não cometa aos 50 anos os mesmos erros cometidos aos 20, peça sabedoria a Deus. As decisões tomadas no passado definiram onde você se encontra atualmente, então a chave para um futuro melhor é aprender a tomar decisões melhores.

1. Nunca tome decisões permanentes baseadas em circunstâncias temporárias.

2. Não permita que as emoções lhe ceguem, ore, pese as coisas com cuidado, faça um julgamento maduro.

3. Peça conselhos, apóie-se nos dons das pessoas, não se intimide pela competência delas.

4. Leve tempo para analisar os fatos, liste todas as opções e o resultado de cada uma delas em longo prazo, porque o que parece ser bom hoje, amanhã poderá não sê-lo.

5. Você não pode vencer em cada frente de batalha, então escolha suas batalhas com cuidado, porque algumas coisas não são importantes para que se lute por elas.

6. Seja realista, não desperdice o seu recurso mais valioso – o tempo, ao assumir trabalhos para os quais você não tem habilidades, foque-se em seus dons, porque neles você será bem sucedido.

7. Permita-se um risco de 10% de estar errado, 50% de probabilidade de traição, e 100% de compromisso para confiar em Deus para seguir adiante.

Editado de UCB Word for Today, Bob Gass.

FONTE: http://www.worldchristians.org/portugues/p-jornal.htm

sábado, 22 de novembro de 2008

Conheça o maravilhoso trabalho de TEARFUND (e baixe excelentes materiais!)

A Tearfund é uma agência cristã evangélica de assistência em situações de desastre e desenvolvimento, que trabalha através de parceiros locais, procurando trazer auxílio e esperança às comunidades carentes por todo o mundo.

Eles publicam a revista Passo a Passo, que a cada número enfoca um tema diferente, e oferecem no seu site, além dos números da revista para download, uma enorme quantidade de boa informação (como artigos, apostilas e manuais) para capacitar você e sua igreja a fazerem a diferença na sua comunidade. Informações que vão desde noções de higiene e saneamento básico, combate a doenças e epidemias, agricultura, ecologia, direitos e deveres e até estudos bíblicos focados nas questões sociais. Ao relatar experiências e modelos bem-sucedidos, levados a cabo nos mais diversos países de todos os continentes, eles oferecem a você a oportunidade de conhecer e adaptar estas idéias para a realidade de sua igreja/comunidade.

Visite hoje a página em português: http://tilz.tearfund.org/Portugues/

E, para você que tem pressa, preparamos um pequeno ‘pacote’ com alguns itens disponibilizados por Tearfund, para download.

O pacote contém:

2 Manuais PILARES: Incentivando a Higiene e o Saneamento e Mobilização da Igreja;

4
exemplares da Revista Passo-a-Passo:

N° 58 - Usando o Teatro para o Desenvolvimento
N° 49 – Pessoas com Deficiência
N° 41 – Cuidando de Nossa Terra
N° 62 – Alfabetização

Para baixar o pacote, Clique Aqui.


FONTE: Blog CIDADANIA EVANGÉLICA - http://cidadaniaevangelica.blogspot.com

terça-feira, 18 de novembro de 2008

PEDRO VERSUS OS PAPAS


A Igreja Católica Romana afirma que os seus papas herdaram a cadeira do Apóstolo Pedro. Este erro crasso fica evidente com uma simples comparação da vida e dos ensinos de Pedro com a vida dos papas.

David Cloud

01. -Não há evidência de que Pedro tenha sido bispo em Roma e nem evidência no Novo Testamento de que houvesse algo especial na congregação de Roma; mas, os papas que governam a igreja de Roma afirmam que Pedro foi o primeiro bispo de Roma e que sua Igreja é a “Santa Madre Igreja”. A primeira epístola de Pedro foi escrita da Babilônia, não de Roma; mas, os papas afirmam que “Babilônia” é Roma, em mera conjectura. A evidência bíblica de que Pedro não foi pastor ou bispo em Roma é espantosa. Paulo escreveu à Igreja de Roma, em 58 d.C. e, embora ele mencione 27 pessoas pelos nomes, não menciona Pedro. Esta teria sido uma inescusável afronta a Pedro, se ele fosse o bispo de Roma. Mais tarde, Paulo escreveu de Roma às igrejas da Galácia, de Éfeso, de Filipos e de Colossos, bem como a Filemom; mas, nem uma única vez ele menciona que Pedro estivesse em Roma. Na 2 Timóteo 4:16, Paulo diz que ninguém ficara com ele e que todos o haviam abandonado, quando ele se defendia das acusações. Onde estava Pedro? O fato é que Pedro não era o pastor e nem o bispo de Roma. “Ninguém me assistiu na minha primeira defesa, antes todos me desampararam. Que isto lhes não seja imputado.” (2Tm 4:16 ACF)

02. -Pedro era casado (Mateus 8:14); mas aos papas é proibido casar. “E Jesus, entrando em casa de Pedro, viu a sogra deste acamada, e com febre.” (Mt 8:14 ACF)

03. -Pedro disse que a Escritura é, de fato, a Palavra de Deus e somente a ela “devemos ficar atentos” (2 Pedro 1:19-21); mas, os papas dizem que também devemos ficar atentos às tradições não inspiradas. “19 ¶ E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça, e a estrela da alva apareça em vossos corações. 20 Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. 21 Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.” (2Pe 1:19-21 ACF)

04. -Pedro admoestou contra os falsos mestres, os quais “... farão de vós negócio com palavras fingidas” (2 Pedro 2:1-3); mas, os papas têm ganho enormes somas de dinheiro, vendendo sua religião, com as missas e orações feitas em favor dos mortos, suas indulgências e locais de peregrinação, além de incontáveis outras coisas. “1 ¶ E TAMBÉM houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. 2 E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade. 3 ¶ E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita.” (2Pe 2:1-3 ACF)

05. -Pedro não tinha “prata nem ouro” (Atos 3:6); mas, os papas possuem enormes somas de ambos. “E disse Pedro: Não tenho prata nem ouro; mas o que tenho isso te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda.” (At 3:6 ACF)

06. -Pedro disse que o batismo é uma figura, um símbolo, e que não é a água que nos salva, mas a ressurreição de Cristo (1 Pedro 3:21); mas, os papas dizem que o próprio batismo traz salvação e que ele não é apenas um símbolo. “Que também, como uma verdadeira figura, agora vos salva, o batismo, não do despojamento da imundícia da carne, mas da indagação de uma boa consciência para com Deus, pela ressurreição de Jesus Cristo;” (1Pe 3:21 ACF)

07. -Pedro se recusou a permitir que homens se ajoelhassem diante dele (Atos 10:25-26); mas os papas têm aceitado honras e que os fiéis se ajoelhem e lhes beijem as mãos, permitindo que eles os tratem como deuses. “25 E aconteceu que, entrando Pedro, saiu Cornélio a recebê-lo, e, prostrando-se a seus pés o adorou. 26 Mas Pedro o levantou, dizendo: Levanta-te, que eu também sou homem.” (At 10:25-26 ACF)

08. -Não existe qualquer resquício na Bíblia de que Pedro tivesse um trono; mas, os papas têm pelos menos dois - um na Basílica de São Pedro e outro no Palácio de Latrão.
09. -Pedro ensinou que a salvação é estritamente através da justiça (fé) em Jesus Cristo (2 Pedro 1:1); mas, os papas afirmam que os seus sacramentos também são necessários à salvação. “SIMÃO Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que conosco alcançaram fé igualmente preciosa pela justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo:” (2Pe 1:1 ACF)

10. -Pedro ensinou contra a hierarquização, admoestando os pastores contra o “domínio sobre a herança de Deus” (1 Pedro 5:1-4); mas, os papas estabeleceram um sistema de liderança eclesiástica sobre as igrejas, tendo acrescentado muitos ofícios que jamais foram mencionados no Novo Testamento (por exemplo, arcebispo e cardeal). “1 ¶ AOS presbíteros, que estão entre vós, admoesto eu, que sou também presbítero com eles, e testemunha das aflições de Cristo, e participante da glória que se há de revelar: 2 Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; 3 Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho. 4 E, quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa da glória.” (1Pe 5:1-4 ACF)

11. -Pedro ensinou que o Sumo Sacerdócio, na dispensação do Novo Testamento, é o de Jesus Cristo e que o sacerdócio geral é de todos os crentes (1 Pedro 2:9); mas, os papas dizem que sua “igreja” tem um sacerdócio especial, o qual é ordenado para distribuir os sacramentos. “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;” (1Pe 2:9 ACF)

12. -Pedro ensinou que Jesus Cristo é a Rocha, sobre a Qual a igreja é fundada (1 Pedro 2:4-8); mas, os papas dizem que Pedro foi a rocha. “4 ¶ E, chegando-vos para ele, pedra viva, reprovada, na verdade, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, 5 Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo. 6 Por isso também na Escritura se contém: Eis que ponho em Sião a pedra principal da esquina, eleita e preciosa; E quem nela crer não será confundido. 7 E assim para vós, os que credes, é preciosa, mas, para os rebeldes, A pedra que os edificadores reprovaram, Essa foi a principal da esquina, 8 E uma pedra de tropeço e rocha de escândalo, para aqueles que tropeçam na palavra, sendo desobedientes; para o que também foram destinados.” (1Pe 2:4-8 ACF)

13. -Pedro ensinou que os homens nascem de novo através da Palavra de Deus (1 Pedro 1:23); mas, os papas dizem que os homens nascem de novo através do batismo. “Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre.” (1Pe 1:23 ACF)

14. -Pedro ensina que Cristo “padeceu uma vez pelos pecados” (1 Pedro 3:18) e que Ele levou “em seu corpo os nossos pecados” (1 Pedro 2:24);mas, os papas dizem que Cristo é sacrificado novamente em cada missa e que ter Jesus e Sua cruz não é suficiente; que um crente também precisa da igreja de Roma, dos seus santos e sacramentos para ser salvo. “Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito;” (1Pe 3:18 ACF)
“Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados.” (1Pe 2:24 ACF)

15. -Pedro ensina que o crente tem “uma viva esperança” e “uma herança incorruptível, incontaminável, e que não pode murchar, guardada nos céus” e que ele é “guardado na virtude de Deus” (1 Pedro 1:2-5); mas, os papas dizem que o crente não pode ter certeza de um lar no céu. “2 Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas. 3 ¶ Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, 4 Para uma herança incorruptível, incontaminável, e que não se pode murchar, guardada nos céus para vós, 5 Que mediante a fé estais guardados na virtude de Deus para a salvação, já prestes para se revelar no último tempo,” (1Pe 1:2-5 ACF)

16. -Pedro ensina que o crente não deve padecer “como homicida, ou ladrão, ou malfeitor”, nem como quem “se entremete em negócios alheios” (1 Pedro 4:15); mas, os papas têm feito tudo isso.

“Que nenhum de vós padeça como homicida, ou ladrão, ou malfeitor, ou como o que se entremete em negócios alheios;” (1Pe 4:15 ACF)

Tradução de Mary Schultze

domingo, 16 de novembro de 2008

Como e quando começou a Escola Dominical


Por muito tempo, a escola dominical era a única forma pela qual as famílias da classe trabalhadora podiam receber alguma instrução.

Portal Cristianismo Hoje - http://www.cristianismohoje.com.br/

É importante compreender que a escola dominical era original e literalmente uma escola: eram locais onde as crianças pobres podiam aprender a ler. O movimento da escola dominical começou na Inglaterra por volta de 1780. Um dos resultados da Revolução Industrial é que muitas crianças passavam toda a semana trabalhando nas fábricas. Os filantropos cristãos desejavam libertar essas crianças de uma vida de ignorância, mas no século 19 as horas trabalhadas eram muito extensas. As primeiras e modestas leis de limitação de horário vieram apenas em 1802, cujo impressionante resultado foi uma carga horária de 12 horas diárias para o trabalho infantil! E este limite não diminuiu até 1844. Além disso, o sábado era considerado dia regular da semana de trabalho. Portanto, o domingo era o único dia disponível para que essas crianças recebessem algum tipo de educação.

O inglês Robert Raikes (1725-1811), evangélico anglicano, era o homem-chave do movimento de alfabetização. A idéia também se espalhou rapidamente pela América do Norte. Igrejas e organizações não-religiosas aderiram ao movimento e energicamente começaram a criar escolas dominicais. Depois de algumas décadas, o movimento tornou-se extremamente popular. Até mesmo os pais que não freqüentavam a igreja regularmente insistiam para que seus filhos fossem à escola dominical. As famílias dos trabalhadores eram muito gratas pela oportunidade de receber um pouco de instrução. Elas também esperavam ansiosamente pelos eventos anuais como dias de premiação, paradas e piqueniques promovidos pela escola dominical que marcavam suas vidas, tanto ou mais do que os feriados tradicionais.

A educação religiosa era, naturalmente, um dos componentes principais da educação. A Bíblia era o livro usado para se ensinar e aprender a ler. E foi copiando passagens das Escrituras que muitas crianças aprenderam a escrever. Também era ensinada a catequese básica, assim como práticas espirituais tais como fazer orações e cantar hinos. Incutir as virtudes e a moral cristã também eram objetivos do movimento. Os então pupilos da escola dominical geralmente se graduavam a fim de tornarem-se professores da mesma escola, o que também significava uma experiência de liderança que jamais teriam oportunidade de desfrutar de outra maneira em suas vidas. Até mesmo alguns historiadores marxistas dão crédito à escola dominical do século 19 pela melhora de condições da classe trabalhadora.

Tanto na Inglaterra quanto na América do Norte, a educação pública foi estabelecida na década de 1870. Depois disso, ensinar a ler e escrever passou a ser tarefa das escolas oficiais durante a semana, e o currículo das escolas dominicais se limitou à educação religiosa. Apesar disso, muitos pais continuaram acreditando que freqüentar regularmente a escola dominical era um componente essencial à infância.

Entretanto, na década de 1960, a tendência de uma criação liberal dos filhos significou o enfraquecimento cultural da importância da escola dominical; e a insistência para que as crianças a freqüentassem independentemente de seus desejos e vontades (em especial para aquelas cujos pais não freqüentavam a igreja) foi abandonada.

Autor: Timothy Larsen é presidente do Carolyn and Fred McManis – divisão de Pensamento Cristão; e também é membro do Conselho de História Cristã, ambos do Wheaton College.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

AS FESTAS DO SENHOR

Por Gilson Barbosa

Quem não gosta de festa? As festas nos proporcionam momentos felizes de comemoração. Mas comemoração de quê? No Ocidente, não há uma preocupação com o caráter e a natureza inerentes às festas e, quase sempre, elas se tornam um fim em si mesmas. É a festa pela festa. Contudo, isso não se dá com a cultura oriental, em que as festas assumem um significado histórico em momentos que oscilam entre a alegria e a tristeza.

Neste artigo referenciaremos as festas observadas na cultura judaica bíblica. Entender a natureza dessas festas é salutar aos cristãos hodiernos para que conheçam melhor alguns fatos bíblicos.

“As festas judaicas tinham diversos propósitos. Algumas, não passavam de mais uma espécie de culto ou adoração a Deus. Nessas ocasiões, o povo, arrependido de seus pecados, buscava o perdão e a bênção de Deus. Era o momento de purificar a alma e de marcar um novo começo. Outras festas eram, também, ocasiões de adoração, mas se manifestavam em alegres ações de graças. Sempre que as colheitas eram abundantes e os rebanhos se multiplicavam bem, o povo expressava grande aptidão a Deus, e faziam isso dançando pelas ruas. Cantavam e tocavam instrumentos musicais em louvor ao Deus que tanto os abençoara. Em algumas festas, havia instantes de oração e meditação. Contudo, sua forma de adoração mais comum era o regozijo, com muita música, alegria e banquetes”.

As festas

As festas imprescindíveis à nossa análise são: Festa da Páscoa (Pessach), Festa do Pentecostes (Shavuot, ou Festa das Semanas), Festa das Trombetas (Rosh Hashaná), Festa da Expiação (Iom Kipur) e Festa dos Tabernáculos (Sucót, ou Festa das Cabanas). Além dessas festas, consideradas grandes, há outras festas “menores”, como, por exemplo, as comemorações Chanucá e Purim, que surgiram depois de lei. E por falar nisso, todas as festas do Senhor foram instituídas sob a lei dada por Moisés e possuem caráter comemorativo, pois retratam a maneira como Deus lidava como o povo de Israel durante sua jornada pelo deserto e o comportamento que os israelitas deveriam ter para com o Eterno, entre outros fatores que são conseqüências históricas importantíssimas para a nação judaica.

Iniciaremos a nossa análise sobre as festas judaicas com a Páscoa que, sem dúvida, é uma festa de extrema importância e com grandes significados. Na cultura israelense, há três grandes festas conhecidas como as “Festas da Peregrinação”. “Quando o templo ainda estava de pé, os judeus faziam uma peregrinação a Jerusalém para entregar suas ofertas durante três festas: Pessach, Shavuot e Sucot. Os que viviam fora de Israel, tinham de vender parte de sua colheita e enviar o dinheiro para comprar oferendas e ajudar a cuidar do templo e dos sacerdotes. Pessach, a páscoa judaica, é a festa que celebra o êxodo do Egito [...] Agora que não há mais o templo, os judeus celebram essas festas em casa e na Sinagoga”.

Os cristãos, em geral, não comemoram literalmente essas festas — pelo menos não nos moldes judaicos —, mas reconhecem e respeitam a cultura judaica, que, de certa forma, é um legado bíblico. Também não ignoram que as festas judaicas, em grande parte, têm em Jesus Cristo o seu antítipo.

Etimologia

O Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento nos informa que “o vocábulo ‘páscoa’ deriva de pesah, que significa, segundo alguns estudiosos, ‘passar’ (por cima/por alto)”. A anuência a este dicionário, para a etimologia sugerida, pode ser confirmada pelo Novo Dicionário da Bíblia, que completa: “Páscoa, em hebraico, pesah, vem de um verbo que significa ‘passar por cima’, no sentido de ‘poupar’”. Estas explicações podem ser verificadas nas Escrituras Sagradas, mais precisamente no livro de Êxodo (12.12,13).

A data da comemoração

A celebração da Páscoa acontecia na tarde do 14º dia do mês de Nisan (março/abril no nosso calendário) e, simultaneamente, era conjugada com a Festa dos Pães Asmos, como bem descreve Levítico: “No mês primeiro, aos catorze do mês, pela tarde, é a páscoa do Senhor. E aos quinze dias deste mês é a festa dos pães ázimos do Senhor; sete dias comereis pães ázimos” (23.5,6). As duas festas eram comemoradas juntas, como bem mostra um texto do Novo Testamento que comenta o planejamento para a prisão de Jesus: “E dali a dois dias era a páscoa, e a festa dos pães ázimos; e os principais dos sacerdotes e os escribas buscavam como o prenderiam [Jesus], com dolo, e o matariam” (Mc 14.1).

Raízes históricas

A renitência de Faraó em não libertar o povo hebreu lhe custou caro por via da décima e última praga (Êx 11.4,5). Contudo, como o Senhor é justo, prescreveu aos judeus qual atitude tomar para que não fossem atingidos pelo mesmo agente que desferiria o golpe sobre todos os primogênitos que habitavam naquele lugar. Ordenou Deus que cada família se provesse de um cordeiro sem mácula, macho, de um ano, e o sacrificasse (Êx 12.6).

Imolado o cordeiro, Deus continua em sua prescrição: “E tomarão do sangue, e pô-lo-ão em ambas as ombreiras, e na verga da porta, nas casas em que o comerem” (Êx 12.7). Os judeus deveriam passar sangue nas vergas das portas de suas residências para que fossem poupados da praga de mortandade (Êx 12.12,13). Era uma espécie de contrato procedimental estabelecido entre Deus e seu povo. Por isso, a Páscoa instituída no Êxodo celebrava (e ainda celebra) o fato de Deus ter poupado, protegido e libertado os israelitas quando os primogênitos do Egito foram mortos.

Jesus e a festa da Páscoa

Como varão israelita, Jesus estava obrigado, pela lei a, anualmente, comparecer a Jerusalém para as três grandes festas: Páscoa, Pentecostes e Tabernáculos (Dt 16.16).

A exigência da lei é muito clara. Todos os varões israelitas tinham de estar presentes em Jerusalém durante essas festas. “A larga propagação do povo israelita tornou isso impossível. Os palestinos mais piedosos procuravam, ao menos estar, em Jerusalém durante a Páscoa” .

Sabendo-se que Jesus cumpriu toda a lei, pode-se afirmar, com absoluta certeza, que Ele, a partir dos doze anos (idade em que os meninos israelitas passavam a ser conhecidos como “filhos da lei”), compareceu, anualmente, em Jerusalém, nas três grandes festas de Israel, em obediência à lei, à qual, como varão israelita, estava sujeito (Gl 4.4). O Novo Testamento, entretanto, registra apenas três ocorrências da presença de Jesus em Jerusalém durante a Festa da Páscoa (Na sua infância: Lc 2.40-42. No início de sua vida pública. E na sua morte: Jo 2.23; Mt 26.2; Jo 11.55-57; 12.1,12-23).

O sangue do cordeiro pascal tipifica o sangue de Jesus, derramado na cruz do Calvário, para a nossa redenção. O hissopo (um arbusto, ou subarbusto, que produz uma espécie de pendão com flores espiraladas), por conta da facilidade com que era encontrado, sempre ao alcance da mão, representa a fé (que “está junto de ti, na tua boca e no teu coração” – Rm 10.8), que é o instrumento pelo qual os méritos de Jesus são aplicados à verga e aos umbrais do coração do pecador. Todos aqueles cujo coração estiver marcado com o sangue do Cordeiro de Deus são saltados pelo destruidor.

Nenhum osso do cordeiro pascal seria quebrado (Êx 12.46). Isso também tipifica Jesus: “Foram, pois, os soldados, e, na verdade, quebraram as pernas ao primeiro, e ao outro que como Ele fora crucificado; mas, vindo a Jesus, e vendo-o já morto, não lhe quebraram as pernas. Contudo um dos soldados lhe furou o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água. E aquele que o viu testificou, e o seu testemunho é verdadeiro; e sabe que é verdade o que diz, para que também vós o creiais. Porque isto aconteceu para que se cumprisse a Escritura, que diz: Nenhum dos seus ossos será quebrado” (Jo 19.32-36).

Jesus é, pois, o nosso perfeito cordeiro pascal, aquele que foi crucificado de uma vez por todas, que se entregou em sacrifício único e nos arrebatou das trevas. Logo, não faltam aos cristãos verdadeiros motivos para a celebração da Páscoa.

A Páscoa e o calendário

Como o calendário judeu é baseado na Lua, a Páscoa cristã passa a ser móvel no calendário cristão, assim como as demais datas referentes à Páscoa, tanto na Igreja Católica como nas Igrejas Protestantes e Igrejas Ortodoxas. Todavia, o Vaticano tem autoridade para indicar outras datas.

As datas móveis do calendário que dependem da Páscoa:
Terça-feira de Carnaval 47 dias antes da Páscoa
Quaresma Inicia na Quarta-feira de Cinzas e termina no Domingo de Ramos (uma semana antes da Páscoa)
Sexta-feira Santa A sexta-feira imediatamente anterior
Sábado da Solene Vigília Pascal O sábado de véspera
Pentecostes O oitavo domingo após a Páscoa
Corpus Christi A quinta-feira imediatamente após o Pentecostes.

Obs.: A partir de 2008, a “Ascensão do Senhor” também será feriado, com data fixada em 29 de maio.

Notas:
1 COLEMAN, William L. Manual dos tempos e costumes bíblicos, Editora Betânia, p.263.
2 FINE, Doorin. O que sabemos sobre judaísmo?, Callis Editora, 1997, p.28.
3 CHAMPLIN, Russel Norman. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, p. 36, Lc 2.41.
4 NETO, José Barbosa de Sena. A páscoa (artigo não publicado até o momento), 2002.
5 http//:pt.wikipedia.org/wiki/Páscoa.


FONTE: http://www.icp.com.br

sábado, 8 de novembro de 2008

VAMOS FALAR DE MISSÕES


Para iniciar um trabalho missionário numa igreja, é necessário primeiramente que, aquelas pessoas interessadas em fazê-lo, se prontifiquem a compreender a vontade de Deus em relação ao assunto. Para isso, precisam ter a visão certa: a visão de Deus. Então podemos fazer algumas perguntas para entendermos melhor sobre essa necessidade.

- O que você sente no coração quando ouve alguém falar sobre as necessidades do mundo?
- Idéias novas e diferentes surgem em sua mente quando alguém lhe fala sobre missões?
- Você ora constantemente pelos missionários que estão no campo?
- Você tem influenciado outros para se envolverem com missões?
- Quando alguém compartilha contigo a respeito do seu chamado, você o incentiva a continuar?
- Você já mobilizou pessoas alguma vez a enviar uma oferta missionária para missões?
- Você gosta de participar de conferências, congressos, acampamentos que abordam o tema missões?
- Você envia periodicamente oferta para algum missionário no campo?

Deu para sentir que as perguntas acima apontam uma ligação inquebrável das três áreas necessárias na vida da igreja, para alguém iniciar um departamento missionário. Essas áreas são, na verdade, a essência do compromisso missionário que todo cristão deve ter no seu dia a dia, elas são:

VISÃO + AMOR PELOS PERDIDOS + DISPOSIÇÃO = M I S S Õ E S

Mais de dois bilhões e setecentos milhões de seres humanos, número que representa cerca de dois terços da humanidade, ainda não foram evangelizados. Sentimo-nos envergonhados da nossa negligência para com tanta gente; continua sendo uma reprimenda para nós e para toda a Igreja. Há, no momento, todavia, em muitas partes do mundo, uma receptividade sem precedentes para com o Senhor Jesus Cristo. Estamos convictos de que esta é a hora de as igrejas e outras instituições orarem fervorosamente pela salvação do povo não evangelizado e de lançarem novos programas visando a evangelização total do mundo.

(CONGRESSO INTERNACIONAL DE EVANGELIZAÇÃO MUNDIAL, Lausanne)

"E disse-lhes: Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura"
(Marcos 16:15).

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Líder cristão compartilha sua experiência de 40 anos de ministério em favelas cariocas


“Fico perplexo ao ver igrejas grandes, em favelas também grandes, sem um mísero curso de alfabetização. Pregar a palavra, sim, mas é preciso entender a importância de também salvar a vida, além da alma. Nesse sentido, ação social é fundamental”. A opinião é do pastor e psicólogo Macéias Nunes que, há 40 anos, lidera igrejas localizadas em favelas cariocas. Atualmente, ele atua na Igreja Batista do Leme, no morro do Chapéu Mangueira, na Zona Sul carioca. Numa entrevista à Agência Soma publicada originalmente pela Revista Palavra de Paz, e reproduzida a seguir na íntegra, o líder compartilha outras de suas experiências.

Há quanto tempo você trabalha em ministérios dentro de comunidades carentes?

Pr. Macéias- Há 40 anos. Vim para o Rio de Janeiro com 7 anos de idade e fui morar no Jacarezinho com minha mãe e meus oito irmãos. Residimos quinze anos lá. Mudamos depois para Maria da Graça, mas nunca deixei de estar ligado à favela. Fui seminarista no Jacarezinho, pastor no Morro dos Prazeres, em Santa Tereza, pastor de novo no Jacarezinho, onde também presidi a Associação Evangélica, trabalhei como missionário na Favela Bandeira Dois, em Del Castilho, e pastoreio há 10 anos a Igreja Batista do Leme, nas comunidades de Chapéu Mangueira e Babilônia.

Com toda essa experiência sobre favela, o que você acha importante destacar sobre o assunto?

Pr. Macéias- Para mim, favela não devia existir. Se é certo que ela é a única opção de moradia para o verdadeiro carente, que realmente não tem onde morar, é certo também que a favela é o gueto da subcidadania. O favelado não é um cidadão completo, a começar pelo fato de não possuir o registro de propriedade de sua casa. No bairro, para entrar em um domicílio qualquer, a polícia precisa de um mandado judicial. Na favela, não. Ela chega atirando, arrombando portas de bandidos e trabalhadores, agindo, enfim, como se ali todos fossem delinqüentes.

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domingo, 2 de novembro de 2008

Entrevista com o diretor de Desafiando Gigantes, STEPHEN KENDRICK

O pastor cineasta


Maurício Tupinambá

Revista Enfoque - http://www.revistaenfoque.com.br/

Nem “A Paixão de Cristo’’ nem ‘’Deixados para Trás’’. O grande fenômeno do cinema cristão das últimas décadas é um longa-metragem feito por membros de uma igreja batista dos Estados Unidos com irrisórios cem mil dólares e muito trabalho voluntário. "Desafiando os Gigantes’’ conquistou os evangélicos de dezenas de países com a história do time de futebol americano que passa por um autêntico avivamento.
O filme faturou mais de dez vezes o seu custo e estimulou milhares de pessoas a reavaliar sua relação com Deus. Exibido em igrejas por todo o mundo, a obra despertou o interesse de diversos produtores, que, incentivados por seu sucesso, decidiram investir na realização de produções cristãs – o que está gerando o surgimento de toda uma geração de cineastas devotados a divulgar o Evangelho e a ética cristã por meio da sétima arte.
À frente do longa-metragem está a Sherwood Pictures, ministério fundado em 2003 por dois irmãos, membros da Sherwood Baptist Church, Alex e Stephen Kendrick. Em setembro, eles vão lançar mundialmente seu terceiro filme – depois de ‘’A Virada’’ e ‘’Desafiando os Gigantes’’ –, que no Brasil sairá direto em DVD: ‘’Fireproof’’ (‘’À Prova de Fogo’’).
O co-roteirista e produtor do longa-metragem, Stephen Kendrick, é casado com Jill, com quem tem três filhos, Grant, Cohen e Karis. Ele é pastor auxiliar de sua congregação desde 2001 e, na ausência do pastor titular, prega na igreja. Stephen ainda consegue tempo para liderar grupos de oração, dar aulas na Escola Bíblica Dominical e conduzir um programa de discipulado de adultos. O pastor-cineasta concedeu esta entrevista exclusiva à Enfoque, em que fala sobre o impacto de ‘’Desafiando os Gigantes’’ e seu novo projeto ‘’Fireproof’’ (‘’À prova de fogo’’).


ENFOQUE – Conte-nos um pouco sobre a história de “Fireproof”.

STEPHEN KENDRICK – Trata-se de um drama de ação sobre um bombeiro chamado Caleb Holt, cujo casamento está caindo aos pedaços. Depois que ele e sua esposa concordam em assinar o divórcio,Caleb é desafi ado por seu pai a ler um livro. Essa obra o leva em uma jornada de 40 dias que o faz compreender o que é verdadeiramente o amor incondicional. O bombeiro parte, então, numa missão de resgate para salvar seu casamento moribundo e reconquistar o coração ferido de sua esposa.

ENFOQUE – O que o público pode esperar desse filme?

STEPHEN KENDRICK– “Fireproof” é um filme que honra a família e a Palavra de Deus enquanto lida com assuntos da vida cotidiana. Apresenta de forma realista algumas das lutas que os casais enfrentam nos dias de hoje. Mas também se apega às verdades que a Bíblia oferece para lidar com essas lutas. Do mesmo modo que em “Desafiando os Gigantes”, os fãs vão chorar, rir e deixar o cinema inspirados e transformados. Esse filme terá sempre algo para todos. Os maridos e as esposas vão olhar para a tela, em especial na primeira metade do filme, e dizer “Somos nós, esta é a nossa história”. Depois verão o que pode acontecer quando Cristo começa a ressuscitar um casamento e sopra o amor verdadeiro sobre ele.

ENFOQUE – Como foi o processo de filmagens de “Fireproof”?

STEPHEN KENDRICK– “Fireproof” foi filmado ao longo de seis semanas, no outono de 2007. Foi muito divertido. O grupo se uniu como uma família. Foi uma aventura rejubilante, intensa, cansativa, inspiradora e divertida. E certamente valeu o sacrifício. É maravilhoso fazer parte de um grupo como nossa família da fé e trabalhar em coisas tão grandiosas juntos. Temos uma igreja unida, que ora e é compromissada com o ministério cinematográfico, disposta a se sacrificar para produzir este filme. Quando você tem um apoio de oração tão incrível como esse e encorajamento constante, isso te ajuda a ir adiante durante os longos e difíceis dias de filmagem. Foi maravilhoso ver como Deus capacitou de forma única pessoas dentro de uma igreja, de modo que cada uma contribuiu de forma especial. Tivemos mais de 1.200 voluntários envolvidos de algum modo no processo de produção do filme. Dividimos o roteiro e a produção em pequenos segmentos e delegamos cada aspecto do processo a um certo grupo de pessoas, dependendo de seus dons individuais. Mas também houve grandes desafios.

ENFOQUE – Quais foram as principais dificuldades no processo de produção?

STEPHEN KENDRICK– O tempo é sempre um fator relevante no processo de produção de um filme. Dizem que você nunca termina um filme, apenas chega ao fim do prazo. Isso é uma grande verdade. Filmar no outono e no inverno foi muito difícil, porque os dias acabavam muito cedo e a luz do sol ia embora antes de terminarmos o trabalho. E quando uma cena precisava ser rodada ao longo de muitos dias, era complicado, pois a intensidade da luz e as sombras mudavam de dia para dia. Um de nossos cinegrafistas mais importantes faleceu durante as filmagens. Suspendemos os trabalhos e fomos ministrar à família dele. Isso realmente nos atrasou por umas duas semanas. Sem falar dos ataques espirituais, pois Deus tem abençoado e usado nossos filmes e sabemos que o diabo não está feliz. “Desafiando os Gigantes” está em 57 países de todo o mundo e temos conhecimento de milhares de pessoas que foram a Cristo por intermédio dele. Muitas igrejas nos mandaram e-mails, dizendo: “Estamos especificamente orando pelo seu próximo filme”. Assim, houve guerra espiritual. Muita oração foi necessária apenas para que completássemos o filme. O diabo sempre ataca do mesmo modo: tenta dividir a equipe, distraí-la com coisas secundárias e desencorajá-lo para que você desanime e desista. Ele ataca a sua mente e tenta enganá-lo com mentiras. Mas tínhamos momentos devocionais todos os dias no local de filmagens, o que foi de grande valor. Tínhamos toda uma corrente de oração, orando especificamente pelo filme durante o período de produção.

ENFOQUE – Depois de todo o barulho que houve em torno de “Desafiando os Gigantes”, imagino que foi uma grande responsabilidade escolher qual seria a próxima história a ser rodada, uma vez que havia uma expectativa mundial a esse respeito. Quais foram os critérios para selecionar o roteiro e quais serão os critérios para futuros projetos?

STEPHEN KENDRICK – Antes de qualquer coisa, tentamos obedecer àquilo que entendemos ser a vontade de Deus para um roteiro.Desde que “Desafiando os Gigantes” foi lançado, uma multidão de pessoas nos enviou roteiros e idéias de todos os tipos. Mas aprendemos que existe uma grande diferença entre uma boa idéia e a idéia de Deus. Idéias de Deus se confirmam repetidamente em oração e com conselhos divinos.Muitas pessoas nos disseram: “Deus me falou que a minha história tem de ser o seu próximo filme”. Mas não havia confirmação de Deus a esse respeito. As idéias de Deus são claramente vindas dEle. Elas também têm grandes impactos. Por isso, passamos meses orando pela próxima idéia e Deus claramente nos conduziu a focalizar na questão do casamento. Alex teve a inspiração original. Ele nem ao menos estava muito empolgado com a idéia de um filme focalizado no casamento. Mas Deus estava conduzindo claramente nessa direção. Quando compartilhamos isso com nossos pastores, eles concordaram.

ENFOQUE – Algo sobre o qual todos comentam é que vocês realizaram um filme que parecia ter sido feito de modo bastante profissional, mas que na realidade foi rodado apenas com amadores. Com “Fireproof” vocês seguiram esse mesmo caminho ou investiram em um elenco e uma equipe mais profissionais?

STEPHEN KENDRICK – Contratamos dez profissionais para nos ajudar a operar o equipamento. Foram uma grande aquisição e nos ajudaram a manter o profissionalismo na qualidade do que foi feito. Mas Sherwood forneceu o roteiro, os diretores, produtores, as locações, os atores, o figurino, a trilha sonora. Isso e centenas de voluntários para facilitar o processo de produção.

ENFOQUE – Desta vez vocês tinham muito mais experiência do que na época em que fi zeram “Desafiando os Gigantes”. O que mudou no processo de realização do filme?

STEPHEN KENDRICK – Como sempre, você quer crescer e desenvolver o padrão de excelência naquilo que faz. Nós representamos o Senhor, e seu nome é excelente em toda a Terra. Precisamos representá- lo com excelência em tudo o que fazemos. Portanto, buscamos aumentar a qualidade da nossa produção. Contratamos mais profissionais para ajudar com iluminação e som. Chamamos dois professores de interpretação para melhorar nosso nível dramático. Aprendemos a aumentar a resolução da imagem. Eu aprendi a delegar certas atribuições da produção e envolver mais pessoas. Como produtor, era minha esponsabilidade ter uma visão panorâmica do processo, de cronogramas, prazos, equipe. Na época da produção de “Desafiando os Gigantes”, tudo aquilo que não deleguei voltou para mim na forma de horas extras muito cansativas de trabalho noturno.

ENFOQUE – A quê você atribui o impacto de “Desafiando os Gigantes”? Você espera o mesmo de “Fireproof”?

STEPHEN KENDRICK– “Desafiando os Gigantes” foi um filme divertido, do tipo que os crentes estavam esperando e desejando assistir. Quando as pessoas o assistiram, riram, choraram, foram desafiadas. E as coisas certas foram honradas, como a oração, a Palavra de Deus, o casamento e Jesus Cristo. Dedicamos “Desafiando os Gigantes” a Deus desde o princípio e buscamos ser obedientes a Ele durante todo o processo. O Senhor decidiu abençoar um bando de amadores destreinados de uma igreja e fazer algo além de tudo o que pudéssemos imaginar. Buscamos sua bênção diariamente no set de filmagens. Como crentes, precisamos agradá-lo em tudo o que fazemos: Ele recebe o crédito por todos os frutos do nosso trabalho, porque sabemos que não fizemos por nosso próprio mérito.

ENFOQUE – Como vocês se preparam espiritualmente para rodar um filme? Existe algum tipo de preparação prévia e diária?

STEPHEN KENDRICK– Primeiro temos que morrer para nós mesmos. Seu ego, seu nome em letreiros, sua conta bancária ou sua carreira. Isso é o passo mais difícil para as pessoas, mas é fundamental se você quer que Deus abençoe aquilo que faz. Em segundo lugar, temos que colocar o coração diante de Deus e lutar diariamente para mantê-lo santo. Precisamos permanecer humildes, rendidos, unidos e desesperados por Ele em oração a cada dia. Se o Senhor não edifica a casa, ou a produção, em vão trabalha aquele que a edifica. Terceiro, você dedica o projeto a Deus desde o começo e age de acordo com a sabedoria e o conselho de suas autoridades: pais, marido, o pastor, quem quer que seja. Então você passa semanas em oração e pede a liderança de Deus no que concerne à história, aos atores certos, à equipe correta. E os recursos necessários para iniciar a produção. Por fim, se Ele decide abençoar você, dê-lhE o devido crédito, pois o crédito é todo de Deus.

ENFOQUE – Depois de “Desafiando os Gigantes”, muitas igrejas e ministérios começaram a investir na realização de filmes cristãos. Que conselhos você poderia lhes dar?

STEPHEN KENDRICK – Só faça isso se Deus o estiver motivando a fazê-lo. Em segundo lugar, mantenha-se em constante oração, sob a autoridade devida, filtrando tudo pela Palavra de Deus. Busque, então, em primeiro lugar, o Reino de Deus, e não os seus próprios interesses. E não inclua absolutamente nada em seus filmes que faria uma criança se afastar de Deus.

ENFOQUE – Dentre todas as possibilidades, por que vocês escolheram fazer filmes para divulgar a Palavra de Deus?

STEPHEN KENDRICK– Soubemos por intermédio de uma pesquisa nacional que as pessoas atualmente se permitem ser influenciadas mais por filmes do que pela igreja. Junto a isso, houve uma direção clara de Deus e o desejo de fazê-lo.

ENFOQUE – Vocês receberam milhares de e-mails e cartas de pessoas falando sobre o impacto que “Desafiando os Gigantes” teve sobre elas. Pergunto, então: um filme pode modificar vidas?

STEPHEN KENDRICK – Não. Um filme é apenas uma ferramenta que Deus usa. O poder está em sua Palavra, em sua verdade, e vem por meio do Espírito Santo. No final das contas, somos apenas instrumentos de sua graça. Ouvimos falar de mais de cinco mil pessoas que foram a Cristo diretamente por causa do filme. Isso é a ação de Deus.

ENFOQUE – Você poderia compartilhar conosco o testemunho de alguém que foi impactado pelo filme e que chamou sua atenção?

STEPHEN KENDRICK – Uma menina esperou todos saírem do cinema e então se ajoelhou e entregou sua vida para Cristo. Um homem de 34 anos voltou para casa depois de ter assistido ao filme e jogou fora todos os seus DVDs e suas revistas pornográficas. Muitos casais restabeleceram os laços do casamento ou com a igreja depois de ter visto o filme.

ENFOQUE – Aqui no Brasil, muitas denominações ainda vêem o cinema como uma ferramenta do diabo. O que você diria aos irmãos que ainda têm preconceito com relação à sétima arte?

STEPHEN KENDRICK – Isso é como dizer que música ou todo tipo de arte é do diabo. Quem é o dono da arte? Deus é o autor da beleza e da arte. O diabo não é um criador. Ele apenas tenta perverter e deformar o que o Senhor criou. Filmes são uma forma de arte que transmite uma mensagem, seja ela boa ou má. São facas de dois gumes e podem ser usados para prejudicar pessoas – se estiverem em mãos erradas – ou para defender a verdade, disseminando a Palavra de Deus, e assim ajudar pessoas. Os fi lmes são uma das mais poderosas ferramentas que existem nos dias de hoje.

ENFOQUE – Seus dois filmes anteriores foram lançados no Brasil direto em DVD, o que também vai acontecer com “Fireproof”. Por que essas três produções não estréiam nos cinemas?

STEPHEN KENDRICK – Boa pergunta. Quando elas forem importantes o suficiente nos Estados Unidos é provável que estréiem. Ore por isso!

ENFOQUE – Que mensagem você gostaria de mandar para os brasileiros?

STEPHEN KENDRICK – Continuem vivendo para Cristo no Brasil, irmãos e irmãs! Continuem trabalhando em unidade com outros crentes e orem com constância por avivamento na região em que vocês vivem. Estabeleçam ministérios de oração nas suas igrejas e vejam Deus fazer coisas maravilhosas. Espero que nosso filme ajude vocês a alcançar pessoas para Cristo no Brasil. Desejamos adorá-lO junto com todos vocês por toda a eternidade no Céu... muito em breve!