sábado, 10 de novembro de 2012

I ENBOGUE - Encontro Nacional de Blogueiros Evangélicos - Entrada franca



Caros blogueiros, 

É como muita alegria que informamos que o I Encontro Nacional de Blogueiros Evangélicos (ENBLOGUE), a ser realizado durante o Encontro Para a Consciência Cristã 2013, será gratuito. Depois de uma redefinição por parte da VINACC o pagamento do ingresso no evento foi liberado.

Entretanto, o blogueiro que tiver a intenção de participar deverá realizar a sua inscrição, tendo em vista o limite de vagas. 

Portanto, faça logo a sua inscrição e prepare-se para participar desse encontro histórico da blogosfera cristã. Não deixe para comprar as passagens aéreas próximo do evento, que será realizado em Campina Grande-PB, no dia 09/02/2012. 

Vamos fazer o seguinte: os blogueiros que confirmarem a participação no I Enblogue terão seus blogs divulgados. Basta deixar um comentário no post dizendo que participará do evento e quais são as suas expectativas. Vamos la!

Programação

SÁBADO: 09/02/2013

Programação Matutina:



1° ENBLOGUE (Encontro Nacional de Blogueiros Evangélicos – UBE/VINACC)



Local: Clube da Bolsa
Horário: 9h às 11h40
Palestrantes e Temas:
Pr. Carlos Roberto da Silva (AD-SP) e Pr. Altair Germano (AD-PE) – “Entendendo a Blogosfera Cristã: A Gênese da blogosfera cristã: como tudo começou; A importância de existir uma blogosfera cristã; Como aumentar e melhorar a blogosfera cristã; A necessidade de qualificação dos blogueiros cristãos; Como potencializar a influência da blogosfera cristã?”

Valmir Nascimento (AD-MT) e Vinicius Pimentel (Voltemos ao Evangelho/SP) – “Blogosfera cristã: Ontem, Hoje e Amanhã: Princípios norteadores que devem reger a blogosfera cristã; A blogosfera cristã e o futuro da igreja brasileira; Qual a influência da blogosfera para a Teologia Cristã (Apologética e Cosmovisão). Blogosfera cristã: Focar o mundo, a igreja ou ambos?

Obs.: Programação aberta ao Público.



Programação Vespertina:



1° ENBLOGUE (Encontro Nacional de Blogueiros Evangélicos – UBE/VINACC)

Local: Teatro Rosil Cavalcante
Horário: 14h30 às 17h10
Palestrantes e Temas:
Pr. Renato Vargens e Dra. Norma Braga – “Do blog para a editora: como fazer posts se transformarem em livro: cases de sucesso”.
Mesa de debates – “A realidade dos blogs e a nova liderança intelectual” (Valmir Nascimento, Altair Germano, Carlos Roberto da Silva, Renato Vargens, Vinicius Pimentel e Norma Braga): Qual de fato é o poder da blogosfera evangélica?; Por que os líderes evangélicos devem investir ou apoiar blogs reconhecidamente evangélicos? 

Obs.: Programação aberta ao Público.

domingo, 4 de novembro de 2012

A Esperança Humana: Rebelião contra a Queda




Bem-aventurado aquele que tem o Deus de Jacó por seu auxílio e cuja esperança está posta no Senhor, seu Deus.
Salmos 146:5

Sammis Reachers

Uma das chamadas três virtudes teologais, citadas pela apóstolo Paulo em 1Co 13.13 (ao lado da Fé e do Amor) a Esperança é, das três, talvez a virtude menos considerada, e no entanto parece-me ser a mais inatamente presente no ser humano.

Mas quem é essa menina, essa força invisível, esse brilho nos olhos que é a Esperança? Por que a Esperança resiste tão fortemente, mesmo esmagada e esquecida no fundo de uma cela? Mesmo de joelhos dobrados à coronhadas, mesmo diante do pelotão, com armas apontadas para sua cabeça de olhos vendados, inchados de tanto levar socos, torturada? Mesmo diante do sorriso imundo de Satanás, como essa força, essa menininha, a esperança no escape, a esperança no bem, a esperança no Altíssimo, resiste no subsolo deste edifício implodido que é o homem? Tenho uma definição para a Esperança: Rebelião contra a Queda.

A Esperança, a inata (por Deus plantada) rebelião contra a Queda viva no coração humano, quando alcança a graça de encontrar seu objeto na epifania (manifestação física da divindade) Jesus Cristo, torna-se de Rebelião em Revolução. Mas ainda em estágio de Rebelião, manifesta-se já sua maior singularidade: a Esperança humana, mesmo antes do nascimento de Cristo e mesmo para aqueles que, ontem ou hoje, nunca o conheceram, é já Cristo abraçando o mundo por toda a extensão da história, do homem; é ela própria a ‘eternidade que Deus pôs no coração de todo homem’ (Ec 3.11).

Talvez você tenha já ouvido falar no Fator Melquisedeque, um conceito fundamental em Missiologia, e que foi proposto pelo antropólogo Don Richardson, em seu livro de mesmo nome. Num resumo wikipediano, lê-se que “O Fator Melquisedeque é designação dada à consciência universal da existência de um Deus único, entre as diversidades de expressões culturais e religiosas dos diferentes povos e civilizações ao longo da história.” É como um ‘gancho’ deixado por Deus em cada cultura, para facilitar a posterior assimilação da Revelação do Evangelho.

Pois entendo nossa menininha, a Esperança, como a expressão básica, elementar, a molécula feita e utilizada para erigir no homem aquilo que Don Richardson definiu como o Fator Melquisedeque. Uma outra metáfora: a Esperança como os tijolinhos que formam o templo vazio que nasce junto com cada filho de Adão, templo este que tem o tamanho exato de Deus, pois feito sob estrita medida. O homem nasce um templo vazio, mas feito de Esperança. A Esperança, tudo o que nos restou, é o edifício pronto para recebê-Lo (a Deus) em nós. A Esperança é a mão que em nós o Espírito Santo usa para segurar o outro lado da corrente, a Mão de Deus.

Jurgen Moltmann, teólogo alemão, proponente da principal corrente da assim chamada Teologia da Esperança, e que, soldado da Alemanha derrotada na Segunda Guerra, foi mandado para campos de prisioneiros de guerra na Irlanda, nos diz:
“Vi homens nos campos que haviam perdido a esperança. Eles simplesmente se entregavam, adoeciam e morriam. Quando na vida a esperança hesita e se desfaz, uma tristeza que vai além de todo o consolo toma conta da pessoa. Já a esperança incomoda e inquieta. A pessoa não se contenta mais com a situação, com a forma como as coisas estão.”

Moltmann foi inspirado pelo filósofo alemão Ernst Bloch, para quem todo ser humano é instintivamente dotado de esperança, é insuflado a buscar – avançando - a Utopiasonhada. Bloch era ateu e marxista revisionista; tinha, portanto, uma visão secular para qual seria a Utopia sendo perseguida pelo homem. Utopia esta que Moltmann corretamente entende como o Reino vindouro de Cristo, cuja ressurreição e ascensão são as marcas patentes da promessa de seu Retorno, são como que os próprios signos da Esperança.

Se Moltmann era soldado um alemão aprisionado em campos de concentração dos vencedores Aliados, e que durante seu sofrimento em meio a tal situação achegou-se à esperança cristã, na outra face desta estranha moeda, o psiquiatra judeu Viktor Frankl, contemporâneo de Moltmann, desenvolvia as bases de sua Logoterapia, enquanto prisioneiro também em campos de concentração, mas como prisioneiro dos alemães.

Frankl, tendo perdido praticamente toda a sua família para a máquina de extermínio de Hitler, agarrou-se (ele também) à Esperança (entendida, em suas próprias palavras, como ‘fé no futuro e vontade de futuro’), e desenvolveu sua doutrina baseado na valorização da esperança (otimismo) como sentido para a vida. Frankl cedo percebeu no homem um vazio causado pela ‘vontade de Sentido’, e concluiu (renegando aqui seus predecessores e antigos ‘mestres’ Freud e Adler) acertadamente que esse vazio tem origem espiritual, e desse vazio decorrem os principais problemas psíquicos do homem.

Repito aqui a pergunta feita acima: que força é essa que resiste no subsolo do edifício homem, mesmo quando este edifício é implodido? Ambos os prisioneiros poderiam ter desistido de suas vidas e se entregado, mas ambos vislumbraram, cada qual a seu modo, a Esperança, e agarraram-se a ela com todas as suas forças, com tudo de si. E passaram a desenvolver suas doutrinas tendo ela por fundamento. Não é algo fascinante? Continuemos com Frankl:

Estás no valo trabalhando. O crepúsculo que te envolve é cor-de-cinza, o céu acima é cinzento, cinzenta a neve no pálido lusco-fusco, os trapos dos teus companheiros são cinzentos, e também os semblantes deles são cor-de-cinza. Retomas outra vez o diálogo com o ente querido. Pela milésima vez lanças rumo ao sol teu lamento e tua interrogação. Buscas ardentemente uma resposta, queres saber o sentido do teu sofrimento e de teu sacrifício - o sentido de tua morte lenta. Numa revolta última contra o desespero da morte à tua frente, sentes teu espírito irromper por entre o cinzento que te envolve, e nesta revolta derradeira sentes que teu espírito se alça acima deste mundo desolado e sem sentido, e tuas indagações por um sentido último recebem, por fim, de algum lugar, um vitorioso e regozijante ‘sim’.”

Ao erigirem a Esperança como sua interna rebelião contra a derrota, a solidão, o vazio e a morte, ambos venceram. É Agostinho de Hipona quem diz: “A Esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las.

Causa fascinação que em situações extremas, de dor radical, holística (abarcando todas as dimensões do humano), essa virtude resista combatendo no coração desses e de tantos outros homens? Mas é isso mesmo que ela é, o Princípio Combatente no coração do homem, a arma do Santo Espírito. Mesmo atirada ao fundo lamacento do poço, como José, como Jeremias, ela escava, ela escala, ela acredita - e oferece um sorriso para insuflar os mutilados.

Há um poema de um grande poeta cristão francês, Charles Péguy, que, em seu estilo intimista e desabusado, e que faz tão bom uso das repetições (talvez como nenhum outro poeta que eu conheça), fala oportunas palavras sobre essa menina magricela, mas apaixonante e veementemente forte, a Esperança. Coligi esse poema na Breve Antologia daPoesia Cristã Universal que organizei. É um pouco extenso, mas vale a pena você ler.

A Esperança

Tradução de Guilherme de Almeida

A crença de que eu gosto mais, diz Deus, é a esperança.

A fé, isso não me espanta.
Isso não é espantoso.
Eu resplandeço de tal maneira na minha criação.
No sol e na lua e nas estrelas.
Em todas as minhas criaturas.
Nos astros do firmamento e nos peixes do mar.
No universo das minhas criaturas.
Sobre a face da terra e sobre a face das águas.
No movimento dos astros que estão no céu.
No vento que sopra sobre o mar e no vento que sopra
no vale.
No calmo vale.
No tão quieto vale.
Nas plantas e nos animais e nos animais das florestas.
E no homem.
Minha criatura.
Nos povos e nos homens e nos reis e nos povos.
No homem e na mulher sua companheira.
E principalmente nas crianças.
Minhas criaturas.
No olhar e na voz das crianças.
Porque as crianças são mais minhas criaturas.
Do que os homens.
Elas não foram ainda desfeitas pela vida.
Da terra.
E entre todos elas são meus servidores.
Antes de todos.
E a voz das crianças é mais pura do que a voz
dos ventos na calma do vale.
No vale tão quieto.
E o olhar das crianças é mais puro do que o azul do
céu, do que o leitoso do céu, e do que um raio
de estrela na calma noite.
Ora eu resplandeço de tal maneira na minha criação.
Na face da montanha e na face da planície.
No pão e no vinho e no homem que lavra e no homem
que semeia e na messe e na vindima.
Na luz e nas trevas.
E no coração do homem que é o que há de mais
profundo no mundo.
Criado.
Tão profundo que é impenetrável a todo olhar.
Exceto ao meu olhar.
Na tempestade que faz cabriolar as ondas e na
tempestade que faz cabriolar as folhas.
Das árvores da floresta.
E ao contrário na calma de uma bela tarde.
Na areia do mar e nas estrelas que são uma areia
no céu.
Na pedra do limiar e na pedra da lareira e na pedra
do altar.
Na oração e nos sacramentos.
Nas casas dos homens e na igreja que é minha casa
sobre a terra.
Na águia minha criatura que voa sobre os píncaros.
A águia real que tem pelo menos dois metros de
envergadura e talvez três metros.
E na formiga minha criatura que rasteja e que armazena
um pouquinho.
Na terra.
Na formiga meu servidor.
E até na serpente.
Na formiga minha serva, minha ínfima serva, que
armazena a custo, a parcimoniosa.
Que trabalha como uma desgraçada e que não tem
mesmo folga e que não tem mesmo descanso.
A não ser a morte e o longo sono de inverno.

Eu resplandeço de tal maneira em toda a minha criação.
..........................   ...........................   .....................

A caridade, diz Deus, isso não me espanta.
Isso não é espantoso.
Essas pobres criaturas são tão infelizes que a não ser
que tivessem um coração de pedra, como não
haveriam de ter caridade umas para com as outras.
Como não haveriam de ter caridade para com seus irmãos.
Como é que eles não haviam de tirar o pão da boca,
o pão de cada dia, para dá-lo a desgraçadas
crianças que passam.
E meu filho teve para com eles uma tal caridade.
Meu filho irmão deles.
Uma tão grande caridade.

Mas a esperança, diz Deus, eis o que me espanta.
A mim mesmo.
Isso é espantoso.
Que essas pobres crianças vejam como tudo isso acontece
e acreditem que amanhã vai ser melhor.
Que vejam como isso acontece hoje e acreditem que vai
ser melhor amanhã cedo.
Isso é espantoso e é mesmo a maior maravilha da nossa
graça.
E eu mesmo me espanto com isso.
E é preciso que de fato minha graça seja de uma força
incrível.
E que ela escorra de uma fonte e como um rio
inesgotável.
Desde aquela primeira vez que ela escorreu e escorre
sempre desde então.
Na minha criação natural e sobrenatural.
Na minha criação espiritual e carnal e ainda espiritual.
Na minha criação eterna e temporal e ainda eterna.
Mortal e imortal.
E aquela vez, ó aquela vez, desde aquela vez que
ela escorreu, como um rio de sangue, do flanco
trespassado de meu filho.
Qual não deve ser a minha graça e a força da minha
graça para que essa pequena esperança, vacilante
ao sopro do pecado, trêmula a todos os ventos,
ansiosa ao menor sopro,
seja tão invariável, mantenha-se tão fiel, tão reta,
tão pura; e invencível, e imortal, e impossível
de apagar-se; que essa pequena flama do
santuário.
Que queima eternamente na lâmpada fiel.
Uma chama tiritante atravessou a espessura dos mundos.
Uma chama vacilante atravessou a espessura dos tempos.
Uma chama ansiosa atravessou a espessura das noites.
Desde aquela primeira vez que a minha graça escorreu
para a criação do mundo.
Desde então que a minha graça escorre sempre para a
conservação do mundo.
Desde aquela vez que o sangue do meu filho escorreu
para a salvação do mundo.
Uma chama impossível de se alcançar, impossível de se
apagar ao sopro da morte.

O que me espanta, diz Deus, é a esperança.
Eu fico pasmo.
Essa pequena esperança que parece uma cousa de nada.
Essa pequena esperança.
Imortal.
Porque as minhas três virtudes, diz Deus.
As três virtudes minhas criaturas.
Minhas filhas minhas crianças.
Elas próprias são como as minhas outras criaturas.
Da raça dos homens.
A Fé é uma Esposa fiel.
A Caridade é uma Mãe.
Uma mãe ardente, cheia de coração.
Ou uma irmã mais velha que é como uma mãe.
A Esperança é uma meninazinha de nada.
Que veio ao mundo no dia de Natal do ano passado.
Que brinca ainda com o boneco de neve.
Com seus pinheirinhos de madeira da Alemanha cobertos
de geada pintada.
E com seu boi e seu jumento de madeira da Alemanha.
Pintados.
E com seu presépio cheio de palha que os animais não
comem.
Porque elas são de madeira.
Entretanto é essa meninazinha que atravessará os
mundos.
Essa meninazinha de nada.
Ela só, levando os outros, que atravessará os mundos
volvidos.

* * *

Esperança humana: Rebelião contra a Queda, com Cristo tornada Revolução contra a Queda. Muitos não suportam esta palavra, mas o que dizer? O Cristianismo é mesmo fundamentalmente revolucionário.

 * * *

Moltmann, Jürgen. Citado por Ed. L. Miller em Teologias Contemporâneas (São Paulo: Vida Nova, 2011).
Frankl, Viktor E.. Em Busca de Sentido (Petrópolis: Editora Vozes, s/d).
Péguy, Charles. Breve Antologia da Poesia Cristã Universal (Edição eletrônica, org. Sammis Reachers, 2012).

domingo, 28 de outubro de 2012

Três Histórias, Um Destino - Trailer Dublado do Filme que estréia dia 2 de Novembro nos cinemas



Está confirmada para novembro a estreia do filme “Três histórias, um destino” nos cinemas das principais cidades do Brasil.


O longa, baseado em livro homônimo do Missionário R. R. Soares, narra três histórias: a de um pastor que se corrompe, a de um jovem casal cristão que passa por dificuldades e quase vê o fim do casamento e a de um jovem marginalizada Uma ação evangelística será lançada juntamente com o filme.


De acordo com a assessoria de imprensa da GFilmes, a campanha “1+2=150 mil vidas!” visa a estimular cada cristão a convidar duas pessoas de seu convívio às salas de cinema. “Acreditamos que esta ação vai estabelecer, reforçar ou recuperar alianças familiares e de amizade.


Além de transmitir a mensagem do Evangelho”, explica Ygor Siqueira, diretor executivo da Graça Filmes. Em janeiro, quando assistiu à primeira versão do filme, R. R. Soares declarou que teve de enxugar as lágrimas alguma vezes. “Como se diz na gíria atual: vai ‘bombar’”, disse.


Gravado na Carolina do Norte (EUA), “Três Histórias, um Destino” é fruto de uma parceira entre a Graça Filmes e a Uptone Pictures. O lançamento nos EUA e em outros países acontecerá em 2013. 

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Entrevista com a Missionária Kelem Gaspar


Entrevista concedida ao Ministério MiAMe - http://ministeriomiame.com.br
MiAMe – Temos certeza que muitas vezes já foi perguntado sobre como iniciou sua caminhada neste campo e não podemos deixar de perguntar – lhe. Conte – nos como foi que você “descobriu” que tinha um chamado missionário e se possui alguma impressão diferente daquela que tinha no inicio do chamado?
KG: Não aconteceu nada de sobrenatural no início da minha chamada, não vi um anjo, não ouvi uma voz, não recebi uma profecia, nada disso. Eu estava assistindo um culto, em que uma missionária pregou e falou sobre os desafios da obra de missões, essa palavra entrou no meu coração e eu tomei uma decisão: sacrifiquei meus projetos pessoais aos pés de Cristo e ofereci a Ele minha vida para seu serviço. Foi a melhor decisão que tomei em minha vida, Deus é absolutamente digno de confiança. Como a missionária trabalhava com índios, naturalmente foi o povo que me interessou também e, a partir desse momento, passei a me preparar para servir a esse povo.
MiAMeFale-nos da sensação de estar pela primeira vez no campo missionário e da sensação que foi “voltar a sua realidade”, o que muda nessa primeira vez? E essa mudança é passageira ou ficou marcada para a caminhada de missões?
KG: É uma mistura de sentimentos muito grande: medo do desconhecido, alegria em estar finalmente no lugar que Deus havia preparado para mim, saudades de casa, desejo de colher logo os primeiros frutos, enfim, não é fácil lidar com esse turbilhão de sentimentos. Tudo era diferente do que eu conhecia, tudo era novo, mas eu tinha uma certeza: eu estava ali para servir, não para ser servida. Eu não era a grande mãe branca que havia chegado com todas as respostas. Eu desenvolvi um grande respeito pelo povo e por sua maneira de viver, trabalhávamos juntos, comíamos juntos, tínhamos comunhão, tentei me adaptar ao máximo a essa nova maneira de viver. Readaptar-se à nova realidade depois da volta pra casa também não foi fácil. O que tornou a situação mais suportável foi a íntima compreensão de que nossa motivação está calcada no compromisso com Cristo e no amor às almas perdidas, e, diante disso, nenhum sacrifício deve ser considerado grande demais.
MiAMe: Sabemos que o missionário vai se deparar com muitas situações adversas, onde com certeza mexerão com suas emoções. Neste momento, como é lidar com esses extremos e seguir com a missão dada por Deus?
KG: Realmente são muitas as situações adversas. As crises emocionais são constantes. O missionário precisa entender acima de tudo que é um servidor e que não está na missão porque foi forçado; a decisão de servir foi tomada livre e conscientemente e, agora, espera-se dele que faça todo o possível por amor a Cristo e ao povo. Deus não prometeu conforto, não prometeu sucesso e nem ofereceu garantia de retorno, mas Ele assegurou estar conosco sempre, até o fim. Essa certeza nos sustenta e nos faz seguir adiante.
MiAMeMuitas pessoas sentem o chamado missionário, porem não sabem como proceder, muitos pensam que é pegar um avião e ir para áfrica, outros, irem para nordeste, norte, sudeste, enfim… Mas como você define missões? São lugares específicos ou são formas específicas, como: O sopão na madrugada, visita a hospitais e etc?
KG: Deus precisa de pessoas em todas as posições, e para Deus missões e evangelização são a mesmíssima coisa, ambos tem como objetivo levar as almas a Cristo. O cristão não pode ser apático ao ponto de não fazer nada diante da grande necessidade mundial.
Sou favorável à ideia de que todos tem uma chamada tripla: todos devem orar por missões, todos devem investir financeiramente de alguma forma e todos devem ser testemunhas vivas de um Cristo vivo, ou seja, compartilhar o evangelho em todas as oportunidades possíveis. As almas têm o mesmo valor em qualquer lugar do mundo. Conheço pessoas que estão aguardando para ser uma bênção quando finalmente chegarem ao campo transcultural, porém enquanto esperam não produzem nada. Não acredite nesse tipo de chamada.
Você quer ser missionário? Ótimo, agora vá ler biografias de missionários, vá estudar línguas, vá fazer um curso que lhe ajude no campo, tire seu passaporte, levante um trabalho na igreja local, ganhe almas, discipule, crie um novo projeto, dê frutos, enfim, faça a sua parte. Lembre-se, Deus faz o impossível, o absurdo, não.
MiAMeMissões, um lindo chamado, o qual precisa de compreensão, preparação e muita força de vontade. Por isso, gostaríamos de saber qual a maior decepção que o missionário pode ter no campo? E o que já a deixou surpreendida no campo missionário, segundo sua visão e experiência?
KG: Ser abandonado é um medo constante, tanto financeiramente, quanto espiritualmente ou emocionalmente. Existem muitos pastores não alcançados, que não têm responsabilidade, compromisso e amor pela obra e pelos obreiros. Esses pastores veem os missionários como pessoas de segunda classe e passam essa visão para a igreja; é por isso que muitos missionários recebem de oferta ventilador sem hélice, geladeira sem motor, ferro elétrico sem resistência e a “clássica” sacola com roupas usadas. Precisamos mudar a nossa visão e ver o missionário como ele realmente é: um embaixador do Reino.
MiAMeComo os índios, os quais você já evangelizou, assimilam a vida cristã em sua cultura? Como foi este choque cultural para quem queria levar Jesus para um povo que luta por sua própria cultura, que é diferente de quase 80% ou até mais em seu país?
KG: Precisamos de atenção e de muita dependência de Deus para entender o que implica em salvação e o que não implica. O trabalho missionário não é criar uma filial de sua igreja no campo; a cultura deve ser respeitada ao máximo e devemos adaptar o que for possível à cultura local e aquelas questões que implicam de fato em condenação devem ser trabalhadas com cautela, sempre buscando soluções em oração.
MiAMe: Compartilhe sobre o projeto que vocês desenvolvem hoje e como as pessoas que querem participar, de alguma forma, devem proceder?
KG: Estamos há oito anos no município de Maracanã, interior do Estado do Pará, na região amazônica. Aqui temos uma creche escola missionária que atende sessenta crianças carentes da comunidade, onde elas são alfabetizadas, discipuladas, alimentadas e orientadas diariamente; não é um trabalho fácil, não temos ajuda da prefeitura e nem de nenhuma outra organização, mas Deus tem cuidado de nós.
Vivemos exclusivamente na dependência de Deus, e Ele tem despertado pessoas para nos ajudar, sem que precisemos sair para pedir nada. Funciona assim: nós oramos e Ele desperta alguém para que a necessidade seja suprida. O dinheiro de Deus está no bolso dos crentes. É uma verdadeira parceria, uma sociedade.
A única obra que Deus fez sozinho foi a da criação; para todas as outras, Ele opera no homem e através do homem. Desenvolvemos também um curso de missões transculturais que prepara jovens missionários para alcançarem indígenas, ribeirinhos, quilombolas e povos minoritários. Os alunos aprendem disciplinas missiológicas, ministradas por excelentes professores, mas não nos esquecemos de também treiná-los para o dia a dia do campo missionário: eles moram em casas de barro, cozinham a lenha, comem comidas típicas, enfim procuramos antecipar o cenário que ele encontrará no campo. Se o aluno não tiver chamada divina e disponibilidade para sofrer as privações que esse tipo de obra acarreta, é melhor que ele descubra isso aqui do que depois de ter sido enviado.
Não é fácil manter esse curso, mas Deus tem cuidado de nós. Além desses dois trabalhos, desenvolvemos algumas obras missionárias paralelas, como na “Ilha do Derrubado” (localidade isolada dentro do Município de Maracanã) e brevemente, no “Ramal da Mina”. Todas essas obras são em áreas carentes e de difícil acesso, e para todas elas precisamos de apoio espiritual, emocional e financeiro.
Para aqueles que se sentirem tocados por Deus, podem ajudar de muitas maneiras, como mandar qualquer encomenda paraPA 127, km 39, Ramal Caiacá, 05, Maracanã-Pa. CEP 68.710-000. (podem ser livros, brinquedos, material escolar, objetos de uso pessoal, material de escritório, enfim, qualquer coisa que Deus tocar no seu coração) ou se comprometer com uma oferta mensal de qualquer valor, que pode ser depositada noBanco do Brasil, Ag. 1436-2, conta corrente nº 6993-0 ou Bradesco Ag. 0697, conta corrente nº 523.164-7. Também podem vir nos visitar ou nos adotar em oração, afinal a obra missionária nasce de joelhos e é de joelhos que ela se sustenta.
Visite o blog da Missionária Kelem:  http://www.missionariakelem.blogspot.com.br/