Oswald Smith
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
OBSTÁCULOS AO REAVIVAMENTO - Oswald Smith
Oswald Smith
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Missões: a prioridade de Deus
Lucas relata que Jesus, depois de ressuscitar, reuniu seus discípulos e falou-lhes duas coisas. A primeira foi que o Antigo Testamento ensinava claramente que o Messias tinha de morrer e ressuscitar. Em seguida, acrescentou que o evangelho seria pregado a todas as nações.
O ensino que Jesus transmitiu aos discípulos após a ressurreição deve ter sido uma novidade para eles, mas estava claramente expresso no texto sagrado. Veja como Jesus falou: “Está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém” (Lc 24.46,47).
A ordem de fazer missões é muito clara no Novo Testamento, porém Jesus buscou no Antigo Testamento a base para essa declaração. Se lermos a Bíblia toda sem observar sua ênfase sobre missões, provavelmente a estamos lendo superfi cialmente, como eu lia o Antigo Testamento, sem notar a centralidade do plano de Deus para as nações. Agora penso de modo diferente. Foi uma mudança de paradigma para mim!
Leiamos alguns textos que Jesus poderia ter usado para comprovar que a tarefa de levar o evangelho a todas as criaturas, nações, línguas e povos não era uma novidade do primeiro século. Ela começou no coração de Deus e foi anunciada inicialmente no Antigo Testamento.
A finalidade da criação
O Antigo Testamento começa com a criação de tudo que existe. No centro de seu plano, Deus criou o homem — e todos nós — à sua imagem, por várias razões. O próprio Universo não existiu eternamente. Deus o criou com um propósito. O Universo teve início num momento da História — “no princípio” — e terminará no fi m da História, após a segunda vinda de Cristo. Por que Deus decidiu fazer tudo que fez? Os cientistas ateus pesquisam a criação. Descobrem os segredos da natureza e como funcionam os processos e leis naturais, mas lamentam não saber a razão por que existe qualquer coisa, porém nós, cristãos, sabemos os motivos de o Universo e o homem existirem. Citaremos apenas cinco deles.
Primeiro motivo da criação
O primeiro motivo da criação foi o desejo de Deus de ter pessoas com quem pudesse desfrutar comunhão. Deus é social. Ele ama pessoas como nós — gente. Gente que conversa com ele. Ele queria alguém com quem pudesse conversar e de quem recebesse adoração. Por isso, criou-nos à sua imagem, para ter um relacionamento amoroso conosco. Isso se encaixa estreitamente na tarefa missionária. O propósito das missões tem seu fundamento nesse desejo de Deus. Cada pessoa que se converte hoje terá comunhão com ele eternamente.
Segundo motivo da Criação
Deus é um Deus feliz. Deduzimos isso de uma frase de 1Timóteo 1.11, “o evangelho da glória do Deus bendito”. A palavra “bendito” (makârios, no grego) quer dizer “feliz” (compare com as bem-aventuranças). Ele queria compartilhar sua felicidade com o ser humano. As pessoas mais felizes da terra devem ser os missionários. Com certeza, divulgar as boas novas, obedecer à última ordem de Cristo, levar pessoas a conhecê-lo e, por conseguinte, poder entrar no gozo do Senhor é um trabalho glorioso e tem relação direta com o motivo de Deus ter criado a humanidade.
Terceiro motivo da criação
Deus nos criou para mostrar seu amor. Ele já amava o Filho, e o Filho amava o Pai, mas queriam um povo para demonstrar seu amor. Ele multiplicou a população da terra para revelar seu infinito amor. Ele derramou seu amor em nosso coração para que possamos também amar aqueles que Deus ama. Se você não é missionário, no sentido mais lato da palavra, talvez o amor de Deus tenha sido sufocado em sua vida. Não entrou na sua veia nem nas suas artérias, por isso não circula em seu coração o desejo de alcançar os perdidos. Deus criou homens e mulheres para compartilhar sua felicidade e demonstrar seu amor. Devemos responder e corresponder ao seu amor com
grata obediência.
Quarto moti vo da criação
Deus criou o mundo para ser glorificado por meio dele. Ele criou o ser humano à sua imagem para que este pudesse glorifi cá-lo por causa de sua graça. Efésios 1.6 é uma passagem fundamental das Escrituras porque explica o motivo pelo qual Deus nos criou. Considere seriamente que, tanto a eleição antes da fundação do mundo quanto a predestinação para sermos filhos adotivos, aconteceu, segundo esse texto, “para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado”. Não é possível negar, à luz dessa passagem, que o propósito original no plano da criação foi que pessoas inteligentes e dotadas de emoção louvassem a graça gloriosa de Deus. Esse é o principal motivo das missões. Paulo escreveu aos coríntios:
“Todas as coisas [os sofrimentos] existem por amor de vós, para que a graça, multiplicando-se, torne abundantes as ações de graças por meio de muitos, para glória de Deus” (2Co 4.15).
Quinto motivo da criação
Deus criou o homem para compartilhar com ele sua santidade. “Sereis santos, porque eu sou santo” (Lv 11.44). Ele não admitirá pecadores rebeldes no lar celestial. Por isso, nos manda aumentar a santidade no mundo e multiplicar o número de “santos” na terra. Um dos títulos do povo de Deus é “nação santa” (Êx 19.6), confi rmando que, se Deus tem filhos na terra inseridos em sua Igreja, eles serão marcados pela santidade do “Pai” celestial.
O coração missionário de Deus revelado no Antigo Testamento
Examinemos alguns textos-chave da Bíblia para buscar as bases para missões e o propósito divino para a humanidade.
Gênesis 12.1-3
Esta passagem central no Antigo Testamento apresenta a chamada de Abraão, nosso pai na fé e tem importantes implicações para a obra missionária:
Disse o Senhor a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção! Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as
famílias da terra.
Nesta passagem, que Jesus deve ter mencionado aos seus discípulos, temos uma dupla ordem: “Sai da tua terra” e “Sê tu uma bênção”. Abraão deveria sair para ser uma bênção e ser abençoado. Nele o mundo inteiro — todos os lugares, tribos, povos e nações — seriam abençoados. Cremos na Palavra de Deus e que essa promessa, ainda não concretizada inteiramente, irá se cumprir.
Existe algo mais interessante nesse texto. Qualquer contador, ou pessoa que trabalha com números, sabe que a soma de todas aquelas fileiras de cifras depende dos números que estão em cima. Ele sabe que se houver um erro em alguma dessas cifras, haverá um resultado errado na última linha. Esse princípio da matemática pode ilustrar e explicar por que o compromisso das igrejas com as missões é tão fraco.
O Brasil evangélico, até agora, enviou um número quase inexpressivo de missionários. Há menos de um missionário para cada 10 mil crentes. Estou convencido de que essa desproporção tem uma explicação razoável. Vejamos como se aplica à tarefa missionária. Como já vimos, se escrevemos números errados nas linhas de cima, a soma estará errada.
A passagem de Gênesis contém a promessa de que Deus há de abençoar a Abraão. Todos querem as bênçãos de Deus. Corresponde à linha de cima o “abençoarei”, mas se entendemos mal a linha de cima, a linha de baixo — “Sê tu uma bênção” para todas as nações (famílias) da terra — sairá errada. A bênção da promessa está diretamente ligada à obediência à ordem de ser uma bênção. Não dá certo buscar a bênção sem querer ser uma bênção.
Todas as nações receberão as bênçãos prometidas a Abraão. A Palavra de Deus não pode falhar, mas primeiro é essencial que Abraão e seus descendentes pela fé sejam uma bênção. É inútil reivindicar bênçãos se não estamos abençoando os perdidos com a oferta do evangelho.
Receber benefícios da parte de Deus corresponde à linha de cima. Transmitir esses benefícios para os que não têm acesso à bênção abraâmica está diretamente vinculado às bênçãos recebidas. A bênção da salvação, a linha de cima, implica a responsabilidade de ser uma bênção, de compartilhar essa salvação com os que não têm acesso ao evangelho.
Gênesis 50.15-21
A história de José, em Gênesis 50, revela o mesmo princípio. Seus irmãos estavam preocupados com o fato de que José, agora exaltado com plenos poderes no Egito, retribuísse o mal que sofreu.
Vendo os irmãos de José que seu pai já era morto, disseram: É o caso de José nos perseguir e nos retribuir certamente o mal todo que lhe fi zemos. Portanto, mandaram dizer a José: Teu pai ordenou, antes da sua morte, dizendo: Assim direis a José: Perdoa, pois, a transgressão de teus irmãos e o seu pecado, porque te fizeram mal; agora, pois, te rogamos que perdoes a transgressão dos servos do Deus de teu pai. José chorou enquanto lhe falavam. Depois, vieram também seus irmãos, prostraram-se diante dele e disseram: Eis-nos aqui por teus servos. Respondeu-lhes José: Não temais; acaso, estou eu em lugar de Deus? Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida.Não temais, pois; eu vos sustentarei a vós outros e a vossos fi lhos. Assim, os consolou e lhes falou ao coraç;ão.
Está bem claro no texto que a bênção na vida de José, depois de muitas maldições, não deveria ser limitada a ele próprio. A grande bênção que recebeu (a linha de cima) teria de implicar a bênção de sua família e muitos milhares
de vidas salvas. A revelação que José recebeu sobre os anos de prosperidade e sobre a fome no Egito mostrou que Deus tinha um propósito central para sua vida. Deus o abençoou para que ele pudesse abençoar outras pessoas. A linha de cima — os benefícios recebidos — implica a linha de baixo — a concessão de benefícios aos que não os possuem.
Deus nos revelou algo muito mais precioso, uma revelação mais importante que a recebida por José. A questão é: por que Deus tem abençoado a sua vida? A razão bíblica é a preservação de vidas para a eternidade na gloriosa presença de Deus. Se nos interessamos apenas em receber a bênção da salvação, sem passá-la adiante, estamos contrariando o propósito de Deus. Desprezamos a prioridade divina.
Deuteronômio 4.5-8
Aqui Moisés mostra também as duas linhas, as bênçãos decorrentes de ser o povo escolhido e a responsabilidade de abençoar as nações:
Eis que vos tenho ensinado estatutos e juízos, como me mandou o Senhor, meu Deus, para que assim façais no meio da terra que passais a possuir. Guardai-os, pois, e cumpri-os, porque isto será a vossa sabedoria e o vosso entendimento perante os olhos dos povos que, ouvindo todos estes estatutos, dirão: Certamente, este grande povo é gente sábia e inteligente. Pois que grande nação há que tenha deuses tão chegados a si como o Senhor, nosso Deus, todas as vezes que o invocamos? E que grande nação há que tenha estatutos e juízos tão justos como toda esta lei que eu hoje vos proponho?
Imagine se o Brasil estivesse na posição de Israel prevista nesse momento histórico. Se as leis escritas e assinadas pelo presidente fossem leis criadas na mente de Deus e passadas diretamente aos deputados em Brasília, como o país estaria bem! Imagine se o Brasil, como o Israel antigo, em vez de pensar em problemas e dívidas internacionais, pudesse dobrar os joelhos e usufruir a bênção notável de empregos para todos, de estarem os meninos de rua recebendo o devido cuidado. Imagine a bênção de saber que os órfãos estão sendo nutridos com as verdades de Deus. Imagine um Brasil que não precisasse cuidar de suas fronteiras nem combater o tráfico de drogas. Pense em ter Deus tão próximo a proteger a nação: não seria preciso gastar dinheiro com o Exército e nem com policiais.
Leis falhas e interesseiras, feitas por homens, seriam substituídas por leis divinas e perfeitas. Beneficiado por essas leis e pela proteção divina nas crises, em resposta às orações do povo de Deus, o Brasil seria um país invejável. Foram essas bênçãos, segundo o texto de Deuteronômio, que Deus ofereceu a Israel.
Qual seria o efeito dessas bênçãos (a linha de cima) sobre os países vizinhos? O próprio texto responde. Seria um forte efeito missionário com seus benefícios. As nações vizinhas buscariam ao Senhor e seguiriam suas leis (a linha de baixo). Aprenderiam a viver bem imitando o Brasil e obedecendo às leis criadas no céu. Buscariam ao Deus único e ao seu Reino para obter as bênçãos desfrutadas pelo Brasil.
Vejo um país que tem grande interesse em ser um país evangélico. Existem até previsões de que em poucos anos o Brasil será do Senhor, mesmo antes de sua vinda. Não sei se podemos realmente esperar uma bênção tão grandiosa, mas se acontecer não será surpresa se os países vizinhos vierem buscar a mesma bênção (a linha de baixo).
Houve uma época em que um país foi extraordinariamente abençoado. Esse país foi fundado no século XVII. Os fundadores fugiram da Inglaterra para estabelecer uma nação em que Deus seria honrado e haveria liberdade de consciência. As bênçãos de Deus caíram sobre os Estados Unidos. Houve um tempo em que as crianças podiam sair de casa sem perigo. Não havia meninos de rua. As chaves ficavam dentro do carro, sem que fosse preciso trancar as portas.
As casas fi cavam abertas sem muros ou sistemas de alarme. Não se pensava em violência nem se falava em drogas. Homicídio era uma raridade. Hoje não é mais assim. Esse país mudou, depois que abandonou a maioria dos princípios que garantem a bênção. A preocupação com a evangelização de todos os povos diminuiu.
Quando Jimmy Carter estava na presidência, um amigo foi convidado para falar num congresso de missões nos Estados Unidos da América. Cerca de 4 mil pessoas esperavam atentas a palavra do pastor Greg Livingstone (hoje diretor de uma missão no norte da África).
Concederam-lhe um minuto para falar. Ele foi à frente e fez a seguinte pergunta: “Quantos de vocês estão orando pela libertação dos 52 americanos sequestrados no Irã?”. Os mais velhos lembram-se da grande preocupação causada pelo sequestro daqueles americanos. Quase todas as mãos se levantaram no auditório, indicando a preocupação generalizada. Em seguida, fez outra pergunta: “Quantos estão orando pela libertação de 52 milhões de iranianos das algemas de Satanás?”. Os braços foram abaixando até não restar mais que um ou dois em toda aquela multidão. Meu amigo sentou-se, sem utilizar todo o seu minuto, dizendo: “Percebo que vocês são mais americanos que cristãos!”. Ficou claro que ele falava das duas linhas.
Aqueles milhares de pessoas preocupavam-se apenas com a linha de cima. Sabiam de quem e em que nome podiam pedir a libertação dos sequestrados, mas não tiveram a preocupação de pedir a libertação de 52 milhões de seres humanos algemados espiritualmente.
Quero deixar assentado, primeiramente em meu coração, depois no do leitor, que a linha de baixo depende de entendermos a razão pela qual Deus abençoa nossa vida. Se não recebi bênção alguma, tudo bem. Se não ganhei nada de Deus, ele não cobrará nada de mim. No entanto, se Deus tem nos abençoado de alguma maneira especial e se ele nos tem dado conhecimento da verdade de sua Palavra, com o resultado de que podemos viver e morrer felizes, temos de levar a sério a linha de baixo.
Salmo 67.1,2
Mais um texto confirma a tese desta mensagem. O salmo 67 mostra as duas linhas de maneira notável. Quantos se esqueceram de orar hoje? Quantos têm coragem de admitir isso? Provavelmente, a maioria orou. E quem não pediu qualquer bênção? Sabemos que é raríssimo orar sem pedir pelo menos uma bênção.
Animou-me bastante notar que em Salmos 67.1,2, Deus não condena a prática de pedir bênçãos. Esse salmo fala de bênçãos, mas não exatamente de prosperidade:
Seja Deus gracioso para conosco, e nos abençoe, e faça resplandecer sobre nós o rosto; para que se conheça na terra o teu caminho e, em todas as nações, a tua salvação.
Meditando, perguntei para mim mesmo o que teria acontecido se a nação israelita, receptora original dessas palavras inspiradas, tivesse dado prioridade a esse texto. Como seria diferente a história da humanidade se Israel tivesse dado valor à linha de baixo e estabelecido como o mais importante alvo de sua existência abençoar a todos os árabes! O mundo tem mais de um bilhão de muçulmanos. Israel é apenas uma pequena ilha num oceano inimigo de muçulmanos.
Se, em vez de se preocupar com a própria segurança, Israel tivesse pedido a bênção de Deus para os muçulmanos, a fim de que conhecessem os caminhos do Senhor, como seria diferente a história atual! Provavelmente, milhares de pessoas estariam vivas, e famílias inteiras, ainda unidas. As torres gêmeas não teriam caído em Nova York, soterrando quase 3 mil pessoas.
Quase todos os dias morrem vítimas do ódio em Israel. Parece que Israel formou sua nação para buscar a própria segurança, em vez de abençoar os povos vizinhos. Não é meu propósito lançar críticas contra ninguém, mas esse salmo não deixa dúvidas quanto ao propósito de Deus. Paremos um instante para refl etir. Qual é minha preocupação maior na vida? A resposta de todos nós é a mesma. Ser abençoado por Deus. Quero que ele abençoe minha família, os filhos, os netos, a esposa, o trabalho, a situação financeira. É isso o que mais importa. E Deus não despreza tais petições, porém não estaremos glorificando a Deus se dermos prioridade à linha de cima e ignorarmos a linha de baixo.
Jesus, pouco antes de sua exaltação, declarou aos discípulos que a bênção de os povos gentios conhecerem os caminhos do Senhor deve ser o foco de seu ministério. Em Jerusalém, na Judeia, em Samaria e até os confins da terra, eles seriam testemunhas da graça de Deus que salva. Quero encerrar afirmando algo sobre nossa nação. Os irmãos sabem que a teologia predominante no Brasil é a chamada “teologia da prosperidade”. É quase certo que o pregador que conseguir convencer brasileiros — evangélicos, católicos, espíritas e mesmo pessoas sem religião — de que possui poder para liberar bênçãos como saúde, emprego, salário maior e paz na família será “bem-sucedido”. Quem promete abençoar o povo material e socialmente está fadado ao “sucesso”. Contudo, quero enfatizar que é uma distorção do evangelho, pois não há interesse prioritário na linha de baixo. As promessas da antiga aliança, que abençoaram Israel materialmente, tinham o propósito de persuadir os povos a adorar e obedecer a Deus na totalidade de sua existência.
Quais são as promessas da nova aliança? Cristo voltará quando todas as nações tiverem ouvido que Cristo é o único caminho para Deus. Ele é o único Salvador. O descaso para com a obrigação missionária, em razão do interesse voltado para esta vida, demonstra pouco compromisso com a vida vindoura. Não se fala muito sobre o investimento no
destino final.
A busca pelo poder do Espírito como forma de obter alívio, conforto e bem-estar, em vez de testemunho e proclamação, está em desacordo com o propósito central de Deus. A teologia da prosperidade destaca o ter, e não o ser. A lei da nova aliança deve ser interna. “Esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo” ( Jr 31.33). Não é a vontade de Deus que busquemos os benefícios do Reino de Deus sem dar prioridade ao próprio Reino. Os benefícios ilimitados de Deus virão no Milênio, mas poucos querem esperar um futuro distante e pouco almejado.
O resultado dessa distorção pode ser percebido no desinteresse em conhecer a Palavra de Deus. Há também quase nenhum interesse pela exegese, pela hermenêutica, pelo discipulado e pelo estudo da Palavra. Busca-se a experiência, e não o Senhor das experiências. Parece uma diferença sutil, mas é importante. O Espírito Santo é apresentado mais como fonte de poder que como pessoa divina que glorifica ao Senhor Jesus ( Jo 14.13). A ênfase exagerada sobre o indivíduo desvia nossa atenção da comunhão e da responsabilidade mútua da igreja (1Pe 2.9,10).
Não é certo omitir a ênfase sobre a obrigação e destacar apenas a motivação do amor que produz a alegria no Senhor (1Co 13.1,4,5).
É muito comum omitir-se a proclamação da teologia bíblica acerca do sofrimento. Nesse caso, onde se encaixaria a cruz de Cristo ou as condições do discipulado? “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz [diariamente] e siga-me” são palavras pouco ouvidas, mas foram pronunciadas por Jesus. Buscar os dons e manifestações do poder de Deus em benefício próprio, e não em benefício do Corpo de Cristo é mais um desvio do propósito bíblico revelado na Palavra. Todas essas aberrações e distorções, até o ponto em que caracterizem a igreja brasileira, mostram preocupação com a linha de cima, e não com a de baixo. Para o Brasil se tornar um verdadeiro celeiro de missões, é necessário que haja uma mudança de paradigma. Como Israel, no período do Antigo Testamento, teve a oportunidade de influenciar o mundo ao seu redor em prol do Deus único, cumprindo suas leis e demonstrando um amor profundo pelo Senhor, temos o desafio de realinhar nossas prioridades. Se genuinamente nos preocuparmos com a linha de baixo, isto é, que o evangelho seja proclamado e vivido entre todos os povos, a bênção gloriosa cairá sobre nós. Paulo assim se refere a esse futuro: “Para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós. A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus [...] para a liberdade da glória dos filhos de Deus” (Rm 8.18,19,21).
Russell Shedd é PhD em Novo Testamento pela Universidade de Edimburgo (Escócia). Fundou a Edições Vida Nova há mais de 40 anos e atualmente é consultor da Shedd Publicações. É missionário da Missão Batista Conservadora no Sul do Brasil e trabalha em terras brasileiras há vários décadas. Lecionou na Faculdade Teológica Batista de São Paulo e viaja pelo Brasil e exterior participando de conferências em congressos, igrejas, seminários e faculdades de Teologia. É autor de vários livros, entre os quais estão A Justiça Social e a Interpretação da Bíblia , Disciplina na Igreja , A Escatologia do Novo Testamento , A Solidariedade da Raça , Justificação , A Oração e o Preparo de líderes cristãos , Fundamentos Bíblicos da Evangelização , Teologia do Desperdício , Criação e Graça: reflexão sobre as revelações de Deus , todos publicados pelas Edições Vida Nova ou pela Shedd Publicações. Além disso, é autor dos comentários da Bíblia Shedd (Vida Nova).
Fonte: http://www.vidanova.com.br
via blog Veredas Missionárias
sábado, 28 de novembro de 2009
Educação Teológica - Uma proposta para uma formação de qualidade

A Igreja brasileira vive um momento singular em sua história. O crescente número de igrejas e denominações trouxe visibilidade aos evangélicos. Atingimos todas as classes sociais e estamos na mídia numa explosão de programas em todos os meios de comunicação. Há modelos diferenciados de ministérios, uns com liturgias exóticas e outros que se mantêm na tradição. Mas, o que mais preocupa, é que esse crescimento quantitativo não tem sido acompanhado nem marcado pela qualidade. É aí que reside a premente necessidade da Educação Teológica.
Há templos cheios, mas púlpitos vazios. Há coreografias e louvores em diversificados ritmos, mas nem sempre é possível ouvir o som da poderosa voz de Deus. Há muitos valores contabilizados, mas os valores do caráter cristão estão escassos.
Precisamos de uma reforma, precisamos voltar às Escrituras, e isso só é possível se a Escola Teológica se empenhar em formar homens e mulheres comprometidos com o ensino das Escrituras. Certamente, há no Brasil centenas de instituições de ensino teológico, algumas com o padrão do MEC, outras se preocupando apenas com o estilo da sua comunidade. No entanto, há necessidade de um modelo de educação teológica que:
- prepare ministros de forma integral;
- forme ministros comprometidos com o ensino das Escrituras;
- priorize o caráter no exercício das suas funções;
- ofereça oportunidades para a prática ministerial;
- prepare líderes que sirvam às igrejas.
Nossa reflexão relaciona a tarefa de formar pastores/ministros com a missão da Igreja. É sobre esse modelo que refletiremos em seguida.
Uma educação teológica de qualidade deve preparar o ministro de forma integral
O princípio fundamental da educação é contribuir com o desenvolvimento integral da pessoa, é considerar o aluno como um todo evitando sua fragmentação. Trata-se de um modelo que parte da visão integral do indivíduo e enfatiza a formação de vidas maduras do ponto de vista intelectual, social, operacional, pessoal (ontológico) e afetivo. Como educadores na área da teologia, somos desafiados a elaborar um programa pedagógico que alcance os alunos como ser integral, dando-lhes a oportunidade de crescer como pessoa e desenvolver suas habilidades e competências para um ministério bem-sucedido, que atenda à realidade da Igreja brasileira e do mundo pós-moderno.
No trabalho educacional, para que a formação do ministro seja integral e para que a Igreja cumpra sua missão holística, os ensinos teórico e prático não podem estar desassociados.
A inserção de conteúdos para valorização da cultura, da ética e da cidadania e os conhecimentos adquiridos das experiências formais e informais preparam o aluno para adentrar no ministério, contextualizando a mensagem do Evangelho às novas realidades e aos contextos da nossa época.
Capacitá-los para unir o saber às evidências do contexto: “É colocar o homem como sujeito da educação e, apesar de uma grande ênfase no sujeito, evidencia-se uma tendência interacionista, já que a interação homem-mundo, sujeito-objeto é imprescindível para que o ser humano se desenvolva e se torne sujeito de sua praxis.” 1
Para esse modelo, será necessário rever os objetivos educacionais, o planejamento curricular, o conteúdo programático, o preparo do professor e a visão do aluno. Só um ser total é capaz de se realizar plenamente naquilo que executa e no desempenho do seu ministério.
A educação teológica deve formar o ministro comprometido com o estudo e o ensino da Escritura Sagrada.
O verdadeiro ensino a que se propõe a Teologia é o ensino da Palavra. É necessário dar atenção a interdisciplinaridade, porém nenhum conteúdo curricular deve sobrepor-se a voz de Deus expressa no texto sagrado. “Continuamos convictos de que a Palavra de Deus fornece o paradigma atemporal que define a natureza e as características do pastorado.”2 Se a Escritura não tiver a centralidade da vida e da prática ministerial, não podemos afirmar que somos profetas para nossa geração. Infelizmente, presenciamos muitos pregadores, não digo apenas os televisivos, ou os neopentecostais, mas pastores que passaram por renomados seminários e que substituem a Escritura Sagrada por palavras de autoajuda, por argumentação humanística e filosófica, histórias imaginárias sobre o texto bíblico deixando obsoleto o ensino genuíno da Palavra de Deus. Parece que a Palavra perdeu sua atualidade. John Stott nos lembra que: “A velha Palavra de Deus é atual porque alcança o homem do século XXI em suas reais necessidades. Fala à sua cultura ao seu contexto – o ecossistema e a preservação da natureza — às questões sociais e econômicas. A Bíblia é o preceito divino para todos os homens em todas as épocas e em todas as culturas”. 3
É através da filosofia institucional comprometida com a Escritura que a escola prepara seus alunos para o uso profundo da Palavra relevando o texto sagrado a qualquer outro conteúdo. Deve fazer parte dos objetivos da Instituição o ensino centrado na Palavra, a ênfase na vida devocional e o compromisso pelo exame acurado do livro de Deus.
Se esses valores forem adquiridos durante o tempo de preparo, o pregador não se contentará em usar esboços de sermões encontrados na internet, plagiando os grandes pensadores; ele aprenderá a primar pela originalidade e a buscar no texto sagrado a mensagem de Deus para o povo.
John MacArthur assinala: “Jamais diria que prego teologia sistemática. Prefiro dizer que prego um aspecto da teologia bíblica — a teologia extraída do estudo de um texto.”4 Ele afirma que gasta trinta horas por semana com o estudo da Palavra, preparando-se para pregar três horas. Uma educação teológica de qualidade forma líderes como Apolo —“Poderoso nas Escrituras” (At 18.24).
Uma educação teológica de qualidade deve priorizar a formação do caráter
Toda educação tem por fim a formação do caráter — alcançar o indivíduo na sua integralidade, com o objetivo de tornar o homem um cidadão útil à sociedade. A educação teológica tem uma proposta ainda mais desafiadora. Além de trabalhar com o indivíduo, com um ser psicossocial, afetivo e cognitivo, trabalha com um ser espiritual. Ela tem a responsabilidade de formar o caráter, não apenas objetivando o padrão social, com os traços que delineiam os valores morais de um cidadão consciente, mas também se responsabilizando pela formação do caráter cristão num nível muito mais elevado — “...Cristo em vós, a esperança da glória”; “...até que Cristo seja formado em vós”; “...até que todos cheguemos... à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Cl 1.27; Gl 4.19; Ef. 4.13).
Até hoje os educadores tropeçam na árdua missão de formar. Com todas as mudanças de paradigmas no sistema ensino-aprendizagem e inovações técnico-metodológicas no sistema educacional, ainda temos uma educação voltada para as funções intelectivas. Como educadores cristãos, nós também temos tropeçado, e, na verdade, formamos pessoas em um grau bem insignificante em comparação com o quanto informamos. Como “Platão pressupunha que passamos a conhecer a verdade através da razão, este conceito, traduzido em termos cristãos, relaciona a fé com atividade cerebral”. 5
Criar a consciência de valores morais, pessoais e espirituais e conduzir a pessoa para ser capaz de elaborar juízo de valor de modo a decidir por si mesma e agir com autonomia em diferentes circunstâncias da vida é o que devemos objetivar.
A prática educativa, seja qual for a sua área, tem o papel essencial de conferir a todos os seres humanos, a habilidade de pensamento, discernimento, sentimentos e imaginação de que necessitam para desenvolver seus talentos. Para isso, ela deve oferecer oportunidades para que o aluno desenvolva suas potencialidades: a memória, o raciocínio, o cognitivo, o afetivo, o sentido estético, a aptidão para comunicar-se e as habilidades diversas.
Mas, antes de tudo, o papel do educador é conduzir o aluno a aprender a ser, com o objetivo da realização completa do homem na complexidade das suas expressões e dos seus compromissos, para manifestação da glória de Deus e do seu Cristo.
Não podemos esquecer que o conhecimento adquirido é para edificação da Igreja no exercício da mutualidade dos seus membros e expansão do reino eterno em todo mundo.
A educação é, portanto, ao mesmo tempo, um processo individualizado e uma construção social interativa. Não saber por saber ou para sobrepor-se aos demais, defendendo uma postura clerical exacerbada. Para formar caráter, devemos trabalhar com os objetivos atitudinais. Bons resultados têm sido obtidos com entrevista, tutoria, mentoria e aconselhamento psicológico, buscando a prática do discipulado e da integração grupal, visando à construção equilibrada do ser. Nas matérias bíblicas, a aplicabilidade das Verdades divinas à vida pessoal é uma excelente ferramenta para alcançar esse objetivo. Para isso, “Precisamos de professores-pastores e pastores-professores, não de professores ou pastores como propõe o Prof. Carlos Antonio N. Thompson do seminário Palavra da Vida.
Os escândalos que presenciamos seriam evitados se os líderes tivessem se submetido a um programa de formação do caráter — os valores cristãos que marcam a nossa identidade. Robert Clinton, escrevendo sobre: ‘Etapas na vida de um líder’, expõe que “Deus trabalha primordialmente no líder, não por meio dele. Seguindo o princípio de que o ministério flui do que se é toma novo significado à medida que o caráter do líder toma corpo e amadurece.”6 Ensinar a ser deve preocupar-nos muito mais que ensinar a fazer, pois o caráter é o que dá forma e caracteriza o trabalho cristão.
A educação teológica deve oferecer oportunidades para a prática ministerial
A educação teológica, como toda educação, deve esmerar-se para oferecer uma prática que justifique a busca do conhecimento. Ela não deve restringir seu conteúdo a conceituações e codificação do saber. Primeiro, porque devemos compreender o mundo e o contexto em que estamos inseridos. O conhecimento só tem valor, se for capaz de fazer a interação do homem com seu habitat e com o seu contexto social. Segundo, pelo prazer de entender a Verdade para fazê-la entendida num ‘modus vivend’ de cada um.
A elaboração do currículo das escolas teológicas não se deve concentrar numa proposta academicista, explorando apenas o poder de raciocínio dos seus alunos. Se sua missão é preparar obreiros para servir a Igreja e as comunidades, e apresentar o Evangelho de Cristo, como a mensagem para as necessidades do homem todo e para todo o homem, ela deve oportunizar experiências reais, para que seus alunos tenham contatos com as várias classes sociais e sintam a carência dos indivíduos a quem a mensagem deve alcançar.
O que constatamos nos nossos modelos, na sua maioria, é a preocupação exacerbada com a oratória e a prática do sermão. Atestamos que pregar bem é uma exigência legal para quem é vocacionado para o ministério sagrado. Porém, a Igreja precisa de ministérios diversificados e não apenas de bons pregadores. Para realizar sua missão, ela deve estar presente em todos os segmentos da sociedade. Em um país em desenvolvimento como o nosso, há uma necessidade premente de ministros que saibam falar não apenas a mentes privilegiadas, mas a corações sofridos, aos que precisam ver, não apenas ouvir, a veracidade da mensagem, que deve ser expressa em atitudes de amor e de solidariedade.
Se o aluno de teologia não é treinado a ver as formas em que a mensagem do evangelho toma forma, sua prédica nunca terá a forma da cruz e sua vida nunca experimentará a encarnação da mensagem. Somos seguidores do Cristo, o Verbo eterno, que se encarnou tornando-se servo para todos aqueles que necessitam da expressão da sua vida nas mais variadas formas de vida.
Se as faculdades seculares elaboram estágios desde o primeiro ano do curso, e as empresas em parceria recebem os estudantes para prepará-los melhor para o mercado, é porque descobriram a antiga regra da Pedagogia: “Só podemos dizer que houve aprendizado, quando o aluno é capaz de praticar o conceito ou a regra aprendida. Só se aprende fazendo.” Na Educação Teológica não pode ser diferente porque o nosso trabalho alcança a vida humana em todas as suas expressões.
“Toda teologia é essencialmente prática. A teologia é prática no sentido de que ela se ocupa, em todas as suas expressões, das questões mais básicas da existência humana. A Teologia é prática porque pensa e elabora a fé em sua relação com a vida.” 7
Preparar ministros que sirvam as igrejas
Recebemos os alunos da igreja e não podemos prepará-los bem sem manter o elo com a igreja. Sabemos que o vocacionado vem da igreja em que ele recebeu o seu chamamento e que, após o tempo de preparação, voltará a servir em sua comunidade, pelo menos deve ser essa a proposta. Sabemos que nem sempre é assim, porque há líderes que não acompanham a vida de seus vocacionados. Por trabalhar em um seminário interdenominacional, recebemos alunos de igrejas históricas, os quais não têm nenhuma perspectiva de ministério junto à denominação, outros de igrejas independentes que não têm sequer apoio da liderança para estudarem. Se a liderança não é formada, por que há necessidade de receber formação para dirigir igreja? Os que vêm de igrejas pentecostais raramente têm apoio. Na verdade, a realidade é muito complexa. Vivemos um momento histórico em que definir a linha teológica, a liturgia e a formação dos obreiros da igreja evangélica é muito complicado. Não podemos definir a postura do líder pela denominação que ele professa. Mas, uma coisa é verdadeira: nenhuma faculdade ou seminário maior deve esquecer que o produto do seu trabalho é oferecer a igreja o obreiro capacitado para toda boa obra. É isso que se espera de alguém que dedicou quatro ou cinco anos de sua vida preparando-se para a obra do ministério.
Por que algumas denominações se decepcionaram com suas instituições de ensino? Porque receberam os vocacionados mais descrentes em relação à Bíblia do que quando foram enviados, mais conhecedores dos pensadores modernos do que dos pais da Igreja. E alguns deles não puderam se inserir nas atividades eclesiásticas.
Por que outras denominações chegaram a proibir seus vocacionados de frequentar uma escola teológica? Porque tinham medo de perdê-los para o mundo do conhecimento.
É mister que as instituições de ensino se posicionem como parceiras das igrejas na formação dos seus vocacionados. Receber uma carta de recomendação é muito pouco para uma tarefa tão importante. Por outro lado, a igreja deve assumir sua parte na parceria, acompanhando o desenvolvimento espiritual, prático e acadêmico de seus membros.
Ouvi de um pastor que sua denominação programou a abertura de 200 novas igrejas dentro de um ano. Porém, comentou-se: Como abrir trabalhos pioneiros se o seminário está preparando para o púlpito e não para o campo? Uma educação teológica de qualidade deve preparar o vocacionado para servir a igreja em todos os seus programas e projetos no cumprimento de sua missão integral.
Para trabalhar com esses princípios, a educação teológica deve cumprir sua missão de educar com uma visão integral do indivíduo e do ministério, a fim de que possamos formar líderes:
- “Com a mente de um teólogo” — capaz de pensar teologicamente para expor a Verdade divina com profundidade, clareza e precisão.
- “Com o coração de um místico” — experimentado na vida devocional, no campo da espiritualidade e da relação com Deus. Diplomado nas disciplinas espirituais.
- “Com a coragem de um desbravador”— treinado na prática, ousado como foram os pioneiros que ultrapassaram as fronteiras, prontos a qualquer tipo de tarefa que objetiva a expansão do Reino eterno.
- “Com a humildade de um santo” — capaz de conviver com pessoas de diferentes níveis de educação, cultura, de divergentes pontos doutrinários e de distintas formas de dons. Tratado na personalidade e trabalhado nas emoções, fortalecido com a superabundante graça de Deus.
1 MIZUKAMI, Maria da Graça, Ensino: as abordagens do processo. EPU, 1986.
2 MACARTHUR, John, Jr., Redescobrindo o ministério pastoral. CPAD. 1999, p. 235.
3 STOTT, John, Cristianismo autêntico. Vida, 2001, p. 88.
4 MACARTHUR, John, Jr., Redescobrindo o ministério pastoral. CPAD, 1999. p. 32.
5 BOLT, Martin e Myers, David, Interação Humana. Vida Nova, 1989.
6 CLINTON, J. Robert. Etapas na vida de um líder. Editora Descoberta, 2000, p. 49.
7 ROSA, R.S. O que é teologia prática? Notas introdutórias. In Simpósio, n. 36, ASTE, 1993, p. 7.
_________________________________________________________________
Bibliografia:
MIZUKAMI, Maria da Graça, Ensino: as abordagens do processo. EPU, 1986.
MACARTHUR, John, Jr., Redescobrindo o ministério pastoral. CPAD. 1999, p. 235.
STOTT, John, Cristianismo autêntico. Vida, 2001, p. 88.
MACARTHUR, John, Jr., Redescobrindo o ministério pastoral. CPAD, 1999. p. 32.
BOLT, Martin e Myers, David, Interação Humana. Vida Nova, 1989.
CLINTON, J. Robert. Etapas na vida de um líder. Editora Descoberta, 2000, p. 49.
ROSA, R.S. O que é teologia prática? Notas introdutórias. In Simpósio, n. 36, ASTE, 1993, p. 7.
Fonte: Portal Vida Nova
Grafite Cristão
Mais informações, links e imagens sobre Grafite Gospel no blog Imagens Cristãs - http://imagenscristas.blogspot.com
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Biblioteca Virtual Letras Santas

Eis o link: http://www.4shared.com/dir/1727479/71ecfce9/sharing.html
(Fique atento, pois existem as páginas 1 e 2!)
Manual do Corão – Pr. Joed Venturini
Para baixar, Clique Aqui
Rudimentos – Pr. Pablo Massolar
Para baixar, Clique Aqui
Mitos & Fatos: a verdade sobre o conflito árabe-israelense (livro impresso, agora disponibilizado também como e-book gratuito pela Chamada da Meia Noite)
Para baixar, Clique Aqui
Glorificado seja o nome do Senhor!
Sammis Reachers
sábado, 21 de novembro de 2009
Desafios contemporâneos ao Cristianismo
Ziel Jorge Oliveira Machado
O primeiro se chama Andrei Tarkovski, cineasta russo, autor de filmes como: O Sacrifício, Solaris, Nostalgia, O Espelho, entre outros. O segundo é John Stott, um dos pensadores cristãos mais importantes deste século, com uma obra extensa de grande contribuição.
É possível que você já tenha se perguntado sobre a relevância da fé em Deus, ou da Igreja para os dias de hoje, muitos continuam perguntando, dentro e fora do contexto cristão, e as respostas têm sido as mais variadas. Esta também é minha pergunta neste texto.
Estamos vivendo um momento repleto de possibilidades e riscos, onde começamos a fazer uma avaliação da nossa forma de ver e pensar o mundo. Este processo tem sido chamado de Pós-Modernidade, onde pouco a pouco vamos descobrindo que não estamos no controle de tudo, como imagina a mente moderna.
"Parece-me que nossa época é o clímax final de todo um ciclo histórico, no qual o poder supremo esteve nas mãos dos "grandes inquisidores", líderes e personalidades notáveis, motivados pela idéia de transformar a sociedade numa organização mais "justa" e racional. Eles procuraram apoderar-se da consciência das massas, inculcando-lhes novas concepções ideológicas e sociais, e convocando-as para a renovação das estruturas sob as quais está organizada a existência, em nome da felicidade da maioria, mas, a afirmação dos interesses de classe ou de grupo, acompanhada pela invocação do bem-estar da humanidade e da "prosperidade geral" resultam em flagrantes violações dos direitos do indivíduo, que se vê fatalmente isolado da sociedade..."(Tarkovski 1990: 276)
Neste mundo em transformação somos desafiados a uma dupla tarefa: estar conscientes e sensíveis. Nossa atitude em relação ao contexto e nossa busca por uma obediência sincera as Escrituras, darão o tom de nossa relevância. John Stott nos desafia a desenvolver a disciplina do "Double Listening”, onde seremos capazes de ouvir o Mundo de Deus e a Palavra de Deus.
No livro “The Contemporary Christian: Applaying God's Word To Today's World”, Stott nos apresenta uma síntese de sua compreensão dos principais desafios contemporâneos expressos em três buscas fundamentais: a busca por transcendência, a busca por sentido e a busca por comunidade.
A busca por transcendência é a procura por uma realidade última, algo que dê significado permanente a vida. Os sinais desta busca podem ser vistos nos efeitos provocados pela queda do muro de Berlim e a crise de paradigmas resultante, pelo vazio de uma vida centrada no consumo (característica do materialismo ocidental), pelo uso universal das drogas, pela ressacralização do mundo com uma espiritualidade sem verdade.
Esta realidade desafia a vida de adoração da Igreja de Cristo, já que nos tornamos especialistas em evangelização relegando a adoração a um segundo plano. A observação feita por Stott aponta para uma vida de adoração marcada pelo ritualismo sem realidade, formalismo sem poder, euforia sem temor, religiosidade sem Deus (Stott: 228).
Diante deste quadro as tarefas para a Igreja são:
1) resgatar a prioridade da leitura e pregação da Bíblia;
2) resgatar a celebração da Ceia;
3) resgatar a vida de adoração (solitude, silêncio e oração).
Outra dimensão desta jornada existencial é a busca por sentido. Tarkovski apresenta a cilada em que o Homem moderno se encontra da seguinte maneira:
"O que testemunhamos, no momento é o declínio do espiritual, enquanto o material já se tornou há muito tempo um organismo dotado de uma corrente sangüínea própria, e passou a constituir o fundamento de nossas vidas, cada vez mais paralisadas e esclerosadas. Está claro a todos que o progresso material em si não faz ninguém feliz, mas nem por isso paramos de multiplicar freneticamente suas conquistas". (Tarkovski: 281)
Os indicativos desta busca por sentido podem ser vistos no lado sombrio do avanço tecnológico, quando o mesmo "coisifica" e desumaniza o ser humano, no reducionismo científico quando trata da questão da verdade, e no abalo ao senso de sentido provocado pelo existencialismo (onde não existe Deus, não há mais valores, ideais, leis morais, propósito e sentido).
Neste ponto o desafio para a Igreja está na qualidade de seu ensino. A importância de resgatar temas como: Visão Bíblica da História, Antropologia Bíblica, Pecado, Depravação, Dignidade e a Teologia da Criação.
O último grande desafio é a busca por comunidade. Não somos ilhas, e a tarefa mais difícil neste contexto de desintegração social é tornar possível as relações humanas.
"No mundo de hoje, porém, as relações pessoais fundamentam-se quase que exclusivamente na ânsia de nos apropriarmos de tanto quanto for possível daquilo que pertence ao próximo, ao mesmo tempo que defendemos com unhas e dentes os nossos próprios interesses. O paradoxo de tal situação é que quanto mais humilhamos nosso semelhante, menos satisfeitos nos sentimos e maior se torna o nosso isolamento". (Tarkovski: 280)
Para os exemplos deste desafio vêm três pessoas muito conhecidas de nossa geração. A primeira é Madre Teresa de Calcutá, por sua afirmação de que em todos os continentes as pessoas sofrem fome de amor e de compreensão, padecendo de solidão e não-aceitação. O segundo é Bertrand Russell com a trilogia que conduziu sua vida (o desejo de ser amado, o desejo de conhecer, e o insuportável pesar pelo sofrimento humano). Por ultimo Wood Allen que luta em todos os seus filmes, tentando encontrar coragem para estabelecer sua vida sobre o amor, como em “Hannah e Suas Irmãs” quando diz: "talvez os poetas estejam certos, talvez o amor seja a única resposta".
Para a Igreja o desafio está na qualidade da vida em comunhão. Precisamos construir modelos de Igreja onde as barreiras que impeçam a verdadeira comunhão sejam quebradas, onde as pessoas possam experimentar relações significativas, num ambiente acolhedor sentindo-se aceitas e amadas.
Na busca por transcendência o Ser Humano procura Deus, na busca por sentido o Ser Humano procura a si mesmo, na busca por comunidade o Ser Humano procura pelo vizinho.
Diante destes desafios e possibilidades, será que estamos em condições de responder a cada um? Seremos relevantes? Estamos dispostos a ouvir a Deus e ao nosso Mundo (“Double Listening”)?
Tarkovski foi enfático sobre a relevância da Igreja nesta situação quando disse:
"Nem mesmo a Igreja é capaz de satisfazer essa sede de Absoluto que caracteriza o homem, pois, infelizmente ela só existe como uma espécie de apêndice, copiando, ou, até mesmo, caricaturando as instituições sociais que organizam nossa vida (...) a Igreja não parece nem um pouco capaz de restabelecer o equilíbrio através do apelo a um despertar espiritual (Tarkovski: 284).
Estaria a análise de Tarkovski correta? Se ele visitasse tua congregação, teria motivos para rever sua posição?
Se ele pudesse andar um tempo contigo, ele encontraria algo capaz de responder a este apelo por transcendência, sentido, e por comunidade? Por onde você deve começar (na leitura, na vida de adoração, na vida em comunhão) para ser um cristão contemporâneo, que tem uma mente enriquecida pelo conhecimento do passado e pela esperança de futuro?
Ziel Machado foi secretário geral da ABUB e atualmente é secretário regional da CIEE para a América Latina.
Fonte: http://www.abub.org.br/
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Protestantismo brasileiro: Uma epopéia abandonada?
Dividimos a história do protestantismo no Brasil em três períodos: o consenso, o dissenso e o confuso.
Fonte: Revista Ultimato - http://www.ultimato.com.br/
via http://praxiscrista.blogspot.com
segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Além de ser uma boa maneira de se comunicar em velocidade e manter-se informado, é ainda um excelente local para você divulgar os posts de seu blog, por exemplo (sobre essa proveitosa interação entre blogueiros e o Twitter, leia dois interessantes textos no blog do Tiago Dória, Aqui e Aqui).
Siga-me no Twitter, e fique atualizado sobre tudo o que rola nos diversos blogs que mantenho, ou onde colaboro, além de receber outras dicas exclusivas:
http://twitter.com/sammisreachers
E a União de Blogueiros Evangélicos também já está lá, acompanhe:
http://twitter.com/ubeblog
sábado, 14 de novembro de 2009
ANTES DE AMARRAR...
Antes de amarrar Satanás, amarre os seus olhos. Se os seus olhos forem maus, o seu corpo todo ficará na escuridão. Olhos altivos, olhos, olhos de cobiça, olhos cheios de adultério, olhos que nunca olham para cima – precisam ser amarrados dia após dia.
Antes de amarrar Satanás, amarre o seu gênio. Se você não suporta um revés, uma ofensa, uma crítica, uma dor – você é incapaz de viver neste mundo. Você não pode pedir fogo do céu para consumir os que não batem palmas para você.
Antes de amarrar Satanás, amarre o pecado que habita em você. Deixe à míngua o apetite da pecaminosidade latente. Castigue o seu corpo e faça dele o seu escravo. Ofereça-o em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus.
Antes de amarrar Satanás, amarre a sua mente. Ela precisa ficar cativa a Cristo. Você não tem o direito de pensar a seu gosto. Você só pode pensar naquilo que é verdadeiro, nobre, correto, puro, amável e de boa fama.
Antes de amarrar Satanás, amarre a sua incredulidade. Ela é um entrave enorme e uma ofensa contra Deus, pois sem fé é impossível agradá-lo. Você não pode raciocinar corretamente se não incluir os recursos da fé na revelação e nas promessas de Deus.
Antes de amarrar Satanás, amarre a sua preguiça. A preguiça faz cair em profundo sono e inventa mil desculpas para você não se mover. Cuidado com a preguiça mental que não deixa ler e estudar a Palavra de Deus. Cuidado com a fé sem obras.
Antes de amarrar Satanás, amarre sua timidez. O exército de Deus não recruta soldados tímidos. Eles não estão aptos para a guerra e ainda contaminam os outros guerreiros. Ouça a pergunta de Jesus: “Por que você está com tanto medo, homem de pequena fé?”
Antes de amarrar Satanás, amarre o seu eu. Você não governa mais a sua vida. Você foi crucificado com Cristo. Assim, já não é você quem vive, mas Cristo vive em você. Você não tem direitos. Convém que Jesus cresça e você diminua.
Antes de amarrar Satanás, amarre a sua vaidade pessoal. A soberba é um pecado latente que precisa ser dominado. É um pecado perigoso. A desgraça está um passo depois do orgulho e logo depois da vaidade vem a queda. O problema é grave demais.
Depois de tudo amarrado, sinta-se à vontade para amarrar Satanás, no sentido de resistir as suas armadilhas e as suas investidas periódicas. Sempre em nome de Jesus!
Elben M. Lenz César - Revista Ultimato
terça-feira, 10 de novembro de 2009
E-book para download livre: RUDIMENTOS, do Pr. Pablo Massolar
Clique aqui ou na imagem do livro para baixá-lo!
O Senhor, que é fonte de todo conhecimento, lhe abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!
Visite o blog do Pr. Massolar: http://ovelhamagra.blogspot.com
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Centenas de imagens de Israel para download














Visite a galeria (escolha as opções de busca): http://gallery.tourism.gov.il/pages/main.aspx
Fonte: Blog IMAGENS CRISTÃS - http://imagenscristas.blogspot.com
*


