quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Feridos e Esquecidos nas Trincheiras - A Igreja e os desviados

 


Por: Luiz Montanini

Publicado originalmente em Revista Impacto

A igreja talvez seja hoje o único exército do mundo cujos soldados não voltam para buscar seus feridos no campo de batalha. Ao contrário, substitui-os rapidamente no batalhão e segue em frente, esquecendo-se que muitos soldados de valor ficaram à beira da morte pelas trincheiras.

Caso o último censo do IBGE tivesse incluído questão sobre o número de “desviados” no Brasil, o resultado seria assustador.

Calcula-se que hoje existam no país entre 30 e 40 milhões de “desviados”. Por “desviados”, entenda pessoas que um dia tiveram seus nomes no rol de membros de algum grupo cristão, mas que hoje estão à margem da vida da igreja.

Estas pessoas — cuja boa parte povoa hospícios e presídios ou, saco às costas, vaga errante à beira de estradas — um dia confessaram alegremente a Jesus Cristo como seu Salvador e Senhor e, no outro, se viram literalmente jogados na sarjeta espiritual.

Nesse contingente de desviados, há casos para todo tipo de pessoas. Do endurecido ao desprezado, do chafurdado na lama pelo engano do pecado ao desesperado para sair dele, mas sem ninguém para estender a mão.

É desta classe de pessoas que trata esta edição. De pessoas desesperadas por uma nova chance, mas sem ter a quem recorrer porque, sabem, o único lugar onde encontrariam novamente a paz para suas almas é a igreja; porém ali, pensam, as pessoas são santas demais (ou se consideram santas demais) para admitir o retorno de um filho pródigo como ele.

Afinal, com ou sem motivo, um dia foram expulsos sumariamente. Seja porque inadvertidamente cortaram os longos cabelos ou caíram em erros considerados “sem volta” por sua igreja, como o adultério. Foram disciplinados, escrachados, alijados da comunhão e, não raro, se excluíram ou foram excluídos. Como Satanás, foram expulsos do paraíso. Como Caim, receberam uma mancha na testa e foram condenados a andar errantes pelo mundo pelo resto de suas vidas miseráveis. O problema é que, em seus casos específicos, não foi Deus o autor do juízo sumário.

Com tamanha carga sobre as costas, voltar é passo difícil – em algumas situações, impossível.

“A própria igreja discrimina os desviados”, constata Sinfrônio Jardim Neto, líder do ministério Jesus Não Desistiu de Você, de Belo Horizonte, dedicado à restauração da vida dos desviados.

“A igreja vê o desviado como se fosse Judas Iscariotes, que traiu a Deus e a igreja. E o trata como se fosse lixo que precisa ser retirado daquele ambiente. Mal sabe que o desviado é como o ouro de Deus que se perdeu na lama podre. Está perdido na lama, mas ainda é ouro e precisa de gente interessada, garimpeiros que estendam a mão e vasculhem até encontrá-lo”.

Uma igreja de 200 membros perde outros 400 em 10 anos

Na próxima vez em que for a um culto, pare um instante e olhe à sua direita e esquerda. Agora, saiba que daqui a dez anos é possível que a senhora, o jovem sorridente e o austero senhor que estão em cadeiras ou bancos, próximos a você cantando louvores, estejam completamente afastados da igreja, amargurados com Deus e entristecidos por algum motivo.

De acordo com estatística do pastor mineiro Sinfrônio Jardim Neto, uma igreja de 10 anos de funcionamento, que tenha mantido média de 200 membros, viu passar por seu rol, ao longo dessa década, o dobro desse número. Uma evasão como essa explica a conta fictícia do parágrafo anterior.

Segundo as contas que têm feito ao longo de suas inúmeras campanhas em igrejas brasileiras desde 1994, quando começou a trabalhar com desviados, 400 pessoas que passaram por uma igreja que tem média de 200 membros estão desviadas hoje.

Em português claro e chocante: a igreja permanece com sua média de 200 membros, substituindo-os naturalmente. Mas essa rotatividade originada na dificuldade de “fechar a porta dos fundos” resulta, ao final de 10 anos, em perda de 200% no número de pessoas.

Esses números, destaca Sinfrônio Jardim, são relativos apenas a desviados. Aqui não estão incluídos outros itens, como mudança de membro para outra igreja.

Expulso da igreja porque não usava chapéu

As causas para o chamado desvio de pessoas na igreja são variadas, explica Sinfrônio Jardim Neto. Desde o abandono da fé, em razão da volta voluntária ao pecado, até a exclusão pela liderança da igreja em decorrência de coisas pequenas, mas consideradas pecados por eles.

Em suas viagens, Sinfrônio Jardim diz que encontra situações de exclusão que seriam hilárias, se não fossem tão perniciosas às vidas das vítimas. Pessoas que foram excluídas por causa do legalismo exacerbado de igrejas, cujos líderes zelosamente disciplinaram com exagero pequenas contravenções. Na ânsia de limpar o pecado, jogaram fora o “pecador” junto com a água suja.

“Vejo gente sofrendo, afastada da igreja por causa de coisas pequenas, como ter cortado o cabelo, ter deixado a barba e até, pasme, por ter sido visto andando de bicicleta. Uma vez, em Campos, no Rio, conheci um homem que foi  expulso da igreja porque não usava chapéu, como ordenava o estatuto da igreja.”

Falsas Profecias, Propaganda Enganosa e Decepção com Deus

Outra causa para a apartheid espiritual de muitos é a decepção com lideranças. O membro procura alguém para confessar uma fraqueza ou pecado e, em vez de perdão e ajuda para vencer o mal, recebe maior condenação.

As profecias falsas são também causa importante de desvio da fé. Inúmeras pessoas naufragam depois de receber profecias falsas. A pessoa tem o filho doente, por exemplo, e recebe uma “palavra de Deus” de cura. Pouco tempo depois, a criança morre. Ela fica desesperada. Ou então ouve que deve se casar com alguém porque é vontade de Deus. Obediente, casa-se e algum tempo depois percebe que a voz ouvida não era da parte de Deus. Em vez de se decepcionar com o homem, decepciona-se com Deus e sai da comunhão, explica o pastor Sinfrônio Jardim.

E há, claro, o grande número de pessoas que se aproximam de Deus seduzidas por propaganda enganosa. Chegam porque alguém lhes prometeu prosperidade aqui e agora, mas não percebem as implicações do discipulado a Cristo. Querem as bênçãos do cristianismo, mas nada de porta estreita e caminho apertado. Querem sair do mundo, mas levar o pecado a reboque. “Querem a salvação, mas não querem largar o pecado”, resume Sinfrônio Jardim.

Por último, a decepção contra o próprio Deus é causa de afastamento de muitos. A pessoa é uma crente fiel e, de repente, alguém a quem ela ama morre, por exemplo. Nesse caso, se não tiver alicerces firmes em Deus, ela culpa a Deus pelo infortúnio. Age como se Deus tivesse sido ingrato com ela, sempre tão fiel e, portanto, a seus olhos, merecedora de recompensa.

Poucas visitas ao desviado – que resultam em ainda maior condenação

Depois que experimentam a expulsão do paraíso, poucos conseguem encontrar lugar de arrependimento. Pior é que se forem depender de boa parte da igreja para isso, já terão na mão o passaporte para o inferno.

Na pesquisa de Sinfrônio Jardim Neto, entre 60% e 70% dos desviados não recebem qualquer visita de líderes ou membros após sair da igreja. São simplesmente descartados ou substituídos por outros membros.

O restante dos desviados (entre 30% e 40%) recebe de uma a três visitas, que se revelam infrutíferas, porque na maioria das vezes a visita é de cobrança ou condenação. Em vez de amar o pecador e odiar o pecado, os visitantes lançam ambos na cova profunda do inferno. Jogam pedra, condenam. Decretam o inferno-já para o pecador. “É como bater de vara sobre a ferida de alguém… o ferimento e a dor só vão aumentar”, compara Sinfrônio Jardim.

Hospícios e presídios estão lotados de ex-crentes

Ainda segundo a pesquisa de Sinfrônio Jardim, existem três lugares onde sempre se pode encontrar desviados: nos hospícios, nos presídios e na mendicância.

“Vá a um hospício e ali você encontrará muita gente internada que recita versos bíblicos e canta canções cristãs. Estas pessoas um dia se afastaram, caíram em pecado e os demônios tomaram conta de sua vida. Ficaram endemoninhadas.

“Depois, visite um presídio e você encontrará inúmeros Josués, Elias e Samuéis. Detentos de nomes bíblicos, que demonstram o berço cristão. Ali você começa a conversar com um deles e descobre que é filho de presbítero de igreja.

“Por último, passe próximo a rodoviárias e estações de trem ou tente conversar com um andarilho de beira de estrada. Pelo menos três entre dez destas pessoas que andam bebendo errantes, sacos de bugigangas às costas, já participaram de uma igreja cristã. Ali, não raro, você encontra homens que um dia ocuparam solenes púlpitos e pregaram o evangelho.”

E por que não voltam? Sinfrônio Jardim entende que a falta de perdão a si mesmo, a falta de perdão por parte da igreja e o entendimento errado de que Deus também não pode perdoar o que praticaram, afastam-nas cada vez mais do ponto de retorno.

“Mais da metade dos que se desviaram tem problemas sérios com o ressentimento e falta de perdão. Não voltam porque não conseguem perdoar, ou não querem perdoar ou acham que não merecem perdão.”

O peso que está sobre a pessoa fica insuportável às vezes, explica Sinfrônio Jardim. Há denominações, por exemplo, que pregam que quem pratica adultério jamais será perdoado. Ora, com um decreto como esse na cabeça, o pecador desiste de qualquer tentativa de reconciliação com o Deus irado que lhe foi pintado e se transforma em um monstro na terra. Passa a praticar os mais baixos pecados, porque, pensa, se já está condenado ao inferno por toda a eternidade, resta aproveitar seus dias na terra.

Poucos saem em busca da ovelha extraviada

Hoje a maioria das igrejas não possui qualquer trabalho específico para trazer suas ovelhas desviadas de volta ao aprisco. Ninguém pensa em deixar suas 99 ovelhas e sair atrás da centésima, extraviada.

Sinfrônio Jardim também tem explicação para esse fenômeno. Afirma que na visão expansionista de muitas igrejas hoje, é pouco lucrativo deixar 99 ovelhas e sair por lugares ermos atrás de uma ovelhinha extraviada, que nem sabe se está viva ou que talvez esteja tão ferida que não tem chance de sobreviver.

Muitos acham que não vale a pena tamanho esforço, que vão perder tempo. E, para aliviar suas consciências, usam o argumento de que a pessoa já conhece a palavra.

Outros chegam a usar versos bíblicos para justificar o esquecimento. “Saíram de nós porque não eram dos nossos…” é um dos mais recitados.

A falta de visão de restauração descrita por toda a Bíblia é ignorada nesses casos. “Buscar ovelhas perdidas é visão antipática em muitas igrejas”, lembra Sinfrônio Jardim. “Isto porque quando o membro sai, geralmente sai falando mal da igreja ou do pastor. Acaba ficando malvisto dentro da própria igreja que, em vez de amá-lo e perdoá-lo, passa a tratá-lo como ovelha negra. Desta forma, quando alguém se dispõe a ir atrás dessa ovelha perdida, torna-se também impopular e corre o risco de ser também malvisto. E poucos estão dispostos a isto.”

Igreja Batista da Lagoinha foi buscar 3 mil desviados

O retorno com sucesso dos desviados à igreja depende basicamente da atitude da igreja. “A porcentagem de desviados que retorna à igreja não passa de 10% no Brasil, mas se a igreja toma uma atitude de ir buscá-los, consegue até 80% de sucesso”, afirma o pastor Sinfrônio Jardim.

Bons exemplos não faltam: a Igreja Batista da Lagoinha, de Belo Horizonte, já reagrupou 3 mil pessoas ao seu rebanho de 30 mil pessoas em pouco mais de dois anos. Ali, o pastor César Teodoro dirige o ministério “A centésima ovelha”, junto com o líder principal da igreja, Márcio Valadão.

A igreja Assembléia de Deus em Brasília, dirigida pelo pastor Elienai Cabral, também tem obtido sucesso no resgate aos seus desviados. Outra Assembléia de Deus, dirigida por Daniel Malafaia, em Campo Grande (MS), alcançou sucesso semelhante.

“Fomos amados. Apenas amados. E isto fez toda a diferença”

O casal Valmir Soares e Alina é exemplo perfeito de filhos pródigos restaurados. Conheceu a Deus, resolveu seguir seus próprios caminhos, reconheceu o estado em que estava, conseguiu forças para voltar, foi recebido com festa e experimentou a restauração em suas vidas, nessa ordem.

A primeira experiência de Valmir e Alina com Cristo aconteceu em 1987. Por um ano e meio, eles se relacionaram com Deus e com a igreja local que freqüentavam, em Campinas, SP. “O problema é que não abri totalmente o coração naquela época. O resultado é que ao longo do tempo fui esfriando, as coisas foram ficando difíceis e, no fim, tomei duas decisões erradas que acabaram me afastando da comunhão.”

“Aí não tem jeito, você entra mesmo no pecado e fica até pior. Comecei a praticar coisas horríveis e a mentir para minha esposa. Quando pensava em voltar, havia sempre a voz acusadora do diabo, dizendo que eu era indigno, que ninguém iria me receber, enfim, que não tinha mais volta. Eu me lembrava dos irmãos, da alegria e do amor que desfrutávamos, mas o pecado me impedia de voltar.”

“Outra coisa que me impedia de voltar era a presunção”, lembra Valmir. “Dizia para mim mesmo, tenho o Senhor na Bíblia… não preciso voltar. Eu não tinha o entendimento de que é o corpo que nos sustenta.”

“Mas aí Deus usou a vida do próprio casal que nos falara inicialmente de Jesus, os irmãos Hélcio La Scala Teixeira e Isabel, hoje pastores em São José dos Campos, SP.”

Valmir relembra: “Um dia, depois de uma conversa franca com eles e de novo convite, eu e minha esposa resolvemos visitar a igreja novamente. Enchemo-nos de coragem e fomos. Era um domingo de setembro, em 1992. Fomos recebidos literalmente como filhos pródigos. A maioria dos irmãos nos abraçou, orou conosco e, pela graça de Deus, fomos tocados novamente. Fiquei mais de uma hora chorando num canto, arrependido.”

Hoje o casal está restaurado e integrado na vida normal da igreja.

“O melhor de tudo”, diz Valmir, “é que em tempo algum recebemos o menor olhar de acusação dos irmãos. Nem mesmo por parte daqueles que tinham nos aconselhado anteriormente e a quem não tínhamos dado ouvidos. Ninguém disse: ‘Eu te avisei’. Fomos amados. Apenas amados. E isto fez toda a diferença.”

Luiz Montanini é jornalista, mora em Valinhos, SP, e é responsável pelo site cristão www.jornalhoje.com.br

Livros de Sinfrônio Jardim Neto que tratam do assunto desviados:

• Jesus Não Desistiu de Você 1 e 2
• Voltei – E Agora?
• Onde Está o Seu Irmão?
(Editora Betânia)

• A Reconquista
(Editora Vida)

Para entrar em contato com o Ministério Jesus não Desistiu de Você:
Tel: (31) 3452 1840
e-mail: daria@prover.com.br
www.jesusnaodesistiudevoce.com.br

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UM DESVIO MONSTRUOSO

• Estima-se que haja hoje, apenas no Brasil, entre 30 milhões e 40 milhões de pessoas que um dia freqüentaram alguma igreja evangélica.

• Uma igreja de 10 anos que manteve média de 200 membros viu passar por seu rol o dobro desse número. Isto é, 400 pessoas que passaram por essa igreja estão desviadas hoje.

• A porcentagem de desviados que retorna à igreja não passa de 10% no Brasil.

• Entre 60% e 70% dos desviados não receberam qualquer visita de líderes ou membros quando decidiram sair da igreja.

• Entre 40% e 30% receberam de uma a três visitas, que se revelaram na maioria das vezes de cobrança ou condenação.

• Hospícios e presídios são os lugares de destino de boa parte dos desviados.

• De cada 10 andarilhos, 3 freqüentaram uma igreja evangélica um dia.

• A maioria dos desviados (acima de 50%) é afetada pelo ressentimento com sua liderança.

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Estatística dos Desviados

O número estimado de 30 milhões a 40 milhões de desviados no Brasil não é corroborado pela Sepal — Serviço de Evangelização Para América Latina. Missão internacional estabelecida no Brasil há mais de 30 anos, a Sepal tem um departamento especialmente voltado a pesquisas relacionadas ao meio cristão no Brasil e na América Latina.

A secretária do departamento de pesquisas da Sepal, Mércia Carvalhaes, explica que hoje no Brasil nenhuma instituição possui números oficiais sequer sobre a quantidade de cristãos no Brasil e muito menos sobre o número de desviados.

“Concordamos que há muitos desviados no Brasil, mas é impossível dimensionar a quantidade”, afirma Mércia Carvalhaes. “Seria necessário fazer pesquisa específica sobre isso. E não conhecemos ainda nem os números dos evangélicos. Queremos saber primeiro onde estão as igrejas e as pessoas que realmente as freqüentam, para então levantar outros dados, como o de desviados, por exemplo.” O movimento Brasil 2010, também da Sepal (www.brasil2010.org), está tentando localizar as igrejas evangélicas no Brasil.

“Ora, se não sabemos quantos somos, como saberíamos o número de desviados?”, pergunta Mércia Carvalhaes. “O que sabemos apenas é que os evangélicos no Brasil constituem 17% da população.” O fato é que 17% da população brasileira correspondem a cerca de 30 milhões de crentes e que desse universo, muitos se desviaram.

A pesquisadora da Sepal informa que nem mesmo a pesquisa do IBGE é confiável, porque os recenseadores da pesquisa em 2000 não foram treinados para ver as diferenças de religião. Ainda assim, ressalva, os dados do IBGE são os únicos disponíveis.


sábado, 31 de janeiro de 2026

21 Dias buscando a sabedoria no livro de Daniel - Devocional (Dica de leitura)



Este devocional foi elaborado para guiar a leitura do livro do profeta Daniel em 21 dias, convidando o leitor a mergulhar em oração e reflexão diária. Cada capítulo apresenta o texto bíblico, observações espirituais e comentários que servem como complemento, sem jamais substituir a ministração do Espírito Santo. 

Embora o livro de Daniel seja marcado por revelações escatológicas e debates sobre autoria, contexto histórico e interpretações, o propósito central deste devocional é conduzir a uma experiência de edificação espiritual e prática cristã. Além das meditações, o material oferece pesquisas históricas e teológicas que enriquecem a compreensão do cenário vivido por Daniel, fortalecendo o estudante da Palavra de Deus em sua fé e conhecimento.

Escrito pela historiadora Érika Gomes, 21 Dias Buscando a Sabedoria no livro de Daniel mescla, de uma forma toda especial, a profundidade do estudo bíblico e escatológico com a leveza do devocional.

O livro está disponível em formato impresso e eletrônico (e-book).

O e-book pode ser adquirido na Amazon (clique aqui) ou na play store do Google (clique aqui).

O livro impresso pode ser adquirido no site da Editora Uiclap, clicando aqui.


quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Ele frequentava a igreja há anos, mas não via diferença em sua vida - Ilustração

 


O caminho é este. Você decide se quer ou não percorrê-lo.

 

Durante anos, nos cultos de sua antiga congregação, o velho pastor observou a presença de um jovem que nada falava e que parecia indiferente a tudo. Entrava, assistia aos cultos, meio alheio, saía. Não costumava participar dos eventos externos, batismos, retiros. Certa noite, o jovem chegou um pouco mais cedo e ao encontrar o pastor sozinho, arrumando as coisas no altar, aproximou-se dele, interpelando-o:

– Pastor, há muitos anos venho à sua igreja e tenho reparado no grande número de obreiros e obreiras ao seu redor e no número ainda maior de leigos, homens e mulheres. Alguns deles alcançaram plenamente a realização. Qualquer um pode comprovar isso. Outros experimentaram certa mudança em sua vida. Também hoje são pessoas mais livres e felizes.

Mas, senhor, também noto que há um grande número de pessoas, entre as quais me incluo, que permanecem como eram ou que talvez estejam até pior. Não mudaram nada, ou não mudaram para melhor. Por que há de ser assim, mestre? Por que o senhor não usa do seu poder e da sua unção para libertar a todos?

O pastor sorriu e perguntou:

– De que cidade você vem?

– Eu venho de Camboriú, pastor, a trezentos quilômetros daqui.

– Você ainda tem parentes ou negócios nessa cidade?

– Sim, mestre. Tenho parentes, amigos e ainda mantenho negócios em Camboriú, de modo que frequentemente vou para lá.

– Então, meu jovem, você deve conhecer muito bem o caminho para essa cidade.

– Sim, mestre, eu o conheço perfeitamente. Diria que até com os olhos vendados eu poderia achar o caminho para Camboriú, tantas vezes o percorri.

– Deve, então, acontecer de algumas pessoas às vezes o procurarem, pedindo-lhe que lhes explique o caminho até lá. Quando isso ocorre, você esconde alguma coisa delas ou explica-lhes claramente o caminho?

– O que haveria para esconder, mestre? Eu lhes explico claramente o caminho, de maneira a não deixar nenhuma dúvida.

– E essas pessoas às quais você dá explicações tão claras... todas elas chegam à cidade?

– Como poderiam, mestre? Somente aquelas que percorrem o caminho até o fim é que chegam a Camboriú.

– É exatamente isso que quero lhe explicar, meu jovem. As pessoas vêm a mim sabendo que sou alguém que já percorreu o caminho e que o conhece bem. Elas vêm a mim e perguntam: “Qual é o caminho para a salvação? E como ter e manter uma correta vida cristã”? E o que há para esconder? Eu lhes explico claramente o caminho. Se alguém simplesmente abana a cabeça e diz “Ah, um lindo caminho, mas não me darei ao trabalho de percorrê-lo”, como essa pessoa pode chegar ao seu destino? Eu não carrego ninguém nos ombros. Ninguém pode carregar ninguém nos ombros até o seu destino. No máximo, é possível dizer:

“Este é o caminho e é assim que eu o percorro. Se você também trabalhar, se também caminhar, certamente atingirá o seu destino”. Mas cada pessoa deve percorrer o caminho por si, sentir cada um dos seus passos. A salvação, pregada coletivamente, é individual; e individual também é a cruz de cada um.

Quem deu um passo está um passo mais próximo. Quem deu cem passos está cem passos mais próximo. Parece um paradoxo? Marchamos juntos, mas você tem que percorrer o seu caminho por si só. Não posso dar passos por você. Posso apontar, com palavras e exemplos, a direção.

Recriada a partir de ilustração presente no livro Como Atirar Vacas no Precipício, de Alzira Castilho.


domingo, 18 de janeiro de 2026

Modelo de Agenda Missionária (Planner) para download

 



Veredas Missionárias traz, pela graça de Deus, um novo recurso gratuito para você: Um planner missionário. Ferramenta cada vez mais presente no dia a dia das pessoas, do executivo à dona de casa, um planner permite organizar, segmentar e rememorar atividades, projetos e compromissos de uma forma prática e, por que não, bonita.



Nosso planner possui páginas como Caderno de IntercessãoIntercedendo pelos Missionários (com espaço para inserção de informações, foto etc.), Organização FinanceiraEsboços para Pregações, Metas para propagar o Evangelho e muitas outras, e ainda TRINTA E UMA páginas em estilo agenda/diário, cada uma com um versículo da base bíblica de missões, e também uma frase missionária DIFERENTES. Assim, você tem um mês de páginas, e, se desejar, pode imprimir o quantitativo de um ano inteiro, compondo assim uma verdadeira agenda missionária anual. 

E lembre-se: Você pode imprimir apenas as páginas/seções que lhe forem úteis. O planner apresenta 11 seções diferentes.

Um recurso GRATUITO para você usar e compartilhar.

Baixe o arquivo em PDF do seu planner pelo Google Drive, CLICANDO AQUI.


segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

E se eu me cansar de ficar no céu?

 


E se eu me cansar de ficar no céu?

Larry Libby

Se você está pensando que pode cansar-se ou aborrecer-se de ficar no céu... não se preocupe! Tente imaginar uma coisa comigo. Imagine que você é um passarinho que vive em uma pequenina gaiola feita de metal enferrujado. Dentro da gaiola, há um pratinho de alimento, um espelho pequeno e um minúsculo poleiro para você se balançar.

Um dia, uma pessoa bondosa pega sua gaiola e a leva para uma floresta grande e linda. A floresta é banhada pelos raios do sol. Árvores altas, imponentes, cobrem os montes e vales até onde sua vista consegue alcançar. Há cascatas volumosas, amoreiras cobertas de amoras maduras, árvores frutíferas, tapetes de flores silvestres e um lindo e imenso céu azul para você voar. E, além de tudo isso, há milhões de outros passarinhos...

    pulando de galho em galho

      comendo tudo o que gostam

        criando suas famílias

          cantando a plenos pulmões

            durante o dia inteiro.

E agora, passarinho? Você acha que vai querer continuar dentro de sua gaiola? Acha que vai dizer: "Oh, por favor, não me solte. Vou sentir falta de minha gaiola. Vou sentir falta de meu pratinho com sementes. Vou sentir falta de meu espelho de plástico e de meu pequenino poleiro. Vou me cansar de ficar naquela enorme floresta."

Seria uma tolice, não? Também é uma tolice pensar que não teremos nada para fazer no céu!

 Do livro Histórias para o Coração (org. de Alice Gray)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Uma Igreja que casou-se com o Sistema



 Pastor João A. de Souza Filho


Eu tinha apenas sete anos de idade quando minha mãe aceitou a Cristo numa denominação pentecostal. Lá se vão quase cinqüenta anos! A exigência de se viver um padrão cristão e a disciplina rígida a que nos submetemos desde os primeiros dias da Escola Dominical marcaram nossas vidas.

Hoje consigo perceber os resultados no seio da família: Cansada e numa cadeira de rodas, mamãe não consegue dimensionar o rastro de seu testemunho: 1 filho pastor e escritor, uma filha esposa de pastor e pregadora, seis netos no ministério em tempo integral, afora tantos outros filhos, noras, genros, netos e bisnetos comprometidos em suas congregações com o evangelho de Cristo Jesus!

No decorrer dos anos entendi que o mundo olha para a igreja esperando nela ver um diferencial, um estilo de vida que contraste com o estilo de vida da sociedade.

O mundo costumava ver a igreja sob a ótica do respeito, de vida transformada, de gente diferente, de pessoas de bens - de cujo seio saiam empregados submissos, donde empregadas domésticas eram requisitadas, de gente que pagava em dia suas contas - em que o dono do armazém vendia fiado na caderneta sabendo que receberia seu dinheiro.

No dizer de Pedro, sem amoldar-se às paixões da vida mundana que tínhamos antes de receber a Cristo (1 Pe 1.14). No dizer de Paulo, viver sem conformar-se com esse mundo (Rm 12.2) mostrando ao mundo "como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade" (1 Tm 3.15).

Recordo-me que em 1962 quando a igreja pentecostal foi grandemente perseguida em Porto Alegre pelos meios de comunicação contrários à realização de uma campanha evangelística, um cidadão foi para o rádio defender os crentes. Sua defesa: os crentes eram seus melhores funcionários!

No entanto, no decorrer dos anos a igreja incorporou em seu seio os valores mundanos, a filosofia do mundo, seus modismos, deixando-se levar ao sabor do sistema. Confundiu contextualização com contemporização - não soube trabalhar no contexto da sociedade e acomodou-se à sociedade que ela tanto insiste em mudar.

Ainda hoje o mundo espera ver na igreja o diferencial entre aquilo que frustradamente vive e o que espera encontrar na igreja - e quase não o encontra! Os pastores, antes serviçais, em cujas casas os pobres do bairro encontravam lenitivo e alimento, escassearam!

No lugar desses surgiram pastores sonhadores de riquezas, profetas balaônicos de olho nos presentes de Balaque; ricos, abastados, vivendo em condomínios fechados, alienados da própria membrezia, vivendo na opulência e no fausto. Alguns optaram por uma teologia de prosperidade que contrasta com a simplicidade de se viver o evangelho.

Vivem longe de suas paróquias, enquanto no passado o certo era viver entre os paroquianos, entre as pessoas do mesmo bairro. O pastor outrora tão presente no lar dos fiéis, são vistos de longe, e na imensidão de seus templos parecem figuras minúsculas gesticulando no púlpito, a menos que sejam projetados no telão ou vistos na tela da tevê.

A nova geração de crentes - cujos avós eram tão pobres, mas fiéis - melhorou de vida, subiu socialmente para a classe média e, até mesmo alguns ricos despontaram no cenário evangélico. Membros de igrejas, antes considerados proletariados, prosperaram, e hoje fazem parte da nata industrial e comercial da nação, no entanto, muitos deles se esqueceram dos exigentes padrões bíblicos: tratam seus funcionários da mesma maneira - quando não pior - que os patrões mundanos.

Aliás, alguns empresários que não se confessam cristãos têm ótima reputação dos seus funcionários; por outro lado, alguns crentes sequer querem trabalhar para empregadores evangélicos. Da mesma forma, os empregados evangélicos perderam o respeito e já não se submetem aos patrões como é ensinado no Novo Testamento. Costumam ser piores do que os descrentes.

Para encobrir o que somos, criamos a moda gospel, buscando parecer que o estilo de vida cristã, sua música e mensagem tenham adquirido nova roupagem. Pelo menos existe o charme glamouroso (desculpe-me o pleonasmo) na substituição do termo em português pelo inglês! E a geração gospel vai para a televisão falar de Cristo e do novo nascimento, literalmente sem roupagem alguma!

Mulheres sensuais e seminuas com um palavreado profano - não que queiramos que todos aprendam o evangeliquês - afirmam ser membros dessa ou daquela igreja. Não apenas as mulheres, mas também os homens confundem pelo visual e palavreado a mensagem do evangelho!

Apesar da obscenidade e do mundanismo que repugna o mais vil pecador, seus pastores sorriem e caladamente consentem, afinal o nome de sua igreja e seus nomes podem ser ouvidos pela mídia nacional. Outros, vestindo a roupagem tradicional dos evangélicos, sugam dos pobres o dinheiro e os bens em troca de um compromisso com Deus!

Além destes, surgiram pastores, pregadores e cantores, em todas as denominações, que mesmo sem aquela extravagante aparência, sem as requebradas coreografias e palavreado mundano - mantendo a antiga forma de vestir e o visual tradicional dos crentes - mas que em nada diferem em seu comportamento e moral daqueles que não conhecem a Jesus, nem por ele foram transformados, agregam-se à classe vil protagonizada por Jezabel e Balaão.

Seus cachês são os mais altos e seu comportamento, pior! São pessoas que, mesmo mantendo a postura evangelical, a aparência tradicional, repito, encaixam-se perfeitamente no perfil traçado por Pedro e Judas (2 Pe 2.10-22 e Jd 8-16).

A opção de ser crente, de ser um fiel discípulo de Jesus - às vezes uma decisão difícil sabendo-se que há um preço a ser pago em seguir a Jesus - já não é levado em conta por boa parte dos que se dizem cristãos, por pessoas que dão péssimo testemunho, pois seu comportamento no campo de sua atividade profissional contradiz seu palavreado e suas afirmações de fé. E isso vai do carpinteiro ao artista, da empregada doméstica ao famoso atleta, do estudante ao político.

Algumas igrejas parecem ter perdido o rumo. A quantidade de divórcios entre seus membros é testemunha gritante de como o evangelho diluiu-se no meio de uma sociedade paganizada. A santidade de alguns jovens que se propõem viver castos até o casamento é motivo de chacota no seio da própria congregação.

À essas igrejas, aos seus pastores, cantores, líderes e políticos cristãos, o profeta ergue a voz em protesto!

A mensagem de Amós precisa ecoar novamente na igreja, pois tem uma palavra de alerta aos membros da comunidade da fé. Ele não apenas diria "afasta de mim o estrépito dos teus cânticos; porque não ouvirei as melodias da tua lira" (Am 5.23), acrescentaria:

"Afaste de mim o palavreado das mensagens que você prega, pois fecho os ouvidos quando você sobe no púlpito; cerro os olhos para não ler o que você escreve; detesto quando você menciona o meu nome; sua música é muito linda, sua banda é perfeita, sua voz belíssima, mas o som de sua melodia chega aos meus ouvidos desafinado pelo estilo de vida perverso que você tem; o cheiro que você exala provoca-me náuseas...".

Amós clama pelas ruas:

"Vocês oprimem o pobre e o forçam a dar-lhes trigo" - (Am 4.11), isto é, sugam dos pobres todo o dinheiro que eles têm para satisfazer os desejos pessoais de vocês, para construir suntuosas catedrais e comprar aptos. e terras. "Vocês oprimem o justo, recebem suborno e impedem que se faça justiça ao pobre nos tribunais" (4.12b), isto é, vocês os mantêm sob o jugo da autoridade, ameaçando-os e intimidando-os com a possibilidade de exclusão pública do rol de membros. A opressão da vara do pastor, de todas, é a pior!

Amós clama na igreja:

"Vocês se deitam em camas de marfim e se espreguiçam em seus sofás" (6.4), enquanto os pobres da igreja dão duro e trabalham; enquanto seus obreiros andam em ônibus lotados, à pé, suando para fazer a obra de Deus, vocês como líderes, do alto de sua autoridade, descansam no sofá repassando um a um as centenas de canais de tevê, deleitando-se em viagens, dormindo nos mais caros hotéis e freqüentando os shoppings da moda.

Ele diz aos cantores e grupos que cobram altos cachês para se apresentarem nas igrejas:

Vocês "dedilham suas liras como Davi e improvisam em instrumentos musicais" (Am 6.5), mas não têm o coração de Davi; buscam, isso sim, seu próprio bem-estar e, depois de cantarem e louvarem nos cultos das igrejas ou nos festivais, fecham atrás de si as portas do quarto de hotel e deleitam-se na fartura da melhor comida e das bebidas mais caras, quando não em orgias sexuais!

"Vocês bebem vinho em grandes taças - não apenas vinho mas toda sorte de bebidas caras e finas nas festas de gente ímpia que detesta o nome de Cristo - e se ungem com os mais finos óleos - têm aparência de possuir grande unção e poder, confundem poder e unção com habilidade e profissionalismo; fazem do ministério seu ganha-pão - mas não se entristecem com a ruína de José - isto é, vocês não choram, nem clamam, nem jejuam, nem se importam com a ruína da igreja e do mundo! Pensam apenas em vocês mesmos!" (Am 6.6).

A bússola da verdade deve urgentemente ser consultada para que a igreja ande na rota traçada por Deus! Quando isso acontecer, o mundo voltará a olhar a igreja como uma sociedade séria, diferenciada; como sociedade que tem rumo próprio.

Políticos evangélicos, firmem-se na verdade, pois o mesmo Deus que vocês alegam que servem, haverá de sacudir os fundamentos da estrutura política, como tantas vezes o fez, expondo-lhes à ignomínia. A mídia que vocês tanto amam é laço que lhes prenderá os pés; mordaça que lhes impedirá de falar; espinho que lhes cegará os olhos - essa mesma mídia impedir-lhes-á a caminhada, mas por certo, se vocês tiverem temor de Deus, haverão de se firmar no Senhor, servindo-lhe e apenas a ele de todo o seu coração!

"Ouçam esta palavra, vocês (...) que estão no monte de Samaria - Os políticos. Vocês que estão em posição de autoridade, nas casas do povo - vocês que oprimem os pobres e esmagam os necessitados - cujos altos salários contrastam com o pobre salário mínimo, e com o baixo reajuste salarial dos velhos e velhas aposentados, vocês que dizem - tragam bebidas e vamos beber - isto é, que vivem em festas, no meio da fartura" (Am 4.1). Ganham altos salários para fazer pequenos discursos nas Assembléias e Câmaras do povo. Até quando suportará Deus o hálito das festas e da embriagues?

As eleições estão chegando e teremos que suportá-los novamente bafejando o odor do mundo de Maquiavel sobre os púlpitos de nossas igrejas! Será insuportável, uma vez mais, observar pastores, cantores e líderes seguindo o curso do mundo governado pelo diabo - seguindo a carreira do mundo!

Que Deus tenha misericórdia de nós e abra-nos os olhos para enxergarmos na sua bússola o Norte a seguir. Que a igreja volte a andar no caminho da santidade e se diferencie do mundo ao seu redor!


segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Ele queimou a santa, ou: Aprenda a valorizar o homem

 


Ele queimou a santa, ou: Aprenda a valorizar o homem

Numa fria noite de inverno, um asceta errante pediu abrigo em um mosteiro jesuíta, instalado no sopé da cordilheira do Himalaia. O pobre homem tremia de frio na neve, por isso o prior do mosteiro, embora relutasse em deixá-lo entrar, disse:

– Muito bem, pode ficar, mas só por esta noite. E deve dormir no pátio, pois não há lugar vago no interior do mosteiro; nós somos um mosteiro de clausura, e pessoas estranhas não podem adentrar nossas portas. Tome esta pele de iaque, cubra-se com ela. Pela manhã terá de ir embora.

Na calada da noite, o sacerdote ouviu um estranho barulho crepitante. Correu ao pátio do mosteiro e deu com algo inacreditável: o estranho se aquecendo em uma fogueira que acendera e... estava faltando a estátua de um santo de madeira!

O sacerdote perguntou, aflito:

– Onde está a estátua?

O andarilho apontou para a fogueira e disse:

– Pensei que este frio fosse me matar... Não havia lenha no pátio; toda a construção é feita de pedra e alvenaria. Eu estava tremendo demais. Temi a morte.

O sacerdote gritou:

– Ficou louco?! Sabe o que fez? Era uma estátua de Santa Edwiges! Sacrilégio! Você queimou uma santa!

O fogo se extinguia aos poucos. O maltrapilho olhou para as chamas e começou a remexer nelas com o cajado.

– O que está fazendo agora?! – vociferou o sacerdote.

– Meu senhor, estou procurando os ossos da santa que você diz que matei.

– Maldito! Essa imagem era sagrada, e você cometeu uma grande ofensa contra a santa e contra todos neste mosteiro!

– Me perdoe; achei que era apenas um boneco de madeira, e há aqui tantas estátuas... Acreditei mesmo que este lugar fosse uma fábrica delas, já que há tantos homens dentro dessas portas, e não pude imaginar outra ocupação para tantos homens ficarem reunidos e selados. Rogo seu perdão. No entanto, sua religião me surpreende: Valoriza uma estátua morta mais que a um homem vivo.


Recriada a partir de uma fábula oriental, encontrada no livro Como Atirar Vacas no Precipício, de Alzira Castilho


segunda-feira, 10 de novembro de 2025

DISTRIBUINDO LITERATURA EVANGELÍSTICA – DICAS DE GEORGE VERWER

 

DISTRIBUINDO LITERATURA – DICAS DE GEORGE VERWER


Embora a distribuição de folhetos possa parecer simples à primeira vista, na verdade, pode ser um pouco difícil. Entregar um folheto a um passante é uma coisa, mas entregá-lo de forma a levar a pessoa lê-lo é outra muito diferente. Embora nosso contato com aquele indivíduo seja bastante breve, ele pode ter efeitos duradouros, positivos ou negativos. Damos abaixo algumas sugestões práticas, que consideramos bastante úteis para se fazer uma distribuição mais proveitosa.

 

1. ESTAR BEM ARRUMADO E COM BOA APARÊNCIA

Infelizmente, alguns crentes se descuidam muito da aparência, tornando-se desmazelados. E nisso não existe nenhuma virtude. Paulo disse que fez-se "tudo para com todos" a fim de ganhar alguns para Cristo. Precisamos estar sempre bem arrumados, se é que desejamos ganhar um mundo que se interessa apenas por aquilo que tem uma boa apresentação exterior. As pessoas nos julgam pela nossa aparência, e sua avaliação a nosso respeito muitas vezes vai determinar se querem ou não ler o folheto que estamos oferecendo.

 

2. MOSTRAR-SE BEM HUMORADO E AMIGÁVEL

Um simples sorriso, às vezes, pode ter uma importância básica no fato de alguém aceitar e ler um exemplar da literatura evangélica. É difícil resistir a um sorriso, e uma aparência feliz é essencial para se obter sucesso na distribuição.

 

3. TER UMA ATITUDE CALMA E SEM TEMORES

As pessoas logo percebem quando outra está temerosa e pouco à vontade. Se, ao distribuirmos folhetos, tivermos uma atitude intranquila, de quem deseja sair correndo, os outros nos julgarão mais como um indivíduo que deve ser levado para um asilo de loucos. Devemos fazer a distribuição de literatura como quem está distribuindo notas de cem reais para os pobres. O evangelho é boas-novas. Ele é o poder de Deus para a salvação, portanto sejamos destemidos e arrojados.

 

4. DAR À PESSOA QUE ESTÁ RECEBENDO O FOLHETO A IMPRESSÃO DE QUE ELA ESTÁ-NOS PRESTANDO UM FAVOR.

A maioria das pessoas não gosta de reconhecer que precisa de auxílio espiritual. Muitas vezes, mesmo sem o perceber, elas se dispõem a ajudar a outrem, principalmente se essa ajuda não exigir muito tempo e esforço. Ao entregar o folheto, se dissermos: "Muito obrigado", tornamos mais difícil uma recusa. Talvez seja a melhor coisa para se dizer, principalmente se estamos num lugar movimentado e há muitos passantes. Outras sentenças que podemos dizer ao apresentarmos folhetos são as seguintes:

a) — Olhe aqui um folheto para você ler quando chegar em casa. Obrigado!

b) — Olhe aqui uma coisa muito importante para você ler. Obrigado!

c) — Já recebeu um folheto desses? Provavelmente a pessoa dirá que não, ou então perguntara: "O que é isso?" Então, entregamos-lhe o folheto, dizendo: — É uma oferta muito importante, que você precisa conhecer.

d) — Olhe aqui um panfleto pra você. Obrigado!

e) — É de graça! (Isso pode ser dito quando se aproxima um grupo grande de pessoas e não temos tempo para maiores explicações.)

 

5. LEVAR LITERATURA ÀS PESSOAS

Não esperemos que as pessoas venham a nós e nos peçam os folhetos. Nós é que temos de ir a elas, entregando-lhes os folhetos, como que já esperando que elas o aceitem. Quando alguém recusar, podemos dizer uma das seguintes frases:

a) — É de graça. Ou então — Não paga nada.

b) — Pegue, por favor. Você o lerá num instante.

c) — Pode pegar. Não pesa nada. — Se conseguirmos que a pessoa ria, geralmente ela pega o foIheto. O bom humor pode derrubar a barreira da recusa.

Nunca devemos obrigar ninguém a aceitar um folheto.  Se não conseguirmos convencer a pessoa a aceitá-lo, devemos dizer: "Bem, obrigado assim mesmo.''

 

6. CERTIFICAR-SE DE QUE O FOLHETO É REALMENTE BOM

É de grande importância que distribuamos folhetos bem escritos e bem impressos. O ideal é que seja escrito por uma pessoa do próprio país onde será distribuído. E quando não, deve ser adaptado especialmente ao povo do lugar. Sempre que possível, deve ser impresso no próprio país, para que não tenha características estrangeiras, como por exemplo, Printed in USA.

Devemos verificar se não está cheio de erros tipográficos ou gramaticais. O folheto precisa conter uma mensagem teologicamente correta, mas, ao mesmo tempo, uma linguagem simples que o homem da rua possa compreender.

É importante lembrar também que as pessoas são diferentes, e que os tipos de folhetos devem corresponder a essas diferenças. Portanto, é bom levar sempre consigo um bom número de folhetos “sortidos”, para usar em contatos pessoais, dando a cada pessoa o que melhor atende às suas necessidades espirituais. Por isso, acredito que a melhor maneira de se distribuir literatura é por intermédio do contato pessoal. Deste modo, podemos procurar saber qual é o problema mais sério daquele indivíduo e oferecer um folheto adequado a ele.

Quando selecionamos folhetos para distribuição generalizada, devemos ter em mente tanto o contato inicial, como o objetivo de plantar uma semente no coração de quem o ler. Nesses últimos anos, temos sentido que os que produzem os melhores resultados são as "cartas-folheto". Esses folhetos são feitos sob a forma de uma carta, onde geralmente se apresentam várias razões por que a pessoa deve escrever de volta, a fim de receber mais informações sobre a Bíblia ou sobre o plano da salvação. Ele deve conter uma espécie de cupom, com espaço para colocar nome e endereço, que a pessoa deve enviar ao remetente solicitando mais literatura evangélica. Geralmente, aqueles que enviam o cupom recebem um curso por correspondência. Esse é um dos melhores métodos de se distribuir literatura evangélica [hoje em dia, na era da internet, é possível colocar um link, QR Code e endereço de e-mail para que a pessoa busque retornar o contato inicial].

 

7. PRONTOS PARA IR?

Onde podemos ir? Alguns lugares a que podemos ir são os seguintes:

a) Estação rodoviária ou ferroviária. As pessoas que ali se encontram provavelmente estão aguardando o momento do embarque, e portanto têm mais chance de ler. Pode ser que o segurança da estação lhe peça para sair. Se isso acontecer, aceite sua palavra simpaticamente.

b) De casa em casa. Em minha opinião, este é o melhor método de distribuição em alguns países. Eu aconselharia a falar mais demoradamente com as pessoas, sempre que Deus nos der a oportunidade. Na visita de casa em casa, podemos também tentar a venda de livros. Nas ocasiões em que desejarmos distribuir o máximo possível em tempo limitado, podemos simplesmente colocar folhetos na caixa de correspondência.

c) Mercados. Em muitos países, o mercado é um lugar excelente, pois ali há sempre muitas pessoas. E muitas delas colocam os folhetos nas sacolas de compra, para lerem ao chegar em casa.

d) Numa esquina ou praça. Desejando-se uma distribuição rápida, este é o melhor lugar, principalmente durante a hora do rush. Contudo, depois que o movimento diminui, podemos atingir um maior número de pessoas, se as procurarmos pessoalmente, em vez de permanecermos parados num lugar só, dando folhetos apenas àquelas que passam por nós. É muito fácil ficarmos preguiçosos, depois de passarmos algumas horas parados numa esquina. Mas essa nossa preguiça pode implicar em que várias pessoas fiquem perdidas por toda a eternidade. Sabendo que um homem está perdido e que Cristo o ama e morreu por ele, devemos fazer tudo que pudermos para ganhá-lo para o Senhor.

e) Ônibus e trens, etc. Estes são os lugares ideais para distribuirmos folhetos. Podemos ir caminhando de uma ponta a outra do trem, um sorriso no rosto, dando a todas as pessoas uma literatura qualquer para ler na viagem. Isso exigirá de nós um pouco de destemor, mas, se Deus não nos der um destemor santo, nunca pregaremos o evangelho ao mundo todo.

f) Hospitais, prisões e outras instituições. Nesses casos, precisamos obter permissão para fazer a distribuição. Se a conseguirmos, temos uma excelente oportunidade de divulgar o evangelho.

g) Universidades, escolas e repartições. Devemos ir a esses lugares no horário em que as pessoas estão saindo. Em geral, os jovens são mais prontos a receber a literatura do que os adultos. Mas, por outro lado, podem também rir e zombar. Em momentos assim, temos que nos voltar para Deus e pedir-lhe graça.

h) Pelo correio. As cartas-folheto são as moio res para serem enviadas pelo correio, e geralmente ' dão melhor resultado quando distribuídas dessa for ma. Existem muitos meios de obtermos nomes e endereços, entre os quais a lista telefônica e os jornais, ou mesmo a internet.

 

8. AONDE FORMOS.

Aqui está o segredo da distribuição da Palavra de Deus. Imaginemos se todos os crentes distribuíssem literatura em todos os lugares a que fossem. A distribuição de folhetos seria uma prática normal de nossa vida, e não um esforço especial durante uma campanha evangelística. Seria ato praticado o tempo todo, onde quer que estivéssemos.

Muito mais ainda poderia ser dito acerca da distribuição de literatura, mas o principal é que, antes de qualquer coisa, comecemos a agir. A experiência é nosso melhor mestre. Podemos ler livros e livros sobre o assunto, mas nenhum deles será melhor que sairmos e entrarmos em ação.

Milhares de pessoas têm sido salvas como resultado do trabalho da distribuição de livros, folhetos e cursos de correspondência. E milhões de pessoas poderiam ser ganhas por este método. O grande empecilho somos nós. Se não nos dispusermos a ir e perseverar nesse ministério, esses milhões não serão alcançados com a mensagem. Uma coisa é distribuir folhetos numa semana de campanha especial. Outra muito diferente é usarmos todas as nossas horas de folga para fazer essa distribuição, apresentando Cristo a todos que dele precisam, lembrando sempre que cada pessoa com quem falamos é tremendamente importante, e estando prontos a seguir com o trabalho de consolidação com aqueles que revelarem interesse na mensagem.


George Verwer, no livro Evangelismo pela Literatura.

Via blog Veredas Missionárias