Ler a Passagem Bíblica 50 vezes
Preparação para Pregar ou Ensinar
“Goteje a minha doutrina como a chuva, destile o meu dito como o orvalho,
como chuvisco sobre a erva e como gotas de água sobre a relva. Porque
apregoarei o nome do Senhor;
dai grandeza a nosso Deus. Ele é a Rocha cuja
obra é perfeita, porque todos os
seus caminhos juízo são; Deus é a
verdade, e não há nele injustiça; justo e reto é”.
Dt. 32:2-4
Ler a mesma passagem bíblica cinquenta (50) vezes é uma
disciplina clássica e transformadora (não é um número obrigatório total,
mínimo, máximo ou mágico; é apenas um referencial). Isso satura sua mente
com as Escrituras e permite que o texto fale primeiro ao seu próprio coração
antes de ser transmitido. Ore (1) antes pedindo
que o Espírito Santo ilumine o significado da mensagem, (2) durante suas leituras/estudos e (3) depois que terminar.
Nota: Antes de focar especificamente no texto escolhido faça a Leitura Zero.
Leitura Zero (Leituras de Panorama/Ambientação): Leia ao
menos duas ou três vezes todo o capítulo anterior ao texto escolhido, o
capítulo seguinte (se houver) e também o capítulo inteiro do próprio
texto escolhido, caso tenha escolhido somente alguns versículos.
Agora, vamos ao
seu texto escolhido!
Para otimizar
e ajudar nessa prática, siga este ciclo sugerido de leituras abaixo:
· Leituras 1 a 10 (Visão Geral):
Leia
em voz alta para ouvir a sonoridade do texto. O objetivo aqui é apenas
assimilar a narrativa ou o argumento, sem se preocupar em tirar conclusões
precipitadas. Deixe o texto falar por si. Será muito bom também ler de uma vez só (além das 10 básicas) em diferentes
traduções para captar o sentido geral e o fluxo da narrativa
· Leituras 11 a 20
(Observação):
Leia fazendo
perguntas investigativas: Quem? O quê? Quando? Onde? Como? Por quê? Observe as
transições, conjunções (mas, portanto, contudo, porém, logo, por isso, também,
embora, etc.), comparações e repetições de palavras. Tente dividir o texto em
blocos lógicos (início, meio e fim) para entender como o autor desenvolve o
pensamento.
Analise
o significado dos termos originais e as referências cruzadas. Este é o momento
de consultar dicionários bíblicos e de Português, concordâncias/chaves bíblicas
ou comentários para esclarecer termos difíceis.
· Leituras 21 a 30
(Contexto):
Preste atenção
aos versículos anteriores e posteriores para entender o objetivo real do autor. Comece a observar os detalhes e a estrutura lógica. Identifique quem está falando,
para quem, onde se passa
a cena e qual é o problema ou a instrução
central. Comece a traçar um esboço natural da passagem.
Conecte o trecho com o restante
do capítulo e do livro. Ler o que vem antes e depois impede que você tire versículos do contexto. Use comentários e ferramentas de estudo para checar o contexto histórico e cultural.
· Leituras 31 a 40
(Meditação):
Leia
em voz alta, pausadamente. Deixe o Espírito Santo iluminar o texto e confrontar
sua própria vida.
Permita que o texto fale ao
seu próprio coração antes de pregar aos outros. Pergunte-se: O que Deus quer mudar em mim com essa
passagem? A mensagem precisa transformar o pregador antes de impactar a igreja.
Antes de pregar para os outros,
a mensagem deve transformar você. Pergunte-se: O que Deus
está me ensinando com isso? Como isso confronta ou encoraja a minha
própria vida hoje?
· Leituras 41 a 50
(Formulação):
Busque identificar
a "grande ideia" e estruturar os pontos principais da sua mensagem. Agora que o texto está enraizado em você,
leia focado em como transmití-lo de forma clara, simples, com muita firmeza e
entusiasmo para a congregação.
Leia com foco no que o
texto exige de você e dos ouvintes.
Ore pedindo que o Espírito Santo
ilumine o significado da mensagem.
Indo além (I)
Seja aluno assíduo, pontual e dedicado na EBD de sua
igreja. Valorize os cultos de ensinamentos, estudos ou palestras. Compare suas
ideias com as de outros sermões (em estudos,
esboços, etc.) usando
a mesma passagem
somente depois de fazer todo este preparo
pessoal. Busque livros, comentários bíblicos, de editoras e autores
confiáveis. Prefira textos para ler que possuam
fontes. Evite usar coisas prontas
como ponto de partida/modelo/base.
Lendas,
ilustrações, boatos, “historinha de crentes”, “dizem ser assim”, “ouve-se muito”, “muitos dizem”, “todos dizem”, “a
maioria ensina assim” e outros
O
Espírito Santo: (1) nunca necessitou, (2) não necessita e (3) continuará não
necessitando da maior parte de nossas ajudas “cheias de boas intenções”. Convencer os corações é papel somente dele!
Zele a todo custo pela total honestidade intelectual,
doutrinária, de realizações/atos de pessoas, grupos
ou entidades (sempre
dar os créditos devidos), de fatos em geral (ciências, cultura, sociedade, governos,
etc.). Não aceite créditos/aplausos por aquilo que não fez!
Nunca tente nem deseje
empurrar uma ideia sua (ou de
superiores) para os ouvintes. Caso seja realmente necessário citar algumas desconfianças, achismos, preferências pessoais suas ou de terceiros, destaque
isto muito bem e não aproveite o
“flutuar das ideias” nas mentes para costurar conclusões corrompidas, falsas,
inconsistentes ou até mesmo levianas.
Cuidado com aquilo que parece fato: Altas
possibilidades/probabilidades, maiores índices de aceitação (ou vendas), número
de público, gosto pessoal, tradição cultural, regional, histórica ou
ministerial, não transforma algo narrado em fato concreto por mais agradável
que seja!
Você é mensageiro das Escrituras Sagradas, não um
vendedor ou negociante oportunista. Seja humilde,
inclusive, para confessar publicamente seus equívocos passados de ensinos,
pensamentos, raciocínios, etc.
Nunca (nunca!) ouse citar como sendo verdade aquilo que você não sabe a origem, ainda que tenha sido seu pastor
ou mestre preferido quem te passou a
história suspeita. Não confie nos pressupostos
“alguém deve ter conferido”, “ninguém passaria isso adiante sem confirmar”,
“fulano é entendido/estudado; ele só passaria coisas legítimas”, “ele é de confiança”.
Se você não tem
como conferir os fatos (Onde
aconteceu? Quando?), você se tornará
um fofoqueiro, boateiro ou até semeador de mentiras, aflições, desesperos ou
pânico!
Indo além (II)
1) Faça uma gravação em áudio de sua apresentação (palestra, mensagem, pregação
ou aula) completa (prévia)
para poder ouvir a si mesmo, observando:²
-
Palavras que
só dá para escutar a metade ou nada.
- Manias (chiados
na fala, excesso
de destaque ao falar os “s”, etc.).
-
Repetições vazias: “é, né”, “tá?”, “glória a Deus, aleluia
Jesus”.
-
Nervosismos, entre outros.
- Seja natural, mas
não seja enfadonho: voz arrastada, muito corrida ou afobada, dando berros,
fazendo sussurros, falando alto ou com o microfone colado na boca. Faça o
máximo para não imitar trejeitos (“clonar”) ou mensagens de outros.
2) Seja aberto
para ouvir pessoas
dando opiniões (pitacos, dicas, alertas)
Você não é obrigado a obedecer cegamente qualquer
coisa que te digam, mas anote a dica delas para avaliar calmamente, mesmo se forem
críticas duras*. Seja cortês, equilibrado e humilde ao ouvir.
Agradeça, independente do que ela tenha dito!
* Busque conselhos com um ministro
mais experiente e idôneo.
3) Cuidado dobrado
com áudios, vídeos
e animações (mesmo se não houver toques
de IA)!
Evite mensagens corridas, curtas, cheias de efeitos,
lendas, “causos”, piadinhas ou firulas (vozes empostadas, luzes, berros,
caretas, pregadores parecendo dançarinos) e/ou “maceteadas” (“impactantes”, com
mais foco no pregador, suas andanças e em sua exibição do que no Evangelho de
Jesus Cristo), com títulos apelativos, conquistas financeiras, especialmente
do Facebook, Instagram, Youtube, Whatsapp, etc.
4) Após tudo isto será
muito bom uma sequência extra de leituras seguidas do texto em voz alta sem pausas (10, 20 ou 30
leituras, por exemplo).
5) Guarde seu esboço
escrito, as anotações relacionadas e alguns dos áudios (último e penúltimo) para futuros aprimoramentos e comparações de suas evoluções. Acrescente data,
horário, locais e circunstâncias. Em alguns casos extremos poderão servir
como provas documentais/proféticas!
“Tu, porém, tens observado a minha doutrina, procedimento, intenção, fé, longanimidade, amor, perseverança”.
II Tm 3:10
“Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste
inteirado, sabendo de quem o tens aprendido”.
II Tm 3:14
“Tu, porém, sê sóbrio
em tudo, sofre
as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério”.
II Tm 4:5
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¹ Por Robson Costa (robsontj.projetos@gmail.com): pesquisa, edição, correções
e revisões e Paulo
Bernardes (pcesarbernardes@bol.com.br): revisão final.
RJ, em 20/07/2026.
² Nem sempre conseguimos
perceber certos detalhes ou falhas quando falamos (quando lembramos de
corrigir, nem sempre
a correção funciona) e por vezes não teremos oportunidades de tentar corrigir.
Quando fazemos gravações temos muito mais chances de correções
(regravações). Quando escutamos as gravações estamos fazendo profundas
revisões, descobertas e aperfeiçoamentos!








