quarta-feira, 22 de julho de 2026

A técnica de ler uma passagem bíblica 50 vezes: Depurando os tesouros da Escritura (Preparação para pregar ou ensinar)

 


Ler a Passagem Bíblica 50 vezes

Preparação para Pregar ou Ensinar

 

 Robson Costa¹

 

“Goteje a minha doutrina como a chuva, destile o meu dito como o orvalho, como chuvisco sobre a erva e como gotas de água sobre a relva. Porque apregoarei o nome do Senhor; dai grandeza a nosso Deus. Ele é a Rocha cuja obra é perfeita, porque todos os seus caminhos juízo são; Deus é a verdade, e não há nele injustiça; justo e reto é”.

Dt. 32:2-4

 

Ler a mesma passagem bíblica cinquenta (50) vezes é uma disciplina clássica e transformadora (não é um número obrigatório total, mínimo, máximo ou mágico; é apenas um referencial). Isso satura sua mente com as Escrituras e permite que o texto fale primeiro ao seu próprio coração antes de ser transmitido. Ore (1) antes pedindo que o Espírito Santo ilumine o significado da mensagem, (2) durante suas leituras/estudos e (3) depois que terminar.

 

Nota: Antes de focar especificamente no texto escolhido faça a Leitura Zero.

 

 

Leitura Zero (Leituras de Panorama/Ambientação): Leia ao menos duas ou três vezes todo o capítulo anterior ao texto escolhido, o capítulo seguinte (se houver) e também o capítulo inteiro do próprio texto escolhido, caso tenha escolhido somente alguns versículos.

 

 

Agora, vamos ao seu texto escolhido!

Para otimizar e ajudar nessa prática, siga este ciclo sugerido de leituras abaixo:

 

 

·  Leituras 1 a 10 (Visão Geral):

Leia em voz alta para ouvir a sonoridade do texto. O objetivo aqui é apenas assimilar a narrativa ou o argumento, sem se preocupar em tirar conclusões precipitadas. Deixe o texto falar por si. Será muito bom também ler de uma vez só (além das 10 básicas) em diferentes traduções para captar o sentido geral e o fluxo da narrativa

 

 

·  Leituras 11 a 20 (Observação):

Leia fazendo perguntas investigativas: Quem? O quê? Quando? Onde? Como? Por quê?

Observe as transições, conjunções (mas, portanto, contudo, porém, logo, por isso, também, embora, etc.), comparações e repetições de palavras. Tente dividir o texto em blocos lógicos (início, meio e fim) para entender como o autor desenvolve o pensamento.

Analise o significado dos termos originais e as referências cruzadas. Este é o momento de consultar dicionários bíblicos e de Português, concordâncias/chaves bíblicas ou comentários para esclarecer termos difíceis.

 

·  Leituras 21 a 30 (Contexto):

Preste atenção aos versículos anteriores e posteriores para entender o objetivo real do autor.

Comece a observar os detalhes e a estrutura lógica. Identifique quem está falando, para quem, onde se passa a cena e qual é o problema ou a instrução central. Comece a traçar um esboço natural da passagem.

Conecte o trecho com o restante do capítulo e do livro. Ler o que vem antes e depois impede que você tire versículos do contexto. Use comentários e ferramentas de estudo para checar o contexto histórico e cultural.

 

 

·  Leituras 31 a 40 (Meditação):

Leia em voz alta, pausadamente. Deixe o Espírito Santo iluminar o texto e confrontar sua própria vida.

Permita que o texto fale ao seu próprio coração antes de pregar aos outros. Pergunte-se: O que Deus quer mudar em mim com essa passagem? A mensagem precisa transformar o pregador antes de impactar a igreja.

Antes de pregar para os outros, a mensagem deve transformar você. Pergunte-se: O que Deus está me ensinando com isso? Como isso confronta ou encoraja a minha própria vida hoje?

 

 

·  Leituras 41 a 50 (Formulação):

Busque identificar a "grande ideia" e estruturar os pontos principais da sua mensagem.

Agora que o texto está enraizado em você, leia focado em como transmiti-lo de forma clara, simples e impactante para a congregação.

Leia com foco no que o texto exige de você e dos ouvintes. Ore pedindo que o Espírito Santo ilumine o significado da mensagem.

 

 

Indo além (I)

 

Seja aluno assíduo, pontual e dedicado na EBD de sua igreja. Valorize os cultos de ensinamentos, estudos ou palestras. Compare suas ideias com as de outros sermões (em estudos, esboços, etc.) usando a mesma passagem somente depois de fazer todo este preparo pessoal. Busque livros, comentários bíblicos, de editoras e autores confiáveis. Prefira textos para ler e que possuam fontes. Evite usar coisas prontas como ponto de partida/modelo/base.

 

 

Lendas, ilustrações, boatos, “historinha de crentes”, “dizem ser assim”, “ouve-se muito”, “muitos dizem”, “todos dizem”, “a maioria ensina assim” e outros

 

O Espírito Santo: (1) nunca necessitou, (2) não necessita e (3) continuará não necessitando da maior parte de nossas ajudas “cheias de boas intenções”. Convencer os corações é papel somente dele!

Zele a todo custo pela total honestidade intelectual, doutrinária, de realizações/atos de pessoas, grupos ou entidades (sempre dar os créditos devidos), de fatos em geral (ciências, cultura, sociedade, governos, etc.). Não aceite créditos/aplausos por aquilo que não fez!

 

Nunca tente nem deseje empurrar uma ideia sua (ou de superiores) para os ouvintes. Caso seja realmente necessário citar algumas desconfianças, achismos, preferências pessoais suas ou de terceiros, destaque isto muito bem e não aproveite o “flutuar das ideias” nas mentes para costurar conclusões corrompidas, falsas, inconsistentes ou até mesmo levianas.

Cuidado com aquilo que parece fato: Altas possibilidades/probabilidades, maiores índices de aceitação (ou vendas), número de público, gosto pessoal, tradição cultural, regional, histórica ou ministerial, não transforma algo narrado em fato concreto por mais agradável que seja!

Você é mensageiro das Escrituras Sagradas, não um vendedor ou negociante oportunista. Seja humilde, inclusive, para confessar publicamente seus equívocos passados de ensinos, pensamentos, raciocínios, etc.

Nunca (nunca!) ouse citar como sendo verdade aquilo que você não sabe a origem, ainda que tenha sido seu pastor ou mestre preferido quem te passou a história suspeita. Não confie nos pressupostos “alguém deve ter conferido”, “ninguém passaria isso adiante sem confirmar”, “fulano é entendido/estudado; ele só passaria coisas legítimas”, “ele é de confiança”.

Se você não tem como conferir os fatos (Onde aconteceu? Quando?), você se tornará um fofoqueiro, boateiro ou até semeador de mentiras, aflições, desesperos ou pânico!

 

 

Indo além (II)

 

1) Faça uma gravação em áudio de sua apresentação (palestra, mensagem, pregação ou aula) completa (prévia) para poder ouvir a si mesmo, observando:²

 

- Palavras que só dá para escutar a metade ou nada.

- Manias (chiados na fala, excesso de destaque ao falar os “s”, etc.).

- Repetições vazias: “é, né”, “tá?”, “glória a Deus, aleluia Jesus”.

- Nervosismos, entre outros.

- Seja natural, mas não seja enfadonho: voz arrastada, muito corrida ou afobada, dando berros, fazendo sussurros, falando alto ou com o microfone colado na boca. Faça o máximo para não imitar trejeitos (“clonar”) ou mensagens de outros.

 

2) Seja aberto para ouvir pessoas dando opiniões (pitacos, dicas, alertas)

 

Você não é obrigado a obedecer cegamente qualquer coisa que te digam, mas anote a dica delas para avaliar calmamente, mesmo se forem críticas duras*. Seja cortês, equilibrado e humilde ao ouvir. Agradeça, independente do que ela tenha dito!

 

* Busque conselhos com um ministro mais experiente e idôneo.

 

3) Cuidado dobrado com áudios, vídeos e animações (mesmo se não houver toques de IA)!

 

Evite mensagens corridas, curtas, cheias de efeitos, lendas, “causos”, piadinhas ou firulas (vozes empostadas, luzes, berros, caretas, pregadores parecendo dançarinos) e/ou “maceteadas” (“impactantes”, com mais foco no pregador, suas andanças e em sua exibição do que no Evangelho de Jesus Cristo), com títulos apelativos, conquistas financeiras, especialmente do Facebook, Instagram, Youtube, Whatsapp, etc.

 

4) Após tudo isto será muito bom uma sequência extra de leituras seguidas do texto em voz alta sem pausas (10, 20 ou 30 leituras, por exemplo).

 

5) Guarde seu esboço escrito, as anotações relacionadas e alguns dos áudios (último e penúltimo) para futuros aprimoramentos e comparações de suas evoluções. Acrescente data, horário, locais e circunstâncias. Em alguns casos extremos poderão servir como provas documentais/proféticas!

 


“Tu, porém, tens observado a minha doutrina, procedimento, intenção, fé, longanimidade, amor, perseverança”.

II Tm 3:10

 

“Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o tens aprendido”.

II Tm 3:14

 

“Tu, porém, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério”.

II Tm 4:5

 

Se desejar, baixe este artigo em PDF pelo Google Drive, CLICANDO AQUI.

________________________________________


¹ Por Robson Costa, (robsontj.projetos@gmail.com) em 20/07/2026 (pesquisa, edição, correções e revisões).

² Nem sempre conseguimos perceber certos detalhes ou falhas quando falamos (quando lembramos de corrigir, nem sempre a correção funciona) e por vezes não teremos oportunidades de tentar corrigir. Quando fazemos gravações temos muito mais chances de correções (regravações). Quando escutamos as gravações estamos fazendo profundas revisões, descobertas e aperfeiçoamentos!

 

Nenhum comentário: