Mostrando postagens com marcador 500 anos de Reforma Protestante. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 500 anos de Reforma Protestante. Mostrar todas as postagens

domingo, 11 de outubro de 2020

Livro gratuito reúne 365 Citações de Martinho Lutero mais as 95 Teses - Baixe o seu

        Há poucos anos comemoramos nada menos que quinhentos anos de Reforma Protestante. Assim, redondos, perfeitos. Quinhentos anos depois, devemos ter e manter por mote capital o lema proposto pelo reformador holandês Gisbertus Voetius (1589-1676): “Ecclesia Reformata et Semper Reformanda Est” (“A Igreja é reformada e está sempre se reformando”). A frase significa que a obra da Reforma não está concluída, mas persevera ou deve perseverar em seu avanço em direção à verdade e à vivência de um cristianismo a cada dia mais bíblico (há quem utilize o termo apostólico, perfeitamente válido) e equilibrado.

        Se a Reforma representou um retorno ou reaproximação à verdade, tal verdade deve ser comunicada com urgência e ímpeto; ímpeto maior do que o daqueles que comunicam o engano, cada vez maior, em cada vez mais variadas formas. Cremos que a Reforma é um movimento engendrado em Deus, peça de perfeito encaixe dentro de seu Kairós, seu tempo; movimento que aponta para conserto dos agentes e engajamento na ação, ou seja, reerguimento da Igreja e/para o cumprimento da Grande Comissão. Assim, a Reforma é um prenúncio da volta do Rei, e um movimento fundamental de seu glorioso retorno.

      No Brasil atual, as mais diversas instituições, sejam eclesiásticas, para-eclesiásticas ou seculares, realizam eventos e  publicações em celebração e memória à vida e obra de Lutero. Digno de nota são os esforços da Igreja de Confissão Luterana do Brasil, de cujo site coligimos mais de metade das frases aqui veiculadas, bem como o texto das 95 Teses.

      Este breve e-book, em sua humildade, simplicidade e gratuidade, vem somar-se ao volume de realizações em comemoração ao 503º aniversário da Reforma Protestante. E proporcionar a todos um singelo aprofundamento no pensamento daquele que, apoiado nos ombros de gigantes, verdadeiramente deflagrou a Reforma ensaiada por muitos, dos quais diversos pagaram a ousadia com sua própria vida.

Sammis Reachers, editor

PARA BAIXAR O LIVRO PELO SITE GOOGLE DRIVE, CLIQUE AQUI.


quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Textos de Lutero: Morrer em paz



Leia em sua Bíblia: Lucas 2.20-32
Simeão tomou o menino nos braços e louvou a Deus”. (v. 28)

O inocente Rei e Sacerdote jaz sob a lei; o Senhor se torna escravo e servo de todos nós; queira Deus que vejamos esse Rei com a mesma fé que teve o santo Simeão.
Esse homem idoso tomou a criança em seus braços, alegrou-se e seu coração se renovou nessa imensa alegria; alegrou-se tanto que não conseguiu nem escreve nem falar. Pois, vendo essa criancinha, foi o seguinte que passou em seu coração: tenho em meus braços uma pequena criança, de apenas seis semanas, desconhecida do mundo; no entanto, é o verdadeiro Salvador, o verdadeiro Tesouro que há muito esperava. Nem príncipe, nem imperador, nem rei repararia neste criança. Seu coração, porém, que a conhecia muito bem, alegrou-se tanto que ninguém se admiraria se tivesse morrido de alegria. Pois seu desejo foi cumprido de tal modo que não apenas pôde ver a criança, mas também pôde tomá-la nos braços. Essa alegria o faz dizer:
Este é o tesouro que alegra e me torna a morte amena. Vejam o que se passa no coração desse ancião. Ele sabe que chegou a hora da morte e quer partir em paz. Essa é a grande palavra, cheia de conforto, palavra maravilhosa – morrer alegre e em paz. De onde consegue uma morte agradável assim? Isso provém unicamente da criança. Quem já viu uma morte assim? Repare-se naqueles que confiam nas obras – será que também morrem em paz?



 

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Textos de Lutero: Porque na mão do Senhor há um cálice



Leia em sua Bíblia: Salmo 75
Porque na mão do Senhor há um cálice, cujo vinho espuma, cheio de mistura; dele, dá a beber; sorvem-nos até as escórias, todos os ímpios da terra”. (v. 8)

Deus jamais abandona os seus a ponto de não lhes mostrar nesta vida como ele se comisera deles. Assim, Davi foi expulso de seu reino e, novamente, empossado. O rei Ezequias adoeceu mortalmente e, depois, recobrou a saúde. O povo judeu, disperso entre os povos pagãos, retornará a sua pátria. Mas nesse ponto também tem seu lugar a fé que espera por socorro. Pois a ajuda não está sempre à mão quando dela necessitamos ou a desejamos. É verdade, nada mais maravilhoso haveria no céu e na terra do que a palavra sem a cruz. No entanto, esse gozo não duraria muito, visto que a natureza não suporta por muito tempo a alegria e o gozo. Assim, já diz o provérbio: “O homem suporta tudo, menos dias bons; hão que ser pernas fortes as que suportam dias bons”. Por essa razão, também apimentou um pouco esse doce e amável tesouro, e lhe deu um gostinho picante de vinagre e mirra, para que não enjoemos dele. Pois, “azedo dá apetite”, diz o adágio. Do mesmo modo, os incômodos da vida fazem com que o coração seja tanto mais alegre e radiante e tenha cada vez mais sede desse tesouro. Pois seu poder se sente e se reconhece na medida em que se busca consolar o coração em Deus. Assim, diz um salmo: a palavra é um vinho puro que embriaga a alma; no entanto, ainda vem misturado com sofrimento, para conservar o apetite.

 

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

As Virtudes Teologais reunidas em livro de citações - Amor, Esperança e Fé


      Amor (ou caridade), Esperança e Fé: As três principais virtudes cristãs, conforme arroladas pelo apóstolo Paulo no décimo terceiro capítulo da Primeira Carta aos Coríntios, um dos ou talvez mesmo o mais belo capítulo de todo o Novo Testamento. Os católicos chamam-nas de virtudes teologais, que seriam infundidas por Deus no homem, e cuja ação é complementada pelas virtudes cardinais (prudência, justiça, fortaleza e temperança).
      Este pequeno e-book surge por ocasião das comemorações dos 500 anos da Reforma Protestante, deflagrada pelo monge agostiniano Martinho Lutero. Nesta breve seleta, reunimos nada menos que setecentas e cinquenta citações, duzentas e cinquenta abarcando cada uma das virtudes. São textos notadamente de autores cristãos (reformados e de outras vertentes), mas não somente; autores de outras confissões religiosas aqui comparecem, e mesmo agnósticos e livres pensadores os mais diversos, contribuindo para o entendimento e a reflexão plurais sobre tais temas de infindável profundidade. Assim, mesmo focado na seara cristã, esta pequena antologia é de valia para todo tipo de leitor, todo aquele que tem sua atenção capturada pelo mundo das ideias.
      “Mas, as virtudes teologais: o que tem isso a ver com a Reforma?”, perguntará o leitor mais desatento. E que foi a Reforma, senão um retorno ou esforço de retorno aos fundamentos da fé cristã uma vez perdidos ou obnubilados? Anseio desesperado de tornar às bases e raízes que foram amortecidas ou banidas em troca de conceitos débeis e prostituídos? Se assim entendermos, percebemos que nada há de mais basilar em nossa crença do que o consórcio destas três virtudes capitais. São elas que garantem a simplicidade revolucionária da mensagem dAquele que se ofereceu na cruz.
      Como editor e antologista, esta é minha singela forma de celebrar o reempoderamento da verdade manifesta no entendimento do suficiente poder salvífico da fé, herança maior da Reforma. E também um presente aos leitores.
      Entendo a fé como certeza alicerçante, base de todas as bases, chão do ente feito à imagem de Deus. A esperança é uma rebelião contra um status, revolta primeva e perene contra uma maldição herdada no Éden, que seja, a morte (Gn 3). Esperança é rebelião contra a Queda, contra a sua consequência: Deus puniu e não há recuo, mas ainda assim Deus encontrará em amor uma forma de nos remir. E o elo de tudo, o amor, ah... como escrevi algures, prefaciando o livro de um amigo: Este mistério fundacional da espécie [e do cosmos], a um tempo barco e co-navegante com o Homem sobre o mar do Tempo, esta magna transcendência que desvela o motivo de ser do próprio Universo, o Amor é âmago e imago (imagem) das razões de Deus.  
      Que esta pequena seleta seja de proveitosa e edificante leitura a você, amigo leitor.  Mais que um livro a ser lido, nosso esforço foi para tornar este pequenino volume um livro a ser revisitado.

Sammis Reachers, editor

Para baixar o livro pelo Google Drive, CLIQUE AQUI.
Para baixar o livro pelo Scribd, CLIQUE AQUI.
Para baixar o livro pelo Slideshare, CLIQUE AQUI.
Para baixar o livro pelo 4Shared, CLIQUE AQUI.

Colabore conosco, repassando este e-book para seus amigos e contatos. Você pode ainda disponibilizá-lo para download (sempre gratuitamente) a partir de seu site ou blog. E caso não consiga realizar o download, e queira receber o arquivo por e-mail, escreva para: sreachers@gmail.com

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Textos de Lutero: Subiste às alturas, levaste cativo o cativeiro


Leia em sua Bíblia: Salmo 68.1-18
Subiste às alturas, levaste cativo o cativeiro; recebeste homens por dádivas, até mesmo rebeldes, para que o Senhor Deus habite no meio deles”. (v. 18)

Cristo venceu e prendeu morte e pecado, de modo que já não podem governar nem vencer sobre nós como faziam antes. Diariamente, Cristo os julga e condena pelo evangelho, como os que não têm poder sobre nós. Eles já estão no fim e logo se acabarão.
Cristo se voltou contra o muito poderoso herói e gigante que o desafiou na luta: a lei. Quando ressuscitou dos mortos, Cristo o derrotou. Nosso pecado está amarrado com laços e está preso. O pecado gostaria de ser solto e andar livremente. Mas contra isso temos que lutar. Quando, pois, o diabo quer entristecer a você e tirar-lhe a fé, busque novas forças na fé, defenda-se corajosamente e responda: Vá embora, Satanás, e cale a boca. Meu Senhor Jesus Cristo que me salvou, vive.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Textos de Lutero: Ele é como a árvore



Leia em sua Bíblia: Salmo 1
Ele é como a árvore que no devido tempo dá o seu fruto”. (v. 3)

Que jóia de palavra amável! Com ela, confirma-se a liberdade da justiça cristã. Os ateus supersticiosos têm seus dias certos, suas épocas determinadas, as obras ordenadas e lugares escolhidos aos quais estão escravizados de tal forma que não se deixam separar deles, ainda que seu próximo morra de fome. Esse homem bem-aventurado do salmo, porém, é livre e disposto a toda hora, a toda obra, em toda parte, para com qualquer pessoa; sem qualquer situação que apareça, ele serve, e o que lhe aparecer, ele o faz. Mas é nada especial e nem quer sê-lo. Traz o seu fruto a seu tempo, ambos os frutos – em relação a Deus, sempre que o momento o exige, e em relação aos homens, sempre que necessitem de seu serviço e esforço. Por essa razão, também seu fruto não tem nome, nem ele próprio tem nome; igualmente, suas correntes de água não têm nome; e assim não serve a uma só pessoa, apenas em determinada época, nem em lugar especial, nem com uma só obra, mas serve a todos, em toda parte e em todas as coisas, e é, de fato, um homem disposto a toda hora para todo e qualquer serviço a toda e qualquer pessoa, quando, para que e como se necessita dele e, segundo a imagem de Deus, ele é tudo e sobre todas as coisas.


quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Livro gratuito Pais da Reforma Protestante em 200 Frases

      


      Este é um livrinho singelo. São apenas 39 páginas, reunindo citações de temática diversificada da lavra daqueles que chamamos de Reformadores, tais como Lutero, Calvino e Zwinglio, e também dos assim chamados Pré-Reformadores, como Savonarola, Huss e Wycliffe, cujo esforço e eventual martírio foram precursores da Reforma maior que havia de vir.

      Neste ano comemoramos nada menos que quinhentos anos de Reforma Protestante. Assim, redondos, perfeitos. Por ocasião de tal efeméride, devemos ter por mote capital o lema proposto pelo reformador holandês Gisbertus Voetius (1589-1676): “Ecclesia Reformata et Semper Reformanda Est” (“A Igreja é reformada e está sempre se reformando”). A frase significa que a obra da Reforma não está concluída, mas persevera ou deve perseverar em seu avanço em direção à verdade e à vivência de um cristianismo a cada dia mais bíblico (há quem utilize o termo apostólico, perfeitamente válido) e equilibrado.

      Se a Reforma representou um retorno ou reaproximação à verdade, tal verdade deve ser comunicada com urgência e ímpeto; ímpeto maior do que o daqueles que comunicam o engano, cada vez maior, em cada vez mais variadas formas. Cremos que a Reforma é um movimento engendrado em Deus, peça de perfeito encaixe dentro de seu Kairós, seu tempo; movimento que aponta para conserto dos agentes e engajamento na ação, ou seja, reerguimento da Igreja e/para o cumprimento da Grande Comissão. Assim, a Reforma é um prenúncio da volta do Rei, e um movimento fundamental de seu glorioso retorno.

      No mais, aqui estão: os pais reformadores, em suas próprias palavras.


Para baixar o e-book pelo site Google Drive, CLIQUE AQUI.
Para baixar o e-book pelo site 4Shared, CLIQUE AQUI.
Para baixar o e-book pelo site Scribd, CLIQUE AQUI.
Para baixar o e-book pelo site SlideShare, CLIQUE AQUI.

domingo, 6 de agosto de 2017

Textos de Lutero: A palavra do Senhor é reta



Leia em sua Bíblia: Salmo 33
A palavra do Senhor é reta o seu proceder é fiel”. (v. 4)

Isto é verdade e jamais falha. O que Deus promete, sejam coisas terrenas ou eternas, isso ele cumpre, e o concede fielmente. E cumpre suas promessas de modo tão maravilhoso que vai além de toda compreensão. Essa confiança é certa. E você, cumpra tranqüilamente seu dever e confie sem vacilar e fielmente nele. Essa promessa divina é uma certeza além de todas as medidas, preciosa, rica e forte. Ela não deixa ninguém cair nem espernear na incerteza. Se você reconhece o sacramento como sendo uma promessa e não um sacrifício, você tem a certeza de que Deus é verdadeiro e não pode mentir, um Deus que cumpre o que promete. E, assim, você o terá e encontrará quando tem esse conceito dele e quando crê. E quando percebe que nada mais lhe oferece do que graça, verá com a mente alegre e aliviada que ele nada exige de você – por exemplo, que lhe ofereça sacrifício ou lhe dê algo –, mas que o atrai com amor e amabilidade, incitando-o a aceitar o que lhe presenteia.


quinta-feira, 6 de julho de 2017

Textos de Lutero: Deus não se afasta de ninguém



Leia em sua Bíblia: Salmo 22.1-21

Por que se acham longe de meu salvamento as palavras de meu bramido?” (v. 1)



Deus não se afasta de ninguém, pois está presente em toda parte. Por isso, quando Deus o abandonou, também Cristo e sua palavra estavam longe do seu salvamento que estava em Deus e permaneceu próximo. Pois ser abandonado por Deus nada mais é do que sair da vida e da salvação para uma terra estranha da morte e do inferno, coisa que ninguém entende, a não ser que sinta também o mesmo medo e aflição. Pois quem poderá entender a unidade destas duas verdades: em Deus está próxima a salvação, em nós está muito distante? Portanto, quando sofremos, estamos longe da salvação; Deus, porém, está próximo para nos ajudar. O que a nós é impossível e nos leva ao desespero, para ele é possível e até fácil. Estar longe da salvação provém unicamente da nossa fraqueza. E fraqueza nada mais é do que sentir dor e angústia.


domingo, 25 de junho de 2017

Lutero: Atleta de Cristo


Lutero: Atleta de Cristo
P. em. Dr. Martim N. Dreher (Portal Luteranos
Lutero teve formação como monge. Quis ser obediente, pobre, casto, afastar-se do mundo e rezar. O mosteiro era ilha isolada. Havia obediência aos superiores e o monasticismo tinha longa história. Foi dos grandes poderes do Ocidente. Mas teve seu fim com o movimento de Lutero. Ordens religiosas continuaram a existir após a Reforma, mas não tinham mais a importância de outrora.
O monge assumia a castidade e negava a sexualidade. Rompia com o temporal, dedicando-se apenas à contemplação do Eterno. Não fazia mais parte da história de gerações: não gerava filhos. Após anos de isolamento monástico, Lutero ficou confuso ante o mundo e seus desafios e ansiou pela tranquilidade do mosteiro.
Os primeiros eremitas eram “anacoretas”, pessoas que fugiam dos pesados impostos, se ocultavam no deserto, onde polícia alguma se aventurava a procurá-los. Não produziram livros. As informações que temos deles vêm de lendas. No deserto, rezavam e dedicavam-se a tecer esteiras. Únicos companheiros eram os demônios que os visitavam com frequência, pois a ascese não evitava as tentações. E eles queriam ser tentados. Pediam pela graça de poderem morrer pela espada, mas os demônios preferiam torturá-los e matá-los lentamente. Sangravam a alma ao invés do corpo.
Tortura preferida dos demônios era a sexualidade. Desde os monges egípcios a humanidade passou a considerar mulheres como a origem do mal. Essa ideia tomou conta do cristianismo. As tentações de Santo Antão, para o qual o diabo sempre se apresentava na forma de bela mulher, foram lidas nos mosteiros. O antifeminismo tem sua história, e em seu decorrer foi amenizado pela devoção a Maria. Mas não desapareceu por completo e se manifestou especialmente nas Regras das Ordens Religiosas. A regra dos agostinianos considerava pecado fitar mulher, e os confrades estavam obrigados a denunciá-lo, seguindose: prisão com os pés algemados, a pão e água.
Lutero afirma não ter olhado para mulher nem mesmo quando lhe ouvia confissão. Estava mais preocupado com outra questão. Não era muito chegado a visões e arrebatamentos, oferecidos pela mística da época, com suas fantasias sexuais, nas quais o noivo Cristo era beijado, e acariciado em casamentos místicos. Lutero não seguiu essa tendência. O pouco tempo em que “namorou” com a mística alemã, foi quando buscava acesso direto a Deus.
Para Lutero, “libido” envolvia o ser humano como um todo e toda a sua vida. “Carne” é a pessoa com todas as suas qualidades que são o contrário de uma alma que busca Deus. Quando fala de sua tentação, fala de ira, impaciência, cobiça. Jamais vai dizer que a libido é a maior delas.
Lutero está repetindo a relação dos sete pecados capitais segundo o catálogo de monges que buscavam vida perfeita diante de Deus: soberba, inveja, ira, indiferença, avareza, gula, luxúria. Após o vício maior, a soberba, seguem os vícios da área espiritual e, depois, os três vícios da vida corporal. Não recitava todos eles. Muitos não lhe diziam respeito por estar no mosteiro. O que mais o marcou talvez tenha sido a “indiferença”, relacionada à hipocondria. Lutero enfrentou muita depressão. Além disso, tinha explosões de “ira”, mas logo buscava reconciliação.
A soberba vinha à frente dos pecados. Dava origem aos demais. A soberba se manifestava, quando o eremita se distanciava do mundo e das pessoas. Buscava conseguir primazia em relação aos demais mortais. Poucos seriam os perfeitos, muitos os fracos. A soberba se manifestava na ascese dos pais do deserto. Foi no deserto com suas altas temperaturas durante o dia e o frio gélido das noites que se desenvolveram as mais absurdas formas de monasticismo. Ascese era, originalmente, designação para o treinamento dos atletas profissionais. Por isso, os primeiros eremitas designavam-se de “atletas de Deus” e travaram verdadeiras competições entre si para ver, quem atingia os mais altos índices. Os primeiros deles até que foram comedidos. Não tinham Regra e não estabeleceram castigos, quando começaram a se reunir em comunidades. Só queriam ser diferentes dos pagãos. Usavam vestes escuras para se diferenciarem dos filósofos gregos que usavam manto branco. Também descuidavam do corpo. Em seus dias as pessoas ricas da Antiguidade passavam o dia em banhos e saunas. Os eremitas só consumiam um mínimo em alimentos. Em breve, porém, alguns deles passaram a serem considerados heróis, taumaturgos e exemplos que estabeleciam recordes ascéticos. O primeiro desses recordes a ser estabelecido era o da solidão. A curiosidade das pessoas do mundo urbano que os visitavam no deserto queria mais. Por isso, alguns “atletas de Deus” amarraram pesadas correntes ao corpo, fazendo se enterrar. O auge entre essas figuras foi estabelecido por Simão, o estilita. Pessoa de saúde admirável, primeiro fez-se enterrar por dois anos; depois, subiu em coluna de vinte metros de altura, sobre a qual passou os últimos trinta anos de sua vida. Na pequena plataforma no alto da coluna, Simão orava e fazia genuflexões. Um admirador tentou calcular quantas teriam sido. Com elas estava mais próximo a Deus. Após sua morte, muitas construções surgiram em torno da coluna. Simão foi utilizado pela igreja por representar exemplo de vida cristã. O cálculo dos exercícios desse “atleta de Cristo” motivou críticas de Lutero.
No deserto surgiu o mosteiro com Regra, sob a direção de um Abade e atividade produtiva. Preguiça deveria ser eliminada. Eremitas teciam esteiras. Os mosteiros variaram a produção. O organizador do primeiro mosteiro, Pacômio buscou por “ordem” num mundo em “desordem” e se tornou protótipo. E os mosteiros se transformaram em importantes centros de produção. Além disso, tornaram-se centros de cultura e de preservação, em oposição aos eremitas que a negavam. O monge tinha que ler e escrever, decorar a Bíblia. Estabeleceram-se regras, disciplina supervisionada. Foi nesse tipo de mosteiro que Lutero ingressou.
Lutero se desenvolveu nessa mais antiga forma de vida cristã. Movimentos reformatórios sempre de novo invocaram os primórdios do cristianismo, se bem que pensassem nas formas anteriores ao surgimento de eremitas e mosteiros. Lutero estava convicto de que acontecera crescente “decadência” e que era necessário retorno às origens.
 “Reforma” foi conceito que acompanhou a história dos mosteiros, que é contada em ciclos de “decadência” e de “reforma”. Quando Lutero ingressou na Ordem dos Agostinianos esta se encontrava dividida. Havia grupo que exigia reforma e outro que se lhe opunha. “Obediência” era um dos votos dos monges. Ela era prestada em relação ao superior da ordem, mas não impedia desobediência em relação a outras instituições como o papado. Até os dias de Lutero, os agostinianos se vangloriavam de ser a ordem mais obediente e de jamais haverem produzido um herege.
“Pobreza” era outro dos votos. O monge era pobre; o mosteiro era rico. Grande era considerado o abade que fosse grande administrador, fazendo crescer o Reino de Deus. Os mosteiros medievais preservaram a Antiguidade, quando as ordens bárbaras invadiram a Europa. Essa preservação manteve o que de mais precioso foi criado pelo ser humano. Também contribuíram para o progresso econômico das regiões em que se estabeleceram. Secaram pântanos, dominaram florestas, conformaram a Europa, hospedavam viajantes, cuidaram de enfermos. Mas não eram pobres. Patrocinavam as artes. Foram proprietários de grandes
extensões de terras. Alguns abades eram designados de príncipes e viviam como se o fossem.
Não havia pobreza no mosteiro de Lutero. Os agostinianos não eram tão ricos quanto os beneditinos, mas tinham posses. No século XVI, a acumulação de bens e de privilégios de parte dos mosteiros era tão grande que um reordenamento se fazia necessário. Do lado da igreja se falava na “ganância” do Estado, do lado do Estado se falava na “ganância” da igreja. Os agostinianos eremitas detinham 103 mosteiros na Alemanha.
O de Erfurt existia desde 1256. Lutero trajava-se com o hábito negro, preso com cinto de couro preto. Sobre ele vestia escápula branca. Camisa de lã servia de camiseta. Durante a noite vestia escápula com touca branca. Lutero usou o hábito negro muito tempo após haver rompido com Roma. O mosteiro de Wittenberg foi sua residência até à morte.
No mosteiro, foi “o monge” como se o imagina: foi tentado pelos demônios e acossado pelos pecados da soberba, da ira, da tristeza e do coração indeciso. Observou os votos monásticos, menos um: o da obediência. Não foi atleta de Cristo, não estabeleceu recordes ascéticos, não foi santo, sua ordem não os tinha. Queria algo bem simples: um Deus misericordioso. Sua desobediência consistiu em procurá-lo por caminhos diversos dos oficiais. Nisso consistiu sua heresia.
O autor é Pastor e Professor
emérito da IECLB, residente
em São Leopoldo/RS

domingo, 18 de junho de 2017

Textos de Lutero: Escutarei o que Deus, o Senhor, disse



Leia em sua Bíblia: Salmo 85

Escutarei o que Deus, o Senhor, disser, pois falará de paz ao seu servo e aos seus santos; e que jamais caiam em insensatez”. (v. 8)


A minha primeira preocupação deve ser ouvir a palavra de Deus. Para alguém se converter, tornar-se piedoso e cristão, não resolvem orações nem jejuns; isso há que ouvir do céu, e de pura graça, quando Deus, pela promessa do evangelho, atinge o coração de tal maneira que sinta e diga que jamais lhe ocorrera que pudesse alcançar tal graça. Antes mesmo que Abraão arriscasse a pedir, mesmo antes de pensar em conversão, Deus se antecipa. Ele o arranca do engano e lhe dá um novo ser. Quem quer tornar-se piedoso jamais diga: A partir de agora começarei a fazer boas obras, para alcançar a graça. Antes, diga assim: Esperarei até que Deus me conceda sua graça e seu Espírito por meio da palavra. É a palavra que terá que fazê-lo, do contrário tudo estará perdido.


sábado, 6 de maio de 2017

Textos de Lutero: Firme até o fim


Leia em sua Bíblia: Salmo 27.1-6 
“O Senhor é a fortaleza da minha vida; a quem temerei?” (v. 1) 

 Certamente, também há repouso, mesmo em meio à tentação. Agora, Deus faz com que as coisas sempre vão morro acima, morro abaixo e, logo, outra vez, morro acima. Ora é noite, ora é dia, e logo volta a ser noite, e nem sempre é dia. O dia e a noite se sucedem, assim que ora é noite, ora é dia e, logo em seguida, é noite outra vez. É assim que ele governa a sua Igreja cristã, como mostram todas as histórias do Antigo e do Novo Testamento. 
E isso se chama força, a saber, que o Senhor não é um conselheiro e consolador daqueles que se limitam a palavras e não fazem nada além disso. Não, ele também ajuda para que tudo seja superado. Quando estamos em meio à tentação, ele nos dá seu fiel conselho e nos fortalece com sua palavra, para que não desfaleçamos de fraqueza, mas possamos ficar firmes. Agora, quando é chegada a hora e já sofremos o suficiente, ele se põe do nosso lado com seu poder, para que superemos o momento crítico e saiamos vitoriosos. Precisamos de ambas as coisas: o conselho para nos consolar e sustentar no sofrimento, ou seja, consolo em meio às tentações e sofrimentos, para que não sucumbamos, mas tenhamos esperança e paciência. É assim que ele dirige toda a cristandade. É assim que ele governa. Quem desconhece isso, não sabe o que significa ter Cristo por Rei.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Textos de Lutero: Permanecei no meu amor



Leia em sua Bíblia: João 15.5-11
Como o Pai me amou, também eu vos amei; permanecei no meu amor”. (v. 9)

O diabo não procura outra coisa senão destruir o amor entre os cristãos, promovendo bastante ódio e inveja. Ele tem nisso seu prazer e alegria. Pois ele sabe muito bem que a cristandade é edificada e sustentada pelo amor.
Por essa razão, Cristo nos admoesta ardentemente a que antes tudo permaneçamos no amor, e apresenta seu Pai e a si mesmo como modelo, como o mais nobre e mais perfeito exemplo. Meu Pai (ele está querendo dizer) me ama tanto assim, que dirige para mim todo o seu poder e força. De momento, ele permite que eu sofra, mas tudo que faço e padeço ele toma como se fosse feito a ele. E depois vai ressuscitar-me dentre os mortos, me fará Senhor sobre todas as coisas e glorificará sua majestade divina em mim. Assim (diz ele) eu amo vocês. Pois não os deixo em seus pecados e na morte, mas dou meu corpo e minha vida por vocês para que se livrem deles, e transfiro para vocês minha pureza, santidade, morte e ressurreição, bem como os demais méritos.
Por isso tenham também vocês o mesmo amor uns para com os outros. Mesmo que por minha causa vocês sejam duramente tentados e pressionados a se afastarem de mim, fiquem firmes. Deixem que meu amor seja mais forte, maior e mais poderoso do que o sofrimento ou a dor que vocês sentem.
Por isso, seguindo o exemplo de Cristo, devemos aprender a pôr em prática este mandamento, cada um amando o próximo dentro do seu respectivo estado (N. T.: os diferentes estados aos quais Lutero de refere são os de pai, mãe, filho, empregado, etc.).


quarta-feira, 15 de março de 2017

500 anos de Reforma: Argula von Grumbach, defensora da fé

Argula von Grumbach,

 defensora da fé


Argula von Grumbach foi uma mulher valente que levantou a sua voz e a sua pluma para defender a Reforma desde os seus inícios. Argula tomou parte nos debates teológicos da época, desenvolvendo um ardente trabalho apologético a favor das doutrinas bíblicas e em defesa de Lutero, de Melâncton e doutros Reformadores. Diz-se que foi a primeira escritora protestante, e uma das poucas mulheres do seu tempo cujos poemas, cartas e escritos doutrinais se converteram em verdadeiros bestsellers da época, com dezenas de milhares de exemplares em circulação.



Argula nasceu em 1492 em Beratzhausen na Baviera, na Alemanha, filha de Bernhardin von Stauff e Katharina von Toerring, ambos de famílias nobres empobrecidas. Aos dez anos, foi enviada pelos pais para a corte do duque da Baviera, Alberto IV († 1508). Aí foi educada com as três filhas do duque, segundo o costume da época. Recebeu, por isso, uma esmerada educação. Quando foi enviada para a corte da Baviera recebeu dos pais um presente raro e caro para a época: uma Bíblia Koburger de 1483. Seus pais faleceram em 1509 vítimas da peste. Em 1515/6 enquanto ainda estava na corte do duque da Baviera casou-se com Friedrich von Grumbach, de família nobre da região da Francónia, ao qual deu quatro filhos.


Argula von Grumbach adotou a doutrina de Lutero, com quem travou amizade depois de 1522, tornando-se numa zelosa estudante da Bíblia. O seu primeiro passo na atividade literária foi resultado pela condenação de Arsacius Seehofer. Em 20 de setembro de 1520, não havendo ninguém que protestasse contra a forçada negação do Evangelho feita por Seehofer, ela endereçou ao reitor da universidade do Ingolstadt um protesto, que foi publicada e circulou amplamente.


A carta começava assim: «Ao honorável, digno, ilustre, erudito, nobre e excelso reitor e a toda a faculdade da Universidade do Ingolstadt: Quando ouvi o que tinham feito a Arsacius Seehofer sob ameaças de prisão e de fogueira, o meu coração e os meus ossos estremeceram. O que ensinaram Lutero e Melâncton exceto a Palavra de Deus? Vós os condenastes. Não os refutastes. Onde ledes na Bíblia que Cristo, os Apóstolos e os profetas encarcerassem, desterrassem, queimassem ou assassinassem a alguém? Dizem-nos que devemos obedecer às autoridades. Correto. Mas nem o Papa, nem o Imperador, nem os príncipes têm nenhuma autoridade acima da Palavra de Deus. Não penseis que podeis tirar a Deus, aos profetas ou aos apóstolos do Céu com decretos papais tirados de Aristóteles, que nem sequer era cristão. Não ignoro as palavras de Paulo de que a mulher deve guardar silêncio na igreja (1Tm 1:2), mas, quando nenhum homem quer ou pode falar, impulsiona-me a Palavra do Senhor quando disse “Aquele que Me confesse na terra, Eu o confessarei e aquele que Me negue, Eu o negarei.” (Mt 10:32; Lc 12: 8)


Procuram destruir todas as obras de Lutero. Neste caso, terão de destruir o Novo Testamento, que ele traduziu. Nos escritos em alemão de Lutero e Melâncton, não encontrei nada herético… Inclusivamente se Lutero se retratasse, o que tem dito continuaria sendo a Palavra de Deus. Eu estaria disposta a ir e debater convosco em alemão, e assim não precisariam usar a tradução da Bíblia do Lutero. Podeis usar a de  Koburger de 1483,que se publicou há 30 anos. Tendes a chave do conhecimento e fechais o Reino dos Céus. Mas estais derrotados. As notícias do que tendes feito a este jovem de 18 anos chegaram já a tantas cidades que logo todo o mundo o saberá. O Senhor perdoará a Arsacius, como perdoou a Pedro, que negou ao Seu Mestre embora não o tivessem ameaçado com a prisão nem com a fogueira. Ainda sairá muito bem deste moço. Não vos envio desvarios de mulher, mas a palavra de Deus. Escrevo como membro da igreja de Cristo contra a qual não prevalecerão as portas do inferno, ao contrário da igreja de Roma. Deus nos conceda a Sua graça. Ámen»


Pessoalmente, entretanto, ela não recebeu nenhuma resposta. As autoridades da universidade não se dignaram responder a uma mulher, mas solicitaram ao duque que a castigasse. O chanceler da Baviera Leonhard von Eck (c. 1475-1550) aconselhou a destituir o seu marido e enviá-la a ela para exílio. O seu marido, que era católico, foi destituído de governador de Dietfurt, uma região da Baviera. Os argumentos para que o marido de Argula perdesse o trabalho foram: “Ele não foi capaz de impedir que a sua esposa escrevesse, enviasse e publicasse cartas defendendo ideias reformadas.”


Argula von Grumbach continuou tendo um vivo interesse pela Reforma e manteve uma boa relação com os Reformadores até que morreu aos 64 anos de idade neste dia, 23 de junho de 1568, em Zeilitzheim na Baixa Francónia, situada no norte do estado da Baviera.


Argula von Grumbach é reconhecida hoje, a partir de pesquisas históricas, como sendo a primeira escritora protestante.Ela escreveu cartas que foram publicadas como panfletos, defendendo o ideal da Reforma Protestante com conhecimento teológico e citações bíblicas. E, desta forma, também entrou em conflito com os poderes da sua época. Foram publicadas oito cartas da sua autoria, escritas provavelmente entre setembro de 1523 e outono de 1524. Ela também manteve correspondência e conversas pessoais com os Reformadores. Martinho Lutero referiu-se a ela como “um instrumento especial de Cristo.”


****

Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

Este texto é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está escrito com o Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicado nem utilizado para fins comerciais; seja utilizado exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Textos de Lutero: Enviou ao seu povo a redenção...


Leia em sua Bíblia: Salmo 111
Enviou ao seu povo a redenção... santo e tremendo é o seu nome”. (v. 9)

Nós temos a grande, indizível honra de sermos chamados pelo nome desse Deus, que nele somos batizados e chamados, de sorte que se fundem o seu e o nosso nome; que temos um Deus que faz tão grandes coisas em nós, sendo nós chamados de povo de Deus, servos de Deus, herdeiros de Deus, reino de Deus, casa de Deus, obra de Deus e de outros nomes mais. Por causa desses nomes, somos considerados santos e em alta estima no conselho dos santos e perante todos os anjos no céu. E, dessa maneira, não temos apenas tais grandes milagres de Deus, mas, além disso, tal santo nome e maravilhosa honra.
Onde estão os que buscam e não sabem consegui-la? Estão sempre procurando sem nunca acharem nada. Se quer honra, deixe toda honra para Deus e com nada fique perante ele senão com a vergonha. Despreze-se a si mesmo e considere nada o seu fazer. Assim, você santifica o nome de Deus e dá a honra somente a ele. Veja, assim que fizer isso, já está coberto de honra maior que toda honra de reis e que permanece em eternidade. Pois Deus o decora e honra com seu nome, para que venha a ser servo de Deus, filho de Deus, obra de Deus, etc. Que mais poderia Deus fazer por você, ele que lhe dá tantos bens terrenos e eternos, acima disso tudo, o nome mais sublime, seu próprio nome e honra eterna? Creio que ele merece que lhe agradeçamos e o louvemos do fundo do coração. Quem poderia jamais agradecer e louvar o suficiente por uma só dessas dádivas?


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Textos de Lutero: Toda a escritura testifica de Cristo



Leia em sua Bíblia: 1 João 1.1-4
O que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros”. (v. 3)


Cristo, nosso Senhor, é, portanto, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, escolhido e ordenado para tanto pelo Pai. Pois ele deve ser a fonte mestra e o manancial de onde fluem graça e verdade, bem como justiça, para que dele alcancemos e possamos desfrutar graça e justiça, e dele recebamos graça sobre graça e verdade sobre verdade. Isso foi visto, ouvido, apalpado com nossos olhos, ouvidos e mãos, diz o evangelista, e pelas sua palavras e obras reconhecemos que ele é a Palavra da vida e a indizível fonte de toda graça e verdade. Se alguém anseia por graça e verdade, seja ele Abraão, Moisés, Elias, Isaías, João Batista, ou seja lá quem for, que venha para cá e as receba dele, e não de outra pessoa; do contrário, estará perdido para sempre. “Porque todos nós”, sem exceção, escreve o evangelista, “da sua plenitude recebemos graça sobre graça e verdade sobre verdade”. De igual modo, toda a Escritura Sagrada, do Gênesis ao Apocalipse, indica e aponta para Cristo. E, em se tratando da fonte onde devemos procurar e achar a graça e a verdade, não menciona nenhum dos outros santos. Portanto, só se pode receber graça e verdade da plenitude de Cristo; nossos bocados, migalhas, pingos ou pedacinhos não poderão fazê-lo.