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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

Internet, sites, blogosfera - e a morte da informação

 

Talvez você não saiba, mas no tempo da explosão dos blogs, eu fui um dos maiores blogueiros evangélicos em volume de ação, mantendo bem mais que dez blogs ao mesmo tempo. Além do trabalho de mobilização, estando na equipe diretiva da União de Blogueiros Evangélicos, que chegou a ter coisa de 10.000 associados. A maioria dos meus blogs continua viva, com uns três ou quatro com trabalho prioritário. Mas, com a mudança de indexação do Google, a blogosfera ruiu, há coisa de uns 10, 12 anos.

Outra coisa que fui, foi me tornar eu mesmo um "indexador": Os meus blogs eram campeões em quantidades de links para outros sites e blogs. Vasculhei firme e forte a internet em nossa e em algumas outras línguas, e blogs como o Arsenal do Crente se tornaram meio que uma verdadeira biblioteca de links.
Tudo isso é para falar de uma matéria recentemente (04/02/2025) publicada pela Folha: "O cemitério da internet; 1/4 das páginas desapareceu em dez anos" (confira AQUI), fenômeno que eu já percebia e alertava há 15 anos atrás. De cem links numa barra aleatória de um meu blog aleatório, calculo isso daí: 25 a 40 % dos sites SAÍRAM DO AR. E levaram juntos toneladas de informação - algumas, por paradoxal que pareça em tempos de virtualidade - irrecuperáveis.
Lembro de pessoas que compravam "domínio próprio" para seus blogs, o que é pago, claro, e eu alertava pois via o resultado disso lá na frente. E resultou: O cara desanimava, ficava duro ou por qualquer motivo parava de pagar e "já era" o trabalho feito. Já os blogs em domínio gratuito Blogspot ou Wordpress continuam firmes, embora não fortes. Para completar, conheci pessoas que, não podendo ou querendo mais alimentar um blog ou site, MESMO GRATUITO, simplesmente o deletaram, levando junto informações que poderiam ser úteis a milhares de pessoas. Sim, passados os anos eu ainda não consigo explicar.
De prático, uma dica que posso dar aos amantes do conhecimento: Encontrou algo único, interessante? Copie, organize em seus arquivos e salve. Aquele site pode desaparecer literalmente amanhã, seja o blog da oficina mecânica de sua esquina ou um portal governamental que de repente é descontinuado. É assustador, mas não há garantias de infocontinuidade na internet, terra de todos e de um ninguém voraz; não há nada que garanta a manutenção e viabilidade a médio prazo da informação. A web (a Era do Conhecimento, na verdade) é mais possessão do caos do que gostaríamos.

P.S. - Ah, leu um poema em meu blog Poesia Evangélica no longínquo 2006 e guarda até hoje uma memória evanescente daqueles versos? Ele ainda está lá, é só pesquisar. Mas sabe-se lá até quando.

Sammis Reachers


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Livros gratuitos do Pr. Elmer Towns


Para os irmãos que dominam a língua inglesa, trazemos hoje a dica um verdadeiro tesouro (ou melhor, tesouros) à disposição. O pastor e professor americano Elmer Towns disponibilizou na internet dezenas de livros (num total de 76 até agora) de sua autoria ou de colaboradores, para download gratuito.

Há livros de temas como Evangelismo, Estudos Bíblicos, Escola Dominical (há por exemplo uma Enciclopédia da Escola Dominical com mais de 500 pág.), Novos Convertidos, Teologia e Doutrina, Liderança da Igreja, Ficções Evangélicas e muito mais. Materiais riquíssimos, dos quais a quase completa totalidade sequer foi traduzida para nosso idioma.

E fica também a dica para irmãos que dominam a língua inglesa (ou mesmo as editoras), porventura traduzirem tais materiais para o português.

Acesse a Biblioteca: http://holypop.com/?page=ETowns

Visite também o site de Towns: http://elmertowns.com/

Como se fosse pouco, Towns ainda disponibiliza 100 lições bíblicas em áudio (podcasts) gratuitamente no iTunes. Acesse AQUI

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Donos do Creative Commons disponibilizam livro grátis na web

O Creative Commons é conhecido por ser um projeto abrangente na internet, que mudou os paradigmas na maneira como licenciamos conteúdo da web. Através dele, é possível permitir que outras pessoas reproduzam conteúdo ou até o modifiquem, de modo comercial ou não.
Essa forma de pensamento surgiu através de um movimento que apareceu na própria rede há alguns anos: a cultura do remix. Nela, é possível pegar muitas referências presentes na tela do computador, remixá-las com algo novo e transformá-las em um produto totalmente diferente.
O assunto já rendeu diversas publicações, principalmente em livros escritos e distribuídos pela própria internet em PDF. Agora, é a vez dos CEOs e presidentes da Creative Commons, Catherine Casserly e Joi Ito, explicarem nos mínimos detalhes do que se trata a sua forma de licenciamento através do livro “The Power of Open”.
O mesmo se encontra disponível em formato PDF e totalmente grátis neste link. Com apenas 46 páginas, o conteúdo coleta histórias de sucesso de artistas e outras pessoas que utilizam a licença em suas criações ou que trabalham criando em cima de quem se licencia dessa maneira.
“The Power of Open” também mostra que há diversas grandes empresas, diretores de cinema e sites governamentais que trabalham utilizando a filosofia do Creative Commons. Há várias empresas conhecidas que apoiam o projeto, como o Google, Mozilla, Microsoft e até a Faculdade Getúlio Vargas (FGV), em que o economista Ronaldo Lemos é coordenador do Creative Commons no Brasil.
Via http://networkedblogs.com 

domingo, 25 de julho de 2010

Ministério do Turismo oferece cursos de Inglês e Espanhol gratuitos


O Ministério do Turismo está oferecendo cursos de Inglês e Espanhol, online e gratuitos. Os cursos são oferecidos em três módulos, Básico, Profissional e Regional. Leia um trecho da apresentação dos cursos:

"Os cursos do Olá, Turista! permitem ao aluno interagir com a escola e com os conteúdos sem limite de acesso. A estrutura de atividades possibilita o desenvolvimento de todas as habilidades necessárias para que o aluno consiga se expressar dentro de um novo idioma, como: a fala, a escuta, a escrita e a leitura. Este tipo de solução atende desde alunos que não apresentam nenhum conhecimento do idioma até alunos do nível avançado."


Visite o site: http://www.olaturista.org.br/
 
Fonte: Blog Bradante

terça-feira, 25 de maio de 2010

Piratas e conquistadores: Direito autoral deveria constituir não propriedade, mas apenas licença de usufruto econômico exclusivo por certo prazo


ALDO PEREIRA - Folha de São Paulo

NO SÉCULO 16 , países europeus que exploravam riquezas da América reprimiam com rigor a ação de piratas baseados em ilhas e costas continentais do Caribe: execução sumária ou condenação à forca. À primeira vista, história de mocinhos e bandidos -ou seria de bandidos e bandidos? Logo após ter descoberto o que supunha ser a Índia, Cristóvão Colombo (1451-1506) estabeleceu modelo de conduta para "los conquistadores": tortura sistemática de nativos para obter deles "segredos" de minas e garimpos de ouro, bem como para escravizá-los na extração e refino do minério. A recalcitrantes, espada civilizadora finamente forjada em Toledo. De sua parte, a Marinha britânica, ocupada então com tráfico de escravos africanos, comissionou "privateers" (navios corsários) para pirataria seletiva contra galeões espanhóis carregados desse ouro.
Frances Drake (1540-1596) e Henry Morgan (1635-1688), célebres corsários, receberiam pela patriótica missão o título honorífico de "sir". A distinção entre piratas, conquistadores e corsários continua ambígua. Sem explicitar nomes, o principal executivo da UMG (Universal Music Group) vocifera contra engenhocas do tipo iPod: "Repositórios de música roubada!". Também se têm visto e ouvido na mídia proclamações de que baixar, copiar ou comprar músicas e programas sem pagar royalties é "pirataria".
Com a forca fora de moda, detentores de "propriedade intelectual" reclamam ao menos cadeia para "piratas". "Propriedade intelectual" é campo de disputa em que convergem três interesses legítimos e interdependentes, mas conflitantes: 1) o dos autores, sem os quais não teríamos inovação e avanço na cultura; 2) o de firmas como editoras, gravadoras e programadoras, que assumem riscos lotéricos de produção, distribuição e promoção (em média, dos mais de 40 livros que a Random House edita por semana, 35 dão prejuízo ou lucro zero); e 3) o direito público à liberdade de expressão, ao saber e ao cultivo do espírito pela arte. Sem esse terceiro direito, a vida cultural estagnaria, porque se realimenta do que ela própria produz. Nenhuma criação é absolutamente original, mas produto da tradição cultural do meio em que o autor se forma. Por isso, direito autoral deveria constituir não propriedade, mas apenas licença de usufruto econômico exclusivo durante certo prazo, como a concedida a patentes. Em criações de pessoa física, tal licença poderia ser vitalícia, embora não hereditária. O que tem ocorrido, porém, é progressiva usurpação do direito público em favor da "propriedade intelectual", sobretudo corporativa. Isto é, acumulação de privilégios desfrutados por cartéis e outros grupos que em geral os têm obtido pelo suborno sistemático de legisladores e burocratas, prática mais elegantemente referida como lobby ("antessala"). No reinado de Pedro 1º, toda obra literária caía em domínio público dez anos após a publicação. O regime republicano dilatou o privilégio para 50 anos contados do 1º de janeiro subsequente à morte do autor (Lei Medeiros e Albuquerque, nº 496, de 1898). Esse prazo é hoje de 70 anos.
Todas as mudanças legais introduzidas desde 1898 têm ampliado o direito individual e corporativo de exploração econômica das obras à custa de progressiva restrição do domínio público, isto é, em prejuízo da dimensão social da cultura. A involução legal brasileira reflete a globalização dos mercados da "propriedade intelectual". Acordos e convenções que conferem direito proprietário de corporações a criações culturais têm sido extorquidos a governantes covardes e/ ou venais do mundo subdesenvolvido, estratégia que se completa pelo citado suborno legislativo. Colonialismo por outros meios. O abuso é mais nítido na exploração autoral póstuma, onde o Congresso americano, creia, tem-se mostrado ainda mais venal que o brasileiro. Segundo Lawrence Lessig, professor de direito da Universidade Stanford, à medida que o camundongo Mickey envelhece e se arrisca a cair em domínio público, o lobby da Walt Disney obtém mais alguns anos de sobrevida para o respectivo "copyright". Em 1998, o Congresso dos EUA estendeu a proteção póstuma a 95 anos: no caso de Mickey, até 2061. Lessig enumera 11 extensões semelhantes concedidas nos últimos 40 anos em favor da indústria de som e imagem.
Nesse drama, decerto lhe seria difícil escolher entre o papel de conquistador e o de pirata. Resigne-se, então, ao do submisso e espoliado nativo.

ALDO PEREIRA , 77, é ex-editorialista e colaborador especial da Folha.