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sexta-feira, 2 de maio de 2014

Os grupos menos evangelizados do Brasil parte 2: Indígenas, Ribeirinhos, Os mais ricos dentre os ricos e Os mais pobres dentre os pobres



Indígenas

O Brasil possui em torno de 340 grupos e subgrupos indígenas, os quais falam 189 LÍNGUAS. Desses 340, 121 nunca ouviram falar do Evangelho. E se você imagina que essas tribos estão apenas na imensidão da Floresta AMAZÔNICA, engana-se: apenas no Nordeste, existem 57 TRIBOS, sendo que 23 delas permanecem não alcançadas.
As tribos indígenas brasileiras estão divididas de ACORDO com o tronco linguístico a que pertencem, que são principalmente o Tupi-Guarani (litoral do país), o Macro-Jê, e o Aruak, embora existam outras.
A contribuição dos índios para nossa CULTURA é imensa. Seja pela culinária, pelas palavras (mais de 20.000 anexadas ao português), seja por práticas como o banho DIÁRIO ou o dormir em redes, por exemplo.
Um problema comum, principalmente nas tribos mais urbanizadas ou que tiveram maior CONTATO com o homem branco, é o alcoolismo.
A Missão ALEM (Associação Linguística Evangélica e Missionária - www.missaoalem.org.br) oferece TREINAMENTO para quem deseja ser um missionário tradutor da Bíblia, com foco especial em nossos povos indígenas não alcançados. A Missão Novas Tribos do Brasil (www.novastribosdobrasil.org.br), dentre outras, tem prestado também relevante serviço de EVANGELIZAÇÃO entre nossos indígenas.

Por diversas dificuldades levantadas pela FUNAI (Fundação Nacional do Índio) à presença de missionários entre algumas tribos, tem-se incentivado aquilo que se chama de a Terceira Onda Missionária, onde os próprios indígenas, CONVERTIDOS, evangelizam outros indígenas, seja da mesma ou de outras tribos. Note-se o trabalho realizado, nesse sentido, pelo CONPLEI (Conselho de Pastores e Líderes Indígenas).


Ribeirinhos

A AMAZÔNIA possui a maior bacia fluvial do mundo: são 7 milhões de quilômetros QUADRADOS, que se estendem por oito países. O rio Amazonas possui mais de 7 mil AFLUENTES, e 25 mil quilômetros de vias navegáveis. E é por tais extensões de águas que se espalham os RIBEIRINHOS. Apenas na Amazônia brasileira, estima-se que existam 37.000 comunidades ribeirinhas, sendo que 10.000 delas não possuem a presença de IGREJAS evangélicas, nelas ou nas proximidades. A imensa maioria das comunidades ribeirinhas da Amazônia só pode ser alcançada por via FLUVIAL (barcos), em viagens que podem durar diversos dias.
Mas quem são os ribeirinhos? Ribeirinhos são pessoas que vivem às margens dos rios, alimentando-se principalmente da PESCA artesanal, mas também da caça, extrativismo (recolhendo os ALIMENTOS que encontram na floresta), e da agricultura de subsistência. Suas casas de MADEIRA são construídas sobre palafitas, devido às constantes cheias dos rios e IGARAPÉS*.
Além do Amazonas, alguns dos principais rios da Amazônia são o Rio Negro, Rio SOLIMÕES, Rio Araguaia, Rio Nhamundá, Rio TAPAJÓS, Rio Tocantins, Rio Madeira, Rio Xingu.

*Igarapés são pequenos RIOS ou braços de rio, em geral estreitos e de pouca profundidade, aptos apenas para a navegação por CANOAS ou pequenos barcos.


Os mais ricos dentre os ricos

Um dos segmentos menos evangelizados do Brasil, o mais RICOS dentre os ricos, pode ser também um dos mais duros ‘campos missionários’. Isso a própria BÍBLIA deixa claro, ao falar da dificuldade maior de os ricos entrarem no Reino dos Céus (Mt 19:22-24). Como disse certo pregador: “”Nunca haverá muitos VERDADEIROS cristãos ricos, mas haverá alguns.” Pois muitos deles são pessoas ávidas pela verdade, mas vazias ou enganadas espiritualmente, e que muitas vezes, por incrível que possa parecer, nunca ouviram uma explicação satisfatória do EVANGELHO.
Pesquisas apontam a existência de mais de 165.000 MILIONÁRIOS no Brasil (considera-se milionário aquela pessoa que possui mais de um milhão de DÓLARES em ou para investimentos, não considerando-se o valor de sua habitação principal). Já o número de BILIONÁRIOS brasileiros chega a 65, Segundo a revista Forbes, e tende a mais que DOBRAR em 10 anos.
Ilhados em seus condomínios de LUXO e mansões, muitos escravizados pela MÁQUINA de fazer mais e mais dinheiro, sempre ocupados em seus NEGÓCIOS, ou então usufruindo em lazeres a vida que sua riqueza proporciona, eles estão ESPALHADOS por todo o pais, com concentração maior no Sudeste, principalmente nas cidades de São Paulo e RIO DE JANEIRO.
Ainda que a desigualdade econômica e social tenha diminuído nos últimos anos, em virtude da melhora na ECONOMIA e de programas sociais do Governo (como o Bolsa-Família), o Brasil segue como um dos CAMPEÕES mundiais em desigualdade, com poucas pessoas possuindo muito (recursos, terras etc.), e muitas possuindo tão pouco.


Os mais pobres dentre os pobres

Em economia, costuma-se falar em linha de pobreza e linha de pobreza extrema, também chamada indigência. Governos, entidades internacionais e ONGs não possuem um consenso sobre como efetuar essas medições, cada qual adotando padrões diversos. Segundo o GOVERNO brasileiro, vivem em pobreza extrema pessoas que recebem uma renda mensal per capita (por cabeça) de até 70 reais. No Brasil, em torno de 4% a 7% da população encontra-se nesta condição. Os programas sociais do Governo (como Bolsa-Família, Bolsa-Escola etc.), mesmo com os problemas que apresentam, têm contribuído significativamente para a diminuição da POBREZA extrema no Brasil.
Os cinco estados brasileiros onde é maior o índice de pobreza extrema são: MARANHÃO, Alagoas, Piauí, Pará e CEARÁ. O estado onde esse índice é menor é Santa Catarina.
Um subgrupo a ser considerado é o daqueles vitimados pelo trabalho ESCRAVO ou análogo à escravidão. Segundo dados do Índice de Escravidão Global, há no Brasil 200 mil PESSOAS nesta situação.
Mas, para além dessas estatísticas, há uma categoria de pessoas ‘invisíveis’ aos recenseadores: os moradores de rua, sobre os quais não há estimativas oficiais sobre sua quantidade. Números não oficiais dão conta de até 1,8 milhão de pessoas morando nas ruas, em situação de MENDICÂNCIA. Fatores como alcoolismo, uso de drogas, doenças psiquiátricas (além de problemas ESPIRITUAIS), problemas familiares ou simples falta de oportunidades, de perspectivas na vida, e de ajuda efetiva por parte de quem quer que seja (Estado, Sociedade, IGREJA), são as causas da dificuldade de reabilitação dessas pessoas. Muitos preferem não vê-los, ou acreditar que ‘para esses não há solução’. São geralmente os INALCANÇADOS mais próximos de nós. Estão sempre ao alcance de um abraço, de uma mão estendida.

LEIA A PARTE 1 DESTA POSTAGEM AQUI.

*Textos extraídos da Revista Passatempos Missionários #2, que editamos, e que você pode baixar e imprimir gratuitamente. Acesse CLICANDO AQUI.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Tributo à memória de Pedro Poty, primeiro mártir nativo brasileiro


Josué Sylvestre

Pesquisando sobre os primeiros mártires da fé evangélica no Brasil, entre as surpresas que a garimpagem histórica me reservou, a mais significativa foi, com certeza, a descoberta de um autóctone paraibano como protomártir brasileiro do Evangelho. Sua execução ajunta-se ao sacrifício dos huguenotes franceses Jean de Bourdel, Matthieu Verneuil, Pierre Bourdon e Jean Jacques Le Balleur (o João de Bolés), mortos no Rio de Janeiro. Os três primeiros, em 1558, sob a responsabilidade ignominiosa do "Caim da América" — Nicolau Durand de Villegaignon: o último, em 1567, por decisão do governador-geral Mem de Sá, com a participação pessoal do padre José de Anchieta, conforme pesquisa do Rev. Dr. Álvaro Reis.
 Mas o holocausto de Pedro Poty, 85 anos depois, tem um relevante diferencial. Os outros eram estrangeiros. O índio potiguara era um filho da terra.
A primeira vez que tomei conhecimento da existência e do testemunho de Pedro Poty foi através de um trabalho de muita lucidez e perseverança, organizado pelo pesquisador e escritor Álvaro Jorge Ribeiro, autor da História da Igreja Presbiteriana da Parahyba.
Ali encontrei uma preciosa — embora concisa — narrativa, com remissão creditada ao notável historiador paraibano Horácio de Almeida que, no seu livro A História da Paraíba — Volume I, conta a saga impressionante de Pedro Poty, arrimado em longas pesquisas realizadas em arquivos holandeses pelo diligente historiador pernambucano Pedro Souto Maior.

Cultura e religião - O historiador José Fernandes de Lima,
que não era protestante, descreve no seu discurso de posse no Instituto Histórico e Geográfico  da Paraíba, em solenidade ocorrida em 1971, a sequência dos episódios que envolveram e transformaram a trajetória de Pedro Poty.
1)   Poty foi levado para a Holanda, com outros companheiros, lá estudou o idioma da terra e foi instruído na doutrina da Igreja Cristã Reformada. Ficou na Europa, de 1625 a 1631.
2)    Voltou falando e escrevendo corretamente o holandês, manteve-se fiel aos seus protetores e, sobretudo, à fé evangélica, que havia adotado.
3)   Por sua cultura, coragem, fidelidade e prestígio entre os de sua gente, foi designado, pelo Supremo Comando Holandês, Regente dos Índios da Paraíba, enquanto Antonio Paraupaba liderava no Rio Grande do Norte.
4)    No curso das hostilidades entre Portugal e Holanda, recebeu várias cartas de seu primo Felipe Camarão, líder do apoio indígena aos lusitanos, que lhe encarecia adesão e prometia recompensas e prestígio se passasse para o seu lado.
Firme, leal e convicto de que estava defendendo a melhor opção para a sua gente e seu país, respondeu:
Eu me envergonho da nossa família e nação ao me ver  sendo induzido por tantas cartas vossas à traição e deslealdade, isto é, a abandonar meus legítimos chefes, dos quais tenho recebido tantos benefícios.
Na continuação de sua carta a Felipe Camarão, procurando esclarecer e justificar seu posicionamento espiritual, Por afirma com plena convicção:
Sou cristão e melhor do que vós; creio só em Cristo, sem macular a religião com a idolatria, como fazeis com a vossa.
Aprendi a religião cristã e a pratico diariamente, e se vós a tivésseis aprendido não serviríeis com os pérfidos e perjuros portugueses, que apesar das promessas do rei e de juramento feito por ele, depois de roubarem os bens dos holandeses, vêm atacar traiçoeiramente a esses e a nós mesmos; mas hão de receber o devido castigo de Deus.

Tortura e morte - O sofrimento e a execução de Pedro Poty são registrados por Fernandes de Lima, baseando-se em descrição de Antônio Paraupaba (que após a rendição dos batavos foi com eles para a Holanda, em 1654).
Diz o historiador paraibano:
Correram os tempos e em janeiro de 1654 os holandeses foram expulsos do Brasil. Em agosto desse mesmo ano, Antonio Paraupaba foi para a Holanda.
   Formulou o chefe indígena dois memoriais sobre a situação dos índios após a expulsão dos holandeses.
Em um deles, narra o martírio e o heroísmo de seu companheiro Poty, afirmando: ‘Pedro Poty, Regedor dos índios da Paraíba (da infeliz nação), tendo caído prisioneiro dos portugueses a 19 de fevereiro de 1649 na segunda batalha dos Guararapes, foi barbaramente tratado por aqueles algozes, excedendo as crueldades perpetradas para consigo, as mais desumanas que se possa imaginar. Era constantemente açoitado, sofreu todas as espécies de tormentos, foi atirado preso por cadeia de ferros nos pés e nas mãos, a uma escura enxovia, recebendo por alimento unicamente pão e água, e realizando ali mesmo durante seis longos meses as suas necessidades naturais.
Resultou daí, que, decorrido os seis meses, vendo aqueles sanguinários que de um ânimo tão firme nada se podia conseguir por meio de torturas ou promessas de honra, cargo nem fortuna, tiram-no do escuro subterrâneo onde tanto sofrera, sob o pretexto de mandá-lo à Bahia, mas cujo plano era matá-lo, cruelmente, o que depois concretizaram.

Esquecimento e resgate - Acerca da omissão da maioria dos historiadores sobre a presença marcante de Poty na fase da ocupação holandesa, Fernandes de Lima assinala:
Pedro Poty, considerado herege, apóstata, sujeito na época às penas da inquisição por aceitar uma religião repudiada pelos que defendiam a colonização portuguesa, não poderia merecer a devida consideração pelos historiadores de antanho quase sempre propensos a exaltar o poder triunfante.
Outro prestigiado historiador paraibano, Horácio de Almeida, também não-evangélico, registra:
Pedro Poty, natural da Baía da Traição, esteve na Holanda até 1631, tendo recebido aprimorada educação, tanto no conhecimento da língua, que falava e escrevia corretamente, como no da religião reformada, do qual se tornou fervoroso adepto.
Pedro Poty caiu no esquecimento duas razões (...) Ter tomado partido contra os vencedores da guerra de ocupação e ter professado uma religião que os portugueses abominavam.

Por sua vez, Souto Maior, garimpando arquivos na Holanda, encontrou documentos que comprovam indubitavelmente o destacado desempenho de Poty como líder de sua gente. Entre os papéis, há uma citação do historiador holandês Johannes de Laet, que, no seu livro Nouveau Monde, anotou ter estado várias vezes com os indígenas levados à Holanda e que eles aprenderam o holandês e a doutrina da religião cristã reformada.
Culminou Pedro Poty sua trajetória de superação das condições adversas em que nasceu e foi criado, com uma derrota? Absolutamente não. Jamais são derrotados os que lutam convictamente por um ideal legítimo que buscam atingir.
Poty foi um proclamador do Evangelho no Brasil-criança do século 17. Pioneiro da evangelização no Nordeste, foi um dos primeiros a defender a Graça transformadora do Cristo de Nazaré no território nacional.
Foi cruelmente assassinado, é verdade, mas o Jesus, ao qual ele servia com tanto entusiasmo e dedicação, asseverou certa vez: “Quem crê em mim ainda que morra, viverá.
Nas mansões da eternidade, quando se fizer chamada para o galardão das recompensas da graça e do amor de Deus, lá estará o índio Pedro Poty, nosso compatriota e nosso irmão, que, três séculos e meio depois do seu martírio, embora quase anônimo, permanece como um paradigma de coragem e de firmeza moral e espiritual.
Mas enquanto não chega esse dia, nós, evangélicos brasileiros, precisamos prestar, sem maiores delongas, um TRIBUTO À MEMÓRIADE PEDRO POTY.

Do livro Antologia - Primeira Coletânea de Textos Seletos, da Academia Evangélica de Letras do Brasil (Rio de Janeiro: AELB, 2012)


Josué Sylvestre, Membro emérito da AELB (Cadeira no 40), da qual foi Presidente no período de 2000 a 2008, é escritor, historiador e jornalista. Pertence também à Associação Nacional de Escritores (Brasília-DF), à Academia Paraibana de Letras (João Pessoa-PB) e à Academia de Letras de Capina Grande - PB 

sábado, 12 de fevereiro de 2011

30 Dias de Oração pelos Povos Indígenas do Brasil


Introdução
Deus ouve as orações, e esta é uma das verdades mais fantásticas da vida cristã.
Era comum Jesus convidar seus discípulos para momentos de oração (Lc 11:1). Desejava conduzi-los a um ato de fé e a momentos de intimidade com o Pai. Ao longo de sua vida e ministério Jesus continuamente orava (Mc 6:46). Por vezes se distanciava da multidão para uma noite inteira de intercessão, outras vezes falava com o Pai em curtas frases em meio à agitação diária (Mt 26:44). Em Suas orações frequentemente nos apresentava a Deus rogando por nossas vidas (Jo 17:15).
A oração nos convida ao relacionamento. Ela nos coloca aos pés do Senhor para buscarmos a Sua presença, conversarmos sobre as coisas do coração e sermos por Ele sondados. A oração provavelmente mais arriscada em toda a Palavra foi proferida pelo salmista quando clamou:Sonda-me ó Deus e conhece o meu coração. Prova-me e conhece os meus pensamentos. Vê se há em mim algum caminho mal e guia-me pelo caminho eterno” (Sl 139:23). Nela o salmista roga para que o Senhor o sonde reconhecendo que não somos capazes de sondar a nós mesmos, precisamos de Deus para entender nosso próprio coração. Roga que o Senhor o prove pedindo que Deus o conduza nos processos dos pensamentos, pois dependemos dEle para isto. Por fim roga que Ele o guie afirmando que sem Ele estamos perdidos. Orar, portanto, não é tão somente apresentar nossas petições perante o Altíssimo, é nos aproximarmos do Seu coração.
Mas não basta orar, é necessário perseverar em oração (Ef. 6:18). No livro de Atos vemos que a Igreja do primeiro século perseverava “na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações” (At. 2:42). Este texto funciona como um elo de ligação entre o Pentecoste e a vida diária da Igreja. As Escrituras destacam aqui de forma objetiva que esta comunidade que seguia a Cristo era a comunidade da perserverança, que cria no impossível e caminhava na vontade do Pai mesmo durante as épocas de maiores incertezas, e o fazia em oração.
Gostaria de convidá-los a orar e perseverar em oração pelos povos indígenas do Brasil nestes dias. Temos ainda em nosso país 121 etnias pouco ou não evangelizadas, 37 vivendo em risco de extinção, 111 grupos em complexos processos de urbanização, 38 línguas com clara necessidade de tradução bíblica e 99 etnias onde há uma igreja indígena, mas ainda sem liderança própria. Os missionários evangélicos atuam em 182 etnias em evangelização, plantio de igrejas, treinamento de líderes e ações sociais, coordenando 257 programas sociais. São desafios enormes. Precisamos rogar ao Senhor pela renovação das forças dos que estão com a mão no arado, novos obreiros para novas iniciativas, sinceras conversões entre os grupos e o fortalecimento da Igreja Indígena no Brasil, recursos para os trabalhos, o abrir das portas que permanecem fechadas e, sobretudo, clara direção do Alto para que seja feita a Sua vontade.
Nestes 30 dias rogue ao Senhor da Seara por cada vida, etnia e missão, em perseverança, crendo que o Senhor ouve as orações.
Ronaldo Lidório

Clique Aqui e baixe o arquivo contendo os motivos para os 30 Dias de Oração por nossos povos indígenas. Ore, divulgue, envolva a sua igreja!

Maiores informações sobre os povos indígenas do Brasil:

© Instituto Antropos 2011. Reprodução permitida.

domingo, 30 de janeiro de 2011

A Era do Cristianismo Globalizado




A África, América Latina e as Ilhas do Pacífico já não são as mesmas.
Willian Carey disse que para conhecer a vontade de Deus, precisamos de uma Bíblia aberta e um mapa aberto. Ao seguirmos as recomendações desse grande missionário, olhando além das nossas fronteiras, vemos que os últimos cem anos marcaram uma difusão das Boas Novas jamais vista na História.
O Cristianismo, que durante séculos foi retratado como ocidental, massificado no hemisfério norte, teve seu ponto de gravidade deslocado para o hemisfério sul e oriente nesta década. Tal mudança considera não somente o número de aderentes, mas o de instituições e de liderança.
O histórico Congresso Edimburgo 2010, realizado em junho na capital escocesa, é uma amostra dessa transição. Se na primeira edição em 1910, as delegações eram expressivamente compostas de missionários norte-americanos e britânicos, nesta houve uma miscigenação, com a participação e “voz” de líderes de todos os continentes.
Em pauta estava o quadro atual de missões mundiais e o lançamento do Atlas do Cristianismo Global, organizado pelos pesquisadores norte-americados Todd Johnson e Kenneth Ross.
Imagine que eles analisaram os principais movimentos cristãos entre 1910 e 2010, seja em oferta de evangelismo, tradução de Bíblias, presença missionária e cristã, perseguição, produção de programas em rádio e TV, implantação de igrejas, contato entre cristãos e não cristãos e outros.
Usaremos algumas das constatações do Atlas a fim de entender a configuração global do cristianismo,
Em 1910, 90% de todos os cristãos mundiais moravam na Europa e América do Norte. Contudo, foi a partir desse período que a difusão começou a ganhar força e atualmente, a maioria cristã concentra-se na África, Ásia e América Latina.
Na África, por exemplo, estima-se 9,4% de toda a sua população confessavam a Cristo como Salvador em 1910. Hoje são 47,9% .
Uma dos crescimentos mais fenomenais deu-se na parte central, onde em cem anos a porcentagem cresceu de 1,1% para 81,7%. Não estamos falando aqui somente de números, mas da chegada da mensagem de esperança e da única justiça que pode causar transformação para nações.
Mais distante, nas Ilhas do Pacífico, as Boas Novas estão sendo recebidas de forma surpreendente. Enquanto 15,4% da população se denominava cristã em 1910, em 2010 são 91,4%.
Mediante essa transição, começamos a perceber paralelamente que antigas áreas receptoras de missionários em 1900, atualmente se transformaram em importantes centros de envio de obreiros para às nações.
Logo, será que já podemos celebrar que o evangelho do Reino foi pregado em todos os povos? Podemos comemorar que Reino está vindo, sim. Contudo, os desafios missiológicos atuais nos revelam um quadro repleto de desafios, que se analisados à luz da Palavra, nos convocam a uma reflexão e resposta imediata.
Por exemplo, saber que 86% dos budistas, hindus e muçulmanos em nossa era nunca conheceram em vida um cristão, por si só já nos questiona como estamos encarnando o evangelho.

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De 30 de Março a 03 de Abril de 2011 acontece a Conferência dos Povos Amazon COFM, em Porto Velho-RO. Saiba mais aqui:  http://www.amazoncofm.org/

quinta-feira, 29 de julho de 2010

MARINA SILVA, POTIRA E OS MILAGRES AMAZÔNICOS

*

 Suzuki e Márcia - ATINI Voz pela Vida
Esta é uma daquelas cenas que a gente custa a apagar da memória. No meio de uma conferência importante, de gente grande, eis que uma menininha linda e despachada se aproxima da ilustre preletora. Com toda desenvoltura entrega-lhe um colar indígena, tasca-lhe um beijo estalado e posa sorridente para as fotos.

A preletora ilustre chama-se Marina Silva. A indiazinha despachada será chamada aqui de Potira.

Quanto mistério, quanta dor, e quanta esperança este encontro evoca. As duas nasceram na floresta amazônica, as duas enfrentaram a dureza da vida na mata. As duas estavam destinadas a engrossar as fileiras de brasileiras excluídas, anônimas e invisíveis.

Marina nasceu filha de seringueiro, tomou muito banho de igarapé e comeu pirarucu com farinha nas beiradas dos rios. Potira nasceu filha de índia solteira e por isso não chegou a comer nada, não tomou banho, nem lhe cortaram o cordão umbilical.

Marina ouvia as histórias do avô enquanto espiava a chama fina da lamparina nas noites escuras da mata. Potira não ouviu nada, só o choro abafado da mãe, obrigada a abandoná-la na floresta por conta da sua solteirice.

Marina imaginava o futuro enquanto se embalava na rede e sonhava um dia aprender as letras. Potira não teve rede, foi enrolada numas folhas de bananeira brava e largada perto de um toco de pau na beira da capoeira.

Marina se vestia com camisa de manga comprida para se proteger dos carapanãs e dos marimbondos, enquanto seguia o pai pelas picadas estreitas do seringal. Potira não conseguiu se proteger das formigas que se aproximaram e começaram a comer a placenta ainda ligada ao seu corpinho recém-nascido. Nem dos insetos que picaram suas pernas e seu rosto naquela noite comprida e chuvosa.

Marina mudou seu destino quando desafiou a sorte - teve coragem de pedir ao pai que a deixasse sair para estudar na cidade grande. A esperança de Potira surgiu quando duas tias decidiram escondê-la numa roça velha e correr por 4 horas na mata até o acampamento dos missionários.

Marina esperou até os 16 anos para conseguir decifrar as primeiras letras do alfabeto. Potira esperou 36 horas na mata até ser resgatada e salva da morte.

Dois milagres, duas histórias de superação, de desafio às leis da probabilidade. Marina aprendeu a ler no Mobral, veio a ser professora, doutora, senadora, ministra. Hoje é candidata a presidência da república. Potira foi adotada por uma professora paulistana casada com gaúcho, e ganhou duas irmãs rondonienses. É a caçula e o xodó da família.

O encontro da foto aconteceu recentemente num grande evento público em Brasília. Potira entregou a Marina Silva o colar em nome das crianças indígenas sobreviventes do infanticídio que são atendidas pela ATINI.

Em seguida, Kakatsa Kamaiurá, secretário geral da organização, também sobrevivente, tomou o microfone e fez seu apelo. Queria saber de Marina se ela se comprometia a defender o direito das crianças indígenas em risco de infanticídio. Marina respondeu emocionada que toda criança tem direito à vida e que ela priorizaria, em seu governo, os direitos dessas crianças.

Potira saiu toda saltitante, rindo orgulhosa por ter tirado foto com uma mulher tão importante.

.......

Eu conheço a Marina pessoalmente, ela acompanha nossa trajetória desde 2005 e já me ouviu por mais de uma hora atentamente em seu gabinete. Mostrou sensibilidade e nos encorajou muito em nossa luta pela dignidade das crianças indígenas. É a única que recebe os indígenas, que os escuta. É também uma crente comprometida, verdadeira, e uma pessoa de confiança e capacidade administrativa.

Eu "marinei" definitivamente. Convido você a ler os 12 pontos do texto abaixo e a se cadastrar no site http://www.movimentomarinasilva.org.br/ para apoiar a candidatura da Marina. Vamos acreditar em milagres e lutar contra as probabilidades!

segunda-feira, 29 de março de 2010

A ESTRANHA TEORIA DO HOMICÍDIO SEM MORTE

Marcia Suzuki
Conselheira de ATINI – VOZ PELA VIDA
www.atini.org

Alguns antropólogos e missionários brasileiros estão defendendo o indefensável. Através de trabalhos acadêmicos revestidos em roupagem de tolerância cultural, eles estão tentando disseminar uma teoria no mínimo racista. A teoria de que para certas sociedades humanas certas crianças não precisariam ser enxergadas como seres humanos. Nestas sociedades, matar essas crianças não envolveria morte, apenas “interdição” de um processo de construção de um ser humano. Mesmo que essa criança já tenha 2, 5 ou 10 anos de idade.

Deixe-me explicar melhor. Em qualquer sociedade, a criança precisa passar por certos rituais de socialização. Em muitos lugares do Brazil, a criança é considerada pagã se não passar pelo batismo católico. Ela precisa passar por esse ritual religioso para ser promovida a “gente” e ter acesso à vida eterna. Mais tarde, ela terá que passar por outro ritual, que comemora o fato dela ter sobrevivido ao período mais vulnerável, que é o primeiro ano de vida. A festa de um aninho é um ritual muito importante na socialização da criança. Alguns anos mais tarde ela vai frequentar a escola e vai passar pelo difícil processo de alfabetização. A primeira festinha de formatura, a da classe de alfabetização, é uma celebração da construção dessa pessoinha na sociedade. Nestas sociedades, só a pessoa alfabetizada pode ter esperança de vir a ser funcional. E assim vai. Ela vai passar por um longo processo de “pessoalização”, até se tornar uma pessoa plena em sua sociedade.

Esse processo de socialização é normal e acontece em qualquer sociedade humana. As sociedades diferem apenas na definição dos estágios e na forma como a passagem de um estágio para outro é ritualizada.

Pois é. Esses antropólogos e missionários estão defendendo a teoria de que, para algumas sociedades, o “ser ainda em construção” poderá ser morto e o fato não deve ser percebido como morte. Repetindo – caso a “coisa” venha a ser assassinada nesse período, o processo não envolverá morte. Não é possível se matar uma coisa que não é gente. Para estes estudiosos, enterrar viva uma criança que ainda não esteja completamente socializada não envolveria morte.

Esse relativismo é racista por não se aplicar universalmente. Estes estudiosos não aplicam esta equação às crianças deles. Ou seja, aquelas nascidas nas grandes cidades, mas que não foram plenamente socializadas (como crianças de rua, bastardas ou deficientes mentais). Essa equação racista só se aplicaria àquelas crianças nascidas na floresta, filhas de pais e mães indígenas. Racismo revestido com um verniz de correção política e tolerância cultural.


Tristemente, o maior defensor desta hipótese é um líder católico, um missionário. Segundo ele "O infanticídio, para nós, é crime se houver morte. O aborto, talvez, seja mais próximo dessa prática dos índios, já que essa não mata um ser humano, mas sim, interdita a constituição do ser humano", afirma.”[i]

Uma antropóloga da UNB, concorda. "Uma criança indígena quando nasce não é uma pessoa. Ela passará por um longo processo de pessoalização para que adquira um nome e, assim, o status de 'pessoa'. Portanto, os raríssimos casos de neonatos que não são inseridos na vida social da comunidade não podem ser descritos e tratados como uma morte, pois não é. Infanticídio, então, nunca".”[ii]

Mais triste ainda é que esta antropóloga alega ser consultora da UNICEF, tendo sido escolhida para elaborar um relatório sobre a questão do infanticídio nas comunidades indígenas brasileiras[iii]. Como é que a UNICEF, que tem a tarefa defender os direitos universais das crianças, e que reconhece a vulnerabilidade das crianças indígenas[iv], escolheria uma antropóloga com esse perfil para fazer o relatório? Acredito que eles não saibam que sua consultora defende o direito de algumas sociedades humanas de “interditar” crianças ainda não plenamente socializadas.[v]

O papel da UNICEF deveria ser o de ouvir o grito de socorro dos inúmeros pais e mães indígenas dissidentes, grito este já fartamente documentado pelas próprias organizações indígenas e ONG’s indigenistas[vi].

A UNICEF deveria ouvir a voz de homens como Tabata Kuikuro, o cacique indígena xinguano que preferiu abandonar a vida na tribo do que permitir a morte de seus filhos. Segurando seus gêmeos sobreviventes no colo, em um lugar seguro longe da aldeia, ele comenta emocionado:

“Olha prá eles, eles são gente, não são bicho, são meus filhos.

Como é que eu poderia deixar matar?”[vii]

Para esses indígenas, criança é criança e morte é morte. Simples assim.
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[i] http://www.amazonia.org.br/noticias/noticia.cfm?id=347765 [ii] idem

[iii] Marianna Holanda fez essa declaração em palestra que ministrou em novembro de 2009 no auditório da UNIDESC , em Brasília.

[iv] Segundo relatório da UNICEF, as crianças indígenas são hoje as crianças mais vulneráveis do planeta. “Indigenous children are among the most vulnerable and marginalized groups in the world and global action is urgently needed to protect their survival and their rights, says a new report from UNICEF Innocenti Research Centre in Florence.”

[v] Em algumas sociedades, crianças não socializadas seriam gêmeos, filhos de mãe solteira, de viúvas ou de relações incestuosas, crianças com deficiência física ou mental grave ou moderada, etc. A dita “interdição” do processo pode ocorrer em várias idades, tendo sido registrada com crianças de até 10 anos de idade, entre os Mayoruna, no Amazonas. Marianna defende essa “interdição” em dissertação intitulada “Quem são os humanos dos direitos?” Estudo contesta criminalização do infanticídio indígena

[vi] www.quebrandoosilencio.blog.br www.atini.org www.movimentoindigenaafavordavida.blogspot.com http://vimeo.com/1406660 carta aberta contra o infanticídio indígena

[vii] Trecho de depoimento do documentário “Quebrando o Silêncio”, dirigido pela jornalista indígena Sandra Terena. O documentário está disponível no link www.quebrandoosilencio.blog.br
______________________

Via http://evangelizabrasil.ning.com

terça-feira, 7 de abril de 2009

Situação do Brasil – ETNIAS INDÍGENAS



Foram divulgadas pelo IBGE as estatísticas populacionais dos municípios brasileiros em 2008, com a estimativa de 189.612.814 brasileiros morando em nossa pátria. Destes mais de 180 milhões, 700 mil são indígenas, distribuídos em 345 etnias e representando 0,37% da população brasileira. Apenas 165 etnias têm presença evangélica, e mais da metade, 180 etnias, continua sem a existência de uma igreja, sem a presença de missionários, evangelistas ou crentes. Precisamos de 540 missionários ou mais, para completar a evangelização de todas as etnias no Brasil.

O desafio da Igreja hoje, portanto, encontra-se espalhado por matas, rochas, montanhas, desertos, ilhas e planícies remotas e grandes centros urbanos em países resistentes.

O cântico profético de Simeão continua clamando por uma oportunidade para os povos sem Cristo. Para que as nações sejam alcançadas pela salvação de Deus em Cristo, a igreja, sua testemunha fiel, tem sobre seus ombros a responsabilidade da grande comissão. Não temos o direito de reter para nós a mensagem que foi dada a todos os povos. Precisamos anunciar o evangelho aos confins da terra.

Compilado por Jadir Siqueira

Fontes: Ethnos – cultura dos povos
Dados da NTM – Jill Goring
Instituto Antropos

*Texto extraído da revista CONFINS DA TERRA, Ano 42, número 136 (Jan – Mar 2009), publicada pela Missão Novas Tribos do Brasil.
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segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

E-book para download - Quebrando o Silêncio


Amados, baixem aqui o e-book Quebrando o Silêncio: Um debate sobre o infanticídio nas comunidades indígenas do Brasil.
Organizado por Márcia Suzuki, o e-book expõe e analisa a terrível questão do infanticídio praticado por muitas tribos indígenas em nosso país.
Para que você possa avaliar a seriedade do assunto, leia o breve texto abaixo, à guisa de prefácio:
"Eu já vi enterrar muita criança no Xingu. Já vi isso acontecer muitas vezes. Eu acho isso errado porque eu gosto de criança. Eu, por exemplo, preciso de mais crianças, pois eu só tenho dois filhos. Ao invés de enterrar, elas poderiam dar para mim. Às vezes eu tento tirar do buraco, mas é difícil. Às vezes a mãe quer a criança, mas a família dela não deixa. É muito difícil.
Até hoje eu só consegui desenterrar um com vida, o Amalé. A mãe dele era solteira, ela chorou muito, mas o pai dela enterrou ele. Ele estava chorando dentro do buraco, aí minhas parentes foram me chamar. Eu entrei na casa, perguntei onde ele estava enterrado e tirei ele do buraco. Saiu sangue da boca e do nariz dele, mas ele viveu. Ele está doente, mas eu decidi criá-lo. Agora ele é meu filho. É um menino bonito, não é cachorro. É errado enterrar.Teve três crianças que eu tentei salvar, mas não deu tempo. Uma nasceu de noite e eu não vi. A minha tia também queria essa criança, gostava dela, mas quando chegou lá a mãe dela já tinha quebrado o pescoço do bebê. Quebraram o pescoço depois enterraram. A outra eu ia tirar do buraco, não deu tempo porque eu estava do outro lado, tirando mandioca. Eu estava trabalhando e não vi. Disseram que ele também estava chorando dentro do buraco. Minha outra prima, a mãe do Mahuri, enterrou as cinco crianças que nasceram antes dele. Ela era solteira, por isso tinha que enterrar. O funcionário salvou o Mahuri porque ficou com pena, é um
menino muito bonito, já está grande. A mãe dele viu ele em dezembro e achou ele bonito.
Eu mesma não gosto que enterre, acho errado. Criança não é cachorro. Nós temos medo de nascer gêmeos, trigêmeos. Dizem que quando um pajé faz feitiço, podem nascer até sete crianças. Por isso as mães têm medo. Mas eu acho errado matar. Eu já falei isso para as mulheres de lá. A criança fica chorando dentro do buraco, criança pequena custa muito a morrer. Se eu ver no buraco eu tiro."
Kamiru Kamayurá
Brasília, Agosto de 2007.


Para baixar o e-book, Clique Aqui.

Fonte: www.sepal.org.br