Mostrando postagens com marcador artigos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador artigos. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 20 de maio de 2024

REMOVA OS OBSTÁCULOS À EVANGELIZAÇÃO

 


Shelton Smith

Escrevi um artigo sobre a conquista de almas para Cristo, e nele identifiquei mais de doze obstáculos a esta tarefa. São eles:

incredulidade, desobediência, medo dos outros, carnalidade, falta de plenitude do Espírito, doutrina falsa, más companhias, afastamento da igreja, trivialidades preguiça, intimidação e desencorajamento.

Embora, obviamente, haja outras coisas ruins no caminho, essa lista é longa o bastante para expor as muitas inseguranças que afetam qualquer um de nós.

Aqui, no entanto, quero sugerir alguns passos práticos que nos ajudam a lidar com os obstáculos.

 

01. Mantenha o fervor em seu coração!

Se não nutrir a vida espiritual, você não será motivado a se empenhar nos projetos espirituais. Estude a Bíblia e ore diariamente, participe da escola dominical e dos cultos semanais da igreja. Não deixe o fogo morrer em seu coração.

 

02. Memorize e estude as ordens bíblicas para a conquista de almas!

Por exemplo, memorize versículo como Mateus 4.19: “Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens” e João 4.35: “Não dizeis vós que ainda há quatro meses até que venha a ceifa? Eis que eu vos digo: levantai os vossos olhos e vede as terras, que já estão brancas para a ceifa”.

 

03. Determine em seu coração ser obediente a Deus! Obediência é a marca do cristão espiritual. Obedeça a essas ordens enfáticas e poderosas das Escrituras e dedique-se a elas.

 

04. Inclua a conquista de almas em sua rotina diária!

Lembre-se de Atos 5.42: “E todos os dias, no templo e nas casas...”. Logo no início da manhã, decida-se a testemunhar de Cristo a alguém. Não fique esperando por um horário conveniente, O tempo é agora.

O dia é hoje. Mãos à obra!

 

05. Ore para receber poder!

“Mas recebereis poder” (At 1.8). Talvez você não seja uma pessoa extrovertida. Talvez não tenha o dom da loquacidade, como dizem. Você talvez seja inseguro interiormente, No entanto, apesar de suas desvantagens, você pode ser um ganhador de almas se for pleno do Espírito de Deus e reivindicar seu poder ao testemunhar do Senhor.

 

06. Não permita que o sucesso, ou a falta dele, conduza sua vida!

Todos nós queremos prosperar em nossos empreendimentos, mas na conquista de almas, devemos nos manter ativos, quer sejamos ou não bem-sucedidos. Obedecer a Deus deve continuar sendo nossa motivação, quer tenhamos êxito ou não.

 

07. Junte-se a outros ganhadores de almas!

Caso você se sinta inseguro, deixe que seu parceiro conduza o trabalho até você “engrenar”. Faça amizade com outros conquistadores de almas. Passe tempo com eles. Aprenda com eles.

 

08. Não desanime!

Se você for malsucedido na conquista de almas ou alguém bater a porta em sua cara, acho que você não vai gostar. Eu também não gostaria. Mas as circunstâncias não devem nos levar ao silêncio e à reclusão. Mantenha seu arado na terra; continue trabalhando.

 

09. Lembre-se do Céu e do Inferno!

Todo mundo irá para um destes dois lugares. Pense em sua família e em seus amigos. Pense nos habitantes de sua cidade. Talvez você seja o único obstáculo entre eles e a eternidade no Inferno.

 

10. Nunca se esqueça disto: “Sou um ganhador de almas”.

Diga isto em voz alta e incentive a si mesmo com o som de sua voz.

Pilotos pilotam aviões porque são pilotos. Ganhadores de almas ganham almas porque são ganhadores de almas.

Se você é um ganhador de almas, não permita que nenhum ardil mundano o leve a tropeçar.

Todos nós enfrentamos obstáculos. Todos nos deparamos com circunstâncias complicadas. Sua vida e seu ministério não são situações especiais que justifiquem cada desculpa que você já ouviu.

Pare de se sentir um coitadinho, e volte a trabalhar. Saiamos ao encontro de alguém e falemos a ele ou a ela sobre o Salvador Jesus, e façamos isso hoje mesmo. E quando o amanhã chegar, façamos tudo de novo!

Amém!

Sword of the Lord - Jornal O Amigão do Pastor - https://www.amigaodopastor.com.br/


sexta-feira, 27 de outubro de 2023

AS BEM-AVENTURANÇAS DO PASTOR



Rm 11:13; 1 Co 4: 1-4; 2 Co 6: 3; 4:17; 1 Tm 4: 6, 12–16; 2 Tm 2: 1, 15, 16; 4: 5.

Bem-aventurado o pastor que não se deixa levar pelas fofocas da semana com a intenção de introduzi-las em seu sermão no domingo: porque ele receberá uma mensagem de Deus.
Bem-aventurado o pastor que não se ofende quando alguém fala elogiosamente de seu antecessor, e guarda sua língua de diminuir as obras do pastor anterior: porque a todos impressionará bem.
Bem-aventurado o pastor que não é muito dado a tratar com pessoas do sexo oposto: porque permanecerá muitos anos na obra do Senhor.
Bem-aventurado o pastor que tem um lar bem disciplinado, cuja esposa se comporta com decoro, e se veste e fala com propriedade: porque receberá bênçãos sem conta.
Bem-aventurado o pastor que não culpa todos os demais por seus erros e falhas: porque será um ótimo dirigente.
Bem-aventurado o pastor que não negligencia a si mesmo, nem a sua família, nem o edifício em que ele prega: porque ele será respeitado por todos.
Bem-aventurado o pastor que tem uma visão; que, com os olhos bem abertos, aproveita todas as oportunidades para impulsionar o avanço do reino de Deus: porque será desejado por todo o povo de Deus.
Bem-aventurado o pastor que é inteiramente santificado, porque sempre será feliz. 
O. N. Robinson

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Reflexão: O Brasil missionário e a “cultura do evento”

A pandemia de Covid-19 descontruiu preconceitos, demoliu expectativa$ e, como a perseguição na Jerusalém do primeiro século, apressou o passo duma igreja sonolenta até o quase pecado.

Mas não adiantou de todo: Tiramos um pé do atoleiro, mas seguimos presos no que eu chamo de a “cultura do evento”. Encontros presenciais, capacitações, cursos de fim-de-semana ou que se estendem por três longos anos estão sendo retomados na modalidade presencial, para alegria de meia-dúzia que ainda não entendeu, e para azar de um país de colossais 8.510.000 quilômetros quadrados, 5.558 municípios e em torno de 60 milhões de crentes. SESSENTA MILHÕES DE CRENTES, que certamente não cabem na sua sede missionária, seminário, sítio, estádio ou o que você conseguir.

SESSENTA MILHÕES DE CRENTES.

Grandes igrejas, missões, denominações, agências e colegiados de agências nacionais parecem firmemente presos ao presencial, ao evento. O tempo que seria gasto em proporcionar RECURSOS GRATUITOS E DEMOCRATIZADOS (via web) é gasto em passagens de avião, hospedagens, alimentação, gasolina. Tudo com uma naturalidade, um “tem que ser assim, só pode mesmo ser assim” de causar arrepios em quem sabe dar valor (pois não o tem ou já não o teve um dia) ao DINHEIRO. Principalmente o dinheiro que compete ser alocado na obra de Deus.

Vamos a um teste, vamos ao que nos possa dar discernimento efetivo. Entre em sites de missões e colegiados (associações) de missão ou sites de igrejas genéricas/denominacionais (evangélicas/reformadas) e procure pela aba “Recursos”. Nos EUA, fonte nossa e de todos estes, é comum a cada site haver os recursos para capacitação de quem quiser se capacitar, em sua maioria gratuitos – e-books, podcasts, séries de vídeos auto instrutivos e etc. Mas faça o teste aqui em Pindorama, em nosso Brasil continental. Fez?

Pois bem, deve ter chegado a alguma conclusão. Sem querer desgastar ainda mais seu tempo, lhe proponho que faça agora outro teste. Procure pela aba “Eventos” ou “Agenda”.

Fez? Se fez, não preciso me estender, os festivos fatos são a melhor pedagogia.

Mas, E DAÍ?

Faça a sua parte. Empreenda esforços para trocar (no seu coração e na sua instituição) a “cultura do evento” pela “cultura dos recursos”. Ou a cultura do “venha” pela cultura do “tome aqui”. Não se questiona aqui a necessidade e riqueza maior proporcionada pelo tête-à-tête, o cara-a-cara; sou professor, como o faria? O questionável é a manutenção deste sistema monocórdio, pouco produtivo, elitista (sim, elitista!), num momento em que já adentramos até as canelas do século XXI, talvez o último.

Talvez o último. Será? Ou agimos no atacado sobre uma igreja de 60 milhões de almas dispersas por 5.558 municípios que se estendem por 8.510.000 km², ou pingamos gotas no varejo dos eventos - lá naquela estância hidromineral no Centro-Oeste, no indobrável eixo-de-aço RJ-SP, ou mesmo naquela base ensolarada no Nordeste...

No mais, celebro e reafirmo a importância de tais eventos, e ser um dos seus maiores divulgadores (vide a vida do blog/canais Veredas Missionárias) o comprova. Mas torço para que eles tenham cada vez menos importância, pelo simples e monolítico fato de sermos sessenta milhões de crentes. 

Sammis Reachers

www.veredasmissionarias.blogspot.com

(Este texto pode ser livremente reproduzido, por quaisquer meios, sem necessidade de prévia autorização. Mamon já nos impõe pedidos de autorização demais, concorda?).

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Seita que diz que Jesus é uma mulher chinesa invade redes sociais


Há algum tempo, o Facebook em língua portuguesa, e principalmente o Whatsapp e seus muitos grupos, têm sido invadidos por membros da seita chinesa Igreja de Deus Todo Poderoso (The Church of Almighty God), também dita Evangelho da Descida do Reino, e ainda Raio Oriental.
Tal seita, surgida na década de 1990, tem sido duramente combatida em seu país de origem, a China, onde o governo chinês entendeu que ela vai bem além de um simples movimento "cristão", configurando-se em algo muito mais "perigoso", principalmente após membros desta seita terem espancado até a morte uma mulher numa loja do McDonald's (em 2014), que simplesmente se recusou e a lhes dar o número de seu telefone - dentre outros crimes.
A seita prega que Jesus "ressuscitou" ou "reencarnou" numa MULHER, uma mulher chinesa, chamada de Yang Xiangbing (a quem eles chamam de "O Deus Todo-Poderoso"). Dizendo "crer" na Bíblia, eles possuem na verdade seu próprio livro (chamado de A Palavra manifesta em Carne), que julgam superior à Bíblia, livro escrito pela sua "deusa", a quem poucos podem sequer ver. 

O livro herético, que eles dizem ser superior à Bíblia (A Bíblia, segundo eles, 
contém erros e está incompleta, por ter sido escrita por homens).

Os novos membros, assim como acontece nas piores seitas apocalípticas, são confrontados a abandonar tudo, inclusive suas famílias. São igualmente constrangidos a doar dinheiro em troca de obterem a "salvação". Seus líderes, que fugiram da China, estão baseados atualmente em Nova Iorque (EUA). A fuga de membros da China acabou favorecendo o estabelecimento desta seita em outros países, notadamente entre colônias de chineses, na Coréia do Sul, Filipinas, EUA, Portugal e outros países.

Imagem de divulgação das literaturas da seita

No caso das redes sociais brasileiras, essas pessoas, em geral chineses, muitos deles baseados em Portugal, "infiltram-se" em grupos evangélicos, e postam versículos bíblicos seguidos de links para que a pessoa baixe o aplicativo da seita, links de vídeos do Youtube, vídeos que vão de pregações até filmes e clipes musicais (alguns muito bem feitos), os quais ensinam as falácias de sua seita. Eles adotam nomes comuns em nossa língua (Maria, Antônio etc.). Enviam também pedidos de amizade e informações no privado, buscando cooptar incautos. Muitos links remetem também para o site " kingdom salvation . org ".
No Whatsapp, uma forma de identificá-los, além da postagem dos tais links, é simplesmente o prefixo de seus telefones - o número é iniciado em geral por 351, código de Portugal, pois diversos deles postam a partir de lá. Chamados para conversar, percebe-se que muitos não dominam corretamente a língua portuguesa, e talvez utilizem o tradutor do Google para se comunicar com pessoas lusófonas.
O problema é que muitos cristãos brasileiros ainda não percebem ou identificam tais indivíduos como hereges infiltrados.  Eles dão "a paz do Senhor" e vão "amavelmente" postando seus enganos nos grupos (e mesmo criando grupos no Whatsapp e convidando pessoas), assumindo personagens que facilmente são confundidas com um cristão evangélico "comum" ou "normal".
Os líderes principalmente precisam estar atentos e agir: É preciso alertar a comunidade protestante/evangélica brasileira, e expulsar e bloquear tais disseminadores do engano, de quaisquer grupos onde sejam identificados.

Fique atento aos símbolos, nomes e termos repetidamente utilizados pela seita. Atente para termos como por exemplo "Deus Todo-Poderoso", "O Reino desceu", "Assista agora Melhor Música Gospel".
Confira imagens e símbolos abaixo. Além do aqui exposto, costumam utilizar desenhos parecidos com aqueles utilizados pelas Testemunhas de Jeová.:










terça-feira, 12 de maio de 2020

Lutero em meio a pandemia


Paulo Wille Buss
A atual pandemia do coronavírus ou COVID-19 traz à lembrança a maior de todas as pandemias que já assolou a humanidade: a peste negra, ou simplesmente a peste, do século 14. Embora existam enormes e evidentes diferenças entre aquele século e o nosso, também se constatam surpreendentes semelhanças, especialmente, mas não só, nas atitudes das pessoas diante da doença. Neste artigo, além do contexto histórico, queremos buscar as orientações e práticas do líder da Reforma da igreja no século XVI, dr. Martinho Lutero.
Pandemia da Idade Média e hoje
Uma primeira diferença é que a pandemia da Idade Média foi causada por uma bactéria (a Yersinia pestis), e a atual, por um vírus. Outras diferenças incluem uma mortalidade muito maior da peste negra do que a provocada, até agora, pela COVID-19. Calcula-se que a bactéria causou a morte de 75 a 200 (segundo alguns, até 300) milhões de pessoas no mundo todo. Na Europa, a peste dizimou de um terço à metade da população total. Diferentemente de hoje, quando todos “sabem” que a doença é causada por um vírus, ninguém sabia o que causava a peste. Falava-se em ar envenenado, em miasmas, névoas pegajosas e assim por diante. Alguns pensavam que os judeus tinham envenenado os poços ou fontes de água dos cristãos e, em razão disso, os judeus foram perseguidos. A explicação “científica” da época, fornecida pela faculdade de medicina da universidade de Paris em 1348, era de que a peste resultava de uma conjunção de planetas ocorrida no dia 20 de março de 1345. Mas o povo em geral via a peste como um castigo de Deus. As condições de moradia, a falta de higiene, o consumo de água contaminada, a falta de saneamento básico nas cidades, a ignorância e a superstição favoreceram a rápida proliferação da peste.
Já se sabia então que a doença era contagiosa e se adotava o isolamento dos doentes. Mas o pânico provocado pela alta taxa de mortalidade da peste levava grande parte da população a fugir das cidades atingidas, deixando para trás mesmo os familiares mais próximos que apresentassem sintomas da doença. Alguns praticavam o isolamento com dietas leves e exercícios moderados. Outros tentavam livrar-se da peste buscando o prazer desenfreado com bebidas nas tavernas, diversões e farras, rindo e procurando fazer pouco caso da doença. Houve uma grande decadência moral e criaram-se situações caóticas devido à morte de muitas autoridades civis e religiosas. Algumas pessoas tinham a noção de que a sujeira e falta de higiene favoreciam a propagação da peste. Assim, por exemplo, na cidade de Nürnberg, na Alemanha, foram adotadas medidas de saneamento tais como a pavimentação das ruas, o recolhimento do lixo e o incentivo à higiene pessoal incluindo os banhos que, em geral, costumavam ser tomados apenas duas ou três vezes por ano naquela época e que alguns até consideravam prejudiciais à saúde.
A manifestação e transmissão da peste negra
A peste negra se manifesta de três formas: a bubônica, a pneumônica e a septicêmica. A bubônica, a mais comum, deriva seu nome dos bubões ou inchaços dos nódulos linfáticos que podem chegar ao tamanho de um ovo. O nome ‘peste negra’ deriva das manchas negras que podem aparecer em várias partes do corpo do doente devido a hemorragias internas. A forma pneumônica ataca os pulmões e a septicêmica infecta a corrente sanguínea. A doença é transmitida ao ser humano pelas picadas de pulgas de ratos. Posteriormente, a transmissão também pode ocorrer a partir do contato com uma pessoa infectada. A doença é altamente contagiosa e matava a maioria dos infectados em poucos dias. Tudo o que sai do corpo dos doentes das formas pneumônica e bubônica tem um cheiro forte e altamente repugnante. Por esse motivo, e pelo medo do contágio, as pessoas evitavam o contato e a proximidade com os doentes e esses, muitas vezes, morriam de forma solitária e sem nenhuma assistência.  A ignorância quanto ao modo de transmissão da doença deixava as pessoas ainda mais apavoradas. Pensava-se, inclusive, que até o simples fato de olhar nos olhos de um doente poderia transmitir a doença.
O impacto social da peste na Europa
O primeiro e maior surto da peste manifestou-se na Europa entre os anos de 1346 e 1352. Ela surgiu na Ásia e, acredita-se, que foi trazida à Europa por navios mercantes genoveses que trafegavam pelo Mar Mediterrâneo. Desconhecendo a causa da doença, os médicos prescreviam os remédios mais exóticos e caros que, porém, se revelavam completamente ineficientes. A peste se propagou pela Europa em ondas sucessivas ao longo de aproximadamente quatro séculos.
A persistente presença da morte em larga escala ao seu redor, impactou a mente do ser humano do final da Idade Média de forma profunda e desestabilizadora. Até o tema da arte passou a ser a morte. Alimentados por uma teologia do mérito humano que enfatizava as boas obras como meio de satisfazer um Deus exigente, as pessoas viviam aterrorizadas com a ideia da morte iminente que as colocaria diante do Cristo juiz que poderia destiná-las ao céu ou ao inferno. Com isso, cresceu a invocação dos santos e proliferaram as mais diversas manifestações religiosas como peregrinações, jejuns, flagelações do corpo e aquisição de indulgências, entre outras. Mas essa religiosidade externa revelou-se como incapaz de trazer verdadeira paz à consciência aflita. O jovem Lutero é um exemplo desta busca insistente, mas infrutífera, de um Deus misericordioso, antes que o encontrasse no evangelho das Escrituras Sagradas.
Lutero e a pandemia
Ao longo da vida de Lutero, manifestaram-se diversos ciclos da peste negra na Alemanha. Por exemplo, em 1505, quando Lutero iniciou seus estudos na faculdade de direito em Erfurt e posteriormente ingressou no mosteiro agostiniano local, a peste ceifou a vida de diversas pessoas da faculdade de Erfurt e, posteriormente, também a de dois irmãos de Lutero. Em 1516, há registro de que a peste ameaçava chegar novamente a Wittenberg. Outros surtos da doença se manifestaram em Wittenberg em 1527, 1535 e 1538-39.  
Em 1527, quando a chegada da peste se evidenciou em Wittenberg, o príncipe-eleitor da Saxônia, João, o Constante, ordenou a transferência da universidade local para Jena ­­– uma cidade localizada a aproximadamente 170 quilômetros de Wittenberg. Mas Lutero, juntamente com o pastor João Bugenhagen e os capelães Jorge Rörer e João Mantel, decidiram permanecer na cidade. Lutero acolheu a todos em sua casa – o antigo mosteiro agostiniano ­– e a transformou num hospital, apesar de sua esposa Catarina estar nos últimos meses de gravidez e seu primogênito Hans também estivesse doente. A esposa de Rörer faleceu de peste na casa de Lutero, e outros doentes se recuperaram ali. Lutero continuou lecionando para um pequeno grupo de estudantes que ficara em Wittenberg, embora se queixasse de que sua própria doença não permitia que trabalhasse como gostaria. Ele estivera bastante debilitado e doente fisicamente, e depois mergulhou numa profunda depressão. Lutero também permaneceu em Wittenberg quando a peste chegou à cidade em 1535 e 1538, sempre estendendo sua ajuda a pessoas necessitadas ou abandonadas.
As recomendações e os conselhos de Lutero parecem, em sua maioria, bastante atuais. Eles continuam válidos porque são provenientes da Palavra de Deus.
 Vivência da fé em meio à pandemia
Quando a peste assolava várias partes da Alemanha, em 1527, um pastor de Breslau, o Dr. João Hess, pediu insistentemente a opinião de Lutero sobre se era correto, ou não, fugir de uma praga mortal. Lutero inicia sua carta de resposta registrando a polarização existente em relação à questão. Algumas pessoas pensavam que não se precisava e nem se devia fugir de uma praga mortal. Para estas, a morte é um castigo de Deus por nossos pecados e devemos nos submeter a Deus e à sua punição. Fugir seria uma falta de fé em Deus. Outros eram da opinião de que se poderia fugir, especialmente se a pessoa não ocupasse nenhum cargo público.
Lutero afirma que, por mais elogiável que a primeira opinião seja, não se pode esperar o mesmo pensamento e atitude de todos. Há diferenças na fé dos cristãos: uns são fortes na fé, outros têm uma fé fraca, e Cristo não quer que os fracos sejam abandonados (Rm 15.1 e 1Co 12.22). Se a pessoa não ocupa cargo público e não há pessoas que dependem de seus cuidados, então ela está livre para decidir entre fugir ou permanecer. Tentar salvar a própria vida e cuidar do corpo é uma tendência natural implantada por Deus (Ef 5.29; 1Co 12.21-26). Lutero cita vários personagens bíblicos que procuraram salvar suas vidas quando estas corriam perigo: Abraão, Isaque, Jacó, Davi, o profeta Urias, Elias, Moisés e outros (Gn 22.13; 26.7; 27.43-45; 1Sm 19.10-17; 2Sm 15.14; Jr 26.21; Êx 2.15; Ez 14.21).
Conselhos para diferentes funções e ações
Lutero argumenta contra a afirmação de que não se deve fugir de um castigo de Deus dizendo que, nesse caso, também não se deveria fugir de uma casa em chamas porque o fogo também seria um castigo de Deus. Também não se deveria comer e beber ao sentir fome e sede, mas esperar que essas punições parassem por si mesmas. Em última análise, não se deveria, então, nem mesmo orar a petição “livra-nos do mal”. Ao contrário, diz Lutero, devemos orar contra toda forma de mal e nos proteger contra ela da melhor maneira possível para não agir contra a vontade de Deus. Contudo, se for da vontade de Deus que o mal venha sobre nós e nos destrua, nenhuma de nossas precauções vai nos ajudar.
Mas, argumenta Lutero, existem pessoas que não devem fugir, mas devem permanecer em seus postos mesmo quando correm risco de vida. Entre essas pessoas, ele inclui os pastores (Jo 10.11). Pois quando as pessoas estão morrendo, então é que elas mais precisam de atendimento espiritual para fortalecer e confortar suas consciências por meio da Palavra e do sacramento, para que possam superar a morte pela fé. Mas, numa situação em que há vários pastores num local, apenas precisam permanecer os que são necessários para realizar o atendimento espiritual, os demais podem sair para não se expor desnecessariamente ao perigo (At 9.25; 19.30).
Igualmente, autoridades e funcionários públicos devem permanecer em seus postos para governar e proteger o povo, impedindo que o caos se estabeleça (Rm 13.4). Se, porém, devido à sua fraqueza, quiserem fugir, eles só poderão fazê-lo se deixarem substitutos capazes em seu lugar.
A mesma regra aplicada a pastores e autoridades civis também vale para todos os que estão numa relação mútua de serviço ou dever: empregados e patrões, pais e filhos, funcionários públicos como médicos, policiais e outros. Estes também não podem abandonar os que dependem deles sem haver algum acordo ou sem providenciar um substituto. Da mesma forma, ninguém pode fugir abandonando órfãos ou outras pessoas necessitadas de cuidado sem providenciar alguém que cuide deles.
Lutero prossegue na sua argumentação dizendo que o amor cristão nos obriga a ajudar o próximo em todas as suas necessidades. “Alguém que não vai querer ajudar ou apoiar os outros a menos que possa fazê-lo sem arriscar sua própria segurança ou propriedade, nunca ajudará seu próximo.” Continua ele dizendo que a peste, ou a punição de Deus, não veio apenas como punição pelos nossos pecados, mas também para testar nossa fé e amor. Nossa fé é testada para vermos e experimentarmos como está nossa relação com Deus. E nosso amor é testado para percebermos como está nossa disposição em servir ao nosso próximo conforme a Escritura o ensina (1Jo 3.16).
O diabo tenta impedir que ajudemos nosso próximo, criando em nós horror e nojo diante da pessoa doente. Devemos resistir a seus ataques, sabendo que ajudar o próximo é algo que é muito agradável a Deus e a todos os seus anjos. Também resistimos ao diabo recorrendo à poderosa promessa com que Deus encoraja aos que servem aos necessitados: “Bem-aventurado é aquele que ajuda os necessitados, o Senhor o livra no dia do mal” (Sl 41.1-3; Sl 91.11-13).
Cuidado para não tentar a Deus
Por outro lado, diz Lutero, também existem pessoas que tentam a Deus ao agir de forma precipitada e imprudente, não tomando cuidados para proteger-se da morte e da peste. Tais pessoas não tomam remédios e não evitam lugares e pessoas infectadas, levam a doença na brincadeira, tentando mostrar que não têm medo dela. Diz Lutero: “Isto não é confiar em Deus, mas tentá-lo. Deus criou medicamentos e nos deu inteligência para proteger e cuidar bem de nossos corpos para que possamos viver em boa saúde”. Ele continua dizendo que a pessoa que não toma os devidos cuidados e assim prejudica seu corpo, corre o risco de cometer suicídio aos olhos de Deus. E, se essa pessoa ficar doente e depois contagiar outras pessoas, ela será responsável perante Deus por assassinatos.
Lutero diz que um cristão deve pensar assim: “Pedirei a Deus que misericordiosamente nos proteja. Então vou fumigar, ajudar a purificar o ar, dar remédios e tomá-los. Evitarei lugares e pessoas onde minha presença não é necessária para não me contaminar e, desta forma, talvez me infectar e contagiar outros e assim causar sua morte como resultado de minha negligência. Se Deus quiser me levar ele certamente me encontrará e eu terei feito o que ele esperava de mim e por isso não sou responsável pela minha própria morte ou pela morte de outros”.
Isolamento social e o cuidado com os contaminados
O reformador defende o isolamento de pessoas contaminadas pela peste, mas estas precisam receber a devida assistência e não devem ser abandonadas. Por outro lado, pessoas contaminadas devem tomar cuidado para não transmitir a doença a outros. Se um doente for tão perverso a ponto de procurar contagiar outros intencionalmente, este deve ser retirado de circulação pelas autoridades. Lutero ainda acrescenta que, em Wittenberg, a doença foi causada pela sujeira, e assim a preguiça e o descuido de alguns levou à contaminação de outros.
As recomendações e os conselhos de Lutero parecem, em sua maioria, bastante atuais. Eles continuam válidos, porque são provenientes da Palavra de Deus.
Assim como todo o mal existente no mundo, a peste negra e também a COVID-19 resultam da entrada do pecado no mundo. Mas a Palavra de Deus nos aponta para o amor de Deus e nos concede o perdão obtido por Cristo.
Um teste para a fé e o amor ao próximo
Também a COVID-19 testa nossa fé em Deus e nosso amor ao próximo. Nosso próximo continua precisando de nós, embora tenhamos hoje mais instituições públicas e privadas especializadas no cuidado dos doentes e acolhimento dos necessitados do que no século 16. Mas há coisas que hospitais e outras instituições não fazem: oferecer ajuda para comprar remédios e alimentos para pessoas que compõe grupos de risco, telefonar para essas pessoas para levar a elas o conforto e a orientação da Palavra de Deus, etc. Cada cristão precisa se perguntar como ele pode ajudar os outros dentro de sua vocação.
Ainda continua valendo a recomendação sobre o cuidado e as medidas preventivas que temos que tomar para procurar preservar a nossa vida e a vida do próximo: ter hábitos saudáveis, cuidar da higiene e limpeza e tomar remédios quando necessário.
Assim como nos dias de Lutero, ainda hoje precisamos decidir com sabedoria e prudência quando é importante ficar em casa e quando é preciso expor-se ao risco do contágio porque o próximo precisa de nós. Dessa forma, não seremos nem temerários e nem omissos.
Confiando nas promessas de Deus, entregamos nossa vida em suas mãos misericordiosas, pedindo sua proteção em todas as circunstâncias desta vida e a preservação na fé em Jesus Cristo para obtermos a vida eterna.

sábado, 21 de março de 2020

Lista de checagem de igrejas que realmente ORAM



Igrejas que oram...
- Incluem a oração na sua declaração de missão
- Enfatizam o papel da oração na visão para o ministério da igreja
- Têm a oração como um dos valores principais
- Ensinam aos novos membros o papel estratégico da oração
- Esperam o envolvimento pessoal dos membros na oração
- Têm a constituição saturada com a palavra “oração”
- Especificam a oração no orçamento do ministério
- Providenciam recursos para motivar e cultivar a oração
- Incluem a oração no louvor e na adoração coletiva
- Encorajam os membros a desenvolver uma vida forte de oração pessoal
- Esperam que cada comissão, equipe, grupo, classe e ministério devotem uma parte de suas reuniões à oração
- Equipam jovens e crianças para orar
- Focalizam a oração em sermões, workshops práticos e assembleias especiais
- Dão ênfase à oração em boletins, informativos, quadros de aviso, literatura e centros de recurso
- Estabelecem expectativas altas de oração para a liderança
- Agendam reuniões de oração no ciclo de atividades semanais, mensais e sazonais
- Esperam que o pastor ore com outros pastores
- Fazem caminhadas de oração na comunidade
- Encontram membros em oração uns pelos outros antes e depois de reuniões, nos corredores e pelo telefone.

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

RESOLUÇÕES DE UM PASTOR CONSAGRADO



Conhecerei e visitarei, tanto quanto possível, todos os membros de minha paróquia, orando com eles, conhecendo os seus problemas, ajudando-os a resolvê-los e orientando-os em sua vida espiritual.
Serei delicado e cortês para com todos, serei pronto para atender a todos que me procurarem, serei amoroso para com os tristes, enfermos e desalentados; serei compassivo para com os pecadores necessitados de arrependimento.
Terei uma vida reta, vivendo modestamente, repartindo com os outros dos bens que Deus me der, não permitindo luxo e conforto que deem do ministério ideia de meio de vida; pagarei minhas dívidas, darei satisfação quando houver de atrasar algum pagamento; serei justo e amoroso para com os meus empregados.
Não falarei de um membro da igreja a outros, não criticarei a outros os defeitos dos crentes, não falarei pelas costas o que não gostaria que os meus paroquianos ouvissem, não criticarei meus colegas, não diminuirei a autoridade dos oficiais da Igreja, não usarei do púlpito para questões pessoais, nem serei ambicioso ou mesquinho quanto ao meu ordenado.
Serei mais severo comigo, com minha família e com minha casa, do que com os outros, mas não deixarei de exortar os errados, repreender os pecadores, despertar os tímidos, amparar os fracos, acordar os adormecidos e animar as crianças.
Pregarei o Evangelho com simplicidade, com humildade, com oração, sem confiar na minha sabedoria, mas confiado no poder de Deus; pregá-lo-ei com minhas palavras, com meu exemplo, com os bens de fortuna que Deus me der, com minha vida reta e honesta, a tempo e fora de tempo, e usarei todas as minhas oportunidades para ganhar almas para Cristo, e promover a santificação dos membros de minha Igreja. É este o meu desejo sincero.

D. P. Silva, no livro Mil Ilustrações

sábado, 20 de julho de 2019

AS DEZ PRINCIPAIS ESTRATÉGIAS DE SATANÁS CONTRA A MULHER DE DEUS



Priscilla Shirer

O que Satanás faz para deter o avanço do cristão? Qual a sua pior iniciativa contra VOCÊ, mulher?
E se eu fosse o seu inimigo, isso é exatamente o que eu desejaria. Eu iria querer desvalorizar as armas mais potentes em seu arsenal. Eu criaria estratégias contra você, usando métodos cuidadosamente calculados para desorientá-la e derrotá-la.
Na verdade, esta abordagem faz um sentido diabólico tão grande que é exatamente o que o diabo faz — com você, na vida real — tudo dentro do esquema do engano. Ele vem até você para...bem, você não precisa dar ouvidos só ao que eu tenho a dizer; ouça as vozes de um grande número de mulheres que me responderam, em uma enquete, sobre as principais formas de o inimigo atacá-las. Depois de categorizar todas as respostas, cheguei ao que acredito ser as dez estratégias favoritas do inimigo. Vamos ver onde ele mais tenta atingi-lo.

Estratégia 1— Contra Sua Paixão
Ele procura tirar todo o seu desejo pela oração, diminuir o seu interesse pelas coisas espirituais, e minimizar a potência das suas armas mais estratégicas (Ef. 6:10-20).

Estratégia 2— Contra Seu Foco
Ele se disfarça e manipula a sua perspectiva de modo que você acaba focando no culpado errado, dirigindo as suas armas para o inimigo errado (2 Co. 11:14).

Estratégia 3— Contra Sua Identidade
Ele amplia as suas inseguranças, levando-a a duvidar do que Deus diz sobre você e a desconsiderar o que Ele tem lhe dado (Ef. 1:17-19).

Estratégia 4— Contra Sua Família
Ele quer desintegrar a sua família, dividindo a sua casa, tornando-a caótica, agitada, e infrutífera (Gn. 3:1-7).

Estratégia 5 — Contra Sua Confiança
Ele constantemente a faz relembrar os seus erros passados e as suas más escolhas, na esperança de convencê-la de que você está sob o juízo de Deus, e não sob o Seu sangue (Ap. 12:10).

Estratégia 6 — Contra Seu Chamado
Ele amplifica o medo, a preocupação e a ansiedade até que elas se tornem as vozes mais altas em sua cabeça, fazendo com que você considere a aventura de seguir a Deus demasiadamente arriscada para tentar (Js. 14:8).

Estratégia 7— Contra Sua Pureza
Ele procura fazê-la cair na tentação de cometer certos pecados, convencendo-a de que você pode cometê-los sem arriscar más consequências, mas na verdade isso só irá aumentar a distância entre você e Deus (Is. 59:1-2).

Estratégia 8 — Contra Seu Descanso e Contentamento
Ele espera sobrecarregar a sua vida e a sua agenda, empurrando-a para uma vida sob pressão acima de seus limites, não tendo jamais a permissão para dizer não (Dt. 5:15).

Estratégia 9 — Contra Seu Coração
Ele usa todas as oportunidades para manter frescas em sua mente as velhas feridas, sabendo que a raiva, a mágoa, o rancor e a falta de perdão vão apenas conservar o dano (Hb. 12:15).

Estratégia 10 — Contra Seus Relacionamentos
Ele cria perturbações e desunião dentro do seu círculo de amigos, e dentro da comunidade compartilhada do corpo de Cristo (1 Tm. 2:8).

E essa lista é constituída de apenas dez categorias — dez das estratégias mais comuns utilizadas pelo inimigo contra a força da mulher de Deus. Bem, dois podem jogar esse jogo. E com Deus ao nosso lado, assumindo a liderança na definição de nossos próprios planos estratégicos, já estamos colhendo vantagens. Mas ainda assim devemos ser diligentes e determinadas. Nós devemos reconhecer e clamar contra os ataques altamente personalizados desferidos em nossa direção. Não, não há nenhuma necessidade de temer, mas é melhor estarmos em guarda. E é melhor nunca esquecermos de— como a avó da foto diz — continuar a orar com propósito e precisão, da maneira como ela ora por pessoas como sua neta.

Trecho do livro Oração Fervente (BV Books Editora)

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Pastores que gemem por suas ovelhas - Maxie Dunnam



Você, pastor, está gemendo perante os olhos do seu povo? Os seus ouvintes veem esse tipo de paixão fluindo de sua vida?
Quem são as pessoas em sua congregação que, embora possam ser membros da igreja, realmente sentem que não fazem parte? Quem são as pessoas na sua comunidade que ainda precisam receber uma mensagem clara de você, pessoalmente, e de sua congregação de que você se importa profundamente com elas e que Deus as ama? E quanto aos pobres? Você está comprometido com a verdade irrefutável das Escrituras de que Deus fez uma opção preferencial a favor dos pobres?
E quanto aos trabalhadores pobres, sabendo que entre eles encontramos principalmente as mães solteiras?
E quanto ao vasto segmento de pessoas em cada comunidade para quem Cristo e sua igreja são realmente estranhos? Você está ordenando sua vida e a vida do culto da sua igreja, seu ministério e missão de tal modo que isso vá até o campo delas, e você procura falar a linguagem delas, uma linguagem que elas entendem? Você oferece algo que vá ao encontro das suas necessidades — não no local onde você gostaria que elas tivessem, mas onde elas realmente estão?
E quanto às pessoas em recuperação, aquelas que querem se libertar das drogas e do álcool? Sua igreja é uma comunidade acolhedora e hospitaleira a ponto de ajudá-las a quebrar as correntes da vergonha e da culpa?
"Comece a gemer, filho do homem" (21.6), Deus disse a Ezequiel — e ele diz isso a nós. Mostre às pessoas que você se importa, que você fala em nome de um Deus que nos ama, que perdoa nossas iniquidades e cura nossas doenças, que nos restaura à nossa plenitude e nos dá alegria. 

Maxie Dunnam 
- Trecho do artigo "O que significa ser um ministro de Deus". In A arte e o ofício da pregação bíblica, de Haddon Robinson e Craig Brian Larson (orgs.).

domingo, 31 de dezembro de 2017

Sugestão de receita para um ano inteiro de paz e felicidade


Familienkalender 2014, página 97 (via Portal Luteranos)
Tomem-se 12 meses. Limpem-se os mesmos completamente de amargura, avareza, pedantismo e medo. Então se divida cada um dos meses em 30 ou 31 porções, de modo que o estoque dure exatamente para um ano.
Prepare-se a receita com:
• Uma parte de trabalho e duas partes de alegria e humor.
• Acrescentem-se 3 colheres de sopa bem cheias de otimismo,
• 1 colher de chá de tolerância,
• 1 grãozinho de ironia e 1 pitada de delicadeza.
Por fim deite-se sobre a massa 1 generosa calda de amor. Enfeite-se o prato com ramalhetes de pequenas gentilezas.
Sirva-se com uma deliciosa xícara de chá (ou outra bebida à escolha, conforme o gosto).
Deus, que tem sido tão gracioso comigo desde a minha infância, por certo escolherá um lugarzinho para mim, onde posso concluir os meus dias em
paz e satisfeita.
– Eu me alegro com a vida,
– Não procuro espinhos,
– Lambisco as pequenas alegrias.
– Se as portas por que tenho de passar são baixas, eu me curvo.
– Se for possível tirar a pedra do caminho, eu o faço;
– Se a pedra for pesada demais, eu a circundo.
– E assim a cada dia encontro algo com que me alegrar.
E a pedra angular, a fé em Deus, esta traz alegria ao meu coração e faz o meu semblante feliz.
Texto atribuído a Catharina Elisabeth Goethe (1731-1808),
mãe do poeta Johann Wolfgang von Goethe,
tradução P. Dr. Osmar Zizemer

sábado, 26 de agosto de 2017

O "eu" e a Cruz - Diversos autores refletem sobre o tema


O «eu» e a Cruz
Diversos autores da história da Igreja têm escrito sobre as características
e o lugar que corresponde ao «eu» na vida cristã. Eis aqui alguns textos escolhidos
.


O ídolo maligno
Oh! que dor e que morte é para a minha natureza, transformar-me, a mim mesmo – a minha concupiscência, o meu bem-estar, a minha reputação– até o «meu Senhor, meu Salvador, meu Rei e meu Deus», até a vontade do meu Senhor, a graça do meu Senhor!
Mas, ai de mim! Esse ídolo, essa indômita criatura, EU MESMO sou o ídolo-mestre, diante do qual todos nos inclinamos. O que impulsionou Eva a apressar-se impetuosamente para comer o fruto proibido, senão aquela horrível coisa que é o seu EU? O que levou aquele irmão assassino a matar Abel senão o seu indomável EU? Quem induziu aquele velho mundo a corromper os seus caminhos? Quem, senão ELES MESMOS e os seus próprios prazeres? Qual foi a causa para Salomão cair na idolatria e na multiplicação de esposas estranhas? Qual foi a causa senão o seu EU, a quem ele preferia agradar em vez de a Deus? Qual foi o anzol que agarrou Davi e o forçou ao adultério, senão o seu DESEJO PRÓPRIO? E depois no assassinato, a não ser a sua PRÓPRIA REPUTAÇÃO e a sua PRÓPRIA HONRA? O que levou Pedro a negar o seu Senhor? Não foi uma parte do seu EU e do seu AMOR PRÓPRIO por autopreservação? O que fez a Judas vender o seu Mestre por trinta moedas de prata, a não ser a idolatria do avarento EU? O que fez Demas sair do caminho do Evangelho para abraçar este mundo? Outra vez o AMOR PRÓPRIO e um amor pelo PRÓPRIO LUCRO.
Todos os homens acusam ao maligno pelos seus pecados, mas o grande maligno, o mal interno de todo homem, o mal interno que reside no seio de todo homem é aquele ídolo que tudo mata, o EU! Bem-aventurados são aqueles que podem negar-se a si mesmos, e pôr a Cristo em lugar do EU! Oh! que doce frase: «Já não vivo eu, mas Cristo vive em mim»!
Samuel Rutherford, teólogo presbiteriano escocês (1600-1661)

O que é estar interiormente crucificado?
O que é estar interiormente crucificado? É não ter nenhum desejo, nenhum propósito, nenhuma meta, senão aquela que vem por inspiração divina, ou recebe aprovação divina. Ser crucificado interiormente é cessar de amar a Mamón, para poder amar a Deus; é não ter nenhum olho nos aplausos do mundo, nenhuma língua para as conversações ambiciosas e inúteis, nenhum medo da oposição do mundo. Ser crucificado interiormente é ser, entre as coisas deste mundo «um estrangeiro e peregrino»; separado do que é mau, em comunhão com o que é bom, mas nunca de maneira idólatra; vendo a Deus em todas as coisas e todas as coisas em Deus. Ser crucificado interiormente é, na linguagem de Tauler, «cessar completamente a vida do eu, abandonar igualmente o que vemos e o que possuímos –o nosso poder, o nosso conhecimento e os nossos afetos– para que assim, a alma, com respeito a qualquer ação originada em si mesmo, seja sem vida, sem ação, sem poder, e receba a vida, a ação e o poder somente de Deus».
Thomas C. Upham, teólogo do movimento de santidade americana (1799-1872).

O reconhecimento de um fato
Deus nada espera do eu, mas que ele seja crucificado, o que judicialmente já aconteceu. Como cristãos, nós não somos chamados a morrer para o pecado; mas a reconhecer o fato de que já morremos para o pecado na morte daquele que, na cruz do Calvário, pôs fim à antiga criação, para que no poder de sua ressurreição ele pudesse trazer a nova.  O nosso velho homem foi crucificado com Cristo, e em vista desse fato, reconhecemos a nós mesmos como mortos para o pecado e vivos para Deus. O reconhecimento não produz o fato; ele simplesmente brota do fato.
Este é um fato no eterno conselho de Deus. É um fato na economia divina da redenção. É um fato na consumação lavrada pelo Filho de Deus na cruz do Calvário. É um fato porque, quando o bendito Redentor morreu a vergonhosa morte de um escravo e um criminoso no maldito madeiro da cruz, Deus nos diz em sua Santa Palavra (e toda a Bíblia se centraliza nesse fato e é como o coro de um milhão de vozes ressonantes com seus louvores), que foi para tirar o pecado do mundo. Quando o pecador crê e é salvo, ele não cria o fato, ele simplesmente descansa no fato estabelecido desde a fundação do mundo quando, como lemos em Apocalipse, o Cordeiro de Deus foi imolado. O Calvário foi a expressão visível de um fato já estabelecido pelo determinado conselho e presciência de Deus.
«Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus, nosso Senhor» (Rom. 6:11)
F.J. Huegel (1889-1971)
Pregador norte-americano e autor da vida mais profunda.

A carne, especialista no «Eu»
«Porque se viverdes conforme à carne, morrereis; mas se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis» (Rom. 8:13).
Embora o crente tenha emergido da desordem e da confusão de Romanos 7, através da ordem de Paulo: «considerai-vos mortos para o pecado», ainda assim permanece o fato de que ele descobrirá muitas maneiras pelas quais o ego procura satisfação, através das esferas do seu ser ainda não rendidas. A carne, o corpo, todo o nosso complexo mortal, evidentemente ainda está presente em Romanos 8. Este capítulo representa muitas maneiras pelas quais a mortificação deve ser estabelecida. O crente vitorioso tomará consciência das muitas formas do ego que ainda precisam ser tratadas.
Nós descobriremos:
*Em nosso serviço para Cristo: autoconfiança e autoestima;
*No mais leve sofrimento: autosalvação e autopiedade;
*Na menor incompreensão: autodefesa e autoreivindicação;
*Em nossa posição na vida: egoísmo e egocentrismo;
*Na menor tribulação: autoinspeção e autoacusação;
*Em nossas relações: autoafirmação e respeito próprio;
*Em nossa educação: orgulho próprio e expressão de ideias e sentimentos próprios;
*Em nossos desejos: vida regalada e autosatisfação;
*Em nossos êxitos: autoadmiração e autocongratulação;
*Em nossas falhas: autodesculpa e autojustificação;
*Em nossas realizações espirituais: justiça própria e autocomplacência;
*Em nosso ministério público: autoreflexão e glória própria;
*Na vida como um todo: amor próprio e egoísmo.
A CARNE É UMA ESPECIALISTA NO «EU».
Leslie E. Maxwell, ministro e autor americano (1895-1984).