
Cada domingo o pastor pregava um sermão que incomodava as autoridades (brancas) da cidade. Principalmente porque o título do sermão era anunciado em frente à Igreja, com uma semana de antecedência. Não conseguindo dobrar o ânimo do velho pastor, as autoridades locais: o juiz, o xerife e o prefeito começaram a pressionar os membros do Conselho Administrativo da Igreja, que por fim, cansados e amedrontados e não conseguindo a "cooperação" do pastor, o destituíram.
Depois disso, foram procurar por um substituto que fosse jovem e "flexível", que pudesse ser manipulado e "amaciado" à vontade. Mas, no filme o tal jovem sucessor do "desbocado" ancião destituído, era nada mais, nada menos, que Martin Luther King, Jr. Aí foi que o tiro saiu pela culatra. Na verdade, o substituto era muito mais aguerrido e idealista. Este filme histórico conta um parte das conquistas que o Pastor Martin Luther King trouxe para a comunidade negra americana. Em 1964 ele conquistou a aprovação de uma emenda na constituição americana. Foi através de atitudes como resistência passiva e desobediência civil, pregadas por Henri David Thoreau e Gandhi, que o Pastor Martin Luther King conquistou sua fama e a conquista do Prêmio Nobel da Paz, naquele mesmo ano.
Trazendo agora o foco do artigo para a comunidade evangélica no Brasil, em pleno século XXI, ela também vem sofrendo com difamação e preconceitos, e pode aprender muitas coisas a aprender com Martin Luther King. Nós, os crentes em nosso Senhor Jesus Cristo, temos enfrentado aborrecimentos com um preconceito crônico instalado na mídia brasileira, onde a maioria das imagens veiculadas dos evangélicos está associada a algo ruim. Um quarto da população brasileira - 50 milhões de pessoas - são evangélicas, ou como costumo dizer, crentes em Cristo.
Mas é preconceito sim. Ele nos agride e incomoda. Diante disso, as reações de nossas lideranças já são previamente conhecidas. Há os que dizem: o mundo jaz no maligno e não devemos mesmo esperar o nada, nem o respeito da sociedade. São os que aceitam a escravidão do Egito. Outros fingem que o preconceito não existe, e procuram viver da melhor maneira possível. São os indiferentes - não estão nem um pouco preocupados. Há ainda outros que se disfarçam de incrédulos. São principalmente as crianças, adolescentes e jovens evangélicos que procuram se comportar nas escolas públicas como verdadeiros "pestinhas" apenas para que ninguém descubra que eles são crentes. É como se ainda pairasse um quê de escravidão sobre nossas cabeças.
Podemos, sim, dar um basta neste progressivamente neste preconceito e conquistar o respeito que ainda não temos diante da sociedade brasileira. Não que isto vá fazer o mundo ter paz conosco, mas se nada for feito por nos, até nossos filhos vão ter vergonha de serem cristãos. Não podemos andar de cabeça baixa, é preciso dar uma resposta. Uma resposta equilibrada, sem radicalismo, que possa ser traduzida em atitudes familiares simples, mas que no coletivo vão trazer boas mudanças e o respeito a cidadania que por direito temos. Quer um exemplo deste tipo de reposta? Cadê aquelekit gay que o atual prefeito de São Paulo, na época, Ministro da Educação pretendia despachar para cada escola dos cinco mil e tantos municípios brasileiros? Sabe por que não fizeram a distribuição? porque tiveram medo de perder o voto dos evangélicos. Nossa atual presidente, Dilma Rousseff, também recuou de implantar a Lei do Aborto indiscriminado.
Precisamos começar a ter respeito por nós mesmos, através de uma consciência mais aguçada de cidadania. Quando olho para o Livro de Atos dos Apóstolos e vejo o efeito que as palavras de Paulo causavam tanto em em ouvidos judeus quanto romanos. Os cristãos, desde os primeiros apóstolos, sempre tiveram entre seus líderes homens cuja coragem era marca de seus caráteres, como está escrito em II Timóteo 1:7. Será que os tempos mudaram?
Há muito tenho ouvido palavras de boicote à TV Globo com suas novelas perniciosas e preconceituosas. Não sou contra a Rede Globo, mas contra as atitudes de seus gestores, que devem ter mesmo ojeriza da família brasileira. Não sou favorável a atitudes radicais e nem é de bom alvitre ter fixação em derrubar órgãos da imprensa. É preferível ter uma imprensa, às vezes preconceituosa, do que a imprensa de "chapa branca" das ditaduras cubanas, venezuelanas, argentinas, bolivianas, equatorianas... Defendo sim a liberdade de expressão, mas desde que não seja usada para ofender os direitos de cidadania de ninguém. De preferência, que não esculhambem a estrutura familiar.
Nós crentes podemos, sim, dar NOSSO RECADO de desagrado quanto ao que vai pela TV não importa qual for: se Globo, Record, SBT, Bandeirantes ou qualquer outra que venha ferir e prejudicar a consciência dos cidadãos da comunidade evangélica. Não queremos destruir, mas contribuir para o aprimoramento dessa liberdade de expressão com atitudes de resistência pacífica.
Ao chegar no supermercado, cada um de nós conscientemente, pode substituir tais produtos por marcas de outras empresas que respeitem nossa cidadania e a cultura cristã.
A comunidade evangélica responde hoje por mais de 25% do consumo na economia brasileira. Precisamos adquirir consciência desta força para aprender a dizer NÃO de forma pacífica, inteligente e indireta. Uma novela para ficar no ar precisa de patrocínio. O patrocínio vem das empresas que vendem produtos populares. Sabonetes, shanpoos, marcas de carros populares, remédios para dor de cabeça.
Quando os crentes começarem a ligar para os 0800 dessas empresas, para dizer que não vão mais comprar os produtos delas, porque estão patrocinando programas perniciosos ou que estejam depreciando a imagem e cidadania dos crentes - elas vão ouvir, sim senhor! Pode ser que não imediatamente, mas quando cada um de nós for além das palavras e deixar de comprar por um ano, dois anos aqueles sabonetes, shampoos, celulares, remédios de dor de cabeça.... Com certeza isto vai ser uma boa lição de cidadania. Isto é justo e honesto converse e nossa família precisa saber para adquirir uma boa consciência.
Por fim, contextualizando este artigo, quero dizer que vem aí as eleições de outubro de 2014. O crente em Jesus não pode ter simpatia por anarquistas, que defendem o boicote ao voto. Deixar de votar. Jesus disse que devemos dar a Deus o que é de Deus e a César o que é de César. Ele não mandou boicotar o que era de César, e não mandou porque se este mundo perder a consciência de organização comunitária, vem a seguir o descontrole e a baderna. O caos não é de Deus. O que precisamos fazer é orar para depois escolher. E escolher pessoas que antes de serem eleitas, tenham firmado compromisso de respeitar a família brasileira. Uma nação de terceiro mundo, como a nossa, só pode prosperar se cada família for temente a Deus e tiver costumes sadios.