quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Ele frequentava a igreja há anos, mas não via diferença em sua vida - Ilustração

 


O caminho é este. Você decide se quer ou não percorrê-lo.

 

Durante anos, nos cultos de sua antiga congregação, o velho pastor observou a presença de um jovem que nada falava e que parecia indiferente a tudo. Entrava, assistia aos cultos, meio alheio, saía. Não costumava participar dos eventos externos, batismos, retiros. Certa noite, o jovem chegou um pouco mais cedo e ao encontrar o pastor sozinho, arrumando as coisas no altar, aproximou-se dele, interpelando-o:

– Pastor, há muitos anos venho à sua igreja e tenho reparado no grande número de obreiros e obreiras ao seu redor e no número ainda maior de leigos, homens e mulheres. Alguns deles alcançaram plenamente a realização. Qualquer um pode comprovar isso. Outros experimentaram certa mudança em sua vida. Também hoje são pessoas mais livres e felizes.

Mas, senhor, também noto que há um grande número de pessoas, entre as quais me incluo, que permanecem como eram ou que talvez estejam até pior. Não mudaram nada, ou não mudaram para melhor. Por que há de ser assim, mestre? Por que o senhor não usa do seu poder e da sua unção para libertar a todos?

O pastor sorriu e perguntou:

– De que cidade você vem?

– Eu venho de Camboriú, pastor, a trezentos quilômetros daqui.

– Você ainda tem parentes ou negócios nessa cidade?

– Sim, mestre. Tenho parentes, amigos e ainda mantenho negócios em Camboriú, de modo que frequentemente vou para lá.

– Então, meu jovem, você deve conhecer muito bem o caminho para essa cidade.

– Sim, mestre, eu o conheço perfeitamente. Diria que até com os olhos vendados eu poderia achar o caminho para Camboriú, tantas vezes o percorri.

– Deve, então, acontecer de algumas pessoas às vezes o procurarem, pedindo-lhe que lhes explique o caminho até lá. Quando isso ocorre, você esconde alguma coisa delas ou explica-lhes claramente o caminho?

– O que haveria para esconder, mestre? Eu lhes explico claramente o caminho, de maneira a não deixar nenhuma dúvida.

– E essas pessoas às quais você dá explicações tão claras... todas elas chegam à cidade?

– Como poderiam, mestre? Somente aquelas que percorrem o caminho até o fim é que chegam a Camboriú.

– É exatamente isso que quero lhe explicar, meu jovem. As pessoas vêm a mim sabendo que sou alguém que já percorreu o caminho e que o conhece bem. Elas vêm a mim e perguntam: “Qual é o caminho para a salvação? E como ter e manter uma correta vida cristã”? E o que há para esconder? Eu lhes explico claramente o caminho. Se alguém simplesmente abana a cabeça e diz “Ah, um lindo caminho, mas não me darei ao trabalho de percorrê-lo”, como essa pessoa pode chegar ao seu destino? Eu não carrego ninguém nos ombros. Ninguém pode carregar ninguém nos ombros até o seu destino. No máximo, é possível dizer:

“Este é o caminho e é assim que eu o percorro. Se você também trabalhar, se também caminhar, certamente atingirá o seu destino”. Mas cada pessoa deve percorrer o caminho por si, sentir cada um dos seus passos. A salvação, pregada coletivamente, é individual; e individual também é a cruz de cada um.

Quem deu um passo está um passo mais próximo. Quem deu cem passos está cem passos mais próximo. Parece um paradoxo? Marchamos juntos, mas você tem que percorrer o seu caminho por si só. Não posso dar passos por você. Posso apontar, com palavras e exemplos, a direção.

Recriada a partir de ilustração presente no livro Como Atirar Vacas no Precipício, de Alzira Castilho.


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