O caminho é este. Você
decide se quer ou não percorrê-lo.
Durante anos, nos cultos
de sua antiga congregação, o velho pastor observou a presença de um jovem que
nada falava e que parecia indiferente a tudo. Entrava, assistia aos cultos,
meio alheio, saía. Não costumava participar dos eventos externos, batismos,
retiros. Certa noite, o jovem chegou um pouco mais cedo e ao encontrar o pastor
sozinho, arrumando as coisas no altar, aproximou-se dele, interpelando-o:
– Pastor, há muitos anos
venho à sua igreja e tenho reparado no grande número de obreiros e obreiras ao
seu redor e no número ainda maior de leigos, homens e mulheres. Alguns deles
alcançaram plenamente a realização. Qualquer um pode comprovar isso. Outros
experimentaram certa mudança em sua vida. Também hoje são pessoas mais livres e
felizes.
Mas, senhor, também noto
que há um grande número de pessoas, entre as quais me incluo, que permanecem
como eram ou que talvez estejam até pior. Não mudaram nada, ou não mudaram para
melhor. Por que há de ser assim, mestre? Por que o senhor não usa do seu poder
e da sua unção para libertar a todos?
O pastor sorriu e
perguntou:
– De que cidade você vem?
– Eu venho de Camboriú, pastor,
a trezentos quilômetros daqui.
– Você ainda tem parentes
ou negócios nessa cidade?
– Sim, mestre. Tenho
parentes, amigos e ainda mantenho negócios em Camboriú, de modo que
frequentemente vou para lá.
– Então, meu jovem, você
deve conhecer muito bem o caminho para essa cidade.
– Sim, mestre, eu o
conheço perfeitamente. Diria que até com os olhos vendados eu poderia achar o
caminho para Camboriú, tantas vezes o percorri.
– Deve, então, acontecer
de algumas pessoas às vezes o procurarem, pedindo-lhe que lhes explique o
caminho até lá. Quando isso ocorre, você esconde alguma coisa delas ou
explica-lhes claramente o caminho?
– O que haveria para
esconder, mestre? Eu lhes explico claramente o caminho, de maneira a não deixar
nenhuma dúvida.
– E essas pessoas às quais
você dá explicações tão claras... todas elas chegam à cidade?
– Como poderiam, mestre?
Somente aquelas que percorrem o caminho até o fim é que chegam a Camboriú.
– É exatamente isso que
quero lhe explicar, meu jovem. As pessoas vêm a mim sabendo que sou alguém que
já percorreu o caminho e que o conhece bem. Elas vêm a mim e perguntam: “Qual é
o caminho para a salvação? E como ter e manter uma correta vida cristã”? E o
que há para esconder? Eu lhes explico claramente o caminho. Se alguém
simplesmente abana a cabeça e diz “Ah, um lindo caminho, mas não me darei ao
trabalho de percorrê-lo”, como essa pessoa pode chegar ao seu destino? Eu não
carrego ninguém nos ombros. Ninguém pode carregar ninguém nos ombros até o seu
destino. No máximo, é possível dizer:
“Este é o caminho e é
assim que eu o percorro. Se você também trabalhar, se também caminhar,
certamente atingirá o seu destino”. Mas cada pessoa deve percorrer o caminho
por si, sentir cada um dos seus passos. A salvação, pregada coletivamente, é
individual; e individual também é a cruz de cada um.
Quem deu um passo está um
passo mais próximo. Quem deu cem passos está cem passos mais próximo. Parece um
paradoxo? Marchamos juntos, mas você tem que percorrer o seu caminho por
si só. Não posso dar passos por você. Posso apontar, com palavras e exemplos, a direção.
Recriada a partir de ilustração presente no livro Como Atirar Vacas no Precipício, de Alzira Castilho.

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